Bom, como essa última parte ficou enorme, tive que dividir em 3 capítulos. Esse e mais dois. Tenham paciência... Hehehe logo o mistério será solucionado. Saibam que eu adoro os comentários de vocês, muito obrigada mesmo por terem chegado até aqui e lido tudo. Obrigada mesmo. Um grande beijo para todos.
Capítulo 38
Preparativos Finais
Kamus mal conseguiu dormir no dia anterior ao da formatura. Tirou o telefone do gancho várias vezes, mas se conteve.
Tinha vontade de ligar para Dohko e dizer que havia desistido do plano, porém algo dizia que não devia deixar aquilo prosseguir.
Quando o relógio bateu oito horas da manhã daquela sexta-feira, deixou as cobertas de sua cama e saiu logo de casa para não se arrepender depois.
Chegou até o terceiro distrito policial de Atenas bastante nervoso. Foi até o balcão de informações.
-Por favor, gostaria de falar com o investigador Hipérion.
-Quem gostaria? – Perguntou a recepcionista pouco interessada.
-Kamus. Da Escola do Zodíaco.
A recepcionista discou para o ramal e depois pediu que ele aguardasse alguns minutos.
Kamus andava de um lado para o outro como se estivesse esperando a notícia de que sua mulher ia ter um filho. Mordia os lábios ansioso.
"Você veio fazer o correto, Kamus. Não se abale."
Hipérion logo apareceu, com uma xícara de café nas mãos.
-Bom dia, Kamus. O que deseja?
-Falar com o senhor.
-Então vamos até o meu gabinete.
Ele seguiu o investigador. Ele puxou uma cadeira para o francês e sentou de frente para ele. Sua mesa estava completamente desorganizada. Havia pilhas de papel, fotos de crianças e um envelope com o nome da escola. Um carimbo dizia "Caso resolvido". Hipérion apoiou os cotovelos no pequeno espaço vazio que havia em cima da mesa e olhava para o francês, aguardando suas palavras.
-Senhor investigador, vim para lhe pedir um favor.
-Hum... – Hipérion coçou o queixo – Qual?
-Seria possível levar o Afrodite junto do senhor para a nossa festa de formatura hoje à noite?
-Ora, mas que pedido mais ousado.
-Concordo que seja ousado, mas é necessário.
-Certo. Por que eu faria isso? Ele está detido e aguarda o julgamento.
-Eu sei, mas eu acredito que o problema do roubo não foi resolvido, como o senhor acredita. – Na mesma hora olhou para o envelope.
-Ah não? Por que alega isso, jovem?
-Porque acredito que ele não seja o verdadeiro culpado.
-Então você sabe quem foi o verdadeiro culpado?
-Se eu soubesse, teria o entregado desde o início.
-Não vejo motivos para deslocar o detento até a festa então.
-Bom... – Kamus encarou firmemente os grandes e vivos olhos verdes de Hipérion - Então vejo que a polícia grega não é tão eficiente assim.
-Por que diz isso, rapaz? Está me afrontando?
-Na verdade estou mesmo. Um investigador que se diz tão bem conceituado, que se baseia em relatos de adolescentes e por apenas uma prova do crime encontrada na casa de um dos alunos não deve ser considerado... Competente.
-Posso prendê-lo por desacato à autoridade, Kamus!
-Nesse caso eu estaria sendo preso por falar a verdade e por mostrar a sua "preguiça" em não procurar por mais evidências sobre o crime. – Kamus tirou do bolso da calça dois convites para a festa de formatura – Aqui estão os convites. Vai me deixar ir agora ou pretende me manter sob sua custódia?
Hipérion pegou os convites da mão do francês.
-Não. Pode ir. Mas se isso for uma brincadeira...
-Senhor investigador, por um acaso, pareço estar brincando?
Hipérion não respondeu.
-Leve mais policiais com você. Talvez precise.
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Lígea e Ísis foram até o salão para conferir a decoração. Calíope estava lá, quase se descabelando com os garotos da banda que havia escolhido para animar a festa.
"Se eu tivesse deixado esse detalhe para Miro resolver, com certeza ele estaria tirando isso de letra!" – Dizia ela para si mesma.
As garotas conferiram o número de mesas, passaram na cozinha para avaliar o buffet, ajudaram a receber os enfeites e arranjos das mesas. Tudo estava caminhando perfeitamente.
-Acho que não haverá problemas, né Lí?
-Não... Acho que não... – Disse a grega com os pensamentos longe.
-Está tudo bem contigo, amiga?
