Pessoal, devem estar me achando uma insensível? Me perdoem pelo "complexo de Kamus", mas eu ando um pouco introvertida nesses tempos. Mesmo assim, continuo agradecendo a presença de vocês aqui. Adoro receber seus comentários. Digamos que agora estamos já em fase final da fic. Logo saberemos que foi o autor do roubo! ;) Grandes beijos pra vocês!

Capítulo 19

Festa a Fantasia!

Sexta-feira, 27 de fevereiro, uma fila se formava na porta de um estabelecimento juvenil, a casa noturna mais conhecida da Grécia atual: Vênus House.

As especialidades da casa eram os drinks exóticos e a música techno em uma altura ensurdecedora. Da mesma forma que agradava a muitos, desagradava também uma outra maioria.

Mu, Aldebaran e Shaka chegaram juntos. Assustaram-se com a quantidade de gente esperando para entrar na boate. Era um desfile maravilhoso e dava para notar a criatividade enorme dos alunos daquele colégio.

Mu vestia trajes do Oriente Médio. Quando Aldebaran perguntou de que era sua fantasia, disse que era Ali Babá, um ladrão folgado do Oriente Médio. Aldebaran tremia de frio, também, com o peito descoberto não poderia não deixar de passar por aquela sensação horrível.

-Aldebaran, você devia ter trazido uma blusa!

-Capoeiristas não usam blusas, Mu!

Shaka dava risada dos dois discutindo sobre a saúde do amigo brasileiro. O indiano estava vestido de Capitão Gancho. Os dois quando viram, se assustaram. Acharam que ele ia escolher algo mais discreto, mas não, estava surpreendendo a todos. Ajeitou seu tapa olho e o gancho que segurava em uma das mãos. Sorria para todos. Parecia outra pessoa.

Aioros, sorridente chegou ao lado do irmão, é claro, Aioria. O mais velho estava vestido de Robin Hood. Caiu-lhe muito bem e junto com Ísis, vestida de Odalisca, formavam um par excêntrico e bonito. O corpo da egípcia era escultural. Arrancava olhares e suspiros de todos. Aioria se inspirou na Roma antiga e estava de Gladiador. Os braços musculosos e grandes faziam Marin morrer de ciúmes quando as garotas do segundo colegial se aproximavam dele. Ela estava vestida de Ártemis. Fantasia inspirada na Mitologia Grega, Deusa da Lua.

Mas com certeza, ninguém ganhava da presença de espírito da dupla dinâmica. Kanon encarnou Elvis Presley. A roupa estava perfeita, como nos tempos da brilhantina. Gastou três potes de gel para domar aquele cabelo super rebelde. Máscara da Morte parecia feito para o seu traje, era um perfeito Cafetão. Muitas correntes grossas penduradas em seu pescoço, óculos escuros, sorriso galanteador e calças largas. Não faltou nem o detalhe do charuto.

Shura parecia um príncipe, ou melhor, um rei. "Rei Arthur!" Disse ele quando se aproximou dos demais, levantando sua espada Excalibur para o alto. Seus olhos pequenos faiscavam de felicidade.

Lígea chegou com Kia e Anisah. Também tinham escolhido as fantasias a dedo. A grega estava lindíssima de Sherlock Holmes e quando Dohko chegou de Samurai, levou-a a loucura. Ainda bem que era controlada, no sentido de controlar paixões.

Kia tinha se vestido para provocar. Vampira era seu tema, contrastando totalmente com sua irmã, vestida de Bailarina. Até as sapatilhas de ponta faziam parte do visual. Nínel havia tirado suas roupas "sérias" e se vestido de boneca de pano. A maquiagem estava uma graça.

Saga e Afrodite faziam o mesmo estilo de fantasia, mas o grego era mais medieval. A roupa azul de Mago Merlim estava de acordo com seu semblante. Afrodite, lindíssimo como sempre, vestia de Mágico Ilusionista. Shina também, deslumbrante, de Medusa.

Todos conversavam ansiosos, a espera das portas da casa serem abertas.

Kia observava o olhar da irmã, frenético, a espera da sua paixão aparecer.

