Sim! Precisei fazer o que fiz com o Mu, afinal, nem sempre o culpado é quem leva a verdadeira culpa. O Saga foi meio violento, mas sei lá, achei que já tinha passado da hora de ele se impor. Sobre a Kia, vamos ver, não é? Obrigada pelas reviews mais uma vez. E vamos seguir. Beijão!

Capítulo 26

Sentimento de Derrota

Saga tomou o café da manhã como de costume. Os olhos inchados eram notáveis, por causa da noite anterior, se debulhando em lágrimas. Kanon o olhava com piedade. Isso foi suficiente para Saga se irritar.

-Não preciso que você sinta dó de mim.

-Não estou com pena de você, estou preocupado, só isso.

-Eu preciso pedir-lhe desculpas por ter duvidado de você, irmão. Você tentou de todas as formas me mostrar quem a Kia era e eu não dei ouvidos. Me sinto muito culpado por isso.

-Não esquenta com isso... Era óbvio que você não ia acreditar em mim, depois de tudo o que eu já fiz.

-Vamos deixar o passado no passado, Kanon.

-Como é que você vai abordar a Kia, irmão?

-Com cinismo. Ela não merece compaixão.

-Isso mesmo, mostre que você é superior!

-Me sinto um completo idiota e retardado, irmão. Não sei como vou encarar a todos no colégio hoje...

-Saga, se isso te anima, acho que só eu e o Máscara da Morte que sabíamos dessa traição...

-Duvido, não de você, mas sempre o traído é o último a saber.

-Acho que não nesse caso, irmão. De qualquer forma, saiba que estou ao seu lado. Se precisar socar a vaquinha, me chame.

-Não vou mais socar ninguém. Obrigado por me mostrar a verdade.

-Se precisar, é só chamar, irmão.

Os dois terminaram o desjejum e partiram para o colégio.

Chegando lá, Aldebaran e Dohko esperavam o colega na porta da escola. Kanon prosseguiu sem o irmão. Era melhor não se meter no assunto até ser chamado.

-Oi, Saga, como você está? – Perguntou Dohko. A preocupação ainda não havia passado.

-Estou bem, mas é claro. Por que eu haveria de estar mal?

-Desculpe – Aldebaran tomou a palavra – Mas nós sabemos o que aconteceu.

-Que ótimo. Vão me delatar então por ter surrado o seu melhor amigo, Aldebaran? Além de tudo, eu vou levar suspensão por ter agido certo... E vocês já sabiam da história e não me contaram!

-Não, Saga, não vamos te delatar, mas também você não agiu certo. Violência não leva a lugar nenhum. Eu já sabia, o Dohko soube ontem, quando encontramos o Mu desmaiado no banheiro.

-E se sentir um corno, leva, não é? Acho que você deve saber bem o que é ser corno. É do signo de Touro.

-Espere aí, Saga, não é assim – Interveio Dohko – Nós sabemos da sua dor, tanto que não comentamos com ninguém.

-Isso é bom. Assim, faço menos papel de palhaço.

-É, mas o Mu está com duas costelas quebradas, o braço dele luxou e quase perdeu os dentes.

-Eu devia tê-lo agredido mais, então...

-Saga, entendemos o seu nervosismo, mas não era para tanto. Quem foi procurar o Mu foi a Kia.

-E eu vou acreditar nisso?

-Deveria, porque a Lígea vivia me dizendo que ela sabia que a Kia não gostava de você. Eu achava que ela estava com inveja ou inventando motivo para brigar com os outros.

-Escute o Dohko, Saga. Por mais errado que o Mu possa estar nessa situação, ela é pior. Fingia que gostava de você. O Mu estava completamente perturbado por causa dessa história.

-E eu sou o Tony Blair¹.

-Não da pra conversar com você nervoso. Mesmo assim, nós sabemos que você vai entender isso quando chegar a hora. Nós estamos do seu lado. Pode contar com a gente.

-Obrigado.

