Fase finalíssima. Logo mais teremos todos os segredos e rolos solucionados. Prometo responder as reviews pessoal. Só tenham um pouquinho de paciência. As adoro! Grandes beijos!

Capítulo 34

Uma visita inesperada

A notícia da prisão de Afrodite se espalhou rapidamente pelo colégio. Ainda não tinham conseguido entrar em contato com a mãe do sueco, pois ela estava viajando, piorando a situação do rapaz.

Na manhã seguinte Dohko combinou com Lígea de ir visitar o amigo. O sentimento de culpa que o chinês estava carregando era enorme, as palavras de Lígea, por incrível que parecesse, estavam ajudando o rapaz a se acalmar. Kanon e Máscara da Morte podiam respirar mais aliviados até aquela manhã, quando Hipérion apareceu no colégio a procura de Kamus. Quando não o encontrou pela segunda vez, começou a ficar desconfiado. Chamou a dupla para uma conversa em particular.

-Vocês acham que o francês, o tal Kamus possa ter sido o verdadeiro culpado? O sueco está dando um trabalho mais ou menos para a gente naquela delegacia. Insiste em dizer que estão o incriminando intencionalmente.

-Senhor investigador, o Kamus realmente nunca quis tratar do assunto. Sempre dava um jeito de cair fora da jogada.

-O Kanon está certo. Mas o cara não é de má índole. Ele é muito reservado mesmo.

-E o Miro coloca a mão no fogo por ele.

-Mas ele não pode estar acobertando alguém?

-A gente nunca sabe – Falou Kanon pensativo – O Kamus é muito imparcial, embora sempre demonstrou que sabia quem era o culpado.

-Ele não apareceu na aula hoje de novo.

-Então, por que não vai até a casa dele? Talvez ele possa te ajudar...

-Vocês dois, realmente acham que foi mesmo o Afrodite?

-Depois de todas as evidências, Mask e eu vimos que ele se encaixa perfeitamente na descrição. Não é alto, tem olhos azuis e muito habilidoso... A blusa foi encontrada na casa dele.

-Realmente, a perícia constatou que aquela blusa foi usada no dia do roubo.

-Então... Só pode ter sido ele mesmo. – Concluiu Máscara da Morte.

Quando já estavam quase se despedindo, o investigador se lembrou.

-Nós ainda temos um assunto pendente...

Os dois trocaram olhares aflitos.

-Sim, vocês sabem muito bem do que estou falando. A jaqueta do Mu.

-Senhor investigador, tente entender nossa situação, precisávamos livrar nossa barra.

-Complementando o que o Mask disse, nós ajudamos a desvendar o mistério.

-Como vocês conseguiram aquela prova?

-O Mu me emprestou a jaqueta. – Mentiu Kanon.

-E por que não disse antes, quando eu perguntei pela primeira vez?

-Tava cheio de gente, sei lá...

Hipérion olhou no relógio.

-Sei... Bom, sorte de vocês que estou com pressa. Vou pegar o endereço desse tal Kamus com a orientadora e depois ir para uma reunião. Nossa conversa não acaba por aqui. E nossa conversa de agora precisa ser mantida em sigilo.

-Não vamos comentar nada com ninguém. – Assegurou Máscara da Morte.

-Está certo. Até mais.

O investigador saiu. Os dois respiraram aliviados.

-Kanon! Se eu voltar pra prisão...

-Não vai!

-Imagine! Dividir cela com aquela biba ainda!

-Mask, qual é? Já disse que não vai rolar nada!

-Espero que você esteja certo!

-Quando foi que eu estive errado?

-Vai querer que eu responda mesmo, cara?

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O interfone tocou no pequeno apartamento de Kamus. O francês caminhou lentamente até o aparelho e o atendeu. Quando o porteiro anunciou que havia uma pessoa na portaria querendo falar com ele, permitiu a subida. Só não podia imaginar quem era.

