Cada dia fico mais animada para postar aqui. São muitas reviews que ando recebendo! Obrigada gente, de coração! Fiz uma lista de coisas que preciso resolver nessa fic e não são poucas... Bem, aqui vai mais um capítulo, cheio de energia. ;) Adoro vocês! Beijos!
Capítulo 24
Primavera
A primavera chegou, o clima melhorou e já estava com temperaturas mais elevadas. Aos poucos, os garotos deram adeus aos enormes blusões de frio e foram voltando com seus uniformes mais leves. Já não era mais tão torturante trocar de roupa para a aula de Educação Física e o mês de março no final já estava trazendo preocupações com os testes escolares.
Shaka entrou com Afrodite na escola naquela manhã. O ânimo do indiano estava melhor. Realmente o clima mais ameno o deixava com mais disposto com tudo. Do meio do pátio, surgiu Nínel, com os cabelos esvoaçados ao vento.
-Olá garotos!
Os dois a cumprimentaram sorrindo.
-Belo dia, hein Nínel?
-Pois é, Afrodite! Sol maravilhoso! Como esse, nunca vi em Moscou!
-Para lembrar a Rússia, privet, Nínel! – Exclamou Shaka bem humorado.
Afrodite se sentiu sobrando.
-Bom – Ele olhou para o indiano rindo – Eu vou para a minha classe. Nínel, não se atrase, a primeira aula é do Eugeu!
-Pode deixar, Afrodite! Estarei lá em 10 minutos!
O sueco saiu andando elegantemente e subiu as escadas.
-Como está se saindo em grego?
-Aquela coisa, Shaka. Vou levando.
-Eu não sou bom, mas no que eu puder ajudar...
-Obrigada.
Os dois caminharam em silêncio durante alguns segundos. Quando a russa se sentiu incomodada, tratou de abordar o assunto desejado.
-Shaka, você gostaria de ir comigo até a nova doceria que abriu no centro da cidade?
O rapaz corou profundamente. Não esperava que as garotas russas fossem tão diretas àquele ponto. Sua vontade era dizer um "sim" enormemente. Mas a responsabilidade falou mais alto.
-É que eu preciso estudar...
Nínel mudou sua expressão na hora.
-Mas, podemos... Er... Combinar para daqui algumas semanas?
-Quantas semanas?
-Umas duas... É... Bem, eu... Ah, eu estou preocupado com minhas notas...
"Preocupado com notas? Ele deve estar brincando!"
-Tudo bem... Então, quando tiver vontade, me procure...
-Nínel, entenda, não é que eu não quero...
-Eu entendi. Bom, eu vou indo... Estudar.
Ela saiu deixando o rapaz parado no meio do corredor. Ficou observando a silhueta da garota sumir entre os demais alunos até ser abordado por Aioria.
-Por que está parado aí?
-Oi Aioria. Não foi nada.
-Fala, velho. Que houve?
-Nínel... Me chamou para sair...
-Nossa! Tá fazendo sucesso! Quando vai rolar?
-Eu disse que tinha que estudar... Acho que ela ficou chateada.
-Chateada? ACHA? Shaka! Você só tem 9,5 e 10 de nota! Como você tem que estudar?
-Tenho 4,5 de Grego. É preocupante...
-Ah cara, corta essa! Sai com ela!
-Mas eu preciso estudar.
-Shaka, você precisa viver! Sair um pouco! Você mesmo disse que amou ir naquela balada das fantasias!
-Ah... Mas acho que ela vai me ignorar, se eu for falar agora...
-Shaka, vai atrás dela. Você sempre me deu conselhos, agora é a minha vez. Combine com ela de ir ao lugar que ela quer no sábado e a gente marca de estudar no domingo. Pronto, problema resolvido.
-Mas eu prefiro estudar no sábado...
-Ta bom! Então marca com ela no domingo.
-Certo...
"Ai esses virginianos!"
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No intervalo, Kanon e Máscara da Morte estavam comendo quando Miro chegou. Os olhos rápidos observaram se havia algum conhecido por perto. Ninguém. Era melhor.
-Rapazes, tenho um trabalho pra vocês.
-Acho bom ter pensado em uma forma de desmascarar a vaca. Você nos deixou esperando o fim de semana todo, seu tratante!
-Calma Kanon. Tem a ver com o Mu mesmo.
-Fale logo. Estou sem paciência hoje! – Máscara da Morte disse irritado.