-O que vai fazer com a Kia?

-Não interessa, Aldebaran. Só peço que não espalhem essa história por aí. Quero acertar as contas com ela da minha maneira. Já pedi ao meu irmão pra ficar calado e ele não vai me decepcionar.

-Esperamos que você saiba o que está fazendo.

-Sei sim. Sei muito bem...

Os três foram juntos para a sala de aula. Quando chegaram lá, Kia já estava na sala conversando com Helena, uma grega de cabelos dourados. Lígea fazia contas em sua calculadora, sentada em sua carteira. Dohko ficou parado na porta, observando a garota.

-Acho que agora seria a sua chance pra falar com ela, cara...

-Ela vai me detonar...

-Não. Explica pra ela o que você sabe, diz que você devia ter dado ouvido a ela. Peça desculpas por ter duvidado da sua palavra e que está arrependido. Ela tem um bom coração, Dohko. É durona, mas tem bom coração.

-Não sei...

-Vou chamá-la.

-Espere, Aldebaran!

O brasileiro ignorou o pedido do colega e foi até a carteira da grega. Falou um pouco, ela lançou um olhar para Dohko, resmungou alguma coisa, mas por fim, foi até a porta da sala.

-Oi. É melhor que seja muito importante o que você quer me dizer, pois você sabe que eu não quero mais falar contigo.

-Oi... Será que você não pode vir aqui fora um minuto?

Lígea cruzou os braços e saiu da classe, contrariada.

-Pronto. Pode começar a falar.

-Me desculpa.

-Hum... Bom começo. Pelo quê?

-Em primeiro lugar, por causa das notas falsificadas. Eu realmente fui um idiota por ter feito aquilo. Aquilo só me trouxe coisas ruins...

-Sem sentimentalismo agora, Dohko. Eu sei que aquilo trouxe problemas para todos. O que mais?

-Você... Estava certa sobre a Kia. Ela não gostava do Saga mesmo.

Os dois se encararam em silêncio.

-Era só isso?

-Desculpe por ter duvidado da sua palavra. Você às vezes é tão enérgica que eu acho que você quer criar briga com quem não merece...

-Como chegou a essa conclusão sobre o Saga, Dohko?

-Ontem, o Saga a viu beijando o Mu no jardim central...

-CADELA!

Todos que estavam no corredor pararam para olhar para o casal que conversava.

-Lígea, por favor, fale baixo, o Saga nos pediu segredo.

-Temos é que espalhar como essa menina é uma tremenda vadia!

-Não! Lígea, pensa em como Saga pode ficar envergonhado com todos sabendo que ele foi traído...

-É, pode ser... – Ela começou a recuperar o fôlego – Bom, é isso aí, eu tinha razão de desconfiar dela. E o Mu, cadê?

-Está no hospital, apanhou muito feio do Saga...

-A Kia também merece apanhar.

-Esquece a violência. Bom, eu só queria pedir desculpas por ter duvidado da sua palavra...

-Beleza.

Dohko a olhou nos olhos novamente antes de se virar e caminhar para sua classe. Quando já estava quase na porta, ouviu Lígea dizer.

-Está desculpado... Senti muita falta da sua amizade.

Dohko largou a mochila ali no chão e correu para dar um grande abraço na amiga. Ela retribuiu o abraço com carinho.

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-Vai lá, Shaka! Manda ver!

-Ela está rodeada de meninas, Aioria!

-Você disse que ia convidá-la pra sair ontem na saída e não fez porque ela estava rodeada de amigas! Larga mão de ser medroso!

-Não quero atrapalhar ninguém.

-Iii... Cadê o Shaka de ontem? Sem complexo de inferioridade?

-Mas assim, rodeada de garotas é sacanagem!

-Shaka, vai ser ridículo se eu chegar lá e disser que você quer falar com ela.

-Depois eu vou.

-Vai AGORA. Vai! – Aioria começou a empurrar o indiano à força.

-Pára, Aioria!

