Quer ser minha namorada?

Quinta-feira chegou com um dos dias mais frios de todo o inverno Grego.

Kia estava linda naquela manhã. O uniforme de inverno dos garotos era muito bonito. A garota não se vestia de forma comum, como as outras. Não suportava a idéia de usar saias e chamava atenção por isso. Seus cabelos também eram curtos e a impressão que passava era de um garoto com traços delicados. Porém, naquele dia, ela estava de saias e com um casaco de lã comprido que cobria sua saia.

Procurou um lugar embaixo de uma das árvores do colégio e se sentou. Começou a viajar em pensamentos e logo a pessoa que menos queria ver naquele dia, veio ao seu encontro.

-Nossa, sabia... Que... Você...

-Oi, Saga. Eu o quê?

-Está muito bonita.

-Obrigada.

Nesse instante, Saga se lembrou das palavras de Lígea no aniversário de Aioros. Estavam sozinhos. Era melhor se declarar.

-Kia, eu...

A garota já previa o que ia acontecer e detestava aquela situação. Ficou parada a espera da continuação da frase mais temida.

-Eu gosto... De você!

Saga ficou vermelho, sentia as orelhas queimarem. Ela optou por ficar em silêncio.

-Kia... Você... Me...

"Não, Saga! Não fale isso pra mim! Por favor, não!"

-Saga, vamos para a aula? Já estamos atrasados!

-Mas eu preciso... Falar...

-Depois você fala, vamos levar falta de Educação Física, sabe o quanto me importo com essa disciplina!

Saga sorriu, porém estava contrariado. Sentia que estava perdendo a oportunidade, mas também tinha que deixar a garota à vontade. Os dois foram juntos para a quadra. Kia se juntou às garotas e Saga se reuniu aos seus amigos que já estavam se aquecendo. Kanon e Máscara da Morte estavam conversando com Miro em um dos cantos da arquibancada. O grego parecia aflito e mexia as mãos com rapidez, como se estivesse cobrando algo. Kamus observava de longe a cena, intrigado.

-Você conseguiu descobrir alguma coisa, Saga?

-Nada Aldebaran. –Saga estava pensando em outra coisa.

-Descobrir o que?

-O que o Kanon está fazendo, Shaka.

-Coisas ruins, com toda a certeza.

-Saga, você precisa dar um jeito no seu irmão, porque ele é um perigo.

Saga olhava para longe. Para um grupo de meninas se aquecendo.

-Saga?

-Aldebaran, ele não está escutando nada.

-SAGA!

O grego deu um pulo para trás, caindo de costas no chão. Aldebaran ajudou o amigo a se levantar.

-Desculpa, mas eu estou falando com você faz quinze minutos.

-Eu que peço desculpas. Estava pensando na Kia.

-Aconteceu algo, Saga? – Interessou-se Shaka.

-Eu ia pedir ela em namoro, mas não deu.

-Ah Saga! Não existe uma oportunidade só na vida! Você terá outras!

-Ela vive rodeada de meninas.

-Fala com a Lígea, ela vai saber te aconselhar.

-Não sei não, Shaka...

-Aldebaran, se vocês não se dão bem, por favor não se mete. Mas ela gosta do Saga. Fale com a Lígea, Saga.

-É, obrigado pela dica.

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-O que aconteceu, Kia?

-Não foi nada, Lígea.

-Como não? Você não está prestando atenção na aula, está com a cabeça em outro lugar! Está pálida. Sou sua amiga, me conta.

-Não precisa se preocupar, Lígea. É sério.

-Você me chama de cabeça dura, mas está se saindo melhor que eu nesses últimos tempos.

-Como assim, nesses últimos tempos?

-Desde a prova de grego, você está desconcentrada, na festa do Aioros você agiu de forma estranha e há poucos minutos, adentra a quadra junto com Saga e não está se aquecendo direito. Por que não confia em mim?

Kia olhou para o outro lado da quadra. Os garotos se preparavam para o jogo de Handball. Seus olhos se fixaram em alguém.

-Amiga, eu quero te ajudar.

Lígea pegou a mão da amiga, fazendo ela retomar a atenção na conversa. Demorou a emitir algum sinal de vida. Suspirou profundamente. Os sinais denunciavam seus sentimentos.

-Você está apaixonada.

Kia corou completamente.

-E com certeza o Saga tem a ver com isso. Já disse, vocês são lindos juntos!

-Ele é meu amigo. Adoro ele. E hoje...

-Hoje?

-Hoje...

-Vocês se beijaram!

-Não!

-Então o quê?

-Ele se declarou...

