Ai ai ai, não gente! Essa Kia as vezes me dá nos nervos! Mas vamos aguardar para ver o que acontece! Tirou até o Kanon do sério! Obrigada pelas reviews, gente. Adoro os comentários de vocês. Beijos!

Capítulo 22

Verdades ou mentiras?

Realmente a ida até a casa de Máscara da Morte fez bem a Kanon. Estava mais calmo quando entrou em sua casa, porém, a quebra da harmonia estava com segundos contados. Saga estava sentado na mesa, observando um objeto brilhante nas mãos. Quando viu o irmão chegar, pediu que visse o que tinha comprado.

-Veja, aproveitei que a Kia não estava comigo a tarde e fui até o shopping e comprei esse colar de ouro branco pra ela. O pingente com o símbolo do Signo de Câncer também é de ouro branco com Zircônio. Não é lindo?

-Você comprou isso pra ela, Saga?

-Sim! Daqui uma semana vamos completar dois meses! Nossa, estou tão apaixonado por ela, Kanon. Queria mesmo era dar um anel de brilhantes a ela, mas, não posso pedir pro papai, fui ver e é muito caro.

-Você é um louco e perturbado.

-Kanon, eu não quero brigar com você.

-Saga, você não vai dar isso pra ela. Amanhã mesmo você vai devolver isso na loja que comprou.

-Ai Kanon, deixa de ser invejoso! Por favor, você disse pra eu tomar conta da minha vida, eu estou tomando.

-Saga, me escute, preciso te contar uma coisa muito séria.

-Fala...

-A Kia trai você.

-E eu que sou o louco e perturbado. Kanon, acho que vou ter que falar para o papai que você está usando drogas.

-Ela trai você com o Mu!

-Está usando LSD? Tomando chá de cogumelos? Já sei, fumando Ópio!

-Você precisa acreditar em mim, irmão! Estou falando a verdade!

-Kanon, você é um mentiroso de primeira linha! Se fosse qualquer outra pessoa, teria acreditado!

-Eu não estou mentindo!

-Você falsificou boletins, foi preso, deve ter roubado as provas, o próprio papai me disse isso, fora outras coisas do seu passado, que se eu começar a lembrar...

-Você é um corno, iludido.

-Você conseguiu estragar o meu dia! Maldito dia que a mamãe teve a gente! Eu devia mesmo era ter nascido sozinho! – Saga recolheu o presente e foi para o seu quarto. Bateu a porta com força.

Kanon se afundou no sofá da sala, emburrado.

"Ainda vou esfregar na fuça desse palhaço as coisas que ele me jogou na cara."

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-Falou com ele? – Foi a primeira coisa que Máscara da Morte perguntou ao ver Kanon naquela manhã.

-Falei. – Respondeu com revolta na voz.

-Pelo jeito...

-Ele me chamou de louco e drogado.

-Caramba... Saga se revelando...

-Não enche, Máscara da Morte.

-O que pretende fazer então?

-Vou bolar um plano pra ele presenciar a cena. Você me ajuda?

-Já disse que não precisa nem pedir!

Os dois pararam de conversar quando viram o casal entrando na classe. Kia, sorridente como sempre, segurando a mão de Saga. O irmão delirava cada vez que olhava para a garota. Logo depois, entrou Mu, carregando seu material na mão.

-Esse cara é muito cínico. Pensa que engana alguém...

-E engana mesmo, Kanon. Ninguém desconfia dele.

-Vou começar a aterrorizá-lo.

-Como?

-Você vai ver. Apenas concorde comigo quando perceber o que rola.

-Só não me mandando pra prisão de novo, eu concordo.

Kanon cochichou no ouvido do amigo. Máscara da Morte pareceu gostar da idéia. Esperaram até a hora do intervalo. Kanon chamou Aldebaran, Aioria e Shaka para junto de si. Máscara da Morte seguiu Mu até a cantina.

-Vocês estão sabendo que o Mu está saindo com uma garota?

