Capítulo 18

Olhos azuis

-Nossa... Eu...

-Kia... Eu nunca gostei de uma garota como gosto de você. Nunca mesmo. Sempre fui muito instável nessa área da vida, sou muito livre e não me prendo em ninguém, mas eu posso dizer que eu sinto algo muito forte por você, pois fiz questão de te querer, te conquistar... Eu gosto muito...

-Saga... É...

-Responde que sim, Kia. Eu juro que você não vai se arrepender.

-É que...- Ela o fitou de cima a baixo. Se dissesse não, o seu amigo ia cair aos prantos em sua frente. – Certo, Saga. Eu aceito.

-Sério?

-Sim...

Saga pegou a mão de Kia e se aproximou dela, lentamente, com os lábios em direção aos lábios dela. Os dois se beijaram. Quando perderam o fôlego, Kia olhou para o relógio.

-Saga, eu realmente preciso ir. A gente se fala...

-Kia...

-Sim...?

-Eu te adoro!

-Eu também...

E enquanto um sorria de satisfação, o outro derramava lágrimas de tristeza.

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Ao chegar na escola segunda-feira, Kia entrou na sala de aula e se deparou com uma cena surpreendente. Ver aqueles dois juntos realmente a deixava com muito ciúme. Correu para ver o que acontecia e pôde ouvir Mu falando:

-27 de março, as 16:00 horas no Tibet...

-Qual cidade?

-Lhasa.

-Certo. Eu vou ver quando eu trago pronto.

-Traz o que, Lígea?

-O mapa astral do Mu.

-Depois eu vou querer ver...

-Achei que você fosse pedir o do Saga. A propósito, Kia, preciso lhe dar os parabéns. Eu espero que vocês dois sejam muito felizes juntos. – Disse Mu sorrindo para a garota.

-Muito felizes juntos? Que história é essa, Kia?

-Você não contou pra sua amiga?

Kia começou a ficar vermelha. Lígea ficou desconfiada.

-Eu estou... Namorando o Saga.

Lígea a olhou com um olhar destruidor.

-SEJA FELIZ, KIA! – E saiu andando com passos duros para fora da classe.

-A Lígea parece que não gosta nunca de ver casais felizes, não é?

Kia somente sorriu para Mu. Não podia comentar nada, pois sabia o motivo para sua amiga ficar com raiva da sua atitude.

Logo mais, Saga chegou e deu um beijo chamativo em sua mais nova namorada. Lígea queimava de raiva. Precisava perguntar o que tinha sido aquela atitude da amiga. Como ela estava namorando Saga se na semana anterior disse que não gostava dele? Tinha que esperar até o intervalo para poder conversar com Kia, porém enganou-se. Saga colou na garota e não a deixava livre em momento algum.

-Aconteceu alguma coisa, Lígea?

-Claro. A Kia está namorando o Saga, Dohko.

-E qual o problema disso? Puxa vida, Lígea, fique feliz, ela é super sua amiga.

-Dohko, ela não gosta dele.

-Lígea, me responde uma coisa com sinceridade?

-Sempre.

-Jura que não vai ficar brava, me bater, me xingar?

-Não posso prometer isso. Mas fale.

-Você não está com inveja, né?

-Eu não acredito que você está pensando isso de mim!

-Não! Mas Lígea, você acha que todos estão enganando todos. É muita desconfiança!

-Dohko, escute aqui: A PRÓPRIA Kia me disse que NÃO gostava do Saga. Que era de outra pessoa.

-De quem então?

-Não faço a mínima idéia, porque as fofoqueiras de plantão da sua classe chegaram bem na hora que ela ia me dizer. E isso ela me disse não faz nem uma semana, Dohko. Câncer pode ser de lua, mas assim também já é demais.

-Lí, eu sinceramente acho que você devia se preocupar mais com você do que com o que os outros fazem. Se ela está enganando o Saga, deixa ela. Você não diz que Saturno cobra tudo? Ação e reação.

-Eu não acredito que você está deixando as pessoas de lado. Dohko, o Saga que me ouviu quando eu não estava falando com você! Não posso deixar que ela o engane!

-Então conversa com ela, mas não impõe nada.