-Não, você vai agora! Vamos! – Aioria puxava Shaka pelo braço, depois o empurrava pelas costas.

Já estavam bem próximos quando Aioria deu uma grande investida contra o amigo que não conseguiu se segurar e caiu estatelado no chão, chamando a atenção de todas as garotas que estavam conversando.

Tratou de se levantar o mais depressa possível. Olhou para trás com raiva para Aioria e depois voltou a olhar para frente. Ficou vermelho, depois deu um sorriso amarelo. As meninas ficaram sem entender o motivo daquela cena bizarra.

-Er... Oi.

-Oi! – Todas elas responderam rindo.

Aioria ria da situação, nas costas do amigo.

-Quer falar comigo, Shaka? – Nínel resolveu facilitar. Shaka já tinha passado por aquela situação embaraçosa o suficiente.

-Si-sim!

-Meninas, encontro vocês depois!

Elas saíram rindo do pátio. Nínel sorria para o garoto loiro, de grandes olhos azuis.

-Diga, Shaka.

-Er... Nínel, lembra que você me convidou pra gente comer um doce na nova doceria do centro?

-Sim, me lembro. Mas você precisava estudar.

-Então... Se...

-Se...?

-Se você quiser, eu vou com você no domingo!

-Mas e os estudos?

-Eu estudo no sábado, aí no domingo não vai ter problema. Se você quiser, leva seus livros que eu tento te ajudar!

-Hahaha! Shaka, você é uma gracinha. Combinado, domingo, quatro horas, tá bom?

-Tá bom sim!

Nínel deu um beijo no rosto do indiano, que ficou completamente corado.

-Até depois!

Shaka ficou parado, que nem um bobo, olhando a garota se perder de sua vista.

-Mandou bem, meu chapa!

-Aioria, da próxima vez...

-Você tem que me agradecer! Parabéns! Está virando um homem de verdade!

Nem Shaka conseguiu segurar a risada após esse comentário. Os dois subiram para a sala rindo.

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Durante as aulas todos perguntavam o motivo de Mu ter faltado. Aldebaran, Saga, Kanon e Máscara da Morte ficaram quietos e negavam informações sobre qualquer paradeiro do garoto. Embora Kia soubesse disfarçar bem sua curiosidade, seus olhos não negavam a falta que o garoto fazia para ela, simplesmente pelo fato de estar ali, no mesmo ambiente. E Saga, depois de saber de tudo, conseguia interpretar aquele olhar.

Por um lado era bom o grego sempre manter a pose de misterioso, assim era mais fácil colocar seu plano em prática, sem ser descoberto.

Os garotos foram almoçar após a aula e Saga fez questão de se sentar a sós com a namorada. Desde a noite anterior, estava esperando por aquele momento. Lígea e Dohko os observavam de longe. Acharam melhor estarem por perto, para segurar o amigo, caso ele resolvesse partir para cima de Kia, assim como fez com Mu.

-Então, minha querida e lindíssima namorada, onde está o seu sorriso que vejo em todas as manhãs?

-Estou sorrindo, querido. É você que não está reparando...

-Kia, sabe que a cada dia que passa, eu a amo mais... – Saga pegou a mão da garota e a beijou com carinho.

O casal que observava de longe ficava cada vez mais intrigado com o carinho de Saga por Kia.

-Eu também, querido... Eu também...

-Kia, você sabe que dia é hoje?

-Dia 17 de março, Saga.

-Sim, claro, mas sabe que dia é hoje?

-Terça-feira, temos aulas extras...

-Ah, então você não se lembra...

-Do quê, minha paixão?

-Hoje faz 2 meses que estamos juntos, minha linda!

Kia corou. Como podia ter esquecido daquilo?

-Ai Saga, me perdoe, eu não sou muito ligada com datas...

-Tudo bem, eu perdôo, querida... Eu também não dava bola para datas antigamente... Mas é que dessa vez eu estou tão apaixonado que cada minuto, cada momento, cada dia é cronometrado...