-Não! – Aldebaran o olhou assustado.

-Quem?)

– Aioria estava aguçado de curiosidade.

-Não sei também, mas sei que está. Reparem como ele anda agitado, acho que foi na festa.

-Tem certeza, Kanon?

-Shaka, que motivos teria o Mu para ficar agitado se não fosse mulher? Nem estamos em época de provas!

-Mas ele me conta tudo! Por que não contaria isso?

-Você perguntou pra ele, Aldebaran?

-Ainda não...

-Então pergunta... Se ele se enrolar, a resposta é positiva...

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-E aí, Mu? Tudo em paz?

-Tudo...

-Acho que não, hein? To te achando tão estranho ultimamente...

-Como assim, Máscara da Morte?

-Tá avoado, chegando atrasado na aula... Se perdendo na saída...

-Ah... É... Ando muito cansado... – Mu começou a achar aquele papo muito estranho.

-Cansado? Sabe, eu não sou muito de me apaixonar, mas uma vez eu me apaixonei e fiquei assim...

Mu quase derrubou a coca-cola que segurava no chão.

-Eu também costumava derrubar coisas...

-Ah... É... Você não vai comprar nada?

-Mas que avoado, Mu! Olha! Já comprei minha barra de chocolate, na sua frente e você nem viu!

Mu começou a ficar confuso. Máscara da Morte resolveu não dar trégua. Quando o tibetano começou a se distanciar, ele foi atrás.

-Mas depois dessa minha paixão, eu decidi não me apaixonar por ninguém mais...

-Aconteceu... Alguma coisa? – Mu sabia que não deveria fazer essa pergunta, mas não queria que o clima ficasse chato.

-Ela tinha namorado...

Agora Mu derrubou a coca-cola e o pacote de salgadinho no chão.

-Nossa, o que foi, Mu? Até parece que você não conhece a minha fama!

-Não foi nada! – Mu pegou o que restou do salgadinho do chão – Eu preciso ir a biblioteca, Máscara da Morte. Depois a gente se fala...

-Tá certo... Vai pela sombra...

Mu não teve coragem de olhar para trás. Sumiu como um passe de mágica.

"Bingo!"

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-Dohko, levanta esse astral, por favor... Não gosto de te ver assim...

-Me deixa, Afrodite... Você já não tem que resolver os seus problemas com a Shina?

-Ela não quer saber mais de mim. Prefere as amigas.

-Larga de ser besta, rapaz. Ela apenas quer um pouco de liberdade.

-Mas eu não dou liberdade?

-Aí eu já não sei...

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-Aí, eu vou sair com ela no sábado! Ela vai passar em casa, Kamus!

-Miro, mon Dieu, cuidado com isso! Vocês não podem namorar! Ela é a orientadora do colégio!

-Mas foi ELA que me chamou pra sair! E sua receita ajudou!

-Por que você não me ouve? Eu estou te falando que isso é fria...

-Você que é frio! Vou começar a concordar com o que o Shura fala...

-O que ele fala?

-Te chama de pinguim! Hehehe...

-Não tem graça. Mas o meu conselho você já tem. Você escolhe o que faz.

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-Oi Shina... Tá tudo bem com você?

-Muito bem, obrigada, Shura. E você?

-Melhor agora...

-Por que melhor agora?

-Você é tão bonita...

-O Afrodite também acha...

Shura fechou a cara.

-Então por que terminaram?

-Ele não me dava espaço.

-Mas um relacionamento precisa ter as intimidades reservadas, não é? Eu acho que a preservação de identidade é muito importante.

-Nossa, Shura, você falou tudo!

-Falei?

-Sim! Que mais você acha de relacionamentos?

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Já na sala de aula, Mu começou a se sentir incomodado com os olhares de Máscara da Morte. E o pior era que naquela tarde, haveria grupo de estudos em sua casa. Tinha que estar preparado para fortes emoções, até porque, Kia ia junto.

