Gente, gostaria que me perdoassem por ainda não ter respondido os reviews, mas foi por causa das aulas. Prometo que dessa vez eu respondo e por favor... Não queiram me matar depois de ler esse capítulo ok? Beijos!
Capítulo 10
Fofocas
Quando Kanon terminou de tomar seu banho, já eram sete e meia da noite. Tratou de se vestir o mais depressa e se perfumou para esperar Lígea chegar. Após ter seguido os conselhos de Mascara da Morte, preparou um pequeno lanche para os dois. Agora só faltava ele convencer o irmão de deixar a casa.
-Por favor, Saga. Você pode voltar a uma da manhã...
-Kanon, não vou deixar você sozinho em casa, ainda mais não sabendo o que você pretende fazer.
-Eu vou receber uma garota.
-Ah! Entendi! Qual garota?
-Você não conhece... Por favor... Ela vai chegar em 15 minutos, Saga!
-E se ela for uma ladra? Kanon, do jeito que você é irresponsável não duvido de nada!
-Pelo amor de Zeus, Saga! Você se retira então?
-Está bem, eu vou pra casa do Mu.
Saga deu um telefonema para o amigo e logo saiu de casa. Agora o ambiente estava livre para Kanon. Os minutos pareciam durar horas e foi quando Kanon resolveu apanhar uma bebida que a campainha tocou.
Ele abriu a porta e lá estava ela, no horário exato. Baixa, com os cabelos presos e os olhos mais rápidos que nunca, captando todas as informações que podia.
-Onde é a festa? – Disse ela entrando na casa do rapaz sem pedir licença e ao vê-lo vestido daquela maneira.
-Aqui em casa mesmo, doçura! Vai querer apostar comigo para ver quem é mais irônico?
-Não. Você perde fácil. Nem vale a pena.
O sorriso de Kanon desapareceu. Estava ficando cada vez mais nervoso e era esse fato que o atraía para aquela garota.
-Comprou a tela que eu te pedi? – Disse ela pondo os pincéis e as tintas em cima da mesa. Colocou seu avental sobre o macacão jeans e deu um laço para pendê-lo em seu corpo.
"Ela fica mais bonita de uniforme... Com as pernas de fora... Hehehe" – Enquanto pensava, Kanon fazia cara de bobo.
-Onde está a tela? Vai ficar aí que nem retardado me olhando?
-Está aqui! – Colocou sobre a mesa a tela. – É que você é muito linda, garota...
-Por que a tela ainda está com o plástico, seu imprestável? – Lígea ignorou o comentário, pois já estava ficando impaciente.
-Porque eu comprei ela hoje!
-Nem parece que a exposição é amanhã, Kanon! Você já devia ter riscado a parada!
-A tela não vem com manual de instruções!
-Me esqueci que estava ajudando um débil mental!
-Ei! Posso ser irmão de um, mas eu não sou débil mental!
-Mas vai ficar com cara porque a Nix vai te humilhar tanto...
-Er... Não... Vou riscar logo...
-Voa!
Kanon riscou algo parecido com o quadro que já tinha feito e Lígea se impressionou por ele ter feito o desenho em menos de quinze minutos.
-Pronto, agora já tá riscado, querida. Qual o próximo passo?
-Comece a pintar o fundo. Pra quem pintou aquele outro quadro... Pode fazer bem nesse também.
O garoto pegou as tintas e começou a fazer sua arte de modo criativo. Lígea se sentou em uma das cadeiras da mesa e o observou a pintar.
-De que signo você é, Kanon?
-Gêmeos!
-Tinha que ser...
-Por que? – Kanon a olhou curioso – Quer saber se nossos astros combinam?
-Porque um sujeito duas caras como você só podia ser geminiano. Além do que, é extremamente galinha.
-Eu sou tudo isso! Mais algum elogio?
Ela cruzou os braços e deu de ombros. Meia-hora depois, Kanon terminou o fundo e esperou o quadro secar. Ofereceu o lanche que havia preparado e enquanto Lígea comia, o grego pegou seu violão e começou a tocar para ela.
-Nossa, há quanto tempo você toca?
-Faz uma semana. – Mentiu Kanon – Aprendi a tocar só pra você.
