Capítulo Quatro: "Gaara, Gaara", elas dizem
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Quando Ino despertou naquela manhã, os passarinhos cantavam alegremente sobre o parapeito da janela aberta.
Ela piscou, sem saber ao certo onde se encontrava, os cabelos caindo desajeitadamente sobre os ombros, toda descabelada. A luz do sol machucava seus olhos, de maneira que ela tornou a se esconder embaixo das cobertas cheirando a Gaara.
O céu estava tão claro que parecia perfeito. Havia umas poucas nuvens brancas em forma de desenhos, movendo-se suavemente para mais além, empurradas pela brisa que balançava também as cortinas.
Soltou um ronronado, esfregando sua bochecha no travesseiro de penas.
Seus dedos se fecharam sobre o lençol, apertando-o.
Gaara não estava na cama e nem em lugar algum do quarto, mas, se dependesse dela, Ino ficaria a manhã toda ali sentindo a fragrância suave dele. Cheirava a criança, assim como era uma criança no que dizia respeito a sensações.
Ino sorriu, sonolenta.
Suspirou. "Gaara, você não tem idéia do quanto esse seu cheiro pode ser delicioso." E riu alto.
Esparramou-se na cama, ouvindo o cantar dos passarinhos. Havia uma expressão de contentamento em suas faces, coberta até o pescoço, à parte do calor que fazia. E Ino ficou ronronando como uma felina satisfeita, até que pegou novamente no sono.
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Temari observou o irmão, enquanto este assinava alguns papéis.
Havia algo nele.
Mas o quê...? Franziu as sobrancelhas, pensativa. O silêncio entre eles pesava, o que aumentava sua curiosidade. Com todos os diabos do mundo! Talvez...oh. Hmm, deu um pequeno sorriso.
Aquela era uma manhã quente, quase beirando o meio-dia. A tempestade apenas servira para limpar o céu, pois já não havia mais gotas ou poças d'água espalhadas pela Suna – o calor escaldante se encarregara de miná-las todas. E, mediante a alta temperatura, Gaara, desconfortavelmente, percebeu a gota de suor que escorria por sua têmpora.
Sua mão, que riscava o papel com a caneta, estava um pouco úmida, dando-lhe uma sensação viscosa.
Movimentou os dedos, enquanto virava a folha com a outra mão, e deu sua última assinatura, incomodado.
Enquanto fechava a pasta e voltava a entregá-la para Temari, percebeu o sorriso matreiro nos lábios desta, mas manteve-se indiferente.
Vendo o suor escorrer pelo rosto dele, a loira desdenhou. "Você está suando, Gaara."
Gaara deslizou os dedos por sobre a pele, que estava quente, e capturou a transpiração com o movimento, impedindo que uma gota de suor escorresse.
Olhou para seus dedos, enojado.
"É o calor." Disse, aborrecido.
Temari deu as costas e deslizou suavemente em direção à porta. Abriu-a, mas parou, voltando a cabeça.
"Parece que está derretendo." Sibilou de maneira maliciosa e sumiu pelo corredor.
Ele só absorveu o comentário muito tempo depois dela ter deixado a sala.
É Ino, pensou. Sua maldita Ino.
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"Querida Hinata,
Sinto sua falta também.
Não tenho certeza se as coisas por aqui correm exatamente como o esperado, mas eu prometo não desistir até que elas se saiam como eu previ. Porque, você sabe, não é do meu feitio desistir das coisas tão rapidamente. E não, não pergunte que objetivo misterioso é esse que me move. Logo descobrirá.
Espero que seus treinos continuem avançando cada vez mais. Como herdeira do clã Hyuuga, você não pode ser menos que perfeita, sabe disso. Potencial é o que não falta, Hinata! Nada de baixa-estima.
Aqui na Suna faz calor como sempre fez. As pessoas parecem sorvetes meio derretidos, andando pela rua como se tivessem acabado de sair de um banho. E a minha sorte é que a casa do Kazekage é suficientemente fria para que eu não passe tanto calor, com os tetos altos e esse piso de mármore gelado que só Deus sabe. O calor sempre cede à baixa temperatura durante a noite. É uma enorme confusão climática.
Não tenho treinado e não tenho me exercitado. Estou, por assim dizer, de férias. Não pretendo me abster de cada segundo aproveitado por aqui. Também não tenho previsão de volta (não sei se voltarei um dia, para ser sincera). Pretendo fazer uma visita a papai tão logo possível, levando minha surpresinha. Fique curiosa até lá! E não se esqueça de me mandar os relatórios periódicos da condição hospitalar de papai, por favor.
Sei que papai não recebe muitas visitas. Levarei lindas flores para ele.
Continue me contando as novidades e os progressos com o Naruto-baka. Quero saber cada mínimo detalhe desses momentos semi-românticos que vocês passam juntos aos treinamentos. Ele pode ser idiota, mas não seria idiota de deixar de reparar nesses seus lindos olhos, convenhamos. E agora que percebeu que, bem, a Sakura não tá pra negócio, vai parar de se achar páreo na disputa contra Sasuke.