Dito e feito. No meio da tarde a turma começou a chegar. Os gêmeos chegaram juntos com Kia e Máscara da Morte. Aldebaran foi com Aioria, sem Marin e Shaka. Já estavam todos reunidos.

-O que vamos estudar hoje? – Questionou Shaka.

-Pode ser Geografia? – Aioria sugeriu.

-Pode! – Concordaram.

Começaram pela geopolítica, assunto que Aioria adorava. Começaram a falar de globalização.

-E depois que o processo de globalização se iniciou, o acesso entre as populações de várias etnias mudou muito. Abriram-se muitas portas. Sem a globalização, muitos de vocês nem estariam aqui na Grécia.

-Foi aí que surgiu a internet, os meios de comunicação ficaram mais rápidos, a troca de informações também, né?

-Sim, Shaka. Isso mesmo.

-Entendi! O que era de um, passou a ser do outro também.

-Mais ou menos, Kanon.

-Mais ou menos? Aioria, hoje em dia a gente vê a globalização dentro da escola.

-Como assim? – Intrigou-se Aldebaran.

-Kia, por que você não me ajuda a explicar?

-Por que eu, Kanon?

-Você é boa em humanas... Gosta de educação física... Gosta de um... Ser humano...

Mu encolheu-se na cadeira. Máscara da Morte apenas o observou.

-Adoro o ser humano que está do meu lado! – Ela deu um beijo carinhoso em Saga.

-É verdade, Kia, que no seu país, a poligamia é permitida?

-Gente, vamos voltar para o assunto principal do estudo?

-Qual o problema dela responder, Mu?

-É, nenhum. Mas é que isso não faz parte do assunto.

-Mas é cultura!

-É permitido sim. Mas eu só tenho uma mãe.

-Mas você é adepta a esse tipo de relacionamento? – Máscara da Morte não foi nem um pouco diplomático.

-Nunca pensei sobre isso.

-Por que não?

-Ah não pessoal – Aioria interrompeu, para o alívio de Mu – Já está desviando totalmente do assunto.

-Aioria, é cultura.

-Deixou de ser cultura a partir do momento em que ela começou a dar opiniões pessoais. Vou continuar falando, agora sobre a disputa pelo Alaska.

Ouviram o que Aioria tinha a dizer. Aldebaran, calado, observava as reações de Mu. Realmente tinha algo estranho no rapaz. Quando o sol começou a baixar, Aldebaran propôs uma pausa. O anfitrião foi buscar o lanche como sempre, mas foi seguido pelo brasileiro.

-Acho que você já deve estar cansado dessa pergunta, mas ta tudo bem com você, Mu?

-Está! Aldebaran, pega o suco na geladeira pra mim?

-Nossa, você nunca me tratou assim...

-Não dormi bem ontem a noite... Me desculpe, não quis ser estúpido.

-Você sabe, se precisar conversar...

-Obrigado Aldebaran.

Os dois voltaram para a sala e encontraram todos conversando. Se reabasteceram e voltaram aos estudos. Aioria continuou com a geografia, dessa vez falando dos Alpes. Mostrou fotos. Na primeira oportunidade, Kanon falou:

-Veja, essas montanhas parecem peitos de mulher!

-Só você pra pensar numa coisa dessas, Kanon!

-Ah, mas você não é muito ligado nisso, né Saga? A Kia nem tem peito grande!

Máscara da Morte se acabou de tanto rir.

-Respeito com ela!

-Kanon, vai ver é isso que atrai os homens para perto dela! – Comentou Máscara da Morte.

-Homens? – Shaka ficou perdido.

-Kanon! Largue de besteira! – Saga começou a se irritar.

-Maninho, você é tão ingênuo...

-Querem parar vocês dois? – Kia resolveu intervir na briga.

Mu se encolhia cada vez mais.

-Ué, é o Mu que sempre tenta apaziguar as coisas... Está tão calado... – Kanon não economizou no sarcasmo.

