Feriado amanhã, mais tempo pra descansar e postar. Meninas, obrigada pelas reviews sempre. Um grande beijo.

Capítulo 33

O Lamento de Dohko

"-Espera aí, Afrodite.

-Não, Dohko. Eu sei que eu não faço parte do grupo.

-Cara, não... Não é bem assim...

-Vocês não gostam de mim. Ninguém gosta de mim. Será que eu preciso roubar a escola pra vocês gostarem de mim? – Disse ele, sem conseguir conter as lágrimas.

-Não é isso!!! Afrodite! Volte pra casa do Aioros. O Shura vai te pedir desculpas. Ele é nervoso assim mesmo.

-Vocês me tratam como se eu fosse uma aberração! Vocês têm medo de mim!

-Por favor, não temos nada contra você! Acredite em mim, cara!

-Vocês acham que eu sou gay!"

O diálogo ecoava na mente de Dohko sem dar trégua. O chinês começou a perder a calma. As lágrimas que ainda não tinham caído não demoraram a molhar as maçãs bem definidas do rosto do garoto. Se virou de costas para o amigo. Novamente respirou fundo.

"Eu espero que você me perdoe por isso, Afrodite. Mas estou ao lado da justiça..."

-E então, Dohko? Vai falar ou não? – Miro pressionava ainda mais o amigo.

Kanon e Máscara da Morte estavam em silêncio. Todos olhavam para o chinês ansiosos. Ele resolveu soltar tudo de uma vez.

-Um pouco antes da semana cultural, na casa de Aioros, fomos decidir que trabalho fazer e houve uma discussão. Shura, muito nervoso começou a ofender Afrodite e ele começou a chorar.

O sueco começou a sentir que ia desmaiar. Calíope foi a socorro do garoto.

-Aí, eu fui atrás dele para consolá-lo. Ele disse que ninguém gostava dele, que não fazia parte do grupo e me perguntou se ele precisava roubar a escola para gostarem dele. – Dohko tentava se controlar para não chorar. Seu peito doía muito.

-Hum... Isso realmente é comprometedor. – Disse o investigador Hipérion.

-Mas senhor, eu realmente acredito que não foi ele. Como ele estava agindo por emoção, não sei isso poderia ser considerado...

-Não fui eu! Eu JURO que não fui eu!

Hipérion ignorou os gritos atônitos do sueco. Virou-se para Miro.

-E vocês por um acaso têm a prova concreta de que foi este rapaz?

-Em mãos não.

-PODEM INVESTIGAR A MINHA CASA TODA! NÃO VÃO ENCONTRAR NADA DE COMPROMETEDOR LÁ! EU ESTOU FALANDO A VERDADE! – Dohko se aproximou de Afrodite e pegou em seu braço. – ME LARGA DOHKO! EU GARANTO QUE NÃO VÃO ACHAR NADA LÁ!

-Por favor, se acalme Afrodite!

-COMO ME ACALMAR, DOHKO? ESTOU SENDO ACUSADO DE UM CRIME QUE NÃO COMETI!

-Você vai negar na cara do Dohko que disse essas coisas?

-Kanon, é melhor você ficar calado...

-Você dedura seu amigo e eu que tenho que ficar calado?

Hipérion estava falando em seu telefone celular enquanto a discussão acontecia. Calíope passava os dados do sueco para ele. Shion só observava os alunos junto com Platão. Eugeu sorria. Parecia estar gostando daquele "show".

-Me desculpe, Afrodite, eu não pude mentir! – Todo o esforço que Dohko fez para não chorar tinha sido em vão.

-VOCÊ SABE QUE NÃO FUI EU! VOCÊ SABE QUE EU NÃO SOU CAPAZ DISSO! EU TENHO MUITOS SONHOS PARA REALIZAR! JAMAIS COMETERIA UM CRIME IDIOTA DESSES!

-Me desculpa, Afrodite!

-Vamos parar com essa lamentação toda? – Hipérion disse enérgico – Já mandei meus companheiros irem até a sua casa investigar.

-ELES NÃO VÃO ENCONTRAR NADA!

