Minhas caras leitoras... Criei tantos embaraços que fica difícil resolvê-los agora com poucos capítulos, mas conto sempre com a paciência e presença de vocês. Adoro as críticas e sugestões, levo-as sempre em consideração, mas para as coisas não ficarem mal entendidas, estou resolvendo esses problemas que criei na fic aos poucos. Esperem que gostem dos próximos capítulos. Então... Que tal um pouco de romantismo bem melado? Um grande beijo!

Capítulo 23

Encontros

O sábado tão aguardado por Miro chegou. O garoto nem dormiu na noite anterior. Conseguiu desmontar seu guarda-roupa a procura de algo à altura para vestir. Estudou milhões de assuntos para conversar com Calíope. Não era nem preciso dizer que ligou para Kamus inúmeras vezes. Na última, o francês se irritou tanto que quase desligou o telefone na cara do amigo.

Se olhou no espelho trezentas vezes. Cabelo impecável, dentes lindos, olhos azuis reluzentes. Estava magnífico.

O interfone tocou na hora combinada. Passou seu melhor perfume e desceu. Levou uma caixa de bombons consigo, presente para a musa inspiradora.

Calíope sorria ao ver o garoto se aproximando. Óculos escuros, cabelos soltos, na sua Z3 conversível.

"Céus! Olha o carro dela! Que mulher..."

A cumprimentou com um beijo no rosto. Sua pele era macia e suave. Como diria Miro, era maravilhosa como a brisa da manhã.

-Vamos para o Café Athena? O chocolate de lá é ótimo.

-Para onde quiser, Calíope.

Ela sorriu, para o delírio do rapaz.

Era um lugar aconchegante, com mesas na calçada, porém, Calíope preferiu um lugar dentro da casa. Se alunos passassem por ali, ia ser um pouco constrangedor.

Se sentaram em uma mesa e logo a grega fez o pedido: dois chocolates quentes e uma torta de maçã. Miro não conseguiu a falar nada. Ela estava linda, estonteante. Se no trabalho já era elegante, fora dele era incrível. Ela então se pôs a falar.

-Tarde linda, não?

"Não mais linda que você."

-Muito!

-Como andam os estudos?

"Só me interesso em estudar você."

-Bem, complicado conciliar tudo... Cursos extras, matérias...

-Mas você é bom aluno, dedicado.

"Quero apenas uma causa para me dedicar... Você!"

-Faço o que posso...

-Que menino modesto!

"Menino? Eu sou seu homem!"

-Quero fazer administração ou economia.

-Quando eu tinha sua idade, queria ser modelo.

"Seria a minha Top Model..."

-Por que não seguiu carreira?

-Meu pai não deixou. Achava esse mundo promíscuo demais. Drogas... Essas coisas todas...

"Você me droga, me entorpece..."

-Não gosta do que faz, então?

-Adoro, muito. Hoje em dia não largaria a escola por nada.

"Então, não me largue, assim como não largaria a escola..."

-Miro, me diga, conseguiu mais evidências?

O grego parou com seus devaneios. Agora precisava pôr os pés no chão.

-Eu acho que centraria apenas em dois. Mu e Aioros.

-Ah é? Por qual razão?

-O Aioros sempre explode quando entramos no assunto e como já te disse, é muito desastrado. E fiquei sabendo de uma do Mu...

-O que?

-Kia namora Saga. Mas o trai com o Mu.

-Minha nossa, que coisa terrível! Mas... Qual a ligação...?

-Calíope, ele faz as coisas por debaixo do pano. Escondido.

-Mas que motivos ele teria para roubar as provas?

-No dia em que Kanon e Máscara da Morte deram a idéia, chamaram o Mu de covarde. Pra provar, ele pode ter dado um fim nos testes.

-Brilhante conclusão!

Miro sorriu inebriado.

-Então, agora, procure provas concretas disso.

Miro mudou completamente a expressão facial. Provas concretas?

-O que foi?

-É que... Provas assim...

-Miro, não posso acusar o Mu sem provas concretas. Tenho que mostrar objetivamente como ele fez isso.

-Ele invadiu o colégio, pegou os envelopes, pulou o muro e foi embora.

-Todos nós sabemos que o ladrão fez isso. Mas qualquer um podia fazer. Até mesmo alguma garota.

-Ele estava com a jaqueta rasgada.

-Já é um começo.

Miro sorriu, mas logo tornou a ficar sério. Sabia que viria outro comentário.

-Você precisa dar um jeito de pegar essa jaqueta.

