QUINTA PARTE

Às dez horas em ponto uma batida soou em sua porta, Anrika abriu e para sua surpresa na era Rabicho quem estava ali, parado do lado de fora estava Snape. Seus olhos se encontraram, mas ela os desviou com rapidez. Seguiram pelo corredor, desceram as escadas e ganharam as ruas frias de Londres.

– Vamos a pé?- ela parecia muito indignada.

– Sim, não queremos levantar suspeitas sobre nós - disse frio sem olhar para trás. - Não é muito longe e, desculpe, não usamos limusines, se é o que estava esperando.

– Era de se esperar mesmo - disse irônica. - Não gosto de andar...

Ele estacou a sua frente, virando-se bruscamente para ela, e se Anrika não estivesse a alguma distância, teriam esbarrado.

– Não me interessa do que gosta ou deixa de gostar - Snape a fitou com desprezo -, estou apenas cumprindo uma ordem. Agradeceria se nos restringíssemos apenas a isso.

– É uma pena que tenha virado um menino de recados - alfinetou cínica -, preferia o menino de Hogwarts.

– Engraçado, não foi o que pareceu - finalizou a discussão avançando a passos largos pelo quarteirão.

Anrika engoliu as palavras, não retrucou, infelizmente menosprezara os sentimentos dele. Suspirou e seguiu quarteirão após quarteirão até entrarem nos subúrbios londrinos. Snape parou onde não parecia existir nada e fixou seu olhar no dela.

– Você sabe o que está fazendo? - um brilho cruzou seu olhar, era estranho.

– Achei que não se importasse? - rebateu ela. - Não são seus amigos?

– Não. Não tenho amigos - bufou e continuou: - E não, não me importo, só não quero me sentir responsável por uma escolha errada.

– Errada? - ela sorriu. - Devo deduzir que você também errou, não?

– Entenda como quiser - disse seco. - Se está certa do que veio fazer, vamos entrar.

Anrika não teve tempo de responder, se era o que iria fazer, e uma enorme porta dupla de madeira entalhada a mão surgiu na frente de ambos e se abriu. Um ambiente quente com um doce aroma se fez sentir. Snape e Anrika cruzaram o beiral da porta e entraram. Ela analisou rapidamente tudo a sua volta, homens bem vestidos, comida, muita bebida, mulheres bonitas e elegantes, definitivamente, bem nascidos. Olhou para o lado, Snape retirara a capa, trajava uma elegante casaca preta que realçava ainda mais a brancura de sua pele. Anrika passou à mão do elfo uma capa vinho, que combinava com o decotado vestido de veludo da mesma cor. Teve a certeza que Severo não desviara seu olhar do decote que mostra a pele macia e alva de seu colo.

Um homem com cabelos loiros veio em sua direção e, com uma mesura, tomou-lhe a mão, levando-a aos lábios.

– Senhorita Del Buharro - deu um sorriso, mantendo sua mão ainda presa a dele. - Ou devo dizer, Anrika? - o olhar de Malfoy percorreu cada curva do corpo feminino e ela se sentiu despida. - Você mudou muito. É um prazer revê-la.

– Pena não poder dizer o mesmo de você, Lúcio - rebateu descendo as escadas e desviando dele. - Sua casa é muito bonita.

– Permita que apresente minha esposa. - ele se colocou de lado e deu-lhe o braço. Sem ter como recusar, Anrika aceitou.

Procurou por Snape com os olhos, ele estava junto a um grupo de belas mulheres, mas parecia mais introspectivo do que nunca, Anrika duvidava que ele tivesse noção do que elas falavam. Quando tornou a fitá-lo, Snape já havia sentido sua presença e a encarava. Ficaram presos alguns segundo pelo olhar, mas a voz de Malfoy a chamou à realidade.

– Narcisa? – ele se dirigiu a mulher loira com olhar apagado. - Deixe-me apresentá-la à senhorita Del Buharro.

– Anrika - disse estendendo-lhe a mão. - Sua casa é muito bonita, senhora Malfoy. Creio que estudou em Hogwarts, também, não?

– Sim, claro - e com sua voz arrastada continuou: - mas não me lembro de você. Sinto muito.

– Narcisa é meio desligada - disse a voz de contralto atrás dela, fazendo Anrika se virar e se deparar com uma mulher morena de longos cabelos castanhos, pendurada ao pescoço de Snape. - Minha irmã não faz por mal, ela é assim, nasceu assim - e gargalhou, parando em seguida. - Prazer, Anrika... é isso mesmo? Anrika? - disse fitando-a. - Sou Belatriz Lestrange, cunhada de Lúcio.