-Respeito comigo, rapaz! Eu sou uma autoridade! Posso começar indiciando você por desacato!

Afrodite estava muito aflito. Dohko ficou ao lado do amigo, mas o sueco não queria encarar ninguém. Olhava para o chão e derramava rios de lágrimas.

-Vou pedir para chamarem esses nove alunos que faltam. Mas dessa vez, quero interrogá-los sozinhos. Vocês se importam? – Perguntou o investigador a Shion e Calíope.

-Como preferir. – Disse Shion se levantando da cadeira.

-Chame um por um. E isole esses quatro em uma sala. Não quero que tenham contato com os outros. Conforme eles forem dando seus depoimentos, eles vão se reunindo com os quatro.

Todos começaram a se levantar e se retirar, inclusive Afrodite.

-Não, você não sai daqui. Você fica.

Os quatro garotos o olharam pela última vez, antes de fecharem a porta.

-Vou buscar os meninos.

A corrida de Calíope pelo colégio começou. Parecia uma verdadeira maratonista. Prendeu os cabelos, pois não estava agüentando de calor.

Quem estava no terceiro A era Galileu. Calíope invadiu a sala.

-Mu, por favor, queira me acompanhar.

O garoto subiu com a orientadora aflito. Ela pediu que ele entrasse na sala do diretor. O tibetano entrou sem entender nada.

-Bom dia, você é o Mu?

-Bom dia. Sim sou eu mesmo. – Mu logo viu Afrodite sentado numa cadeira, bem próximo dele.

-Sou o investigador Hipérion, estou cuidando do caso do roubo das provas do colégio.

Mu congelou. Ficou mais pálido que já era.

-Sente-se, tenho umas perguntas para te fazer.

O tibetano começou a tremer. O investigador viu que ele estava muito nervoso enquanto se sentava.

-Onde você estava na noite do dia 3 de outubro de 2005?

-Na minha casa. Estu-estudando Bi-biologia.

-Alguém pode confirmar isso?

-Si-sim. Mi-minha vizinha, senhor. Eu-eu tenho o costume de dormir muito cedo.

-Você tinha algum motivo em especial, fora as notas, para cometer o crime?

-Não! Cla-claro que não! Eu so-sou muito quieto.

-Ninguém te desafiou?

"-Ah não! Por favor, chega de discussão! – Interveio Mu – Vocês vivem discutindo! Ninguém vai fazer nada até as provas chegarem nas nossas mãos. Não sabemos as notas, não sabemos se o nosso professor está exagerando. Só nos resta esperar. Se todo mundo for mal, a gente estuda mais para a próxima".

-Você é um molenga! Medroso!!! – Kanon esbravejou."

-Não, nã-não senhor.

Ele encarou os olhos esverdeados do rapaz.

-Certo. Entrarei em contato com a sua vizinha mais tarde. Pode ir.

Mu saiu da sala sem entender o motivo de Afrodite estar lá. Encontrou com Aldebaran, que era o próximo a entrar.

O brasileiro entrou e também não entendeu por que o sueco estava ali.

Na hora, Hipérion teve certeza de que aquele aluno não era o culpado. Simplesmente pelo modo em que fechou a porta. Tranqüilo e em paz consigo mesmo.

-Aldebaran?

-Sim?

Os dois se apresentaram. O investigador foi logo direto ao ponto.

-Sabe alguma coisa a respeito do roubo?

-Olha, senhor, saber, todos sabem, mas não faço idéia de quem fez isso. Eu sou inocente. Eu mesmo fiz questão de dizer que não participaria daquela palhaçada.

-Tem certeza mesmo que não poderia indicar alguém?

Aldebaran olhou para Afrodite.

-Absoluta.

-Tudo bem, pode ir. Qualquer coisa entramos em contato.

-Se eu puder ajudar a resolver esse caso, pode contar comigo.

O terceiro a entrar foi Saga. O investigador olhou nos olhos do grego e se assustou.

-Saga, irmão gêmeo de Kanon?

-Eu mesmo. E o senhor? Alguém da polícia pelo visto.

Hipérion se assustou com a precisão do rapaz.

-Sim, sou da polícia.

