Capítulo Sete: Insanos

-

-

Poeira. Não restavam flores. A varanda estava silenciosa e morta. As folhas murchas caíam sobre o trilho de pedras que levavam até a porta da casa e as rosas se estendiam pelo chão, como se tivessem se curvado para que passassem. As joaninhas e a beleza rondavam lugares à milhões de metros, espantadas pelos fantasmas que existiam ali.

Quando Ino olhou, seu lar já não trazia aquela mesma satisfação de antigamente. Ela não sabia dizer mais se aquela era mesmo a casa certa, se ali algum dia fora aquele jardim florido do qual trazia lembranças de infância. Restavam umas poucas ervas daninhas, que sobreviveram ao abandono. Mas era tão solitário e infeliz que não pode conter o pensamento de asco.

Mas, pra falar a verdade, no fundo do seu coração ela já sabia: lar era uma palavra aparentemente estranha no seu dicionário, ao menos no que se dizia respeito à habitação. Se lhe perguntassem, Ino poderia dizer que os braços de Gaara eram seu lar, mas não diria mais que aquela casa triste era aquela na qual passara os melhores dias da sua vida.

"Até quando vai ficar aí parada?" a voz aborrecida de Gaara arrancou-a das suas lembranças.

Ino voltou-se para ele, os lábios entreabertos, perdendo a linha de pensamento. Piscou, os olhos surpresos, e então maneou a cabeça num movimento negativo. "Apenas recordando." Disse, sem se permitir voltar as recordações. Com uma última olhada para a fachada da casa, abaixou-se para pegar a mochila que pousou aos seus pés minutos antes. "É tão estranho estar de volta..." Mas aquilo não era para ele, sim para si mesma.

O silêncio predominou enquanto caminhavam, até ser interrompido por um grilo e logo por outro e outro, formando uma sinfonia. Logo cedo cantando, mostrando que ainda havia algo de vida pululando por ali.

A chave foi enfiada na fechadura e então a porta abriu. Rangeu alto antes de mostrar o corredor escuro. Ino observou, estacada na porta.

Gaara olhou em volta, observando o jardim. "Essas flores mortas, elas me incomodam."

Ele franziu as sobrancelhas, surpreso pela própria constatação. Ino não lhe deu resposta de imediato, dando-lhe tempo para pensar no que se passava pela sua mente naquele momento. As coisas estavam se tornando tão confusas que às vezes tudo à sua volta oscilava de uma maneira catastrófica e, por que não dizer, desesperadora.

Era como se, por segundos, seu mundo estivesse ruindo – o que contrariava completamente suas aparentes certezas e domínios. Destruído e remontado, assim estava aquilo que muitos classificavam de "universo íntimo". Aquela loira derrubava suas paredes para remontá-las a seu bel prazer. Como se tivesse moldando-o. E o mais deprimente de tudo é que ela transpassava os muros que criava em torno de si mesmo – todos eles.

Ino entrava no seu escritório com vasos de flores e beijos, invadindo sua vida.

"Você está cansado?" Ela seguiu para dentro da casa, ligando o interruptor.

"Sua pergunta não merece resposta." Resmungou, demonstrando impaciência.

A lâmpada fluorescente iluminou a sala, os móveis recobertos por uma fina película de pó. Havia porta-retratos na mesinha ao lado do sofá azul. As cortinas brancas cobriam as janelas. O tapete no chão, os quadros na parede amarela – só. A pintura descascava perto dos rodapés.

Ela largou a mochila no chão, silenciosa.

Estava tudo exatamente como deixara quando saíra, mas os sorrisos nas fotos eram muito mais felizes do que ela se recordava.

Gaara escorou-se no umbral da porta, vendo-a deslizar o dedo por uma fotografia grudada na parede.

Pela primeira vez, conseguia ver nela uma fragilidade arrasadora. Tanto nos seus olhos abatidos como na sua expressão inteira, traços de dor que Ino simplesmente não demonstrava. Era como se ela tivesse jogado todos os seus pesares dentro de um armário que, de quando em quando, não agüentava o peso e abria as portas, esparramando tudo pelo chão.

Deu um pequeno sorriso de desdém. Ela falava dele, mas fazia exatamente a mesma coisa.

"Essa é a sua casa?" Gaara aspirou o ar, profundamente. "Estranho. Não tem o seu cheiro." Por mais que tivesse procurado evitar, a afirmação saiu num tom insatisfeito.

Erguendo os olhos do porta-retrato, Ino observou-o, sorrindo. "Cheira a pó. Está há tempos fechada, Gaara."

