Gente, estou passando por situações difíceis, problemas familiares e provavelmente deixarei de atualizar por um tempo, mas eu não vou me esquecer da fic. Gosto de escrever, é uma maneira de me desestressar. Obrigada a todos que sempre deixam sua presença aqui. Realmente é muito importante. Obrigada de coração. Grandes beijos!

Capítulo 14

O Aniversário de Aioros – Parte 1

Aioros estava radiante no dia de sua festa. 10 de dezembro era a data que muitos nunca iriam esquecer. Arrumou-se de forma cuidadosa e parecia Afrodite de tanto que se olhava no espelho. Seus olhos azuis tinham um tom diferente e combinavam com a sua pele queimada de sol. Vestia uma camisa vermelho-sangue e calça social preta. Estava perfeito.

Aioria invadiu o quarto do irmão igualmente bem vestido. A camisa azul-esverdeada realçava a cor de seus olhos e dava-lhe um tom mais sério. Tirou uma fotografia do irmão de surpresa que teve seus olhos ofuscados pela luz do flash.

-Avise da próxima vez, Aioria! – Disse esfregando olhos.

-Hahahaha – Ria o irmão gostosamente – Eu gosto de tirar fotos espontâneas, Aioros!

Aioros não aguentou e caiu na risada junto com irmão.

-Está bonitão. Estive pensando... A Ísis faria um ótimo par com você... Ela vem para a festa, não vem?

-Vem sim... Mas é que eu já dei tantas mancadas com ela...

-Conserta, ué. Você é um grande conquistador! Lembro que tinha várias admiradoras quando estudávamos na antiga escola.

-Aioria, quem sabe, não é? Essas coisas têm que simplesmente acontecer... Não mando no coração de ninguém, às vezes nem no meu. Gosto das pessoas livres...

-Discurso de sagitariano! Deixa de besteira, Aioros! Aproveite... Se ela estiver afim, chega junto...

-Está parecendo o Kanon falando!

-Que nada... Vamos descer para o salão? Daqui a pouco os convidados chegam!

-Vamos! Não quero me atrasar para a minha festa!

Os dois desceram e começaram a acertar os últimos preparativos. Luzes coloridas, uma mesa enfeitada com um bolo de brigadeiro feito por ele mesmo, Aldebaran tinha encomendado os ingredientes que haviam sido enviados diretamente do Brasil e em cima duas velas. Um "1" e um "8". Aioros já estava alcançando a maioridade.

Várias mesas espalhadas pelo salão e cada uma delas possuía como enfeite central uma flecha apontada para cima, símbolo do Signo de Sagitário.

Aioria apagou todas as lâmpadas amarelas e deixou apenas as coloridas acesas. Vibrou com o efeito alcançado. Escolheram vários discos. Suas músicas preferidas eram as dos anos 80. Adorava as baladinhas de Roxette e vibrava com o som do Skid Row, banda de grande sucesso do rock na época.

Às nove horas os convidados começaram a aparecer. Shura, sempre pontual, foi o primeiro a chegar. Levou um presente para o amigo. Uma carteira de couro para Aioros guardar suas economias. O sagitariano adorou o presente.

-Obrigado, Shura, não precisava!

-Claro que precisava, cara. Sabe, nós capricornianos nos amarramos em dinheiro. Além de ser um presente prático.

-Obrigado mais uma vez, eu adorei!

Shura sorriu. Fazia tempo que ele não sorria e não se mantinha tranqüilo. Aioros não teve dúvidas de que a festa faria um bem para todos.

Miro chegou junto com Kamus. Os dois estavam muito bem vestidos. Miro estava com uma camisa vinho e calça cáqui. Kamus de azul claro e calça azul marinho. Também levaram presentes, mas o aniversariante preferiu deixar os presentes para abrir depois.