-Vai me perguntar sobre o roubo? – Saga olhou para Afrodite – É melhor não perder seu tempo comigo.

-E por que não?

-Porque eu não sei de nada.

-Conta aqui no registro da escola que você não estava presente no colégio no dia seguinte.

-E não estava mesmo.

-E não estava por quê?

-Comi um salgado na cantina que me fez mal a noite toda. Não apareci, pois estava com problemas de estômago.

-Não é um pouco pequeno esse motivo para faltar à aula?

-O senhor tem gastrite nervosa? – Saga encarou o investigador.

-Não.

-Se o senhor tivesse, saberia o que eu passei durante a noite. Já disse, eu não sei de nada.

-E você suspeita de alguém? – Hipérion o olhava desconfiado.

-Hum... Não. Se não sei de nada, como poderia suspeitar de alguém?

-Tudo bem. – Disse a autoridade mesmo sem engolir as palavras de Saga – Se precisarmos, o chamaremos de volta.

O grego deixou a sala, dando espaço para Aioria.

-Aioria. Muito prazer.

-Prazer. Podemos ir direto ao ponto?

-Sabe com quem está lidando?

-Deve ser alguém importante – Aioria olhou ao redor da sala e viu Afrodite sentado na cadeira, com a cabeça apoiada nas mãos. – Para estar na sala do diretor.

-Sim, sou da polícia.

-E por que me chamaram aqui? Eu nunca fiz nada de mal para a sociedade! Sabia que posso processá-lo por danos morais?

-Te chamei aqui para perguntar sobre o roubo das provas e quem vai processá-lo se continuar falando assim comigo sou eu.

O olhar do investigador não intimidou Aioria.

-Você acha que EU, Aioria, ia fazer isso? Por favor, né! Eu tinha muito mais coisas importantes pra fazer. Não tem cabimento!

"Realmente esse menino não foi. Não pensa antes de falar."

-E você desconfia de alguém?

-Desconfio de Kanon e Máscara da Morte.

"Finalmente alguém resolveu falar."

-Por que deles?

-Eles que deram a idéia. Parto do pré-suposto de quem dá a idéia, faz muito bem. Posso ajudar em alguma coisa a mais? Estou perdendo a aula de Física.

-Pode ir.

O próximo a entrar foi Shaka. Respirava fundo, mas calmamente.

-Minha nossa, Afrodite, o que está fazendo aqui?

-Você é Shaka?

-Sim, e o senhor? Quem é?

-Investigador Hipérion.

-Muito prazer. – Shaka estendeu a mão e cumprimentou o investigador – Em que posso servi-lo?

"Esse é outro que não pode mesmo ter colocado o plano daqueles dois em prática."

-Gostaria de saber a sua opinião sobre o roubo das provas, Shaka.

-Preciso mesmo dizer? Olha, fico muito constrangido em ter que acusar alguém.

-Mas nesse caso, gostaria de sua opinião, soube que você é um excelente matemático.

-Sinceramente, senhor investigador, eu acredito que tenha sido alguém da outra classe, ou seja, alguém da sala B. Máscara da Morte e Kanon são encrenqueiros, mas eu tenho uma intuição muito forte de que não foram eles.

-Pode dizer nomes?

-Talvez Kamus, ele não gosta de tocar no assunto. Mas eu também acho que não foi ele. Bem, estou confuso. Acho que não vou poder ajudar o senhor...

Hipérion viu sinceridade no depoimento do indiano.

-Peça para o próximo a entrar.

Aioros entrou na sala do diretor e derrubou uma cadeira no chão.

-Com certeza você é Aioros.

Se Afrodite não estivesse naquela situação, teria rido.

-Sou eu mesmo! Estou popular pelo visto! Você, quem é? – Disse enquanto levantava a cadeira.

-Sou investigador Hipérion.

-Você é da polícia? Deixa eu ver seu distintivo? Sempre quis ver um! Só vejo nos filmes, eles são muito maneiros!

"Realmente ELE não foi."

Hipérion mostrou o distintivo para o grego.

-Que maneiro! O seu é bem bonito!

-Obrigado.

