Ai ai ai! Reta final! Gente, nem acredito! Hahahaha pelos meus cálculos, só mais uns 8 ou 9 capítulos e a gente finaliza a fic. Não sei se fico feliz ou se fico triste! Feliz porque adoro por demais os comentários de vocês, sugestões. E peço perdão. Assim que der tempo, eu respondo as reviews, vocês sabem. E triste porque é muito bom escrever. Nunca tinha gostado tanto de escrever! E as aventuras vão acabar! Buá! Mas vamos ao que interessa... Ao capítulo de hoje! Espero que gostem!

Capítulo 30

Perguntas sem respostas

-E aí, francês, tudo em cima? E aí, Anisah, tudo em ordem contigo?

-Oi Aioros. Tudo bem e você?

-Oi Aioros! – Respondeu Anisah, sorridente.

-Você tem sorte, Kamus, em ter um amigo como o Miro.

-Ora, mas por quê? – O francês estranhou o comentário do grego.

Anisah também olhava curiosa para Aioros.

-Como não sabe por que, Kamus?

-Olá pra vocês todos! – Miro chegou interrompendo o assunto.

-Bom dia, Miro, estava comentando sobre você agora mesmo, sobre ele ter sorte de ter um amigo como você.

Um sorriso maravilhoso e orgulhoso surgiu no rosto do grego.

-Não são todos que merecem a oitava maravilha do mundo como amigo.

-Pois é! Você arranjou uma verdadeira beldade para o seu melhor amigo, Miro.

O sorriso desapareceu de seu rosto na mesma hora. Começou a olhar torto para Aioros, porém, o grego não se tocava. Kamus e Anisah começaram a entender menos ainda do que tinham entendido.

-Como assim, beldade, Aioros?

Antes do grego responder, Miro se apressou.

-Tem dias que o Aioros esquece de tomar o remedinho e fala umas bobagens sem tamanho!

-Não estou falando bobagens, Miro! Estava fazendo um elogio! Se o Shura não fosse tão obcecado pela Shina, pensaria numa forma de me reaproximar da Ísis.

-Mas o que isso tem a ver com o comentário inicial, Aioros? – Perguntou Anisah mais confusa ainda.

-Foi por causa do Miro que você...

-Vocês viram? O Afrodite faltou de novo! – Miro interrompeu a conversa – Esse negócio do Shura ter se envolvido com a Shina está fazendo muito mal para ele.

-Bom dia, rapazes! – Dohko se aproximou do grupo – Já estão animados! Colocando as fofocas da semana em dia?

-Estávamos falando sobre as faltas de Afrodite. Desde quinta-feira que ele não aparece na escola...

-Será que não seria melhor a gente fazer uma visita pra ele hoje, após a aula? Eu realmente estou preocupado... Ele é super complexado, acha que nós o excluímos de tudo.

-É uma boa idéia, Dohko. Mas será que devíamos ir todos? Com certeza o Shura não vai fazer questão nenhuma de ir até lá.

-Pois é, precisamos fazer Shura e Afrodite se entenderem. Se a Shina fez a escolha dela, é porque viu que o sueco não tem nada a ver com ela.

-Mas se o Shura for, com certeza vai fazer o Afrodite se sentir pior. – Concluiu Anisah.

-Não se eu conversar com ele antes. – Disse Miro – Acho que eles precisam colocar o orgulho de lado. Quem fez a escolha foi a Shina, nem Shura e nem Afrodite têm culpa dos sentimentos da garota.

-É, eu também devo um pedido de desculpas para o garoto. Acho que eu peguei um pouco pesado quando disse a ele para não chorar.

-Não acredito que você chegou a essa conclusão sozinho, Kamus.

-Eu já disse que eu tenho sentimentos, Dohko. Vocês é que me interpretam mal.

-O Kamus é uma pessoa muito racional. Esse tipo de atitude que ele tem não é de insensibilidade, ele apenas analisa os sentimentos de modo lógico.

Todos olharam para Anisah como ela fosse um extraterrestre, mas todos, sem exceção, pensaram: "Essa garota é perfeita para o Kamus!"

-Então, combinado. Hoje após a aula, iremos todos na casa do sueco.

Os garotos concordaram. Miro resolveu ir conversar com Shura em particular e explicar a situação.