-Vocês vão ter que pegar a jaqueta preta rasgada do Mu na casa dele.
-Olha Miro, não sei se você sabe, mas nós fomos presos mês passado e roubo vai complicar...
-É uma prova concreta do crime do roubo das provas, Máscara da Morte.
-Mas eu não vou me ferrar de novo.
-Bom, eu só achei que seria um modo de vocês provarem a sua inocência.
-Mas outro crime eu não vou cometer! Vai você, roubar! Por que tem que ser a gente?
-Espere! – Interrompeu Kanon – Miro, como você sabe que o Mu tem essa jaqueta rasgada?
-No dia em que fomos ao cinema, ele estava com a blusa preta dele faltando um bom pedaço. Eu vi.
-Hum... Mas como nós faríamos isso?
-Kanon! Eu não quero morar na prisão!
-Mask, se liga, se disserem que fomos nós os autores do crime, também iremos pra prisão. Estão na nossa cola.
-Caramba! Mas...
-Tudo bem, Miro. Pra quem a gente entrega a jaqueta daí?
-Pra mim, ué. Eu levo na orientação e mostro para a Calíope.
-Certo...
-Bom, vou indo então...
-Ei! E o plano? – Kanon agarrou a camisa do colega.
-Ah é... – Miro pensou rapidamente – Mandem um bilhete para a Kia no nome de Mu dizendo que quer que ela o espere no jardim central do colégio. Depois, mandem um ao Mu dizendo a mesma coisa, mas com o nome de Kia. Aí, algum de vocês da uma de "João sem braço" e pergunta da Kia pro Saga. Aí, ele vai atrás dela, e vê a cena.
-E se não der certo?
-Máscara da Morte, deu certo com o Kamus. Com certeza dará com o Saga também.
-Beleza. Você terá a jaqueta em mãos. – Kanon estendeu a mão para cumprimentar o colega.
Miro sorriu e deu as costas.
-Esse Miro tem umas idéias... Devia se unir à gente...
-Não, ele é muito arrogante.
-Vamos mandar o bilhete hoje, Kanon?
-Não. Vamos pegar a blusa antes. Senão, vai dar rolo.
-Mas o que tem uma coisa a ver com a outra?
-Se der rolo antes, a gente não vai estudar lá. Por isso.
-Kanon, se eu for preso de novo...
-Mask, já falei, não se preocupe com isso. Ele não vai dar falta, o clima está quente. Sem medo. Vamos provar nossa inocência.
-Yeah, yeah...
-Mas... Algo me diz que o Mu não é o culpado da história...
-Kanon, mas a gente precisa limpar nossa barra, né?
-Sim, mas isso me deixa inquieto.
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-Lígea, quero falar com você.
-Mas eu não quero, Kia. E quando eu não quero, eu não faço.
-Você não disse que era minha amiga?
-Disse e era. Não sou mais. Você está enganando um dos meus melhores amigos.
-Eu já te falei um monte de vezes! Não posso magoá-lo!
-Eu vou pedir pro professor Aristóteles pra mudar de dupla na aula dele, porque não agüento mais olhar pra essa sua cara.
-Lígea... Eu só queria que você tentasse me ouvir agora. Não precisa falar nada, eu sei que você não aprova a minha atitude, mas preciso que me ouça...
Lígea apenas a olhou. Aquele olhar que todos conheciam e que metia medo.
-No fim de semana eu estive na casa do Saga e Kanon estava por lá... Aí, eu estava conversando com ele e eu via no olhar dele que ele é apaixonadíssimo por você... Lígea, por que você não dá uma chance pra ele?
-Em TODA a minha vida eu conheci pessoas de muitos tipos, dos mais meigos aos mais inescrupulosos. Só que você, ultrapassa todos os limites que conheço. Querida, procure uma igreja, um tratamento mental, alguma ajuda para si. E por favor, não me fale do Kanon, você está cansada de saber que eu não agüento ouvir o nome dele.
-Lígea, eu gostaria muito que você pudesse ser minha amiga, eu estou passando por um momento difícil...
-Você é quem escolheu o difícil pra você e eu não tenho nada a ver com isso. O dia em que você voltar a ser sincera, você volta a falar comigo.
Num gesto brusco, Lígea se virou para dar as costas para a colega e bateu bem de frente com quem menos queria encontrar. Os dois se encararam.