-Ma-mas eu não tenho intimidade com o Mu!

-Aquele alto... Aldebaran, ele é muito amigo dele. Será que não sabe de nada?

-Eu também não tenho intimidade com eles...

O chocolate chegou com a torta. Calíope agradeceu e bebeu um pouco, depois pôs a xícara sobre o pires. Esperou o grego tomar a iniciativa de falar.

-Pra falar a verdade... Não tenho intimidade com ninguém da turma A, Calíope.

-Então... – Ela pegou um pedaço da torta – É melhor deixar que a polícia investigue o caso daqui por diante.

"E perder o estrelato para a polícia? Jamais!"

-Espere! Eu sei um jeito!

Calíope deu uma pequena olhada para o rapaz. Miro arrepiou-se.

-Kanon e Máscara da Morte me pediram para ajudar a desmascarar o Mu. Posso pedir a eles darem um jeito de pegar a jaqueta...

-Hum... Eles não me parecem confiáveis.

-Mas eles querem provar inocência. Vai ser uma maneira de se livrarem da culpa.

-Como aqueles dois fariam para pegar a blusa? Se bem que, pra quem alterou boletins...

-Eles sempre estudam juntos. Se reúnem na casa do Mu, Calíope. Eles conseguem... Adoram falcatruas.

-Ótimo. Ponha seu plano em prática. Caso contrário a polícia fará o serviço.

-Não precisará de polícia.

-Miro... Porque teme tanto a polícia?

O garoto tomou um gole do chocolate com tranqüilidade, depositou a xícara na mesa.

-Pra quê envolver a escola em mais um escândalo?

-A polícia sabe investigar discretamente.

-Calíope, a escola ficará mal falada. Já teve o rolo dos boletins... Pense na publicidade.

-Miro, você é um gênio. Adoro sua inteligência.

O rosto do rapaz ficou rubro.

-Por que faz tanta questão de me ajudar?

"Porque quero ser só seu! E você será só minha!"

Miro se lembrou dos bombons. Agora era a hora exata.

-Comprei isso pra você. Espero que goste.

Ele entregou com cuidado o embrulho para sua musa. Quando ela abriu, ficou totalmente sensibilizada.

-Não precisava, Miro! Por que está fazendo isso?

-Você se empenha tanto, está com tantos problemas para resolver... Merece mais que isso. É um gesto singelo da minha admiração a você e ao seu excelente trabalho.

Calíope o abraçou e deu um beijo no rosto do rapaz. Isso fez com que ele ganhasse o resto da semana.

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-Kia, hoje é sábado. Não deveria estar com o Saga?

-Ele está arrumando a casa. Me ofereci para ajudar, ele, todo fofo e carinhoso, disse que não precisava.

-Termina tudo com ele.

-Você fica comigo?

-Você sabe o que eu penso!

-Sem graça! Acorda Mu! Você gosta de mim!

-Não pensei sobre isso.

-Desde quando é preciso pensar para gostar de alguém?

-Desde que você seja eu.

-Vem logo, Mu, pra mim. Não tenho o tempo todo pra você.

Mu fechou a cara.

-Adoro quando você fica com ciúmes!

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Anisah não acreditou quando olhou pelo olho mágico da porta. Era inacreditável. Ele era uma ilusão.

-Olá, Anisah. Está tudo bem?

Ela o contemplava com a boca aberta.

-Er... Eu já disse... Esse olhar me incomoda.

-Eu não acredito que você veio até a minha casa, estudar comigo!

-Em primeiro lugar, eu combino e cumpro. Depois, você precisa de ajuda, vou ajudar. Vamos começar?

-Vamos. – Ela pegou o material e o colocou em cima da mesa. Suas mãos tremiam.

-Certo, vamos lá. Eu vou começar, se você não entender, você me pára e pergunta.

-Tudo bem! – Respondeu super entusiasmada.

-Consideramos um vetor como sendo uma grandeza tendo direção, sentido e intensidade. Esta propriedade não tem nenhuma relação com um sistema particular de referência. Um escalar é definido como sendo uma quantidade cujo valor não depende do sistema de coordenadas. O módulo de um vetor é um escalar.

Anisah olhava para o rapaz com espanto. Estava impressionada com a inteligência dele.

-Anisah... Por favor...

-Kamus, você é muito inteligente!

-Você também é. Vamos agora fazer exercícios.

Depois de duas horas, a árabe já estava dominando bem o assunto. Kamus respirou fundo. Havia conseguido sua meta. Quando se levantou, Anisah pediu que ficasse mais.