-E então decidimos ir até lá pra ele perceber como nós nos importamos com ele, pra ele não ser prejudicado na escola. O futuro dele está em jogo, Shura.

-Eu não tenho interesse algum em fazer as pazes com a bibinha. Não sou falso, não concordo com esse tipo de atitude.

-Shura, você não vive dizendo que é superior a ele, que é um homem de verdade?

-Mas é claro que sou tudo isso que você disse, Miro.

-Então, seja superior e vá prestar solidariedade ao colega. Você não precisa abraçar ele nem nada. Apenas faça a sua parte. Estamos para terminar o ano letivo, Shura, pense que interessante, deixar a escola e partir sem desavença alguma.

-Não gosto de ser falso.

Percebendo que o espanhol não ia dar o braço a torcer, precisava bolar um jeito para que tudo saísse bem, de uma forma pacífica. Resolveu atingir o colega dentro do seu peito.

-Me diz uma coisa, Shura. Por que a Shina terminou com o Afrodite?

-Porque ele não dava espaço pra ela respirar. Colava nela o tempo todo e discutia quando ela queria sair sozinha com as amigas.

-Hum... E por que ela começou a ficar com você?

-Porque eu disse a ela que ela tinha razão e que era importante a preservação da identidade.

-Certo, claro. Você está certíssimo. Mas você não nota que ela fica um pouco incomodada em ficar com você na frente dele?

-Claro, se eu estivesse no lugar dela, me sentiria da mesma forma.

-Então, cara, pensa em como ela se sentiria se soubesse que a sua situação de competição com o Afrodite foi resolvida. Ainda mais, se ela souber que foi VOCÊ que foi procurar o sueco para se acertar.

Shura parou um pouco para pensar nas palavras do grego. Ele estava completamente com razão.

-É verdade! Aí ela não vai querer ficar se escondendo dos outros quando estiver comigo! Miro, isso foi uma idéia genial!

-Então você vai, né?

-Claro. Tudo por causa da Shina.

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Depois do ocorrido com Saga e da suspensão que ele e Kia levaram a turma do terceiro ano A estava mais tranqüila. Pelo menos Mu estava se sentindo mais leve, embora não gostasse da idéia de Saga fazer mau juízo dele.

Kanon e Máscara da Morte estavam estranhamente quietos e apenas conversavam entre si.

-Quando será que vamos poder revelar a todos o que sabemos, Kanon?

-Quando Miro der a palavra final. Mas sabe, eu estava pensando em uma outra hipótese que ele não levantou.

-Em que hipótese?

-E se foram duas pessoas que executaram o roubo ao invés de uma?

-Mas, Kanon, quem que iria com o Afrodite, se ele não tem amigos?

-Não sei, mas com certeza tem gente que sabe sobre o roubo e fica calado.

-Está falando de quem?

-Mask, a gente sabe que o Mu não foi o autor do crime, mas você não percebe que ele se altera quando tocamos no assunto?

-Qualquer um se altera, Kanon. Se for para pensar assim, o Kamus também poderia saber de algo.

-Mas o Miro coloca a mão no fogo por seu melhor amigo.

-O Mu está muito ferrado, não acha? E outra, Kanon, o Mu se altera por qualquer bobagem. É super preocupado. Você já conseguiu trocar alguma idéia sobre o roubo com o seu irmão?

-Assim de forma pacífica não, sempre em tom de acusação.

-E se você tocasse no assunto com ele, totalmente de boa, como quem não quer nada... Aproveite agora que vocês estão mais unidos e converse com ele. Saga também é muito inteligente, o ponto de vista dele seria bastante interessante. Afinal, ainda não acusamos a florzinha de nada.

-Você acha mesmo que não poderia ter sido o Afrodite, Mask?

-Olha Kanon, depois da nossa conversa com o Miro, eu realmente acredito que tenha sido ele. Os motivos são muito fortes. Mas, acho que não devemos nos contentar apenas com aquela conversa. Devemos investigar mais.

-Então, é melhor avisar o Miro disso.

-Não. Só fale com ele se a sua conversa com o Saga der resultados. Mas tipo, nem fala pra ele que estamos indo atrás do autor. Joga o assunto e não comenta nada. Deixe que ele fale por si. Aí você me conta e a gente decide o que fazer.

-Pode ser, Mask. Meu irmão realmente é um grande suspeito.