Cumprimentaram Aioria que estava conversava com Shura. Aldebaran apareceu logo depois com Shaka e Mu. Vestiam-se elegantemente. Aioros se surpreendeu ao ver Mu com uma camisa amarela, tão chamativa. O garoto sempre se vestia de modo discreto e agia da mesma forma. Nunca o imaginaria de com algo tão descontraído. Shaka estava com os cabelos presos e isso mostrava as formas bonitas de seu rosto. A franja penteada para o lado revelava o seu terceiro olho, marca registrada da Índia entre as duas sobrancelhas, na região do hipotálamo. Aldebaran tinha gel no cabelo e a camisa branca semi-aberta mostrava um pouco do seu forte tórax. Ísis e Nínel apareceram logo após a chegada dos três garotos arrancando suspiros do anfitrião da festa e de Shaka. Como estavam bonitas! A pele morena da egípcia tinha um brilho especial e a sua maquiagem "Cleópatra" tirava o fôlego de Aioros. Nínel estava com os cabelos soltos que batiam em seu queixo e com uma maquiagem que exaltava suas belas maçãs do rosto. O vestido cinza dava a ela um ar elegante. Se aproximaram dos garotos e começaram a se interagir. Ísis deu seu presente a Aioros. Ele pegou em sua mão e deu-lhe um beijo dizendo "obrigado". Esta sorriu feliz.

Dohko chegou sozinho dessa vez. Usava uma blusa tradicional chinesa com os punhos dobrados e uma calça de corte reto. Afrodite chegou acompanhado de Shina e estavam também deslumbrantes. Shura se segurou para não avançar tanto no sueco quanto na italiana. Ela estava com os cabelos propositalmente rebeldes e com sombra verde em seus olhos. Afrodite como sempre bem vestido, estava a altura de sua namorada.

Marin, Kia e Lígea foram juntas para festa, outro trio fenomenal. A japonesa estava com um quimono florido arrancando olhares de todos, deixando Aioria furioso de ciúmes. Kia, com seu semblante esportivo, estava muito bonita com seu vestido azul turquesa que parecia não ornar com a dona. Todos tinham a impressão de que a garota árabe jamais se colocaria dentro de um vestido. Lígea, era a mais bonita das três. Dohko sentia seu coração pulsar a mais de 140 batimentos cardíacos. Os cabelos puxados para trás e presos em uma trança a deixavam extremamente sexy. O corpete dourado combinava com a saia rodada florida que ia até seus joelhos e os sapatos boneca de salto davam um ar de garota meiga.

Seus olhos procuravam Dohko naquela escuridão. Quando o achou, sorriu timidamente para o garoto. Sem saber o que fazer, ele sorriu também.

Os gêmeos chegaram com Máscara da Morte. O sorriso galanteador do italiano e o olhar irônico de Kanon sempre demonstravam suas personalidades. Saga, mais tímido acenou para todos de forma carinhosa. Aos poucos outros garotos de suas salas chegavam e as outras meninas também. Aioria colocou a música para tocar e saiu para conversar com sua turma.

Como em toda festa, rodinhas foram formadas. Os garotos comentavam sobre as garotas e vice-versa. Kia insistia para que Lígea aproveitasse a oportunidade para por um fim naquela discussão boba em que ela se envolvera com Dohko. A grega queria por toda lei saber quem era o dono do coração da árabe.

-Kia, eu sei que você está interessada em alguém da nossa turma, por que não quer me falar quem é?

-Porque tenho vergonha, sabe? E também não sei se tenho chances...

-É o Saga? Ele é tão fofinho, Kia...

-Hahahaha o Saga é meu amigo, Lígea. Sério!

-Vai me dizer que não é ele? Vocês estudam Grego juntos! Seria tão bonitinho...

-Hahahaha... Pára... Vou reunir coragem e te conto... Só mais um pouco de paciência.

Lígea cruzou os braços e fechou a cara, mas não conseguiu por muito tempo, embora a curiosidade era tamanha.

A música rolava alta. Aioria se sentou em uma mesa com Marin e os dois começaram a trocar beijos quentes. Vendo aquela situação, Shina resolveu fazer o mesmo com Afrodite, fazendo os nervos de Shura se elevarem.

-Calma, Shura. Você vai achar alguém pra você. –Aldebaran dava um leve tapa em suas costas.

Ele virou de costas para não observar a cena.

-Você viu como Aioros está bonito, Ísis? – Disse a russa com seu sotaque.

-Nínel... Está de b-a-b-a-r!

-Falando nele... Ele está vindo aí, vou até o banheiro...

A egípcia encarou os belos olhos do rapaz grego e começaram a conversar sobre várias coisas.

Quando a russa estava voltando do banheiro, Mu deu um empurrão em Shaka.

-Vai lá! Conversa com ela.

-Não sou bom nessas coisas!

-Não precisa fazer nada Shaka, vai lá conversar com ela! Lembre-se: "Da svidannia!"!

Shaka vendo que não tinha opção foi até ela:

-Da... Da svidannia, Nínel!