-Lá vem você com suas cantadas inúteis!
-E você é muito cabeça dura, menina!
-Talvez, mas eu não costumo errar!
-Do que está falando?
-De pilantras como você.
-Eu não sou pilantra.
-Esqueci! O Máscara da Morte que é!
-Mas ele é mesmo! Não viu ele tentando catar a menininha da oitava?
-Que feio! Falando mal do amigo pelas costas!
-Que nada, eu falo na cara dele!
-Falso!
-Não sou! Com você não!
Kanon começou a se aproximar de Lígea e a encurralar a garota contra uma das paredes da sala, quando ela conseguiu escapar do bote.
-Veja, já secou! Pode continuar! – Disse ela corada.
A garota grega olhou no relógio e viu que já passava das dez da noite. Começou a ficar preocupada com o horário.
-Kanon, posso usar seu telefone?
-Claro.
Lígea ligou para seu pai e pediu que ele a fosse buscar perto da meia-noite. Ficou sentada, olhando Kanon pintar quando se perdeu em seus pensamentos. Ficou se imaginando na casa de Dohko, enquanto ele pintava e ela dava dicas de pintura a ele. Fantasiava as situações quando Kanon colocou uma música muito alta dos Red Hot Chilli Peppers fazendo-a voltar a si.
-Cara, não faz isso! Você me assustou!
-Era pra isso mesmo! To te chamando faz meia-hora e você nem ta ouvindo!
-Fala!
-Olha aí! – E virou a tela pra a grega ver.
Ela não podia acreditar. Já estava quase pronto e ele já estava dominando as técnicas de tinta acrílica sem problema.
-Lígea, qual seu lance com o Dohko? – Kanon perguntou de propósito.
-Nenhum. Por quê?
-Porque estão dizendo que você e ele se gostam.
Lígea fritou de vergonha.
-Isso não é da conta de ninguém!
-Mas é verdade?
-Não interessa. Muito menos pra você!
-Te digo que o Dohko não é o cara certo pra você...
-E por que não?
Kanon não respondeu. Continuou dando atenção ao que estava fazendo, com seus pensamentos a mil. "Se ela não quis responder é porque ela sente algo por ele realmente. Eu não posso deixar aquele bobalhão pegar essa garota. Ela tem que ser minha. E vai ser. Pra eu exibi-la como um troféu."
Olhou novamente no relógio e já eram onze e quinze da noite.
-Amanhã você me devolve as tintas. Eu preciso ir descendo, meu pai vai chegar aqui daqui a pouco.
-Devolvo sim...
Lígea levantou da mesa, tirou o avental, colocou na mochila e ficou na varanda observando a noite fria que fazia. Aos poucos, Kanon foi chegando por trás da garota sem ela perceber. Foi bastante ágil, pois agarrou fortemente a cintura dela. Com o pequeno espaço que sobrou entre os dois, ela virou e encarou Kanon com seu rosto bem próximo. Na mesma hora começou a socar os ombros do rapaz que usando um dos braços colocou uma das mãos de Lígea para trás de seu próprio corpo e depois fez com a outra, de maneira que a garota não podia se soltar. Lançou-lhe um grande beijo.
Lígea tentava tirar sua boca do caminho enquanto Kanon a beijava a força, porém o beijo durou pouco e foi interrompido.
-KANON!
Ele soltou Lígea na mesma hora e olhou para trás.
-O que você está fazendo aqui?
-Então era ela! Seu maldito!
Lígea não sabia o que fazer. Se ficava para ver a briga entre aqueles dois ou se saía para encontrar seu pai. Optou pela segunda opção e saiu sem dar satisfações.
-Você sabe que o Dohko é louco por essa garota!
-E daí? Eu também sou! – Ele olhou ao redor e ela não estava mais na casa deles. – Tá vendo, palhaço! Ela não está mais aqui! Estragou tudo!
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Os gêmeos chegaram no dia seguinte na escola e logo de cara foram acolhidos por ninguém menos que Dohko.
-Beleza Kanon? Oi Saga.
-Olá... – Saga cumprimentou Dohko constrangido. Pela expressão contente do rapaz, ele não devia saber de nada ainda.
