Gente, cada vez mais me dá vontade de escrever mais e mais. Espero que continuem gostando da história. Um grande beijo e abraço para todos os leitores.
Capítulo 12
Um voto de confiança para Aioria
Depois da péssima noite que teve, Saga levantou as 6:30 da manhã e foi tomar o seu café. Seu pai chegaria as duas da tarde e ele queria deixar a casa toda em ordem para a estadia dele. Enquanto coava o café, ouviu os passos de Kanon indo a direção da cozinha.
-Está com uma cara péssima, Saga. Consciência pesada? – Disse ele bocejando – Que horas a fera chega?
-As duas da tarde. – Respondeu secamente ignorando completamente a primeira pergunta.
Depois disso não se falaram mais. Foram para a escola e continuaram com a greve de palavras. Já durante as aulas, Calíope apareceu na sala, mas dessa vez chamou Mu para uma conversa particular. O garoto deixou a sala, trêmulo e voltou vinte minutos, depois completamente transtornado. Shaka puxou uma cadeira e fez o amigo se sentar. Aldebaran buscou-lhe um copo dágua.
-O que ela queria com você? – Saga olhava assustado para Mu.
-Perguntar sobre o roubo das provas.
O grego olhou para o nada bastante pensativo.
-Não precisa ficar nervoso, Mu. Já passou. – Aldebaran tentava tranqüilizar o colega.
A movimentação entre os três era tanta que ao passar por ali, Kia se encheu de curiosidade.
-O que foi? – Perguntou a garota em expressão preocupada.
-A orientadora perguntou ao Mu sobre as provas roubadas. – Respondeu Shaka.
Kia olhava para Mu, que tinha os olhos voltados para o copo em sua mão. Quando levantou suas pálpebras, a garota desviou o olhar.
-Saga, posso falar com você? – Kia perguntou seriamente.
O garoto corou. O que será que ela queria com ele? Assentiu com a cabeça e ficaram a sós para conversar. Quando ele virou para trás, conseguiu ver Aldebaran, Shaka e Mu fazendo gestos positivos para o amigo que sorriu.
-Po... Pode dizer... Kiá...
-Kía. – Deu um breve sorriso – Será que você poderia dar umas aulas particulares de grego pra mim e pra minha irmã? Você é o melhor da classe...
-Cla... Claro! Ma...Mas eu não sou o melhor não! – Disse ele se contendo ao máximo para não explodir em felicidade.
-Deixa de ser modesto. Sabe cara, eu tento entender, mas é muito difícil. Nós somos da Faixa de Gaza, conhece? Fala-se árabe lá. Antes de vir pra cá ficamos uns seis meses tendo um intensivo de Grego, mas no fim, só aprendemos a linguagem coloquial, para se virar. Mas as regras cultas... Fora que minha área é o esporte, então já viu...
-Conhe... Conheço a Fa... Faixa de Gaza. Muita guerra por lá, né?
-Muita. Judeus, Muçulmanos. Quero mesmo é que o raio os parta. Mas voltando ao assunto, você pode mesmo ensinar então?
-Cla... Claro que eu posso! É... Só me dizer o dia.
-É o seguinte, cara. Eu tenho treino hoje à tarde. Amanhã seria o dia perfeito, porque a Anisah, minha irmã, pode também. Pra você tá bom? Minha irmã está no primeiro colegial.
-Sim! Perfeito... Depois da aula então.
-Aqui mesmo no colégio então. Valeu! – Acenou e saiu da sala rumo ao pátio principal.
Saga voltou até os amigos com um sorriso de orelha a orelha.
-Ela me pediu para ensinar grego a ela! E a irmã também!
Os três comemoraram a notícia muito entusiasmados.
-Ótimo jeito para se aproximar dela, Saga! – Aldebaran dava leves tapas nas costas do amigo.
-E quem sabe a irmã dela poderia te ajudar... – Shaka sempre via o lado mais prático das situações.
