Tudo estava tão bem que era impossível acreditar que isso poderia acontecer. Como tenho uma penca de planetas em Sagitário, sou exagerada então posso ter exagerado um pouco neste capítulo. Mas pelo menos os meus objetivos foram atendidos. Vamos lá então! Beijos e obrigada pelas reviews!
Capítulo 35
Ainda existem Tragédias Gregas!
As duas semanas que se seguiram passaram depressa. O final do ano letivo trazia um nervoso a todos os alunos. Não só por as aulas acabarem e receberem suas notas, mas porque depois da escola, todos sabiam que iam começar a viver pra valer. Kamus voltou para a escola, sem sintoma nenhum. De certa forma, as visitas de Anisah o fizeram bem, apesar dele tentar se convencer do contrário. O dia estava bastante ensolarado. Aioria chegou bem cedo. Encaminhou Marin para a sala e se colocou a seu posto, a espera de alguém.
Shaka passou lentamente por ele, totalmente distraído.
"Sinal de que está apaixonado! Meu plano vai dar certo!"
Viu de longe seu alvo se aproximar. Nínel entrou conversando com Shina. A italiana estava muito baqueada naqueles dias, por causa da prisão de Afrodite.
-Tenho certeza de que o Afrodite não seria capaz de fazer uma coisa dessas...
-Se acalme Shina, se não foi ele, o verdadeiro culpado vai aparecer, ou você acha que os garotos vão deixar a culpa toda sobre ele?
-Nínel, o Afrodite é muito sozinho, ninguém gosta dele... Só passaram a respeitá-lo quando eu comecei a namorá-lo... Agora que eu estou com Shura, as coisas voltaram a ser como antes...
-Mas você tem que se conformar, né, querida? É a vida...
-Queria fazer algo pelo Afrodite... – Os olhos de Shina se encheram de lágrimas.
-Shina, você ainda gosta do Afrodite, não gosta?
Shina não respondeu.
-Ah, Shina! Por que você está com o Shura então?
-Eu não sei de quem eu gosto... Gosto de Shura, ele me respeita quando quero ficar sozinha ou com vocês, mas falta algo. O Afrodite era super carinhoso, super sensível, mas não me deixava ficar sozinha. Mas isso falta no Shura... Mas o respeito que o Shura tem por minha individualidade falta no Afrodite.
-Mas você não pode ficar com os dois, Shina.
-Eu sei!
-Por outro lado, o Afrodite está preso.
-Nínel... Eu acho que fizeram isso com ele de propósito... Não sei por que, mas acho que fizeram de propósito.
-Shina, eu não sei... Acho melhor a gente nem se meter nisso...
-Quando eu imagino o que ele deve estar passando... Ele é lindo, os outros homens na cadeia... Eu...
-Pare! Não pense nisso! Meu estômago embrulha quando penso nisso! Olha, nós não podemos fazer nada! Você sabe de alguma coisa que pode tirá-lo de lá?
-Não.
-Nem eu. Temos que esperar.
Quando elas passaram pela árvore em que Aioria estava escondido, o grego apareceu, fazendo as duas se assustarem de medo.
-AIORIA! QUER NOS MATAR DO CORAÇÃO?
-Não! – Riu o rapaz de cabelos castanhos claros – Nínel, preciso dar uma palavrinha com você, em particular.
-Tudo bem, depois a gente conversa, Ní, vou subir.
Quando os dois estavam sozinhos, a russa encarou Aioria de braços cruzados.
-Depois do susto que você nos deu, a palavra é sua.
-Certo, Nínel, vou ser bem direto, você curte o Shaka não curte?
-Ai Aioria, que maneira de me abordar! – Disse a russa corada.
-Preciso que você me responda isso.
-Pra quê, exatamente?
-Nínel, o Shaka é uma pessoa muito bacana.
-Sim, eu sei!! – Os olhos da garota se encheram de um brilho diferente.
-Só que o Shaka não é como eu.
-Como assim, Aioria?
-O Shaka é sem atitude, saca, Nínel? Se você quiser algo com ele, você que vai ter de ir para cima do cara.
-Ai Aioria... Eu não sou desse tipo de garota que parte pra cima... Acho que isso tem de partir do homem.