Lígea estava pronta para responder a Dohko quando teve a sua fala interrompida por Shura e Aioros.

-Sabe, Dohko, eu me pergunto, quando é que você vai beijar essa menina.

-Shura, é melhor você guardar seus pensamentos para si mesmo.

-Você tem uma língua muito afiada, Lígea.

-E você tem um cérebro de um homem de Nandertall.

-Ai gente, pra que discutir? Nós viemos perguntar pra você Lígea, sobre a próxima reunião da comissão.

-Ah! Onde está o resto do pessoal?

-Pediram pra te chamar.

-Certo. Dohko, a gente se fala depois.

-Fique calma, por favor...

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Depois da aula Kanon e Máscara da Morte tiveram que ficar no colégio para cumprir uma detenção por terem bagunçado muito na aula de Geografia e com isso puderam observar de longe uma cena muito intrigante. Estavam sentados, fumando seus cigarros quando viram uma pessoa vestida completamente de preto sair do banheiro.

Seus olhos se arregalaram. Usava uma touca preta que escondia os cabelos. A única coisa que dava para ver daquela "sombra" eram os grandes olhos azuis que faiscavam.

Resolveram seguí-la.

A sombra era ágil e tinha olhos rápidos, como aves de rapina. Prestava atenção em tudo. Quando se deram conta, estavam em um dos jardins do colégio. A noite quase caía. Ela olhou para os lados, sentou ao chão e encostou-se em uma das árvores. Enfiou a mão com luvas cirúrgicas debaixo da profunda raiz e não puderam acreditar no que ela retirou de lá de baixo.

-Kanon, é aquele pacote pardo! – Máscara da Morte disse num sussurro eufórico.

-Vamos ver o que essa pessoa vai fazer...

A sombra abriu a mochila e enfiou o pacote dentro dela. Era uma mochila preta, que ninguém conhecia. Correu para longe fazendo com que a dupla a perdesse de vista.

-Droga, Kanon! Perdemos de vista!

-Pelo menos agora, Mask, sabemos que pelo menos, o ladrão é homem.

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Máscara da Morte levou sua câmera digital para a escola, no dia seguinte. O intuito era captar o máximo de fotos dos seus amigos, se conseguisse pegar detalhes de cada um, seria mais fácil ir descobrindo o autor do roubo das provas. A idéia tinha sido de Kanon.

Juntaram Saga, Aldebaran, Mu, Shaka e Aioria para uma foto. Depois tirou de Miro, Kamus, Shura, Afrodite e Aioros. Dohko não estava perto no momento. Fotografou-se junto com seu melhor amigo Kanon e depois da aula combinou com o mesmo de iniciarem uma pesquisa sobre o roubo.

-E aí, Kanon, chegou a alguma conclusão?

-Não Mask... – Disse Kanon enquanto aproximava o zoom da câmera para enxergar melhor os olhos dos amigos. – Mas eu comprei esse caderno e já escrevi umas coisas.

-Posso dar uma olhada?

-Pode.

-Mask, precisamos descobrir e provar quem é esse ladrão.

-Certo.

-Bom... – O grego desligou a câmera – O Aldebaran e o Shura não são.

-Por que não? Você escreveu aqui, Kanon, que o Shura tinha faltado no dia seguinte do roubo.

-Os dois não têm olhos grandes e nem azuis. E o Aldebaran já descartei ontem, ele seria o mais fácil de ser reconhecido.

-Altura?

-Exato. Você viu, ele não era o mais alto e forte. Além do mais, o Aldebaran seria mais estabanado. E o Shura não é.

-Só por causa dos olhos?

-Não. Ele é muito nervoso e impulsivo. Não esperaria a escola estar vazia para agir.

-Então vou descartar os dois da lista.

-Olhos azuis: meu irmão, Afrodite, Aioros, Miro e Shaka.

-Kanon, Dohko, Aioria, Kamus e Mu têm olhos claros também.

-Mas não são azuis.

-Mas era noite, a luz era artificial. Devemos considerar isso.

-Certo... DROGA! São muitos suspeitos, Mask!

-Calma... Vamos ver os motivos?

-Vamos.

-Vamos começar pela vaquinha. É super nerd, tem medo de tirar nota baixa, você o xingou de covarde no dia do roubo.