-Puxa, eu nem sei o que dizer...

-Me diga sempre a verdade, me diga que você vai ficar comigo para sempre...

-Saga, eu...

-Kia, eu queria te dar um presente.

-Mas eu não comprei nada pra você, querido!

-Isso me impede de presenteá-la?

-Não, mas é que eu fico sem graça... Você foi todo fofo, se lembrou da data...

-Já disse que não importa isso, desde de que ame...

Saga tirou do bolso um saquinho de veludo e deu nas mãos da namorada. Kia arregalou os olhos. Com delicadeza, ela abriu o pequeno presente e ficou chocada com o conteúdo. Seus olhos brilhavam.

-É uma jóia de verdade, querida... Deixe-me colocar em seu pescoço.

Ela ficou parada. Saga se levantou, ficou atrás das costas da garota e prendeu o cordão de ouro branco em seu pescoço.

-Veja, nossa, ficou lindo em você!

-Você achou mesmo, Saga?

-Sim! Eu até pensei em comprar um outro pingente para colocar junto com o do Signo de Câncer, mas era muito caro. Ia até comprar o de Gêmeos, mas sempre achei o de Áries bem mais bonito.

Se Kia não estivesse tão impressionada com o presente, talvez teria prestado mais atenção no tom das palavras de Saga.

-O que disse, querido?

-Que você fica linda de qualquer jeito.

Kia sorriu e deu um abraço enorme no namorado.

"Vadia e interesseira!" – Pensava Saga enquanto sorria ao abraçá-la.

-Kia, você vai ficar por aqui ou vai voltar para casa, até o tempo da aula de esgrima?

-Então, querido, eu vou voltar por causa da Anisah, mas volto para a aula sim.

-Está certo, eu vou ficar por aqui. Então, eu te espero.

-Saga, eu amei o presente! Muito obrigada...

-Você merece, Kia. Esse e muito mais...

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-Saga, o que foi aquilo?

-Você já sabe, não é Lígea?

-Eu já sabia desde o princípio, Saga. Eu até comentei com o Dohko, mas para variar... As pessoas acham que EU é que sou a invejosa, mentirosa...

Dohko olhou de canto para a garota.

-Nem vem, Dohko! Você sabe que é isso mesmo.

-Lígea, olha, eu já te expliquei...

-Se vocês quiserem discutir entre vocês, não façam isso na minha frente. Qual é Lígea, eu confiava em você, por que não me disse antes?

-Em primeiro lugar, Saga, eu não sabia que era o Mu. Sabia que ela não te curtia, mas que te traía não. E olha, por mais que ele possa estar errado nessa história, ela é muito mais. E você ainda deu um presente pra ela!

-Lígea, acho que você não entendeu onde quero chegar. Estou tratando ela com o mesmo cinismo que ela me trata. E vou pedir um favor a vocês dois. Vão visitar o Mu no hospital e digam a ele para não abrir a boca sobre o ocorrido. Vou colocar o Aldebaran na cola dele, ela não vai nunca conseguir chegar nele antes da minha cartada final.

-Qual vai ser sua cartada final, Saga?

-Isso é da minha conta, Lígea. Façam o que eu disse. Digam pra ele inventar que levou um tombo na casa dele, que apanhou na rua. Enfim, vai ficar menos feio pra ele de qualquer forma. Eu só preciso EU dar a cartada final, vocês entenderam?

Saga falava com tanta firmeza e raiva que os dois apenas concordaram com a cabeça.

-Nos vemos na aula de Esgrima.

O grego saiu andando, com a mesma firmeza que falou.

-Até eu fiquei agora com medo do Saga, Lígea.

-Eu também. Saindo da Esgrima, vamos nós dois no hospital visitar a criatura...

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-Shura, você não está preocupado com o Afrodite?

-Não.

-Mas que insensibilidade é essa?

-Aioros, e eu sou lá gay pra me preocupar com a biba?

-Mas ele faltou da aula 2 dias seguidos!