-Mas o Shaka não é desse tipo de homem. Ele é inseguro, cheio de manias e superstições. Se você quer algo com ele, vai pra cima que não vai perder nada.
-Mas como eu faço isso? A gente só fica na conversa! Acho chato interrompê-lo!
-Que nada. Quando ele começar a falar, você parte pra cima dele, não pense, manda logo um beijo na boca do rapaz. Ele vai ficar doidinho!
-Mas aí ele não vai ficar mais inseguro ainda? Em ver que é a menina que está tomando a atitude...
-Nínel, vai por mim. Com o Shaka tem que ser na marra. Chama ele num canto, aqui no colégio mesmo e manda ver.
-Aioria!
-Nínel, se você ficar esperando "O" momento, as aulas vão acabar e o Shaka vai se apaixonar pelo livro de matemática que ele vai ter que ler na faculdade. Você vai ser deixada de lado.
-Será mesmo?
-Se eu fosse você, não pagava pra ver.
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-Resolveu aparecer, Kamus?
-Pois é, Miro. Resolvi. Precisei viajar.
-Precisou viajar ou estava fugindo do seu... "contato profissional"?
-Bom, já que você insiste em tocar no assunto, meu caro amigo, também não vou deixar barato.
-Como assim, Kamus?
-Já que fala tanto que eu fujo daquela garota, a qual não tenho nenhum compromisso, o que você faz com a... Calíope?
-Ora, Kamus! Não posso ficar com a minha musa agora! Preciso esperar as aulas acabarem!
-Ah... Então, você vai esperar as aulas acabarem para se declarar pra ela?
-Mas é claro! Depois que eu descobri o verdadeiro culpado do crime, ela está caidinha por mim!
-Vamos deixar essa história do culpado de lado. Estou falando de você se declarar para ela.
-Ué... Mas você vivia me dizendo que eu estou me iludindo...
-Qual é a melhor forma de acabar com a dúvida?
Miro encarou Kamus pensativo.
-Você fala tanto que eu tenho medo de me envolver, e você, que fica aí, curtindo uma paixão platônica, ainda mais achando que tem chance?
-Você está sugerindo que eu fale com ela?
-Sim, claro. Se você não consegue desencanar da orientadora, peça pra ela te orientar.
-Kamus! Que idéia brilhante! Ainda bem que eu sempre trago a minha colônia para a escola! Mas eu vou me declarar é na hora do intervalo, você vai ver!
Os dois ocuparam seus lugares e prestaram atenção na aula que estava começando. Kamus olhava para Miro incrédulo. O grego não estava ouvindo nada do que o professor Eugeu estava falando. Sua cabeça estava em outro lugar. Na sala de Calíope.
O sinal para o intervalo tocou. Miro correu para o banheiro, passou seu perfume e arrumou seus cabelos. Sorriu para o espelho e constatou o sorriso fantástico que tinha. Era irresistível.
Saiu diretamente para a sala da orientadora, obstinado a se declarar.
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Quando Aioria viu Nínel saindo para o intervalo, piscou de leve para ela. Deu um pequeno empurrão em Shaka, que quase caiu de cara no chão.
-Maneira aí nesses seus tapas, Aioria!
-Ah lá, Shaka, a Nínel vem vindo aí...
-Ai meu Buda, o que eu faço?
Não deu tempo para Aioria responder. Nínel já estava ao lado do indiano o cumprimentando.
-To indo nessa. Depois a gente se vê!
"Maldito Aioria!!!"
-E aí, Shaka, tudo bem contigo?
-Sim, Nínel, e você?
-Sim! Claro! Ei, Shaka, você teve aula com o Kim sobre botânica, ao ar livre?
-Tivemos...
-Será que você não pode me mostrar no jardim uma Angiosperma? Se der pra você me explicar também a diferença entre uma Angiosperma e uma Gimnosperma, eu agradeceria!
-Claro! Vamos lá!
Nínel respirou fundo e tratou de agarrar a mão do rapaz. O rosto de Shaka ficou vermelho. Chegaram a um dos jardins. Sem soltar a mão da menina, ele começou a falar.
-As plantas com flores ou angiosperma que hoje são as mais freqüentes e numerosas, somente apareceram na história do nosso planeta por volta da metade da Era Mesozóica, vindo a se tornar dominantes somente a partir do Período Cretáceo, no qual são encontrados em abundância fósseis tanto de folhas como de flores.