-Hum... É verdade, sem contar que ele é muito racional, lógico e quieto. Mas não sei se ele seria capaz. O Mu é um cara que dificilmente colocaria o rabo dele pra fritar.

-Pode ser, mas é um suspeito. Temos também o Aioria. Nervoso, orgulhoso pra caramba. Quer ser sempre o número 1.

-Risque o Shaka. Ele não se meteria nisso, Death Mask.

-Afrodite? Acho que ele é tão medroso que não arriscaria sua linda pele de bibelô para um roubo desses. Ele é mais preocupado com os cabelos do que com as matérias da escola, ainda mais, invadir a escola a noite... Como a pessoa ia sair? Ele teria que pular o portão pra sair, porque os alarmes tocaram...

-Precisamos também reconstituir a cena do roubo. Precisamos pensar como o ladrão entrou e saiu da escola.

-É, o Afrodite não é muito bom em esportes...

-Aioros...- Disse Kanon olhando para o nada com os olhos espremidos.

-O que tem Aioros, Kanon?

-Desastrado... Altura mediana... Olhos azuis...

-O que o desastrado tem a ver?

-Duas estátuas quebradas. O Aioros derruba tudo, além do que, ele estava muito revoltadinho.

-Grandes suspeitos então: vaquinha e Aioros.

-Mas calma, Death... Ainda tem o Kamus, Dohko, meu irmão e Miro.

-Eu riscaria os três. Não têm cara de ladrões. Muito intelectuais para o meu gosto.

-Máscara da Morte, escute bem aqui. O Dohko é um GRANDE suspeito.

-Kanon, posso concordar com você em tudo, mas você precisa deixar esse seu lado criança nesse momento. Esquece a Lígea e o Dohko. O chinês é um cara bacana, gosta de ajudar os outros.

-E para ajudar os outros, poderia muito bem ter roubado a prova.

-Tem uma coisa que faz o Dohko ter um álibi.

-Qual, Mask? – Kanon já expressava raiva em seu rosto.

-A "sombra" não tinha queixo proeminente. O Dohko tem. Aliás, você reconhece ele pelo queixo. Vou riscar ele. Sobre os outros garotos, desconheço motivos para o roubo.

-Então precisamos pesquisar. Mas dos três que sobraram, acredito que Miro não tenha nada a ver.

-Eu também acho, mas vamos esperar pra ver o que vai dar.

-Então melhor a gente ir embora, depois vão desconfiar da gente. Vou procurar conversar com meu irmão hoje à noite. Quero ver se ele realmente teria coragem.

-Vamos, eu te levo pra casa.

Os dois entraram no carro e nenhuma palavra foi trocada por eles. Kanon desceu do porsche e agradeceu a carona. A expressão dele era de preocupação.

Quando abriu a porta do apartamento, levou um susto. Kia estava com Saga assistindo um filme na sala. Os dois o cumprimentaram e ele seguiu para seu quarto. Precisa pensar. Tinha a leve impressão de que estava havendo uma troca de papéis dentro de sua casa. Era Saga que costumava se isolar para ficar pensando, enquanto ele fazia suas "loucuras" com garotas. De certa forma isso o incomodava. Mas não pensou muito. Logo adormeceu, de roupa e tudo, até a manhã seguinte.

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Lígea estava congelando de frio quando avistou Kia chegando no colégio. A árabe fingiu não a ver, mas a grega a segurou pelo cachecol.

-Você vai me enforcar assim.

-Era isso mesmo que eu queria fazer com você. Te estrangular.

-Lígea, eu posso explicar...

-Comece. Temos 15 minutos antes do sinal. E não tenta me enrolar.

-O Saga, ele ia chorar, e eu não gosto de magoar os outros, então eu aceitei... Não fiz isso por maldade não...

-Você vai machucar ele ainda mais se continuar com essa palhaçada, Kia. Termine o que você começou. Você nem gosta dele.

-Não é tão simples assim.

-Vou contar pra ele que você não gosta dele.

-Lígea, não faça isso! Não seja ruim! Por favor.

-Fala logo com ele. Odeio mentiras, ilusões, farsas.

-Eu vou resolver minha situação.

-Assim eu espero.