-Hahaha já está me dando adeus, Shaka?

-Isso não significa "Olá"?

-Não! – Ela riu novamente – Olá seria "Privet"!

-Então, privet, Nínel! – O indiano se corrigiu.

-Privet, Shaka!

Ele olhou para Mu e fez sinal de positivo. Os dois começaram a trocar altas idéias.

-Um dos meus maiores sonhos, depois de me tornar médico, é ajudar o povo russo! Adoro a Rússia, queria muito conhecer a Praça Vermelha em Moscou...

-Quando quiser ir até lá, me avise. Moro em Moscou.

-Jura? Lá é muito frio no inverno, não é?

-Sim. Temperaturas abaixo dos quarenta...

Shaka fez cara de surpreso, apesar de já saber quase tudo sobre o país.

Lígea e Kia ainda conversavam quando Saga se juntou a elas. As cumprimentou com um beijo no rosto.

-Como você está bonito! – Elogiou Kia.

Saga corou, mas ninguém notou com a pouca luz que havia no salão.

-Você é que está! – Retribuiu o elogio.

-Queria ter colocado calças compridas, mas minha irmã insistiu para que eu pusesse salto e vestido.

-Ficou muito bem! Lígea também está arrasando. Meu irmão – Percebendo o olhar repreensivo da garota acrescentou rapidamente – E Dohko não tiram os olhos de você!

-Já falei pra ela aproveitar a festa e se resolver com o chinês. Não sei o que ela faz parada aqui!

-Ah é? Não sabia que você queria ficar a sós com o Saga. Tudo bem, Kia. Vou andar por aí!

Kia olhou para ela de forma estranha. Não queria ficar sozinha com Saga. Apenas queria que ela se ajeitasse com o garoto por quem era apaixonada.

-Não é isso, Lígea!- Protestou a árabe.

A garota grega ignorou o comentário e os largou sozinhos.

-Ela se ofende com uma facilidade! Age assim constantemente! É muito difícil!

-Quem entende por completo as garotas?

Kia ficou constrangida. Se lembrou da tarde em que tinha estudado com Saga e se embaraçou mais ainda. O assunto sumiu.

Lígea andava rápido entre os convidados sem olhar para os lados. Esbarrou em Aldebaran que estava com um copo de coca-cola na mão fazendo com que o conteúdo quase atingisse o rapaz.

-Ei!

-Que pena que não caiu em você, isso foi pelo dia em que vocês derramaram água em mim!

Ele olhou para Shura confuso. Quem entendia aquela garota?

-Liginha! – Kanon segurou o braço da grega e deu um beijo estalado em seu rosto – Como está magnífica!

-Você quer apanhar de mim hoje?

-Seu nervosismo só me faz querer você só pra mim!

-Hoje não, Kanon! – Ela o empurrou com força, se soltando e voltou a caminhar sem direção definida.

-Melhor você ir com calma, Kanon.

-Death Mask... Você não entende mesmo...

-Ela não, mas você sim. Toma cuidado que ela não é qualquer uma!

-Você acha que eu sou um cara insensível, galanteador e que não sabe apreciar uma bela moça?

-Você soube resumir bem, rapaz!

-Shh! – Kanon colocou os dedos nos lábios bem definidos – Eu também posso me apaixonar!

-Pode, mas ela é a garota errada.

-De que lado você está, Mask? Não estou te reconhecendo!

-Do seu e acho que é melhor você ficar longe dela!

-Não! Ela é meu sonho de consumo, cara.

-Com um preço muito alto, Kanon!

-Ô Máscara, pare de me derrubar das minhas nuvens!

-Nós já temos problemas demais, cara! Roubo das provas, provas mal feitas. Faça como eu! Cata umas da oitava! São virgens, caem no papo, maior moral!

-Desde quando papar anjos rende uma boa noitada?

-Desde que você seja Máscara da Morte! HAHAHAHA – Riu alto – Vou te apresentar umas que dão de dez a zero nessas daí!

Enquanto isso, Aioros estava no maior papo com Ísis. Aioria o observava de longe e comentava com Marin que aqueles dois tinham tudo para ficarem juntos. Lígea passou raspando pela mesa dos dois.

-Eu nunca consegui entender a Lígea. Ela sempre anda de um jeito agressivo!

-Sempre a achei muito sorridente, Marin.

-Ela é sim, mas quando se irrita, é um Zeus nos acuda!