-Que interessante... E as Gimnospermas?
-As gimnospermas possuem raízes, caule, folhas, flores e sementes, mas não produzem frutos. O nome gimnosperma significa seme...
Nínel resolveu não pensar. Avançou no rapaz antes mesmo dele ele terminar a frase. O começo do beijo foi confuso, parecia que os dois não estavam em sintonia, mas depois, quando se acalmaram, sentiram tudo o que aquele ato demonstrava. Que os dois estavam muito apaixonados.
-Shaka, eu te adoro muito, sabia?
-Eu... E-eu que te adoro, Nínel.
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Miro bateu a porta da orientação com leveza. Calíope abriu a porta, já mais sorridente. Sorriu ainda mais ao ver o grego.
-Entre Miro, por favor!
O grego entrou confiante.
-Desde o dia em que finalmente encontramos o culpado do crime, não conversamos mais. Gostaria muito de poder te agradecer de alguma forma. – Disse Calíope entusiasmada.
"É agora, Miro, comece a falar agora."
-Você... Gostaria mesmo... De me agradecer?
-Mas é claro. Se não fosse você, nós ainda estaríamos tentando encontrar o culpado pelo roubo... Infelizmente, não achamos o cheque e nem as chaves, mas só de prender o culpado...
-Foi um prazer enorme, descobrir esse mistério... Pra você. – Miro começou a investir nos olhares.
-Pra mim? Ah, Miro, não precisava se incomodar...
-Calíope... Claro que eu me incomodei. Precisava te tirar dos escândalos...
-Como você é atencioso, Miro! Estou até pensando em preparar uma surpresa para você, na formatura.
"Minha nossa, depois disso, eu preciso me declarar."
-Surpresa pra mim?
-Sim, o nosso "Sherlock Holmes" da Escola do Zodíaco merece mesmo uma homenagem.
-Calíope... Eu preciso te dizer umas coisas.
-Fique a vontade, Miro, pra você, eu tenho todo o tempo do mundo.
-Verdade?
-Claro.
-Calíope... Esse tempo em que vim te visitar, eu te imaginei ao meu lado, para o resto da vida.
A orientadora arregalou os olhos.
-Como assim, Miro?
-Eu... Sempre sonhei com uma pessoa como você ao meu lado. A cada dia que se passa tenho mais certeza de que a nossa história deve ser escrita junta, que nós dois só seremos felizes se for juntos, pois eu sei que eu não existiria se não fosse por você. Você é a minha vontade de vir ao colégio todas as manhãs, a vontade que me dá de viver e estudar... Você é tudo o que eu quero pra mim. Meu sonho, minha vida, minha terra, minha água, meu ar e minha noite.
Calíope estava assustada ao terminar de ouvir as palavras do rapaz. Não imaginava que o garoto grego nutria sentimentos tão profundos.
-E eu sabia como era importante para você encontrar o autor do roubo das provas e eu tinha certeza de que eu ia te conquistar mesmo, após todas as outras provas de amor que você me deu, o último trunfo seria a descoberta do culpado.
-Miro... – Quanto mais o rapaz falava, mais ela ficava assustada.
-Pensando nisso, eu preparei a minha casa para recebê-la, hoje à noite. Comprei uma champagne maravilhosa, Clicout, conhece? Fiz questão de comprar, sei que a senhorita é uma mulher fina e está acostumada com o que há de melhor. Prepararei um banho de espumas e logo depois, meus lençóis de ceda a estarão esperando, para uma linda noite de amor.
Miro se levantou, tomado pelo ímpeto da paixão e foi caminhando para onde Calíope estava sentada. Fechou os olhos e se preparou para beijá-la. Quando estava próximo de encostar seus lábios nos dela, ela o parou.
-Miro. Acorde.
-Não posso acordar desse sonho sem você.
-Eu é que não posso participar desse sonho com você.
O rapaz parou e olhou diretamente para os olhos verdes da orientadora.
-Como não? E as vezes que você me elogiou? Você até saiu comigo! Foi tomar chocolate comigo! Disse que eu era lindo...
-Mas você é mesmo lindo, é um aluno brilhante, educado e muito gentil.