"E quando você vai limpar isso?"

"Tá me achando com cara de empregada, hein, folgado?" O sorriso desapareceu do rosto dela, dando lugar àquela irritação com a qual estava acostumado a lidar. E, bem, não fazia diferença, porque aquele sorriso não era o que ele poderia chamar de verdadeiro (talvez não entendesse de verdadeiro, mas sabia o que era falso).

Ele arqueou os ombros, como se sinalizasse a pouca relevância da pergunta.

Dando um passo para dentro, pisou no tapete e fechou a porta atrás de si. O pó soltou-se da parede quando a porta bateu, caindo sobre a ponta do nariz dele, dançando também pelo ar.

Gaara espirrou e Ino riu.

"Seu bobo. Não vê que está tudo cheio de sujeira?" Ela aproximou-se depois de pegar um lenço no bolso da mochila. A mão estendida avançou até o rosto dele, tocando-o. Primeiro levemente, depois deixou os dedos sentirem perfeitamente a textura da pele de Gaara.

Os olhos dela estavam tristes e agoniados, um azul transtornado, contrariando a limpidez de sempre. Trêmulos, não os dedos, mas os olhos.

Ino suspirou, ficando na ponta dos pés, erguendo o corpo apenas o suficiente para que chegasse a altura do nariz dele. Mas ao contrário do que ele pensou que ela faria, Ino deixou que sua testa se aproximasse da Gaara – ou tentasse fazê-lo –, escorando-se. A mão que acarinhava seu rosto seguiu para a nuca, enfiando-se entre os cabelos ruivos. E ela ficou ali.

Gaara não mexeu seu corpo, tampouco correspondeu aos movimentos dela. Mas Ino não demonstrou se importar, apenas expirava um ar quente pelos lábios de encontro à sua boca, os olhos fechados.

A mão que segurava o lenço segurou a camisa dele, tão gentil que Gaara quase nem chegou a sentir o toque.

"Eu gosto do seu cheiro." Ela disse, depois de minutos em silêncio.

Surpreso, ele forçou-se a perceber que-

"...também..." Soltou, numa voz rouca. "Eu também gosto do seu, ou pelo menos acho que gosto." As últimas palavras expressavam uma confusão que fez com que Ino risse.

Afastando-se devagar, ela soprou a poeira do nariz dele, fazendo-o espirrar novamente.

"Não faça isso!" Trincou os dentes, empurrando-a para longe de si.

Ela riu de novo, mas era um riso gostoso.

"Você é alérgico." Deslizou o dedo indicador pelo peito dele, divertida. "Quem diria que o ponto-fraco do poderoso Sabaku no Gaara seria algo tão desprezível quanto grãos de poeira...?" Brincou, sem esperar que Gaara compartilhasse da sua brincadeira.

Segurando o dedo dela, Gaara fez uma expressão de desagrado.

"Qual é o problema?" perguntou, aborrecido. "Penso que isso não tem nada haver com você."

Ino surpreendeu-se com a frieza dele. Deu alguns passos para trás, deixando que o contato entre os dois se quebrasse completamente. "Não seja rude comigo." Disse, um tanto quanto agressiva. Apertou os lábios e, então, aquele mar de angústia ressurgiu em seus olhos.

Estreitando os orbes, Gaara pensou que havia demorado até que ela voltasse à sua real presença de espírito. Os sorrisos haviam morrido como as flores do jardim.

As lágrimas formavam-se, mas ele não achou estranho. A princípio, a fragilidade de Ino desde que punha os pés em Konoha o surpreendera, admitia, porém, era a mesma Ino de sempre e estava mais do que habituado a aturá-la, em qualquer que fosse seu humor.

"Por que você está chorando?" perguntou ele.

"Porque você é um idiota." Respondeu Ino, arisca.

Voltou as costas, cruzando os braços, e ficou encarando os porta-retratos presos na parede que descascava. Os cabelos loiros balançavam atrás de si.

"Não." Gaara ficou minutos em silêncio, esperando uma resposta. Ino foi obrigada a conter os soluços que subiam à sua garganta, para que não admitisse sua fraqueza. A voz dele foi fria, vendo que ela não reagiria. "Qual é o seu problema?"

Silêncio.

"Vive me atormentando para que eu seja uma pessoa mais sincera e guarda toda essa tristeza sozinha. Não acha que é hipocrisia da sua parte exigir algo que não faz?" Debochou, contendo o desdém.