-Por que me chamou aqui? Olha, eu juro que eu não fiz nada. Ontem eu estava na janela do meu quarto e a casca de uma laranja caiu de lá, mas foi sem querer. Não estava querendo mesmo jogar nada nem poluir a cidade. Quando desci para pegar, já tinham varrido. Mas eu fiquei com a consciência pesada.

-Não, tudo bem. Está aqui por causa do roubo das provas.

-Mas não fui eu! Eu achei um absurdo tudo isso! – Aioros viu Afrodite no canto da sala – Diga pra ele, Afrodite, eu não tenho nada a ver com essa história.

Afrodite revirou os olhos.

-Por que ele está aqui, investigador? Ele também jogou laranja pela janela? Digo, derrubou?

"Desisto..."

-Não. Pode ir e peça ao outro que entre.

-Foi bom te conhecer! Adorei o distintivo. Se eu não fosse fazer Filosofia, com certeza seria policial. Eu atiro bem. Principalmente de Arco e Flecha!

-Sim... – Hipérion já estava perdendo a paciência – Pode se apressar?

-Claro! Até mais!

Aioros saiu da sala quase derrubando a porta.

-Não conte com esse para limpar sua barra.

Afrodite olhou novamente para baixo.

Shura entrou na sala revoltado.

-Você... É Shura?

-Sou. O que quer comigo?

-Sou investigador Hipérion, vim para cuidar do caso das provas.

-Certo, pois eu te digo quem foi o culpado.

-Dirá?

-Sim, ele está bem ali. – Shura apontou para Afrodite – A biba ali fez isso pra chamar a atenção da gente. Não sabe perder namorada, não sabe ser homem.

-Não fui eu, Shura! – Afrodite começou a se exaltar novamente.

-Por que você não vira homem agora e assume o que fez, Afrobiba?

-Eu não sou Afrobiba e não fiz nada!

-Viu como ele se faz de vítima e mente, investigador? Acho que ao invés de mandarem ele pra cadeia, deviam mandar pro hospício. Com certeza ele sofre de insanidade mental por mentir compulsivamente.

Afrodite começou a chorar.

-Então você acha que foi ele o culpado?

-Tenho certeza.

-Tudo bem, pode deixar a sala. Pode chamar o próximo?

-Não há próximo, eu sou o último.

-E o tal do... Kamus?

-Esse aí faltou. Muito inteligente o cara. Ele tem uma mente dedutiva incrível. Mas é chato... Muito chato.

-Por que ele é chato?

-Muito sério. E ele odeia tocar no assunto das provas. Acho que você deveria conversar com ele.

-Me chame de senhor. Por que devo conversar com ele?

-Porque ele vai confirmar que foi essa biba aí que roubou as provas.

O telefone celular de Hipérion tocou. Ele apenas limitava-se em dizer "sim" ou "não".

-Meus companheiros estão vindo para cá, Afrodite. Shura, pode chamar Kanon para mim?

-Claro.

Segundos depois, estava Kanon dentro da sala.

-Quero que você me diga a sua impressão sobre o autor do roubo, sem a influência de Máscara da Morte e Miro.

-Senhor investigador, sinceramente, acredito que tenha sido mesmo o Afrodite. Ele tinha motivos fortes para executar o plano. E é muito habilidoso com trabalhos manuais. Faz corte e costura, cozinha...

-Mas só por isso?

-Ele é silencioso, o ladrão precisava ser silencioso...

-Certo, agora chame Máscara da Morte.

O italiano disse a mesma coisa. E depois, Miro também.

"Droga, devia tê-los interrogado separados antes! Eles estão com os mesmos pensamentos, já estão influenciados".

Não tardou para os companheiros do investigador chegarem. Subiram até a sala de Shion e foram até onde Hipérion estava com o acusado. Calíope, Shion e os dois professores entraram na sala para ver o que ia acontecer. Os garotos se dispersaram nessa hora, mas aguardavam ao lado de fora.