A campainha tocou e ele foi abrir a porta. Quando abriu, levou o maior susto.

-An... Ani... Anisah! – Seu estômago revirou. Fechou a porta com tudo.

Anisah se sentiu confusa com aquela situação. Percebendo o que tinha feito, Kamus resolveu abrir a porta novamente.

-Oi Kamus! Minha nossa! Você está bem? O que você tem?

-É melhor você ir embora, isso é contagioso.

-O que você tem?

-O médico disse que é sarampo.

-Ah, eu já tive sarampo. – Anisah respirou aliviada – Er... Posso entrar?

-Eu... Estou de pijama...

-Isso impede que eu entre?

-Não! Não... Entre...

A garota entrou no apartamento do rapaz. Era bem organizado. A cozinha era pequena, apenas dividida por um pequeno balcão. A sala tinha um sofá de dois lugares e uma televisão. Era a única parte que dava para ver daquela kitnet.

-Estão todos muito preocupados com você, Kamus. Está acontecendo tanta coisa na escola nesses últimos dois dias que você nem imagina...

-Eu prefiro não saber o que está acontecendo, Anisah. Você quer beber alguma coisa?

-Mas eu acho que você deveria saber, Kamus. As coisas estão...

-Você quer beber alguma coisa, Anisah? – Kamus insistiu na pergunta.

-Sim, posso pegar um copo de água?

-Sim. – Kamus se levantou. Rapidamente ela pegou em seu braço. Ele estava muito quente.

-Deixa que eu mesma pego. Nossa, Kamus, você deve estar ardendo em febre!

-É normal ter febre nos primeiros dias. Pior é me olhar no espelho e ver esse monte de pintinhas vermelhas por toda a parte.

-Como foi que você pegou isso? – Anisah se pôs a beber a água.

-O médico disse que foi porque meu sistema imunológico baixou a resistência...

Ela olhou curiosa para ele.

"Ah não... Estou doente... Pare com isso Anisah, isso é covardia..."

-Mas o que poderia ter baixado a sua resistência, Kamus?

-Os fenômenos que vem acontecendo comigo.

"FENÔMENOS QUE VEM ACONTECENDO COMIGO? MON DIEU, KAMUS, SE CONTROLE!"

-Fenômenos? Que fenômenos? – Anisah ficou confusa.

"O que eu vou falar pra ela agora? Como você é idiota, Kamus!"

Quando o garoto ia responder a pergunta, o interfone tocou novamente. Seu rosto corou.

-Quem será que é, Kamus? Algum de seus amigos?

-Não sei, mas eu pedi para o porteiro avisar aos garotos da minha classe que eu saí de viagem. Não quero que eles me vejam... Assim.

Atendeu ao interfone e desligou pensativo.

-Anisah, um investigador da polícia está subindo na minha casa. – Ele olhou para ela desconfiado.

-Então, Kamus, eu vim até aqui para te falar justamente sobre isso.

-Será que você poderia recebê-lo para mim? Er... Não posso atendê-lo... De pijama...

-Claro. Eu o atendo. Fique tranqüilo. – A árabe sorriu.

Kamus foi para o quarto se trocar. Segundos depois, a campainha tocou. Anisah abriu a porta e encarou os grandes olhos do investigador.

-Boa tarde. Quem é a senhorita?

-Eu sou Anisah. Por favor, entre. Kamus pediu para recebê-lo enquanto ele trocava de roupa...

-Vocês moram juntos?

Anisah riu.

-Não, não. Sou apenas uma amiga dele. Vim fazer uma visita, ele está doente.

-Então é por isso que ele não está indo às aulas?

-Sim. Ele está com sarampo. O senhor já teve sarampo? É perigoso contrair a doença, caso o senhor nunca tenha tido.

"Hum... Sarampo... Que esquisito isso. A última vez que ouvi falar disso na Grécia faz muito tempo."

-Já, quando eu era criança.