-E se foi ele, Kanon? Você o entregaria?

-Ainda não parei pra pensar no assunto.

Na hora do intervalo, Aioria, Shaka e Marin comentavam sobre o lance da traição entre Saga e Kia.

-Eu achei muita falta de caráter do Mu ter feito o que fez. Ele não podia ter agido daquela maneira... Muita falta de respeito pelo Saga.

-Concordo, Shaka. O Mu está completamente errado, mas a Kia foi pior. Ela parecia gostar do Saga, pelo menos, atuava na frente de todo mundo.

-Como será que era para o Mu receber os dois na casa dele, saber que estava traindo um de seus amigos e ficar naquela mansidão? Minha nossa, gente, é horrível pensar dessa forma!

-Nas últimas vezes, Marin, era perceptível o estado alterado do Mu. Ele estava andando estranho mesmo. Devia estar perturbado. Acho que não o condeno completamente. A culpada maior é a Kia.

Aioros, Dohko, Miro e Kamus comentavam sobre o mesmo assunto.

-A Kia tinha que ter um sangue muito frio em ver os dois caras sempre juntos e conseguir lidar com os seus impulsos.

-Não gosto de me meter nisso, até porque eu sei demais dessa história, mas pelo que Mu relatou, ela vivia dando investidas nele mesmo com Saga por perto.

-É Dohko, e pensar que eu colaborei para o Saga descobrir a traição...

-Como assim, Miro?

-A dupla dinâmica veio me procurar uns dias antes do acontecimento fatídico me pedindo uma dica em como desmascarar o nosso coleguinha do Tibet. Eu dei a dica na moral. Eles os pegaram em flagrante.

-Nossa, Miro, isso podia ter se virado contra você, sabia?

-Sabia, mas o importante é que o problema foi resolvido.

-Esse seu comentário foi meio inconseqüente... – Falou Dohko.

-Mas vindo do Miro, que tipo de atitude poderia ser?

-Sei lá, Kamus. A Kia deu muita mancada porque não foi sincera com o Saga. O Mu foi um sacana, pois tratava o cara na moral. Só achei que o Saga pegou meio pesado na revelação. Ele destruiu a imagem da garota perante o colégio todo. E se expôs também.

Todos olharam perplexos para Aioros. Era possível que ele fizesse um comentário tão pertinente?

-Concordo com você sobre o Saga ter pegado pesado, mas vocês estão olhando as coisas de um prisma só.

-E qual seria o outro prisma, senhor Razão?

Kamus olhou feio para Miro, antes de responder a indagação.

-Em primeiro lugar a Kia errou em não dizer não para o Saga enquanto pôde. Ela podia simplesmente negar o pedido de namoro se gostava realmente do Mu. Por outro lado, pode ter se sentido um pouco culpada por não corresponder aos sentimentos do garoto e se submeteu a isso. Todos nós sabemos que o Saga sempre foi ridicularizado pelo irmão e por Máscara da Morte. Seria muito humilhante pra ele levar um fora de uma garota.

-Olhando por esse ponto de vista então... Você acha que a Kia não teve culpa de nada, Kamus?

-Não estou tirando a culpa dela, estou apenas tentando justificar a atitude que ela tomou. O Saga também sempre fez papel de vítima e ele sempre foi uma pessoa nebulosa. Ninguém sabe o que se passa na cabeça daquele cara. E também, quando se está apaixonado, não se enxergam certas coisas. Por exemplo, essa da Kia dar em cima do Mu na frente dele e ele nem se tocar. A atitude que ele tomou por vingança, por mais dor que ele pudesse sentir pela traição, não precisava ter sido daquela maneira. Era só ele chegar, terminar o namoro e fim de papo. Não precisava de show nem nada. No final, ele próprio se prejudicou.

-E o que você acha sobre o Mu? – Dohko ficou curioso a respeito da opinião do francês sobre o tibetano.

-O Mu errou nessa história porque cedeu aos caprichos da árabe. Se tivesse se contido, nada teria acontecido com ele. Ele não me parece ser uma pessoa que agiria por debaixo do pano. É visível que ele é uma pessoa verdadeira. Era bem fácil saber que ele estava vivendo uma situação de risco. Era só olhar pra cara dele que você percebia que ele estava escondendo alguma coisa. As ações que ele tomava eram ações de pessoas nervosas, que não sabem lidar com aquele tipo de situação. E cá entre nós, atropelamento? Não me desce.