-Sim, claro! Fico nervosa! É o último dia em que estaremos todos juntos! Vai deixar muita saudade! – Lígea tentava ao máximo parecer natural para Ísis.
-Sim! Me dá um frio enorme na barriga pensar nisso!
Ajudaram a orientadora com os últimos preparativos e depois seguiram para o almoço. Aquele dia seria longo.
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Os gêmeos acordaram cedo. Foram buscar o pai e a madrasta no aeroporto. Aquelau chegou com Sabina naquela manhã bem disposto, porém os filhos pareciam distantes e nervosos. Até estranhou Kanon estar tão calado. Já imaginava a decepção que o pai teria durante a festa de formatura. Saga os recebeu bem, mas não conseguia disfarçar a ansiedade. Além de tudo, era uma emoção muito grande para ele ser o orador de sua classe.
-Aconteceu alguma coisa com vocês?
-Não... – Respondeu Kanon.
-É só o nervoso por tudo estar acabando, pai.
-Deveriam estar felizes!
-Eu os entendo, querido. Cada um seguirá sua vida, conforme as escolhas que fizeram.
"A Sabina nem imagina as nossas escolhas..." – Pensou Kanon bastante triste.
-Mas mesmo assim, é uma festa! Deveriam estar animados! Até mesmo porque um de meus filhos será o orador!
"Ah pai... Não vou deixar que o senhor se decepcione com o Saga... Já tenho a minha decisão..."
Mu também foi receber seus pais no aeroporto de Atenas. Seus irmãos mais novos também vieram para festa e quando viram o tibetano correram para um grande abraço. Estavam morrendo de saudades. O mais difícil para Mu foi encarar Kudrav e Shayla. Ainda não haviam esquecido as notas falsas do boletim, entretanto estavam mais contentes, pois o garoto tinha demonstrado mais empenho. Foram até o chalé do tibetano tranqüilamente, apreciando as paisagens gregas.
-É nessa escola que você estuda, Mu?
-É sim, Hynia... Quem sabe você pode vir estudar aqui quando for mais velha.
-Será que no ano que vem então, Mu?
O tibetano sorriu.
-Não, você é muito nova para isso. Tem apenas 9 anos.
-Eu já tenho 12, Mu! Será que eu venho antes?
-Se for um bom aluno, Yin, com certeza!
-Eu também quero... Mamãe, você deixa?
Shayla sorriu.
-Mas é claro, Zelenka, mas você é a mais nova, com apenas 6 anos... Ainda vai demorar!
-Mas a gente espera! – Arrematou Yin.
Aldebaran ficou emocionado com a chegada de seus pais, mas mais ainda quando viu que atrás de João e Aparecida surgiu Isabel.
-Então você veio!
-Sim! Você continua lindo e forte, Deba! Você faz muita falta no Brasil!
Isabel sorriu e correu para abraçá-lo.
O coração de Aldebaran bateu forte em seu peito ao ver sua amiga, ainda mais participando de um momento tão importante de sua vida.
Levou-os para conhecer a cidade. Isabel ficou fascinada pelas praias gregas.
-Depois que você se formar, Deba, me leva para curtir um sol numa praia paradisíaca dessas?
-Com todo prazer, Isabel! Vai ser muito bom passar esse tempo contigo por aqui.
-Você faz tanta falta na nossa turma! Não faz idéia!
-Realmente deve fazer meu filho, ela disse isso durante a viagem toda para cá.
-Daqui a pouco, João, o orgulho vai subir à cabeça dele... Melhor nós pararmos de falar...
-Não se preocupe, Aparecida. Nosso filho não sofre da síndrome do "ego inflado".
Amadeu e Lisandra foram de carro para Atenas. Estavam eufóricos com a festa de formatura de seus filhos Aioria e Aioros. Compraram bebidas e a mãe queria arrumar os filhos perfeitamente. Aioria até se sentiu sufocado pelos carinhos exagerados da mãe. Amadeu abriu uma garrafa de vinho e a família toda aproveitou para fazer um brinde. Na hora do "tim tim" Aioros, como já era esperado, espatifou a taça.
-Aioros, quando você colocar a camisa branca você tem que ficar que nem uma estátua para não sujá-la!
-Não seja por isso, Aioria – Disse Lisandra afagando os cabelos do filho mais novo – Pro Aioros eu comprei uma camisa preta. Assim, não terá problemas em sujar nada!
Amadeu riu da situação. Aioros deu um sorrisinho maroto.
Hera e Sansão encheram Miro de mimos e presentes. Ganhou do pai uma caneta Mont Blanc.
-Já que meu filho será um grande administrador, ele merece uma caneta dessas!
