Lágrimas Vermelhas
Parte V
Yui até poderia escrever um livro mais na frente sobre esses acontecimentos, mas seria um belo romance, e ele não gostava de romances, mas estava começando a entender que a vida é pouco mais que um romance real, apenas mais emocionante.
Podia-se dizer que contou com sorte. Quatre agira a seu favor e hoje estava ali diante da porta do apartamento de Trowa.
-É aqui que o Trowa mora. Duo está com ele, e você tem sorte porque o garoto está sozinho hoje. – o loiro falou abrindo a porta com a chave reserva que seu atual namorado havia lhe dado. –Mas, Heero. Pelo amor de Deus. Não me faça experimentar o gosto amargo do arrependimento. – ele pediu.
-Será nosso padrinho de casamento. – Yui piscou entrando na casa. Nem de longe lembrava o espaço e conforto da sua, mas gostava do ambiente claro e arejado. Tinha aparência de um lar... Ele caminhou buscando o quarto era bem pequeno o local e não foi difícil achar Duo. Heero protelou entre entrar ou fugir e por um breve momento a fuga lhe pareceu uma opção bem atrativa, mas seu coração fincou pé ali à porta daquele quarto e só sairia se Duo o mandasse embora.
-Coragem! Coragem Yui. – ele se repetiu entrando no quarto em silêncio ouviu o garoto conversar com alguém que ele imaginou ser o bebê dentro daquela barriga.
-O frio está chegando e como você vai ser sair? Vai precisar de umas roupinhas. Ahhh... Você viu aquele macacãozinho amarelo? Fazia conjunto com os sapatinhos. Iam ficar lindos em você. – o garoto falou cariciando a barriga por sobre a blusa escura. –E quando você vai dizer para o papai se é homem ou mulher? – estava bem distraído.
Não era o correto, mas Yui ficou ouvindo aquele monólogo e não pode deixar de se emocionar. Duo fazia parecer tão divino aquele momento. Era a família que Yui sonhava ter.
-Duo? – tomando coragem ele entrou.
-O que? – o garoto o olhou assustado. –Que está fazendo aqui!? Você quer me matar do coração!? – ele gemeu apalpando a barriga.
-Eiii? Tudo bem?
-Não... Aiii... Começou a doer aqui. – apontou o baixo ventre. –Está ardendo.
Duo e Heero dentro de um mesmo quarto sozinhos? Será que brigariam mais uma vez?
Por um breve momento eles ficaram sem ação? Afinal, tinham tantas coisas para se falarem e mesmo assim lhes vinham tão poucas coisas em suas cabeças naquele momento.
Heero foi o primeiro a tomar uma atitude, ao ver que Duo estava pálido, lembrou-se logo em seguida que o garoto estava grávido e que isso exigia, mais que uma gravidez normal, muitos cuidados. O oriental se apressou em se aproximar cuidadoso.
-Você está bem, Duo? – perguntou vendo que a resposta negativa era quase evidente.
-Você me assustou. – o trançado foi sincero acariciando a barriga imensa, como se lhe faltasse o ar. –Nunca lhe esperei aqui. Deus! Vocês querem mesmo me matar. – o garoto falava sobressaltado, porém não mantinha aquele mesmo rancor do dia do shopping.
-Desculpe. Eu sou mesmo um baka descuidado. Você está grávido. É difícil me acostumar com isso. – Heero falou sem jeito. –Onde fica a cozinha desse apartamento? Eu vou pegar um copo de água... – ele completou. Estava completamente desconfortável na presença de Duo, sentia que tinha muito a conversar, mas não sabia por onde começar.
-Ei, Heero! – Duo o chamou. –Não vá. Estou bem. – ele falou. –Está tudo bem. Sério. – insistiu.
-Duo... – Heero se voltou para ele. –Eu já sei de tudo. – revelou rápido e sem jeito.
-Sabe? De tudo? – aqueles grandes olhos violetas de Duo piscaram algumas vezes. Então Yui sabia que... –Mas...
-Escute. Não agi errado com você. Eu jamais poderia ter imaginado que isso poderia acontecer e mesmo porque você sumiu de L2... – o escritor se desculpou.
Pov de Duo.
