Capítulo 8

E se foi...

Os alunos formados estavam se despedindo dos demais e dos professores na porta principal do castelo. No entanto, Snape olhava para todos os lados tentando achar Antoine. Dumbledore viu a preocupação do professor.

– Não estou vendo a senhorita Dimanchè! - disse Snape inquieto.

– Ela talvez esteja dando uma última olhada por aí, despedindo-se dos lugares preferidos, afinal ela não queria ir embora! Estava um pouco insegura sobre onde iria morar e trabalhar. Não comentei nada com ela, mas alguns amigos se dispuseram a recebê-la durante algum tempo!

– Ela saiu cedo da festa ontem! Parecia um pouco... desanimada, mas não sei para onde ela foi!

– Ah, professor - retrucou um menino do terceiro ano - vai ver ela ainda está dormindo, eu estava na sacada e a vi andando perto da floresta ontem à noite, ela e o professor Lupin.

Dumbledore e Snape se olharam sobressaltados.

– Tem certeza que era ela, garoto? - pediu Snape apertando sem querer o ombro do menino, que fez uma careta de dor.

O menino confirmou e Dumbledore saiu em disparada, seguido por Snape. Cochicharam algo no ouvido dos outros professores e houve tumulto entre eles. Os professores correram em direção à floresta, enquanto Dumbledore falava com o grupo de alunos mais velhos, pedindo que estes o acompanhassem até a floresta e pedindo para os monitores tomarem conta do resto dos alunos. Todos os que entraram na floresta foram instruídos para, em trio, procurarem Antoine Dimanchè e achando-a, iluminarem o céu com a varinha. Procuraram-na por mais de quatro horas, os alunos estavam cansados e os professores irritados, principalmente Snape que andava de um lado a outro resmungando. Foi então que apareceu Lupin. Quando Dumbledore o viu correu até ele sentindo calafrios. Por um momento, Snape pensou que Lupin tivesse caído numa poça de lama, mas aquelas manchas eram de sangue seco. Aquilo e o desaparecimento de Antoine estavam estreitamente ligados.

– Remo! - disse Dumbledore firmemente - O que foi que você fez?

– Eu... não sei. - respondeu sussurrando e olhando para as mãos.

– De onde você está vindo? - perguntou o diretor.

– De... lá! - disse apontando para trás, a oeste - Mas faz horas que estou andando. Eu não quis me transformar aqui, corri para dentro da floresta o mais rápido que pude.

Snape montou numa vassoura e saiu em disparada para o coração da floresta. Dumbledore, os professores e Lupin o seguiram. Sobrevoaram, em alta velocidade em vôo rasante, o chão da floresta durante mais de uma hora. Àquela altura, seus corpos, mais especificamente suas costas, doíam. Subitamente, Dumbledore ergueu um dos braços fazendo sinal para que todos parassem.

– Ali. - disse o diretor, apontando para um vulto negro, imóvel em meio à escuridão. Era Snape parado perto de uma grande árvore, sua vassoura estava caída à metros dali. Todos se aproximaram lentamente e ficaram horrorizados ao ver o que estava à frente do professor de Poções: desfigurado e jogado em uma estranha posição estava o corpo de Antoine. Lupin saltou da vassoura e parou ao lado de Snape, gritando ao ver o corpo. Ele se abaixou, chorando e soluçando, tocou o corpo, falando com ele, pedindo o porquê dela estar ali, o porquê dela o ter seguido se sabia que era lua cheia. Sabia que ele não a reconheceria. Entretanto, nada que ele fizesse adiantaria, ela já estava morta.

– Que cena! - rosnou Snape irônico, tremendo e espumando - Acha que vai sair em pune?

Lupin virou-se para ele e o encarou com os olhos vermelhos e os dentes à mostra.

– Não se faça de vítima! Foi você quem fez isso com ela! - gritou Snape apontando para o corpo da garota.

– Você é o culpado. Vive inventando histórias em sua cabeça! Eu gostava dela, mas não havia nada entre nós! Você a ignorava, a desprezava e sabia muito bem que era um exemplo para ela! Sinto por isso, porque exemplo você nunca deu a ninguém!

– Cale a boca! Ela tem... tinha um futuro todo... eu tive que afastá-la de todos... - e Snape levou os olhos para o que restava do corpo de Antoine, mas agora mal conseguia olhar, algo parecia estar voltando pela sua garganta - Você é um... um... monstro!

– Eu não nasci assim! - gritou Lupin.

– Mas foi burro o suficiente para se deixar atacar! - gritou Snape mais alto que Lupin.

– Eu era uma criança, pelo amor de deus!