Kamus chegou na sala, com a roupa trocada. Seus olhos estavam inchados e a pele coberta de pintinhas vermelhas. O investigador o observou preocupado.

-Boa tarde. Eu sou investigador Hipérion, do terceiro distrito de Atenas.

-Boa tarde, eu sou Kamus. Por favor, queira se sentar. – Kamus indicou o sofá para o investigador. – Antes de iniciarmos qualquer assunto, gostaria de dizer que contraí uma doença infecto-contagiosa e é perigoso ela se alastrar e acontecer uma epidemia.

-Sua amiga já me disse. Não precisa se preocupar com isso, rapaz. – Ele se ajeitou no sofá.

Anisah puxou uma cadeira e se sentou ao lado de Kamus. Pegou na mão do francês. Ele retribuiu ao toque.

-O que deseja, senhor investigador?

-Vim até aqui por causa do roubo das provas da Escola do Zodíaco.

Kamus olhou para Anisah sem se alterar.

-Entendo.

O investigador ficou confuso. O francês não ia dar continuar a conversa?

-Você está sabendo do que aconteceu, rapaz?

-Não.

Hipérion olhou para Anisah e depois para Kamus.

-Prendemos o suposto culpado pelo crime.

O francês não se abalou.

-Já estava na hora.

-Você sabe quem foi o culpado pelo roubo?

-O senhor ainda não me disse.

"Esse rapaz me lembra o Saga. Deve estar querendo me confundir. Mas eu sinto ele muito calmo para a devida situação..."

-Foi Afrodite.

-Hum... – Kamus fechou os olhos, pensativo.

-Você não se abala com esse fato?

-Por que deveria me abalar?

-Porque ele era um colega de classe seu. Vim, pois eu gostaria de saber qual é a sua versão da história sobre o roubo.

-Mas vocês já não capturaram o autor do crime? O que minha versão poderia mudar nessa história toda?

-Alguns amigos seus me pediram que falasse com você. Eles afirmaram que você sabia quem tinha roubado a escola.

-Eu nunca disse que sabia quem era o ladrão. Pode perguntar a eles.

-Você não pode ajudar em nada?

-Não.

-Você sabia que se você estiver encobertando alguém, a sua situação pode piorar?

-Senhor investigador, eu só acusaria alguém se eu tivesse provas concretas contra essa pessoa. Caso contrário, não me daria ao trabalho.

-Mas seus amigos me disseram que você não gostava de tocar no assunto.

-Pergunte aos meus amigos quem é que gostava de falar sobre o assunto. Isso não é motivo para me fazer suspeito.

Anisah estava espantada com a calma de Kamus, ao responder àquele monte de questões.

-Mesmo assim, gostaria da sua versão sobre o autor do crime.

-Não posso lhe contar versão alguma sobre esse episódio. A única coisa que posso dizer é que eu não tive participação alguma nessa história toda.

-Você acha que foi mesmo seu colega de classe, Afrodite?

-Pode ter sido qualquer um. Todos tinham motivos, todos eram capazes de fazer o que o ladrão fez. Não tenho suspeito definido. Pode perguntar isso para qualquer um. Ninguém vai negar o que estou lhe dizendo agora.

"É impossível tirar alguma coisa desse rapaz. Preciso abalar o seu autocontrole."

-Você – Hipérion se virou para Anisah – Em que ano está?

-No primeiro ano, senhor.

-Não sabe de nada sobre o assunto?

Anisah olhou para Kamus antes de responder à pergunta.

-Não sei, não senhor. Sei menos que Kamus. E até prefiro que seja assim, quanto menos a gente se envolver, melhor.

O investigador olhava para os dois. Tinha certeza que eles escondiam alguma coisa, mas ficar ali, perdendo seu tempo não ia adiantar. Antes de se dar por vencido, o investigador resolveu fazer uma última tentativa.

-Seu amigo, Afrodite, está dizendo que é inocente. Que estão o incriminando injustamente.

-Entendo.

