Olá pessoal! Nossa, faz tempo que não respondo as "reviews", mas prometo fazer isso logo. Aos poucos vou atualizando, aos poucos a inspiração vai voltando e isso tem influência de vocês e de alguns amigos de fora também. Agradeço de coração os comentários! Um grande beijo.

Capítulo 16 – Ânimos renovados

Os garotos aproveitaram suas curtas férias entre Natal e Ano Novo conforme puderam. Voltaram para suas cidades natais para poderem desfrutar dos feriados com suas famílias. Durante esse tempo, se falaram por telefone, enviaram cartas, fotos e cartões.

Miro passou o tempo longe da escola pensando em novas formas de conquistar Calíope, assim como Saga não parava de pensar nos riscos em que Kia estaria passando tendo voltado para a Faixa de Gaza. Shaka recebeu e enviou vários cartões para Nínel. A garota contava a ele como o frio estava intenso em Moscou enquanto o indiano relatava as fortes chuvas que caíam sobre a região do Ganges. Dohko e Lígea se falavam pelo telefone e não se importavam com as broncas de seus parentes sobre as ligações saírem tão caras. Kamus aproveitou o tempo livre para visitar a Suíça com seus pais. Adorava o frio intenso. Shura voltou para casa e encontrou sua mãe namorando um senhor italiano, que não aprovou. Máscara da Morte viajou por toda a Europa e adorou conhecer o famoso "Moulin Rouge", cabaret francês. Saga e Kanon aproveitaram para colocar a saudade de lado da família, assim como Mu. Seus irmãos fizeram muita festa quando o garoto voltou ao Tibet. Tinha muitas experiências novas para contar. Aldebaran tirou suas férias para relaxar nas mais maravilhosas praias do Nordeste brasileiro com seu pai. Reviu sua amiga Laura, de quem estava morrendo de saudades. Aioria e Aioros passaram o Natal com seus avós. No Ano Novo Aioria foi para o Japão ver Marin para tornar aquele momento especial. Aioros escrevia e telefonava sempre que podia para Ísis. O único problema que estava encontrando era se relacionar de forma pacífica com o pai da garota egípcia. Shina foi para a Suécia com Afrodite. A mãe do garoto adorou a nora e fez Shina engordar três quilos, para seu desespero.

Com férias tão gostosas, estava sendo muito difícil para todos voltarem para a escola e estudar como antes. O único fato bom é que poderiam se encontrar novamente.

Ânimos renovados. Se abraçaram fortemente após vinte dias de férias. As aulas já iam começar.

Os professores geralmente ficavam quase loucos no dia de volta às aulas. Todos queriam contar suas novidades de forma triunfal e até mesmo os mais quietos não paravam de falar. Kim chamou a atenção da classe inúmeras vezes e os garotos pareciam ter esquecido da má fama de Eugeu e não estavam o respeitando como antes. Após um "cala boca" que ressoou pelo corredor dos terceiros anos, todos se calaram.

A hora do intervalo era a mais aguardada de todas. Logo já tinham dado as boas vindas aos colegas de ano.

Era tanta coisa para contar que os papos se perdiam. A saudade era enorme.

-E aí, Aioria! Como foi conhecer o Japão?

-Muito lindo por lá. Muito legal, Shaka.

-Você só ficou na Índia, Shaka?

-Fiquei, não tinha como ir para outro lugar. Preciso trabalhar.

-Não recebeu nenhum convite para ir para a Rússia?

Shaka ficou vermelho com a pergunta de Afrodite.

-Eu não podia ir para a Rússia... Caro demais.

-Mas a Nínel podia te acolher na casa dela.

-Não é bem assim, Afrodite. A gente mal se conhece.

-Não foi o que eu e Dite vimos na festa do Aioros! – Comentou Shina – Você dançou com a Nínel o tempo todo!

Shaka não conseguia responder nada e também era impossível ficar mais vermelho ainda. Mu percebendo a situação, mudou o assunto.

-E você, Dohko? Pintou muito nas férias?

-Que nada, Mu. Minha avó me fez treinar muito.

-Já eu conheci altas mulheres gostosas! Tava contando agora pouco pro Kanon. Aliás, Kamus, por que você nunca mencionou o Moulin Rouge?

-Porque lá é um lugar pra gente indecente.

-É nada! Só tem mulher gostosa!

-Você só pensa nisso, Máscara da Morte? Já perdeu a graça.

-Miro, você devia ser da Etiópia, não da Grécia.