-Que lindo, Kia! Ai, quem sabe você não tira aquele olhar melancólico dele e estampa um sorriso lindo naquele rosto fofíssimo dele... Se eu não gostasse do Dohko, ficaria com ele...

-Lígea, eu o interrompi. Acho que ele ia me pedir em namoro.

-Caramba! Isso é maravilhoso!

-Não é! Corta meu coração!

-Não entendo... Eu já sabia que ele gosta de você.

-Eu adoro ele, já falei.

-Mas...?

-Não é dele que eu gosto!

-Então é de quem?

-Não sei se eu conto... Eu...

-Se você não quiser me falar, tudo bem, mas não magoe o Saga. Me deixou curiosa.

-Me sinto péssima, pois esse garoto...

-Não vai me dizer que é o Kanon! Te arrebento a cara!

-Calma lá! E não é ele!

-É amigo dele?

-Olá meninas! – Shina e Ísis chegaram abraçando as duas por trás – Qual é a fofoca do momento?

-Nenhuma – Respondeu Lígea mais do que depressa. Kia agradeceu mentalmente.

-Como nenhuma? As duas estão cochichando faz tempo e não é fofoca?

-Estamos querendo saber o que Kanon e Máscara da Morte estão aprontando – Foi a primeira coisa que Kia conseguiu pensar.

Shina e Ísis trocaram olhares aturdidos.

-Algo me diz que vocês sabem.

-Não podemos contar...

-Nós contamos o que estávamos cochichando! – Mentiu a árabe.

-É que se vazar, os garotos vão ter problemas.

-Mais ainda. – Acrescentou Ísis.

-Podem desembuchar. Vou adorar me vingar de Kanon.

-Cuidado com o veneno, escorpião.

-Contem pra gente. O que estão aprontando dessa vez?

Diante de um impasse, as duas garotas da turma B resolveram que precisavam contar.

-Eu só conto – Shina pausou após o olhar repreensivo de Ísis – Se me prometerem que não falarão para ninguém.

-Shina, melhor não!

-Ísis, se ela prometer, não tem problema.

-Eu prometo! – A curiosidade transbordava dos olhos de Kia.

-Está bem...- Lígea concordou contrariada.

A italiana tirou dois papéis do bolso e os desdobrou. O espanto de Kia e Lígea era nítido e a árabe se manifestou pelas duas.

-Qual dos dois é o original?

-Este!

-Isso é um absurdo!

Antes que Lígea pudesse rasgar os papéis, tirou-os da mão da garota grega.

-Custou caro. Não vai destruir, criatura de Plutão!

-Caramba! Será que eles não fazem pra mim?

-Até você, Kia?

-Lígea, isso é uma obra de arte!

-Disse bem! ARTE! Que resultará em conseqüências graves!

-Ninguém vai saber!

-Não estou acreditando no que ouço!

-Ok, ok... Mas é uma idéia genial...

-Se você fizer isso, vou me decepcionar muito!

-Não vou fazer, fica tranquila!

-Ótimo!

-VOCÊS QUATRO! 50 flexões! Faz meia-hora que estão nessa lenga-lenga! – Aurora gritava do fundo da quadra – Estamos em aula, não no recreio! Sem conversa paralela.

A turma toda riu ao ver as quatro pagando as 50 flexões.

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-Dohko, fiquei sabendo de uma coisa horrível hoje!

-O quê, Lígea?

-Não deveria te contar, mas como confio em você, eu conto...

-Meu Zeus... O que houve?

-Kanon e Máscara da Morte estão passando dos limites! Roubaram as provas e fazendo mercado negro!

-Como assim, tem certeza que eles roubaram as provas? Não acuse sem saber! E como assim, mercado negro?

-Estão falsificando boletins!

-Lígea... Acho melhor a gente não se meter nisso...

-Não gosto dessas atitudes! Dá vontade de delatar! Até minhas amigas foram compradas por eles!

-Melhor a gente não se meter...-Dohko começou a pressentir que se Lígea soubesse de sua atitude, ia brigar com ele muito feio.

-Isso é sujeira! Me revolta!

O gesto de perplexidade com os punhos foi tão exagerado que acertou a boca do estômago de Aldebaran, que estava se aproximando dos dois.

-Qualquer dia essa menina ainda me mata!

-Hoje eu estou com vontade de matar dois!

-Mas por quê?

-Kanon e Máscara da Morte estão vendendo boletins falsos!

-Então era isso!

Dohko olhou assustado para o brasileiro. Achou estranho Aldebaran ainda não saber daquele fato. Até ele mesmo já estava por dentro.

-Valeu aí, Lígea! Vou encostar aqueles dois na parede agora!

