Olá meninas, fico contente que tenham gostado do capítulo anterior. Muito feliz mesmo. E vamos continuar, né? Agradeço a todas pelas reviews. Continuarei respondendo! Beijos a todas!

Capítulo 20

Reunião de Pais e Mestres

Os garotos já estavam em quadra, na aula de educação física quando uma senhora de meia idade de cabelos cor lilás chegou na Escola do Zodíaco, acompanhada de seu marido, um homem alto, com cabelos já grisalhos e duas pintinhas vermelhas em sua testa. Encontraram com outro casal, uma mulher de pele morena e cabelos escuros com um senhor, dono de um belo par de olhos azuis reluzentes, que pareciam perdidos.

-Olá!- Disse a senhora de cabelos lilás – Estamos procurando o anfiteatro. Sabem onde fica?

-Nós também estamos procurando! – Respondeu o homem de olhos azuis.

-Viemos do Tibet para essa reunião... Somos Shayla e Kudrav, pais de Mu.

-Muito prazer! – O grego apertou a mão do casal, seguido por sua esposa – Amadeu e Lisandra, pais de Aioria e Aioros. Seu filho está também no terceiro ano, não?

-Sim. – Respondeu Kudrav.

Outro senhor chegou junto deles, com uma mulher muito mais nova, gregos também. Pelo terno que vestia, era um executivo. Amadeu logo os reconheceu.

-Aquelau! Sabina! Prazer em revê-los!

-Olá Amadeu, olá Lisandra. Vieram para a reunião?

-Claro... Um pouco estranho o motivo, não?

-É, ainda não entendemos. Saga e Kanon obtiveram ótimos resultados e mesmo assim nos chamaram...

-Mu também nunca nos deu trabalho na escola. – Se apressou em dizer Shayla, se apresentando ao pai dos gêmeos.

Outros casais se aproximaram também. Hera, cabelos azuis e olhos verdes junto com Sansão, moreno de olhos claros, pais de Miro. Belina e Franz, pais de Kamus, falavam com sotaque francês e faziam força para entender o que os gregos falavam com pressa. Pietro, pai de Shura, tentava driblar seu sotaque espanhol a todo custo. Os cabelos escuros e os olhos pequenos diziam claramente que era o pai daquele aluno briguento.

Henrico e Marissol, pais do italiano Máscara da Morte, eram expansivos e arrojados. Falavam com gestos grandiosos e chamavam a atenção de todos. O bronzeado de sol de João e de Aparecida, denunciava que eram os pais do brasileiro Aldebaran. A senhora chinesa, que beirava os oitenta anos de idade, porém lúcida e conservada, era Shong, avó de Dohko. Shiva, aparentando ter pouco mais de quarenta anos, vestia-se com trajes indianos e não negava ter muito orgulho de ser a tutora de Shaka, no orfanato onde o rapaz cresceu. Astride, com seus cabelos cor azul piscina era inegavelmente a mãe de Afrodite. Os árabes Abul e Maíra, pais de Kia e Anisah, os egípcios, Abdo e Sulamita, pais de Ísis, Igor e Sônia, pais de Nínel, Felício, pai de Lígea, Takeshi e Akemi, de Marin, Juliana e Francesco, pais de Shina, conversavam juntos com os outros pais dos demais alunos, no pátio central, sem ter a mínima idéia do por quê estavam ali presentes.

Um dos inspetores, quando viu aquele imenso "mercado grego", os conduziu até o anfiteatro, onde se acomodaram nas cadeiras, aguardando os membros da coordenação chegarem.

Shion, diretor da escola, não demorou a aparecer junto do corpo docente e mais a belíssima orientadora Calíope. Os membros do colégio viam com nitidez pais de quem eram. As origens eram inegáveis.

O primeiro a questionar foi Henrico, pai de Máscara da Morte, com suas piadas infames, porém, foi logo interrompido pelas palavras da orientadora, que parecia estar com uma paciência pequena naquele dia. Era bem claro pra ela o motivo de Máscara da Morte ser do jeito que era. "Educação aprende-se em casa." – Pensou ela no exato momento.