-Seu pai fez questão de escolher essa caneta como um marco importantíssimo em sua carreira, Miro. Acreditamos muito em você! – Disse Hera, abraçando o filho.
Miro vibrou de felicidade. A mãe começou a dizer que precisava estar lindíssima para a festa, já que encontraria Aquelau, que era um homem da alta sociedade da Grécia toda.
-E você, meu filho, o que irá vestir? Já providenciou seu terno?
Miro abriu seu guarda-roupa e mostrou o terno novo e bem passado.
-Esse é meu garoto! – Sansão deu tapas nas costas do filho.
Como bons italianos, Henrico e Marissol chegaram em clima de festa, mas ficaram preocupados ao encontrar Máscara da Morte desanimado.
-Meu filho, o que você tem? Está chateado porque a escola vai acabar? Anime-se! Você terá a faculdade cheia de festas para freqüentar! Estará cheia de garotas lindas!
-Ah pai, estou preocupado com o Kanon...
-O filho daquele empresário importante?
-Ele mesmo, mãe...
-Mas por que?
Máscara da Morte contou todo o ocorrido. Marissol também se sensibilizou com a situação. Henrico suspirou antes de dizer:
-Meu filho, se ele escolheu fazer isso, vai precisar de muita coragem para arcar com as conseqüências de seus atos.
-Pois é, pai. Mas o Kanon não merecia terminar assim... Aprontamos muito, eu sei, mas assim... Não mesmo!
Pietro amansou após saber dos resultados das provas mensais de Shura e voltou a confiar no filho. O espanhol quis saber de seu namoro. Diante disso, marcou um almoço com Shina e seus pais, Juliana e Francesco. Shina estava desconfortável com a situação, mas o que podia fazer? As coisas estavam ficando sérias. Pelo menos, sua família apreciou Shura e seu sogro.
-De que parte da Espanha o senhor veio?
-Nasci em Madri, mas precisei me mudar para Barcelona por causa de meu trabalho. Nessa época, minha esposa ainda viva teve Shura e vivemos por lá até hoje.
-Ela faleceu recentemente?
-Não, faleceu quando Shura tinha 5 anos de idade.
Juliana olhou para o garoto com pena.
-Deve ter sido uma fase difícil... Deve ter sido difícil educar um menino sozinho.
Pietro olhou para Shura.
-Foi, realmente. Mas, estamos aí.
-Fez um bom trabalho. – Comentou Francesco.
-Vocês também fizeram. Shina é maravilhosa.
A italiana sorriu para o seu sogro.
O mesmo aconteceu com Dohko. Shong, quando ficou sabendo que seu neto estava namorando, fez questão de conhecer Lígea e seu pai, Felício. A senhora chinesa ficou feliz em ver como a namorada de Dohko era bonita, porém, não deixou de intimidá-la.
-Se tratar mal meu neto, vai se ver comigo!
Ao ver o guarda-chuva na mão de Shong, Lígea sorriu e se lembrou dos comentários que ouviu sobre a reunião, da "senhora que atacou a orientadora sem piedade."
-Pode ficar tranqüila! Dohko está em boas mãos! – Assegurou a garota grega.
-Dohko veio de muito longe para estudar e no final acabou se apaixonando! Não veio ao mundo para sofrer por amor!
-Vovó...
-Meu neto, ela precisa saber te tratar bem! – Shong se voltou para Lígea – Quero que nas férias vá para Rozan ver as condições em que vivemos. É importante conhecer a família para uma relação amorosa dar certo.
-Vovó... Não precisa...
-Claro que a Lígea vai. Eu a eduquei muito bem. A senhora vai gostar de tê-la contigo. – Disse Felício orgulhoso da filha.
Após o encontro, o pai de Lígea comentou:
-Que sogra você foi arrumar, hein filha?
-Pode deixar, pai! Aos poucos eu a terei sobre o meu controle!
Felício riu da resposta de Lígea.
Os pais de Nínel, Igor e Sônia chegaram quinze minutos antes de Shiva no aeroporto internacional de Atenas, tendo a oportunidade de se conhecerem ali mesmo. A tutora de Shaka ficou realizada em saber que seu pupilo estava crescendo. Seu papel estava cumprido. Tinha o educado muito bem. Se simpatizou com Nínel e com os pais dela.
-Como a Shiva é legal, Shaka!
-Pois é, agradeço aos céus por ter tido uma pessoa tão especial cuidando de mim esse tempo todo! Seus pais também são muito legais, Nínel.
