Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas Lílian, Elisa e Vitória são criações únicas e exclusivas minhas para essa saga.
Boa Leitura!
Capitulo 2: Aquilo que desejar...
I – Bebe a caminho.
Três anos atrás...
Abriu os olhos lentamente, ainda ouvindo as palavras de César ecoarem em sua mente, colocou a mão sobre os olhos, preparando-se para se levantar, mas sentiu um peso a mais sobre si.
Abaixou a cabeça vendo uma longa cabeleira de fios negros espalhados sobre seu braço e Pandora dormindo tranqüilamente com a cabeça repousada sobre seu peito.
Suspirou aliviado por ver que ela estava realmente bem, afagou-lhe os cabelos ouvindo-a ressonar baixinho. Um largo sorriso formou-se em seus lábios, enquanto a envolvia entre seus braços.
Logo seriam três; ele pensou. Não negava que fora pego de surpresa quando César falara, mas mal se cabia em si de felicidade.
-Uhn! –ouviu-a murmurar, enquanto erguia a cabeça voltando-se em sua direção.
-Como você esta? –os dois perguntaram ao mesmo tempo.
Fitaram-se por um momento, trocando um sorriso terno. Ela voltou a deitar-se, acomodando-se melhor.
-Estou bem; Pandora respondeu, sentindo a mão dele sobre a sua, entrelaçando os dedos. –E você?
-Melhor impossível? –Radamanthys respondeu sorrindo. –Ter um filho com você é a melhor coisa que poderia ter acontecido; ele falou, afagando-lhe os cabelos.
-Verdade? –ela perguntou, erguendo a cabeça, fitando-o com os orbes marejados.
-...; o cavaleiro assentiu, tocando-se a face carinhosamente. –É o que mais desejo; ele completou, puxando-a para mais perto de si, tocando-lhe os lábios com os seus num beijo terno e carinhoso.
Afastaram-se lentamente, enquanto a aconchegava-a mais entre seus braços, não se importava que o mundo acabasse agora, se morresse morria feliz; ele pensou.
-Já sabe o que é? –ele perguntou, curioso.
-O que? –Pandora perguntou, confusa.
-Se é menino, ou menina; Radamanthys completou.
-Não deu pra perguntar ao César sobre isso, porque assim que você entrou e desmaiou, ele e o Alan tiveram que te socorrer; ela respondeu, com um sorriso maroto.
-...; Entreabriu os lábios para contestar, mas lembrava-se perfeitamente do que havia acontecido e não podia negar.
-Não se preocupe, esse é o tipo de coisa que ainda vai nos fazer rir muito um dia; Pandora completou.
-Sei; Radamanthys resmungou. –Mas se bem que, poderiam ser os dois; ele falou casualmente.
-Como? –ela perguntou, confusa.
-Bem... Se não forem gêmeos, a gente vai tentando até vir um casal; ele respondeu com um sorriso maroto, fazendo-a corar furiosamente.
-Radamanthys; Pandora falou surpresa.
-Não me importaria de ter um monte de filhos, contanto que só você fosse a mãe deles; o cavaleiro falou, num sussurro confidencial.
Balançou a cabeça levemente para os lados, só ele pra vir com uma dessa aquelas horas do dia. Não que isso fosse algo ruim, é claro...
II – Papai Noel.
Atualmente...
Sentou-se em uma cadeira que encontrara no corredor, tudo estava pronto, agora iria para o quarto descansar um pouco até Radamanthys e Vitória voltarem. Mal poderia esperar por aquela noite, ainda se perguntava como conseguira convencer o marido a vestir-se com aquela roupa vermelha.
-"Suborno"; ela concluiu rapidamente, sorrindo.
Balançou a cabeça levemente para os lados, ouvindo vozes animadas no corredor e logo viu a garotinha de melenas douradas vir em sua direção gritando.
-Mãeeeeeeeeeee;
-Estou aqui; Pandora respondeu, quando a mesma jogou-se em seus braços, abraçando-a.
-Estou ficando velho; Radamanthys falou se aproximando, visivelmente cansado.
Mal saíram de casa e a filha simplesmente lhe dera uma canseira, andaram pelo palácio todo e em momento algum Vitória dera sinais de que estava cansada.