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A dupla dinâmica estava saindo da biblioteca quando o garoto brasileiro os parou.

-Quer sair da frente, brutamontes?

-Não, Máscara da Morte, enquanto não tiver uma conversinha com vocês...

Agarrou a dupla pelos colarinhos e os olhava em fúria.

-Ae cara, se liga aí, pega leve. Não fizemos nada contra você!

-Escutem aqui. Se vocês querem ser fora da lei, sejam, mas não levem o Mu junto de vocês.

O cinismo atingiu o rosto da dupla que mantinham o rosto em expressão de medo e olhos semi-abertos.

-Mu é muito ingênuo! Fiquem LONGE dele, não o façam participar das suas falcatruas!

-Isso é uma ameaçava?

-É, Kanon.

-Bom, com a gente o lance é pagou, levou. E no caso o Mu pagou e recebeu o trabalho. Ninguém convenceu o palhaço a fazer nada.

-E o trabalho foi muito bem feito, por sinal.

-Não interessa. Ele é bobo o bastante para ser enganado. Se ficarem perto dele, levam uma surra BEM DADA de mim.

Depois disso, Aldebaran os soltou e deu as costas para os colegas.

-Como ele descobriu?

-A vaquinha deve ter mugido.

-Será que ele vai contar na diretoria?

-Apesar de tudo, o cara é discreto.

-Vou confiar no seu taco, Kanon.

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-Miro, o que você estava falando com aqueles dois antes da aula?

-Queria meu livro de volta.

-Conta outra.

-É sério, Kamus! – Vendo que não ia ter escapatória, tentou se esquivar da melhor maneira possível. – Vou beber água, já venho!

Saiu tão depressa que esqueceu o livro de matemática num banco do pátio. Kamus resolveu levar as coisas para o amigo. "Miro só não esquece a cabeça porque ela está grudada." – Pensou ele.

Quando pegou a apostila, ela escorregou e dois papéis caíram de dentro dela. Olhou e não acreditou. Tratou de alcançar o amigo o mais rápido que pôde.

-Você esqueceu o livro na quadra, Miro. – Disse ele estendendo o livro para o grego.

-Obrigado, Kamus! Não sei o que seria de mim se não fosse você!

-Tem como você me explicar isso? – Disse o francês com os dois papéis na mão.

Miro mudou do pêssego para o roxo passando pelo escarlate. Se fosse possível, ficaria de todas as cores do arco-íris de tão envergonhado.

-Vou repetir: Tem como me explicar?

-Não era pra você ter visto!

Miro tentou agarrar os papéis, mas Kamus foi mais ágil.

-Isso é uma falsificação.

-Eu sei...

-Você vai mostrar esse boletim para os seus pais?

-Me devolve, Kamus!

-Como você tem coragem?

-Você não entenderia...

-Você não explicou.

-É muito humilhante vir com uma nota baixa da língua que você mesmo fala!

-Então me explica por que antes você estava com 6,5 de História e agora está com 8,0.

-Meu pai disse que se eu viesse com notas acima de 8,0 eu poderia trocar meu carro.

-Miro, que coisa mais ridícula! Me decepcionou pra caramba!

-Desculpa Kamus, mas é que se a Calíope me visse com uma Mercedes, iria se impressionar muito mais!

-Então, pense em como ela vai ficar impressionada ao saber que o SEU boletim foi falsificado.

Miro arregalou os olhos. Como não havia pensado nisso?

-Olha Miro, por mim, ninguém vai ficar sabendo dessa tremenda idiotisse, mas isso ainda vai cair nos ouvidos da diretoria. E se seu nome estiver no meio, eu não vou ficar do seu lado.

-Não fala pra ninguém, por favor!

-Rasgue isso já!

-Aqui na escola não. Vou queimar quando chegar em casa. – Miro disse enquanto pegava os boletins das mãos de Kamus.

-Você percebeu, Miro, em como as mulheres piram nossa cabeça?

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-Aioros, preciso te contar uma coisa...

-O que foi Aioria?

O irmão mais novo olhou para Shura, como se pedisse para o espanhol se retirar.

-O que quer que seja, Aioria, o Shura é de confiança.

-Bom... Você já mandou o seu boletim pra casa?

-Ainda não, por quê?

-Porque eu fiz isso... – Aioria mostrou o papel ao irmão e virou o rosto em direção oposta esperando uma atitude repreensiva dos dois.

-Hahahaha! – A dupla riu junta.

-Não vão me xingar?

-Nós também fizemos!

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-Pronto, Saga, pode me dar o seu boletim pra eu mandar pro papai.

