Oi oi pessoal! Estou correndo, mas prometo responder as reviews. Bem, pra quem acha que Aioria e Shaka estavam meio de lado na história, mais um pouco dos dois nesse capítulo. E atenção pro final, hein! Muita coisa vai rolar! Obrigada sempre pelos elogios, críticas e sugestões!

Capítulo 29

Domingo de Descobertas

Meia hora antes de sair de casa, Shaka começou a ter surtos de pânico. Andava de um lado para o outro dentro de seu pequeno quarto. Se o colega que dormia junto com ele o visse naquele estado, certamente pediria para mudar de companheiro. A primeira coisa que conseguiu pensar foi em ligar para Aioria.

-Vou desmarcar o encontro! Vou ficar sem saber o que fazer, sem falar nada, vou acabar fazendo igual ao seu irmão, aí o negócio vai ficar feio, vou morrer de vergonha e sair correndo!

-Boa tarde... Quem é que está falando?

-Aioria, aqui é o Shaka! É sério, vou desmarcar tudo!

-Ai Shaka, larga de ser trouxa! A Nínel é bem extrovertida, vai saber quebrar o gelo se você ficar tímido.

-Melhor eu desmarcar e ficar em casa.

-Você vai a esse encontro.

-Não.

-Shaka! Escute bem! Eu segui as suas recomendações e deu certo. Agora você vai seguir as minhas e vai ser homem.

-Estou morrendo de vergonha, Aioria... Vou ligar lá e desmarcar, passar para um outro dia...

-Pra daí no outro dia você inventar outra desculpa e não ir. Estou indo para aí agora. Se você desmarcar esse encontro, considere-se um cara morto. Eu mesmo acabo com você.

Em menos de 20 minutos Aioria estava na porta do pensionato onde Shaka morava. Marin o estava acompanhando.

-Você vai vestido assim? - Aioria olhava para o relógio - Vai logo, filho de Buda, trocar de roupa.

-Eu tenho 10 minutos para cancelar. Você não está entendendo...

-Estou sim, acontece que esses lances de encontro não são que nem Matemática que você calcula e dá um resultado certo e é isso que você precisa aprender. Falta isso pra você aprender e ser um cara perfeito, como eu.

-Menos, Aioria, bem menos... - Marin falava com tom de reprovação - Shaka, coloque esta camisa cáqui e essa calça marrom... Vai ficar lindo. Prenda seus cabelos, Nínel ama seus cabelos presos.

-Vocês não entendem...

-Shaka, se veste logo. Larga mão de frescura. Você vai, nem que seja amarrado!

-Calma, Aioria. Shaka, vista-se como eu disse. Vamos rápido, o tempo está passando.

Fizeram o indiano se produzir. Ele pegou o presente e o colocou no bolso da calça. Estava impecável. Marin até se surpreendeu em como Shaka era lindo.

No carro, o grego dirigia nervoso.

-Maldito trânsito!

-Eu não quero ir! Na Índia isso seria considerado um sinal de que as coisas não dariam certo!

-Mas que bebê chorão! Em primeiro lugar, estamos em Atenas, graças a Zeus, pois eu odiaria viver sob essas regras de sinais do acaso e da intuição. Em segundo lugar, Marin e eu estaremos lá, caso você faça besteira!

Shaka batia o queixo de nervoso.

-Shaka - Marin se virou para o banco de trás do carro e segurou a mão fria do indiano - A Nínel é uma menina fantástica, tem bom papo. Vocês dois não precisam acelerar nada, sabe? Deixa rolar, deixa acontecer... Na festa vocês dois estavam lindos juntos, só conversando. Deixe as coisas fluírem... Isso deve ocorrer naturalmente...

-Que coisas, Marin?

-Como que coisas, Shaka? Beijos, abraços, pegar na mão, cafuné...

-Marin, eu...

-Qual teu problema, loirão? - Aioria perguntava nervoso enquanto reduzia a marcha do carro.

-É que eu não falei isso pra ninguém... Nunca... Sempre foi um segredo...

-Aioria e eu não vamos espalhar nada. Pode dizer sem medo de nada...

-Eu... Er... Bem...

-Você...?

-Eu... Nunca... Nunca beijei... Uma menina...

Aioria deu uma freada brusca.

-VOCÊ O QUÊ?