-Vai dizer então que você acha que ele foi parar no hospital por outro motivo, Kamus?

-Claro, Aioros. Ele apanhou. E foi do Saga.

Dohko olhou para Kamus incrédulo. Como ele conseguia chegar naquelas conclusões sem nem ao menos conversar com alguém?

-Com que base você aposta nisso, Kamus?

-Miro, se você armou pro Saga descobrir a traição e pela atitude de vingança no anfiteatro, você acha que ele ia ficar parado? E olha, eu sei que você também desconfiava de uma briga, eu vi seus comentários para ele no hospital, aquele dia.

-Mas o Mu podia sim ter sido atropelado!

-Aioros, o Mu não quebrou perna e nem braço. Estava com o olho roxo e com a boca estourada. Só se o farol do carro acertou em cheio o olho do rapaz. Pensa nisso. O Saga ficou nervoso e bateu nele. Só ainda não entendi como as pessoas não ficaram sabendo dessa surra, porque, do jeito que as notícias correm nesse colégio... – Kamus olhou de novo para Miro.

-Como você chega nessas conclusões, Kamus?

-Observando detalhes, Dohko. Se as pessoas se atentassem a observar ao invés de falar e ficar criando falsas teorias em cima de acontecimentos, iriam muito mais longe. É a minha opinião. Os três são culpados, mas os três também são vítimas.

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Os cinco garotos da turma B almoçaram pelo próprio colégio e depois seguiram para a casa de Afrodite em dois grupos. Aioria e Shura em um carro, Dohko, Miro e Kamus em outro.

Levaram um susto ao chegar no pequeno sobrado onde o sueco morava. Havia um grande jardim, cheio de rosas, de todas as cores, muito bem cuidadas. Dohko sorriu ao se lembrar de como Afrodite adorava botânica e se empenhava na matéria. Não era pra menos que queria ser biólogo. Se assim fosse, se daria muito bem. Estava em seu sangue lidar com plantas.

-Hahaha! – Shura sorriu sarcasticamente – Depois eu falo que ele é uma biba e ninguém me dá crédito!

-Shura, se comporte! Lembre-se que você veio fazer as pazes com o Afrodite.

-Falando nisso, Miro, como você conseguiu convencer esse traste vir aqui prestar socorro ao seu maior rival? – Perguntou Dohko intrigado.

-Vim por causa da Shina. – O próprio Shura respondeu.

Atravessaram o jardim e pararam nos pequenos degraus que davam para a porta de entrada. Trocaram olhares entre si.

-Quem é que vai apertar a campainha? – Perguntou Miro.

-Deixa que eu faço isso. – Dohko tomou a dianteira e apertou o botão.

Esperaram um tempo. Afrodite olhou pelo olho-mágico e viu sua turma parada, esperando a porta ser aberta.

"Como se não bastasse me enxerem o saco na escola, vieram tirar sarro de mim na minha própria casa!"

Tinha duas opções. Ou ignorava a presença deles e fingia que não estava ou abria a porta e os encarava de frente. Não querendo ser indelicado, decidiu pela segunda alternativa.

-Olá! – Disse Aioros animado – É bom te ver! Tirando os olhos inchados e a roupa amassada, você ainda é o mesmo, Afrodite.

"TINHA QUE SER O AIOROS!" – Todos pensaram na mesma hora.

-Obrigado pela parte que me toca, Aioros. Infelizmente, não posso mudar de rosto. Não fiquem aí parados, entrem.

Os rapazes se olharam e entraram em silêncio na casa do sueco. A sala estava arrumada, com enfeites de seu país natal e quadros em estilo clássico pendurados na parede. Afrodite tinha um gosto requintado para a arte. A maioria eram gravuras de paisagens.

-Sentem-se, eu vou preparar um suco.

-Posso te ajudar? – Perguntou Dohko.

-Fique a vontade para me acompanhar, Dohko.

Os dois foram para a cozinha deixando os outros três acomodados no sofá que estava próximo a uma mesa de centro.

-Bonita a casa dele, pelo menos... – Comentou Shura enquanto olhava para o lustre de cristal pendurado no teto da sala.

-O Afrodite sempre teve bom gosto. – Completou Miro.