-Beleza aí cara! – Kanon o abraçou e deu um tapa em suas costas.
-Vamo leva a sua tela pra exposição. A Nix já está montando os cavaletes. Qual o nome da sua obra?
-Cosmos e amor! – Disse Kanon mostrando o quadro para o amigo chinês.
-Mas que quadro incrível... E que nome diferente...
-Faz parte da originalidade!
-Bom, vejo vocês depois... – Saga acenou e se separou dos dois que tomaram rumo à quadra poli esportiva.
Mu e Aldebaran já estavam na escola. O brasileiro estava ansioso e esperando Kamus chegar com o molho que havia prometido fazer para o Fricasset de Frango que tinham preparado para a mostra de culinária que seria a tarde. Cumprimentaram Saga e logo notaram que seu olhar estava mais perturbado que nunca.
-O que aconteceu, Saga?
-Nossa Mu, não sei se devo comentar...
-Você sabe que com a gente é sussa, cara...
-Eu sei Aldebaran, mas é complicado pra mim... Tenho medo de vazar...
Mas antes que Saga começasse a contar, Lígea veio a seu encontro.
-Posso falar com você a sós? – Ela estava bastante constrangida ao olhar para Saga. Olhar pra ele era como olhar para Kanon e isso a deixava pior.
-Claro... – Ele a levou para um local mais afastado.
-Você é o Saga mesmo, não é?
-Sou. Fique calma.
-Logo vi, seu olhar é diferente do dele...
-Temos diferenças...
-Bom, eu preciso te dizer. O que você viu ontem, não era pra ter acontecido. O seu irmão me agarrou e me beijou a força. Eu te juro...
-Calma... Não precisa jurar. Eu sei e eu lamento muito por ter saído ontem. Se eu soubesse que você iria pra minha casa, jamais teria deixado vocês a sós, lá.
-O que eu faço? Do jeito que o seu irmão é, ele vai contar ao Dohko...
-Fale com o Dohko logo e conte pra ele a situação.
-Mas eu não tenho nada com ele!
-Mas quer ter, não quer? – Saga viu o olhar envergonhado de Lígea e acrescentou – Não precisa responder. Converse com o Dohko. Ele é uma pessoa muito legal e vai te entender.
-Você acha mesmo, Saga?
-Sim, nenhuma dúvida!
Lígea o abraçou e sussurrou palavras de agradecimento aos seus ouvidos. Depois saiu em direção da quadra, levando sua tela nas mãos. Quando Saga voltou, Kamus já havia chegado. O francês abriu a panela e um delicioso aroma saiu de dentro do recipiente.
-Acho que ficou bom, Aldebaran. Depois você prova.
-Cara, confio em sua mão. Você manda bem pra caramba na cozinha!
Os quatro foram andando até uma das praças do colégio e se sentaram nos bancos que haviam ali. O único que ficou de pé foi Kamus, e segurava a panela em suas mãos. Conversavam tranquilamente quando Aioros chegou correndo e tropeçou em um galho de árvore trombando em Kamus derrubando todo o conteúdo da panela em cima de Mu que se contorcia de dor porque o molho estava quente.
-Aioros! Olha só o que você fez! – Kamus levantou pela primeira vez a sua voz.
Saga acudia Mu. O coitado ficou todo encharcado e os braços com queimaduras superficiais.
-Desculpem! Mas vocês precisam vir!
-Não Aioros, agora o Kamus vai ter que fazer outro molho! Ou melhor, VOCÊ vai fazer outro molho! – Aldebaran ficou furioso com a situação.
-Depois eu faço! Gente, o Shura! O Shura!
Aioros tentava falar, mas seu fôlego estava curto. Precisava respirar antes de dizer.
-O que tem o Shura? – Kamus não conseguia disfarçar a impaciência em sua voz.
Aldebaran, Mu e Saga ficaram alarmados. Precisavam escutar o resto do que Aioros tinha para falar. O brasileiro agarrou Aioros pelos ombros e enquanto o chacoalhava perguntava:
-O que aconteceu?
-Eu vi... Eu vi... O...
-O que foi? RESPIRA! – Agora era Mu que estava saindo do sério.