O auditório se calou ao perceber que a reunião ia começar.

-Bom, estamos aqui para uma reunião entre Pais e Mestres. Todos os anos a fazemos a fim de colocar os pais e tutores em real conhecimento do rendimento escolar de seus filhos e afilhados. É muito importante essa participação, já que este é o último ano escolar da vida de suas crianças.

Todos escutavam palavra por palavra com muita atenção. Calíope conduzia perfeitamente seu discurso. Falou sobre os cursos alternativos, a Semana Cultural, a importância da prática de esportes para o colégio, a comissão de formatura e sobre as aulas extras que o colégio oferecia. Depois, Shion falou sobre o método de ensino utilizado e mais tarde os professores tiveram a oportunidade de falar sobre seus sistemas de avaliações e que eram disponíveis somente dois boletins. O do meio do ano e o do final do ano letivo. No final, fariam observações particulares sobre cada aluno.

Até então, todos estavam muito bem impressionados com tudo. Sorrindo, felizes e conversando entre si sobre a escolha que haviam feito. O problema começou quando Calíope mencionou o roubo das provas. Aquelau fechou a cara e resmungou baixo, para a mulher:

-Isso é obra do Kanon!

-Acalme-se, Aquelau.

-Sabina, por favor!

Um pequeno murmúrio invadiu o anfiteatro, mas logo cessou quando Shion pediu licença e se retirou. A orientadora fez a seguinte recomendação:

-Pais cujos filhos obtiveram notas abaixo da média, por favor, procurar os professores respectivos às matérias.

Belina e Franz, seguidos por Shiva, João e Aparecida e os pais das meninas Lígea e Kia se dirigiram a Eugeu, de Grego.

Os outros olhavam atônitos para os boletins em mãos. Alguns vieram de tão longe para apenas uma hora de conversa? Henrico, mais uma vez, chamou a atenção da Orientadora.

-Meu filho não tem notas vermelhas...

-Nem os meus. – Aquelau também se pronunciou.

-Impossível. Todos os alunos, a exceção de seu filho Saga, tiveram notas abaixo de 5 em Grego. – Respondeu Calíope.

-Minha cara – Kudrav foi se aproximando da loira – Este é o boletim de Mu. Não há nota baixa. Veja você mesma.

Calíope examinou o papel minuciosamente. Sem pedir licença, interrompeu Eugeu, que conversava com os pais de Aldebaran.

-Perdão, professor Eugeu, mas o Mu não veio com nota abaixo da média em sua matéria?

-Sim, somente Saga que não.

-Obrigada. – Calíope voltou ao casal tibetano – É realmente muito estranho que seu filho tenha vindo com 6,5 de média. Professor Eugeu disse que ele está sim abaixo da média.

Shayla e Kudrav trocaram olhares assustados.

-Mas meus filhos vieram com 8 de média! – Amadeu se exaltou – Veja!

Calíope olhou assustada para os boletins de Aioria e Aioros. Aquilo era realmente impossível. No dia anterior haviam feito uma reunião e Eugeu afirmou a péssima capacidade das duas turmas do terceiro ano em sua matéria. Como ele havia se enganado com tantas notas? Era também impossível a secretaria ter errado tanto.

-Com licença – A educação de Astride era peculiar – Mas, senhorita, Afrodite veio com 6 de média de Grego, ele mesmo não me disse que estava com notas baixas. Será que não é um equívoco do professor?

-Senhora Orientadora, Miro é um excelente aluno, não suportaria vir com uma nota baixa de Grego, ainda mais. Tenho certeza de que há um engano. Esse professor deve ser um incompetente.

De repente, os pais começaram a ir para cima de Calíope, com os boletins nas mãos, acusando o professor Eugeu e a secretaria do colégio.

Os outros professores precisaram ir ao socorro da orientadora. O professor de Grego parou a conversa no meio e começou a prestar atenção na movimentação próxima dele. Quando viram, Calíope já estava sendo atingida na cabeça pelo guarda-chuva de Shong. Galileu foi ao seu socorro e acabou levando também uma guardachuvada na barriga. Se os garotos estivessem presentes, estariam dando gargalhadas.