-Você não sabe de alguém que poderia ter raiva dele e estar fazendo isso de propósito?

-Eu acredito que o senhor tenha interrogado todos os meus colegas. Se não foi capaz de descobrir isso por si próprio, eu não posso te ajudar.

-Você tem algo contra o Afrodite?

-Não.

O investigador respirou fundo e se levantou.

-Obrigado, de qualquer forma e desculpe-me por vir incomodá-lo numa situação dessas.

-Não há problema quanto a me incomodar.

O francês levou o investigador até a porta. Antes de sair, por curiosidade, Kamus resolveu fazer uma pergunta.

-Senhor investigador, quem foi que acusou Afrodite do roubo?

-Kanon, Máscara da Morte e Miro.

-Entendo. A dupla fez isso, pois precisava provar a inocência.

-Acha que eles simplesmente encontraram alguém frágil para jogar a culpa?

-Não. Eles fizeram o que achavam certo.

-Você não acha certo?

-Eu não disse isso. Disse que eles fizeram o que fizeram, pois acharam o certo.

-Você desconfia deles?

-De todos.

"Não adianta. Quem sabe numa outra oportunidade."

-Bom... Eu já vou indo.

-Até mais.

Kamus fechou a porta. Nesse momento, soltou o ar que havia segurado durante àquele interrogatório com força.

-Você está bem, Kamus? Minha nossa, você tem um autocontrole incrível! – Anisah foi até ele e levou até o sofá, como se fosse a sua enfermeira particular.

O coração de Kamus batia descontrolado.

-Ele ainda vai voltar a me procurar.

-Por que não disse o que sabia para ele, Kamus? Aquilo que você me disse, aquele dia, na minha casa?

-Eu não quero me comprometer até ter certeza.

-Você acha que foi o Afrodite?

-Não, Anisah. Não acho que foi ele.

-Pense nele, Kamus! Ele está sofrendo por algo que não fez!

-Eu não estou interessado no sofrimento do Afrodite. Se ele fosse esperto o bastante, não teria sido preso.

-Kamus, como pode dizer uma coisa dessas? – Anisah estava surpresa – Acharam provas concretas do roubo na casa dele! Tudo aponta para ele! Ele não podia escapar!

-Eu estou cansado, essa febre não passa e meus neurônios estão sendo queimados por ela. Se importa da gente conversar disso quando eu melhorar?

-Me desculpe! – Anisah percebeu a real situação do francês – Devia ter me dado conta disso antes. Deve ter sido difícil para você prestar seu depoimento dessa maneira...

Ela começou a olhá-lo com a mesma admiração de sempre. Seu rosto corou e ela começou a se aproximar, lentamente do rapaz. Kamus começou a sentir "aquela coisa quente e estranha" dentro do seu peito.

"É a febre! É a febre!"

Ficaram se olhando em silêncio. A árabe calculava todos os seus movimentos, para não assustar o rapaz. O francês começou a se deixar se envolver pelo momento.

"Estou enlouquecendo... Estou enlouquecendo..."

Quando ela finalmente colocou sua mão sobre a nuca do amigo, o telefone tocou. Os dois levaram um susto e ficaram vermelhos. Kamus suspirou aliviado. Ela parecia ter ficado desapontada.

-Não vai atender ao telefone?

-Não. Deve ser o Miro ou algum daqueles garotos da minha classe.

-Por que está se isolando dessa maneira, Kamus?

-Anisah, não quero que ninguém me veja assim.

-Se não quer que ninguém te veja, por que consentiu a minha visita?

-Porque você é diferente dos outros.

"Não, eu não disse isso!"

-Sou diferente dos outros como, Kamus?

"Disse sim, seu idiota!"

-É, diferente. Você... Você... Consegue me... Compreender. – Disse ele com a respiração ofegante.

-A sua respiração está alterada.

-Er... Acho melhor eu ir me deitar. O médico me recomendou repouso.