-O... Afr... Afrodite! Beijando... Shina... Aff...
Kamus soltou a panela no chão.
-E o Shura viu também? – Saga começou a ficar preocupado também.
-Qua... Quase... – Ofegou Aioros.
-Palhaço! – Aldebaran soltou Aioros que caiu estatelado no chão – Achei que o Shura já estava socando o moleque!
-Ei! Vocês já sabiam? – Disse ele se levantando do chão.
-Eu não. Mas pra mim não interessa. O que realmente me interessa é que você vai fazer o molho que derrubou no chão, seu desastrado!
-Eu não tive a intenção... De... Desculpa Kamus!
-Nem eu e nem o Kamus vamos desculpar! Você chega aqui afobado, derruba o molho, queima o Mu, diz que você viu a Shina beijar o Afrodite e o Shura nem viu!
-Quanto a mim, não tem problema... – Mu olhava para os braços que ardiam em brasa.
-Vou te levar na enfermaria.
-Não precisa, Saga. Busca só um gelo pra mim?
-Claro...
Saga saiu para buscar gelo enquanto os outros discutiam com Aioros. Não parava de pensar em seu irmão e na besteira que ele tinha feito, quando viu Kia, a garota que estava interessado, chorando em uma bancada perto da cantina. Era a sua chance. Com passos leves, porém decididos, caminhou até ela e ofereceu-lhe um lenço. Ela pegou o lenço encabulada, enxugou as lágrimas e olhou para o garoto grego.
-O que foi que houve?
-Não foi nada. Saudades de casa.
Saga ficou olhando para a menina, parado, sem saber o que dizer. Ele tinha problemas com garotas.
-Saga, né?
-Si... Sim... E você é... Kiá? – "Nossa... Ela sabe... meu nome!"
-Kía. Não se preocupe – Ela estendeu a mão devolvendo o lenço. – Muito obrigada, Saga.
-Pode ficar com ele. É presente!
Kia sorriu e saiu andando. Saga ficou observando a garota sumir de sua vista. Depois de pegar o gelo e voltar para ajudar Mu, foi bombardeado de perguntas.
-O que você ia nos contar? – Aldebaran ainda estava bastante curioso.
-Fica entre nós? – Saga deu olhadas desconfiadas para Kamus e Aioros.
-É claro!
-Vou confiar... Ontem o Kanon me pediu pra sair de casa... – Saga contou para os amigos a história detalhadamente. Todos estavam pasmos com a astúcia de Kanon. Aioros, como sempre, não conseguiu se conter.
-O Dohko é super louco por essa garota! Isso vai dar confusão!
-Também não é assim, Aioros! O Dohko tem a cabeça no lugar, vai ficar triste com a Lígea e muito chateado com o Kanon. O cara devia colocar as amizades acima de qualquer coisa!
-Se for assim, o Afrodite também é um falso, Aldebaran!
-Não. O Shura nem sequer chegava perto da Shina. Já o Dohko tinha todo aquele lance, amizade por trás, sabe?
-Bom, o importante é ajudar o Dohko a perceber que ela gosta dele e não do meu irmão.
-Pode contar com a gente! – Mu disse enquanto colocava o gelo em seu braço esquerdo.
-Vamos indo porque a exposição vai começar logo...
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-O que você tem, Lígea?
-Depois eu quero conversar com você, Dohko.
-Sobre o que?
-Depois eu te falo, agora não.
Nix deu o sinal de que estava tudo pronto e os garotos correram para os seus lugares, ao lado de cada cavalete.
A exposição foi aberta ao público e quase não dava para andar pela quadra de tanta gente junta. Miro caminhava sozinho por entre os quadros e parou diante de uma tela com uma grande violeta pintada.
"Isso me deu uma idéia..." – pensou ele.
Os outros garotos estavam adorando a exposição. Quando viram o quadro de Dohko, congratularam o rapaz.
-Você é um excelente artista Dohko! Dá pra sentir o cheiro das árvores do quadro.
-Que nada, Aioros! Vocês viram o quadro do Kanon?