– Sim, você, imbecil desde o nascimento e seus amiguinhos grifinórios irresponsáveis, soltos pela noite encobertos por Dumbledore! Mal sabiam citar os feitiços e fazer poções! Mas com a sorte sempre ao lado! O que sabiam muito bem era pregar peças, não? Atrair pessoas para fora do castelo... Olhe agora... - e Snape engoliu em seco.

– Ora, seu... - e dizendo isso Lupin pulou no pescoço de Snape e os dois começaram a se socar ferozmente. Dumbledore apenas gritou "Parem já!" e os dois se largaram. Os olhos do diretor estavam cinzento-avermelhados, parecia que havia chorado, ele aproximou-se de Minerva, cochichou algo e andou até Antoine. Os outros professores também se aproximaram, apenas Minerva não, ela chamou Lupin e os dois saíram da floresta. No quarto de Minerva, Lupin se sentou em uma cadeira próxima a janela. A professora abriu o guarda-roupa e tirou um pequeno baú vermelho lá de dentro. Minerva sentou-se em frente à Lupin e abriu o baú.

– Tome este Vira-Tempo e volte exatamente às onze horas de ontem, antes da hora que Antoine entrou na floresta.

Os olhos de Lupin brilharam.

– Saiba que se for visto por seu eu no passado, todo seu futuro pode acabar, Remo.

– Desde que o dela não o faça...

– Para ela voltar, você deverá voltar! Vá agora! - disse Minerva colocando a ampulheta ao redor do pescoço de Lupin e girando-a uma vez. Lupin teve a sensação de ser puxado para trás com muita força. Estava tonto, pois as cores das coisas ao seu redor se tornaram borrões. Mas de repente, sentiu-se firmar os pés no chão e tudo voltou a entrar em foco.

Ah, o ar daquela noite trazia algo de diferente. Lupin havia pressentido isso quando entrou no salão de baile àquela noite, mas não havia se dado conta de que aconteceria uma tragédia.

– Aí, vou eu! - sussurrou Lupin de trás de uma árvore, olhando para seu Lupin do passado, que saía do castelo em direção à floresta. Esperou mais um pouco e Antoine apareceu ajuntando a capa que o Lupin do passado havia deixado na entrada da floresta. Então o Lupin do futuro saiu de trás da árvore e foi até ela.

– Antoine, me escute!

– Lupin, o que foi que você fez? - perguntou ela - Está todo ensangüentado?

– Não resta muito tempo, - disse ele tentando voltar a atenção de Antoine às suas palavras - não me siga, não entre na floresta, volte para o castelo e juro que lhe encontrarei em Londres amanhã! Esqueça o que lhe disse há horas atrás! - ele chorava agora - Mas, por favor, prometa que não entrará na floresta... é lua cheia!

– Sim, eu apenas querria lhe pedirr desculpas...

– Não há nada que desculpar. Agora volte para dentro e rápido!

– Sim - disse ela voltando-se e andando em direção ao castelo, mas continuando a olhar para ele. Lupin entrou na floresta e desapareceu.

Quando o tempo da ampulheta acabou, Lupin voltou ao quarto de Minerva, aparecendo do nada. Ela o olhou espantada.

– E então? - quis saber Minerva.

– Eu... bom... - Lupin estava zonzo e cambaleando apoiou-se na escrivaninha. Uma garrafa de vinho refletia seu rosto cansado. Ele franziu a testa, pegou a garrafa pelo gargalo e mirou-se nela. Correu ao banheiro com a garrafa na mão e parou em frente ao espelho. Um largo sorriso fez a expressão cansada ser amenizada. As roupas dele estavam rasgadas e abarrotadas, mas não havia uma gota de sangue nelas. Sem pensar correu para as masmorras. Seu coração quase saia pela boca. Parou em frente ao quarto de Antoine e bateu na porta. Por um momento se arrependeu. Como explicaria tanta empolgação? Esperou alguns instantes e ninguém atendeu. Ainda bem, ela continuava dormindo afinal. Ao ouvir passos e vozes Lupin se escondeu.

– Ela tem grandes possibilidades de se tornar uma pessoa importante na comunidade bruxa e não serei eu que estragarei.

– Sim, Severo, você tem razão. Antoine terá um grande futuro, mas você poderia fazer parte dele.

– Não. Nem eu nem Lupin.

Lupin sentiu um aperto no peito ao escutar aquilo, mas Snape tinha razão. Era verdade que Lupin queria arrebatá-la para seus braços e tê-la para sempre, mas conteve seus instintos e decidiu que não iria à estação de Londres esperá-la.

– Ela estará sozinha,sei...

– Tenho amigos que a acolherão com muito gosto. Ela não ficará sozinho, Severo. Agora vá descansar. - e o diretor sorriu, deu meia volta e se afastou.