-São fechados, como a maioria dos russos, mas se soltam quando se sentem seguros. Minha mãe nasceu em Belgorod, uma cidade mais calma. Meu pai é de Moscou mesmo.
-Muito legal, Nínel!
Os dois ficaram observando os adultos conversando entre si e se dando bem. Respiraram aliviados.
Takeshi e Akemi estavam estranhando tudo. Marin mostrou o que comia a eles. Ficaram horrorizados.
-Se esqueceu da dieta oriental, minha filha?
-Não, mamãe! Só acho bom variar um pouco!
-Onde é que está o gohan? E o harusame? Não quero que minha filha fique ocidentalizada! – Takeshi abria os armários da dispensa da casa de Marin.
-Papai, não posso viver exatamente como no Japão! Atenas não é Tóquio!
-Garanto que é o Aiororia que te coloca essas idéias em sua cabeça!
-Aioria, pai! Não, sou eu mesma que faço meu cardápio!
-Minha filha, olhe essas roupas! Você não usa seus kimonos?
-Mãe!
-Não gosto do Aiororia!
-Aioria, pai! Tem que gostar dele! Eu gosto dele e é assim que deve ser!
Abul e Maíra fizeram escala na cidade do Cairo e pegaram o mesmo vôo para Atenas com Abdo e Sulamita. Os pais de Kia e Anisah se davam muito bem com os pais de Ísis e se sentiam em casa, pois falavam o mesmo dialeto. O árabe.
A primeira coisa que Ísis perguntou à mãe foi sobre o colar. No próprio aeroporto, Sulamita abriu a mala e mostrou a ela a gargantilha maravilhosa, cheia de pedras coloridas. Abdo já foi logo perguntando sobre Aioros.
-Onde está o responsável pelos furos na conta telefônica, Ísis?
-Não estou mais com o Aioros.
-Mas por que?
-Não deu certo... Perdi 5 blusas e 3 vestidos por causa dele! Fora a calça que foi incinerada quando ele derrubou um drink pegando fogo em minha perna. Um sufoco!
-Fez bem, filha! – Comentou a mãe – O homem precisa ser esperto!
Os pais de Kia e Anisah adoraram ver as filhas juntas. Said, irmão mais velho das duas também estava junto. Contaram de suas conquistas e foram ver os parques da cidade.
-Kia, e seu namoro com Saga? Não deu certo mesmo?
-Não... Mas não se preocupe, mamãe... Eu já estou em outra.
-A Kia sempre foi bem rápida, né? – Comentou Said rindo.
Anisah deu uma boa gargalhada.
-E você, está rindo aí! Sabe mãe, a Anisah está gostando de um francês do terceiro ano!
-KIA!!! – Anisah censurava a irmã mais velha com o rosto completamente corado.
-É mesmo? – Quis saber Abul – Quem é ele?
-Ele se chama Kamus!
-Pára, Kia!
-Ora, não briguem! Se ele faz bem à sua irmã, Kia, deixe-a curtir o rapaz sossegada!
-Os franceses são frescos, mas são bastante finos. Têm muita classe! – Comentou Said - Fez uma boa escolha, Anisah.
A pequena árabe sorriu.
Falando no francês, com Belina e Franz não foi diferente. Kamus os recebeu cordialmente e com muita categoria. Chegaram na kitnet do filho e não se espantaram com a organização. Kamus tinha feito compras e preparado um bom almoço, como seus pais gostavam. Sua mão na cozinha era impressionante. Ótimo gourmet.
-Você fez curso de culinária durante o ano, não é meu filho?
-Sim senhor. Me ajudou a aprimorar as técnicas que aprendi com o senhor enquanto morava na França.
-Que ótimo! Então poderá voltar para a França e ajudar seu pai com o restaurante.
-Pretendo cursar faculdade. A culinária é apenas um hobby para mim, senhora minha mãe.
-Mas e o restaurante do seu pai?
-Terão de me perdoar, eu já fiz planos para a minha vida profissional.
-Pretende cursar o quê, filho?
-Física.
Franz e Belina arregalaram os olhos.
-Física? Kamus, existem tantos outros campos para se ganhar dinheiro...
-Pai, eu já fiz a minha escolha. É isso que me fará feliz.
Os pais do francês se olharam contrariados. Quando o almoço terminou e Belina foi lavar a louça, se lembrou de perguntar:
-Querido, arranjou alguma namoradinha na escola?
As maçãs do rosto de Kamus ficaram vermelhas e quentes. Franz deu uma risada gostosa.
-Veja só, Belina! Ele arranjou! Finalmente! Estávamos preocupados...
