Cap 2 – A chegada

Era sexta-feira. Ginevra estava saindo do trabalho. Iria buscar os filhos na estação para o fim de semana, porém ainda era cedo então decidiu dar uma volta no parque. Foi até lá e se sentou em um dos bancos em frente ao chafariz. Gostava de ficar lá observando os pássaros e a água cair. Pensou em sua vida e mais uma vez, como sempre chegava à conclusão, percebeu o quanto infeliz era. Estava certo, tinha o marido perfeito, o emprego perfeito, uma casa, uma família que apesar de tudo era unida, ou aparentava ser. O que poderia querer mais? Não sabia. Ou apenas não admitia. Perdeu-se em pensamentos e uma lembrança veio em sua mente.

Flashback

Era um maravilhoso fim de tarde, principalmente pôr estar com ele. O sol se punha alaranjado e algumas estrelas já começavam a aparecer. Estavam deitados na grama do parque abraçados. Observavam o céu, os pássaros, a natureza. Tudo parecia calmo, apesar de saberem não estar. Encontravam um no outro a paz que não tinham separados.

-O que estás pensando, Draco?

-Que este fim de tarde podia não acabar. Sei que ele irá, mais em meu coração ele ficará guardado, para sempre ruiva.

-Eu sei, mas espero que possamos voltar aqui um dia. Juntos, e rir do passado e de nossas dúvidas. – Draco a beijou na ponta do nariz e a abraçou mais forte. Sabia que não voltariam. Nunca.

Fim do Flashback

Ginevra sentiu uma lágrima quente escorrer pôr seu rosto quando voltou a si. Aquele havia sido o último dia deles juntos. Haviam tido um passeio em Hogsmead e foram até aquele parque. Depois daquele dia, suas vidas não fora a mesma. E nunca mais seria.

Agora as lágrimas já escorriam sem controle. Tentou afastar aqueles pensamentos inevitáveis de sua cabeça. Já tinham dezesseis anos desde a morte de Draco e ainda sentia como se ele pudesse aparecer a qualquer momento em sua frente. Ainda podia sentir sua mão tocando em seu rosto, seus lábios frios nos seus, seu sorriso doce, suas piadas, sua presença. Era como se ele estivesse para chegar de uma aula e tudo não tivesse passado de um sonho ruim. Mas sabia que ele não voltaria e que tudo tinha sido real. E muito. Enxugou as lágrimas e se levantou. Aquele lugar a trazia lembranças que deveriam ter sido enterradas à dezesseis anos. Andou até um ponto deserto do povoado e aparatou a tempo de ouvir o trem aproximando-se.

-------------------------------------------- DG -------------------------------------------

Grauben levantou-se mal-humorada. Não entendia o porquê de Ter que voltar pra casa todos os finais de semana. Preferia passar o ano em Hogwarts. Odiava estar naquela casa, naquela família. Saiu do trem junto com o irmão e foi ao encontro da mãe que já os aguardavam.

-Como passaram a semana meus queridos? – perguntou Ginevra tentando afastar as lembranças que teimavam em voltar ao olhá-la.

-Teria sido melhor se não precisasse voltar pra cá.

-Foi boa mãe, mais teria sido melhor se não tivesse que agüentá-la. – disse Axel olhando a irmã de esguelha.

-Parem com isso vocês dois! São irmãos e devem conviver melhor! Agora vamos que o pai de vocês está nos esperando para o jantar.

Foram andando devagar por causa dos malões pesados. A casa era num povoado próximo, onde todos se conheciam. Chegaram a casa e um elfo veio recebê-los.

-Como foram de viagem senhorizinhos?

-Bem Charlott, bem. – respondeu Grauben rápido antes de subir para seu quarto.

-O senhor mandou avisar que não pode esperá-los e já foi para seu turno senhora.

-Ok, Charlott, prepare apenas um lanche para nós.

-Sim senhora – disse o elfo saindo em direção a cozinha.

-Mãe, preciso falar com a senhora.

-O que há Axel? – perguntou Ginevra enquanto sentava-se no sofá.

-Acho que já deu pra notar, que Grauben está um pouco mais mal-humorada do que antes, me preocupo com ela. Anda tão calada e aérea. Não sei o que há.

-Irei falar com ela querido, não se preocupe.

-Sim mãe, irei para o meu quarto. – disse Axel subindo as escadas.

Ginevra deu um longo suspiro antes de subir para o quarto da filha. Era verdade que a menina andava um tanto calada e com um ar misterioso nas últimas semanas. Iria investigar.

Bateu na porta do quarto da filha e recebeu um grito de "Não me amole" da porta enfeitiçada. Abriu a porta e entrou. Viu a filha na janela soltando uma coruja que levava uma carta.

-Para quem escreves minha filha.

-Ninguém que conheces mãe. Vejo que o feitiço da porta não adianta mais, não é? Preciso por um outro para ver se soluciono este problema – disse Grauben sarcástica como sempre – o que você quer?

-Conversar minha filha. Vejo que andas um tanto quanto mudada. Há algo que queira me contar?

-Não mãe. Não há nada para contar. – disse ela desviando o olhar rapidamente. Sempre conseguira mentir mais ultimamente não andava muito confiante. Principalmente com sua mãe.

-Grauben, sabe que pode contar comigo para o que quiser. Quero lhe ajudar.

-Sei de um jeito que podes me ajudar – falou agora mais confiante e com o olhar fixo em sua mãe – podes começar me dizendo quem é meu pai e por que não o conheço! – disse quase gritando

-Grauben sabe que não gosto de falar nisso, por favor, compreenda...

-Não! Você não tem o direito de e esconder isso! Há algo nisso tudo, eu sei! Se você não vai me contar, descobrirei sozinha! – disse Grauben antes de sair correndo do quarto.