Mu tremia e Aldebaran tentava acalmá-lo. Saga continuava com o olhar misterioso. A dupla estava com a sensação de "missão cumprida" junto de Miro, que já estava imaginando como Calíope ia retribuir àquele favor. Shaka e Aioria conversavam baixo sobre as perguntas respondidas. Aioros comentava com Shura sobre o distintivo do policial. Dohko continuava chorando.

Miro colou os ouvidos na porta para tentar ouvir o que se passava lá dentro. Seus amigos seguiram o exemplo.

-O que tem a dizer em sua defesa, Afrodite?

-Eu já disse que eu não roubei nada. Jamais faria isso. Respeito os professores, perguntem ao Kim sobre mim. Sou quieto mesmo, mas as pessoas olham para mim de uma maneira preconceituosa. Eu tentei ser amigo deles, mas não consegui. Mas não seria por isso que eu roubaria prova, nem cheque, nem documentos, muito menos chaves de carro! Eu não sei dirigir!

-Hum... – O olhar de Hipérion expressava superioridade.

-Eu disse mesmo àquelas coisas que Dohko falou, mas estava nervoso. Ele viu! Eu era o pomo da discórdia do grupo, ficava muito mal com àquela situação.

-Então, Afrodite, pode me explicar o que isto estava fazendo na sua casa?

O investigador mostrou uma blusa preta, de veludo, com um pedaço rasgado.

-Eu... Eu não faço idéia! Isso-isso nã-não é me-meu! Eu te juro!

-É o mesmo tipo de tecido que eu tenho comigo! E da mesma cor.

-Estava na sua casa e tem o seu tamanho.

-Mas não é minha! Orientadora Calíope, eu juro que não fui eu! Pre-precisam acreditar em mim!

-Onde está o meu cheque rapaz? – Eugeu se aproximou do sueco.

-Eu não sei de cheque nenhum!

-Já deve ter descontado e comprado maquiagem!

-Não! Eu não roubei nada!

Um dos policiais foi até o rapaz e o algemou.

-Esperem! Eu não posso ser preso! Eu já disse, estão me acusando injustamente!

Os onze amigos se olharam espantados.

-Você tem o direito de permanecer calado até o dia de seu julgamento. O que você disser poderá ser usado contra você mesmo no tribunal.

Os onze garotos saíram do meio do caminho, pois ouviram passos em direção à porta. Quando abriram, Afrodite gritou para todos:

-VOCÊS ESTÃO ME ACUSANDO INJUSTAMENTE! DOHKO, POR FAVOR, ME AJUDE!

Enquanto os outros policiais o levavam para a delegacia, Hipérion, parou em frente aos outros alunos.

-Eu ainda volto para conversar com Kamus, o garoto que faltou. Agradeço o depoimento de vocês. Obrigado especialmente ao Miro, Kanon e Máscara da Morte.

Os pedidos de socorro de Afrodite ecoavam pelo colégio. Os professores saíram de suas salas para ver o que estava acontecendo. Todos estavam curiosos.

-Vocês viram? Foi o Afrodite! Eu jamais pensaria nele como culpado! – Disse Shaka perplexo.

-Ele era estranho mesmo. Mas o perfil de ladrão não combina com ele.

-É, Aioria, mas ainda bem que esse problema foi resolvido. – Respirou Aldebaran aliviado.

-Essa história está muito mal contada.

-Por que, Saga?

-Shura, todos nós sabemos que o Kamus sabia quem era o culpado. O investigador nem ao menos falou com ele. Já levou o menino preso.

-Foi porque acharam na casa dele a blusa rasgada na casa dele, muito bem escondida. – Respondeu Calíope – Agora, voltem para as suas salas. Já perderam aulas demais por hoje.

Dohko soluçava.

-Dohko, nem fique assim, cara, a culpa não foi sua!

-Como não, Miro? Eu tive que confirmar uma fala muito comprometedora! E eu confiava no Afrodite! Tinha certeza de que ele não faria algo assim!

-Dohko, tente se acalmar. Você ficou do lado certo, da justiça. Você foi muito corajoso! – Disse Máscara da Morte.

-Infelizmente, o ladrão ia ter esse fim, fosse quem quer que fosse, Dohko.

