SEXTA PARTE

Voldemort a esperava com todo seu círculo de amigos a sua volta, o lugar parecia um cemitério iluminado por archotes. Anrika se aproximou, trajava vestes negras, como todos ali presentes, só havia aparentemente uma diferença entre ela e os demais, a máscara em seus rostos. Contudo, ela era capaz de reconhecer vários dos presentes. Ao seu lado estavam: Snape, Lúcio, Belatriz, Narcisa e mais alguns que lhe foram apresentados na noite anterior. Voldemort caminhou até ela, seus olhos vermelhos a encaravam, e parou a sua frente. Anrika pôde observá-lo melhor naquele momento do que no dia anterior, pois a lua ia alta, iluminando o seu rosto. Lorde Voldemort deveria ter cerca de quarenta anos, possuía feições muito bonitas, lábios finos realçados pelos cabelos castanhos desalinhados. Era um homem terrivelmente sedutor. Ele pareceu ler seus pensamentos, e sorriu, mas não um sorriso maléfico como o que Anrika já tinha visto. Pegou seu braço esquerdo, levantou a manga das vestes e colocou sua varinha em contato com a pele dela. Na mesma hora, Anrika sentiu uma ardência no local, que se intensificou até ela tentou retirar o braço, mas foi detida pela mão dele em torno de seu pulso.

Anrika o fitou - ele mantinha seus olhos nos dela -, sentiu uma dor profunda percorrer seu corpo, que a fez dobrar sobre si própria e cair ao chão batendo com os joelhos na grama molhada. Voldemort não a largou, então a dor no corpo sumiu. Em seguida sentiu cada parte de sua alma ser rasgada em pedaços e seus olhos vidraram. Um zumbido ecoou dentro de sua cabeça, Anrika achou que fosse desmaiar, mas lutou contra aquela força que entrava em seus pensamentos, vasculhando sua alma e tudo o que sentia cessou. Abriu os olhos, arquejava freneticamente e continuava ajoelhada na grama úmida. Ela olhou para cima, Voldemort continuava de pé a sua frente, e estendeu-lhe a mão para que levantasse. Por alguns segundos Anrika hesitou, mas como se ninguém mais o fizesse, ela aceitou a ajuda. Colocou-se de pé, olhando fixamente para o braço queimado e pôde ver a mesma marca que viu no braço de Severo: um crânio com uma cobra saindo dele.

– Agora faz parte de nosso grupo, senhorita Del Buharro - ele lhe fez uma mesura. - Esta marca em seu braço é a prova disso. Toda vez que arder é porque está sendo convocada para uma reunião.

– E o que o nosso seleto grupo faz... milorde? - ela falou tentando desfazer o escárnio que emprestara às primeiras palavras, sem se importar com os olhares que caíram sobre ela.

– Mestre, pode começar me chamando de Mestre - ele falou suavemente. - Bom, tentamos dar aos trouxas e aos sangues-ruins o tratamento que merecem - excetuando ele e Snape, todos gargalharam. - Permita que a conduza para dentro, o frio está aumentando. - finalizou a cerimônia, dispensou a todos e ofereceu-lhe o braço.

Anrika podia sentir os olhos de Snape grudados nela, mas sem outra alternativa, aceitou. Todos os outros membros do grupo aparataram dali, menos Severo, que os seguiu até a casa. Ela entrou acompanhada por Voldemort e pouco depois, Snape chegou.

– Bom, minha cara, infelizmente tenho que me retirar - deu-lhe um sorriso jovial, que o tornava mais atraente. - Deixarei você aos cuidados de Severo, ele a levará de volta. Espero vê-la em breve - disse tomando-lhe a mão e depositando um beijo terno nela.

Anrika se virou para porta, Severo a fitava com curiosidade, o que a fez sorrir. Em pouco tempo estavam de volta ao quarto de hotel. Ela se sentava exausta na cadeira, enquanto Snape encostava-se à parede, cruzando as pernas.

– Ele gosta de você - disse com um misto de inveja e decepção.

– Ciúmes?

– Não - respondeu frio, mas o brilho que passou por seus olhos desmentia suas palavras. - Contudo, nunca o vi tratar ninguém assim, a não ser, algumas vezes, Bela. O que não chega a ser uma surpresa...

– Surpresa? - sorriu com escárnio. - Ela não é casada? Lestrange é o sobrenome do marido, não?

– Isso não parece fazer muita diferença - disse quase abrindo um imenso sorriso, mas se conteve. - Rodolfo não é o tipo de homem que controla seu casamento. Ela faz o quer.