-Calma, Aioria! Vai ver ele está nervoso por causa disso! Você é muito impulsivo!

-Você é "BV"!

-O que é "BV"?

-Boca virgem... - Respondeu Marin olhando feio para o namorado.

-Hahahahaha! - Aioria começou a rir - Tinha de ser Shaka de Virgem!

-Não tem graça, Aioria.

-Shaka, relaxe. Siga seus instintos, não tem nada demais nunca ter beijado. Até é bom, fazer isso somente quando está apaixonado. Não que nem o Aioria, Máscara da Morte, Kanon que saem por aí, beijando todo mundo. É muito melhor com química do que beijar apenas mecanicamente.

-Vou decepcionar a Nínel...

-Não vai. Ela gosta do Shaka inteligente, culto, nota 10. Conhece seu jeito e vai facilitar tudo.

Aioria ainda não tinha parado de rir. Imaginava de tudo, menos que Shaka nunca tivesse beijado uma menina. Logo chegaram e Nínel já estava na porta, esperando. Estava linda, com um vestido verde até a altura dos joelhos e sapatos de boneca de salto. Cabelos soltos, penteados para o lado.

-Desce, ela já está aí.

-E vocês? - A voz de Shaka tremia ao falar.

-Vou estacionar o carro e depois pega muito mal você chegar escoltado. Ela combinou com você, não com a gente. Vai, desce, estaremos logo atrás de você. Não quer parecer um covarde, né?

-Aioria, pega leve! Shaka, confie em você. Logo estaremos lá. - Disse Marin depositando toda a sua confiança no indiano.

Shaka ficou observando as pessoas antes de descer. Respirou fundo e abriu a porta do carro. Quando começou a se aproximar do campo de visão de Nínel, a russa abriu um sorriso enorme.

-Privet!

-Pri-privet!

-Tudo bom? Está lindo, não?

-Sim e você? Você... É, você que está... Magnífica. - Shaka segurou na mão da garota e a contemplou de cima a baixo.

-Eu vou ficar melhor agora... Obrigada pelo elogio. - Nínel piscou para o garoto, que ficou vermelho.

Os dois escolheram uma mesa na calçada. Um garçom veio os atender. Pediram a especialidade da casa. Shaka ficou preocupado, pois não estava acostumado a comer aquele tipo de comida. Sua alimentação sempre foi muito bem selecionada e diferente do mundo ocidental. Ao invés de acompanhar Nínel na coca-cola, preferiu pedir um suco de abacaxi com hortelã. Ficou muito mais aliviado quando viu o casal amigo entrar na doceria.

Aioria e Marin tinham razão. A russa era uma pessoa espetacular e sabia conversar sobre tudo. Contou sobre todas as suas experiências na Rússia para o indiano que ficava cada vez mais fascinado com o lugar. Falou sobre Lenin, o regime Comunista, a Perestroika, sobre os antigos Czares e até mesmo sobre Tolstoi e Trotsky. Shaka revelou que adorava as sinfonias de Tchaikovsky e que o Lago dos Cisnes era perfeito. O ápice daquela conversa foi quando ela depois do comentário do rapaz sobre a música clássica, contou que tinha dançado durante 10 anos para o teatro Bolshoi em Moscou. Ele ficou maravilhado.

-Por que parou, Nínel?

-Vim para a Grécia, ué... Não tive como continuar...

-Que pena! Quando voltar, pretende seguir a carreira e voltar a dançar?

-Até gostaria. Pretendo unir meu amor pela dança com uma faculdade de Artes Cênicas. Adoro atuar. Aí, depois que eu estiver formada, quem sabe eu volto, aí, procuro o Bolshoi novamente...

-É mesmo, Nínel, nunca te vi dançar, mas se for igual como fala, vai ter um futuro promissor.

-Por que fala isso, Shaka?

-Vejo o brilho nos seus olhos. É como a Medicina para mim. Um sonho a ser conquistado, uma meta.

-Por que escolheu justo a Medicina, querido? - Nínel colocou a mão dela sobre a dele.

Shaka começou a contar a sua vida, desde a infância até os tempos atuais e mencionou que havia perdido os pais aos 2 anos de idade.

-Meus pais foram dizimados pela Cólera.