-Por favor, tenham calma! – Gritou Ptolomeu de Literatura. – Está acontecendo um grande engano aqui!

Eugeu aguardava em silêncio a sua hora de falar. Quando a agitação acabou, o grego começou a dizer.

-Não sei o que houve com esses boletins, mas tenho aqui comigo as provas e cadernetas. Jamais passaria para a secretaria notas erradas. Por favor, formem fila para verem os resultados de seus filhos.

Enquanto os pais falavam revoltados na fila sobre a falta de organização, Calíope, se recuperando do golpe, foi até a enfermaria, amparada por Galileu e Ptolomeu.

-Eu não entendo o que houve. Vou precisar ir até a secretaria ver o que está havendo. Se o erro não foi de Eugeu, provavelmente foi do nosso pessoal de lá.

-Você e Galileu vão para a enfermaria. Deixa que eu mesmo cuido disso.

Minutos mais tarde, Ptolomeu trouxe três boletins. De Mu, Aioria e Aioros.

-Algo de estranho está acontecendo, Calíope... Mu está com 3,5 de média. Aioria está com 2 e seu irmão Aioros com 2,5.

-Ai... – Calíope estava sentada na cadeira, com um saco de gelo em sua testa – O pai dos garotos garantiu que eles estavam com 8. E o Mu com 6. Eu mesma vi os boletins dos próprios.

-Mas como é que a segunda via do documento está correta e a primeira não?

-Ptolomeu, vai ver eles deram conta da confusão e arrumaram as notas por esses dias.

-Duvido muito, Galileu. A Lamíade me disse que não mexeram nos boletins desde o dia em que soltamos as notas no sistema.

-Professores, eu nunca passei por uma situação parecida com essa. Mas que terceiro ano complicado esse...

-Vai ver então, os alunos brincaram com os computadores, Calíope.

-Mas como? – Galileu parecia que ia surtar.

-Hoje em dia, existem hackers... Invadiram o colégio, mudaram as notas, o boletim saiu, depois voltaram ao normal...

-Ptolomeu, acho que você foi um pouco longe...

-Acho que não, Calíope. Não seria melhor chamarmos todos os alunos, junto com seus pais? Tenho certeza de que alguma explicação vai surgir...

-Pode ser... – Concordou a Orientadora – Vou pedir para chamarem os alunos.

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A inspetora chegou na quadra de esportes correndo. Precisou até recuperar o fôlego antes de começar a falar. Apolo ficou esperando até ela começar a falar:

-A Orientadora Calíope pede que todos os alunos compareçam ao anfiteatro o mais depressa possível, professor Apolo.

-Mas estamos no meio da aula!

-Ela pediu que eu desse o recado.

-Está havendo alguma coisa?

-Provavelmente. Você os encaminha então?

-Claro...

A inspetora deixou a quadra com a sua missão cumprida.

Apolo apitou. Os garotos se aproximaram. Logo depois, Aurora chegou com as meninas. Estavam todos suados, de praticarem os esportes.

-Nossa aula acaba por aqui. A Orientadora pediu para que todos vocês compareçam ao anfiteatro com urgência.

-Mas por que? – Máscara da Morte ficou curioso.

-Não sei, mas quanto mais vocês demorarem, mais curiosos vão ficar.

-Nós também? – Aurora perguntava também curiosa. Melânio estava ao seu lado.

-Não sei por quê, querida, mas é melhor a gente não se meter nisso.

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-Será que isso tem a ver com o roubo das provas, Kanon?

-Não sei, Death Mask, falando nisso a gente precisa provar nossa inocência.

-Baseada em provas falsas?

-Lígea, eu acho melhor você parar de nos encher o saco. Não estou mais a fim de trocar palavras desse assunto com você.

-Acho que o complexo do Kamus te pegou, hein?

-Pára, Lígea.

-Pára você, Dohko. Ele me enche e quando eu vou encher ele você me priva disso?