-Era só o que me faltava hoje. Aos poucos, estou perdendo a fé na humanidade.
Dohko ficou parado, sem reação, enquanto a garota passava por ele extremamente irritada.
-Dohko... Não liga...
-Precisamos marcar novas reuniões, as provas estão aí... – O chinês resolveu não dar margem ao assunto.
-É, mas ninguém está com cabeça para estudar ultimamente...
-Mas como diria nosso amigo Kamus, a vida não é só mulher, Aioros...
-Nem me fala, a Ísis me esnoba toda hora! Puxa vida, ela precisava entender que eu sou um ser humano e que nós cometemos muitas falhas... Que nem a Lígea... Sabe, eu acho o seguinte, Dohko...
"O Aioros não se toca que eu não quero falar do assunto..."
-Do que falam? – Shura se juntou aos dois.
-Mulheres, amigo. Estou comentando com o Dohko que elas não entendem que a gente erra...
-O seu caso, Aioros, é fora do normal. Você às vezes me parece retardado. Quanto ao Dohko, o caso é diferente... É mais embaixo.
-Dohko, você tem problemas...?
-Não, Aioros! Não viaja, por Zeus!
-Dohko, ignore os comentários no sense do Aioros. Olha cara, eu não tenho experiência com o sexo oposto, mas se você quiser a Lígea de volta, precisará provar que você é um homem íntegro.
-Mas ela não quer nem me ver pintado de ouro na frente!
-Talvez se você usasse uma armadura...
-Aioros, hoje você está impossível! Dohko, ações. Não precisa ser PRA ela, apenas mostre que é POR ela.
-Mas que autoconfiança é essa, Shura?
-Preciso contar pra vocês, caras. Saí com a Shina no sábado. Ficamos e ela é show de bola!
-Ficaram?
-Sim, Aioros! Ela é uma mulher e tanto!
-Coitado do Afrodite quando souber! – Dohko começou a ficar preocupado com o amigo.
-Ele é uma biba, sempre disse isso! Ela é muita areia pro caminhãozinho dele!
-Você não vai contar nada, né Shura?
-Não vou contar não, vou é dar um beijo nela na frente dele! Vou provar que sou macho! Mulheres gostam de homens com A pegada!
-Não faça isso!
-Aioros, não me diga o que fazer!
Enquanto Shura discutia com Aioros, Chelsea, uma inglesa passou com Chenu perto deles. A inglesa olhou profundamente para o espanhol. Quem notou foi Dohko.
-A Chelsea te olhou de uma forma...
-Aquela gorda, quatro-olhos? Coitada! Não merece consideração! Aquele cabelo que parece miojo lamen não vê uma água e uma escova de cabelo deve fazer uns cinco anos!
-Nossa, em 30 segundos você destruiu a menina!
-Como você é fútil, Shura!
-Vocês falam isso porque gostam da Ísis que é um monumento e da Lígea que, apesar de brava, é uma lindinha.
Miro chegou e se juntou com os outros três amigos na conversa. Kamus se despediu de Anisah e se aproximou também.
-Hum... Olha o Kamus fazendo social com o povo do primeiro ano.
-Não estou fazendo social com amigos. Eu não preciso dessas falsidades para me aproximar das pessoas. – O olhar foi diretamente para Miro – E antes que façam como as meninas de nossa classe, a Anisah é minha aluna particular de física e nosso contato é estritamente profissional. Não ousem falar coisas ao meu respeito que não saibam.
Os quatro ficaram calados depois do comentário destrutivo de Kamus. Afrodite não demorou a chegar.
-Quando vamos estudar, pessoal? – Perguntou o sueco.
-Por mim, pode ser hoje mesmo.
-É, Kamus tem razão, quanto mais cedo começarmos a estudar, melhor.
-Então, onde você sugere, Miro?
-Pode ser na minha casa mesmo...
-Por que não na minha casa?
-Sempre vamos à sua, Aioros.
-Tudo bem, então, vamos à casa do Miro.
Ficaram conversando quando Shina chegou perto deles com Ísis e Nínel. Provavelmente já sabiam da novidade e se distanciaram quando Shura foi ficando mais próximo. Aioros e Dohko trocaram olhares aturdidos. Precisavam se preparar. Seria naquele momento que Afrodite ia receber a bomba.
O sueco viu a cena análoga a um soco muito bem dado na boca de seu estômago.
Shura abraçou Shina e os dois beijaram-se demoradamente.