Os olhos de Saga brilhavam intensamente e pela primeira vez os garotos podiam ter certeza do que ele estaria pensando. Os pensamentos voltaram a fluir com intensa rapidez.
-Vocês têm experiência com garotas?
-Não... – Os três responderam quase juntos.
-Eu, quando estava no Brasil, gostava de uma menina, mas ela nunca soube...
-Por que não, Deba?
-Vergonha. Sempre levei bota, Saga. As meninas me acham feio e alto demais. Um verdadeiro homem de Nanderthal.
-Deixa disso, Aldebaran! – Mu franziu a testa – Você deveria ter se declarado.
-É, talvez, mas agora estou aqui, em Atenas. Ela sempre me escreve, éramos muito próximos.
-Então por que não se declara por carta? – Sugeriu Shaka.
-Não, não... Quer um conselho, Saga? Converse com o Aioria. Ele está engatando um namoro aí...
O grego pensou e resolveu dar um voto de confiança ao amigo brasileiro. Quando foram para a aula de educação física, tomou coragem e chegou perto do casal.
-Fala aí Saga!
-Oi Aioria, oi Marin! – Cumprimentou os dois timidamente. – Posso falar com você um instante?
A garota percebeu que estava sobrando, beijou o namorado e saiu em direção a Lígea que estava do outro lado da quadra.
-Então?
-Não sei como começar... – Saga olhava para baixo e tinha as bochechas rosadas.
-Ah cara, que é isso, vai frescar comigo?
-Não! Não! Calma, é que eu sou meio confuso!
-Percebe-se! Vamos lá, solta o verbo! – Aioria colocou as mãos para trás da cabeça e encostou-se ao degrau de cima da arquibancada. Previa que ia ter que esperar bastante até Saga se achar em seus pensamentos.
Porém, não demorou muito para começar a falar.
-É... É que... Eu estou gostando de uma garota...
-Nossa, que legal! – Aioria se interessou pelo assunto – E quem é ela?
-Você conhece... É a Kia...
-Logo ela! Aquela garota que roubou meu primeiro lugar em arremesso de peso! – A expressão de Aioria se fechou por um instante.
-Eu... Queria... É... Te pedir uma ajuda...
-Que tipo de ajuda? – Cruzou os braços.
-Dicas... Sabe? Comporta...mento...
-Ahn...
A partir daí Aioria começou a explicar como havia feito com Marin e depois disse que foi até a casa da garota se declarar. Saga contou que ia ensinar grego para a garota e que achava que era uma grande oportunidade de se aproximar dela. Aioria concordou e disse para Saga ser cauteloso. Deu umas dicas de como se vestir e como se comportar na frente dela.
-Em primeiro lugar, não gagueje. Em segundo lugar, torne-se amigo dela. Elas precisam se sentir seguras ao nosso lado.
-Mas eu fico nervoso!
-Ela não morde! Não tem porque ficar nervoso, Saga. Imagina você explicando Grego a ela em "soquinhos"? Vai ser um saco pra ela entender. Controle-se!
-Certo... Eu prometo que vou tentar.
-Se aproxime dela devagar. Quando você sentir que ela está na sua, aí você parte pra cima que a batalha tá ganha. Respeito sempre!
Ouviram o professor apitar e correram para perto dele. A aula ia começar.
As turmas foram divididas em duas e os garotos permaneceram na quadra com Melânio e Apolo. Aurora levou as garotas para a piscina para uma aula de natação.
Depois de explicar a atividade, os garotos criaram dois times de queimada e dois de futebol. A aula começou com o jogo de futebol e depois de um pequeno intervalo haveria o jogo de queimada.
A aula de natação das meninas terminou mais cedo e elas desceram até a quadra para assistir ao jogo de queimada dos meninos. Nisso, quando Ísis estava passando com Shina pela quadra, levou uma bolada em cheio em sua cabeça.