-Eu não tenho culpa se "ela" não consegue lidar com suas próprias emoções.

-Shura, você deveria ter vergonha de tratar um semelhante seu dessa maneira.

-Aioros, por que você não se ocupa da sua garota ao invés de vir me encher o saco?

-Bom Shura, eu sou seu amigo, mas eu me importo com os outros também e me desagrada a idéia de você viver brigando com o Afrodite.

-"We are the world... We are the children..." ou melhor... "Imagine all the people"... Fala isso pro Dohko que é mais a cara dele, beleza? Comigo as coisas são assim, ele deu mole, eu aproveitei e estou bem na fita. Agora, vamos mudar de assunto.

-Tudo bem então...

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Durante as aulas de xadrez, Shaka ficou sem seu parceiro. O professor Ícaro perguntou por Mu, mas como o indiano ignorava o paradeiro do colega, o próprio Ícaro fez dupla com ele. Para Shaka era um desafio enorme enfrentar o seu mestre de xadrez.

Shina olhava fixamente para a cadeira vazia, que Afrodite sempre ocupava, ao seu lado e sentia algo estranho dentro do seu peito. O vazio incomodava muito. Eulália não parava de chamar a atenção da garota. Shina conseguiu furar seu dedo com uma agulha de tão distraída que estava.

Kanon realmente decidiu de parar de investir em Lígea, pois percebeu que ela e Dohko juntos eram imbatíveis. Fixou-se em outra candidata: Nix. Começou a se empenhar em pintura como nunca e atraía os olhares doces e curiosos da misteriosa professora, como a sombra da noite. A Esgrima não era a mesma sem Afrodite e Mu. Shaka formou dupla com Aldebaran, já que os dois estavam sem opções. Perseu a cada dia se surpreendia com os dotes de Shura, ao final da aula, convidou o rapaz para uma competição que ia acontecer em duas semanas em Esparta. Logicamente que o garoto aceitou orgulhoso. A aula de Culinária, como sempre escassa de alunos, fazia com que a Professora Jocasta se lamentasse cada vez mais.

-Todos precisam comer! Precisam saber cozinhar para se virar! – Dizia ela com a voz chorosa.

Mas para o mundo atual, onde tudo podia ser encontrado congelado e industrializado, cozinhar era coisa para quem tinha dom, para quem realmente se interessava por aquela arte.

Lígea e Dohko resolveram esperar Aldebaran sair da aula para irem visitar Mu. O brasileiro saiu acompanhado de Kamus.

-Vamos Aldebaran? – Dohko perguntou meio inquieto, incomodado pela presença do francês.

-Sim. Kamus, podemos combinar de preparar o prato no final de semana.

-Claro, Aldebaran. Até amanhã.

Quando Kamus se retirou, os dois colegas puderam respirar aliviados.

-Garotos, o Kamus é uma pessoa extremamente discreta. Se fosse qualquer outro, já lotaria a gente de perguntas.

-É verdade, o francês é muito maduro.

-Concordo, Dohko.

-Vamos com meu carro. Se vocês ouvirem muito barulho dentro dele, não liguem. Final de semana eu fui estudar na casa do Mu e estouraram meu vidro do painel com um tijolo. Os caras da oficina consertaram, mas não ficou muito bom.

-Roubaram alguma coisa, Aldebaran?

-Não Dohko, acho que foi brincadeira de criança.

-Brincadeira de extremo mau gosto. – Completou Lígea.

Durante o caminho, o casal comentou com o brasileiro sobre o que Saga havia dito a eles. Os três ficaram pensativos. Chegaram no estabelecimento faltando pouco tempo para o término do horário de visitas. Se apressaram, pois o assunto era sério.

-Olá, Mu!

-Oi, nossa, que bom ver vocês. Ficar sozinho é muito ruim.

-Demoramos, pois hoje era o dia das aulas extras.

-Que droga não ter ido. O pessoal todo já sabe, não é? – Mu perguntou ao ver Lígea acompanhando os dois rapazes.