-Eu fiz uns doces... Claro que não sou uma "chef" como você, mas mesmo assim... Você aceita?

-Se não for incomodar, sim.

-Lógico que não! São doces sírios.

-Exótico.

Ela pegou e levou até ele. Quando deu a primeira mordida, ficou impressionado.

-Que delícia! Me passa a receita depois?

-Claro!

Começaram a conversar sobre assuntos diversos, quando a garota começou a abordar o assunto mais falado: provas.

-Muita chata a história do roubo, não?

-Sim... Tomara que descubram logo o culpado.

-Você acha que foi quem?

-Anisah, eu não tenho opinião própria. Só espero que esse cara cometa um deslize logo para ser pego, pois não agüento mais essa história.

-Nossa, calma...

-Eu estou calmo. Mas sabe, vou dizer uma coisa pra você, só pra você.

-Confie em mim.

-Eu detesto fofocas. Isso é coisa de quem não tem o que fazer e nunca uma fofoca é completamente verdadeira. Então, acho que essa pessoa devia ter o mínimo de respeito pelos amigos e se entregar. Acho o cúmulo. Já causou o suficiente, agora, para todos ficarem felizes, podia se ferrar sozinha e deixar quem realmente tem objetivo de vida ficar em paz.

-Kamus... Eu acho que... Você sabe quem foi.

Ele arregalou os olhos.

-Não se preocupe. Eu não vou nem comentar com a minha irmã. Mas é ótimo saber que você pensa assim.

Ele se levantou. Precisava ir embora.

-Então eu já vou indo...

-Obrigada pela tarde. Foi muito bom. Aprendi tudo.

-Sim. Marcamos o resto para o próximo sábado. Se precisar, me procure.

Ela abriu a porta e Kamus acenou.

Quando estava sozinho, começou a refletir sobre tudo. Tinha se aberto com uma pessoa que mal conhecia. Por que tinha feito aquilo?

"Não... Nada a ver."

Tratou de afastar aqueles pensamentos de sua mente. Voltou para casa tranqüilamente.

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-Kia, por favor, termina com o Saga. A situação está ficando grave.

-É porque você não consegue lutar contra seus instintos.

-Você disse que veria o filme e ia embora.

-Por que você sempre me expulsa da sua casa? Mu, você mora sozinho, ninguém vai saber, nem porteiro você tem!

-Minha consciência pesa! Eu beijo você e penso no Saga!

-Mu, você é bissexual?

-Kia! Você entendeu!

-Se eu terminar com ele, você não vai ficar comigo! Prefiro assim, do jeito que está!

-KIA!

-Nossa, gritou comigo! E eu o achava tão pacífico...

Ela o agarrou pelo pescoço e o encheu de beijos. De repente, a campainha começou a tocar.

-Me solta, preciso atender!

-Deixa tocar!

A pessoa insistiu pela segunda vez.

-Me solta!

-Deve ser o carteiro.

-Carteiro não vem aos sábados! Kia, me larga!

Na terceira, Mu conseguiu se soltar do incrível abraço da garota e foi atender a porta. Quando abriu...

-ALDEBARAN!

-Olá, nossa... Você está bem?

Mu estava descabelado, cheio de marcas vermelhas no pescoço, descalço e com botões faltando em sua camisa. Resultado da tentativa de sair do sufoco.

-Estou, claro!

-Não tô certo disso...

-Diga... O que quer?

-Mu, como você está arisco...

-Desculpa... Estou cansado...

-O que você está escondendo?

-Nada!

-Mentira! Mu, por que você está dessa maneira?

-Dessa maneira, como?

-Não se faça de desentendido. Olhe pra você!

Só então que Mu se deu conta de seu estado.

-Eu estava dormindo...

-Não vai me chamar para entrar?

-A casa está uma bagunça e...

-O que está acontecendo aí dentro?

-Nada!

-Já sei! A garota está aí!

-Não tem garota!

Mu fechou a porta e ficou no jardim.

-É sério, podemos conversar outra hora?

-Por que não posso saber? Mu, é normal se apaixonar nessa idade...

-Não é isso! – O olhar do tibetano expressava súplica.

Aldebaran não acreditou nas palavras do amigo. Passou por detrás dele e abriu a porta. Quando entrou na sala, viu roupas espalhadas pelo chão.

-Sabia! Como você é rápido! Se fosse no Brasil, te chamariam de mineiro.

-Por que? – "Onde está a Kia?" – Pensava desesperadamente ao ver aquele monte de coisas na sua sala. Não estava entendendo nada.