Saga revirou os olhos. Aldebaran e Mu não conseguiam disfarçar o desdém, mas Dohko estava tão contente que nada estava abalando seu estado alegre.
-Ainda não. – Kamus foi o único que conseguiu responder.
-Precisam ver! Ele mandou muito bem! Ele está logo ali, ó! – Dohko apontou para o amigo que naquele momento estava recebendo um elogio da professora.
-Depois a gente vê. – Aldebaran tomou coragem para pronunciar aquelas palavras.
-O que está acontecendo com vocês?
-Nada, Dohko. Está de parabéns! Vamos circular galera? – Aioros resolveu sair dali para não haver constrangimentos maiores.
-Valeu Aioros, eu não ia conseguir ficar lá sem contar pra ele o que eu sei.
-Por que não falou então, Saga?
-Porque é a Lígea que tem que falar.
Eles continuaram a andar por entre os quadros e se encontraram com Aioria e Marin de mãos dadas. Aquele era um sinal de que já haviam atado um namoro. Dali em diante, prosseguiram todos juntos. Marin cumprimentou Lígea por seu quadro e quando ela viu Saga, constrangeu-se de uma forma peculiar. "Com certeza, todos esses meninos devem saber o que aconteceu..." – Pensou ela ao ver os rostos conhecidos.
Quando já estavam quase terminando de ver a exposição a turma toda viu a cena mais perigosa de todos os tempos.
Afrodite estava aos beijos com Shina e pelo jeito, as coisas estavam boas porque o entusiasmo era enorme.
-Eu preciso ir lá avisar pra eles não darem tanta bandeira assim!
-Eu vou com você Aldebaran! – Mu saiu no encalço do colega.
-É impressão minha ou... O Afrodite tá ficando com a Shina?
-Ficando nada, Aioria! Namorando!
-Nussa! Quando o Shura souber...
-É, melhor que o Shura saiba logo. – Marin se intrometeu na conversa.
-Também acho! Mas de uma forma decente!
-O que seria forma decente pra você, Aioros?
-Uma forma que ele não batesse no coitado, Kamus.
-Vocês se alteram por coisas tão banais... Por favor,... A vida é cheia de escolhas. A menina escolheu o Afrodite, azar do Shura.
-Você é muito frio, Kamus.
-Não, não sou. Vocês que fazem esse escarcéu todo por causa de uma tremenda bobagem.
-Eu garanto pra você, Kamus, que se você visse a sua amada com outro, não ia se conter.
-É porque você não me conhece, Marin. Se algo não deu certo, não vou socar o cara porque a garota que eu gosto está com outro. É essa a realidade. Analisem os fatos, depois tomem atitudes.
"Eu gostaria que meu irmão pensasse assim..." – Saga refletiu de olhos fechados.
-Bom, eu vou atrás do Aldebaran – Kamus disse enquanto arrastava Aioros pela camisa – E você vai comigo pra refazer o molho.
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-Lígea, agora você pode falar comigo?
-Pode ser depois do almoço, Dohko? Eu preciso levar minha tela pra casa, meu pai vai passar aqui daqui a pouco.
-Está bem... – Dohko concordou chateado.
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A tarde chegou depressa e com isso começaram os preparativos para a feira de culinária. Aldebaran e Kamus estavam apavorados ao ver que Aioros não sabia o que estava fazendo.
-Me dá isso, seu palhaço! Você é uma pessoa que consegue me tirar do sério!
-Calma, Kamus! Eu não sou tão bom na cozinha quanto você!
-Eu estou calmo, Aioros! Você nunca me viu bravo!
-Ninguém mandou você empurrar o Kamus, Aioros! Nós temos meia hora pra deixar isso pronto! E se não ficar pronto... Eu posso ser pior que o Shura... Porque eu sou grande...
-Dá pra parar de me ameaçar?
-Não! Faz o que a gente manda e presta mais atenção por onde você anda, que a gente pensa melhor no seu caso! – Aldebaran estava furioso.
Porém, para o bem de Aioros, o molho ficou pronto cinco minutos antes deles terem que comparecer no pátio principal do colégio. Misturaram o frango com o molho rapidamente e saíram em disparada para o local.