-Saga, Kamus e Miro não vem não?

Não deu tempo do grego responder e os dois apontaram no final da fila. A pressão de Anisah até caiu ao ter aquela visão maravilhosa.

Aioros acenou para os dois. Miro, em trajes executivos estava muito bonito. Só faltava a maleta para ficar um completo homem dos negócios. Kamus não falhou ao escolher um mosqueteiro para se fantasiar. Era o próprio Dartaña.

Todos estavam radiantes. A Vênus House estava "bombando" como diriam Kanon e Máscara da Morte. Já passava das onze e meia da noite quando eles começaram a adentrar no local.

A música já rolava alta. Era uma boate dividida em três ambientes: Um era um bar ao ar livre, com mesas onde podiam se sentar. O outro era uma espécie de sala mais íntima, com sofás e almofadas, ao som de Black Music. O último ambiente e mais concorrido era a pista de dança onde ao som do DJ, tocava solto.

Quando já estavam todos dentro da casa noturna, Aioria e Marin toparam com Calíope, que também estava maravilhosa, vestida de Marilyn Monroe. Também tinha que aproveitar a festa.

Aos poucos, os rapazes foram se dispersando e as panelinhas iam se formando novamente. Shura e Aldebaran encostaram-se em uma das paredes que fechava a pista de dança e observavam as garotas dançarem de forma sensual. Mu e Shaka estavam perdidos. Não estavam acostumados a freqüentar esses tipos de festa, muito menos aqueles lugares. Máscara da Morte nem mal tinha entrado e já estava fazendo a sua própria festa. Quando o italiano passou de mãos dadas com uma garota do primeiro ano, vestida de gatinho, Kanon soltou sua mais gostosa gargalhada.

Aioria e Marin foram para a sala mais íntima e se surpreenderam ao ver Aioros e Ísis dançando juntos, com corpos colados. Afrodite e Shina se perdiam num beijo alucinante, sentados em um sofá.

Fora dali, Saga não soltava a mão de Kia e Lígea via nitidamente como o seu conterrâneo estava perdidamente apaixonado pela árabe.

Nínel estava com Sarita, próximas ao bar. Quando Mu a viu, tratou de encorajar o amigo indiano. Com a música alta, era impossível conversar. De longe, Aldebaran e Shura riam ao observar o tibetano empurrando Shaka em direção a menina e esse oferecendo certa resistência.

Mais adiante da área ao ar livre, encontrava-se Dohko, olhando o movimento. Logo, Lígea apareceu, um tanto irritada, como já era de costume. Não foi preciso dizer nada. O chinês já tinha imaginado o que seria.

-Lígea, deixe o Saga e a Kia de lado. Vamos aproveitar a festa.

-Dohko, essa música me irrita e essa mania da Kia enganar o Saga me irrita mais!

-Deixe-os, são grandes, sabem o que fazem...

-Pior ainda!

Mas a conversa teve de ser adiada, pois o próprio casal tópico do assunto estava se aproximando. Saga tinha um copo com um líquido amarelado na mão e Kia uma garrafa de Vodca.

-Estão bebendo? – Reparou Dohko.

-Whisky! – Saga deu um gole e ofereceu ao garoto.

-Não, muito obrigado... Não é forte pra você, Saga?

-Só de vez em quando não faz mal, né?

-É... – Lígea o olhou desconfiada – Saga, depois a gente precisa conversar sobre o seu mapa...

-Estão curtindo a festa? – Kia interrompeu o assunto de propósito.

-Claro! – Os dois responderam.

Kanon passou por ali para buscar mais um drink e não deixou de dar um beijo bem estalado no rosto de Lígea, despertando a sua fúria e o ciúme do chinês.

Mu se aproximou lentamente dos quatro, sozinho. Quando perceberam que estava sem companhia, Saga logo perguntou:

-Onde está Shaka?

-Fiz ele ir conversar com a Nínel. Ele merece. – Disse sorrindo.

Kia olhou diretamente em seus olhos, como sempre costumava fazer. Ele simplesmente ignorou tal fato.