-Por que você que vai mandar?

-Por que tem que ser você a mandar as coisas sempre?

-Por que você demorou tanto?

-Bom, é o seguinte, caro irmão, vou lhe fazer uma proposta.

-Tenho medo das suas propostas.

-Eu posso te ajudar em duas situações.

-Seja direto.

-Está bem. Sei que você está caidinho pela Kia.

Saga arregalou os olhos e negava com a cabeça.

-Você já foi melhor mentiroso, irmão.

-Tá, e daí?

-E daí que você foi mal em algumas matérias. Papai vai ficar, no mínimo, puto.

-Estou arcando com as consequências.

-Você gosta mesmo é de ser castigado.

-Não sou masoquista.

-Parece.

-Kanon, diga logo. O que uma coisa tem a ver com a outra?

-Bom, eu falsifiquei mais da metade de boletins do Ensino Médio da nossa escola.

-Meu Zeus! Kanon, você enlouqueceu de vez! Vou na coordenação já!

-Não, você que estará enlouquecendo se fizer isso.

-Você não vai me impedir!

-Vou, quer ver como? – Kanon agarrou o pulso de Saga com força e colou sua boca no ouvido do irmão. – Somos idênticos. Primeiro, me visto como você e beijo a sua preciosa Kia em seu lugar. Depois, conto pro papai o que você a mulher dele já fizeram e em terceiro lugar, te incrimino de roubar as provas.

-Você joga muito sujo! Eu não roubei as provas. Impossível você me incriminar!

-Eu falsifiquei boletins. Vai pagar pra ver?

-Você é um criminoso, Kanon! Não merece ficar livre!

-Deixa disso, irmão! – Gargalhou soltando o braço de Saga – Olha só, posso mudar suas notas! Veja que perfeição!

Saga olhou o documento em suas próprias mãos. Era mesmo perfeito.

-Por conta da casa, Saga. E aí?

O irmão gêmeo ficou em dúvida.

-Kanon, o castigo vai ser pior depois!

-Nós vamos recuperar as notas! Papai nem vai notar!

-E se não recuperar?

-Eu sempre tenho um plano B!

-Kanon! É bem sério!

-Saga! Pensa: Sem castigos, Kia. Cinema, bares, namorar. Se divertir!

-Não sei...

-Deixa de ser mané uma vez na vida irmão! Olha, não vou mudar muito. Até o Mu quis!

-Mu?

-É! Ele mesmo! Tão santinho... Olha, eu volto daqui a duas horas. Me espera aqui mesmo.

Após as duas horas exatas, Kanon chegou com Máscara da Morte e entregaram a cópia falsificada para Saga.

-Aprovado?

-B1, olha que divino! – Endoçava, Máscara da Morte.

Saga não tinha escolha. Desejava Kia e não duvidava das atitudes do irmão. Por outro lado, não seria nada mal mesmo não ficar de castigo.

-Ai Kanon, está bem... Mas tenho certeza que isso vai dar rolo depois.

-Você não confia em mim?

-Não vou me dar o trabalho de te responder.

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-O que foi, Afrodite? Onde está Shina?

-Com as amigas dela.

-Brigaram?

-Não...

-Sabe, eu amo minha mãe, Shaka. Odeio mentir pra ela.

-O que você mentiu?

-Ontem eu mandei meu boletim para casa...

-Bom, eu não estou vendo mentiras até aí...

-Kanon e Máscara da Morte venderam boletins falsos e como eu não queria mostrar que estou indo mal, comprei deles...

-Afrodite! Você não vai mal! Foi de uma matéria só! Não devia ter feito isso!

-Sei lá, Shaka.

-E agora?

-E agora ela me ligou, dizendo que está muito orgulhosa de mim.

-Er... Eu não sei o que te dizer...

-Eu estou péssimo...

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-Mu, preciso falar com você!

-Diga, Aldebaran. Que houve que está tão nervoso?

-Onde está seu boletim?

-Já mandei para Lhasa...

-Você não fez isso!

-Claro que eu fiz. Minha mãe já estava quase tendo um parto com tanta demora.

-Qual boletim você mandou?

Mu ficou pálido. Depois de encarar o brasileiro em silêncio por alguns segundos, sua boca sou ousou soltar um:

-Bem...

-Mu, me diz que você mandou o original.

-Deba, eu...

-Mu!

-Já foi!

-Caramba cara! Nossa, você não devia ter feito isso!

-Desculpa! Eu...

-Não é pra mim que você deve pedir desculpas!

-Não pense besteiras ao meu respeito.

-De boa mesmo? Não estou o reconhecendo...