Kamus preferiu ficar em silêncio.

Na cozinha, Afrodite preparava um suco de laranja e abria um pacote de biscoitos suecos. Dohko ficou encostado no balcão com tampo de granito preto.

-Espero que você não tenha ficado perturbado com a nossa visita. Você está faltando demais nas aulas, ficamos muito preocupados.

-Agradeço a sua preocupação, Dohko – Dizia o sueco enquanto espremia uma laranja – Mas não precisavam vir todos. Eu estou levando.

-Viemos porque realmente sentimos a sua falta.

-De você, eu até nem desconfio, mas... Por que Shura, Kamus e Miro estão aqui? O Aioros é neutro, nesse caso.

-Nós ainda vamos conversar. Prefiro tocar nesse assunto na frente de todos.

-Então vamos.

Afrodite arrumou tudo perfeitamente em uma bandeja e levou para sala. Dohko trazia uma outra bandeja com copos e guardanapos. O anfitrião começou a servir a todos, educadamente. Quando finalmente se sentou, um silêncio terrível pairou no ar. Todos estavam constrangidos. Ninguém sabia o que dizer. Dohko resolveu arriscar.

-Afrodite, nós viemos porque sabemos que você se sente excluído do grupo, o que não é verdade...

-Pois é, cara! – Aioros pegou um biscoito – As vezes eu acho que é você que fica de fora com medo do que a gente pensa a respeito de você!

-E o que vocês pensam ao meu respeito, Aioros?

-Que você é um cara bacana, tímido e muito bem educado!

-Mas eu sinto que não são qualidades mínimas para ser amigos de vocês.

-Suposições nem sempre são a realidade, Afrodite. – Comentou Kamus, antes de dar um gole no suco.

-Então me expliquem a realidade. Quem nunca teve preconceito ao me ver?

Os cinco se olharam perplexos. A pergunta de Afrodite foi certeira.

-Nós tínhamos uma opinião errônea sobre você até te conhecermos melhor... – Dohko se justificou.

-Acho que não, Dohko. Pra vocês, o homem precisa ser firme, durão, não é mesmo? – O sueco olhou para Kamus.

-Bem, eu disse para os outros colegas antes de vir para cá e agora te direi pessoalmente, Afrodite. Peço que me desculpe por ter dito que não chorasse daquela maneira. É o meu jeito. Meu erro foi achar que você teria de ser como eu.

Por aquela resposta Afrodite não esperava. Kamus subiu muito em seu conceito. Ele quase sorriu.

-Afrodite, acho que precisamos chegar num consenso. Todos devem aceitar as pessoas como elas são. Você é muito diferente da gente, mas isso não te torna menos do que os outros. Ficamos preocupados com seu rendimento escolar, você não pode se prejudicar por questões afetivas. – Disse Miro, como se fosse um discípulo assíduo de Kamus.

-Você está perdendo conteúdo de prova, cara! Logo tem a prova fudidassa do Eugeu! – Aioros começou a incentivar o rapaz a voltar.

-Estou sem ânimo para estudar... – Afrodite baixou a cabeça.

-Faça uma força. Estamos aqui para te ajudar. Viemos em missão de paz.

-Valeu a intenção, Miro. Mas realmente estou sem ânimo.

-É por causa da Shina?

-Aioros, quando é que você vai dar uma dentro?

-Mas só pode ser, né Dohko!

-Tudo bem, Dohko. Sim, claro que é por causa da Shina... – O sueco olhou diretamente para Shura. O espanhol se sentiu obrigado em dizer alguma coisa.

-Olha cara, esse lance entre a gente tem que ser resolvido. Eu não tenho culpa se a sua ex-mina resolveu se interessar por mim e começou a me curtir... Entenda, esse negócio de namoro é meio complicado mesmo, um dia uns ganham e no outro o ganhador pode perder.

Afrodite deixou uma lágrima escorrer por causa do comentário do espanhol.

Kamus, Miro e Dohko olharam aflitos para Shura.

-É, Afrodite. Veja, meu problema com a Ísis, só porque eu derrubei comida nela algumas vezes ela não fala mais comigo, mas não é por isso que eu vou deixar de estudar.

-Afrodite – Miro colocou o copo de suco na bandeja – Será que eu poderia usar o banheiro?