Lígea soltou o cachecol e tomou rumo para a classe sozinha.

A semana correu de forma espantosamente calma. Os grupos de estudos voltaram a se reunir e o foco voltou para as disciplinas do colégio. Saga estava nas nuvens. Sempre levava Kia para as reuniões na casa de Mu. Kanon não tirava os olhos dela. Precisava descobrir o que havia de errado com aquela garota. Na casa de Aioros acontecia a mesma coisa. Ísis e Nínel também participavam das reuniões. As aulas durante à tarde estavam tomando mais tempo extra dos garotos e os finais de semana estavam sendo utilizados para os cursos alternativos.

Foi depois de um mês que as aulas haviam começado que as coisas resolveram mudar de figura. Em uma das reuniões na casa do garoto tibetano, algo começou a acontecer.

-Vamos dar uma pausa? – Sugeriu Máscara da Morte.

-Sim! – Todos concordaram.

-Então eu vou buscar o bolo que eu preparei.

-Eu te ajudo, Mu. – Kia ofereceu seu auxílio.

Os dois foram até a cozinha enquanto todos conversavam alto na sala.

Mu tirou do forno um bolo de maçã com uva-passa e colocou em cima do balcão de granito da cozinha. Enquanto ele cortava fatias, Kia debruçou-se no balcão. Os dois se encararam demoradamente, porém, para o descontentamento da garota, o tibetano desviou o olhar.

-Quer que eu ajude a cortar o bolo, Mu? – Disse com voz calma e doce.

-Obrigado, Kia. Se você puder, pega os copos e o refrigerante na geladeira.

Ela o obedeceu. Quando ele estava saindo da cozinha, Kia postou-se na frente dele, impedindo-o de passar.

-Vamos logo, Kia. Eles estão esperando.

Ela continuava a olhar pra ele com desejo. Mu não percebia nada.

"Como ele é ingênuo..." – Pensou ela desistindo de suas investidas indiretas.

Os rapazes comeram e elogiaram Mu na cozinha. Ele agradecia, mas evitava olhar para a garota de olhos lilás.

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Kamus chegou aflito na escola naquela manhã de quarta-feira. Tinha acordado atrasado, mal se vestiu e saiu correndo, sem tomar seu café. Estava tão preocupado em não se atrasar que nem reparou que corria literalmente no corredor cheio de gente. Trombou diretamente com alguém que caminhava em direção oposta. Seus corpos foram atirados ao chão devido ao choque elástico.

-Je suis désolée! – Disse o francês abobalhado.

-Ahn? – A garota recolhia os livros do chão.

-Me desculpe... Eu quis dizer... – Sem olhar para o rosto da garota, a ajudou a levantar.

-Ó, é você... – O rosto de Anisah começou a queimar.

O rosto de Kamus também começou a queimar de vergonha.

-Você... Se machucou?

-Er... Não, não... – Anisah colocou a franja para trás de suas orelhas e Kamus viu que o seu cotovelo sangrava.

-Veja, se machucou sim! Venha, vou levá-la até a enfermaria. Me desculpe... Eu estava preocupado com o horário...

Shina, Ísis e Nínel que observavam a cena, não podiam acreditar.

-Aquele ali, era o Kamus mesmo? – Disse a italiana incrédula.

-Vejam só – Disse Ísis enquanto via o casal desaparecer no corredor – Ele está se socializando com ela.

Lígea chegou perto das garotas e elas já correram para contar a novidade. Kia apareceu logo depois com Saga. Shina não se aguentou de felicidade.

-Ai gente! Kia, que lindo! Você e sua irmã! Namorando na mesma época!

-Minha irmã?

-É! Ela acabou de sair daqui com o Kamus!

-Pra onde? – Ela arregalou os olhos.

-Pra enfermaria!

-Alá do céu! O que houve com ela? Ai Saga, eu vou até lá!

-NÃO! – As quatro garotas gritaram – Deixa ela, ela está com o Kamus, deixa os dois se conhecerem...

Kia cruzou os braços, contrariada.

-Kiazinha, as suas amigas têm razão. Deixa ela com a paixão dela, que eu quero ficar aqui com a minha.