Afrodite ficou observando a cena. A italiana de súbito encarou os olhos azuis de seu ex namorado bem na hora em que uma grossa lágrima caía de seus olhos. Shina ficou constrangida e saiu de perto deles, junto do espanhol.
O sueco estava sem reação. Dava para ver que ainda respirava, pois as lágrimas agora fluíam mais intensamente.
-Afrodite, não chore. Chorar não adianta nada.
Ele não quis permanecer ali nem mais um segundo. Correu para longe da vista de todos.
-Kamus, você é insensível!
-É, o Miro tá certo! Deixou o coitado pior!
-E por um acaso, lágrimas vão trazer a menina de volta?
-Não, mas também, não precisava censurá-lo dessa maneira!
-Aioros, fique calado.
-Você não sabe o que é uma dor no coração, pois você não tem um!
-Tenho sim, mas é bem diferente do de vocês.
-Tem nada! – Interveio Dohko – Todos podem morrer e você não vai nem dar falta!
-Dou minha vida, minha integridade por meus amigos! – Kamus começou a ficar nervoso.
-Você é um boneco de neve! É uma criatura do Pólo Norte!
-Não adianta discutir com vocês! – O francês começou a ficar vermelho – Mas vai ter um dia em que eu vou mostrar a minha frieza realmente. E tem gente que vai se arrepender!
Kamus saiu de lá com passos duros. Ficar ali não ia resolver nada.
-Minha nossa, nunca vi o cara ficar nervoso!
-O que ele quis dizer com aquilo?
-Não sei! O Kamus tem dessas mesmo. Deve estar estressado, Aioros.
-Ele é que faz a besteira e agora fica bravo? Tá louco!
-Melhor mudarmos o assunto, Dohko, ele odeia fofocas!
-Será que o estudo ainda está de pé?
-Eu espero que sim... – Comentou Dohko intrigado.
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-Kia, acho melhor você não ir à minha casa hoje a tarde estudar.
-Mas eu preciso, Mu!
-Depois o Saga te passa o conteúdo.
-Mas que desculpa eu vou dar pra ele?
-Você é excelente nessa parte. Inventa uma fácil, faz qualquer coisa, mas não vá.
-Por que está fazendo isso?
-Kia, é pro nosso bem, depois a gente conversa. Por favor, se você gosta de mim, você fará isso.
-Mu...
-Você já sabe... – Mu disse saindo de lado, ao ver que Saga estava se aproximando.
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E as três da tarde estavam todos reunidos, na casa de Mu, para estudar. Shaka era quem ia explicar Matemática dessa vez. Aldebaran chegou com o indiano, Saga sozinho e a dupla dinâmica, como sempre, junta. Aioria já estava lá.
-Ué, onde está a Kia, Saga?
-Ela disse que estava morrendo de cólica. Coisas de mulher, mas depois eu explico pra ela a matéria. Coitada, até está com uma bolsa de água quente na barriga.
"Zeus, que exagero!" – Mu logo pensou. Aldebaran trocou olhares aflitos com o tibetano.
O estudo começou. Shaka começou explicando cálculo matricial. Disse que as multiplicações em matrizes eram feitas em diagonal e logo todos estavam fazendo seus próprios cálculos.
De repente ouviram um estouro vindo de fora da casa de Mu. Curiosos, todos saíram para ver o que havia acontecido. O vidro do carro de Aldebaran tinha sido estraçalhado. Máscara da Morte olhou para Kanon. Era o sinal de que o plano poderia ser posto em prática.
-Minha nossa! Aldebaran, será que alguma coisa foi roubada de seu carro? – Máscara da Morte começou a por pilha em todos que estavam em volta. Aos poucos vizinhos começaram a se aproximar do pequeno grupo. Nessa hora, Kanon entrou para a casa e correu para o quarto do tibetano. Precisava ser muito rápido e ágil.
Ficou espantado com a organização de Mu. Seu guarda-roupa estava separado em roupas de frio, uniformes e roupas de calor. Começou a procurar desesperadamente a blusa preta. Quando estava quase desmontando todo o guarda-roupa, achou a jaqueta jogada num canto, bem no fundo do armário.
-NOSSA! ESTOURARAM O PNEU TAMBÉM! – Máscara da Morte deu um grito.