-É que você provoca também.

A grega cruzou os braços.

-Mu, por que está pálido de novo?

-Não gosto quando nos chamam para conversar com a Orientadora, Aldebaran.

-Deve ser coisa da Comissão... – Saga tentava adivinhar o assunto.

-Mas eu não faço parte da Comissão.

-Fica tranqüilo, Mu! – Kia sorria e apoiava nos ombros do rapaz.

"Com você perto de mim, nunca vou ficar tranqüilo, Kia!"

-Acho que ela vai falar da festa! – Aioros dizia animado enquanto caminhava de mãos dadas com Ísis.

-A festa foi tão legal!

-Nossa, é o Shaka falando?

-Só você pode achar a festa legal, Aioria?

-Não é Shaka, é que é estranho ver você descontraído! – Marin veio em defesa do namorado.

-A gente podia sair pra conversar mais, não Shaka? – Nínel também resolveu se enturmar na conversa.

-Dite, eu falei com meus pais, nas próximas férias, você vai pra minha casa, na Itália!

-Eu vou! Lá tem rosas, né?

-Um monte, meu lindo! Vou fazer um jardim só pra você!

-Se acalme, Shura... – Disse Aldebaran quando ele fez um gesto obsceno para o casal feliz.

-Quando roubarem sua mulher, você não vai pedir calma nunca!

Miro andava em silêncio, mas com um sorriso de orelha a orelha, iluminando seu rosto.

-Ei, disfarça isso, Miro, ou todos vão saber que você está interessado nela.

-Nela quem, Kamus?

-Isso é problema do Miro, Aioros.

-Conta pra gente!

-Não, ainda mais pra você, fofoqueira! – Miro respondeu rispidamente para Ísis.

Mu que liderava a fila de repente parou, fazendo com que um efeito dominó acontecesse com todos. Kia trombou em suas costas e assim por diante.

-Mas que bunda, hein Mu? – Disse a garota num sussurro de desejo.

-Por Zeus! – Saga exclamou quando viu aquela cena dentro do anfiteatro.

-Acho que eu não vou mais para a Itália, Shina...

-Acho que eu nunca mais verei você, Dite, meu amor...

-Você está pensando o mesmo que eu, Kanon?

-Acho que pior, Death Mask...

Miro agarrou-se com tudo no tórax de Kamus.

-Ei Miro, quer fazer o favor de tirar suas patas de cima de mim? Vão achar que eu sou gay!

-Olha só! Que maneiro! Nossos pais estão aí! – Aioros disse sorridente.

-Aioros, se liga! Isso é encrenca!

-Aioria! Será que eles já sabem?

-Não sei, Marin! Olha a bagunça que está lá dentro.

-Já sabem de que?

-De umas confusões aí, Shaka.

-Não acredito que o Shaka não sabe!

-Sei o quê?

-Não é melhor a gente entrar logo? – Sugeriu Lígea, olhando sorridente para a cara de Kanon e Máscara da Morte.

Dohko congelou.

-Você não vai comigo, Dohko?

-Por que ele iria, Sherlock? Ele também está devendo para o cartório...

-É verdade, Dohko?

Dohko não respondeu.

-PUTZ, EU NÃO ACREDITO!

-Muito obrigado, Kanon! – Dohko olhou furioso para o grego.

-Eu não tenho culpa se você não é sincero com sua namorada... Librianos... Tsc tsc tsc...

-Ei! O que estão fazendo parados na porta? – O professor Kim apareceu no corredor – Estão todos esperando somente vocês!

-O que querem com a gente? – Perguntou Kia para o professor.

-Entrem e vamos resolver a situação. Vocês são de longe a turma mais trabalhosa que existe!

Kim passou por eles e entrou no anfiteatro. Parou e ficou esperando. Lígea foi a primeira a entrar na sala. Os outros resolveram seguir seu exemplo.

-Kanon, realmente foi ótimo ter te conhecido...

-Digo o mesmo, meu chapa!