Deixaram o papo de lado e começaram a jogar o seu esporte favorito: beijar.

Depois de trombar com Toshio, um japonês da outra turma, Lígea foi parada novamente por alguém segurando seu braço.

-Já falei pra você não me atormentar!

-Tudo bem então, me desculpe.

Ela virou para trás e sentiu o coração disparar.

-Não sabia que era você, Dohko. Desculpe a minha agressividade.

-Já estou acostumado.- Disse ele olhando para os lados. – Você está a fim de conversar comigo hoje?

-Não sei.

-Tudo bem de novo, senhorita Orgulho. Está desperdiçando sua chance.

-Quer falar sobre o que, Dohko?

-Eu sei que você está chateada comigo e eu com você, mas isso não te dá o direito de ser estúpida comigo.

-Me desculpe.

-Vamos sair do salão para conversar em paz? Lá no jardim de inverno tem um banquinho. Me acompanha? – Ele estendeu o braço em forma de gancho e ela apoiou o seu braço nele.

Os dois tomaram o rumo para fora do salão.

-Kamus, pega um copo de Coca-cola pra mim?

-Sim, Miro. Só um instante.

O francês foi até a mesa e não achava a garrafa de Coca-cola. Um garçom pediu que esperasse um pouco que já estava trazendo mais. Enquanto esperava ouviu o que não podia ouvir.

-E aí, pediram para entregar um vaso de violetas para minha irmã no nome de Kamus. Ela ficou totalmente derretida com a atitude e resolveu se declarar pessoalmente ao invés de ficar mandando bilhetes sem assinatura para ele.

-E ele? Como reagiu, Kia?

-A tratou de forma indiferente, Saga! Ela ficou e ainda está super mal com isso.

-Ele deu um fora nela?

-Não, não disse nada! Apenas disse que o papo era muito estranho.

-Ei! Como é que é? Flores em meu nome?

Os dois olharam assustados para Kamus.

-Nã-não sabia que você estava aí.

-Me conte essa história direito, Kia. – O francês começou a ficar nervoso.

Ela contou a história desde o começo e Kamus ficou chocado.

-Eu não mandei vaso nenhum, estou te dizendo. Nem sabia dessas coisas. A sua irmã tinha um vaso mesmo nas mãos, se eu soubesse que ela tinha recebido de "mim" – Fez com as mãos o gesto de aspas – Teria esclarecido tudo.

-Você nem deu tempo dela falar nada. Abandonou-a lá, chorando.

-Perdão, Kia, mas quando eu vejo que a situação é estranha, eu me afasto. Detesto ficar constrangido.

-Pois é, percebi.

-Não foi você mesmo, Kamus?

-Não, Saga. Por favor, eu sei muito bem o que faço.

-Então tem alguém zuando o seu nome, cara. – Kia pareceu acreditar nele.

-De qualquer forma, obrigado por me dizer. Vou procurar saber quem é o louco que está fazendo isso. Peça desculpas à sua irmã por mim.

Kamus voltou para a mesa, pegou os refrigerantes e foi até Miro.

-Ele é muito estranho, Saga. Não se despede.

-Kamus é muito sério, além de ausente.

-Hehehe, mas não deixa de ter charme. Minha irmã sempre se apaixona por tipos assim e mais velhos.

Saga sorriu escondendo o ciúme pelo comentário.

-Miro – Kamus estendeu o copo – Acabei de ouvir uma coisa absurda!

-O que? – Miro se pos a beber o refrigerante.

-Kia disse que a irmã dela recebeu um vaso de flores em meu nome.

Miro engasgou com o conteúdo do copo. Kamus deu vários tapas em suas costas. Quando conseguiu respirar novamente, o francês voltou a falar.

-Quem que está fazendo isso comigo?

-Nossa Kamus... – Miro olhava para o copo – Que coisa, não?

-Quero muito saber quem é. Isso tem cara de coisa daqueles dois pilantras que não têm o que fazer.

-Kanon e Máscara da Morte?

-De quem mais eu estaria falando?

-Sei lá...

-Por favor, Miro! Quem seria o babaca que faria isso?

Miro não respondeu. Apenas sorriu. Kamus olhou para os lados procurando a dupla.

-Vou bater um papo com eles. Já venho.

Miro terminou logo a sua coca. Apanhou mais um copo quando um garçom passou. Se fosse bebida alcoólica, já estaria alto.