De repente Heero estava ali na minha frente quase me cobrando por eu ter roubado dele o direito de estar comigo e com o bebê nesses últimos meses e isso era algo novo para mim, essa era a última reação que eu pensei que ele teria.
Até pensei em expulsá-lo quando ele entrou, mas eu não queria. Tinha uma coisa que eu nunca falei nem mesmo a Wufei, mas que eu senti esse tempo todo de gestação. Eu queria contar ao Heero. E eram os meus medos sobre essa gravidez e o futuro desse bebê, eram minhas ansiedades de que ele conseguisse crescer e se tornar uma pessoa de bem. Que pudesse estudar e se alimentar bem. E isso tudo me deixava com medo, eu tinha medo de falhar em alguma coisa, de errar em tentar criá-lo ou em deixá-lo no orfanato...
Para mim sempre foi uma responsabilidade muito grande assumir essa gravidez sozinho.
Fim do pov
-Duo. Sei que pode ser tarde demais para isso, mas eu te peço. Dei-me a chance de dividir essa gravidez com você. Eu vou errar muito no meio do caminho, porque nunca sonhei em ter uma família, mas estou disposto a tentar. – a voz grave e séria de Heero retirou Duo de seus pensamentos. E aquele pedido era tudo com que o jovem grávido sonhou esse tempo todo.
-Mas, qual o motivo de tudo isso? Eu sempre achei que ia me odiar se soubesse disso. – o garoto o olhou. Será que Heero gostava dele? Seu coração passou a bater acelerado.
Heero se sentou na cama e retirando um pequenino e delicado embrulho do bolso o entregou a Duo. O garoto piscou sem entender. A caixinha florida de laços verdes era tão mimosa. Duo segurou entre as mãos aquele pacotinho e sorriu. Ninguém nunca havia lhe dado um presente antes.
Quando finalmente abriu não teve palavras. Quis falar, mas seu corpo não lhe obedeceu e veio aquela onda grande de arrepios que toma uma pessoa quando ela está emocionada a ponto de não raciocinar.
Yui sorriu. Ele podia sentir a emoção de Duo com aquele pequeno gesto. Ele sabia que não era o valor do presente e sim o seu significado.
-Deus... Eu nem sei como agradecer. – finalmente o menino balbuciou daquele jeito meigo. Com a pontinha de seu nariz ficando vermelha. –Ele ainda não tinha nada. Eu estava tão preocupado com o frio que ia chegar na mesma época que ele nascesse. E esse sapatinho é tão pequenininho... – Duo falou entre soluços.
-Não chore. – Heero pediu carinhoso mexendo com os dedos naquela franja macia de Duo.
Eles se abraçaram para que o jovem pudesse desabafar tudo que sentia. Ele tinha sido uma rocha até ali. Havia suportado em silêncio todas as rudezas da vida, mas agora nos braços de Heero podia ser só um garotinho assustado com todas a modificações de seu corpo e de sua vida. De alguma forma poder contar com aquele carinho do pai de seu filho lhe confortava.
Não trocaram palavras, apenas o choro carregado de Duo no peito forte de Yui, mas ambos sabiam que de todos os lugares do mundo, o dois haviam finalmente encontrado aquele que em algum momento lhes foi reservado.
Pov Heero
Finalmente eu o tinha completo em meus braços. Sim, porque na noite em que transamos eu sabia que no dia seguinte não estaríamos mais juntos. Eu sabia que ele seria meu por uma noite, mas hoje, quando o tomei para meus braços eu tive aquela puta certeza de que estaríamos juntos por um longo tempo. Sei lá o que estava acontecendo comigo, mas minha vida estava se modificando drasticamente, mas eu estava pronto para aquelas mudanças.
Tudo que queria agora era deixar Duo descansar ali em meus braços certo que eu estava com ele para suportar aquela gravidez. A partir de hoje aquele filho tinha um pai e ele um homem.
Não mencionei, mas aquele sapatinho eu realmente vi na loja e achei a cara desse bebê. Quatre havia me dito sobre as dificuldades dessa gravidez e ele precisaria antes de tudo de sorte, por isso a cor do sapatinho foi vermelha, minha mãe, por algum motivo que até hoje eu não sei, dizia que a primeira peça de roupa que se desse a um bebê fosse da cor vermelha, que era para dar sorte. Assim espero que nosso bebê tenha sorte e Duo e eu também.