Os pais dos garotos pararam de falar quando viram os próprios entrando no auditório. Cada um foi direto com seus superiores e aguardaram alguém tocar no assunto. Calíope pediu que todos se sentassem. Era visível o nervoso daqueles meninos e meninas. Realmente tinha alguma coisa errada. Quando Shion chegou novamente ao local, ela recomeçou a falar.

-Fui até a secretaria e constatei que o problema não é com a escola e nem com o nosso professor Eugeu. Alguém fez uma brincadeira de extremo mau gosto com esses boletins. Ou melhor, não foi brincadeira, foi algo bem sério. Gostaria que o autor, ou os autores, se pronunciassem e explicassem o que fizeram e COMO fizeram.

Novamente, o barulho de vozes invadiu a sala. Os pais de Mu apertavam com força os ombros do rapaz. A mãe de Afrodite segurava o garoto pelo punho e ameaçava o filho em sueco. Os pais do francês Kamus estavam o humilhando profundamente, pois a expressão do rapaz era de perturbação extrema. O pai de Shura nem olhava para o filho. Apenas repetia que ele era a escória da família. A mãe de Aldebaran estava chorando muito e o brasileiro caiu de joelhos, jurando que não havia feito nada. O pai e a madrasta de Saga olhavam para ele, tentando ler os olhos do rapaz. A avó de Dohko gritava em chinês com o neto e o ameaçava com seu guarda-chuva assassino. A mãe de Shina estava dando um escândalo, a tutora de Shaka o olhava com desprezo, os pais de Aioria e Aioros se lamentavam pelos filhos e quando Kanon e Máscara da Morte viram o pai de Miro dar um tapa muito bem dado no rosto do rapaz, resolveram se pronunciar.

-FUI EU! – Gritaram o grego e o italiano juntos.

Na mesma hora, o tumulto parou.

-Fui eu! – Kanon disse de novo com firmeza.

-Não, fomos nós dois!

-Fica na sua, Mask!

-Não, não vou deixar você levar a culpa sozinho, Kanon!

-Realmente, que linda demonstração de afeto essa, hein Kanon e Máscara da Morte?

-Lígea, não põe fogo na fogueira. Você não sabe de nada!

-Claro que eu sei. Vocês falsificaram boletins, ganharam dinheiro em cima disso!

O espanto foi geral. Até mesmo o sarcástico professor Eugeu ficou surpreso com a declaração.

-Então, já temos os ladrões de provas também! – Disse o professor com convicção.

-Não roubamos provas! Não fomos nós! – Gritava Máscara da Morte.

-Será que vocês dois poderiam explicar a falsificação dos boletins? – Calíope resolveu estabelecer ordem.

A dupla olhou para seus pais. Estavam completamente envergonhados dos filhos que tinham. Kanon resolveu começar a falar:

-Eu quis mudar minhas notas para não magoar os meus pais. Mostrei para o Máscara da Morte e ele também quis. Aí mudei o dele também.

-Depois, quando os outros quiseram, eu ajudei o Kanon a mudar. – Acrescentou o italiano.

-Nós que convencemos os outros a mudar as notas. Eles não têm culpa. Foram manipulados.

Máscara da Morte olhou espantado para Kanon. Aquilo era mentira.

Enquanto os murmúrios eram altos, Máscara da Morte teve que perguntar ao amigo o que ele pretendia com aquilo.

-Kanon! Você pirou?

-Não. É um plano. Concorde comigo e você vai ver.

-Nós vamos ser presos!

-Eu serei réu primário. Isso me custaria apenas um processo. Você tem passagem pela polícia?

-Não.

-Então, concorda comigo.

-Kanon, nós vamos ser levados daqui pela polícia!

-Imagina que massa, Mask!

-SILÊNCIO! – Calíope gritou – Ainda não terminamos. Podem continuar, por favor? Como fizeram isso?

-Tiramos xerox dos boletins, recortamos as notas e colamos por cima. Trabalho braçal.

-Fizemos isso em um final de semana. Convencemos o povo, pois se todos mudassem as notas, não haveria erros... Apenas alguns não mudaram...