A partir daí, a russa conseguiu fazer a ligação de Shaka sonhar com a medicina. Era uma pessoa extremamente bondosa e altruísta. Contou que tinha crescido num orfanato, que as situações sempre foram horríveis, que na Índia as condições de higiene não eram como na Grécia, que via as pessoas morrendo de fome na rua, vacas andavam por todos os lados porque eram considerados animais sagrados, que sua religião era o Budismo e disse mais coisas sobre seus rituais. Por fim, contou para a garota uma curiosidade.

-Sabia que o Taj Mahal é um mausoléu, Nínel?

-Não! Jura? - Nínel ficou espantada.

-Sim, juro! - Shaka riu - É muito bonito, mas cheio de gente morta. É que na verdade, para nós, a morte não é o fim...

Aioria os olhava impaciente.

-Como é? Apenas vão ficar falando? Cadê a ação?

-Se acalme, homem! Eles têm o tempo deles, Aioria!

-Vou lá agora mesmo - Aioria se levantou - Mandar ele beijar logo aquela russa!

-Não vai não! - Marin puxou o braço do namorado, fazendo ele se sentar novamente - Vai ficar aqui, quieto, esperando o encontro deles acabar.

Se surpreenderam quando viram Shina e Shura entrando na doceria juntos. Os cumprimentaram de longe. Dava para notar que Shina sempre ficava constrangida quando via pessoas que conhecia quando estava acompanhada de seu namorado atual.

-Mas o Shura não perde tempo...

-Pois é... Coitadinho do Afrodite.

O encontro terminou sem beijo, mas os dois estavam muito felizes. Nínel adorou o par de brincos que ganhou e deu um beijo bem estalado na bochecha do indiano loiro. Era muito importante os dois se conhecerem antes de iniciarem qualquer coisa. Na volta para casa, Aioria foi o caminho todo protestando as atitudes do rapaz, ou melhor dizendo, a falta de atitude. Marin dizia para Shaka não dar ouvidos.

-A vida é sua, Shaka. Faz o que você achar melhor.

-Isso mesmo, Shaka, FAÇA.

-Aioria, como é que você nunca teve um ataque cardíaco com esse seu nervosismo extremo? - Perguntou a ruiva intrigada.

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Máscara da Morte abriu a porta para Miro entrar em seu apartamento. Quase teve um surto psicótico ao ver aquela desordem.

-Você vive aqui?

-Vivo, já vai começar a me criticar?

-Convenhamos, Máscara da Morte, você precisa ter uma arrumadeira.

-Não precisa me lembrar disso.

-Mas por quê?

-Eu tinha uma até eu ser preso... Vai ficar parado aí? Entra.

O grego entrou e seus olhos rápidos captavam todas as informações que podiam. Kanon surgiu dos fundos. Ele sorriu ao ver Miro. Os dois gregos apertaram-se as mãos para se cumprimentar.

-Conseguiu se livrar do Kamus?

-Sim, Kanon. Ele está dando aula particular para a Anisah, irmã da Kia.

-Nem me fale dessa mocréia vadia.

-Bom, vamos falar do roubo então? - Máscara da Morte interrompeu o assunto.

-Sim, aliás, a Kia me é uma grande suspeita. Vocês concordam?

-Não - Disse secamente Máscara da Morte - Já sabemos que o autor do crime é homem.

-Como? - A voz de Miro soava ansiosa.

Máscara da Morte indicou a cadeira para Miro se sentar. Depois, ele e Kanon se acomodaram na mesa. Acenderam seus cigarros, respiraram fundo, tiraram suas anotações de suas mochilas, fotos dos colegas e tudo o que tinham conseguido sobre os alunos do terceiro ano. Miro estava pasmo com aqueles dois.

-Vimos o ladrão em ação. - Disse o italiano.

-Viram? - Miro estava mais ansioso ainda - Na noite do crime?

-Não, um dia aí, ele agiu às escondidas, no final da tarde.

-É - continuou Kanon - Ele tinha escondido os pacotes todos dentro da própria escola.

-Muito burro.

-Ou muito inteligente, Mask.

Miro os olhava bastante interessado.

-Podem descrever a cena?

-O cara surgiu do nada, pegou os pacotes debaixo da raiz de um Flamboyant e saiu correndo.

-Ah é - Lembrou-se Máscara da Morte - Ele enfiou os pacotes dentro de uma mochila preta desconhecida. Depois que saiu correndo.