Respondendo as suas entrelinhas, sua espertinha, minha vida amorosa anda bem! Esse seu "conte-me as novidades" completamente sem segundas intenções, hein, minha cara?
Estou louca de saudades! Mande beijos para o pessoal por mim.
Logo aparecerei, promessa!..."
Ino, deitada sobre a cama desarrumada, os cobertores jogados para o chão, analisava criticamente a carta que escrevia.
Os cabelos caiam sobre os ombros, cobrindo nas margens da folha.
"Hm." Mordiscou o lábio, girando a caneta esferográfica entre os dedos. "Tão logo assim?" Perguntou-se, encarando o teto, com uma expressão pensativa.
Deitou-se de costas na cama, os braços e as pernas esparramadas.
Seus olhos se fecharam por alguns segundos, aspirando profundamente. A fragrância de Gaara invadiu suas narinas, ainda acomodada no quarto dele, sem preocupar-se com as horas ou com qualquer coisa que se passasse além daquelas portas de mogno.
Ela gostava de ficar ali.
Sentia-se adentrar cada vez mais no universo dele e a cada minuto Gaara parecia tão mais indiscutivelmente compassivo. O cheiro e sua expressão quando dormia, seu beijo inexperiente e, ainda assim, suave de uma maneira que ele sequer imaginaria. Ele era ainda um garoto a ser moldado. Não sentia impulsos, não sentia plenamente os sentimentos. E Ino amava aquele rosto meticulosamente impassível.
Queria estar com ele, viver com ele. Seus olhos cintilavam ao vê-lo. Então, aos poucos ela ia descobrindo aquele amor que crescia, tomando conta.
"Finalizar!" Exclamou ela, virando-se para a carta que escrevia. "Com amor, Ino."
Dobrou o papel, deixando-o sobre o criado mudo.
Fitou a carta escrita. Contra sua vontade, ergueu-se da cama.
"Ele detestaria me encontrar aqui." Deu uma risadinha, enquanto jogava os cabelos por sobre os ombros, que despencaram em suas costas como uma cachoeira.
Pegou a carta para Hinata e saiu.
Estou faminta, pensou.
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Nas duas noites que se seguiram, Gaara não conseguiu dormir.
Revirava-se na cama, ficava a observar as estrelas pela janela, afofou o travesseiro de cinco em cinco minutos, até que uma pena saiu por um furo. E embora sentisse seu corpo cansado, seus olhos simplesmente não se fechavam. Não com aquele cheiro nos lençóis. Cheiro de-
"Ino!" Resmungou, insatisfeito.
Ela me persegue.
Aquela rotina era insuportável. As noites deixaram de ser apenas uma perda de tempo, para se tornarem uma perda de tempo dupla. A necessidade que tinha de descansar era enorme a cada fim de dia, o que o deixava aborrecido.
Era muito mais prático apenas com Shukaku.
Mesmo que ainda conseguisse controlar a areia, era diferente, era estranho. Ela deixara de ter vida própria para passar a ser apenas um punhado de...areia. E se não a controlasse, Gaara imaginava que ela ficaria estática, desconhecendo o perigo.
Aquela inutilidade cada vez mais aparente o aborrecia. Mas, pensando bem, mais da metade das coisas que aconteciam à sua volta tinham capacidade de aborrecê-lo. Então, apenas as ignorava.
Atirando os lençóis e o travesseiro para o chão, Gaara afundou o rosto no colchão, tentando pegar no sono.
Mãos invisíveis saiam do lençol de linho, seguindo na direção do seu nariz. E elas ficavam sussurrando "Gaara, Gaara...", esfregando aquele cheiro de flores na sua cara.
"Ah!" soltou, frustrado e erguendo-se da cama.
Tomou rumo na direção da porta, deixando para trás as mãos que o rodeavam.
"Gaara, Gaara..." ele ainda podia escutar os murmúrios pedindo para que voltasse.
Caminhou pelo corredor, os pés descalços, sem fazer qualquer ruído.
Apenas as luzes das estrelas, que brilhavam fortemente no céu, iluminavam o corredor. A única janela estava aberta, para arejar a casa. A temperatura estava particularmente baixa aquela noite, contrariando o calor da tarde, mas ele preferia o frio, já que o calor repentinamente adquirira a capacidade de fazê-lo transpirar.
Passando a mão sobre a testa, constatou que não havia nenhuma gota de suor preste a escorrer. Seu rosto estava seco, mas estava quente.
A porta do quarto de Ino abriu-se com um rangido alto e ele empurrou-a toda, até que ela bateu na parede.
Apesar do barulho, a loira nem se mexeu.
Gaara aproximou-se com passadas rápidas, observando rapidamente o corpo metido numa camisola de seda branca, os cabelos espalhados pelo travesseiro. Os lábios rosados estavam entreabertos e uma das mãos estava pousada perto do rosto, Ino virada de lado.