-Você provou da minha comida! Achou maravilhosa!
-Provei e estava maravilhosa mesmo, mas isso não significa que eu esteja correspondendo aos seus sentimentos, Miro.
-Eu fiz tudo o que fiz por você! Dediquei minhas noites, meus estudos, por você! E você diz que não corresponde aos meus sentimentos?
-Eu não posso, Miro. Eu sou casada.
-Não pode ser! Impossível! Se você tivesse marido, não teria ido a festa a fantasia sozinha! Não teria ido tomar chocolate comigo! Por que está mentindo para mim, Calíope? Você tem vergonha da minha idade?
-Não, Miro! Entenda, eu sou casada, não posso corresponder aos seus sentimentos. São sentimentos lindos, mas eu não posso.
-Quem é seu marido? Eu o conheço? – Miro começou a olhar para a orientadora com raiva – Me diga o nome dele!
-Se acalme, Miro. Você o conhece, é o professor Aristóteles.
-Eu não posso acreditar! Você está mentindo! Você é minha! Vai ser totalmente minha!
-Eu não posso ser sua, Miro! Entenda, coração... Eu até gostaria que as coisas fossem diferentes...
-Não vejo mais motivos para ficar aqui nesta sala. – Disse Miro em tom orgulhoso – Se você prefere um velho, caindo aos pedaços, o problema é seu. Eu ainda vou provar pra você o que você está perdendo. Eu tenho muito mais vigor que o seu velho gagá. Eu sou muito mais bonito! Não uso dentadura e você ainda prefere aquele velho idiota. Passar bem, Calíope!
-Espere, Miro!
Tarde demais. O garoto já tinha partido e batido a porta com força. Só não esperava encontrar aquela pessoa que estava ali.
-E aí, Miro? Como foi na sua... "Prisão imaginária?"
Miro soltou um olhar fulminante para Kamus.
-Hum... Pelo visto, deu tudo errado. Você estava certo sobre aquela metáfora que você criou para definir o amor. Realmente o amor é uma prisão... – Kamus começou a caminhar e ficar mais próximo do grego. Cruzou os braços e fez a sua pose de marca registrada – Entretanto... Você se esqueceu de que uma prisão vai ser sempre uma prisão e não uma sala de estar muito bem decorada.
Miro começou a ficar vermelho. Acabara de levar uma queda homérica com as palavras de Calíope e como se não bastasse, tinha de ouvir palavras cheias de realidade vindas de Kamus?
-Eu avisei, Miro.
O grego não agüentou.
-Escute, seu boneco de neve ambulante, se você agora conhece a sensação de estar apaixonado, deveria me agradecer, porque se não tivesse sido EU, escute bem, EU, que tivesse entregue aquele vaso para a Anisah você ainda estaria na sua casa brincando com as suas esculturas de gelo, então, antes de você vir me criticar, pare e pense no que eu te proporcionei ao invés de sempre me tentar fazer parecer um lixo por gostar de você! Não tenho culpa se você não consegue se entregar porque tem medo de parecer fraco! Você já é fraco e covarde por isso! Você perde as coisas maravilhosas da vida por causa disso e se sente orgulhoso por ser desse jeito!
-Miro...
-GRAÇAS A MIM QUE VOCÊ CONHECEU AQUELA GAROTA! GRAÇAS A MIM QUE VOCÊ ESTÁ CONHECENDO A SENSAÇÃO DO SEU CORAÇÃO BATER MAIS FORTE! DANE-SE KAMUS! JOGUE TUDO PELOS ARES! CONSERVE A ANISAH NUM ESQUIFE DE GELO, QUEM SABE VOCÊ NÃO FICA A ADMIRANDO DE LONGE!
O grego saiu da frente do francês sem esperar qualquer resposta. Kamus ficou parado, pasmo com as palavras de Miro.
-Minha nossa, Kamus, passou um caminhão por aqui?
-Não. Antes fosse.
-Por que o Miro estava tão alterado?
-Não sei, Aioros.
-Não seria melhor ir atrás dele e ver como ele está?
-Eu não vou.
Kamus saiu em direção oposta de Aioros. Shura chegou ao lado do amigo. O espanhol sugeriu procurá-lo na quadra. Não o encontraram.
-Acho melhor ir ver no banheiro, Shura.