-JOGA A MÃE! – Gritou ela irritada esperando o bárbaro se incriminar.
-Desculpa! Eu não tive intenção! O Kanon desviou!
-Hahaha! Tinha que ser o Aioros mesmo! – Miro gritava do fundo da quadra, a qual sua posição era a de coveiro.
A garota egípcia mal olhou para Aioros e foi esfregando a mão no lugar que tinha sido atingido. Antes de ocuparem um lugar protegido na quadra, fizeram caretas horrorosas para Kamus.
-Essas meninas são completamente retardadas, Miro! Não entendo por que fazem isso!
Miro não respondeu, apenas sorriu, começando a deixar o amigo francês encucado.
O jogo continuou e o time de Miro ganhou de lavada do time de Saga. Os garotos se dirigiram para o vestiário se trocar. Os gêmeos tinham que sair correndo da escola para buscarem o seu pai no aeroporto.
Enquanto estavam saindo da escola, Kamus e Miro conversavam tranqüilamente próximos ao portão. O francês estava de costas e foi atingido na cabeça por uma bola de papel higiênico molhada. Miro ficou branco e seu amigo olhou para trás furioso. Shina e Ísis mostraram a língua para ele enquanto passavam e deixaram o colégio de braços dados.
-Eu vou atrás dessas duas!
-Espere! Não vai valer a pena se estressar por causa delas! – Miro começou a entrar em desespero quando Kamus demonstrou estar sendo atingido pelas provocações das amigas.
-Se eu ainda entendesse o porque disso deixava quieto, mas alguma coisa eu devo ter feito.
-Isso é falta do Afrodite... A Shina é boba assim mesmo.
Kamus se calou, mas não estava contente. Queria entender o que se passava. Aioria e Aioros saíam da escola quando viram os dois parados na frente do portão.
-Vocês viram a Ísis passar por aqui?
-Já foi embora junto com a Shina. – Respondeu Miro rapidamente.
Aioros ficou desapontado. Aioria passou o braço pelo pescoço do irmão e em um gesto de conforto disse:
-Amanhã você pede desculpas. Vamos.
Máscara da Morte tentava convencer Saga de que poderia levá-los ao aeroporto sem problema nenhum. Depois de muito insistir, ele acabou aceitando a carona.
Chegaram até o aeroporto de Atenas em apenas quinze minutos e tiveram de aguardar seu pai durante meia hora. Os dois trocavam apenas olhares e a maneira que os dois estavam se vestindo era inédita. Finalmente Kanon penteou seus cabelos e estava com uma camisa azul marinho de mangas compridas. As calças de linho em tom creme e os sapatos escuros o deixavam parecendo um verdadeiro "filhinho de papai". Saga já era mais sério e a roupa social combinava mais com ele. Estavam vestindo-se ao contrário. Ele estava com a camisa creme e calças azul-marinho.
Quando o relógio marcou 14:10, do portão de desembarque, surgiu um senhor de cabelos grisalhos e rosto encovado vestindo um terno preto e uma gravata cinza. Logo os gêmeos reconheceram o velho e bondoso Aquelau, seu pai.
Aquelau sorriu para os filhos, colocando a sua bagagem no chão e abrindo os braços para receber um abraço carinhoso de sua própria criação. Era ótimo rever Saga e Kanon após longos quatro meses ausentes. Costumava reclamar da bagunça dos filhos, mas jamais pensaria que sentiria tanta falta deles.
Kanon saiu correndo e pulou no pescoço do pai, fazendo o senhor vacilar. Porém, o abraço de Saga em seu tórax o fez manter o equilíbrio. Não falaram absolutamente nada até entrarem no Táxi. Apenas trocavam sorrisos. O chofer abriu o porta-malas e colocou as malas de Aquelau com toda a segurança e seguiu o caminho para o apartamento dos garotos.
-Como está a escola? – Aquelau foi o primeiro a dirigir a palavra aos dois.