Fim do pov
Somente na parte da tarde Wufei chegou em casa. Seu dia havia sido tão corrido. Ele estava trabalhando em um projeto na Terra, mas sabia que teria que voltar para sua casa e sua vida em L5 e seu problema era: como fazer com Duo? Não podia deixar aquele menino sozinho quando seu filho estava preste a nascer, mas o que faria?
Naquele fim de tarde voltou para casa mais cedo, sabendo que Trowa estaria na galeria o dia todo e que o pobre Duo ficaria sozinho.
Mas quando se aproximou do quarto ouvir vozes baixas. Era Duo e Heero? Sim era a voz grave do escritor, mas não brigavam e Wufei resolveu não os atrapalhar torcendo para que o brilho visto nos olhos de Yui naquele dia fossem verdadeiros. Ele sorriu ouvindo que os dois estavam se entendendo.
-E agora? Como vai ser? – Wufei ouviu Duo perguntar receoso. Sua voz estava mole, como se tivesse chorado. Já o conhecia para saber que naturalmente havia chorado no ombro de Heero.
-Sei que vamos ter que explicar muitas coisas por causa dessa gravidez. Isso é uma coisa muito interessante para os jornais. Outro dia descobriram um caso de um rapaz, foi uma coisa estrondosa. – Heero falou.
-Mesmo? – Duo o olhou. Então sua situação era rara, porém não única. –Não quero que me olhem como um ser de outro mundo, nem a meu bebê.
-Duo... Imagino os horrores que passou naquele lugar, mas... – Heero fez uma pausa, talvez buscando as palavras certas. –Agradeça a Deus por esse dom, carregar uma vida é algo divino e se você pode fazê-lo, é porque dentre tantas pessoas Deus lhe tocou.
-Isso não tem muito haver com Deus, Heero.
-Tem sim senhor. O garoto que encontraram não conseguia sustentar a gestação, uma pena. Veja. O homem pode ter iniciado isso, mas você deu certo... Por favor, procure se ver como uma ajuda para a humanidade. Em você há algo que muitas pessoas precisam. É como se fosse a resposta para um mal muito grave... – Heero falava.
-Heero! Chega por favor! – o garoto o interrompeu. Não queria ouvir nada daquilo por hora.
-Tudo bem... Mas vou estar com você. E juntos seremos mais fortes. – o escritor falou o abraçando.
Wufei sorriu por dentro. Duo já não estava mais sozinho no mundo.
Em pouco tempo Trowa chegou em casa aparentando cansaço. Ele quase deixou cair o copo de leite que tomava quando Chang lhe falou que ninguém menos que Heero Yui estava ali com Duo.
-Ele está aqui? O que esse desgraçado quer? – o artista falou ficando furioso.
-Pelo visto já sabe sobre o bebê. – Wufei informou.
-Filho da mãe! Eu vou quebrar a cara dele, Chang! Se ele veio pedir que Duo suma com a criança eu...
-Ei. Pelo visto o Heero veio conversar com Duo. Eu consegui ouvir alguma coisa, parece que quer assumir os dois. – o chinês explicou.
-Sério? – Trowa não acreditou. Então aquele escritor frio devia mesmo ter se encantando pelo rapaz. Caso contrário não estaria ali.
Heero deixou o quarto quando Duo dormiu. Ele já havia lido em algum lugar que grávidas ficavam muito cansados, e ele achava que não seria diferente com 'grávidos'. Ele saiu do quarto enfrentando os olhares de Trowa e Wufei e aquilo o fez sentir-se mais uma vez deslocado. Era como se os rapazes ali o acusasse de alguma coisa, mas ele era tão mais vítima que Duo naquela situação.
-Então? – Trowa o encarou. Seus olhos verdes e médios deixavam bem claro que ele não suportava o escritor. –Tratou o Duo como ele realmente merece ser tratado? – sua pergunta foi desafiadora. Do tipo 'Eu poderia fazer melhor.'