O comentário de Saga só serviu para deixar Lígea inteiramente com raiva. O grego notou a expressão amarga no rosto dela e se perguntou o que poderia estar acontecendo. Shina foi mais rápida e perguntou antes:

-Por que você sempre está com essa cara amarrada, Lí?

-Porque não posso amarrar outras pessoas e bater nelas quando eu quero. – O olhar fulminante foi diretamente para Kia. – Com licença, que eu vou para a classe.

Saiu em passos duros. Somente Kia entendeu o porque.

O professor Galileu logo apareceu e os alunos do terceiro ano B entraram para a sala de aula. Assustou quando não viu o melhor aluno de física na aula.

-Onde está o Kamus? – Perguntou para Miro.

-Eu ainda não o vi esta manhã, professor.

-Ele foi para enfermaria. – Respondeu Ísis um pouco alterada.

-Aconteceu alguma coisa?

-Não! É que ele trombou com uma garota do primeiro colegial e ela se machucou. Ele foi levá-la até lá.

-Ainda bem, mas que garoto atencioso e cavalheiro. Vamos começar a aula então.

-Hahaha o Kamus cavalheiro? O professor Galileu não sabe de quem está falando. – Cochichou Shina com Nínel, que concordou rindo.

Miro virou para a carteira de trás, onde Ísis se sentava. Precisava do relatório completo do acontecido. Quando ela terminou de contar, o grego estava com um sorriso orgulhoso no rosto.

-Esse é meu garoto! E você acha que há chances deles se conhecerem melhor, Ísis?

-Ah Miro, eu não sei, você que conhece o Kamus. Mas eu acho que existem boas chances... Ele a levou segurando em seus ombros!

-É! Imagina só, agora eles podem até já estar de mãos dadas na enfermaria. – Nínel já imaginava o casal junto.

-Ou então ela deve estar deitada na maca e ele lá, ao lado dela, fazendo carinho na cabeça dela e naquele rostinho lindo!

"Meu Zeus... Como essas garotas viajam!" – Pensava Dohko enquanto copiava o conteúdo da lousa.

-Vocês bem que podiam me ajudar a aproximar o Kamus da Anisah. O vaso não deu certo...

-Espere aí, Miro! VOCÊ que deu o vaso pra Anisah? Não tinha sido o Kamus?

-Você acha que o Kamus ia dar alguma coisa pra alguma garota, Ísis?

-Não...

-Então, tive que usar a minha experiência como homem e agir no lugar dele. Mas vocês bem que podiam ajudar...

-Claro que sim! Nós adoramos a Anisah! – Respondeu Shina – Vou pedir para o Afrodite colher umas rosas do jardim dele para dar de presente pra ela. Assim ela vai achar que ele gamou mesmo!

Tiveram que parar de conversar porque Galileu já tinha chamado a atenção do grupo falante mais de 3 vezes. No intervalo, Dohko quis conversar com Miro.

-Só quero dar uma palavra com você.

-Diga, Dohko.

-Vou ser breve, pois ele está vindo aí, mas se eu fosse você tomaria cuidado em fazer essas coisas, ainda mais com o Kamus.

-Pode deixar, está tudo sobre controle.

-Oi Dohko, oi Miro. – Kamus aparentava preocupação – Perdi coisas muito importantes da aula?

-Não, não se preocupe, você assimila tudo depois. E aí, a Anisah está bem?

-As notícias correm, hein?

-E como correm...- Acrescentou Dohko.

-Já estou até imaginando o que estão falando de mim...

-Relaxa, Kamus.

-Vou pra classe. Miro, me mostra o que teve na aula?

-Claro, claro!

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As aulas terminaram e a comissão de formatura combinou de se encontrar para começarem os preparativos. Calíope estava junta, afinal, a orientadora precisava julgar se era possível consumar as idéias dos garotos ou não. Miro puxou uma cadeira e se sentou bem ao lado dela. Tinha escrito suas propostas em folhas e era super organizado. Lígea conversava normalmente com Saga e Aioria. Aioros e Ísis discutiam alguma coisa que havia acontecido. A briga estava ficando insuportável.

-Podemos nos organizar? – Calíope pediu atenção – Além dessa reunião, tenho outra com os professores.