-Ainda não temos resultados, as provas serão na semana que vem.-Respondeu Saga se mostrando como sempre dedicado.
-E você, rapazinho? Dando muito trabalho para os professores? – Disse olhando nos olhos de Kanon.
-Eles é que me dão trabalho, pai!
Aquelau apenas riu. Chegaram no pequeno prédio em estilo neoclássico, pagou o táxi e subiram até a casa dos dois.
-Você não parou de fumar ainda, Kanon?
O garoto arregalou os olhos. Saga fez a expressão de reprovação de sempre. Vendo suas reações, o pai apenas acrescentou:
-Não adianta você não ter fumado hoje. O cheiro característico impreguina. E quem fuma não sente o cheiro que fica no ar. Com certeza nem o seu irmão deve sentir mais.
-Quanto tempo você vai ficar aqui, pai?
-Até domingo, garotos. Vou pegar um vôo para a Cidade do México. Encontro Internacional de Contabilistas...
Os dois passaram a tarde curtindo seu pai. À noite, Aquelau levou os meninos para jantar e contou que a madrasta deles também sentia falta das "guerras" que aconteciam dentro de casa. Kanon deu uma olhada de lado para Saga seguida por um sorrisinho de escárnio, fazendo o irmão se encolher na cadeira. Depois foram ao cinema e voltaram para casa tarde da noite. Fazia tempo que não se divertiam juntos. Ao se deitar, Aquelau se lamentou por não ter passado mais tempo com os seus preciosos garotos.
Saga e Kanon acordaram na manhã seguinte com um delicioso aroma de chá quentinho entrando em seus quartos. Levantaram rapidamente e Saga se vestiu com cuidado. Penteou seus cabelos rebeldes e se perfumou, assim como Aioria o havia instruído. Quando seu pai o viu daquela maneira, parabenizou o filho.
-Dá gosto de ver um filho se vestindo tão bem!
Kanon, do outro lado da mesa, segurava o garfo com força e um olhar enciumado. Seu pai nunca lhe tecia elogios. Isso fez com que ele ficasse mal-humorado o dia todo.
-Hoje eu não volto para almoçar, pai. Vou ficar estudando na escola.
Kanon olhou confuso para o irmão.
-Ué, não sabia que o grupo ia se reunir agora de tarde...
-Não é o grupo. Vou ensinar Grego para a Kia e a irmã dela. – Disse as palavras com cuidado e frisou bem a presença da irmã da garota. Do jeito que conhecia o irmão, bem capaz dele aprontar.
-Humm... Sei...
-Tudo bem, Saga. Vai ser ótimo almoçar com seu irmão.
Enquanto pegavam seus materiais e se despediam, Aquelau teve uma idéia:
-Convidem seu grupo para estudar aqui em casa amanhã. Quero preparar um jantar pra vocês.
-Certo! – Os dois concordaram juntos.
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O clima na escola estava ficando gradativamente pesado. Até mesmo Mu e Aldebaran que eram extremamente calmos estavam trocando farpas de tanta tensão. Ninguém havia feito as provas semestrais no colégio e definitivamente precisavam se garantir agora. No final do ano letivo tinham que se preocupar com o ingresso em uma faculdade e estar apertado com notas na escola não seria nada, nada agradável.
O mais marcante daquele dia foi o encontro de Aioros com Ísis. Ele estava chegando na escola tão envolvido em como pedir desculpas para a garota que não reparou que havia trombado com a própria, a derrubando no chão e fazendo com que seu material se espalhasse por todo o corredor do andar.
-Nunca conheci alguém tão desastrado quanto você, Aioros! – Ísis se levantou furiosa do chão e começou a buscar por seus livros espalhados pelo chão.