Esse era o sinal de que estavam dando falta de Kanon. Sem colocar as blusas na ordem que estava, enfiou tudo dentro do armário sem se importar com a bagunça e correu para a sala. Enfiou a jaqueta na mochila e saiu pela porta dos fundos. Deu a volta e chegou junto dos outros.
-Fui dar a volta no quarteirão pra ver se achava o trombadinha. Putz, Deba, o vidro do painel é sacanagem, hein?
-É, mas não levaram nada! – Aldebaran coçava a cabeça – Olha, quebraram meu vidro com um tijolo! – Disse ele mostrando o objeto alaranjado.
-Deve ter sido brincadeira de criança! – Arriscou a dizer Aioria.
Máscara da Morte olhou para o amigo como se quisesse dizer algo. Kanon piscou para ele. O italiano respirou aliviado.
-Bom gente, acho que vou precisar ir embora. Depois eu pego a matéria com vocês...
-Não, então melhor marcar outra reunião amanhã, não vamos estudar sem o Aldebaran.
-Não precisam se preocupar, é que realmente eu não posso deixar o carro aqui, todo aberto. Podem voltar pros estudos.
-Não, não – Discordou Saga – A Kia também não está. Vamos deixar pra amanhã.
-Aldebaran... Você me levaria pra casa mesmo sem o vidro da frente? – Shaka perguntou encabulado.
-Claro, é só não se importar com o vento batendo em seu rosto...
-Pense bem, Deba, você ganhou um ar-condicionado grátis e biológico!
-Como você é sem graça, Máscara da Morte!
Os dois entraram no carro e foram embora. Aioria ofereceu carona para Saga. A dupla seguiu junta para a casa de Miro.
-Deu certo, Mask, está aqui.
-BELEZA, cara! Vamos agora pra casa do Miro!
-A sua idéia do tijolo na árvore foi sensacional, Mask, você é um gênio, cara!
-É! Deu certo e ainda bem que você é bem liso também. Nunca teria imaginado que você ia dar a volta. Eu não teria pensado nisso.
-Nessas horas é bom ter os meus pensamentos rápidos. Você não faz idéia!
-Ah faço! E pago muito pau!
-Nossa, Mask. Essa sua frase ficou muito gay.
Os dois caíram na gargalhada juntos.
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-Os generais nortistas, pressionados pela indignação da opinião pública ianque que exigia uma ação rápida de vingança contra os rebeldes do Sul, tiveram que preparar as tropa às pressas, a toque de tarol. O general Winfield Scott, o idoso comandante em chefe de então, porém, recomendou cautela. Para ele o Sul só seria derrotado por um lento premer, pela "estratégia da anaconda". – Aioros contava sobre a Guerra de Secessão quando foi interrompido pela campainha da casa de Miro.
O grego foi atender a porta, entediado. Não estava esperando ninguém. Quando a abriu, levou o maior susto.
-Vocês? Aqui? Agora?
-Não, nós somos hologramas, Miro, que você vai receber no futuro! – Exclamou Kanon.
Na mesma hora, Miro fechou a porta, ficando ao lado de fora.
-Mas que má educação, meu caro! Não vai nos convidar para entrar? – Máscara da Morte fazia questão de ser antipático.
-Minha casa está cheia. Meu grupo todo está aqui!
-E nós não podemos participar também?
-O Kamus acha muito estranho o meu envolvimento com vocês. Vai dar rolo. O que vocês querem?
-É impressão minha ou o francês te mete medo, grande Miro?
-Não, ele só colocaria tudo a perder.
-O que está em jogo?
-Eu não ajudei vocês com o plano pra desmascarar o Mu? Vamos parar com as perguntas e ir direto ao ponto.
-Sempre com respostas prontas, hein Miro?
-Não seja por isso, Kanon. Você também é cheio delas.
Vendo que não iam conseguir intimidar o rapaz, a dupla resolveu entregar o objeto que ele tanto queria.
-Bom, roubamos a blusa, está aqui. – Kanon entregou a jaqueta para Miro.
-Vocês são muito rápidos!
-Esperava o que da gente? – Máscara da Morte interveio – Nós somos profissionais.
-A Calíope vai adorar receber isso. – Seus olhos reluziam um fascínio ao dizer aquele nome. Kanon e Máscara da Morte perceberam algo estranho no ar.
-Então, coleguinha, como poderemos confiar em você?
-Simples, Máscara da Morte e Kanon, eu os defenderei. Agora, podem ir.