-Pode ser, Aioros.
Quando abriram a porta, encontraram Miro estatelado no chão. Ao lado dele havia uma poça amarela.
-Veja! Ele comeu maçã no café da manhã!
-Ai Aioros, poupe-me dos detalhes!
-Ei, Miro, acorda! – Aioros dava tapinhas fracos, no rosto do rapaz.
Shura foi até a pia e buscou um pouco de água. Jogou sobre o rosto dele. Miro pareceu despertar.
-Calíope... – E voltou a adormecer.
-Calíope? Não é o nome da orientadora?
-É, mas por que ele está chamando por ela?
-Não sei, Shura, mas ele passou mal, melhor levar ele pra enfermaria.
-Isso. Aioros, eu pego ele pelos pés e você pelos ombros. Vamos lá.
-Ai! Minha nossa! – Aioros deixou Miro escorregar e bater a cabeça no chão.
-AIOROS, SEU INCOPETENTE! CUIDADO COM A CABEÇA DO MOLEQUE! QUER QUE ELE TENHA TRAUMATISMO CRANIANO?
-Calma, Shura! Foi sem querer!
-Esquece! Fica aí com ele que eu vou chamar a enfermeira.
-Tá bom.
Enquanto Aioros esperava Shura, Saga acompanhado pelo irmão e Máscara da Morte apareceram no banheiro.
-Ih, Saga, o que foi que o Miro te fez, hein?
-Melhor você ficar na sua, Máscara da Morte, a não ser que você queira que eu honre o seu nome.
-Calma, Saga.
Kanon deu risada.
-O que aconteceu com ele, Aioros?
-Sei lá, caras, ele passou mal e desmaiou.
-Ele está com a cabeça toda molhada. – Observou Saga.
-Foi uma tentativa de acordá-lo. Shura foi buscar a enfermeira. A única coisa que ele disse foi um suave "Calíope".
Máscara da Morte e Kanon se olharam e tiveram transmissão de pensamentos.
-O Kamus já sabe do estado do melhor amigo dele?
-Acho que não, Saga.
A enfermeira chegou e junto com os ajudantes, colocaram Miro em uma maca e o levaram para a enfermaria. Depois que ele acordou, Máscara da Morte e Kanon resolveram ir conversar com o grego, sozinhos.
-E aí, Miro, tá melhor?
Miro virou a cabeça do lado oposto de Kanon. Só não esperava encontrar ali, Máscara da Morte.
-Nós ficamos preocupados com você. Ainda mais depois que o Aioros disse que você chamou pelo nome da orientadora.
-Eu disse isso e o AIOROS estava lá?
-Estava. – Confirmou o amigo italiano.
-Que droga!
-Ah, mas nem se preocupa, Miro, ele nem entendeu nada. Ele nunca entende nada.
-Assim espero, Kanon.
-Conta aqui pra gente, que houve? Você falou com ela?
-É, se declarou?
Miro olhou para cima para não encarar os dois.
-Ah, cara. Não fica assim. – Comentou Kanon.
-Você precisa conhecer o nosso mundo, Miro. – Emendou Máscara da Morte – A não ser que queira comprar uma passagem para a África depois de amanhã.
Miro respirou fundo. Era tudo o que precisava, dois supostos colegas tentando levantar seu astral, literalmente.
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-E aí, Dohko, você descobriu alguma coisa?
-Não, Lígea. Parece que vamos ter que nos conformar de que o Afrodite foi mesmo o ladrão.
-Kamus! O segredo está em Kamus!
-Como assim, Lígea?
-Dohko, eu acho que o único que pode salvar o Afrodite é o Kamus!
-Você não conhece o Kamus, Lígea... Ele não vai falar nada. Ele nunca fala nada.
-É impossível ele não se sensibilizar com a situação em que o Afrodite se encontra!
-É bem possível sim.
Lígea deu um pequeno beijo nos lábios do chinês.
-Dohko, vamos tentar falar com ele agora, que é a saída.
-Você vai ver, ele está sempre com pressa.
-Ele vem vindo. – Lígea começou a correr sem soltar a mão do mais novo namorado – Kamus! Oi!
O francês parou e olhou desconfiado para a grega morena dos olhos escuros.
-Oi, Lígea.
-Kamus, nós precisamos muito da sua ajuda.