Quando o sinal tocou anunciando o fim das aulas, Saga respirou fundo e acenou para os amigos. Kia foi ao encontro dele e os dois deixaram a sala juntos. Passaram no corredor dos primeiros anos e levaram Anisah com eles. Saga se espantou ao ver uma garota com uma beleza tão exótica. A pele morena denunciava que elas eram de descendência árabe.
Abriram os cadernos e o grego procurou se controlar ao máximo para não gaguejar. O estudo correu perfeitamente e estar ao lado da garota que estava interessado o mantinha tão bem como nunca havia estado em toda a sua vida. Suas paixões não eram duradoras, mas essa haveria de ser.
Quando já estavam em frente dos livros havia duas horas, Anisah pediu se ela poderia parar. Os dois responderam que sim e a garota voltou para sua casa sozinha.
-Vamos dar uma pausa também? – Sugeriu Kia.
-Vamos... – Saga suspirou arrancando risos da mais nova amiga.
-Vamos tomar um café então...
-Cla... Claro...
Ele puxou a cadeira de uma das mesas para Kia se sentar e depois se sentou em frente a ela. Haviam pedido dois milk shakes de baunilha e saboreavam enquanto tentavam conversar sobre diversos assuntos diferentes. Tantas foram as discussões que acabaram chegando em seus grupos de amigos.
-Você é amigo de quem da nossa sala, Saga?
-Do Aldebaran, Shaka... Já fui mais do Aioria, mas agora que ele está com a Marin, a gente mal conversa.
-Ahn... E o Mu?
-Ah é! Nossa, me esqueci do Mu. Ele é tão quieto que eu nem lembrei... Sim, sou amigo dele também.
-Hummm... – Kia tomava o milk shake aproveitando cada gole.
-Você é que parece viver paralelamente...
Ela deu uma risada.
-Realmente não tenho grupo. Não gosto de panelas. Gosto de ser amiga de todos.
-Claro! Isso é muito bom...
Os dois trocaram olhares em silêncio, porém Kia desviou os olhos do grego rapidamente. Olhou para o relógio e constatou que já eram mais de cinco da tarde.
-Saga, o papo está ótimo, mas acho melhor eu ir indo...
-Certo! A gente se vê na segunda!
-Até! Foi ótimo, viu! Vamos repetir mais vezes!
-Quantas vezes você quiser! – Nisso ele já estava vibrando de felicidade.
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Kanon passou a tarde com seu pai. Sentia muita angústia quando ficava sozinho com ele. Não sabia porque, mas achava que Saga era sempre o preferido do pai e da mãe falecida.
Muitos pensamentos passavam em sua cabeça quando Saga era elogiado. Não entendia porque o seu irmão gêmeo tinha de ser tão exemplar e como conseguia a popularidade sendo tão bobo. "Ele nem tem ambição."
No final da tarde, Saga chegou muito feliz, cantarolando. Sua alegria era tanta que nem deu bola para a encheção do seu irmão. Deixou a mochila na sala e correu ligar para os amigos , convidando-os para o jantar que seu pai havia sugerido. Ao falar com Aioria, pediu que convidasse Aioros e os outros garotos de sua sala. Queria reunir os treze a qualquer custo. O jantar foi combinado para o sábado a noite e antes de ir se deitar pensou em convidar Lígea para que Dohko pudesse se reaproximar dela.
Na manhã de sábado, ligou para a garota que aceitou o convite relutante. Fez Saga jurar que Dohko só ia saber de sua presença na hora em que chegasse.
Aquelau fez uma pesquisa sobre as nacionalidades dos garotos e preparou um prato para cada um de forma com que todos ficassem a vontade e satisfeitos. A correria foi enorme e as nove da noite os convidados começaram a chegar no salão de festas do edifício.
Mu e Aldebaran chegaram juntos. O tibetano se vestia com uma blusa de lã cáqui e uma calça marrom jeans. Aldebaran uma camisa com um pulover por cima e calça brancas. Os gêmeos vestiam-se iguais. Camisa de gola olímpica e calças pretas.