Kamus passou por eles, também sozinho, fazendo com que a árabe despertasse. Precisava achar a irmã. Saga foi junto com ela, tentando seguir seus passos rápidos.

-Eu não sou tão esportista quanto você, querida!

-Mas bem que você poderia dar uns saltos, não lindinho? Ou então fazer um passe de mágica...

Ele a beijou apaixonadamente. Logo ela o fez sair de seu estado de transe, a procura de Anisah.

Shura e Aldebaran conversavam quando viram Calíope de longe. Como estava bonita. Os dois até assustaram em ver a orientadora sozinha, em uma festa de adolescentes. Miro estava rodeado de garotas. Quando conseguiu se livrar delas, viu a cara de bobo dos dois.

-O que aconteceu que estão com mais cara de bobos ainda?

-Acabamos de ver a orientadora Calíope aqui. Lindíssima...- Respondeu Aldebaran.

Uma mistura de ódio, ciúme e felicidade invadiu o peito do garoto grego. Sem conseguir disfarçar o interesse, seus olhos arregalaram-se e só conseguiu reproduzir uma única palavra:

-Onde?

-Acabou de passar...

-Hum... –Conseguiu se recompor e acabou por dizer – Ela nunca se interessaria por vocês...

Os dois trocaram olhares intrigados. Quando iam responder, Miro já havia sumido da frente deles.

-Acho que ele deveria ser o ilusionista e não o Afrodite...

-Não fala dessa biba perto de mim!

-Tá certo, desculpe...

A corrida pela procura de Anisah continuava. Saga procurava junto com Kia a bailarina. Viram um pequeno grupo de garotas conversando. Quando se aproximaram, ela estava entre elas. Kia puxou a irmã mais nova pelo braço.

-O que foi, Kia? – A voz de Anisah era doce até mesmo quando estava assustada.

-Escute, Kamus está sozinho, por que você não o procura para conversar?

-Eu não sei conversar com ele, irmã.

-Deixa de besteira, Anisah! – Interveio Saga – Chama ele pra dançar, tomar alguma coisa.

-Isso mesmo! – Kia deu seu último gole na garrafa de vodca e a jogou ali mesmo, no chão.

-Falando nisso, você já está bebendo? Kia, pegue a garrafa do chão!

-Não vamos brigar agora, vai lá! Ele está no bar.

Anisah ficou indecisa. Será que deveria ir? Mesmo com seus sentimentos fortes pelo rapaz, ainda se sentia muito insegura. Era mais agradável pensar em mandar bilhetes para o francês. Acabou indo para não desagradar o casal que a fitava impacientemente.

Miro também saiu pela busca de sua amada. "Como é que aqueles dois viram a minha musa inspiradora, dona de meus sonhos, meus desejos e eu ainda não? Absurdo! Não posso deixar de dar uma boa investida nela hoje! Se ela está aqui, é por nossa causa... Ou melhor, minha causa! Não posso deixar passar!"

Seus olhos rápidos e azuis não deixavam escapar um movimento sequer. Era rápido e inteligente. Continuava a procurar sem qualquer vacilo, sem qualquer pensamento de desistência.

Nínel e Shaka estavam numa conversa bastante animada e empolgante. Preferiram até sair da pista de dança para dialogar tranquilamente em um local mais calmo. A área livre não estava cheia. Todos estavam mais interessados em dançar. O único casal conhecido que ainda se encontrava lá era Dohko e Lígea. Passaram por Kamus, que estava encostado no batente que delimitava a área com o resto da casa. Bebia sua água e sem perceber, seu corpo balançava de acordo com a música.

Kanon estava jogando seu charme pra cima de uma garota do segundo colegial quando viu uma Mortícia Adams passar. Ela despertou os desejos do rapaz, que largou a menina falando sozinha. Foi atrás dela.

A Mortícia parou em frente ao banheiro feminino e falava com gestos delicados com garotas do primeiro ano. Precisava saber quem era aquela mulher. Resolveu abordá-la por trás.

-Mas quem é essa bela senhorita? – Disse quase que esganiçado, pelo barulho do ambiente.

