EPÍLOGO
– Presumo que tenha vindo por causa da senhorita Del Buharro, não é? - disse amável, mantendo seu olhar sobre a figura de preto à sua frente.
– Como pôde usá-la? - rosnou para o diretor.
– Severo, não usei ninguém. Anrika agiu por conta própria - disse em tom paternal. - E ouso dizer que tem superado minhas expectativas.
– Aquela cabeça dura! - bufou passando as mãos pelos cabelos, e continuou: - Estava agindo sozinha, mesmo?
– Sim, estava. Eu apenas a ajudei a se defender de Voldemort - deu um leve sorriso e viu Snape estremecer ao som daquela palavra. - Ela é bem corajosa e determinada - continuou analisando o rosto do jovem. - Devo acreditar que algo aconteceu a ela, não?
– Maldita colombiana! - Snape grunhiu. - Se tivesse me ouvido não estaria perdida no tempo! - completou, enquanto andava pelo escritório do diretor.
– E você não estaria aqui - retorquiu Dumbledore calmamente. - Sente-se, Severo - disse indicando a cadeira a sua frente. - Deixe-me lhe contar uma coisa... quando a senhorita Del Buharro me procurou pela primeira vez estava determina a resgatá-lo de si mesmo. Ela acreditava em você pelo que você era! E como prova dessa confiança, colocou a vida em risco, e devo dizer que foi bem sucedida.
– Uma tola, isso sim! - desviou o olhar do diretor, crispando os lábios. - Não devia ter voltado! Devia ter ficado na Colômbia com o pai, teria me poupado esse aborrecimento.
– Então é assim que se sente, Severo? Aborrecido? - deu-lhe um leve sorriso. - Concordo com Anrika, confio em você - o jovem arqueou as sobrancelhas ao fitá-lo -, contudo, sabia que só um sentimento muito forte o faria ver a luz, e a única pessoa capaz disso era Anrika - Dumbledore pigarreou, enquanto o rosto de Snape tornava-se lívido. - Um sentimento forte, o amor, não acha?
– Estúpido, isso sim! - ele rebateu friamente, os olhos cheios d'água.
– Não, o amor não é estúpido, nós somos - e dando algo a fênix ao seu lado, continuou: - Permita-me dizer que Anrika lutou para trazê-lo até aqui por acreditar nesse amor. E você veio! Você teve forças para lutar contra si mesmo e estar aqui! - os olhares dos dois se encontraram. - O que quero saber, Severo, é se está disposto a lutar pelo que ela acreditava. De provar que esse amor é mais forte do que a sua ambição. Caso contrário, Anrika terá se perdido em vão.
Snape levantou, andou pelo escritório, analisava seus sentimentos, media as possibilidades, mas tudo o levava à Anrika e, consequentemente, a Dumbledore.
– Preciso que me ajude a achá-la, diretor - disse parando em frete ao outro, tinha os olhos cintilantes.
Dumbledore sorriu bondosamente para o jovem Snape, levantou-se e deu a volta na mesa, parando ao lado de Snape. Deu-lhe um tapa de leve no ombro e baixou os olhos. - O que virá daqui para frente será uma prova de fogo, meu rapaz. Agora que Voldemort sabe da profecia, você terá que ter muito mais cuidado que Anrika - e dizendo isso, estendeu-lhe a mão. - Seja bem vindo à Ordem da Fênix.
Snape agradeceu, ainda estava confuso.
– Por hora é melhor que não se ausente por muito tempo do lado de seu mestre. E lembre-se, lá você estará sozinho.
Snape assentiu e deu as costas ao diretor, indo para a lareira, mas antes de desaparecer nas chamas verdes, acrescentou: - Volto assim que tiver alguma novidade.
– Estaremos esperando - respondeu o diretor.
Snape sumiu nas chamas crepitantes, enquanto Alvo Dumbledore cruzava seus dedos sobre a longa barba prateada. Talvez durassem meses ou até anos, porém, tinha certeza de que a guerra tomava novos rumos, e a ajuda de Snape seria essencial. Mesmo assim, uma ruga de preocupação apareceu em sua testa, esperava que não estivesse exigindo demais do jovem e pedia à Merlin que esse amor pudesse ter, algum dia, um final feliz.
THE END