– Imagino o que ele não esperará de mim!

Anrika foi à direção do quarto, assim que chegou perto de Snape, ele a puxou, fazendo-a parar a milímetros de seus lábios.

– Você é diferente - sussurrou com sua voz aveludada -, você é minha!

Ela sorriu, enlaçou-o pelo pescoço, afundando as mãos em seus cabelos, enquanto Snape a puxava pela cintura.

Snape ficou parte da noite com Anrika, por volta das 2:00h se retirou, deixando-a adormecida. Foi quando o mundo dos sonhos se abriu na mente dela:

Anrika estava deitada numa cama com lençóis de seda vermelhos, o aposento a sua volta estava iluminado apenas com velas coloridas e havia várias pétalas de rosas sobre o chão. Os móveis eram em estilo vitoriano e imensas janelas completavam o ambiente. Ela se levantou, pisou com cuidado no chão, e olhando para si mesma percebeu que usava uma camisola preta rendada. Andou para a parte do quarto que se tornava mais escura, ela vislumbrou um vulto saindo da escuridão e vindo ao seu encontro. Estacou. Seus olhos não a traíram, estava diante de Voldemort. Anrika receou, mas ele avançou até ela, pegando sua mão. Sentiu o calor do toque dele e perguntou a si mesma se aquilo não estava beirando a realidade. Fitou outra vez o homem a sua frente, seus olhos estavam castanhos, seu rosto mais jovem, os cabelos bem cortados, e então um arrepio percorreu seu corpo. Ele estava perto, muito próximo, sentia a respiração dele. Voldemort levou a mão dela aos lábios, e beijou-a. Anrika recuou assustada, como podia sentir tudo aquilo?

– Quem é você? - disse confusa.

– Meu nome é Tom - ele sorriu tímido. - Tom Riddle.

– Você não é Voldemort? - dizendo isso deu mais um passo para trás.

– Sim... se preferir... - ele avançou. - Dei-lhe meu nome, não minha condição.

– E isso - Anrika olhava ao redor, enquanto recuava até encontrar a parede atrás de si -, é real?

– Se quiser que seja... – Tom sorriu e avançou mais um passo, encurralando-a na parede.

Ele a fitou, os olhos dela procuravam por uma saída, mas a presença de Voldemort ali tão perto a fez encará-lo. Anrika sentia agora o peso do corpo dele sobre o seu, seus lábios se aproximaram dos dela, roçando-os gentilmente, exigindo um beijo. Anrika se entregou ao calor daqueles lábios. As mãos dele deslizavam sobre o tecido fino da camisola, fazendo-a desejar cada vez mais aquele toque, ela estremeceu diante de seus pensamentos. Tom sorriu, beijou-lhe o pescoço, afastou os cabelos dela e percorreu com os lábios o caminho até as alças da camisola, abaixando-as.

Anrika não conseguia pensar, cada toque era como ópio, entorpecia sua alma, e seu corpo não respondia à razão, apenas aos instintos despertados por eles. Ela tentou, num desespero mudo, livrar-se de suas mãos, mas foi inútil, estava presa. Fechou os olhos e o sentiu levantar a camisola até os quadris, tentou buscar um pouco de sanidade, algo que o impedisse de prosseguir, mas quando abriu seus olhos novamente, lá estavam os dele dentro de sua mente. Sem conseguir evitar que seu corpo reagisse a cada investida de Riddle, Anrika deixou-se levar por todas as sensações que ele lhe provocava. Minutos depois, ele a deitou na cama, retirando a camisola. Seus seios intumesceram ao simples toque da língua dele, sentiu o contato do membro dele sobre sua coxa, enquanto mãos ávidas percorriam todo seu corpo. Tom estava prestes a possuí-la. Anrika se assustou com essa possibilidade, recuou mentalmente para fora do sonho, queria acabar com aquilo, o viu sorrir.

Um zumbido ecoou em seu ouvido. Acordou arquejando, sentia seu corpo pulsando, ainda dominado pelas sensações do êxtase. Fora um sonho, se espantou mais. Tateou a mesa ao lado da cama à procura do interruptor do abajur e acendeu-o. Com um suspiro, verificou aliviada que estava em seu quarto de hotel, deitada na sua cama, mas para seu total terror, vestia a camisola preta rendada. Anrika se levantou, foi até o banheiro e retirou o tecido de cima de seu corpo, atirando-o violentamente ao chão. Enrolou-se no lençol e sentou-se assustada na cama, vasculhando sua mente atrás de explicações.