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Já fazia quinze minutos contados por Lígea no relógio que os estavam sentados em silêncio naquele banco. O céu estava estrelado e Dohko contemplava as constelações.

-Está vendo aquele "montinho" ali, Lígea? – Apontou para elas.

-Sim! Não aponta para as estrelas, nascem verrugas!

-Hahaha você acredita nessa superstição tola?

-Estou brincando. O que tem aquele montinho?

-É a constelação de Libra, meu Signo.

-Que linda... Você é Libriano?

Ele virou o rosto na direção da garota e concordou com a cabeça, o sorriso maroto em seus lábios.

-Libra é meu Inferno.

-COMO ASSIM? – Dohko ficou espantado.

-Hehehe meu Inferno Astral.

-O que isso quer dizer?

-É que eu sou do Signo de Escorpião com Ascendente em Escorpião. O mês que antecede o meu aniversário é Outubro, que é Libra. Só isso.

-Então a gente não se daria bem?

-Teoricamente não.

-Mas que bobagem! Nos damos tão bem!

-É... Mas não é bobagem não.

Os dois se encararam longamente.

-O que você queria me dizer, Dohko?

-Você está linda... Você é linda...

-Obrigada. Você é lindo também...

-Você não está namorando o Kanon?

-Não Dohko. Já disse que aquilo foi um mal entendido. Ele me beijou a força.

-Mas eu o vi te abraçando no jardim da escola.

-Então foi isso que você viu! Dohko, eu fui falar pra ele não mexer comigo!

-Mas ele te abraçou! Eu vi! Não negue!

-E por acaso você não conhece a fama dele de galã?

-Sim...

-Não devia ter duvidado de mim. Odeio que duvidem de mim!

-Me desculpa, Lígea, mas eu não tive escolha. Até Miro e Kamus confirmaram que vocês deixaram a quadra juntos aquele dia.

-E desde quando você deve ligar para fofocas infundadas, Dohko?

-Tudo eram evidências, Lígea...

-Dohko...

Ela inclinou a cabeça em direção a ele. O momento estava sendo mágico. Dohko tinha essa visão de um encontro romântico. Música ao fundo, sozinhos, céu estrelado, nada no mundo poderia os atrapalhar.

-Venham vocês dois! Vamos cantar parabéns para o Aioros!

Dohko e Lígea se olharam frustrados e depois olharam para Aldebaran com extrema raiva. Claro que tinha sim como atrapalhar aquele momento magnífico. Sem perceber a situação, o brasileiro ficou parado olhando para os dois.

-Que, que foi? Parece que querem me engolir!

Lígea se levantou com raiva, passou por Aldebaran raspando de novo em seu braço.

-Você acabou de provocar o Escorpião, Aldebaran!

-Como assim?

-Descobri porque ela é tão assim... É de Escorpião.

-Hahahaha e eu sou Taurino. Nunca vou me dar bem com ela então.

-Acabou de atrapalhar o meu momento romântico com ela! Já é a segunda vez!

-Nossa, foi mal! Mas foi o Aioria que pediu pra chamar!

-Tudo bem, vamos.

Aioros já estava acendendo as velas quando os dois chegaram. A canção mais conhecida do mundo inteiro ecoou pelo salão e aplaudiram o grego quando este soprou as velas.

-Corta o bolo, de baixo para cima e faz um pedido Aioros! – Aioria incentivava o irmão.

-Que todos nós tenhamos ido bem na prova de Grego!

-Não era pra falar alto, Aioros! Você está cansado de saber!

-Desculpa! Eu me esqueci!

Todos riram. As trapalhadas de Aioros eram muito engraçadas. Conseguia tropeçar sozinho, derramar as coisas e se confundir com mínimos detalhes. Era desastrado por natureza. Ofereceu o seu primeiro pedaço de bolo para o irmão e os garçons deram conta do recado depois.

Enquanto todos desfrutavam do seu pedaço de bolo, faziam o de sempre: conversar.

Mu estava sozinho num canto, sentado olhando para todas aquelas pessoas, com um copo de água na mão. Nunca tinha imaginado em toda a sua vida conhecer tanta gente. Estava feliz por estar sendo um pouco mais social. Muito na dele, não procurava as pessoas para conversar. Se lembrou do primeiro dia de aula, que só falou com Aldebaran por ter esbarrado nele. Aos poucos o amigo brasileiro foi o enturmando e criaram um grupo bastante legal. Era muito alheio e parecia ter o seu mundinho particular onde ninguém penetrava.