Ino então se virou. Os braços caíam molemente ao lado do corpo, os punhos fechados como se para conter a si mesma. As bochechas estavam molhadas pelas lágrimas, mas os olhos se estreitavam, demonstrando que ficara ofendida com a crítica.

Balançou a cabeça, furiosa. "Jamais me critique, Gaara. Você não sabe o que se passa no meu coração."

"E você sabe o que se passa no meu?" perguntou ele, irônico. "Você é egocêntrica, Yamanaka."

Ela o olhou.

"Quer ir embora?"

Gaara encarou-a, os olhos insondáveis.

"Cale a boca." Ele aproximou-se e tomou-a nos braços.

"Gaara-"

"Você também é idiota." Resmungou, irritado. Olhou para as portas do corredor. "Onde fica o seu quarto?"

"A última porta."

Ino era tão leve que Gaara mal sentia seu peso nos braços. O cheiro de flores ia envolvendo-o todo, afastando a poeira. A quentura da pele dela esquentava-o também – ainda mais do que seu corpo já estava. Ele apertou-a, para que o suor das suas mãos não permitisse que ela escorregasse.

As lágrimas secavam em suas bochechas, fazendo-a parar de fungar gradativamente. Ino passou a mão pelo nariz, que estava com a ponta vermelha, e permitiu-se escorar a cabeça no ombro dele.

De uma forma que nem ela mesma conseguia entender direito, Gaara, com toda sua estupidez e frieza, era capaz de acalmar seu coração. Embora seus olhos fossem, na maioria das vezes, frios, ele era suficientemente confortável para que ela se encaixasse perfeitamente em seus braços. Era uma definição patética aquela de "encaixar perfeitamente", mas admitia que os livros de romance também faziam parte da vida das pessoas às vezes.

A areia abriu a maçaneta da porta do quarto para ele. Ino arregalou os olhos ao perceber.

"Onde você carrega-"

"Nos meus sapatos." Disse Gaara, calmamente.

Mesmo na escuridão, ele localizou a cama dela sem qualquer dificuldade. Uma luz rala vinha da sala, dando-lhe uma pequena idéia de como era o quarto de Ino.

Havia ursos de pelúcia sobre a cama.

Ao pousá-la sobre o colchão, as molas enferrujadas rangeram. Seu braço empurrou os ursos de pelúcia para o tapete e Ino deitou a cabeça sobre o travesseiro, os cabelos loiros se esparramando pela cama, sentindo o corpo dele por cima do seu.

"Quero fazer amor com você." Disse ela, assim que Gaara se pôs de pé.

Ele estava de costas e Ino não pôde ler a resposta em seus olhos.

Apenas o barulho da areia se arrastando pelo chão até Gaara quebrava o silêncio. E quando ela parou, Ino ouviu um suspiro aborrecido.

"Durma agora. Eu preciso ir ver a sua Hokage." Disse ele, simplesmente.

-

-

Tsunade tinha os olhos voltados para as folhas sobre a sua mesa. Em meio à confusão que era a escrivaninha, não havia espaço para mais nada além de uma caneta, documentos e seus braços, que ficavam espremidos ali. Isso tudo se dava ao fato dela ter passado uma semana inteira se negando a assinar e ler os relatórios e contratos enviados.

Sim, bem sabia que tudo que estava acontecendo era culpa sua, mas era cansativo. As pessoas não podiam simplesmente enviar notinhas avisando-a do que estava se passando? Coisas do tipo: "Vou abrir uma loja. Está convidada para a abertura." Sem ficar perguntando se podiam pintar a parede de amarelo e doar bombons sem álcool para as crianças. Quer dizer, às vezes ninguém ali demonstrava ter coerência!

Soltou um resmungo, insatisfeita. Já fazia horas que tentava adiantar o serviço, porém, as folhas pareciam se multiplicar sobre a sua mesa.

Shizuru permitira apenas uma pausa para seu chazinho e ela já estava se coçando para jogar tudo para o alto e correr para um boteco encher a cara. Afinal, ela era ou não era a Hokage? Devia dar ordens e não recebê-las.

Em meio aos seus pensamentos, sentiu a presença que se aproximava no corredor.

"Estava te esperando, Sabaku no Gaara." Sorriu, os olhos miúdos, antes mesmo que Gaara erguesse o punho para bater na porta.

E abrindo a porta com um rangido alto, as dobraduras enferrujadas, ele cruzou os braços, escorando-se no umbral.