– Ao contrário de você, não? - disse imitando a entonação da outra que não era nada desligada. - Contudo, ela me parece mais feliz - completou olhando para Snape, que desviou mais uma vez seu olhar. - Se me dão licença - saiu em direção à porta envidraçada que dava para os jardins.

Aquele cheiro de ópio misturado à bebida destilada estava aturdindo-a, e Anrika resolveu respirar o ar puro da noite. Olhando dos jardins para dentro da casa se via grande quantidade de pessoas fora de si. Intimamente riu, esperava qualquer coisa dessa festa, menos uma sessão de drogas e, muito provavelmente, sexo.

Meia hora depois Anrika voltou ao salão, parecia que os narguilés haviam se multiplicado no ambiente e com eles mais pessoas alucinadas andavam vagando de um lado para outro da casa. Ela passou por vários deles até chegar a uma escadaria que levava ao segundo andar da mansão. Subiu os degraus e alcançou o andar de cima, procurava de um banheiro. As portas eram todas muito parecidas e ficava difícil escolher qual seria a melhor opção. Posou a mão sobre a maçaneta de uma e girou suavemente, sem fazer barulho. O escuro era profundo, ela tateou a parede a procura de um interruptor, mas uma respiração ofegante e uma série de gemidos a fez desistir de encontrá-lo. Voltou ao corredor, andou mais duas portas e escolheu a da esquerda.

Anrika girou a maçaneta com cuidado e a porta se abriu mostrando um elegante lavabo. Ela respirou aliviada, entrou, jogou água em abundância no rosto e tentou analisar tudo o que acontecera, se perguntou onde estaria Voldemort. Decidida a interpelar Malfoy a respeito, se dirigiu à porta do outro lado do lavabo e a abriu.

Seus olhos piscaram várias vezes, o ar lhe faltou, os lábios entreabriram e suas pernas não responderam ao seu corpo. Ao invés de estar no corredor, entrara em um quarto, encoberto em sua metade por uma penumbra, deixando a vista de quem quisesse o corpo de uma mulher morena pressionando sobre a parede o de um homem com cabelos negros lisos, mais baixo do que ela.

Anrika recuou, mas a luz vinda da porta onde estava penetrou no ambiente, jogando-se sobre os dois. Por segundos, Anrika achou que não conseguiria se mover, que desmaiaria ali mesmo, não acreditou no que via. Os lábios de Snape colados nos de Belatriz, os braços dela envolta dele, afundando nos cabelos dele. Ela os fitou novamente para ter certeza de que não imaginara, e não imaginara nada, as mãos dele estavam ao lado de seu corpo, espalmadas na parede, numa clara demonstração de impotência. Ele não abraçava, a impressão que se tinha era que Belatriz agia pelos dois, algo revirou em seu estômago, Anrika saiu correndo em direção a outra porta do lavabo. Já era tarde, o casal percebera sua presença, Snape empurrara Bela para o lado e saíra ao seu encalço. Anrika ganhara a escada rapidamente, desequilibrou-se, mas conseguiu se recompor, passando por todos. Sem se despedir de ninguém, pegou a capa ao lado do elfo aturdido e saiu para a escuridão da noite.

Anrika dobrava as esquinas sem perceber onde suas pernas a levavam, os olhos embaçados pelas lágrimas que rolavam pelo seu rosto não queria cessar. Nunca pensara que fosse se sentir tão desconfortável ao vê-lo beijar outros lábios. Fechou os olhos, a brisa da noite batia em seu rosto jogando seus cabelos para trás, enquanto as lágrimas teimavam em rolar. Ela, somente ela era culpada por estar se sentindo assim, se tivesse enfrentado seu pai junto com Snape poderiam estar juntos, mas não! Ela hesitara! E só quando o colocou para fora de sua vida teve coragem de fazer o que devia. A cabeça doía e seu rosto ainda estava molhado pelas lágrimas.

Finalmente chegara ao hotel. Anrika entrou na saleta do quarto, acendendo a luz no interruptor próximo. As mãos tremia e seu coração também o fez: diante de seus olhos, envolto em sua capa preta, estava Severo Snape. Ele avançou até ela, mas Anrika desviou dele entrando no quarto.

– O que faz aqui? - disse rudemente, atirando a capa a cadeira próxima a cama. - Não estava se divertindo na festa?

– Não - resmungo rápido. - Por que saiu daquela forma?

– Você quer que eu responda? - ela o fitou com o rosto ainda úmido.

– Escute, Anrika - ele se aproximou, segurando-a pelos ombros.

– Solte-me - disse tentando desvencilhar-se inutilmente das mãos dele. - Volte para Belatriz, você parecia estar muito bem...