-Tudo bem. Eu vou indo então. Se você precisar de alguém, não hesite em me procurar, está certo? – Anisah passou a mão no rosto quente de Kamus.

-Sim, Anisah, eu procuro. – Kamus estava enlouquecendo com o toque da garota em seu rosto. – Obrigado pela visita. Até mais.

A garota deu um beijo no rosto do francês e saiu rapidamente pela porta. Kamus se encostou no objeto de madeira, cansado.

"Céus, como é difícil lutar contra isso..."

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-Lígea, não solte minha mão hora nenhuma! Delegacias são um antro de criminosos e pessoas ruins!

-Ai Dohko, até parece que não sei me defender!

Os dois entraram no terceiro distrito policial de Atenas. Se dirigiram até um balcão de informações.

-Boa tarde, nós viemos visitar um amigo nosso que está preso.

-Qual o nome dele?

-Afrodite. – Respondeu Lígea firmemente.

-E o nome de vocês?

-Meu nome é Lígea e o dele é Dohko.

-Certo, por favor, me acompanhem.

O atendente os levou para uma sala.

-Podem aguardá-lo sentados. Em alguns minutos o traremos aqui.

Lígea olhava ao redor da sala. Um vidro que parecia um espelho, como ela já havia visto nos filmes policiais. Andava por toda a sala, curiosa. Dohko se sentou na cadeira desconfortável e esperou pelo amigo, impacientemente.

-Dohko, se acalme, você não foi o culpado pela prisão do Afrodite.

-Não tente me convencer do contrário, Lígea.

-Dohko, o que você podia fazer? Não podia mentir! Você não disse que foi ele! Você apenas contou o que ele tinha dito!

Foram interrompidos pelo barulho da porta se abrindo. Um policial levou Afrodite até a sala.

-Afrodite! – Dohko correu para abraçá-lo. – Como você está?

-Infelizmente não posso retribuir o seu abraço, Dohko. Olhe para mim e tire suas conclusões. Olá, Lígea.

-Oi, Afrodite. – Respondeu a grega espantada.

O sueco estava pálido, com profundas olheiras e olhos inchados. Mas mesmo daquele jeito, ainda estava bonito.

-Eu estou com a consciência muito pesada, Afrodite, eu te juro.

-Você precisa me tirar daqui, Dohko... Você não imagina o que eu estou passando... Por favor... – Afrodite disse em tom de súplica.

-Eu queria muito te ajudar, cara!

-Eu não roubei nada!

-Afrodite, espera aí – Lígea se intrometeu – E aquela blusa que acharam na sua casa?

-Não faço idéia de quem seja! Não é minha! Não acharam o cheque e nem as chaves do carro! Eu não roubei nada! Precisam acreditar em mim!

-Eu acredito! Mas como é que essa blusa foi parar na sua casa então?

-Eu não sei, mas alguém deve ter colocado lá pra me incriminar de propósito!

-Tem alguém que faria isso com você por motivos pessoais, Afrodite? – Perguntou a grega.

-A única pessoa que me odeia declaradamente naquele grupo é o Shura, por causa da Shina!

-Então, só pode ter sido ele!

-Mas como, Lígea?

-Sei lá como, mas se ele odeia o Afrodite, pode ter feito de propósito mesmo! Ele sempre teve ciúme dele com a italiana.

O policial entrou na sala novamente.

-O tempo de visita acabou. Despeça-se de seus amigos.

Afrodite começou a derramar lágrimas enquanto o guarda o levava pelos braços.

-Me tire daqui, Dohko, por favor... Eu juro que não sou o culpado...

Enquanto viam o sueco ser arrastado de volta para sua cela, Dohko chorou novamente. Lígea ofereceu seus ombros.

-Se acalme, Dohko. Se o culpado não for ele realmente, nós vamos libertá-lo.

-Como vamos libertar alguém sem provas, Lígea?

-Indo atrás, ué! Ou você acha que o Miro, Kanon e Máscara da Morte conseguiram provas porque elas caíram do céu? Vamos começar a conversar com o povo!