O grego não queria nem saber a resposta, mas Aioros perguntou por ele.

-Por que Etiópia, Kanon?

-Porque o Miro vive na seca!

Todos riram com exceção do próprio e de Kamus.

-Podem abafar as risadas. Você pensam que têm as melhores mulheres com vocês, mas no final eu que terei uma mulher de verdade.

-Ih... Olha só quem tá falando! Não pega nem mosca morta e tá falando de mulher de verdade?

-Eu acho que você devia era ficar quieto, Shura. Você é quem menos pode abrir a boca sobre esse assunto.

Aldebaran entrou na frente dos dois, pois do jeito que se olhavam eram capaz de sairem se esmurrando.

-Você está moreno, Aldebaran. Tomou muito sol no Brasil? – Lígea chegou acompanhada de Kia perto dos garotos.

-Aproveitei bem, né! Lá é calor nessa época do ano!

-Estamos vendo!

-E vocês, meninas, o que fizeram?

-Eu fui pra Israel. A Lígea ficou aqui mesmo. – Respondeu Kia por elas duas.

-Você não tem medo de lá não, Kia?

-Eu até tenho, mas iria até o inferno por causa da minha família.

-Nossa, mas que devota a família.

-A Kia é canceriana.

-Eu também sou!

-Você foge a regra, Máscara da Morte.

-Por que, Lígea?

-Você é insensível.

-E você, Aioros? Por que não foi ao Egito visitar a "Cleópatra" e o "Faraó"?

-Ha-ha-ha, Kanon. Não fui porque não fui convidado.

-Hahahaha! Já levou bota!

-Que nada! A gente se falou durante as férias todas.

-Pessoal, vocês viram que o boletim chega hoje?

-Tinha que ser o Kamus para estragar tudo!

-Pois é, Shura. Hoje que vamos saber nossos resultados.

-Ai Zeus! Será que nos demos bem?

-Sei lá, Saga. Só quero pensar nisso quando receber o maldito em mãos. – Comentou Dohko pensativo.

-A nossa sorte é que os boletins não são enviados para nossos pais!

-É verdade, Aioros, mas o meu vai cobrar.

-O meu já cobrou, Aldebaran. Não quero nem ver a minha nota de Grego.

-Vamos nos acalmar? Principalmente você, Aioros. Vamos esperar.

O sinal tocou e voltaram para as classes. Tiveram mais três aulas e no final da última, um dos inspetores que guardavam os corredores chegou na sala de aula trazendo consigo uma pilha de papéis. Primeiro entregou a Galileu na turma A e em seguida deixou o resto com Ptolomeu na turma B.

A correria foi tamanha, pois já sabiam que se tratava dos boletins. Mu, Aldebaran e Saga olhavam surpresos para suas notas. Mu tinha conseguido 10 em Biologia e o resto estava acima de 7. O único problema era o 3,5 de Grego. Aldebaran vibrava com seu 10 em Mitologia e sua média nas outras era 6,5. Também tinha conseguido 3,5 de Grego. Confuso como sempre, o olhar de Saga era indecifrável. Conseguiu manter a média 8 em todas as matérias. Quando olhou para o 5 de Grego, respirou aliviado. Porém, o 4 de Literatura o assustava.

Aioria urrava de raiva e Marin chorava ao seu lado.

-Esse filho da mãe me deu DOIS de média!

-Antes 2 do que 1,5. – Disse a garota entre lágrimas.

-Acalmem-se. Eu também vim com 2 de média de Grego.

-Kia, é normal você ir mal, mas eu sou grego! Que desgraça!

-Eu vim com 3.

-Não está arrasada, Lígea?

-Eu já sabia. Quando ele arrancou minha prova, disse que minha prova não valia 4.

-Bom, eu não posso reclamar das minhas médias, mas que esse 4,5 detona meu boletim, eu não posso negar.

Todos se assustaram ao ver o boletim de Shaka recheado de 10 e 9,5.

Kanon e Máscara da Morte cochichavam em um canto da sala, situação que era realmente estranha. Chamavam mais atenção quando não faziam bagunça do que quando estouravam a boca do balão. Todos foram até eles. Estavam muito constrangidos.

-Vocês estão bem? – Shaka tomou coragem ao perguntar isso para a dupla. Já temia a resposta.

-Não, mas vamos ficar.

-Kanon, jamais terei coragem de mostrar isso pro meu pai. Ele vai cortar o meu "..." fora!