Ela virou para trás e deu um belo sorriso. Um sorriso que jamais tinha dado para ninguém.

-Nix! – Respondeu ele sem esperar pela confirmação da professora de Artes.

-Vamos para um local onde podemos conversar, Kanon?

-Claro, claro!

Os dois saíram juntos, em direção ao bar. Todos os olhavam, curiosos.

-Você viu com quem Kanon acabou de passar, Shura?

-Com aquela professora de Arte, né não Aldebaran?

-Ela mesma!

-Do que estão falando? – Mu chegou com um copo de saquê de morango na mão.

-Kanon saiu com a professora de Artes... Acabaram de passar por aqui...

-Nossa, que legal! É bom que ele converse com gente mais velha... Assim pára de atormentar o pobre irmão.

-Olá, olá! – Saga e Kia também se juntaram ao grupo. Shura não pôde deixar de comentar com o grego o que haviam visto. Saga ficou preocupado.

-Por Zeus, preciso ir atrás desse moleque!

Todos começaram a protestar, mas ele ignorou os comentários. Na pressa, até esqueceu de chamar a namorada. Mas com certeza, ela tinha motivos maiores para ficar por ali. Os quatro dançavam discretamente. A vampira foi até o lado de Mu e começou a puxar conversa.

-Está curtindo a festa, Mu?

-Claro né... Não sou acostumado com esse tipo de coisa... E você com o Saga, tudo certo no namoro?

-Sim... Mas... Ele é muito estranho...

-Todos somos estranhos, Kia.

-Mu, o que você acha da gente ir dançar um pouco na pista?

-Prefiro ficar aqui, não sou muito chegado a tumulto e lá no meio não dá pra conversar.

-Mas a pista de dança foi feita para dançar, e não conversar. – Lançou seu olhar provocante, mais uma vez.

-Obrigado, Kia. Vou ficar por aqui.

A árabe queria explodir naquele momento. "Mas como esse garoto é ingênuo! Preciso fazer alguma coisa!" Não conseguiu segurar seus impulsos. Num gesto rápido, puxou o rapaz pelo braço.

-Digam ao Saga que fui para a pista!

Aldebaran e Shura outra vez trocaram olhares assustados. Quando ia responder novamente, a dupla havia sumido.

-Estamos cheios de ilusionistas por aqui, hein?

-Já falei pra você não fazer comentários análogos à biba, Aldebaran!

-Ai, desculpa!

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-Kia, eu disse que não queria dançar aqui no meio!

-Hã? – Ela fingia que não o escutava. Balançava os braços no alto e com a cintura se mexia sensualmente.

Mu preferia não olhar pra ela. Olhava para todos, menos pra ela. Kia fazia de tudo para chamar a atenção do Ali Babá. Chegou perto dele, em seus ouvidos e disse:

-Ali Babá é da minha terra, sabia?

Ele balançou a cabeça positivamente. Ela se aproximou de novo.

-Você está muito lindo...

Mu parou de dançar. Não pensou duas vezes, largou Kia no meio da pista, sozinha.

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-Veja, Dohko! O Kanon com a Nix, conversando...

-Pelo visto, o papo está bastante animado, não?

-Pois é... – Quando a grega virou o rosto, assustou-se – E o Saga está sozinho! Será que...!

-Minha Sherlock Holmes, se acalme... Já disse pra você ignorar os dois...

-Às vezes você me enerva também, sabia?

-Lígea, você devia trocar umas palavras com o Kamus. Ele é um cara... Aliás, ele é um cara feliz... Veja!

-Onde?

-Ali na porta!

-Não acredito! A Anisah está conversando com ele! E ele... Nossa... – Olhou para Dohko – Está sorrindo!

-Eu ficaria contente se aquilo ali desse certo. Gosto muito do Kamus.

-A Anisah também merece tudo de melhor! E o Shaka com a Nínel? Veja como os dois também conversam interessados...

O indiano já estava colocando a mão sobre o ombro da russa. Mas para quem via de longe, aquele gesto era muito inconsciente. Riam a vontade.