Afrodite já estava lá, esperando Aioros chegar. Tinham preparado um Rosbife que parecia muito gostoso. Shina observava seu namorado de longe e seu olhar era muito apaixonado. Calíope também estava presente e parecia interessada nos pratos muito bem decorados.
Em cima da mesa havia de tudo. Desde salgados até os mais variados doces e a feira de comida ia durar até o fim da tarde. Todos provavam de tudo.
Dohko experimentou um pedaço de torta de morango e achou deliciosa. Procurou Lígea a tarde toda e não a encontrou. "Vou pegar um pedaço e levar pra ela..." – Pediu para Sarah cortar um pedaço a mais pra ele.
A procura por Lígea pelo colégio começou. Dohko andou pelo colégio todo e não achou a garota. "Só falta ela estar no jardim..." – Caminhou até o jardim e ouviu vozes conhecidas. Foi andando lentamente com o pedaço da torta na mão.
-Eu sei que é comigo que você deve ficar, Liginha! – Kanon agarrou novamente a garota com força.
Os olhos de Dohko se encheram de lágrimas. Sentiu uma dor muito forte invadir seu peito e jogou a torta no chão. Saiu correndo do colégio e decidiu ir pra casa, não imaginando o que ia perder depois.
Lígea deu um tapa no rosto de Kanon com força, deixando a marca de sua mão na bochecha do rapaz.
-Você só me faz me apaixonar mais por você dessa maneira! – Disse Kanon ignorando a dor em seu rosto.
Ela ia responder algo a altura quando Máscara da Morte veio correndo mais rápido que um leopardo ao encontro dos dois.
-Venham rápido! Confusão na quadra!
-O que aconteceu?
-Shura pegou Shina e Afrodite se beijando!
-UIA! O rapaz é bom hein! Catou uma mina gostosa!
-Se pá, até dormiu com ela...
-Eu SABIA que ia dar pau! E como vocês são grossos!
-Você já sabia?
-Nem sei porque estou trocando idéias com vocês. – Disse ela se adiantando.
Os três chegaram na quadra e estava o maior tumulto. Aioros, Kamus e Miro seguravam Afrodite que estava com o canto esquerdo da boca sangrando, resultado de uma joelhada de Shura. Do outro lado, Aldebaran, Saga e Mu seguravam Shura que tinha perdido um de seus dentes por causa de um soco de Afrodite.
-Onde está o Dohko? – Aldebaran perguntou a Mu.
-Eu não sei. Eu vi ele agora pouco por aqui.
Não demorou muito para os coordenadores do colégio chegarem. Afrodite e Shura foram levados para a coordenação. Deixaram a quadra ao som de gritos do outros alunos e entre eles, o que mais sobressaiu foi o de Kanon:
-Aí Ditezinho! Mandou bem, cara!
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O último dia da Semana Cultural ficou sem a presença de Shura e Afrodite, pois a briga rendeu para os dois uma suspensão. Seria bom para Shura, pois poderia ir ao dentista repor seu dente antes de voltar para as aulas após o final de semana. Afrodite estava todo roxo, inclusive sua boca estava bastante inchada e sua sorte foi não precisar dar ponto nenhum em seu belo rosto.
Todos comentavam a briga e Shina se sentia culpada pelo tumulto. Sarah, uma garota austríaca que estudava com ela tentava acalmá-la e consolava da maneira que podia.
-Não se culpe, Shina. Shura é um troglodita!
Dohko chegou muito abalado pela manhã e pediu para ninguém o atormentar. Queria ficar quieto.
O torneio de Esgrima seria realizado durante à tarde e somente os alunos do terceiro ano estavam presentes pela manhã, montando a arena de combate. Perseu nunca se lamentou tanto por um aluno, porém infelizmente Shura não iria brilhar naquela tarde. Shaka e Aioros chegaram à conclusão de que era melhor se unirem já que suas duplas não estavam presentes. Todos notaram a tristeza de Dohko e quando não aguentou mais, Saga se sentou ao lado dele em uma das arquibancadas da quadra central. Estava se sentindo culpado e precisava se mostrar amigo naquela hora, porém quando foi abrir a boca, Lígea chegou.
-Oi Dohko, posso falar com você?