-Vamos voltar! Hoje vocês estão impossíveis. – Aldebaran punha as mãos na cabeça.

O estudo foi interrompido várias vezes. Quando Aioria se cansou pediu licença e se retirou. Os outros também foram embora logo. Depois de deixarem Kia em sua casa, Saga começou novamente com seu discurso:

-Quando é que você vai parar com essas suas idiotices?

-Quando você deixar de ser idiota, Saga!

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A outra turma também não estava rendendo. Dohko teve que parar diversas vezes os contos trágicos da Mitologia Grega porque todos lembravam Lígea. Afrodite também estava muito desanimado e procurava não responder as provocações de Shura.

-Não foi homem suficiente para segurar a Shina... Agora fica aí, chorando...

-Fica na sua, Shura.

Miro e Kamus estavam com a cabeça em outro lugar. O francês tentava pensar em uma maneira mais direta de ajudar Anisah enquanto o amigo pensava no final de semana que não chegava nunca. Aioros só pensava em Ísis.

-Me ajudem a me aproximar dela de novo...

-Você já fez besteira – Shura dizia bravo – Quando você tomar jeito, você a recupera.

-Mas eu não vivo sem ela!

-Aioros, pára e se enxerga! Derrubou comida 15 vezes na garota!

-Shura, foi sem querer!

-Você faz tudo sem querer! Eu hein... Preste atenção que você erra menos!

-O Shura tem razão. – Dohko entrou no meio da conversa – Essas garotas...

-E a Lígea, cara?

-Nem fala dela, Aioros! Ela nem olha mais pra minha cara.

-Ela é fresca! Quando deixar de ver só a ela mesma, vai melhorar.

-A questão não é essa, Shura. Ela confiava no Dohko. Foi um grande golpe, foi como se ele a tivesse traído.

-Kamus, pra quê estragar ainda mais as coisas?

-Não quero estragar nada. Acho aquela menina explosiva demais. As vezes ela exagera, mas dessa vez, ela teve razão. Imagina... Todos nós sabemos que ela não gosta do Kanon, o Dohko vai lá e compra dele o boletim falso. Não era pra menos.

-O Dohko agiu por medo. Ela deveria pensar nisso.

-Aioros, medo não é racional. O que poderia acontecer se ele entregasse o boletim verdadeiro para a avó? No máximo, levaria uma bronca. Não perderia a menina que gosta e nem a confiança da avó.

-Você não tem medo de nada, Kamus?

-Claro que tenho, Afrodite. Mas é bem diferente. Não vou me colocar numa situação de risco. Vocês achavam que nunca iam descobrir essa história dos boletins? Eu falei pro Miro rasgar, ele não me ouviu. Apanhou do pai.

-Não precisa me lembrar disso, Kamus.

-A sorte de vocês – Continuou o francês – É que eles assumiram toda a culpa, inclusive a de vocês. Eles devem estar bastante encrencados.

-É! E ainda tem o roubo das provas... – Shura começou a pensar alto.

-Se importam da gente não falar do roubo das provas?

-Kamus, por que você sempre foge do assunto?

-Dohko, eu não fujo do assunto. Só não gosto de ficar falando desse episódio porque sei que isso vai dar muita dor de cabeça.

-Fala pra gente, quem você acha que roubou?

-Dohko...

-Ah Kamus, você é muito inteligente, estrategista, sabe raciocinar pra caramba, sem viajar, é óbvio que você desconfia de alguém.

Os outros cinco estavam com os olhos vidrados no francês. Kamus se sentiu intimidado.

-Eu desconfio de todos.

-Até de mim? – Miro se exaltou.

Kamus ignorou o comentário do amigo.

-Por que de todos nós? – Aioros começou a se sentir traído.

-Aioros, você é desastrado, podia ter derrubado aquelas estátuas sem nem sequer tocar nelas. O Shura faltou da aula, é péssimo em grego. Afrodite só se dá bem em matérias biológicas e não gosta de notas baixas, assim como o Dohko, que é perito em humanas.