-Wufei, não é? E Trowa? – Heero se aproximou polidamente. –Sinto muito vir dessa forma, mas eu tinha que falar com o Duo. Entendam. Não tive culpa por nada do que aconteceu, e eu nunca o tratei como um qualquer. Ele, desde a primeira vez foi especial para mim. – como era difícil para um homem reservado como Yui estar ali diante daqueles dois se expondo.
-Sabemos, senhor Yui. – Wufei se apressou. Ele estava vendo como estava sendo embaraçosa para o escritor tal situação. –Apenas, tente ser para o Duo tudo que ele precisa. Já será o suficiente. – ele pediu sincero.
-Você gosta dele ao menos? – Trowa foi mais duro com o oriental.
-Eu... Realmente gosto dele. É minha família agora e vamos ficar juntos. – Heero falou meio sem muita certeza de como faria para enfrentar todos os problemas que viriam, mas lhe sobrava a certeza que conseguiria proteger seu Duo e seu bebê.
-Mas... – Trowa ia falar algo. Como cobrar um possível casamento, mas nesse momento Quatre entrou no apartamento.
-Vejo que todos já se entenderam. – o loiro sorriu. –Heero, sabe exatamente o que fazer, Trowa. E ele e Duo devem decidir o que for melhor para todo mundo e principalmente para o bebê, não é mesmo Heero? – sorriu cortando Trowa. –Agora que estão todos entendidos... Eu fico mais tranqüilo. Ahhh... Heero! O mínimo que espero é ser padrinho do seu filho. – ele brincou.
Os dias que se seguiram foram para Duo como um conto de fadas. Heero vinha lhe visitar toda tarde, bem como lhe telefonava a qualquer momento para dizer que sentiu saudades. Viviam um doce início de romance.
As visitas ao médico eram apenas por rotina e estava tudo certo com o bebê.
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Nessa manhã Yui bateu à porta de Trowa para chamar o trançado para uma volta. Duo adorou a idéia, afinal ele não gostava muito de ficar no apartamento sozinho, mas sabia da necessidade de tomar cuidado por causa de seu bebê.
Quando saíram na rua, Heero não demorou a tomar a mão de Duo entre as suas, entrelaçando seus dedos com firmeza. Era já tão comum um relacionamento entre dois homens, mas algumas pessoas ainda prestavam atenção ao casal, algumas meninas colegiais os achavam lindos juntos e realmente, formavam um casal muito bonito.
-Você disse que ele não tem quase nada ainda. – Heero comentou enquanto andavam.
-Ele só tem o sapatinho que você deu. – Duo respondeu.
-Por isso hoje eu vou te levar em um lugar para grávidas. Você vai adorar. Agente pode comprar aquelas roupas todas. Aquelas cheias de babados para bebês. Mas e se for homem esses babados não vão ficar legais. – Heero era um escritor e sua imaginação era imensa. Ele fantasiou mil tipos de roupas e acessórios para bebês e isso animava Duo de uma forma que ele nem podia sonhar.
O menino há pouco tempo se lamentava por ter que entregar sua criança para adoção e agora se via envolto nos mais lindos sonhos de uma família feliz, mas isso o assustava um pouco. Será que aquela felicidade era mesmo para si?
Duo entrou na loja. A mesma da qual quase foi agredido apenas por parar em frente à vitrine. A mesma moça que o atendeu olhou com certo tom de inveja os dedos entrelaçados dos rapazes que entraram na loja e logo reconheceu o oriental de olhos azuis turquesa como sendo o famoso escritor Heero Yui e aquele ao seu lado devia ser seu namorado, afinal eles estavam tão íntimos.
-Queremos ver tudo para o bebê. – Heero falou acariciando orgulhoso a barriga de Duo e isso teve uma repercussão estrondosa.
A moça olhou para o rapaz, ele realmente estava grávido.
-Você é uma mulher? – ela falou zonza.
-Esqueça, menina. Apenas nos mostre as coisas... Eu quero apenas as melhores. É meu filho, entende? – Heero usou um pouco aquela sua prepotência de sempre.
-Claro. Como o senhor quiser. – a moça falou humilde e se viu servindo com estrema educação um Duo sorridente. O menino nem devia se lembrar dela, ao menos não dava essa demonstração, ao contrário, ele era doce e simpático, sempre dando atenção a tudo que ela falava sobre as roupas. –Essas são importadas. Esses babados são feitos à mão. – ela falou mostrando um rico conjunto bege claro.