-E as características físicas... Ele não era muito alto assim... - Kanon fazia força para se lembrar.

-Então, Aldebaran está descartado.

-Sim e Shura também.

-Por que Shura, Kanon?

-Porque o ladrão tinha olhos grandes e azuis.

Miro os olhou desconfiado.

-Viram os olhos do ladrão?

-Com toda a certeza - Disse Máscara da Morte - Grandes e azuis. Só não temos a certeza exata da cor, porque como a luz era artificial, podemos ter nos confundido.

-Bom... Mas isso definitivamente não ajuda em muita coisa. Todos nós temos olhos claros...

-Pois é, Miro, mas é aí que começamos a pensar nos motivos. E também precisamos dar um jeito de descobrir como reconstituir a cena do crime.

-Posso ajudar, Kanon, mas antes, vamos ver os motivos.

-A vaquinha era uma suspeita, mas já foi confirmado que não foi ela que agiu, então, vou começar a falar do meu irmão.

-To anotando tudo, Kanon.

-Perfeito, Mask. Meu irmão é um CDF, vai bem em grego, é bom em esportes e sinceramente, pra ele, não seria problema fazer uma outra prova de Grego, afinal, foi o único que respondeu tudo...

-Ainda tem o fato de você viver em constante atrito com ele, vocês dois vivem se desafiando.

-Verdade, Mask.

-Prossigam.

-Shaka não faria nada, morre de medo de se ferrar e não poder estudar a tão sonhada medicina dele. Risco ele de qualquer possibilidade.

-Aioria? - Perguntou Miro curioso.

-Aioria bem que poderia ter agido, mas é muito nervoso e impulsivo. É muito inteligente, poderia ter bolado o plano numa boa, mas acredito que desistiria no meio do caminho por falta de paciência. - Disse Máscara da Morte, reflexivo.

-Da nossa turma acabou. Agora, da sua...

-Podem dizer.

-Duvido que Dohko se meteria nessa enrascada, não faz o perfil dele. Não gosta de encrencas e o ladrão não tinha o queixo do Dohko. Apesar dele ter modificado o boletim, acho que ele ia preferir pegar uma recuperação a se expor dessa maneira.

-Concordo, Máscara da Morte.

-Agora, temos um grande suspeito.

-Quem?

-Aioros.

-Aioros, Kanon?

-Sim. Pensando na cena do crime, só pode ter sido ele. As estátuas quebradas, a blusa rasgada. Isso é a cara do Aioros.

-O Kanon tem razão, Miro. Se a gente deixar o Aioros naquela escola 24 horas, ele transforma aquilo em ruínas!

-Fora que ele entra na farra facilmente! - Acrescentou Kanon.

-Não acredito que tenha sido ele.

-Por que não, Miro?

-Ele teria sido pego no ato. Se o alarme soou na hora em que o armário foi aberto, no pânico, ele no mínimo, saltaria da janela. E não me parece muito ligado em detalhes. Não teria tomado cuidado ao ponto de não deixar digitais. Ele pode ser menos impulsivo que o Aioria, mas não fica muito atrás.

-Golpe de sorte! - Comentou Máscara da Morte.

-O Aioros se confunde até na matéria que manda bem, dupla. Duvido. Ainda mais se submetendo a um crime. Pensem, o Aioros, bobalhão, roubando provas e segundo vocês, escondendo dentro do colégio? Ele não teria tanta sorte! Semana passada mesmo, ele mandou flores para a menina e a garota era alérgica.

-Putz, Kanon, risca esse cara da lista. Nunca vai ser ele. O Miro tem razão.

-Falando em razão... Temos o Kamus.

-Meu melhor amigo não faria isso.

-Seu melhor amigo é a pessoa mais estranha que eu conheço. Ele não gosta de garotas, não gosta de saber o que rola entre os amigos e foge do assunto do roubo.

-É analítico - Emendou Kanon - Sabe raciocinar, muito estudioso e raramente perde a calma.

-Além disso - Máscara da Morte retomou a palavra - Tudo pra ele necessita ser perfeito. Outro ponto, ele não mudou as notas. Isso faz dele menos suspeito.

-O Kamus jamais se envolveria nisso. Como disseram, ele é muito correto. Assumiria as consequências de um teste mal feito.