-Relaxa, Mask. Eu acho que tenho a solução.

-Vocês vieram com quanto de Grego?

-Uma bolinha bonitinha, Shakinha.

-ZERO?

-É é é, Saga! Vai começar a dar sermão agora?

-Não... Mas... Zero...

-Vocês estão perdidos!

-Valeu pelo apoio moral, Aldebaran.

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Na turma B não foi diferente. Miro e Kamus comparavam suas notas e achavam um absurdo o 4 de Grego. Ísis chorava no ombro de Aioros por ter tirado 3 e o grego tentava acalmá-la com algo positivo, deixando a situação pior ainda.

-Ísis! Eu vim com 2,5, sou grego e não estou chorando! Ânimo! É só uma prova!

-FICA QUIETO, AIOROS! COMO EU, QUE QUERO ESTUDAR LETRAS, POSSO TER UMA NOTA BAIXA DESSA?

Outro que chorava e arrancava gargalhadas de Shura era Afrodite. Shina também tentava consolar o garoto em vão.

-Dite... Eu também estou com 3,25... Nós vamos sair dessa... Acredita em mim.

-Hahahaha olha como ele é gay!

-Do que você está rindo, Shura?

-Do Afrodite, chora porque tirou 3,25!

-E você, tirou quanto?

-Eu... Seu sem graça, Dohko.

-Não ria da desgraça alheia. Quanto você tirou?

-2,75... E você?

-Humm... Eu vim com 4,25.

-Gente... – Nínel estava com o rosto vermelho – Estou muito envergonhada!

-Por que, Nínel?

-Como posso tirar uma nota tão baixa assim de Grego! 1,75 é humilhante!

-Nínel... Todos foram mal.

-Jamais poderei contar ao Shaka esse terrível deslize!

-E aí, Kamye, foi bem, mon amour?

-Não te interessa.

-Interessa sim. O mais culto, inteligente da sala... Vamos lá, Kamye, me diga quanto tirou de Grego.

-Você quer comparar notas, Chenu?

-Quero, cherri.

Kamus mostrou o boletim. Miro só observava o olhar arrogante da garota francesa.

-Hahaha, estou com 4,5 de Grego. Que pena, cherry. Sou mais inteligente que você.

-Você vai ver na próxima vez, garota arrogante.

-Vou mesmo. No resto empatamos. Que pena. Mas o que importa mesmo é Grego.

Chenu saiu do meio dos dois e empurrou Miro de propósito para um dos lados.

-Ela é outra que me enerva, Miro. Ela e o Aioros.

-Ela é uma chata, Kamus. Uma chata.

Se encontraram todos na saída e comentaram suas notas. Estavam muito chateados com os resultados de Grego e se sentiam mal por terem que contar aos pais algo tão ruim. Não entendia o que Kanon queria dizer com "eu tenho a solução".

-Por favor, não mostre seu boletim a seus pais hoje.

-Não temos como mostrar. Vamos ter que enviar o boletim esqueceu, Einstein? – Máscara da Morte estava sendo sarcástico.

-Tá! Não envie hoje, garanto que amanhã eu terei a solução!

Kanon saiu dali junto com Máscara da Morte deixando os outros curiosos.

-Dá até medo. – Comentou Mu.

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-Kanon, quer fazer o favor de abrir a porta do seu quarto?

-Daqui a pouco Saga! Estou concentrado num trabalho minucioso.

-Que trabalho, Kanon?

-Depois!

-KANON, ABRE A PORTA!

-NÃO PERTURBA MANINHO! SENÃO EU VOU ERRAR AQUI!

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O Kanon que chegou terça-feira no colégio era completamente diferente do dia anterior. Chamou Máscara da Morte para um canto e todos somente escutaram o italiano elogiar:

-Magnífico! Pegue, é todo seu. Quanto é?

-Hum... 20 euros.

-Fechado!

Máscara da Morte retirou de seu bolso a quantia dita por Kanon.

Os outros olhavam curiosos para a dupla. O primeiro a se aproximar foi Aioria.

-O que vocês estão tramando?

Kanon fechou rapidamente seu livro de Literatura.

-Isso é negócio pra gente especial, que não é fofoqueira.

-Eu não sou fofoqueiro.

-Tenho minhas dúvidas.

-A gente só negocia com pessoas que temos certeza de que não vão nos delatar.

-E por acaso eu já delatei vocês dois?

A dupla se entreolhou.