Todos se calaram. Miro se pôs a falar:

-Bem, chegamos a conclusão de que algo deve ser feito para arrecadação de dinheiro para a formatura. Conversamos entre nós e os irmãos Aioria e Aioros sugeriu uma promoção do tipo balada, patrocinada pela gente.

-Além disso – Interrompeu Lígea – Teremos "trotes" como vir as aulas fantasiados, de pijama, vestidos com roupas esdrúxulas.

-Ótimo, ótimo garotos. Quando decidiram marcar a festa, os "trotes"? E o principal, a festa de formatura?

-Bom, senhorita Calíope – Aioros limpou a garganta antes de falar – A balada poderia ser na semana que vem, os trotes poderiam ser feitos a cada 15 dias, nas sextas-feiras. Aioria, quando acabam as aulas?

-Dia 28 de julho. Pensamos em fazer a festa no dia 29.

Calíope consultou seus papéis, anotou algumas coisas, suspirou e por fim, deu um sorriso.

-Sobre os trotes e a festinha, eu concordo. Sobre a data, preciso consultar melhor. Recuperações, esses procedimentos. Mas acho que daria para marcar sim. Mais algo a acrescentar, garotos e garotas?

-Ah sim, mas não tem nada a ver com a reunião de agora... –Ísis se sentiu receosa, todos olhavam pra ela – Meu pai me ligou e perguntou se por um acaso haveria alguma reunião de Pais e Mestres. Aí eu gostaria de perguntar pra senhorita se por um acaso...

-Claro que teremos! Aliás, é sobre isso que falaremos na minha reunião com os professores hoje. Mas, Ísis, pode ficar tranquila, logo soltaremos circulares sobre isso. Pode avisar seu pai.

-Obrigada!

-Bom, então, vocês cuidarão de todos os preparativos? Convites para as festinhas?

-Sim, estamos cuidando de tudo! – Respondeu Saga.

-Outra coisa antes de irmos, garotos. Vocês vão precisar de dois paraninfos, ou seja, dois professores escolhidos para fazerem menções honrosas e dois oradores de turma. Isso significa que seria um paraninfo e um orador de turma para cada classe.

-Como faremos a escolha então? – Perguntou Aioros.

-Sugiro que vocês façam um plebiscito em cada sala. O professor e o aluno que vencer, estarão escolhidos.

-Certo! – Respondeu Aioria.

-Então podemos encerrar.

Todos se levantaram, enquanto ajeitavam suas coisas, Calíope pediu que Miro ficasse para uma conversa em particular. Os outros deixaram a sala, deixando o grego apaixonado sozinho com a orientadora.

-Miro, como andam suas investigações?

-Paradas, senhorita Calíope...

-Pode me chamar apenas de Calíope. Por que paradas? Falta de dados?

-É... São muitos suspeitos.

-Então não precisa mais se preocupar com isso. Preocupe-se com suas notas.

-Não vou desistir, eu te prometi! Olha, vou retomar as investigações e logo descobrirei o culpado.

-Eu achei melhor chamar a polícia.

-Não precisa, dê um voto de confiança pra mim. Eu te juro mesmo, Calíope.

-Está bem então, me mantenha informada...

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Na segunda-feira os alunos já estavam vendendo seus convites para a promoção do terceiro ano. Alunos desde a oitava série até o segundo colegial estavam comprando. O tema era uma festa a fantasia. Todos estavam muitos animados com a perspectiva da festa.

-Você já comprou o seu convite, Mu?

-Ainda não, Aldebaran. Não sei se vou.

-Deixa disso, seu bobo! Até o Shaka vai!

-Eu não tenho fantasia.

Vendo a exaltação da dupla, Shura resolveu se aproximar.

-O que está havendo?

-O Mu está fazendo cu doce. Não quer ir a festa do terceiro ano!

-Larga mão, Mu! Estamos no último ano da escola, quem vai garantir que estaremos juntos ano que vem?

-Mas eu não tenho fantasia.

-Nem eu! Isso não é desculpa!

Mu os olhava confuso. Por fim, decidiu acatar a idéia dos amigos. Era melhor sair do que se isolar.

-Está bem, eu vou então...

-É isso aí! – Aldebaran deu um tapa nas costas do tibetano que quase caiu estatelado no chão.