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Mu saiu correndo, sem olhar para trás, esbarrando em todos. Não viu que passou raspando entre Aioria e Marin, que tiveram que soltar suas mãos para evitar acidentes. Kia vinha logo atrás, em seu encalço, mas disfarçava bem. Quando viu o casal, perguntou:

-Vocês viram o Saga?

-Não, acabamos de ver o Mu correndo... – Comentou Aioria.

-Obrigada do mesmo jeito.

O tibetano começou a ficar perturbado. Não conseguia nem enxergar as pessoas a sua volta. Foi só dar uma olhada pra trás que o acidente estava consumado. Aioros derramou metade de seu drink do inferno nos cabelos de Mu.

-Desculpa, cara! Você bateu em mim, não foi de propósito...

-Tudo bem, não esquenta. Vou até o banheiro lavar.

-Eu vou com você.

-Não, aproveita a festa! É só passar uma água! Daqui a pouco a gente se vê!... Ou não... – E lançou um olhar para Ísis.

-Você percebeu, Oros, como ele estava meio... Fora do ar?

-Não...

-Ai Aioros! Presta mais atenção!

-Por que estão discutindo?

-Oi Kia... O Mu estava meio fora do ar, trombou com o Aioros e depois foi pro banheiro...

-Ah... – Idéias começaram a surgir – Vocês viram o Saga?

-Não. Se nós o virmos, falamos que está a procura dele, tá certo?

-Obrigada, então!

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Mu entrou no banheiro masculino, segurando a ponta molhada de seus cabelos. O local estava vazio, mas com um enorme cheiro de cerveja.

Começou a lavar o lugar atingido pela bebida, sem prestar atenção no reflexo do espelho. Por algum motivo, resolveu olhar no espelho naquele momento. Se assustou. Virou direto para a pessoa que refletia ali.

-Isso é um banheiro masculino!

-Sério? Acho que eu preciso ir ao oculista então...

-Kia... Por que você está me perseguindo?

-Porque quando a gente gosta de alguém, a gente persegue a pessoa... É inevitável...

-Você namora o Saga!

-E daí, Mu? Eu gosto de você, não percebe?

-Você está louca... Olha, melhor você sair daqui, pode aparecer alguém... Depois a gente conversa sobre isso...

-Eu não quero conversar.

Kia o olhava com desejo. Mu ficou nervoso. Começou a dar passos para trás, mas uma pia o impedia de fugir dali.

-Você tem medo de mulher, Mu?

-Nã-Não! É que... Kia...

-Eu não vou conseguir me controlar.

-Para com isso, Kia, você está me assustando...

-Não Mu... Você tem medo de eu estar apaixonada por você?

-Você namora um dos meus melhores amigos!

-Quando se está apaixonado, não existem melhores amigos.

Kia começou a se aproximar de Mu e ele recuava. A árabe agiu por ímpeto. Agarrou a gola do garoto com força e o levou para uma das cabines do banheiro. Empurrou com força e trancou a porta. Estavam os dois em um lugar de dois metros quadrados. Era impossível escapar. Como uma verdadeira vampira, voou pra cima do rapaz, sem remorso algum. Lançava-lhe beijos desesperados. Mu não sabia se contribuía com o beijo ou se tentava se separar dela. A química dos dois era impressionante. Estavam quase inebriados quando dois rapazes entraram no banheiro discutindo. Mu ia gritar, mas Kia segurou a sua boca com uma das mãos. Respirou fundo e escutava as vozes com tremor. O tibetano suava frio. O silêncio era mais do que requisitado.

-Eu só estava conversando com ela, Saga! Mas como você é abelhudo! Me deixa em paz!

-Kanon, ela é professora! Você não pode se envolver com professoras! É contra lei!

-Eu adoro ser fora da lei! Aliás, Saga, onde está a sua namorada?

Mu e Kia seguraram suas respirações com força.

-Não sei, ela está por aí, dançando!

-Vai tomar conta do que é seu e me deixa em paz, cara! Captou a mensagem, irmão?