Sem pensar duas vezes, sem admirar a beleza dela e antes que pudesse ser invadido novamente pelos sussurros "Gaara, Gaara..." que se esgueiravam pelo corredor, ele apenas pegou sua mão, puxando-a até erguer o tronco de Ino.
"Ino." Chamou, sacudindo-a.
Ela foi abrindo os olhos devagar, piscando-os diversas vezes, e soltou um gemido dolorido.
"Hmm." Seu braço foi solto quando Gaara notou que ela havia acordado, então Ino despencou para trás, caindo de costas na cama, o travesseiro fazendo um "pluf". E ela esfregou os olhos, sonolenta. "O que foi? Já é dia?"
"Não." Disse.
Caminhou até o banheiro, ligando a luz.
Dando uma olhada pelo pequeno cômodo, recoberto por lajotas com desenhos de flores rosas, enfiou a mão dentro do box de vidro, abrindo a torneira para que enchesse a banheira. A água caindo furiosamente, respingando para todo o lado, umidecia o tapete felpudo perto do vaso sanitário.
O vapor começava a embaçar o vidro quando Gaara voltou para o quarto.
Seus pés descalços estavam frios, gelando aos poucos as mãos e subindo pelo tronco.
Ino havia se sentado sobre a cama, por cima dos lençóis, plenamente desperta, e o observava surpresa. Havia um tom rosado em suas bochechas e lábios e o cricrilar dos grilos fazia uma sinfonia lá fora.
Ela levou uma mexa de cabelo para trás da orelha. "O que está fazendo?" E mordeu o lábio, curiosa.
"Banho." Murmurou Gaara.
Parando ao lado da cama, ele abaixou-se apenas um pouco, enfiando um de seus braços por baixo dos joelhos dela e tocando suas costas com o outro. A mão deslizou sobre o tecido suave da camisola, a seda perolada contrastando com a brancura da pele dela.
Ino soltou um gritinho quando se percebeu nos braços dele.
"O que está fazendo?" Repetiu mais enfaticamente, enquanto balançava as pernas, tentando saltar para o chão.
"É esse cheiro." Disse Gaara, como se explicasse tudo.
"Que cheiro?"
Então, as mãos invisíveis já se insinuavam pelo quarto, chamando-o em risinhos e esfregavam o cheiro de flores embaixo do seu nariz. "Gaara, Gaara, Gaara...", elas diziam.
Com Ino nos braços, enfiou-se no banheiro, fechando a porta com o pé.
Ele quase podia ouvir os toctoc das mãos batendo na porta, murmurando seu nome.
"Insuportável." Sussurrou, mais para si mesmo do que para ela.
"O que-"
Colocou-a de pé dentro da banheira, interrompendo sua frase.
A água transbordou, molhando os pés dele e a barra da sua calça, e Gaara então fechou a torneira, dando um passo para trás, sentindo o tapete ensopado.
"Você tem certeza de que está bem?" Ino olhou-o, a curiosidade dando lugar à preocupação.
"Ino," começou Gaara, passando a mão pelos cabelos, num suspiro de frustração. "você fede."
"EU O QUÊ?"
O grito agudo ecoou pelo banheiro.
Gaara não respondeu, apenas segurou a barra da camisola dela, seus dedos embrenhando-se nas rendas trabalhadas e ergueu-a subitamente, tirando-a de Ino. Os seios de mamilos rosados saltaram para fora, os braços dela caindo molemente ao lado do quadril.
"Gaara!" Gritou ela, furiosa.
Cobriu-se como pôde.
"Deixe-me sair!" Ela tentou passar por ele, mas foi barrada.
Gaara ligou a ducha, que caiu sobre os cabelos loiros, ensopando-a.
"Fique aí e tome um banho." Disse, firmemente.
Deu meia volta e saiu do banheiro, encostando a porta.
As mãos invisíveis já não estavam mais lá chamando por ele e, mesmo sem perceber, soltou um suspiro de alívio. O cheiro de Ino era perturbador.
Jogando a camisola de seda sobre a cama desarrumada, voltou para seu quarto e dormiu.
"Gaara, Gaara..." Ouviu em seus sonhos.
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AVISO: To procurando uma beta pra me dar uma mão n só com essa, mas com outras histórias tbm. Alguém tem alguém pra indicar ou ker se candidatar ao cargo? Agradeço mttt pq to precisando msm dessa ajuda!
N/A: Mais um capitulozinho aki pra vcs, gente \o Brigada pelos comments, to esperando mais hein uhasuhhuas.
Sobre a fic: vai ser só GaaraIno (respondendo um pouquinho atrasada a pergunta da fofa da Jessica). A puxada SakSas foi só pra dar seguimento a trama, não se animem mt pq eu n curto o casal uhauha. E n pensem q a ultima cena foi pornográfica! A pornografia ainda não chegou na história, AINDA, meus caros leitores (mente pervertiva) auhashu. To brincando nn mas quem sabe nehh...
Bjao, lindos. Continuem acompanhando!