-Come quieto! Chama ela aí! Me apresenta!

De repente, uma garota começou a surgir no corredor, apenas trajando roupas íntimas, chamando pelo tibetano.

-ALDEBARAN!

-KIA!

O brasileiro olhou para o amigo incrédulo.

-MU!

-Não... Não é o que está pensando!

Kia correu, pegou sua roupa da sala e correu para o quarto, deixando os dois a sós. Estava completamente constrangida.

-Eu estou entendendo tudo agora! Como você tem coragem?

-Aldebaran, eu não dormi com ela, eu juro!

-Mu! Você está com a namorada do nosso amigo! Que canalha!

-Foi ela que me provocou! Eu não tive culpa! Ela que me persegue, eu juro!

-Agora tudo se encaixa! – A cabeça do brasileiro começou a rodar – Desde a festa a fantasia! Isso faz um mês! Como você é falso!

-Não! Por favor, escute! Eu não podia contar! Veja meu lado! Ela que veio para cima!

-Resistisse!

-Eu fiz de tudo! Ela não desiste nunca! Eu até disse pra ela terminar o namoro, mas ela não faz isso!

-Você é sujo!

-Não! Por favor! Não sai daqui! Vou buscar ela!

Aldebaran andava de um lado para o outro sem saber o que fazer. Segundos depois, seu amigo estava de volta com Kia ao seu lado.

-Fala tudo pra ele!

-Falar o que? Que a gente se gosta? Falo! Que você me quer? Falo!

-Não! Fale a verdade! Como tudo começou!

Aldebaran não fazia comentários, apenas os olhava. O clima estava tão tenso que Kia se sentiu obrigada a falar. No final, Aldebaran estava mais chocado que antes.

-Como você tem coragem de fazer isso, menina?

-Eu não queria magoar ninguém!

-Kia, você é louca!

-Eu disse...

-E você fica na sua, Mu! Kia, você é a pior pessoa que eu conheço! Você é uma cobra! Inferior ao Kanon e Máscara da Morte. Porque eles não atam compromisso com ninguém! Agora você? Você... Nossa!

A árabe abaixou a cabeça.

-Se você não terminar com o Saga, eu mesmo conto tudo pra ele!

Na mesma hora, ela pegou sua bolsa e saiu correndo da casa de Mu. Chorando.

-Agora o papo é com você, camarada.

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Quando Miro chegou em casa, ligou para Kamus e pediu para que o amigo fosse até lá. Em pouco tempo, o francês bateu em sua porta.

-Kamus!

-Oi Miro. Diga, estou aqui.

-Entre, eu fiz chá com bolinhos.

-Vou aceitar o chá. Os bolinhos ficam para a próxima.

-Tudo bem que não cozinho como você, mas estão bons.

-Não é isso. Estive com a Anisah, fui estudar e comi por lá. Estou satisfeito por hoje.

-Então quer dizer que não sou só eu que tenho novidades...

-De novo, não é isso. Fui explicar Física.

-Kamus, quando você vai deixar de ser durão e aceitar que pode se interessar por alguma menina?

-Não vou nem responder quando, Miro.

-Você gosta dela, não gosta?

-Falando nisso, ainda não descobri quem brincou com meu nome. Poderia ter ficado uma situação muito chata entre nós.

-Mas o importante é que não ficou!

-Você sabe de alguma coisa?

-Kamus, deixa eu te contar! A Calíope tem uma Z3!

Kamus se sentou no sofá de dois lugares, pensativo.

-É mesmo? Que bom, Miro. E ela se declarou pra você?

-Não e nem pode ainda, né? Sou aluno da escola... Leis e tal...

-Miro – Kamus tomou um gole do chá – Você está se iludindo.

-Não estou! Por que ela ia tomar chocolate quente comigo a troco de nada?

-Porque ela é uma mulher fina e está interessada no roubo das provas. Se eu fosse você, começava a ficar longe dessa história.

-Mas agora, que vou poder provar que a culpa é do Mu, eu preciso ajudá-la.

-Por que você escolheu logo o coitado do Mu? Eu já não te falei que ele seria incapaz disso?

-Ele tem a jaqueta rasgada!

-Pode ter rasgado em qualquer lugar.

-Qual é a tua, Kamus?

-A minha é a realidade. Miro, isso está fugindo do seu controle.

-No fim, eu dei os bombons a ela.

-E ela?

-Me deu um beijo no rosto e um abraço incrível!

-Miro... É impossível fazer você ver a realidade...

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-Chegou tarde, hein Kia?