-Tem certeza, Miro?

-Absoluta. Ponho minha mão no fogo por ele.

-E o fato dele fugir do assunto?

-Quem não convive o tempo todo com o Kamus não o saca. Ele só se envolve com o que é do interesse dele... Não faz fofocas, não comenta nada da vida dele passada com ninguém e sempre guarda suas opiniões. Precisava ver o dia em que falaram que ele estava ficando com a Anisah... Impossível ser o Kamus.

Os três ficaram se olhando em silêncio por alguns minutos. Kanon acendeu outro cigarro.

-Bom... Se não foram Aioria, Aioros, Kamus, Aldebaran, Mu, Shaka, Dohko e Shura... Então só pode ter sido o meu irmão...

-Minha nossa, Kanon, você teria coragem de delatar o seu próprio irmão de ter feito isso?

Kanon ficou bastante pensativo e perturbado com aquela idéia de que Máscara da Morte tinha levantado.

-Perdoem interromper as suas preciosas indagações, Kanon e Máscara da Morte, mas será que não estão esquecendo de alguém?

-Não. Não colocamos nossos nomes, pois como estamos investigando, seria ridículo que um de nós tivesse roubado as provas.

-Logo, não sobrou mais ninguém. - Concluiu Máscara da Morte.

-Engano de vocês.

-Miro, conta com a gente ó - Kanon começou a falar os nomes - Aioria, Aioros, Aldebaran, Mu, Shaka, Dohko, eu, Mask, você Miro, Saga, Shura e Kamus.

-Hehehe - Miro riu tentando se controlar - Estão esquecendo sim.

-Então quem? - Máscara da Morte coçava a cabeça, confuso.

-Afrodite.

-Mas nem sonhando! - Exclamou Kanon - Ele se preocupa mais com o cabelo do que com a sua situação escolar!

-Imagina, arriscar a pele de bibelô dele? Nem a pau! Ele nem deve ligar pra nota! - Máscara da Morte debochou.

-Estão errados sobre o fato de ele não ligar para nota. Ele é um aluno exemplar e que eu saiba, ele os procurou para o tal serviço no boletim. Se não fosse encanado com nota, não teria nem se preocupado.

-Mas até aí, Miro, não vi motivos para a execução do nosso plano. Pode ter sido até mesmo o Shaka. Já que pra ele as notas são super importantes.

-Pois é, mas já reparou em como ele é excluído de tudo?

-Mas depois que ele começou a namorar a boazuda da Shina, ele ficou mais enturmado.

-Disse bem, Kanon, depois. O roubo foi quando?

-Uma semana após o teste.

-E o Afrodite começou a namorar a Shina quando?

-Hum... Na... Semana Cultural.

-Exato.

-BAH! Miro, alguém que usa pó de arroz na cara vai invadir o colégio tipo um James Bond?

-Máscara da Morte, entenda a seguinte coisa: Afrodite não é e nunca foi aceito por ninguém, principalmente por causa de sua personalidade. Ele conversa com algumas meninas, mas só, vive isolado da sociedade. Além do mais, ele mesmo disse que já fez de tudo para chamar nossa atenção.

-Quer dizer então que ele pode ser o culpado? Não sei.

-Kanon, pense comigo, que modo ele teria de provar que era homem e se aproximar da gente?

-Ficando com a gostosa da Shina.

-Mas eu não acabei de falar que o roubo foi antes?

-Miro, qual é! Você ta viajando.

-Pensem vocês dois. Ele roubou as provas pra provar que não tinha sexualidade duvidosa e conquistar a nossa amizade.

-E por que ele ficaria quieto esse tempo todo sem se pronunciar?

-Mas que pergunta mais sem cabimento, Máscara da Morte! Olha a repercussão que esse problema deu! Considerando que ele aja como uma menina mesmo, depois do que aconteceu, das ameaças, ele não ia abrir a boca mesmo!

Os dois trocaram olhares perplexos, mais ainda assim não estavam convencidos.

-Miro, a cena do crime, vamos reconstituir.

-Certo.

-O cara chega de madruga, pula o muro feito gato, entra na escola, sobe os andares correndo, se confunde com os pacotes, o alarme toca, derruba as estátuas, começa a driblar os seguranças, chega na quadra e usa a vara de salto em altura pra sair. Pula 3 metros de muro com uma das mãos ocupadas e sai ileso. Isso REALMENTE não tem cara do... Afrodite! É um chute na minha inteligência!