-Eu não posso deixar você sair fazendo o que bem lhe dá na cabeça, Kanon! É meu dever te colocar a par da realidade!

-Ora, ora, veja só quem está me falando de realidade! O lunático sempre foi você! Vai atrás da sua árabe, eu vou atrás de uma gatinha. Já te falei, vai atrás do que é seu!

Kanon saiu do banheiro irritado. Saga apoiou na pequena pia e se olhou no espelho demoradamente. Tirou o chapéu em formato de cone, arrumou os cabelos e depois saiu também. Quando o barulho da porta se fechando foi ouvido, os dois puderam respirar aliviados.

-Kia, o Saga vai te procurar. Vai dar por sua falta. Vai embora daqui, rápido!

-Eu vou Mu, mas eu não deixei de gostar de você.

Deu mais um beijo nele e saiu depressa. Não reparou que Kanon viu aquela cena bizarra. Achou que tinha algo estranho, então resolveu esperar. Minutos depois, não acreditou no que viu. Mu saiu do banheiro também sem notar a presença do Elvis Presley.

Precisava achar Máscara da Morte naquele momento.

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-Código vermelho, Mask. – Kanon cutucava as costas do cafetão freneticamente.

-Vai pra puta que o pariu, Kanon! Não está vendo que estou ocupado?

-Mas é grave! Preciso falar com você!

Máscara da Morte olhou para a garota. Já devia ser a quarta que estava beijando. Kanon percebeu que ele devia ter fetiches por animais, pois essa estava vestida de esquilo. O italiano dispensou a menina e com um humor muito alterado seguiu Kanon até o bar. Pediram bebidas, acenderam os cigarros e começaram a trocar idéias.

-E aí que eu vi a Kia saindo do banheiro masculino e um tempo depois, a vaquinha.

-Eu sempre achei a Kia estranha, vai ver ela é um transexual...

-Não viaja, Death Mask! Ela não tem nada de transexual. Ela é mulher, com muitos hormônios ainda.

-Mas Kanon, você está sugerindo que a Kia está traindo seu irmão, ainda mais com o Mu? Não tem cabimento cara!

-Você não acha isso muito esquisito? Estou ficando com raiva dessa mina aí...

-Hahahaha você, bravo, porque estão enganando seu irmão? Corta essa Kanon, você adora quando ele se da mal.

-Mas SÓ EU que posso sacanear o bananão. Os outros não! Você não o conhece quando ele sai do sério...

-Conheço... Ele me socou, lembra?

-Então, aquilo foi uma amostra grátis.

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-Aldebaran, vamos embora?

-Por que, Mu?

-Você não ta curtindo, cara? – Shura o olhava desconfiado.

-Estou com sono.

Qualquer um que o visse poderia falar tudo, menos que ele estava com sono. Alteradíssimo, levava as mãos à cabeça com freqüência e olhava para os lados, preocupado.

-Gente, alguém viu a Kia? – Saga chegou aos três – Estou procurando ela faz tempo!

-A última vez que nós a vimos, ela tinha ido pra pista com o Mu. Mu, onde ela está?

-Nã-Não sei da Kia. Ela... Sumiu.

-Como assim, sumiu, Mu?

-Olá garotos! Saga, por onde você andou, querido? Faz mais ou menos uma hora que estou a sua procura.

"Caramba... Como ela mente e atua bem..." – Pensou Mu.

-Minha linda, eu também estava, nos desencontramos!

Ele a abraçou e trocaram beijos na frente do tibetano. Ele estava beira de um ataque psicológico.

De mãos dadas, Lígea e Dohko se juntaram ao grupo. Lígea sempre com expressão furiosa. Dohko ria das piadas sem noção de Aldebaran.

Aioros e Ísis já estavam atingindo um nível altíssimo de paixão, no meio da pista. O grego já estava bastante alto das bebidas que havia tomado. A mesma coisa se dizia da garota. Afrodite e Shina já faziam um estilo mais romântico. Dançavam de mãos dadas. Aioria e Marin conseguiam dançar se beijando. Era como eles só se sentissem bem juntos.