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Os dias que se seguiram foram tranqüilos. Como já estavam no segundo semestre do ano, começaram a agilizar os preparativos para a formatura. Definiram o pessoal que ia participar da comissão, com uma votação. Lígea, Saga e Aioria foram escolhidos para representar a sala A. Miro, Aioros e Ísis a sala B.

A comissão total da formatura se encontrava todas as sextas feiras, fazendo com que Saga tivesse que mudar o local de estudos com Kia. De início, o aluno mais exemplar da sala não sabia como fazer, mas depois de ouvir mais conselhos, decidiu convidar a garota para ir até a sua casa.

-Kia, podemos conversar?

Os olhos da garota fixaram-se nos dele. Saga percebeu que ela estava começando a ficar nervosa.

-Claro! Diga...

-Agora que faço parte da comissão de formatura, nossas reuniões são feitas às sextas feiras. Então não poderemos estudar mais esse dia.

-E agora? Puxa vida, eu realmente preciso de sua ajuda, Saga.

-Então... Eu estava pensando... Eu... Er...Você pode ir na minha casa aos sábados.

-Não vai atrapalhar?

-Não, de jeito nenhum! En-então, estamos combinados?

-Claro! Depois de amanhã estarei lá!

Kia já estava virando as costas quando Saga exclamou:

-Ei, Kia! Você gostaria de ir ao cinema comigo?

Precisava pensar rápido. Não podia dizer não, afinal, seu amigo não cobrava pelas aulas e um cinema, nada de errado poderia acontecer.

-Está bem! Escolhe o filme, depois a gente come alguma coisa juntos, pode ser?

-Perfeito! As duas na minha casa e depois, no fim do dia, a gente sai.

-Até então!

Após a aula, Saga pediu que Mu, Aldebaran e Shaka esperassem, pois queria conversar com eles. Os quatro então resolveram almoçar pelo colégio, assim podiam conversar tranqüilamente.

-Estamos curiosos, Saga. – Quem colocou o assunto na roda foi Aldebaran.

-Chamei a Kia para estudar em casa e depois a convidei para um cinema.

-Gostei da atitude.

-É Shaka, será que dessa vez eu consigo pedir ela em namoro?

-Ah cara, deixa rolar. Dessa vez vai sim.

-Puxa Saga, eu torço muito para que as coisas dêem certo para os dois. Quero muito que você seja feliz.

-Obrigado Mu, assim eu espero também.

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A campainha da casa dos gêmeos tocou próximo das duas da tarde. Quem atendeu foi um Kanon com uma tremenda cara de sono. O grego olhou para Kia e reparou em como ela estava bonita.

-O que deu em você que agora usa saias? Po, você tem umas pernas deliciosas...

-Kanon, larga a mão e me respeite. Onde está o seu irmão?

-Se arrumando para você, baby.

-Como assim, pra mim?

-Kia, meu irmão é louco por você. E você, o quer com ele?

-Kanon, você é um bobo.

-Eu não sei porque, mas eu acho você muito estranha.

-Qualquer pessoa que não siga os seus padrões, Kanon, é considerada estranha pra você.

-Você está andando muito com a Lígea.

-Que diferença isso faz pra você?

Kanon ia responder quando o irmão gêmeo apareceu na sala. O malandro sabia que aquela garota era estranha além de sua aparência e que não estava agindo como ela mesma. Conhecia teatro de longe e Kia era realmente péssima atriz.

-Oi Kia! Como está bonita!

-Oi Saga! Você está muito perfumado. Que delícia!

Kanon olhava nos olhos dela fixamente. Resolveu deixar a sala para os dois estudarem em paz.

A tarde passou num piscar de olhos e o tão aguardado cinema por Saga chegou. Finalmente ficaria sozinho com a garota que gostava. Sua mente nunca tinha funcionado tanto, a preocupação maior era como abordar o assunto. Decidiu se abrir no final, pois se caso ele levasse um fora, seria menos constrangedor.

Assistiram ao filme e enquanto comiam uma pizza, conversaram sobre suas vidas extra-escola.

Quando Kia mencionou precisar ir, Saga segurou sua mão com delicadeza. Ela o olhou profundamente.

-Kia, eu tenho necessidade de falar contigo.

-Mas eu preciso ir, Saga...

-Não tomarei mais de cinco minutos seus...

Ela o olhou com mais profundidade ainda e se esforçou para não demonstrar sua aflição com a situação em que se encontrava. Se sentou novamente.

-Er... Eu gosto muito de você.

-Eu também, Saga.

-Mesmo!

-Claro!

-Então, quer ser minha namorada?