-Querem ver como tem? Você disse como gato, Kanon. Silencioso, tímido. Depois as estátuas, estando nervoso, óbvio que não vai prestar muita atenção em detalhes como aqueles. Não sendo pego, já estava de bom tamanho.

-Mas o Afrodite é muito ligado em detalhes, Miro.

-Máscara da Morte, calma que vem mais. Você realmente acha que como ele bateu nas estátuas por acidente, ele vai parar e querer reconstituir a peça? Estava mais interessado em se salvar. Voltando a cena do crime, ele abriu o armário com delicadeza. Alguém falou em arrombamento?

-Não... – Máscara da Morte arregalou os olhos.

-Pronto, foi sutil. O alarme tocou, aí vem o ponto crítico. Ele se desespera, olha para o armário e se depara com três pacotes, se confunde. Não dava tempo para ele avaliar os conteúdos dentro do envelope, pegou tudo pra não cometer nenhum erro. Saiu em disparada. Bateu em outra estátua, ela se quebra. Se esconde dos seguranças. Se fosse alguém como o Aioros, faria um barulho dos diabos para se esconder. A pessoa precisava ser discreta, ter passos leves e calculados, flutuantes. Na hora que avaliou que não havia mais ninguém, saiu do prédio e foi para o pátio.

-Por que então ele não saiu por onde entrou?

-Máscara da Morte, o alarme tocou, as luzes foram acesas, obviamente, que lugar é mais escuro e demoraria mais para as luzes serem acesas? A quadra de esportes. No mínimo ele percebeu que teria que se arriscar para poder sair do colégio. As varas de salto em altura estavam ali, dando sopa. Reuniu a coragem que lhe restava e pulou o muro.

-Mas ele não ia sair da escola sem nenhum arranhão. Estava com um dos braços ocupados.

-E quem disse que ele pulou o muro com os envelopes na mão?

-Então ele fez como? Mágica?

-Usem a cabeça... Kanon, pense em Física. Lançamento oblíquo.

-Como assim, lançamento oblíquo?

-Mask, o Miro está querendo dizer que ele jogou as coisas pra fora do colégio antes de saltar.

Máscara da Morte levou as mãos à cabeça.

-Minha nossa!

-Pois é, com as mãos livres, uma queda quase perfeita.

-Por que quase perfeita?

-Um pedaço da blusa ficou em cima do muro.

-Miro, você é um gênio!

-Nem tanto, Máscara da Morte...

-Mas espera aí. Por que então ele correria o risco de trazer esses envelopes de volta para a escola?

-Kanon, a Calíope me disse que dentro daquele armário não havia somente provas. Havia dinheiro, documentos, objetos pessoais e de valor do professor Eugeu.

-Mas aí se fosse eu, eu afanava tudo, ué!

-Mas você não é o Afrodite, Máscara da Morte. Ele apenas queria as provas, não devia estar interessado no resto das coisas. Vai ver, tentou levar pra escola novamente pra devolver os outros objetos. Quando viu que a segurança dobrou e que não ia conseguir devolver, aí ele decidiu o que fazer por conta própria.

-Havia muito dinheiro, Miro?

-O pagamento do mês, Kanon.

-Nossa, com um valor desses, dava pra fazer a festa, hein Kanon?

-É Mask... Dava pra conseguir umas roupas novas, comprar uns badulaques pra umas gatas... Curtir muitas baladas...

Miro revirou os olhos. Aqueles dois só pensavam em farra.

-Miro, sua dedução foi perfeita! Agora sairemos ilesos!

-Ainda não, Death Mask... Isso tudo que o Miro disse é teoria. Como poderemos provar concretamente?

-A blusa rasgada deve estar na casa dele.

-Ah não! – A mente de Máscara da Morte começou a trabalhar intensamente – Eu não vou me submeter a cometer MAIS um crime!

-É, Miro, isso já foi longe demais. Nós daqui a pouco vamos parar na cadeia junto com o ladrão, por ficar roubando as coisas.

-Ninguém precisa fazer nada, roubar mais nada não. É só pedir para a polícia abrir uma investigação contra o Afrodite. Eles vão até a casa dele e com toda certeza encontrarão a blusa rasgada.