-Precisa ser agora? Eu estou meio com pressa...
Dohko sorriu.
-Precisa. Preciso que você vá até a delegacia e diga quem é o verdadeiro culpado do crime.
-E por que é que eu faria isso?
-Porque você sabe quem foi!
-Eu nunca disse que sabia. E eu não sei.
-Ah Kamus, fala sério, eu não sou tonta! Todo mundo sabe que você esconde alguma coisa sobre esse assunto. Você sempre foge dele!
O francês olhou para Dohko.
-Todos fogem do assunto.
-Mas a sua fuga é peculiar. Kamus, o Afrodite está sendo acusado injustamente.
-Lígea, eu estou enjoado desse assunto. Estou com fome e quero ir para a minha casa.
-Ta vendo como você foge, francês?
-Eu não sei quem roubou as provas, Lígea. – Ele a encarou firmemente em seus olhos.
-Mas poderia ajudar a descobrir o verdadeiro culpado.
-Não quero me meter nessa história.
-Você não tem coração, Kamus. Não se mete no que não te interessa. – A intensão de Lígea era provocar o colega.
-Não vai mudar a minha vida tirar o Afrodite da cadeia.
-Mas o verdadeiro ladrão está solto. E pode agir novamente, enquanto um inocente está lá, perdendo o seu tempo dentro de uma cela, sem perspectiva de futuro e o pior, ocupando um lugar o qual não pertence!
-Infelizmente eu não posso ajudá-los. – Kamus partiu sem se despedir e olhar para trás.
-Viu o que eu disse, Lígea? Ele não vai ajudar.
-Nem se o Miro pedir?
-Lígea, o Miro que acusou o Afrodite.
-Ah é... Só se...
-O que?
-Só se nós falarmos com a Anisah, Dohko.
-Isso é golpe baixo, Lígea.
-Golpe baixo, Dohko, é o Afrodite estar lá, sozinho, passando frio e fome, enquanto o verdadeiro culpado está livre! Imagine, se a gente conseguir provar que o Afrodite não é o culpado, o verdadeiro ladrão vai passar muito mais tempo na cadeia!
-Por que Lígea?
-Porque ele deixou que outra pessoa assumisse o seu lugar. Deu falso testemunho em seu depoimento. Se o cheque e as chaves do carro não foram achados junto com a blusa, devem estar em outro lugar.
-Mas onde?
-Com o verdadeiro culpado!
-Mas não sabemos quem é o verdadeiro culpado!
-Kanon e Máscara da Morte...
-Lígea, eu imagino o comichão que deve ser pra você querer acusar os dois de algo, mas eu tenho a impressão de que não foram eles...
-Você não deixou eu terminar de falar...
-Desculpe, então, continue.
-Os trastes podem ajudar a gente. Você não disse que eles têm um monte de evidências?
-Sim, eles têm mesmo.
-Então, vamos ter que falar com eles.
-Você vai passar por cima do seu orgulho para falar com aqueles dois?
Lígea deu um beijo maravilhoso no seu namorado.
-Se for pra mostrar a verdade, Dohko. Eu passo por cima do que for. E esmago trinta mil vezes a mentira.
-Lígea... Esse seu olhar me dá medo.
-É bom que tenha, assim nunca vai mentir para mim. Vamos embarcar nessa?
-Vamos. Estou contigo, para o que der e vier.
-Mas sabe o que eu acho, Dohko?
-O quê?
-Alguém viu. Tenho quase certeza.
-Você acha que temos uma testemunha ocular? Minha nossa, Lígea, se nós descobríssemos essa pessoa, seria de grande ajuda.
-Tenho certeza absoluta.
-Mas se a testemunha ocular não se pronunciou até agora...
-É porque ela está com medo, Dohko. Ela sabe que vai se ferrar junto.
-Mas ela não fez nada!
-Mas ela VIU e ficou calada. Ela consentiu com o crime. Não quis dedar pra não denegrir sua imagem. Se contasse que viu, teria que dar explicações para estar no local do crime também.
-Então dois de nós... Minha nossa, Lí...
-É, Dohko. Acho que a história do roubo não acaba por aqui não, como o Miro pensa.
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Pode consolar o Miro, Kitsune Lina. Ele é todo seu )