-Quando vocês colocaram chicletes na cadeira da Olímpia eu não contei e ainda dei risada.

-Saca só, Aioria. A gente sabe que você tem um enorme senso de justiça.

-Poxa, me contem. Estou curioso.

-Bom Kanon, se vazar, a gente vai saber que foi ele. Nem seu irmão sabe, ou sabe?

-É verdade. Bom...

Kanon abriu o livro de Literatura e Aioria olhou espantado.

-Kanon... Foi você que fez?

-Foi. E o Mask também vai querer. Ficou espetacular, não é?

-Muito... Olha... Eu também quero.

Os dois olharam incrédulos.

-É! E vou falar com meu irmão também. Ele vai achar o máximo.

-20 euros.

-Com certeza vai ganhar 40. Na hora do intervalo eu troco meu dinheiro e pago. Aproveito e te dou o meu e o dele juntos.

-Fechado!

Aioria saiu sorrindo. Mu, Aldebaran e Shaka começaram a se assustar. Aioria se dando bem com a dupla dinâmica? Saga não sabia por que, mas preferia nem saber o que o irmão estava tratando.

Na hora do intervalo, Kanon e Máscara da Morte estavam rodeados de garotos. Desde alunos do primeiro ano até mesmo Shura e Aioros.

-O que esses dois estão aprontando?

-Coisa boa não é, Shaka.

Assustaram-se mais ainda quando Shura e Aioros saíram da sala satisfeitos.

Mu se aproximou dos dois com bastante receio. Kanon contava o dinheiro e Máscara da Morte colocava um envelope do tamanho de uma sulfite dentro da mochila de Kanon.

-Me desculpem rapazes, mas estou curioso. O que vocês estão fazendo?

-A nossa conversa não chegou ainda no estábulo.

-Me respeitem.

-Mu, isso não serve pra você. É melhor você ficar longe.

-Mercado negro.

-Mas até o Aioria se interessou. Por que não podem me dizer o que é?

-Porque você vai contar.

-Você tem cara de dedo-duro.

-Vocês não imaginam o que eu sei e não conto pra ninguém.

Agora era a vez da dupla olhar com espanto para Mu.

-Mesmo assim, melhor não.

-Kanon, me fala, por favor. Eu te juro que não falo nem pro seu irmão.

-Se você falar, chifres vão nascer de suas pintinhas! – Debochou Máscara da Morte.

-Gostei. Então veja.

Mu olhou incrédulo. Ficou sem palavras, parado.

-Pronto, Mask. Matamos o cara.

Kanon passava a mão na frente dos olhos do tibetano. Quando ele voltou a si, não pensou duas vezes.

-Vou querer também.

-O QUÊ? Mu, você está com febre?

-Não. Isso... É perfeito. Mas é seguro?

-Claro. Se não vazar, é.

-Ótimo. – Mu tirou o dinheiro do bolso. – Pra amanhã. Senão enlouqueço, está bem?

-Perfeito, o cliente é quem manda.

Ao contrário dos outros, Mu não deixou a dupla sorridente. "Às vezes não me reconheço." – Pensava ele.

Ao notar a expressão facial de Mu, Aldebaran teve que saciar sua curiosidade.

-O que aconteceu?

-Nada.

-Você acabou de falar com aqueles dois, está mais pálido do que já é e nada aconteceu? Mu, eu te conheço!

-Aldebaran, você não acredita em mim?

-Quando você diz a verdade, eu acredito. Mas dá pra ver que você está mentindo. Você não é de mentir.

-Não é nada, Aldebaran!

O brasileiro não se contentou com os comentários de seu melhor amigo e resolveu procurar informações. Na saída encontrou Shura e Aioros. Já que Mu não queria revelar, talvez aqueles dois falariam, ainda mais Aioros que sempre dava foras. Foi direto ao ponto.

-O que Kanon e Máscara da Morte estão aprontando?

-Deba, coisas que não são pra você.

-Como assim, Shura?

-É mesmo. Você não precisa disso. Você se garante.

-Escutem aqui. Sei que vocês adoram uma farra também, mas o Mu se rendeu a eles também. Não gosto disso.

-O MU?

-Sim, Aioros. O próprio. Preciso saber antes que ele se meta em encrenca.

-Deba, não podemos contar. Fomos instruídos a manter sigilo absoluto. Vai estragar o trabalho dos dois.

-E por que vocês fizeram essa "tal coisa" e eu não posso fazer?