Pouco a pouco foram chegando Kamus, Shaka, Miro, Shura e Aioros. Afrodite chegou escoltado por Dohko e Aioria levou Marin. Passado um pequeno espaço de tempo, Lígea chegou trazendo consigo uma companhia. Saga mal acreditou quando viu. Seus olhos faiscaram.
-Espero que não se importe de eu ter trazido a Kia comigo.
-Mas é claro que não! – Respondeu deslumbrado com a visão.
Kia sorriu como sempre. Com aquele xale rosa, estava muito bonita e mais feminina. Outro que ficou perturbado com a presença das garotas foi Dohko. Sentiu seu coração apertar quando pensou na possibilidade de vê-la ao lado de Kanon e por isso prometeu para si mesmo manter tudo sobre controle.
Aquelau os recebeu muito bem e Kanon ficou maravilhado com a surpresa. Já foi puxando uma cadeira para Lígea se sentar quando a garota passou por ele ignorando a sua presença.
O último a chegar foi Máscara da Morte, que levou um bom vinho italiano para o anfitrião. Aquelau o recebeu com bons olhos.
O pai dos gêmeos era um ótimo administrador e contabilista. Trabalhava em uma grande empresa, Olimpus Corporation e viajava muito a negócios. Quando Miro teve uma oportunidade, foi logo conversar com ele.
-Quero cursar Administração de Empresas na faculdade. Sempre ouvi falar tão bem da Olimpus. Todos que lá trabalham são muito bem sucedidos!
-Realmente. Nesse ramo é preciso ter bastante garra e perseverança. Vejo isso em teus olhos, rapaz.
Miro sorriu triunfante e os dois continuaram a conversar por bastante tempo.
Afrodite ficou sentado junto com Kia e Lígea em uma mesa mais separada dos demais. Se serviram de refrigerantes e riram a vontade. Shura os observava com bastante raiva da mesa que estava sentado junto com Kanon e Mascara da Morte.
Aioria e Marin se juntaram a Shaka, Mu, Aldebaran e Saga, que não tirava os olhos da mesa de Afrodite. Discutiam de forma discreta a melhor maneira do grego se aproximar da garota. Aioros e Dohko, com seus dotes sociais ora ficavam com Miro e Kamus, ora com Aioria e a outra turma.
Após meia-hora de papo, o jantar foi servido. A comida estava deliciosa e os presentes elogiaram todos os pratos. Na mesa de Lígea, o assunto era Dohko. Afrodite se sentiu obrigado a "levantar a moral" do amigo que o ajudava tanto.
-Acho que você deveria se explicar pra ele. Deixe de ser orgulhosa!
-Eu tentei, Afrodite. Ele preferiu não me ouvir.
-Você não explicou pra ele o que aconteceu?
-Tentei. Ele não quis saber. Disse que viu cenas, coisas.
-Mas o que ele viu?
-Não sei. Ele não disse.
-Detesto coisas mal resolvidas! Quero vocês dois juntos! Formam um belo par!
Kia deu uma risada gostosa do comentário de Afrodite, fazendo com que Lígea ficasse envergonhada.
-E você, está interessada em alguém? – Perguntou o sueco sem se importar de ter conhecido a garota a poucos minutos atrás.
-Prefiro não falar sobre isso...
Enquanto Aldebaran discutia futebol com Mu, Shaka deu um cutucão em Saga para ele ir até a mesa que Kia estava.
-Vai logo, Saga.
O garoto levantou indeciso e foi até ela. Puxou uma cadeira e se juntou a eles.
-Estão... Gostando?
-Claro! – Respondeu Kia – Se você puxar o seu pai, Saga, com certeza será um homem talentoso!
Saga atingiu as estrelas nesse momento.
-A Kia tem razão. Você é muito inteligente, Saga. Todos vêem isso. Um futuro brilhante o espera.