O chinês estava inconsolável. Voltaram para as salas. A cada momento que Dohko olhava para a carteira vazia de Afrodite, somente com o material espalhado por cima, seu coração apertava muito. O sinal da saída foi um alívio. Precisava de Lígea. Precisava conversar com alguém que gostava muito.

Quando a grega o viu, se assustou.

-O que foi que aconteceu, Dohko?

Ele a abraçou e começou a chorar em seus ombros. Com uma sensibilidade incrível ela acariciou os cabelos do chinês. Na hora que ele se acalmou um pouco, ele voltou a olhar em seus olhos grandes e escuros.

-Eu fiz uma coisa horrível! Não me julgue, por favor, Lígea, eu te imploro!

-Se acalme Dohko, vamos comprar uma água? Vamos que eu vou com você até a cantina.

Os dois foram até o bar e compraram uma garrafinha de água pequena. O garoto tomou tudo em poucos minutos. A respiração dele estava ofegante.

-Isso, se acalme, por favor...

-Lígea... Você não está sabendo ainda?

-Não... Sabendo do que, querido? Respira.

Dohko respirou fundo.

-O autor do roubo das provas... Foi descoberto.

-Mas Máscara da Morte e Kanon estavam na sala agora na última aula. Bem que imaginei que algo estivesse havendo, porque tiveram de substituir o professor Platão na nossa sala. Dohko, tenha calma.

-Lígea... Eu fiz uma coisa horrível...

-O que foi que você fez?? Foi você quem roubou as provas? – A grega arregalou os olhos.

-Não! Eu não roubei!

-Então, Dohko, quem foi? Por que você está desse jeito?

-Porque fui eu quem entregou o ladrão pra polícia... – Ele voltou a chorar.

Lígea o abraçou de novo, com firmeza.

-Se acalme, querido... Se acalme, por favor.

O coração da garota batia depressa.

Dohko levantou o rosto. Ela passou a mão levemente onde lágrimas escorreram.

-Me diga, Dohko... Por que foi você?

-Porque só eu sabia confirmar aquilo...

-Confirmar aquilo o quê? Dohko, por favor, confie em mim, me diga, que, que você fez de grave?

-Eu acusei o Afrodite! Mas juro que eu não queria acusar ninguém! Te juro, Lígea!

-Afrodite??? Foi ele??

-Sim! – Dohko olhava para a garota perplexo. – Foi ele! Ele saiu algemado daqui! Não ouviu os gritos por socorro no corredor?

-Ouvimos todos, mas Galileu não quis deixar a gente ver o que era... Minha nossa... Quem diria...

-Lígea, eu tenho quase certeza de que não foi ele! Acho que ele está sendo acusado injustamente!

-Dohko, é melhor você ficar fora dessa jogada.

-Mas ele era o mais ligado a mim! Somente eu era amigo dele naquela classe! E eu mesmo o entreguei! Meu peito dói muito.

-Você fez o que achou certo, Dohko. Foi preciso muita coragem. Por mais estourada que eu sou, não sei se eu conseguiria fazer o que você fez.

-Estou me sentindo um traidor! Preciso ir vê-lo! Saber como ele está! Ele deve estar sendo maltratado a essas horas na delegacia!

-Dohko... Se acalme... Eu acho que devemos esperar até amanhã... Pra ir vê-lo. Eu vou com você.

-Você iria mesmo? Mas delegacia não é lugar de mulher!

-E até parece que você não me conhece! Teimosia é meu terceiro nome, porque explosão é o segundo!

Dohko finalmente sorriu.

-Adoro quando você sorri, Dohko. Você não teve culpa de nada. Fique com a consciência tranqüila. Você disse a verdade. – Lígea pegou na mão do amigo chinês.

Seus rostos começaram a se aproximar lentamente e finalmente, um beijo entre eles aconteceu. Dohko conseguiu tirar toda a sensação de mal-estar depois daquela atitude. Lígea deixou-se levar por completa por aquela paixão. Quando abriram os olhos, sorriram, um para o outro.

-Eu te amo, Dohko. Acredite em mim, tudo vai ficar bem.

-Eu também te amo, Lígea. Espero que você esteja certa...