-Porque você se garante.

-Aioros...

-Deba, se você quiser saber, procure-os na aula de Esgrima. Nós não podemos falar.

-Cara, não insiste. Eu não gosto nem de pensar o que eles podem fazer com a gente se atrapalharmos tudo.

Aldebaran cruzou os braços e não quis engolir de jeito nenhum aquela história. Decidiu então procurar Saga.

Ele estava almoçando com Kia quando foi abordado pelo brasileiro. Aldebaran nunca se tocava quando estava estragando "climas".

-Saga, seu irmão está aprontando algo sério.

-Ele sempre apronta algo sério, Aldebaran. – Saga dizia enquanto limpava o canto de sua boca com um guardanapo.

-Ele comprou o Mu.

Kia arregalou os olhos.

-Como assim, o Mu?

-É, Kia. O Mu se rendeu aos caprichos do Kanon. Isso é sério, Saga.

-Aldebaran, eu sei o mesmo tanto que você. Você realmente acha que minha relação com o Kanon é maravilhosa? Não, não é. Ele não me conta nada.

O brasileiro olhava fixamente nos olhos de Saga.

-Nunca sei quando você mente.

-Olha, eu nunca menti pra vocês. Não vai ser agora que vou começar. Quando é que eu defendo meu irmão? Estou cansado de ouvir que eu minto!

-Nunca sei o que se passa nessa sua mente!

-Ei vocês dois, sem brigas. Dá indigestão. Se o Saga diz que não sabe, é porque não sabe, Aldebaran.

-Eu não sei...

-Larga mão de ser teimoso, Aldebaran. Ele não sabe mesmo.

-Será que você não tem como descobrir? Estou preocupado.

-Eu vou tentar, eu prometo, Aldebaran.

-Certo.

A tarde correu como sempre. Aulas extras com os alunos voltando à ativa. Shaka estava conseguindo vencer Mu facilmente no Xadrez, Afrodite e Shina costuravam cada vez melhor, o clima de Dohko e Lígea tinha melhorado, embora não tivessem terminado a conversa que precisavam, deixando Kanon morrendo de ciúmes na aula de Pintura, Shura como sempre detonou em Esgrima e Aldebaran sempre brilhava junto com Kamus na aula de Culinária.

Quando os gêmeos chegaram em casa, Kanon entrou no banho, deixando sua mochila no canto da sala. Saga resolveu averiguar. Abriu a mochila e se assustou com a enorme quantidade de papéis de bala que havia no fundo da bolsa. Vasculhou e não encontrou nada. "Droga! Máscara da Morte deve ter ficado com aquele envelope!"

Kanon saiu do banho e levou um susto quando viu o irmão sentado em sua cama.

-O que você está fazendo em território inimigo?

-Tentando descobrir o que você está aprontando.

-Saga, eu descobri uma coisa que dá dinheiro.

Kanon pegou sua carteira. Estava abarrotada de euros.

-Já consegui 200 euros. Amanhã devo conseguir mais uns 100.

-O que você está fazendo?

-Uma coisa excitante! Só não te conto porque assim como os outros amigos seus, vai falar que é errado.

-Você só faz coisa errada.

-Estou salvando a pele de muita gente, se quer saber.

-Não importa, se for errado.

-Se você se unisse a mim, irmão, podíamos dominar aquele colégio. Você tem uma mente brilhante, eu sei. Eu com meus truques e você com sua inteligência, seríamos imbatíveis!

-Cale-se Kanon! Jamais me juntaria a você para cometer falcatruas.

-É uma pena, irmão. Imagina... Eu poderia dividir essa grana com você...

Saga saiu do quarto de Kanon e bateu a porta com força. O telefone tocou.

-Oi Saga, aqui é o Miro, tudo em ordem?

-Oi Miro... Que estranho você ligar aqui em casa.

-Tudo em ordem?

-Sim e você? – Mentiu Saga. Jamais em sua cabeça iria desabafar com aquele garoto.

-Sim. Posso falar com o Kanon?

-...Pode... Só um minuto.

Enquanto foi chamar seu irmão, pensamentos ruins passavam por sua cabeça. Aquela ligação realmente era estranha.

Kanon atendeu o telefone e se limitava em dizer "sim", "uhum" e "não". Quando desligou, olhou para o irmão com o seu sorriso irônico de sempre.

-Tá vendo, Saga? Eu vou ficar rico sozinho. Mais um.