-Oi, hoje eu não estou a fim. – Dohko se levantou e deu as costas para a garota.
-Ei Dohko, aonde vai?
Ele fingiu que não ouviu a pergunta e continuou caminhando. Lígea olhou para Saga que respondeu com um olhar severo. Saiu então atrás do amigo. Quando estavam a sós, ela puxou sua camisa e fez com que ele parasse.
-Dá para não me ignorar?
-O que você quer?
-Falar com você, ué!
-Me deu maior bolo ontem, disse que voltava, mas não apareceu...
-Escuta Dohko, eu preciso falar sério com você... Aconteceram umas coisas...
-Eu acho que eu prefiro não escutar...
-Mas eu preciso que você ouça e me entenda!
Dohko encarou os olhos escuros de Lígea.
-Diga.
-Aconteceram umas coisas... Eu não te avisei antes porque achei que não fazia sentido... Mas aí vi que as coisas são diferentes...
-Seja direta, você sabe ser direta.
-Ontem eu fui à casa do Kanon, pra aju..
-Escuta Lígea, pode me dar um fora logo. – Dohko tinha interrompido a garota e começou a engasgar nas palavras.
-Mas quem falou em fora?
-Eu já sei de tudo. Você não precisa me enganar não.
-Mas eu não estou te enganando! O que queria dizer é que o Kanon...
-Você gosta dele! – Dohko interrompeu Lígea mais uma vez – Podia ter me dito antes!
-Não é nada disso, Dohko! Você ouviu fofoca errada!
-Fofoca? Quer dizer que todos já sabem, menos eu? Nossa... Estava decepcionado com você, agora me decepcionei com os meus amigos...
-Como assim você não sabia? Eu achei que alguém tivesse te dito!
-Não, eu vi. Com meus olhos.
-Isso é um absurdo! Eu nunca ando com o Kanon! Ele é um babaca e sem noção! E ele me deixa com nojo!
-Esperava tudo de você, Lígea, menos falsidade. E agora eu vejo que você é igualzinha a ele. Cínica e falsa. Vocês se merecem.
-Como ousa me julgar essa maneira? – Lígea começou a se sentir indignada.
-Você está aí, falando mal do cara que está saindo com você!
-Eu não estou saindo com o Kanon! Eu te juro, Dohko!
-E eu tenho ilusões!
-O que você viu?
-Lígea, faz o seguinte. Por enquanto não me procure mais... Eu preciso esperar essa ferida fechar... Não se preocupe, porque quando ela fechar, eu vou ser seu amigo. – Ao dizer isso, Dohko saiu dali o mais depressa que pôde, pois seus olhos estavam cheios de lágrimas.
Lígea não disse nada. Sentia seu sangue ferver. Um ódio tomava conta de seu coração e sua vontade era de assassinar Kanon.
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Dohko queria ir embora naquele momento. Não queria saber de encontrar mais ninguém, porém a responsabilidade o chamava. O pior de tudo mesmo era que Saga fazia dupla com ele de Esgrima.
Foi até a arena montada e só falou com os outros garotos quando foram chamados para o combate.
As sessenta duplas se postaram na quadra em posição de luta. Dohko ignorou completamente o cumprimento de Saga.
"Com certeza ele já soube sobre meu irmão..." – Concluiu Saga mentalmente.
A apresentação começou e Dohko atacava Saga com raiva. O grego tinha que ser rápido o bastante para se defender e se esquivar dos golpes do amigo bom em luta com armas, chamando a atenção de Miro e Kamus que estavam próximos a eles. Quando as lutas finalmente terminaram, o chinês jogou a espada no chão e nem esperou o professor Perseu terminar de falar sobre a apresentação. Saiu o mais depressa possível da escola, sem ninguém entender o motivo. No final de tudo, Lígea procurou Saga.
-Ele soube, Saga... E não me deixou nem falar.
-Soube como?
-Eu achei que alguém tivesse contado... Na verdade nem eu entendi. – Lígea começou a chorar e Saga ofereceu seu abraço mais uma vez.
-No que eu puder, Lígea, eu vou te ajudar.
Mas não repararam que Miro e Kamus observavam aquela cena comovente.