-Claro, suba a escada, é logo à direita.

Miro subiu, deixando os outros cinco em silêncio.

-Você vai voltar pra escola amanhã, não vai? – Dohko sentiu que precisava fazer o assunto voltar de qualquer jeito.

-Vai voltar sim. – Kamus respondeu pelo sueco.

-Olha cara, a Shina ainda pode ser sua amiga. Eu tenho certeza de que ela vai adorar isso.

-Será que vocês poderiam deixar a minha casa agora? – Afrodite estava fazendo uma força enorme para não desabar na frente dos amigos.

Miro desceu na hora em que todos já estavam em pé, prontos para se retirarem.

-Foi algo que eu disse, Afrodite?

-Não, Dohko. – O sueco virou-se de costas – Eu vou amanhã pra escola, agora, por favor, vão. Obrigado pela visita. Fico grato pela preocupação.

-Afrodite, pense sempre positivo! Com pensamento positivo a gente vai longe!

Dohko e Kamus trocaram olhares preocupados.

Resolveram sair o mais depressa possível. Quando Afrodite fechou a porta, o chinês resolveu passar um sabão em Shura e Aioros.

-Vocês estragaram tudo! Deixaram o cara pior!

-O Dohko tem razão. – Disse Kamus de braços cruzados.

-Mas eu vim esclarecer o negócio da Shina ué!

-Você não precisava ter falado daquela maneira! A Shina não é prêmio! Ele ama aquela garota, Shura, mas que falta de empatia! E você Aioros, chega falando da aparência do menino, depois fala pra ele pensar positivo, como se nada tivesse acontecido? Ele deve estar bem pior do que já estava agora!

-O Dohko tem razão novamente...

-Desculpe, eu nem pensei pra falar pra ele pensar positivo. Eu não fiz por mal.

Dohko revirou os olhos.

-Vamos voltar lá e conversar com ele de novo! Eu vou pedir desculpas!

-Não, Aioros! Só vai piorar a situação. Melhor a gente ir embora mesmo, como o Dohko disse. Pelo menos nós já fizemos a nossa parte.

-Eu juro que eu queria ter me acertado com ele, Dohko. Por causa da Shina.

-Tá bom, Shura. Mas agora, não adianta mais nada. Vamos.

Os cinco entraram nos carros e foram embora. Dohko estava se sentindo muito mal e responsável pelo mal entendido.

"Espero que Afrodite não falte a aula amanhã por causa disso..." – Pensou o chinês enquanto ia para casa.

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Kanon bateu na porta do quarto de Saga antes de entrar. O garoto estava deitado na cama, olhando para o teto, com os olhos inchados.

-Você ainda não superou o acontecido, irmão?

-Kanon, quando você realmente se apaixonar por alguém e perder essa pessoa, você vai entender pelo que estou passando.

-Pode ser, Saga, mas eu acho que você deveria reagir e sair dessa.

Saga se sentou na cama.

-O que você quer conversar, Kanon?

-Como você sabe que eu queria conversar com você?

-Você não veio até meu quarto a toa. Eu te conheço, sei que alguma coisa você quer.

-Bom, então, não vou enrolar. É que nós nunca conversamos sobre o assunto de uma forma totalmente de boa e eu gostaria de saber a sua opinião.

-Então, vá em frente.

Kanon virou o encosto da cadeira que havia no quarto do irmão e se sentou bem de frente para ele. Olhar em seus olhos era uma tarefa bastante difícil e decifrá-los era mais ainda, mas ele precisava tentar.

-Saga, onde você estava no dia do roubo das provas? Pois eu me lembro que não te vi a noite naquele dia.

Saga suspirou, olhou para os lados e colocou as mãos sobre os joelhos.

-Você está achando que fui eu?

-Não, Saga. Eu apenas fiz uma pergunta. É que o ano está terminando, e se o verdadeiro autor não for descoberto, eu posso me ferrar junto com o Mask.

-E não foi você mesmo?

-Não, eu te juro que não. Mask e eu demos a idéia, confessamos, claro. Todos estavam juntos quando falamos do plano.

-Mas vocês dois são suspeitos, mesmo assim.

-Nós sabemos, por isso é muito importante que a gente descubra o verdadeiro culpado.

-Ou alguém para jogar a culpa.