Snape a puxou pelos ombros, seus lábios colaram nos dela, enquanto sua língua explorava cada centímetro da boca de Anrika querendo sorvê-la de uma só vez. Ela fechou os olhos, gostou da sensação daquele toque, e se entregou mais, se entregou plenamente. Severo subiu as mãos até seu rosto, prendendo-o entre elas, mordendo, sugando aqueles lábios vermelhos. As mãos de Anrika afundaram nos cabelos negros dele, enquanto as mãos dele desceram pelas costas, desabotoando o vestido dela, que escorregou gentilmente até o chão, deixando-a abrigada apenas pelos braços dele. Anrika percorreu o caminho até os botões da veste dele, abrindo-os um a um, deixando a mostra o peito de músculos definidos. Enterrou as unhas nas costas dele, arrancando um gemido, enquanto seus lábios mordiam e beijavam cada pedaço do tórax exposto.

Anrika fitou Snape, os olhos negros brilhavam, ela sorriu e escorregou pelo corpo, caindo de joelhos no chão frio, suas mãos livravam-no das calças. Levou o membro rijo aos lábios, sugando-o e lambendo-o, Snape contraiu seu rosto, sensações de prazer percorreram seu corpo e uma onda de calor inundou-lhe a alma. Controlou-se, trouxe-a até seu rosto, beijou-a ardorosamente e pegando-a nos braços, a conduziu até a cama. Deitou-a e fitou-a com carinho, Anrika sorriu. Snape beijou seus lábios, desceu pelo pescoço e alcançou aos mamilos intumescidos. Incitou-os mais ainda, sugou-os, passou a língua suavemente sobre a pele rosada deles. Anrika agarrou-o pelos cabelos e trazendo-o até sua frente, sussurrou ao seu ouvido.

– Eu quero você... agora!

Obedientemente, ele se posicionou entre as pernas dela e a penetrou gentilmente, arrancando, a cada investida, sussurros mais delirantes, até que sentiu cada músculo de seu corpo exigir a extinção daquele desejo pulsante. Intensificou o movimento, sentiu o corpo de Anrika arquear e segundos depois, derramou-se dentro dela. Beijou-a nos lábios e sorriu, enquanto escorregava para o lado vazio da cama e a trazia junto ao seu corpo, abrigando-a em seus braços. Dormiram abraçados, entregues um ao outro.

O dia raiou, entrando suave pela janela do quarto e encontrando os dois amantes ainda deitados. Anrika fitava o homem ao seu lado, os cabelos caídos sobre o rosto, escondendo as feições. Ela os afastou com as pontas dos dedos, tentando evitar que ele acordasse, e deixou-se ficar admirando-o por um longo tempo. Mas Snape abriu os olhos e sorriu, puxando-a para um longo e apaixonado beijo.

Três quartos de hora depois Snape levantou e se arrumou rapidamente. Anrika o fitava deitada na cama, ele se aproximou, sentando ao lado dela.

– Escute, o Mestre deve querer vê-la hoje - olhou-a intensamente. - Você tem certeza do que vai fazer? É isso o que quer?

– Você fala como se tivesse dúvidas sobre o que faz ou fez - Anrika manteve seu olhar -, se é assim, por que não desiste?

– Porque uma vez dentro não há como se libertar tão facilmente - Snape baixou os olhos fitando as próprias mãos. - Quando alguém se torna um Comensal nunca deixa de ser um, a não através da morte.

Ela se calou. Sentiu a pressão que seria entrar naquela vida, mas estava certa do que queria.

– Você quer mesmo isso? - e a encarou segurando a mão dela. - Existem marcas que ficarão gravadas tanto na sua mente quanto no seu corpo.

– Como a que você tem no braço esquerdo? – perguntou indicando-a.

– Sim. Mas as piores são as que ficam aqui - e apertou o peito. Terá que fazer coisas... - a fitava ternamente -, das quais você nunca esquecerá e que ficarão para sempre assombrando seus dias... Acredite-me, não sentirá orgulho - passou os dedos suavemente sobre o rosto dela. - Volte para casa, diga a seu pai que o Lorde não é o que ele pensa...

– Vim por causa de meu pai, admito - sorriu timidamente para Snape -, mas não vou voltar. Vou ficar por sua causa. Quando você desistir, eu desisto!

Snape sorriu crispando os lábios, puxando-a para si e a beijou.

– Preciso ir - disse ao soltá-la. Levantou e foi em direção à porta. - Tenho certeza que o Lorde mandará chamá-la.

– Então, o verei mais tarde?

– Provavelmente - devolveu-lhe o sorriso e deixou o quarto.

Anrika abraçou o travesseiro.