-Mas pra você acusar alguém, precisa muito mais do que uma história dessas, Miro. Além do mais, o sueco pode muito bem negar tudo o que a gente disser.

-Mas é claro, ele não é tonto. Acontece que temos testemunhas que podem provar certas falas dele.

-Quem?

-Dohko. Dohko é o mais próximo dele na nossa sala. Uma vez, tivemos uma discussão na casa de Aioros sobre a Shina. Para variar, Afrodite e Shura começaram a se alfinetar. O sueco quase abandonou a casa do bobão e o Dohko foi atrás. Aí, uma vez que conversei com o Dohko sobre o roubo, o chinês me contou que ele disse que para tentar se aproximar da gente ele até poderia ter roubado as provas.

-O AFRODITE DISSE ISSO? EXATAMENTE ASSIM?

-Quem me disse foi o Dohko, Máscara da Morte. Quem precisaria confirmar essa história seria ele.

-Mas o Dohko jamais ia depor contra o Afrodite. Ele gosta de promover a paz entre todos.

-O Dohko é a favor do que é justo. Além dele, temos o Shura.

-O Shura também sabe dessas coisas?

-O Shura odeia o Afrodite, Kanon. Se ele souber que foi ele o culpado, vai se unir a nós para provar isso. Com certeza teria prazer em destruí-lo. Além do mais, tirando o sueco do caminho, ele ficaria com a Shina.

-Miro... Você é maligno.

-Não, Kanon. Só quero a escola longe de fofocas e mal falada. Se for preciso de artimanhas para descobrir o culpado, a gente faz. Tudo em favor da escola e da verdade.

-Me diz uma coisa, Miro – Kanon passou o braço por trás do pescoço do grego e o encarou bem nos olhos – Por que essa enorme preocupação com o nome da escola?

A dupla dinâmica esperava conseguir tirar Miro de sua concentração com aquela pergunta.

-Que universidade européia vai aceitar o curriculum escolar de uma escola onde há roubo, falsificação de notas? E a credibilidade?

Os dois ficaram em silêncio. Miro olhou no relógio, já passava das oito da noite. Se espreguiçou na cadeira e se levantou.

-Caras, preciso ir. Então estamos resolvidos?

-Você precisa fazer parte do nosso grupo, Miro. Você tem um cérebro brilhante. Formaríamos um trio incrível.

-Um trio incrível do mal? Não, não vou me envolver com vocês, não posso.

-Só porque somos considerados baderneiros, não é?

-Tem a ver também, mas acontece que estou apenas me unindo a vocês porque me ajudaram com a jaqueta do Mu e porque preciso limpar meu nome com a Calíope.

-Você curte aquela mulher, Miro?

-Não ponha palavras que eu não disse em minha boca, Kanon. Ela é uma mulher de respeito.

-E é por isso que você se interessaria por ela, não?

-Não. Olha, meu lance com vocês é confidencial, a orientadora não pode saber desse nosso envolvimento.

-Ah, claro, aí você vai lá e leva o mérito todo sozinho?

-Claro que não. Vocês dois vão comigo no dia da acusação, é claro. Sem vocês eu não teria chegado aonde cheguei. Devo tudo a vocês. Apenas sejamos discretos enquanto isso não acontece. Pessoal, preciso ir. Eu os procuro quando o plano for colocado em prática. Fiquem tranqüilos. A verdade aparecerá, vocês não ficarão mais encrencados. Até mais ver.

-Nós não sabemos como agradecer, Miro.

-Não precisam agradecer. Ajudando uns aos outros, tudo ficará bem. Obrigado por me receber, Máscara da Morte. Boa noite, Kanon.

-Ele é MUITO bom, hein? – Máscara da Morte fechou a porta.

Kanon acendeu um outro cigarro.

-É... Tão bom que chega até dar medo, Mask. Mas eu ainda acho que ele está fazendo isso por causa da gostosona da orientadora.

-Por mim, Kanon, tanto faz, desde que não comam meu rabo.

-Nossa... – Kanon arregalou os olhos – Imagine, o Afrodite, na prisão?

-Putz! Coitado... Dependendo do tempo que ele ficar lá, nem cirurgia vai resolver o problema dele.