-Saga, eu não sei se você se lembra, mas nós dois assumimos a falsificação do documento e arcamos com as conseqüências. Tenha certeza de que se alguém fosse acusado em nosso lugar, a gente iria em socorro da pessoa. Posso ser muito sacana, mas não ia deixar ninguém se ferrar por minha causa.

-É, pode ser. Tá certo, Kanon. E se fosse eu? Você me entregaria?

Kanon encarou os olhos do irmão. Pela terceira vez aquela mesma pergunta. Estava fugindo daquele tipo de pensamento fazia alguns dias. Não queria ter que pensar que seu próprio irmão fosse o autor.

-Se fosse você, eu me sentiria muito culpado, pois eu o instiguei a executar a idéia.

-Mas você me entregaria?

-Essa é uma pergunta cruel, Saga. Muito cruel. Apesar de todas as nossas brigas, você já fez muito por mim e sei que quando você fica puto com as minhas atitudes, é porque você se preocupa.

-Kanon, se a situação fosse ao contrário, você fosse o culpado, você acha que eu o entregaria?

Kanon arregalou os olhos.

-Er... Eu acho que me entregaria sim. – Disse ele com o olhar desconfiado.

-Engano seu. Se tivesse sido no começo, poderia até pensar no caso, mas depois que você me fez enxergar as coisas, eu me entregaria no seu lugar.

Se Kanon fosse mais sentimental, ao ouvir aquilo, estaria derramando lágrimas. Ficou parado, sem reação.

-Não sei se o que vou te falar agora pode te ajudar, mas eu tenho alguns suspeitos.

-Tudo é válido, irmão.

-Se eu fosse você, eu desconfiaria de Kamus, Mu e Afrodite.

-O Mu não foi, irmão.

-Se não foi o Mu, com certeza ele sabe de alguma coisa. Digo a mesma coisa de Kamus.

-O Kamus eu tenho quase certeza de que sabe quem foi, mas ele não fala nada, pra não se envolver.

-Pra não se envolver? Ou teria algum motivo a mais?

-Que motivo a mais ele teria, Saga?

-Proteger alguém, ou ele pode estar sofrendo chantagem.

-Acho que ninguém ia fazer chantagem com ele. Ninguém intimida aquele cara. Ele é muito fixo nas idéias, Saga.

-Eu disse que talvez não ajudasse. Já conversou com ele alguma vez?

-Não. Se alguma vez falei com ele, foi alguma bobagem tremenda. Aliás, ele não conversa com ninguém. Somente com o Miro.

-Miro...

-O que tem o Miro?

-Tinha me esquecido dele.

Kanon ficou confuso. Saga fazia qualquer um ficar confuso em apenas cinco minutos de conversa, era uma propriedade do rapaz.

-Mas voltando, Kanon, tem o Afrodite. Eu não o conheço, aliás, quem o conhece? Todos sabemos que é um garoto que gosta de se arrumar, inteligente, culto e que é deixado de lado. Ele é bem misterioso.

-Sim, estou de acordo, Saga.

-Só que, se foi ele quem roubou as provas, é um tremendo de um coitado. Não conseguiu amigos e vai se ferrar bonito.

-Realmente...

-Se você parar pra observar, qualquer um pode ter sido o culpado. Todos ficam estranhos quando se toca nesse assunto, cheios de cuidados com as palavras.

-Você desconfiaria até de Shaka?

-E por que não? O cara é fanático por nota. Aioria me contou que ele não queria nem se encontrar com a Nínel pra estudar.

-Você me confunde, Saga.

-Você acha que foi quem, irmão?

-Eu também desconfio do Afrodite, pelos mesmos motivos que você.

-Então é isso. Poderia até falar da Kia, mas aí seriam coisas da minha cabeça.

Saga se levantou da cama e caminhou até a porta.

-Irmão, e você?

-Que, que tem eu, Kanon?

-Você também tinha motivos. Eu te afrontei, você não tinha nada a perder, foi o único que respondeu todas as perguntas da prova e o Eugeu paga pau pra você. Você não respondeu à minha pergunta.

-Eu acho que eu não preciso responder suas perguntas, Kanon.

-Não?

-Não. Porque uma coisa eu aprendi nesse tempo todo.

-O que aprendeu, Saga?

-Uma hora, a verdade sempre aparece. Pode demorar, mas aparece.