-No que está pensando, Mu?

O garoto assustou voltando de seu estado de transe.

-Coisas minhas. Está gostando da festa?

-Sim... Posso me sentar ao seu lado ou quer ficar sozinho com seus pensamentos?

-Pode sim, Kia.

Mu se levantou e puxou uma cadeira para ela.

-Me conta, no que está pensando?

-Ah... – Olhou timidamente para a garota. – Nunca pensei que fosse me enturmar... Aí estava pensando no primeiro dia de aula.

-Verdade... Tanta coisa mudou na minha vida depois que vim para a Grécia.

-A minha também. Nunca imaginei conhecer Atenas. Sempre pensei que o mundo se resumia a Lhasa.

-Você gostou da mudança? Eu adorei...

-Sim, sim. No começo deu um pouco de medo, sabe? Mas depois eu me acostumei. Você é de onde mesmo? Sei que é de origem árabe.

-Faixa de Gaza.

Mu arregalou os olhos.

-Sim. Muita guerra por lá. Meus pais agradeceram Alá por eu e minha irmã termos tido essa oportunidade maravilhosa.

-Vocês corriam perigo lá?

-Nossa família não. Mas é que morrem muitos inocentes... A disputa por território é grande. Judeus e Palestinos não se dão, aí atacam. Não tem hora. A qualquer momento pode ter uma bomba explodindo em seu quintal.

-Nossa, Kia. Por que seus pais também não se mudam para cá?

-Meu pai tem o trabalho dele e minha mãe nunca o deixaria. Sei lá, apesar de tudo, eles gostam de lá.

-Mas deve ser difícil conviver com essas guerras.

-Se é. Já perdi muitos amigos, parentes. Além da Anisah, tinha uma irmã mais velha que eu. Ela morreu.

-Olha, se não quiser falar disso, não precisa.

-Tranqüilo! – Kia sorriu e depois baixou a cabeça em direção a seu copo- Um homem bomba explodiu ao lado do carro em que ela estava.

Mu levou as mãos a boca. Quem ofereceu consolo foi a própria garota.

-E pensar que tem gente que reclama tanto da condição que vive...

-É, mas me conta você, do Tibet!

Mu começou a contar e continuaram o papo animado. De longe Saga os via.

-Saga, você está interessado nela?

-Ah! Oi Lígea!

-Não precisa ficar sem graça. Só queria confirmar.

-Você não vai contar a ela, vai?

-Não. Mas acho que você deveria deixar claro pra ela que tem sentimentos especiais.

-Ora, mas por quê?

-Palpite.

-Você acha que ela gosta de mim?

-Não sei. Talvez sim, talvez não.

-Procura saber por mim?

Lígea pensou bem. Ele a tinha ajudado com a sua situação.

-Prometo tentar, está bem?

Saga sorriu.

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-Quero falar com vocês dois.

-O que é que o francês culto, inteligente e sabichão quer com a gente?

-Não zombe de mim, Máscara da Morte.

-Fala logo, Kamus. Não to a fim de perder tempo conversando com você. Nossos assuntos são escolares e hoje estamos em festa.

-Vocês por um acaso não mandaram flores em meu nome pra nenhuma menina, não é?

-Eu achava já que você tinha cara de psicopata, Kamus, mas agora você acabou com a minha dúvida.

-Estou falando sério, Máscara da Morte. Responda a minha pergunta. O mesmo vale pra você, Kanon.

-Você acha que a gente ia fazer isso com você?

-Acho.

-Por que não pergunta pro seu melhor amigo?

-Respondam.

-Perdeu seu tempo. Eu faria isso com meu irmão, com você não.

-Esse negócio de flores não combina com a gente. Se fosse um convite de sexo, ainda vá lá.

-É, têm razão. Vocês não bolariam um plano tão bem feito mesmo.

Kamus saiu deixando-os intrigados.

-Ei Kanon, ele nos chamou de burros, na lata!

-Ele pensa que é o bonzão! Não sabe o que aguarda.

-Como assim?

-Eu sei que ele sabe quem roubou as provas.

-Como?

-Repara como o cara fica nervoso quando tocam no assunto. Num abre a boca, mas os gestos denunciam. Uma hora eu vou lançar o assunto pra você ver.

-Você acha que foi ELE?

-Não, mas acho que ele sabe quem foi.

-Ele nunca vai falar, Kanon. Ele nunca abre a boca.

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Continua...