Os orbes sérios observavam-na, mas não pareciam fazer qualquer tipo de análise ou expressar qualquer tipo de sentimento. Era como um cubo de gelo com roupas e cabelos, uma capacidade de se auto-preservar quase impossível de ser comedida. Mesmo Tsunade, que se gabava da sua exímia capacidade de entender corações, tinha dificuldade para transpassar a frieza dos olhos dele.

Gaara sabia exatamente sobre o que ela estava pretendendo falar – era até bastante óbvio, na sua concepção. Não pôde evitar a nota de deboche em sua voz ao elogiar a facilidade que ela tivera em percebê-lo ali. "Impressionante."

Tsunade largou a caneta e os papéis, escorando-se na sua cadeira.

"Digo o mesmo para você, Gaara. Em outros tempos não se dignaria a fazer comentário tão inútil." Ela deu um sorriso discreto ao ver o canto da boca dele se retorcer, demonstrando seu aborrecimento. "Por que você não entra e se senta? Acredito que precisamos tratar de...certos assuntos, não é mesmo?"

Quando ele entrou, fechou a porta atrás de si, mas não se encaminhou para a poltrona em frente a ela. Estacou ao lado da janela, por onde podia observar a movimentação de Konoha. Os olhos olhavam a rua, apesar dos pensamentos distantes.

Coçando o queixo, Tsunade permaneceu em silêncio, como se esperasse que ele se adiantasse no assunto. Ela devia ter suposto, é claro, que apesar de tudo Gaara não havia mudado o bastante para iniciar conversas.

O suspiro amolado interrompeu o momento reflexivo (se assim pudesse ser considerado). "Já que você não fala, eu falo." Ela empurrou a papelada mais para o canto da mesa, para que pudesse pôr os pés em cima desta. "Eu quero saber sobre a minha kunoichi, Gaara, a Ino."

Silêncio.

"O que exatamente você quer saber?" Ele estreitou os olhos perigosamente.

"O que você tem com ela?"

Não havia mais traço de riso no rosto de Tsunade. Ela estava séria como uma Hokage.

"O que isso tem a ver com você?"

"Por que não teria?" Tsunade juntou a ponta dos dedos, os cotovelos apoiados nos braços da cadeira. Não olhava para ele, observando o movimento das próprias mãos, distraída e silenciosamente. "Ela sai daqui sozinha e volta...com você." Estalou a língua, erguendo a cabeça. "Não seria de se estranhar se fosse um outro qualquer, mas, bem, convenhamos que você é mais que isso. É um Kage."

Silêncio.

"E você não tem motivos diplomáticos para estar aqui, a menos que fosse algum tipo de missão secreta, o que não é o caso, visto que anunciou sua presença. É antiético para um Kage ausentar-se da sua Vila por uma mulher, meu caro." E Tsunade deu um sorriso que mesclava malícia, desdém e repreensão, tudo ao mesmo tempo.

Gaara fechou os olhos por um momento, contendo o suspiro que queria escapar por entre seus lábios. Tinha consciência de que ela estava certa. Mas, pela primeira vez, Temari não o repreendera, reclamando sua incompetência. Então ele supôs que, ao menos um pouco, havia algo certo naquilo.

Não sabia com certeza o que faria por Ino. Ela pedira e ele simplesmente cedera, mesmo sabendo que não era, bem, não era o que devia ser feito.

"Então, Gaara, bem especificadamente, por favor, responda-me o que você quer com a Ino."

Silêncio.

"Você não sabe ou não quer me dizer?"

Silêncio.

Gaara percebeu que não tencionava deixar Ino em Konoha. Ele pretendia levá-la de volta, tanto por isso se propusera a trazê-la. E não tencionava permitir seu regresso permanente, ao menos, não por enquanto.

"Vim reclamar a Ino." Disse, lentamente.

Tsunade sorriu, como se estivesse debochando dele.

-

-

Toc. Toc. Toc.

As batidas na porta despertaram Ino do seu cochilo.

Ela sentou-se na cama, sobressaltada, o peito arfante. Levou a mão ao coração, apertando a camisa. Uma sensação de opressão a esmagava. Não eram agradáveis as coisas com as quais havia sonhado.

Antes de levantar-se, olhou em volta para ver se Gaara não estava por perto. Todas as vezes que, sorrateiramente, se enfiara na cama dele na Suna, sempre despertava com aqueles olhos sérios a observando da poltrona, como se dissessem "Você sabe que não pode fazer isso", mas nunca realmente verbalizando o pensamento. Ela se levantava e caminhava até ele, sentando sobre suas pernas.