O garoto ficou sem graça diante do comentário de Lígea. Quando terminaram a refeição, o anfitrião pediu que fosse servida a sobremesa. Era o famoso doce Petit Gateau. Bolinho de chocolate com sorvete de creme e calda de chocolate bem quente. Kamus encheu os olhos quando ouviu a notícia.
-Então, esse Kamus é um cubo de gelo! – Kia disse com raiva.
-Por que? – Saga ficou intrigado.
-Uns lances aí. Minha irmã está caidinha por ele e ele não deu a mínima. Deu um vaso de violetas a ela e depois não quis conversa.
Lígea cerrou os punhos.
-Que tipo de cara ele é?
-Com certeza alguém sem coração! - Kia dizia com veemência – Vou dar uma palavra com ele.
Pela primeira vez, Saga se sentiu enciumado. As duas foram até a mesa central se servir para encontrarem Miro e Kamus. O francês estava colocando a calda de chocolate quando foi surpreendido.
-Kamus, suponho.
-Sim, e você, quem é?
-Humpf... Eu sou Kia, irmã de Anisah. Lembra dela?
Miro sentiu o coração disparar.
-Ahn... Acho que sim... É a garota do primeiro ano...
-Acha? Você tem um coração de pedra!
-Puxa vida, mas por quê?
-Como você ainda tem coragem de perguntar por que?
-Talvez porque eu não saiba o motivo da sua acusação? Não costumo fazer perguntas idiotas!
-Mas que atrevido!
-Calma garota. – interveio Miro tentando ao máximo mascarar o nervosismo. Suas mãos suavam.
-Calma? Calma nada, grego! Esse francês brinca com os sentimentos dos outros e ainda pergunta por quê?
O clima começou a pesar.
-Brincar com sentimentos? Escute Kia – Fez questão de chamá-la pelo nome – Não sei do que você está falando.
-Estou falando de um vaso de flores!
-Você é louca.
-Eu? Como pode, Kamus?
-Ignore-as, Kamus... – As mãos de Miro começaram a tremer. – Cada uma... Vamos nos sentar... Venha.
Kamus virou as costas e saiu com Miro na direção oposta das garotas, deixando-as intrigadas com aquela situação.
-Quer a minha opinião, Kia? Acho que o Kamus não sabe de nada mesmo.
-Duvido.
-Eu não. Conheço gente falsa, o Kanon, por exemplo...
-E por que ele não estaria mentindo?
-Kia, ele não se alterou. Procure investigar mais.
Na mesa em que Miro e Kamus ocupavam, o grego não conseguia encarar o francês. Era muito para sua cabeça as garotas de sua sala estarem atacando e seu amigo não sabendo o motivo.
-Miro, o que eu fiz pra essas meninas? Eu não estou entendendo nada!
-Kamus... A sobremesa francesa é uma delícia! Nunca tinha provado!
-É mesmo. Miro, você não respondeu a minha pergunta.
-Eu não faço idéia. Não era você que não se preocupava com garotas?
-É, mas ficar sendo agredido verbalmente e sendo atacado por bolas de papel higiênico molhado não é normal. E isso começou depois de eu ter me encontrado com aquela baixinha do primeiro colegial.
-Kamus, é por isso que eu só me interesso por garotas mais velhas. Elas não são infantis...
O francês olhou para o amigo que mantinha sempre a cabeça abaixada. Começou a ficar desconfiado.
Depois da sobremesa, os garotos permaneceram mais um pouco no salão e logo começaram a partir. Dohko e Lígea trocaram olhares quando o chinês se despedia de Saga e Kanon. A tristeza era refletida nos olhos dos dois. Afrodite agradeceu cordialmente o jantar e seguiu com Dohko, pois havia vindo com ele. Shura, Aioros, Aioria e Marin foram embora logo depois e Máscara da Morte ia dormir na casa dos gêmeos. Aldebaran, Shaka e Mu foram se despedir de Saga bem na hora em que Lígea e Kia iam fazer o mesmo.