Kamus chegou sozinho perto da turma. Começou a puxar papo com Dohko e Lígea. No meio do assunto, o chinês notou a falta do seu melhor amigo. Perguntou dele, Kamus deu de ombros.

-Miro sumiu, não o vejo desde o começo da festa. Fiquei conversando com a Anisah e nem vi o tempo passar.

-A Anisah é legal, Kamus? – Lígea resolveu arriscar a pergunta.

-Muito. E muito inteligente. Até é madura para idade dela.

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Miro estava sentado no bar, sozinho, mexendo com o dedo em um copo cheio de gelo e Martini. Estava deprimido, não havia encontrado sua musa até aquela hora. Já imaginava que muita coisa estivesse rolando, e ficava olhando, pensativo para o copo. Tão perdido em pensamentos que não sentiu o toque suave em seu ombro direito. Foi preciso uma mão tocar seus cabelos para sentir que tinha alguém ao seu lado.

Quando olhou para o lado, não podia acreditar.

-Como você está elegante de executivo. Daria um ótimo economista.

Ele apenas olhava para aquela mulher, não conseguia dizer uma única palavra.

-O que aconteceu que não fala nada? Desde quando você me procurou a primeira vez na minha sala, sempre achei que você fosse trabalhar com o público. Hoje, vendo você vestido desse jeito, dá até um orgulho por você ser nosso aluno. Muito dedicado, ambicioso...

-Por... Por que diz isso, senhorita Calíope?

-Já disse que pode me chamar de Calíope. Porque hoje, numa festa a fantasia, com alunos do terceiro ano em evidência, dá pra ver que você sonha muito alto com sua carreira.

-Continuo sem entender... Perdoe minha ignorância...

-Que nada, Miro. Veja, todos os seus amigos se vestiram apenas como personagens... Você foi o único que se inspirou em sua profissão futura. Admiro isso em você.

-Você... Está... Linda... De Marilyn Monroe...

-Hahaha! Obrigada! – Calíope riu, descontraída. – Por que não está se divertindo com seus outros amigos? Vi o Kamus conversando com uma garota por horas! Aqueles dois, Saga e Kia também, se divertindo... Por que não está com eles, querido?

"Porque eu fiquei te procurando, porque eu queria passar o tempo todo com você, porque você é meu objeto de desejo, minha musa inspiradora, porque eu quero você pra mim..."

-Porque estou meio desanimado...

-Ora, mas qual motivo? Você é tão bonito, tão radiante, tão dedicado... E foram vocês, ou melhor, você que deu a idéia! Tem mesmo é que se divertir!

-Você me acha mesmo bonito?

-Não... Você é lindo!- Calíope olhou no relógio – Querido, está tarde pra mim, amanhã cedo eu trabalho. Vai dançar, depois você me conta tudo, certo?

-Fica mais, Calíope.

-Não dá... – Ela se levantou do banquinho, deu um beijo no rosto do grego e saiu – Até segunda-feira!

Miro acenou suspirando. Sua noite estava ganha. Realmente teria problemas para dormir aquela noite.

Saiu do bar e logo encontrou toda a sua turma reunida. Fizeram-lhe perguntas, mas conseguiu se esquivar com facilidade. Kamus o chamou em particular. Com ele, Miro conseguiu se abrir.

-Procurei Calíope o tempo todo. Agora no final, ela me achou. Ela disse que eu sou lindo...

-E aí, ela disse que era solteira? Que tinha intenções com você?

-Não, ela não disse. Mas ela me dizer que eu sou lindo, já é uma grande evidência de que está interessada.

-Cuidado, Miro... Você pode acabar se iludindo...

-Só se ela me iludir. Eu nunca me iludo sozinho.

-O que é que os dois estão cochichando aí? – Interrompeu Aioros com uma voz alterada.

-Não é da sua conta, rei dos ladrões!

-Mas que grosseria, Miro!

-É melhor você ficar na sua, odalisca.

-Mas será possível que não exista um momento de paz entre a gente?

-Se as pessoas cuidassem menos da vida dos outros, Dohko, as discussões seriam mais escassas.