-Mas quem que gosta de notas baixas?

-Ninguém, Afrodite. Por isso mesmo, desconfio de todos.

-Mas alguém precisaria de muita coragem para fazer isso...

-Pois é, Shura. Acho que todos aqui são corajosos para fazer isso. SEM exceção. – Completou ao ver que Afrodite abaixou a cabeça.

-Ah, mas, Kamus, você não falou do Miro.

-Pessoal, eu já disse a minha opinião. Vocês já sabem o que eu penso. Agora, ou a gente continua ou a gente pára, pois estou precisando ir para a minha casa.

Realmente, ganhar de Kamus em alguma discussão era algo muito difícil. Até mesmo quando se sentia encurralado, ele conseguia achar as palavras certas. Com certeza, todos começaram a achar que ele próprio era um grande suspeito.

O estudo dos garotos também não demorou para terminar. Cada um seguiu para a sua casa, seguido de muitos pensamentos.

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-Pronto, Mu, estou aqui. Vem cá e me dá logo um beijo!

A árabe não esperou o tibetano se pronunciar. Agarrou-o logo e o encheu de beijos alucinantes.

-Espera, Kia. Precisamos conversar.

-Eu não quero conversar, eu quero você, pra mim... Cada sonho que eu tenho...

-Pára. É sério. Olha, o Kanon e o Máscara da Morte sabem de alguma coisa.

-Claro que não, Mu! Se eles soubessem, o Saga já teria terminado comigo.

-Não! O Saga não confia no irmão, se o Kanon já falou algo pra ele, ele não acreditou.

-Melhor ainda, querido. Sobra mais tempo pra gente se ver...

-Kia, pelo amor de Zeus, pense um pouco! Vai ficar muito chato se o Saga descobrir que estamos traindo ele!

-Mu, estamos no shopping, no cinema, veja, a última sessão do dia. Não tem ninguém de conhecido aqui. Ele não vai descobrir! Eu tenho ele na palma da minha mão!

-Kia, seja mais discreta, principalmente na escola! Você não viu as indiretas dos dois hoje a tarde? O Máscara da Morte veio com uns papos esquisitos...

Mu não teve tempo e nem como terminar a frase. O filme era apenas desculpa para os dois ficarem a sós, se curtindo. Por mais que o garoto tentasse se privar de seus desejos, era praticamente impossível.

Saíram de mãos dadas do cinema, duas horas depois. Foram para a casa de Mu. Adormeceram no sofá da sala. Só foram se dar conta disso quando o despertador soou as 5:30 da manhã.

-Kia! Você dormiu aqui na minha casa! – Mu se levantou atônito.

-Bom dia, meu amor... Foi uma noite ótima...

-Você é completamente sem noção! Sua irmã deve estar super preocupada!

-Ah... – Kia se espreguiçou – Eu digo a ela que dormi na Lígea...

-Você tem que ir embora agora. Não podemos chegar juntos no colégio!

-Já está me expulsando da sua casa?

-Estou! Vai, por favor!

Kia levantou do sofá, pegou sua bolsa, beijou Mu e saiu.

"Céus... Eu vou para o inferno..." – Pensou Mu ao fechar a porta de sua casa, antes de correr para se arrumar.

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-Oi meu amor, te liguei ontem a noite toda, onde você estava?

-Eu fui estudar, aí acabei dormindo na casa da Lígea.

-Foi estudar mais ainda? Mas que garota dedicada, você!

-Tudo para poder te acompanhar em grego, meu querido! Veja como eu me preocupo...

Kanon e Máscara da Morte escutaram a conversa e ficaram intrigados. Sabiam que Lígea era estudiosa, mas Kia? Kia se interessava por esportes, jamais se interessaria por estudar tanto. Momentos depois, Mu entrou na sala. A cada dia, seu olhar se tornava mais nervoso.