-Não gosto. Moça esse bebê é meu filho. Eu prefiro coisas mais discretas. – Heero cortou ríspido.
-Heero. A moça só quer ser gentil. – Duo o repreendeu.
Aquela visita a loja foi proveitosa. Afinal os futuros pais saíram com muitas sacolas e muitos sorrisos.
-Senhor Duo. – aquela mesma moça o chamou antes que pudesse sair da loja. –Boa sorte no parto. – ela falou sincera aprendendo definitivamente a nunca julgar as pessoas pelo que vê e sim pelo que realmente são.
Quando veio a noite haviam comprado muitas coisas, talvez até mais do que o bebê fosse precisar, mas Heero fazia questão. Ele deixou o garoto na casa de Wufei depois de jantarem juntos por volta das dezenove horas.
Não quis contar a Duo, mas estava já mudando sua casa para receber o bebê. O quarto estava sendo preparado, bem como tudo que fosse possível para confortá-los em sua mansão. Seria uma grande surpresa a Duo.
Naquela mesma noite quando chegou em casa ficou a olhar o computador e as primeiras coisas que escrevera sobre o garoto de programa que um dia encontrara nas ruas de L2.
Ele estava sentado em seu escritório quando sua governanta lhe trouxe um chá.
-Logo ele vai estar aqui com nosso bebê, Dona Any. – Heero sorriu para a senhora que acabara de entrar. A senhora não respondeu, apenas acenou com a cabeça. Ela não dizia nada, mas não gostava da atitude de Heero em relação aquele prostituto, ao menos o patrão devia pedir um exame para saber se aquela criança era mesmo sua.
E ainda mais isso. A senhora não suportava a idéia de receber ordens de um vagabundo e ela sabia que logo isso estaria acontecendo quando aquele bebê finalmente nascesse e Duo fosse morar ali com Heero.
Em poucos dias a reforma estava pronta. A mansão de Yui estava preparada para receber Duo e seu filho e nessa noite o escritor havia convidado o jovem para um jantar e faria o pedido.
Pov de Heero
É claro que eu não ia tornar a vida do Duo algo melhor só com dinheiro, mas eu era rico e tudo o que queria era dispor para aquele nosso bebê tudo que existisse de melhor. Era uma coisa leviana, talvez fosse. Talvez eu só estivesse vendo o meu lado e o da minha família, quando eu poderia fazer mais. Porém estava me sentindo um cara orgulhoso de mandar fazer para meu primeiro filho um lugar descente. Eu queria com aquilo que nosso bebê fosse muito feliz. Era apenas isso. Mas e Duo? Entenderia dessa forma?
Acho que ele não entendeu, e merda. Fiz tudo certo. O chamei aqui em casa e o trouxe de olhos fechados até o quarto e fiz até aquele barulho ridículo que agente faz quando quer simular surpresa, alguma coisa como: "Thanhãa!", alguma coisa assim. Fiquei esperando que ele fosse fazer aquela cara de encantado, e fosse pular no meu pescoço me enchendo de beijos e dizendo o quanto estava feliz, mas Duo não fez nada disso. Ele apenas me olhou e falou algo sobre como era bonito e como nosso bebê tinha sorte de ter um pai que pudesse lhe dar tudo aquilo, que era muito mais que uma criança de rua um dia já sonhou em ter.
E caramba, eu finalmente entendi o Duo. Ele estava se sentindo distante daquilo. Ele não tinha muito a dar para nosso filho... Não tinha dinheiro para comprar a vida que eu podia dar ao bebê. Era uma grande bobagem. Duo era de todas as pessoas a mais rica que já conheci. Ele tinha uma força de espírito que muito me havia contagiado e se ele pudesse dar metade disso para aquela criança ela já seria a mais sortuda no mundo.
Fim do pov
Duo caminhou de volta para a sala. Havia gostado do quarto, é claro. Mas... Havia uma coisa que tinha que contar a Yui.