-O Miro entende bem de escassez!- Debochou Máscara da Morte, que pegou o assunto pela metade.

-Olha quem tá falando de se meter na vida dos outros...

-Kanon, aconselho você a ficar na sua.

-Mas eu fico. Não sou eu mesmo que fico fazendo pesquisas sobre quem roubou provas...

-Ah não! Esse assunto de novo?

-Não sei porque Kamus, mas você odeia falar disso.

-Kanon, eu odeio encrenca.

-E nota baixa.

-Está insinuando que eu roubei aqueles malditos papéis?

-Quem sabe...

-Como você é cara de pau! Todos nós sabemos que foi você com seu amiguinho que deu cabo nas provas! Pare de acusar o Kamus!

-Você pode ser tudo, minha linda, minha deusa. Mas de Sherlock Holmes não tem nada.

-Podia ter dormido sem essa, Lígea.

-Pois é Kia, vamos continuar então, falando de pessoas cara de pau?

-Por que você não beija logo o Samurai e fica feliz?

-Ai não gente! Vamos parar! Vocês beberam, passaram da conta, vamos voltar a dançar, nos divertir...

-Boa idéia, brutamontes. Vou ver se pego a quinta da noite. Um grande abraço pra vocês. E Kanon, vê se procura alguém pra te manter ocupado, tá?

-Não enche, Máscara.

A dupla abandonou o grupo em busca de mais divertimento.

-Lígea, por que está chamando a Kia de cara de pau?

-Pergunta pra ela, Saga.

Mu engoliu em seco. Estava quase desmaiando.

-Preciso me sentar... – Começou a ficar tonto.

-Segurem ele! Zeus, Mu, você bebeu?

-Não... Eu preciso sentar, de ar...

Aldebaran levou Mu para o ar livre. Lígea continuava encarando Kia com expressão raivosa.

-Essa é uma discussão sem motivo, de gente bêbada.

-Não pus uma gota de álcool na boca.- Lígea disse com orgulho.

-Ai, vamos voltar a dançar! – Sugeriu Shura.

E aos poucos os garotos foram se dispersando.

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-Pronto, senta aqui, Mu. Tem certeza que não bebeu nada?

-É, eu não sou acostumado com boate, essas coisas...

-Vou buscar um copo de água pra você. Não sai daí.

Enquanto Aldebaran foi até o bar, o casal mais temido apareceu.

-A Kia insistiu em saber como você estava, fiquei preocupado também.

-Eu... Estou... Bem... – Mu dizia olhando para Aldebaran no bar – Podem... Er... Ficar tranquilos.

-Mu – Kia colocou uma de suas mãos sobre a dele – Se precisar de alguma coisa, estamos aí, ta bom?

-Não... Não vou... Não vou precisar, Kia. – Ele tirou a mão rapidamente debaixo da mão dela.

-Ué, não foram dançar? – Aldebaran tinha chegado com a água.

-Já estamos indo. Viemos ver o Mu. – Respondeu Saga.

-Já viram, podem ir! – Mu respondeu sem perceber que estava alterado.

Aos se afastarem, ouviram Saga comentar que ele deveria já estar alto de alguma bebida.

-Está tudo bem mesmo, Mu?

-Está sim... – Mu olhava para o nada, pensativo.

-Sei... – Aldebaran o olhou desconfiado.

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O final da festa contou com Aioros e Ísis completamente bêbados, Aioria e Marin discutindo feio porque uma garota do segundo ano resolveu se aproveitar das "gostosuras" inferiores do garoto, o placar da dupla dinâmica de 3 a 5 para Máscara da Morte, Dohko e Lígea diversas vezes atrapalhados por Aldebaran, Shina e Afrodite numa melação sem tamanho, Kamus e Miro sem beijar ninguém, Saga feito de bobo por sua namorada, Mu passando mal, Shaka e Nínel se esqueceram que faziam parte de uma turma e Shura, a cada vez que escutava alguma coisa a respeito de Afrodite, surtava.

E assim, cada um voltou para sua casa. As próximas semanas que ainda estavam por vir, se pudessem ser previstas, dariam até medo.