-O jantar estava delicioso. A feijoada estava divina. Igual a brasileira, sem tirar nem por. Ótimos os cozinheiros que seu pai contratou, Saga!
-Que bom que gostou, cara! Mas já vão todos? Fiquem mais.
-Preciso deixar o Mu e o Shaka na casa deles. Amanhã precisamos estudar, não está esquecendo né?
-Claro que não! Mas vocês podiam ficar mais...
-O Mu mora perto da praia e o Shaka quase na saída de Atenas. Não dá pra esperar.
-Você se incomodaria se eu pegasse uma carona contigo, Aldebaran?
Saga olhou para Kia. O ciúme tinha voltado.
-Claro que não...
-É que minha casa fica entre a do Mu e a do Shaka. Próxima ao Museu Arqueológico Nacional.
-Te levo sim! Vamos então?
-Lígea, assim seu pai não terá de dar voltas na cidade. Pode ser assim?
-Ele te leva, amiga. Mas não tem problema.
Eles todos se despediram e foram embora. Saga sorriu para a garota árabe que contribuiu o sorriso e foi se recolher. "Ciúme pra quê, retardado? Ela não é sua namorada... Ainda."
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Aldebaran entrou no carro. Shaka, Mu e Kia ficaram se olhando.
-Pode ir na frente Shaka. Eu vou atrás.
-Pode ir você, Mu. Eu não ligo.
-Não, pode ir, Shaka.
-Caramba! Shaka, venha na frente! O Mu vai atrás com a Kia. Larguem mão disso, vamos porque amanhã todos levantamos cedo!
Kia soltou uma gargalhada por causa do comentário de Aldebaran. Os dois também riram da cena que tinham feito.
O caminho de casa foi tranquilo. Aldebaran seguia as leis do trânsito à risca.
-Vocês estudam em grupo?
-Sim. Pra nós é mais fácil, cada um sabe bem uma matéria e um explica pro outro. – Respondeu Shaka virando-se para trás para poder olhar a garota.
-Você se dá bem em Matemática, não é?
-Sim! Como é que sabe?
-Está na cara, né Shaka?
-E você?
Mu virou o rosto para a garota e sorriu de forma discreta. Kia olhou firmemente nos seus olhos. Aldebaran nesse momento olhou pelo espelho retrovisor para o banco de trás.
-Biologia. E você?
-Eu vou mais ou menos em tudo. Gosto de Educação Física.
-Percebe-se. – Shaka se intrometeu – Você sempre está correndo, jogando...
-Eu vou bem em Mitologia.- Aldebaran também quis participar.
Enquanto andavam por Atenas de carro, Kia puxava os assuntos. Quem sempre respondia era Shaka. Aldebaran prestava atenção no trânsito e Mu apenas concordava com a cabeça. O brasileiro resolveu deixar Shaka primeiro porque era o mais longe. Depois deixaria Kia e em seguida Mu.
O indiano desceu do carro e agradeceu ao amigo pela carona.
-Alguém quer vir pra frente?
Nenhum dos dois respondeu.
-Ok, eu vou de motorista...
O resto do caminho os três permaneceram em silêncio. Mu olhava para o céu de sua janela e Kia mantinha os olhos fixos em seu colo. Quando Aldebaran deixou a garota em casa e depois foi levar Mu. Quando o tibetano saltou do carro, teve um mal pressentimento.
-Obrigado, Aldebaran. Nos vemos amanhã.
-Até, Mu. Se cuida.
E o brasileiro voltou para casa, cansado e morrendo de sono. Não queria que domingo chegasse nunca, porque o pânico começava na segunda-feira.
queimada: Não sei se vocês tiveram a oportunidade jogar esse jogo na escola, mas formam-se dois times de 20 pessoas mais ou menos e aí com uma bola de meia é preciso acertar um a um do outro adversário. Eu adorava e era muito boa. Hehehehee...