-Miro, só me responde uma coisa antes.
-O que foi, Kanon?
-O que VOCÊ tem contra o Mu?
-Nada. Bom, caras, preciso entrar. Agradeço muito. Boa sorte com o plano de vocês.
Miro entrou e fechou a porta.
-Kanon, ele gosta da orientadora.
-Sim, Mask. Ele gosta. Deu pra perceber.
-É, e ele não tem medo da gente.
-Sim, mas ele tem medo do Kamus.
A dupla entrou no carro e foi embora.
Miro deixou a jaqueta na lavanderia e voltou para a sala.
-Quem era? – Aioros ficou curiosíssimo.
-Vendedor de Bíblia. Ficou meia-hora falando.
Kamus olhou feio para Miro. O grego na mesma hora limpou a garganta e pediu para Aioros continuar.
O grego continuou a explicar sobre a Guerra e sobre como isso influenciou a América do Norte. No final da tarde, todos estavam quase dormindo na cadeira.
-Eu odeio história! Me dá sono! – Reclamou Shura.
-Shura, você não devia ter feito aquilo com o Afrodite hoje de manhã.
-Não começa Dohko! Ele beijava a Shina na minha frente o tempo todo. Estava na hora dele pagar o preço.
-Ele não fazia de propósito! Eles se gostavam!
-Dohko, você devia era se mexer e ir atrás da sua menina ao invés de ficar me criticando, sabia?
Dohko se calou. Todos ficaram em silêncio.
-Bom, então, pessoal, eu vou embora... Alguém quer ir comigo?
-Eu vou, Aioros. Amanhã a gente se vê na escola, povo.
-Eu também vou indo. Quer ir junto comigo, Kamus?
-Não, obrigado, Dohko. Eu vou ficar mais um pouco, quero conversar com o Miro.
Os três deixaram a casa de Miro um pouco curiosos e pensativos. Quando o grego fechou a porta, Kamus estava de braços cruzados em sua posição impassível de sempre. Acompanhou o amigo com os olhos, até que este se sentou em uma das cadeiras da sala. O francês continuou de pé.
-Quem era aquela hora na porta, Miro?
-Era um vendedor de bíblia, Kamus.
-Vivemos num país politeísta, Miro. Não cola comigo. Eram aqueles dois marginais, não eram?
Miro mordeu os lábios. Os olhos rápidos percorreram a sala em segundos.
-Tudo bem, Kamus. Eram os dois.
-Por que você se envolve com eles? Miro...
-Eu não te disse que eles iam me ajudar a conseguir a prova concreta do roubo das provas?
-Disse.
-Eles conseguiram, amanhã eu vou levar para a Calíope e ela vai ficar orgulhosa de mim!
-Você só está fazendo isso tudo por causa dela?
-Kamus, você sabe muito bem que eu amo aquela mulher! Eu faço de tudo pra ficar com ela, por apenas um olhar dela. Só de ouvir aquela voz macia dela e aveludada, me sinto entorpecido...
-Você só pode estar louco. Ela não vai ficar com você, Miro. Isso tudo é coisa da sua cabeça. Está na hora de você enxergar a realidade!
-Sabe qual é o seu problema, Kamus? Você só pensa em você e não nos outros! É egoísta e só se move por causa própria.
-Não sou egoísta e você sabe muito bem disso.
-Kamus, por que você dá essas indiretas pra mim?
-Você é muito cínico. Bom, a minha dúvida foi respondida. Você ainda vai se meter em confusão e quando isso acontecer, fique longe de mim.
-Só por causa da Calíope?
-Vou indo, Miro. Até mais.
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-Alô?
-Oi, não diga meu nome. Não quero que seu irmão saiba que sou eu, Kanon.
-Beleza.
-Eu tentei falar com a Lígea, mas ela não quis nem saber de você.
-Eu já deduzia.
-Então por que me fez passar por essa situação ridícula?
-Você merece. Mas não se preocupe, as fotos serão usadas só em último caso, baby.
-Kanon! Eu juro que vou terminar com seu irmão! Só não sei como!
-Seu tempo está se esgotando... Agora, quer me falar mais alguma coisa?
-Não mostra pra ele nada, é o que peço, te imploro!
-Algo mais?
-Kanon...
-Até amanhã. Boa noite.
Kanon desligou o telefone. Segurou o fone pensativo.
"Amanhã... O dia será de fortes emoções..."