-Está muito bonito, Heero. -ele falou. Mas algo estava errado. Seu filho teria um mundo de sonhos e tantas coisas passavam pela cabeça daquele pai. –Eu tenho que lhe dizer algo e preciso que você me perdoe. - falou receoso.
-Claro... – Heero se apressou.
-Antes de você saber de tudo... E eu realmente não ia te contar. – o menino falou. –Eu não ia ficar com o bebê depois que ele nascesse. – Duo revelou.
-Como é? Ia dar o nosso filho e sem ao menos me dar o direito de decidir se queria essa criança ou não? Que tipo de monstro é você!? – Yui se virou para ele, estava com raiva, afinal experimentara um susto enorme. Se acaso Quatre não tivesse lhe contado daqui a dias quando seu filho nascesse Duo o ia deixar em algum orfanato e toda a felicidade que Yui estava vivendo agora não seria possível.
-Eu sinto muito. – o rapaz falou.
-Sente muito? Porque diabos não me disse sobre essa gravidez desde o primeiro dia que soube? – ele gritou. –Meu Deus! Duo. Era nosso filho... Meu Deus! – falou por fim.
-Heero... Perdão. – Duo gemeu. Yui tinha razão de estar daquele jeito. Se soubesse que o escritor seria tão bom pai teria contado desde o primeiro dia que soube. –Eu... Estava tão confuso. Eu sei lá porque fugi. Tive medo de você me humilhar... Entenda! – pediu deixando que as lágrimas caíssem finalmente.
-Duo... – aquilo amoleceu o escritor. –Veja. Eu não queria te culpar. Mas não esconda mais nada de mim. Eu... Eu amo você. – Heero nunca havia dito aquilo para ninguém, mas sentiu vontade de falar tal coisa para aquele menino.
-Heero... Eu... Nunca pensei. – eles se abraçaram forte.
-Sinto muito por não ter estado do seu lado. – Heero falou carinhoso. Abraçado ao trançado sentiu algo engraçado e inexplicável. Na barriga de Duo Yui sentiu um movimento leve. –Duo!? – afastou o garoto de si o olhando espantado. –Isso...
-O bebê chutou... Aqui, olha! – Duo sorriu doce pondo a mão de Yui sobre um lado de sua barriga e lá o bebê chutou novamente.
-Ele está chutando... – Heero falou débil. –Acho que não quer mesmo que eu brigue com esse pai cabeça-dura que ele tem. – sorriu beijando os lábios de Duo.
Assim aos beijos o escritor acabou levando Duo para seu quarto. Era enorme ali, o menino pode constatar quando se viu sentando na cama do outro rapaz.
Heero o beijava com tanto carinho. Chupava-lhe delicadamente a pele do pescoço enquanto lentamente abria a blusa botão por botão. Sua mão descia pelo peito acariciando os mamilos eretos.
Duo gemeu baixo sentindo um arrepio tomar conta de seu corpo. Seus mamilos estavam ligeiramente enrijecidos por causa da gravidez, mas aqueles toques eram delicados e carinhosos, era ótimo sentir aquela parte tão sensível de seu corpo ser tocada daquela forma.
Desde quando a gravidez ficou adiantada e começara a enjoar os programas haviam sido obrigados a cessarem, e já fazia meses que Duo não praticava sexo, até mesmo porque da última vez sentira muita dor no meio do ato. Jurara que não faria sexo durante a gravidez, mas agora sendo tocado assim por Yui ele ia se deixando levar. Entre beijos molhados e carinhos ele se viu nu deitado na cama do escritor.
Heero sabia o quanto teria que ser cuidadoso. Estava muito excitado e ter aquele garoto em sua casa era uma chance de possuí-lo mais uma vez.
-Heero... Eu... Não acho que seja uma boa idéia. – ele finalmente falou quando reuniu forças para reagir, mas seus olhos estavam úmidos de desejos, a respiração pesada e seu rosto levemente corado. Podia dizer uma coisa, mas todo seu corpo dizia outra. Seu corpo quase implorava por sexo.
-Vou ser cuidadoso. – Yui sorriu se despindo. Seus olhos azuis examinaram o corpo de Duo sentindo um forte erotismo, era impressionante como o garoto havia ficado ainda mais atraente grávido. Heero sorriu se tocando e gemendo baixo, a outra mão percorria o corpo de Duo acariciando, tocando.