-Não, não arranjei não.
-E por que ficou vermelho, Kamus?
-Não... É que... Eu não gosto de falar nisso.
Franz e Belina trocaram sorrisos.
Enquanto todos se encontravam felizes com seus pais, Astride voltou de viagem para a Suécia e encontrou sua empregada extremamente aflita.
-COMO É QUE NÃO ME AVISARAM DISSO ANTES? MAS EU VOU MATAR O AFRODITE! COMO É QUE ELE FAZ ISSO?
-Se-senhora, tentamos falar contigo, mas seu telefone celular não pegava nos Alpes e como estava sozinha, não tinha como... Entenda...
Não esperou por mais nenhum minuto. Pegou o primeiro vôo para a Grécia aflitíssima, chegando lá tomou um táxi e foi para o endereço que sua empregada tinha anotado. Se dirigiu para a delegacia criando tumulto e deixando de lado a sua pose formal e educada. Gritava em sueco e a única coisa que entenderam foi o nome do investigador Hipérion. Chamaram-no no mesmo instante. Ela quase partiu para cima do policial quando o viu.
-Por favor, gostaria que se acalmasse antes de trocar qualquer palavra com a senhora!
-EU EXIJO A PRESENÇA DO MEU FILHO AQUI E AGORA! ISSO É UM ABSURDO! PRECISO FALAR COM ELE AGORA!
-Minha senhora...
-VOCÊ NÃO OUVIU O MEU PEDIDO? EU QUERO ELE AGORA!
Vendo que não ia conseguir acalmar a mulher, tratou de chamar Afrodite. Levou-a para a sala onde ele costumava receber visitas e pediu que ela o esperasse.
-EU NÃO VOU ESPERAR NADA! EU QUERO ELE AGORA!
Hipérion voltou o mais depressa possível acompanhado do garoto. Na hora em que Astride o viu, partiu para cima dele, o estapeando.
-Calma mãe! Eu não tenho culpa de nada! – Dizia Afrodite enquanto levava um tapa no rosto.
Hipérion precisou segurar a sueca. Ela caiu em prantos.
-Como é que você faz uma coisa dessas, meu filho? Você me envergonha! Roubando? E o que foi que eu te ensinei durante a sua vida toda?
-Mamãe, eu te juro que sou inocente! Não chore! Eu vou provar para todos que sou inocente!
Hipérion revirava os olhos. Já tinha visto tantas vezes a mesma cena que já estava cansado daquele tipo de conversa.
Quando Astride finalmente se acalmou e Afrodite parou de chorar, ele pôde contar com calma tudo o que havia acontecido. Mesmo assim, sua mãe pareceu não acreditar. Nessa hora, Hipérion resolveu intervir.
-Hoje a noite será a formatura do terceiro ano da escola de seu filho. Um dos garotos esteve aqui e pediu a presença dele lá. Me assegurou que Afrodite não é o verdadeiro culpado.
-Tá vendo, mãe? Lembra do Dohko, aquele chinês que eu sempre te falo? Foi ele que veio aqui e fez esse pedido...
-Não, não foi Dohko que esteve aqui. – Disse Hipérion em tom sério.
-Não? Mas... Então...? Quem foi?
-Kamus.
-Kamus? Não pode ser!
-Sim, foi ele mesmo.
Astride já estava voltando a respirar novamente.
-Teremos que esperar até a noite, minha senhora. Vá para casa, se arrume e vá para a festa. Lá resolveremos o assunto por completo.
-Não posso levar meu filho comigo?
-Não, ele ficará conosco. É melhor a senhora fazer o que eu disse. Vá, se arrume e esteja na festa às... – O investigador tirou o convite do bolso e olhou o horário – Oito horas. Vamos resolver de uma vez por todas se não foi mesmo seu filho o responsável por esse crime.
Foi nesse instante que a sueca notou o estado de Afrodite. Pálido, bem mais magro e com olheiras enormes. Seu coração apertou. Um policial o levou de volta para cela e ela permaneceu na sala com o investigador.
-Senhor investigador, meu filho... É um menino bom... Eu acho que ele... Ele não faria isso...
-Vá para casa. Nos vemos mais tarde. Vou tentar esquecer o escândalo que a senhorita deu aqui na delegacia. Até mais.
Hipérion deixou Astride na sala, completamente só.
Somente então que ela se lembrou que não havia feito mala nenhuma e que estava apenas com a roupa do corpo. Precisava ir ao shopping comprar uma roupa adequada para a ocasião. Respirou fundo, pois não havia vontade alguma para fazer aquilo.
Continua...