Na madrugada, na manhã, ao fim do dia, Ino procurava o conforto dos braços dele com um desespero e uma carência que negava admitir que sentia. E Gaara deixava que ela se aconchegasse sem falar uma única palavra, até que ela dormisse de novo e acordasse coberta pelos lençóis da cama dele – sozinha.

Mas ali, no seu quarto em Konoha, não havia poltrona e ela não sabia como eles acordariam no dia seguinte.

Toc. Toc.

Ino correu até a sala, os pés descalços. A cortina ainda estava fechada, a casa empoeirada e abafada. Se forem visitas, pensou, coitadas.

"Sim?" Perguntou ao abrir a porta, sonolenta.

Hinata e Tenten sorriam na soleira, uma um sorriso introvertido, outra um sorriso brilhante.

"Oi, amiga!" exclamou Tenten, animadamente. Já foi abraçando Ino, com a típica agitação de sempre. "Três beijinhos pra casar, viu?" Beijou-a no rosto e segurou suas mãos, afastando-se um pouco para analisá-la. "Tá mais morena. Deve ser pelo sol escaldante daquele forno em que tu se enfiou, né?" Deu uma risada e então apertou a bochecha dela. "Cartas que é bom, neca de pitibiriba. Falta de consideração!"

"Oi, Tenten." Cumprimentou, a princípio um pouco timidamente.

Ao vê-las, depois de tanto tempo, Ino riu. Saudades e felicidade, tudo junto, davam uma sensação tão gostosa. Ela pulou no pescoço das duas, soltando um gritinho.

"Que falta que vocês fazem!" Disse, apertando-as.

"A-ai, Ino." Hinata estava corada.

"Tá nos asfixiando, Inoo." Num resmungo, Tenten afastou Ino de ambas. "Tudo bem que sentiu saudade, mas moderação, né." Soprou um fio de cabelo que caía sobre seu olho para trás e logo começou a rir também. "Tá. Deixa a moderação pra lá."

Ino e Tenten se deram as mãos, começando a dar pulinhos, animadamente.

"Nhá-i-i-i." Olhando em volta, vendo que atraíam atenção dos transeuntes que passavam, Hinata encolheu-se, as bochechas vermelhas. "Meninas, todo mundo olha para nós."

Soltando-se da loira, Tenten balançou o braço, como se sinalizasse a indiferença. "Deixe que olhem."

O sorriso de Ino, pela primeira vez desde que pusera os pés em Konoha, conseguia alcançar os seus olhos. O azul brilhava como um céu límpido, o contentamento resplandecendo no rosto corado de satisfação. Ela sentira mais saudades do que havia imaginado.

Mesmo com Gaara, a Suna era tão solitária. Ali, havia Hinata, havia Tenten, havia Shikamaru, havia também Chouji, que não contava como nada, mas apenas entrava na lista por entrar. E, comunicativa como era, ela precisava de pessoas à sua volta, de atenção, de reconhecimento – coisa que, invariavelmente, não conseguia obter na Vila da Areia. Apesar das más lembranças, Ino gostava dali e daqueles que viviam ali.

Gaara, que havia se tornado parte dos seus pensamentos, foi deixado de lado. Ela precisava ter uma conversa feminina, depois de tanto tempo ouvindo "Ahm" e "Hmm" e "Você é muito agitada, Ino."

"Eu to cheia de novidades!" Disse, animada. Abriu os braços, gesticulando espalhafatosamente. "Vamos entrando, vamos. Está tudo uma sujeira só, mas podemos conversar melhor." E apontou para dentro da casa.

"Nós também." Tenten ia entrando, puxando Hinata pela mão. "Inclusive sobre a Hinata, não é?" Deu um cutucão na Hyuuga, com um sorriso malicioso.

Ino arregalou os olhos, fechando a porta atrás delas.

"Não me diga que-"

"Sim."

"Nãoooo!"

"Sim!"

"Nãoooo!"

"Sim! Sim! Sim!"

-

-

Às vezes eu acho que não penso. Ino na minha vida é...insanidade.

-

-

N/A: Pronto! Próximo capítulo postado. Fiquei com medo das ameaças o.o Desculpem a demora, mas deixa eu me explicar: me formo esse ano, então to tratando da formatura, da festa, terminando curso, fazendo documentos, etc etc etc. Pra compensar a demora, um capítulozinho maior do que os anteriores xDD Acredito que a fic esteja se encaminhando para o final.

Agradecimento ao pessoal que vive comentando, que continua acompanhando, aqueles que "delicadamente" me apoiaram xD E não se preocupem, porque essa fic vai ter fim sim!

Beijos, lindos.