Agora era Kanon que estava impressionado com a astúcia de Máscara da Morte.

-Quem são esses alguns?

-Aldebaran, Kamus, Shaka, Lígea, Kia e Nínel. Não precisam ficar bravos com eles e nem com quem mudou. Fizemos a cabeça deles, já dissemos.

-E por que esses não mudaram?

-São muito "certinhos" e eles nos delatariam.

O barulho recomeçou na sala.

-Certo, por favor, os dois me acompanhem.

-E os nossos pais? – Quis saber Kanon.

-Eles vão buscar vocês na delegacia depois. Falsificar documentos é crime.

Ao acompanharem o Diretor e a Orientadora, passaram por Miro e o ouviram dizer:

-A minha cabeça foi feita, pai! Eu te juro!

Depois ouviram Aioros e Aioria dizendo a mesma coisa.

Abandonaram a sala na hora certa. O clima estava pesado demais.

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Os pais deixaram o colégio desapontados com seus filhos. Mu estava com uma enorme culpa dentro de si. Aldebaran o aconselhava, dizia que ele não deveria ter feito aquilo, piorando ainda mais a situação do rapaz. Embora a dupla tivesse assumido toda a culpa, as coisas não estavam completamente amenizadas. Os responsáveis pediram que todas as notas fossem enviadas pelo correio diretamente para eles. Ninguém jamais iria esquecer aquele episódio tenebroso.

-Me desculpa, Lígea! Eu estava com medo da minha avó! Não te contei porque sabia que você ia ficar muito brava comigo!

-Dohko, não tente justificar seus erros! Isso que você fez foi um absurdo! Mesmo que eles tenham feito a sua cabeça!

-Eles não fizeram minha cabeça! Eu que os procurei! Aioros e Shura que me aconselharam!

-Agora a culpa vai ser de Aioros e Shura? Francamente, Dohko!

-Não! Não é isso!

-Nunca mais quero falar com você! – Lígea saiu correndo, em prantos, para longe do chinês.

Dohko começou a derramar lágrimas, se sentindo duplamente culpado.

-Dohko... Não fica assim... A Lígea age impulsivamente... Depois ela te procura. – Kia escolhia bem as palavras para não magoar ainda mais o amigo.

-A minha avó não vai mais confiar em mim... Eu acho que perdi o amor da minha vida.

-Calma, cara. As coisas vão se ajeitar... – Saga não sabia mais o que dizer.

Outro casal que chorava abraçado era Afrodite e Shina.

-Eu não podia ter mentido pra minha mãe, Shina! Ela me ama!

-E meus pais nunca foram ruins comigo! Olha o que a gente fez!

Ísis tinha ido embora, escoltada por seus pais. Aioros ficou preocupado.

-Será que vão bater nela, Aioria?

-Eu não sei irmão. Estou mais preocupado com o que o papai pensará de nós. Coitada da Marin... Os japoneses são rígidos quanto aos estudos. Ela também deve estar sofrendo... Eu não vou nem me arriscar a ligar pra ela hoje.

-Tô preocupado com o Shura também. Ele saiu daqui tentando falar com o pai e sendo ignorado.

-Eu acho que amanhã nós saberemos de novidades.

-Espero que sejam boas, irmão.

Um pouco mais adiante, Miro conversava com Kamus.

-Eu disse pra você não fazer essa idiotice, Miro. Eu falei pra você rasgar! Você disse que ia queimar!

-Eu fiquei tentado! O carro...

-Miro, como você pode pensar em carro agora? Seu pai te bateu!

-Quando ele fica nervoso, ele faz isso mesmo.

-Miro... As coisas vão piorar...

-Não vão. Confia em mim.

-Confiei e você me enganou.

-Não vou mais enganar! Eu te prometo!

Mas o espanto geral foi quando Máscara da Morte e Kanon deixaram o colégio, algemados, acompanhados pela polícia.

-Esses dois estão ferrados. – Comentou Shaka.

-Ferrados? Não quero nem pensar o que vai acontecer com eles quando os pais deles os pegarem de jeito... – Disse Nínel, horrorizada.