-Boa noite, Kanon.

-O seu namorado acabou de sair para ir ao supermercado. Daqui uma hora ele volta.

-Então depois eu volto.

-Espere aqui, quero conversar com você.

-Hoje não estou legal. Prefiro ir embora.

-Kia – Kanon trancou a porta – Você gosta de fotografias?

-Gosto, por quê?

-Eu tenho umas aqui, que te interessam... Mas, me diga, o que tem de bom passando no cinema?

-Não sei.

-Mesmo?

-É, por quê?

-Engraçado, achei que você soubesse...

-Faz tempo que não vou ao shopping.

-Fazer compras, né?

-Kanon, avise seu irmão que eu ligo para ele. Até mais.

-Mas você já vai? Eu ainda não mostrei as fotos...

-Então mostra logo, hoje eu estou sem paciência.

Kanon foi até o quarto e voltou com um pequeno bolo de fotografias na mão.

-Olha, que lindas! E contando que a luz era artificial, saíram boas... Focadas...

Kia pegou o bolo e mal podia acreditar. Eram fotos dela com Mu, na saída do cinema, de todos os ângulos.

-Você é fotogênica...

Ela começou a rasgar as provas concretas desesperadamente.

-Que tolinha... O Mask tem um monte de cópias na casa dele...

-O que você quer?

-Mostrar ao meu irmão a cadela que ele namora.

-Por que ainda não mostrou?

-Porque de repente, a gente pode se entender.

-O que quer de mim?

-Quero a Lígea como minha namorada.

-Kanon, isso é impossível!

-Pois é, meu irmão também acha impossível a sua traição...

-Não mostre isso a ele, por Zeus!

-Temos um acordo. Ou Lígea, ou fotos. Você escolhe. Pegar ou largar.

Decididamente, aquele não era o dia de Kia.

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Depois de Mu ter relatado tudo sobre o ocorrido e sua traição, Aldebaran estava mais calmo. O brasileiro agora estava vendo o tamanho do problema em qual seu melhor amigo estava envolvido.

-Mu, entendi, mas preciso que você veja a seguinte coisa: Quando o Saga souber, o que não vai ser difícil, ele vai ficar muito puto com você. Você sabe o quanto ele gosta dessa menina e só não percebe a atmosfera porque está cego de paixão.

-Eu sei disso, Aldebaran. Mas o pior é que... Bem, eu...

-Já sei, gosta dela.

-É, mas eu mesmo disse que não ficaria com ela mesmo se ela terminasse o namoro, por respeito ao Saga.

-Veja bem, cara, você já está o desrespeitando. Ela pertence a outro e sabe, quer queira, quer não, você é cúmplice dessa farsa. E agora eu também sou.

-Era por isso que eu não queria que você soubesse.

-Já está feito. Mas outra coisa: Máscara da Morte e Kanon, se já não sabem, desconfiam.

-Eu sei.

-E você também sabe do que eles são capazes.

-O que eu faço então?

-Não sei... É uma situação cabulosa... Se você falar com o Saga, você se ferra, se ele descobrir, também. Você precisa decidir de que jeito você vai se danar. Ou fica com ela e sem amigos, ou sem ninguém.

-Por que sem amigos?

-Ora, você não acha que os outros vão te apoiar, né?

Mu respondeu negativamente com a cabeça. Aldebaran encarou os olhos tristes do amigo.

-Mu, eu não vou falar nada, não se preocupe. Mas não fique parado esperando as coisas acontecerem, fale com ela. Nem que vocês namorem escondido dos outros, mas FAÇA ela terminar o namoro. Dê essa sugestão a ela.

-Ah... Se todos os problemas fossem fáceis de se resolver...

-Tem mais algum outro?

-Eu estou uma pilha... Se fosse só isso...

-O que mais você esconde? Cara, eu sei que você não mente, você não sabe fazer isso.

-Melhor falar disso outra hora.

-Fala agora, Mu.

-Você guarda segredo?

-Não preciso nem responder essa sua pergunta, não é mesmo?

-É sobre o roubo... Das provas...

Aldebaran começou a ver o chão rodar. Mu percebeu o vacilo do amigo. Na mesma hora, puxou uma cadeira.

-Foi você?

-Aldebaran, se acalme, não comece a pensar besteira de mim.

-Mu, responde, foi você?

-Não... – Mu começou a desviar o olhar – Eu... Aldebaran, é melhor eu falar disso outra hora...

-Bom, então, eu vou embora. Não tenho mais nada pra fazer aqui.