Não foi preciso mais nada para uma confiança cega. Duo se deixou levar pelo momento retribuindo todo o carinho da melhor forma que sabia fazer.
Pela janela entreaberta entrava o brilho prateado da lua enquanto dentro do quarto Heero possuía o jovem. O quarto estava em silêncio, ambos concentrados em sentir prazer. Apenas gemidos baixos e os barulhos dos corpos se chocando eram ouvidos naquele erótico movimento de foda. Yui entrava e saía de dentro de Duo sentindo aquele canal quente lhe acolher por completo.
Duo fechou os olhos sentindo as sensações de gozo chegarem. Estava deitado de lado de forma confortável para ele e seu bebê com Heero o tomando.
Yui o tocava com carinho lhe masturbando enquanto o possuía.
Logo os dois gozaram juntos e unidos.
-Está tudo bem? – Heero perguntou baixo quando se retirou de dentro de Duo.
-Você foi perfeito... Como sempre. – o garoto respondeu cansado.
Adormeceram abraçados e satisfeitos.
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No dia seguinte Duo foi o primeiro acordar. Sorriu ao ver que se sentia extremamente bem. Eles formavam uma família completa. Seriam felizes.
O garoto vestiu a camiseta de Heero e saiu pela casa que era enorme e a vista da varanda era linda. Um pouco solitária, mas muito bonita.
-Hum... Achei que o senhor Heero dispensava seus amantes ainda pela noite. Ele não costuma deixar que durmam com ele. – uma senhora falou ríspida ao ver Duo em pé na varanda.
-Ahhh... – o garoto nem teve o que dizer.
-Ele te deixou ficar? – a mulher se aproximou.
-Sim... – respondeu assustado.
-Ahhhh... Então é você? O prostituto que diz está grávido dele. Não vai conseguir dar esse golpe da barriga com o senhor Heero... – ela falou.
-Não há golpe algum! – aquilo o aborreceu.
-Não pense que vou receber ordens de um prostituto como você! – a senhora gritou.
-Dona Any! – Heero surgiu na sala. Havia ouvido a conversa e ficara muito triste. Aquela mulher trabalhava em sua casa há muito tempo. –Esse é Duo. Eu já lhe falei sobre ele tantas vezes... – o escritor se aproximou do rapaz o abraçando protetoramente. –Peça desculpas a ele e respeite meu filho que está aqui dentro. – falou sério.
-Hum... – a mulher avaliou a situação.
-Não precisa. – Duo foi quem falou. –Não tenho intenção de dar ordens à senhora. Eu apenas quero ser feliz com meu bebê e Heero me proporciona isso e eu juro que o amo muito... Não só por isso, senhora. Mas por ser para mim o homem mais doce do mundo. Não quero nada dele... Apenas o amor e carinho. – o garoto explicou sincero.
-Espero que assim seja. – ela falou e se retirou frustrada. Será que podia confiar naquele menino? Será que ao menos esse amava mesmo o jovem escritor ou era só mais um interesseiro? Só o tempo diria.
-Sinto muito, Duo. – Heero falou triste. Mas sabia que era só um começo e que ele e Duo passariam por esse tipo de situações muitas outras vezes.
-Não há problemas.
-Há sim... Eu sei que há. Você é a pessoa que escolhi e pronto. – o escritor rebateu.
-As pessoas vão agir assim, depois se acostumam. – Duo comentou.
-Certo. Mas vão ter que se acostumar a ver você como meu marido e companheiro. E queria que fosse um momento especial depois do café da manhã... Mas será agora. – Heero sorriu o beijando levemente nos lábios. –Duo, você aceita se casar comigo? – pediu simples.
O trançado piscou várias vezes. Casar não estava em seus planos... Casar tornava tudo com ares muito romântico, conto de fadas e ele não queria sonhar tão alto.
-Eu... Gosto de você, Heero. Mas não quero que se sinta obrigado a casar por causa do bebê... – falou.
-Eu amo você, baka. Ia querer você para mim mesmo sem esse filho. – ele falou.
-Eu... Quero sim. – Se abraçaram.
Hina
Beijos