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A quarta-feira seguiu com as aulas normalmente. Kanon encontrou Miro na classe B e emprestou um livro a ele.

-Me devolve amanhã, sem falta, Kanon.

-Já disse que o cliente manda.

Miro ficou vermelho e Kanon saiu de sua classe. Quando ele virou pra trás, Kamus estava parado olhando para ele.

-Cliente do Kanon? Que história é essa, Miro?

-Ele me pediu um livro emprestado.

-Mas aí no caso, ele seria o seu cliente.

-O Kanon troca tudo mesmo.

Kamus ia retrucar, mas foi interrompido pela passagem escandalosa de Shina invadindo a sala. Puxou Afrodite com tudo para fora. Minutos depois os dois voltaram cochichando.

-O clima aqui está estranho. Está todo mundo envolto em mistério.

-Concordo, Dohko. Na minha classe está todo mundo irrequieto, mas calados. Acho que tem a ver com o Kanon.

-Fique longe dele.

-E você precisa pedir?

Dohko sorriu. Se sentou e ouviu comentários de Aioros com Shura.

-O Kanon salvou a minha vida! Ele é fantástico.

-Desde quando?

-Dohko, ele é um gênio.

-Por que?

-Dohko – Interferiu Shura – Sua avó é brava?

-Muito.

-Fale com o Kanon. Ele vai te salvar.

-Mas o Kanon está popular, hein? Me recuso a falar com ele.

-Dohko, por uma boa causa, você falaria com ele?

-Só por uma BOA causa.

-Procure-o. Se eu fosse você, faria isso agora mesmo.

Dohko se levantou e resolveu pensar duas vezes. Se não tivesse sido orientado por Aioros, jamais teria ido procurar aquele projeto de marginal. Chegando na sala, postou-se em frente a Kanon e economizou as palavras.

-Estou com problemas com minha avó. Mandaram te procurar.

-20 euros, suas coisas, problema resolvido. – Falou o grego.

-O que você realmente faz?

Kanon mostrou o envelope. Dohko ficou pálido.

-Você ficou louco, não?

-Não. Mas você não seria louco de me dedar. Vai querer ou não?

-Fica exatamente assim?

-Fica. Aí você não terá problemas com a vovózinha.

-Certo. Tá aqui o dinheiro. – Dohko jogou as notas sobre a mesa e saiu sem se despedir.

Quando estava saindo, trombou com Lígea.

-O que você está fazendo aqui, Dohko?

-Vim te desejar boa aula.

-Mas que atencioso! Obrigada! – Ela deu um beijo no rosto do amigo.

"Se ela soubesse como esse beijo me custou caro..."

Saga olhava para a dupla que comemorava mais uma venda.

Dohko chegou na sala arrasado. Aioros e Shura o consolavam.

-Pense que foi para se safar.

-Nunca precisei disso, caras!

-Sempre há uma primeira vez, chinês.

Mais uma vez, no intervalo, Kanon estava cheio de "clientes". Máscara da Morte organizava uma fila.

-Daqui a pouco precisaremos de senhas.

-Mask, você vai ter que me ajudar. Vamos rachar a grana. Não vou dar conta de tudo até sexta-feira sem ajuda.

-Opa, fechado. Minha casa é muito mais sussa.

-Vou dormir lá então.

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-Bom Saguinha, tô indo para a casa do Mask. Talvez na sexta eu volte. – Kanon preparava sua mala.

-Me conta o que você está fazendo.

-Tô arrumando minha mala.

-Deixa de ser cínico. Me fala.

-Tô pegando pijama, uniforme escolar... Nada mal pegar umas camisas pra sair...

-KANON!

-Eu!

-Como você está ganhando dinheiro?

-Trabalho árduo.

-Estou sem paciência. Me fala.

-Você não quer participar, também não vai atrapalhar.

-Bom, vou mandar a Calíope investigar você.

-Mande. Ela vai perder tempo.

-Kanon, larga mão de ser chato e me fala.

-Você não vai querer se juntar a mim e o pior, vai me destruir!

-Não... Aliás, me dá seu boletim que eu preciso enviar pro papai. Ele ligou hoje pedindo.

-Agora não. Sábado. Até mais!

Kanon saiu em disparada até a porta antes que o irmão tivesse tempo de trancá-la. Se Saga quisesse mesmo descobrir o que ele estava aprontando, teria ou de se unir ao irmão ou convencer Mu a falar, porém as duas opções eram muito difíceis. O que fazer então?