-Você está pensando o mesmo que eu, Kanon?

-Sim. Vamos tirar essa história a limpo.

Lígea conversava com Nínel quando foi abordada pelo grego. Ele passou a mão em sua cintura. Máscara da Morte sorriu em ver a cena. Apenas se assustou quando ela meteu um tapa no rosto do amigo, sem piedade.

-Eu odeio você, Kanon.

-Eu tô vendo... Mas, quando você me bate, eu gosto...

Lígea estava pronta para sair do local, quando Máscara da Morte se intrometeu.

-Fala uma coisa pra gente, Lígea, a Kia dormiu na sua casa?

-Não. – Apenas respondeu e se retirou.

-Tem coisa aí, cara...

-Ela dormiria no estábulo?

-Bom, lá é o lugar dela mesmo. Não duvido.

-Seu irmão precisa saber disso.

-É, mas essa aí não vai colaborar.

-E agora?

-E agora que precisamos pensar...

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-Miro, preciso te pedir uma coisa...

-Sim, Nínel.

-Como eu devo convidar o Shaka para sair? É que eu soube que você arranjou a Anisah para o Kamus...

Miro colocou o dedo na frente dos lábios.

-Certo – A russa começou a sussurrar – Então, você tem alguma idéia? Eu acho que ele pensa que é somente meu amigo... Nunca me convidaria para sair. É muito tímido...

-Chame-o para conhecer a nova doceria do centro. Lá, você joga o seu charme pra cima dele. Tenho certeza de que ele vai se amarrar...

-Será que dá certo?

-Com certeza.

-Obrigada! Depois eu te conto!

A dupla estava perto e ouviu os conselhos do rapaz. Ficaram até impressionados com o romantismo do grego. Foi daí que surgiu a grande idéia.

-Ora ora, Miro dando conselhos amorosos... Quem diria... Mas acho que só funciona com os outros, não é mesmo?

-Ah, por favor, vocês dois me tiram a paciência.

-Miro, precisamos de um conselho seu.

-Meu? Vocês não são peritos em "catar todas"? E querem conselhos meus?

-É. Mas não é pra gente. É pra desmascarar um cara...

-Desmascarar?

-Sim. Descobrimos uma traição.

Os olhos de Miro se encheram de curiosidade.

-Quem está traindo quem?

-A Kia está traindo meu irmão.

-E nós queremos mostrar ao Saga essa sacanagem.

-Mas ela está traindo ele com quem?

-Com a vaquinha. – Respondeu Máscara da Morte.

-O Mu? Minha nossa! Ele? Isso reforça minhas teorias!

-Que teorias?

-Do roubo das provas! Bom, mas, então, o que querem?

-Um conselho para pegar os dois no flagra.

-Hum... Olha, eu vou pensar, na hora da saída eu converso com vocês.

-Tá beleza, mano. Abração.

A dupla saiu e Miro ficou pensando naquele acontecimento forte.

-Miro, está se envolvendo com esses dois pilantras de novo?

-Kamus, eles me contaram uma coisa muito forte.

-Se for fofoca, não quero saber.

-A Kia está traindo o Saga com o Mu!

-Eu disse que não queria saber.

-Nossa, na hora que aquele cara souber...

-Você não vai se meter nisso, Miro.

-Não, não, são eles que querem se meter.

-Miro, você...

-O que tem eu?

-Nada. Não vou falar mais nada.

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-Lígea, você está tão abatida ultimamente...

-Ah Marin... Não era pra menos... Você também está. Ainda não se acertou com o Aioria?

-Quero que ele pense no que fez antes de eu voltar pra ele! Não vou mais chorar por causa daquele imbecil!

-É isso mesmo! Esses homens só nos decepcionam!

-E o Dohko, querida?

-O Dohko é água passada.

-Lígea, vocês nem tentaram nada...

-Marin, o Dohko omitiu coisas de mim, se envolveu com a dupla maléfica e você ainda vem defender esse cara?