-Você viu como ele está péssimo, Lígea?

-Claro que eu vi, Dohko e também não esperava menos. Vamos embora, na próxima vez que voltarmos, vamos conseguir provar a inocência dele. Se ele realmente não estiver mentindo.

-Não sei o que seria de mim sem você, minha pequena.

-Nós somos melhores juntos, Dohko. Isso você pode ter certeza!

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Mu andava muito alheio depois de todos os problemas que havia se envolvido. Aldebaran, preocupado, resolveu ir até a casa do amigo naquela noite. Quando bateu à porta da casa do tibetano, foi recebido gentilmente.

-Vim até aqui porque faz tempo que não conversamos.

-Faz tempo que não converso com ninguém.

-Como você está se sentindo após todas essas confusões, Mu?

-Aldebaran, eu ando muito nervoso e inquieto.

-A Kia não te procurou mais?

-Sim, me procurou, mas eu pedi pra ela ficar longe de mim, não quero mais confusões. Já me meti em problemas demais. Metade deles foram por causa dela.

-Achei que fossem todos.

Mu suspirou.

-Cara, eu ainda estou perplexo por Afrodite ter invadido a escola.

-Pois é... Não combina com ele...

-Mu, agora, que o caso já foi solucionado, eu me lembro que você queria falar sobre o roubo naquele dia em que eu descobri sobre a Kia. Não quer me contar?

-O caso já foi resolvido, Deba, não tenho mais o que te dizer.

-Então, você sabia que foi o Afrodite?

-Não, não sabia não.

-Tá certo então...

Mu sorriu.

-Você acha mesmo que foi o Afrodite?

-Eu não acho. Eu não sei... Isso tudo é tão confuso... Mas alguém foi culpado, então... Coitado...

-Você parece esconder alguma coisa sobre esse assunto.

-Do jeito que você fala, Aldebaran, parece que eu sempre escondo alguma coisa.

-O jeito que você olha pra mim hoje é bem diferente do jeito que você me olhou no primeiro dia de aula.

-Aldebaran, como você queria que eu estivesse depois de tudo o que aconteceu?

-Tudo bem, Mu, eu posso concordar com você diante de todos os fatos que aconteceram até hoje, mas gostaria que você pensasse na seguinte coisa.

-Que coisa?

-Vou te jogar a seguinte situação. Imagine que o Shaka fosse acusado por ter roubado as provas e que você soubesse que não foi ele. Você deixaria ele pagar por um crime que não cometeu?

-Aldebaran, onde quer chegar com isso?

-Se você sabe de algo que possa tirar o Afrodite da cadeia e colocar o verdadeiro culpado no lugar dele, deveria falar.

-Aldebaran, as coisas não são assim...

-Mu, naquela discussão que tivemos antes do roubo ser consumado, o Kanon te chamou de covarde, eu lembro. Você podia muito bem ter feito isso para provar sua coragem.

-Mas não fui eu!

-Não estou falando que foi você! Estou falando que se você souber de alguma coisa, pra você falar! Imagine se você estivesse no lugar do cara!

-Mas e se foi ele mesmo?

-Se foi ele mesmo, coitado. Mas tem gente falando que não acredita nisso.

-Quem?

-Shaka, Saga e Dohko, por exemplo...

-Eu sempre achei melhor ficar fora desse assunto. Não vai ser agora que vou me meter.

Aldebaran se levantou para ir embora.

-Bom, Mu, então, acho melhor a gente se conformar que foi o Afrodite mesmo. Mas realmente eu acho uma pena. Ele tinha um futuro brilhante pela frente. Sinto pena mesmo.

-É... Uma pena, Aldebaran... Uma pena.

Quando o tibetano fechou a porta, começou a chorar. Queria fugir pra bem longe e buscar um refúgio, mas na mesma hora se lembrou:

"Não adianta-me fugir de corpo, se é a minha mente que me persegue..."