-Que estrago o Saga te fez, não? Mas você mereceu.

-Lígea, vai se unir ao Aldebaran com os comentários destrutivos?

-Ora ora, finalmente Touro e Escorpião se entendendo...

-Como está se sentindo? – Dohko fez questão de intervir no assunto para não deixar que novas alfinetadas surgissem.

-Melhor que ontem. O médico disse que saio na sexta-feira.

-Quando voltará para a escola?

-Não sei se volto.

-Já falei pra você deixar de besteiras!

-Aldebaran, pense em como eu me sinto. Vou ter que encarar Saga na frente de todos.

-Eu acho que você tem que mostrar que está disposto a reparar seu erro a ele.

-É verdade, Mu. Assumir o erro é um grande passo para os outros enxergarem que você não agiu de má índole.

-O Dohko tem razão – Concluiu Aldebaran – Você sabe que errou e tem que fazer a sua parte, pedindo desculpas.

-Por mais chata que esteja a sua situação, para a Kia vai ficar pior.

Mu encarou os três, pensativo.

-A Kia ainda não sabe?

-Não. Aliás, viemos aqui te trazer um recado do Saga.

-Vocês não deram o endereço do hospital e nem o número do meu quarto para ele, não é? – Mu estava com uma expressão de pânico no rosto.

-Claro que não.

-Ainda bem, porque do jeito que ele está, capaz de querer terminar de me matar.

-O Saga pediu que você fique longe da Kia até ele acabar com ela. – Disse Lígea com veemência.

-Ele vai bater nela?

-Deveria!

-Não! – Dohko olhou feio para a amiga – Mu, ele quer ver até onde o cinismo da Kia vai.

-Mas aí, ele vai demorar muito tempo para chegar onde quer.

-Sério, Mu? – Lígea perguntava incrédula.

O tibetano apenas concordou com a cabeça.

-O que a gente diz ao povo sobre você? Todos perguntaram de você hoje e a gente não sabia o que dizer. Ele também pediu que você não falasse da surra que ele te deu.

-Mas o pessoal ainda não sabe, Aldebaran?

-Não. Não vamos expor ninguém.

Mu ficou pensativo novamente. Os três o olhavam com pena, por seu estado deplorável.

-Digam que fui atropelado, então.

-Certo... – Os três concordaram com a decisão do rapaz.

-Mas, a Kia vai querer vir me ver.

-Mas virá acompanhada do Saga. – Disse Dohko firmemente.

-Vocês não conhecem a Kia. Ela faz as coisas sem pensar em conseqüências. Estou aqui, nessa cama, todo quebrado por causa da insanidade mental da garota. Vai vir sozinha de qualquer jeito.

-Eu vou dormir aqui com você durante esses dias, até pra não te deixar sozinho. – Aldebaran disse – E se você permitir, fico alguns dias na sua casa, para evitar situações desagradáveis.

-Nesse caso – Mu suspirou – Tudo bem. Eu ainda gostaria de viver um pouco mais.

-Vai viver, eu te garanto.

Foi o tempo suficiente de conversa até que uma das enfermeiras que cuidava do andar chegasse ao quarto e os expulsasse do hospital.

Antes de entrarem no carro, Aldebaran comentou:

-Ele está mal... Saga pegou muito pesado.

-É, quando ele ficou sabendo, ficou furioso.

-Bah! Eu continuo concordando com o Saga. A Kia não merece o chão que pisa!

-Você me jurou que não ia fazer nada, Lígea!

-É, Dohko. Por sua causa e por respeito ao Saga.

-É... Porque se fosse por ela, Dohko, pegava uma AR-15 e metia bala na menina.

-Sabe que essa não é uma má idéia, Aldebaran?

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Tony Blair, para quem não sabe, é o primeiro ministro da Inglaterra.

-"We are the world... We are the children..." e "Imagine all the people" – São trechos de músicas sobre a paz entre os homens. Hehehehe