-Ele... Não fez por mal... É diferente do Aioria... O Dohko gosta de você, daria a vida dele por você! E eu sei que você o adora!

-Eu não suporto mais olhar para a cara dele! Marin, ele me traiu!

-Eu compreendo que você deve estar machucada, mas, quando isso passar, dê uma chance, amiga. Eu acho tão envolvente ver vocês dois juntos...

-Marin, chega desse assunto. Eu não quero falar do Dohko. Se quiser, podemos falar do Aioria, mas não daquele infeliz.

-Realmente ele deve estar infeliz...

-Marin!

-Ta bom! Não falo mais dele...

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-Aioria, e a Marin?

-Ontem eu liguei na casa dela e ninguém atendeu. Acho que ela não quer falar comigo.

-Você tem pensado no que aconteceu?

-Shaka, ela é quem tem que me pedir desculpas.

-Não, quem tem que pedir desculpas é você!

-Ela que errou, ela que venha.

-Aioria, ela não vai voltar sozinha. Você gosta dela, não gosta?

-Claro! Mas ela faz besteira.

Vendo que nunca ia conseguir dobrar o amigo, Shaka resolveu aconselhá-lo.

-Vou te dar um conselho de amigo: Compre flores e um cartão. Dê a ela e peça desculpas. Ela vai adorar... Tente ser mais tolerante.

Aioria ficou pensativo.

-Algum conselho que te dei falhou?

-Não.

-Então, pense com carinho. Decida depois quando estiver mais calmo. Quero dizer... Quando estiver menos... Nervoso.

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Na hora do almoço, Mu se sentou sozinho, mas não por muito tempo. Uma sombra alta se fez quando Aldebaran se aproximou.

-Posso me sentar aqui, Mu?

-Não precisa nem pedir!

-Então... – Aldebaran se ajeitou na cadeira – Estou preocupado com você.

-Mas por que?

-Você anda agitado. Mu, sou seu amigo, você pode conversar comigo tranqüilamente.

-Não foi nada. – Pensou em uma desculpa depressa – Eu só estou preocupado com a minha família, o boletim...

-Acho que não é bem isso, Mu...

-Então... O que seria?

-Vou ser bem direto. Tem alguma garota na parada?

Mu derrubou os talheres no chão.

-Vou precisar pegar outros...

Enquanto o tibetano foi buscar os talheres, Aldebaran chegou a conclusão de que Kanon estava certo. Quando o amigo voltou, retomou o assunto.

-Tudo bem se não quer falar quem é, mas se precisar de ajuda, nos fale! Adoramos juntar casais. Fizemos a maior festa quando Saga começou a gostar da Kia.

Mu o olhou desesperado. Aldebaran percebeu a perturbação, mas não conseguiu fazer ligações.

-Valeu, Deba – Falou recuperando a calma. – Eu estou bem.

-Não parece. Bem... Eu sou diferente dos outros. Gosto muito da sua amizade, quero seu bem, cara.

-Eu acredito em você. Valeu a intenção, eu estou bem.

-Então, por que é que eu não consigo acreditar em você?

-As vezes você é teimoso.

-Sou, mas de todos nós, você é o único que fala com o olhar.

A vontade de Mu naquele momento era de revelar toda a verdade ao amigo. Tudo o que sabia, o que sentia e o que estava fazendo. Carregar aquele peso nas costas estava sendo desgastante, mas a única coisa que conseguiu foi fazer uma pergunta.

-Aldebaran, você sempre vai ser meu amigo?

-Claro! Você é uma pessoa íntegra, que pensa nos outros, tem grandes valores, é prestativo... Sempre poderá contar comigo.

Aquilo foi como um soco em sua alma. Resolveu parar por ali.

-Obrigado então... Saiba que isso é recíproco.

Mesmo assim, Aldebaran sabia que Mu estava escondendo algo. E grave. Não ia desistir. Mais uma vez, teria de descobrir sozinho.