-Querida, é melhor ir dormir um pouco; Pandora falou, vendo-a começar a bocejar.
-Mas...; Ela começou.
-Nada de 'mas' mocinha, se não quando chegar de noite, você vai estar dormindo; ela completou, levantando-se com Vitória no colo.
-Deixa, eu levo ela; Radamanthys adiantou-se, vendo que a esposa parecia bem mais cansada do que si.
-...; Pandora assentiu, suspirando aliviada. Não sabia porque, mas estava se sentindo bem mais cansada do que o comum, era melhor descansar um pouco, se não, seria ela a dormir na hora da festa.
-Já que não tem outro jeito; a criança resmungou, esticando os bracinhos, para segurar-se no pai.
O casal sorriu, enquanto seguiam pelos corredores até o quarto da criança.
-o-o-o-o-
-Ta muito grande; Radamathys reclamou, tentando inutilmente vestir a grande calça vermelha.
-Vamos Radamanthys, só mais um pouquinho; Pandora falou, tentando ajustar o cinto, para que não caísse.
Suspirou cansado, estavam há meia hora fazendo isso. Olhou para o relógio em cima da penteadeira e notou que faltava apenas mais meia hora para meia-noite. Precisavam ser rápidos.
-Pronto; Pandora falou, suspirando aliviada, por conseguir fechar o cinto mesmo com todo aquele enchimento da barriga artificial.
-Finalmente; Radamanthys falou, vendo-a aproximar-se da beira da cama, pegando o casaco. –Não acabou?
-Não quer correr o risco de alguém lhe ver só com a camisa branca e o suspensório, quer? -Ela perguntou, sem esconder um 'Qzinho' de sarcasmo.
Balançou a cabeça levemente para os lados, ainda bem que estava acabando; ele pensou, erguendo parcialmente os braços. Franziu o cenho ao ver a jovem um tanto quanto pálida.
-Esta se sentindo bem? –Radamanthys perguntou, fechando os botões da blusa vermelha.
-Estou; Pandora respondeu, sorrindo. –Só um pouco cansada; ela completou, passando a mão pela testa.
-Está certo; ele murmurou, mesmo descansando um pouco a tarde conseguia notar que Pandora estava ainda mais cansada, mas depois conversariam sobre isso; ele pensou, enquanto ela prendia a barba branca em sua face.
-Viu, não foi tão difícil? –Pandora falou, com um sorriso maroto, fazendo-o virar-se para o espelho.
Se quando envelhecesse, ficasse daquele jeito, iria pensar seriamente em começar logo a fazer dieta, lifting, controle de hormônio, correção facial a base de botóx, lipoaspiração; ele pensou, vendo a imensa barriga artificial quase saltando pra fora da calça e as roupas de baixo extremamente apertadas para impedir que o enchimento caísse. O que não fazia agradar a filha; ele pensou.
-Esta na hora; Pandora avisou, apontando para o relógio, da janela do quarto, podia ver todos do lado de fora do castelo esperando a queima de fogos que Alan e alguns moradores da vila faziam todo ano no natal e ano novo.
-Vamos lá então; Radamanthys falou, pegando um pesado saco vermelho sobre a cama, recheado de presentes. –É melhor você ir na frente encontrar com Elisa e Vitória;
Pandora assentiu, abrindo a porta do quarto, cautelosa. Olhou para todos os lados, vendo que não tinha ninguém por perto. Suspirou aliviada antes de avisar ao marido que o caminho estava livre, rapidamente deixou o local, indo encontrar com Lílian, Elisa e Vitória.
III – O Pedido Inusitado.
Olhou para todos os lados, vendo que ao longe todos pareciam entretidos esperando a queima de fogos. Saltou a janela, tomando o devido cuidado para que o saco vermelho não rasgasse.
O salão principal estava vazio, caminhou com cautela até o grande pinheiro decorado em uma das extremidades. Franziu o cenho, porque será que tinha a impressão de estar sendo observado? –Radamanthys se perguntou.
Aproximou-se com cautela, colocando todos os presentes em baixo da árvore. Ouviu um riso baixo, quase inaudível, voltou-se para trás e surpreendeu-se ao ver em baixo da mesa de jantar, a garotinha de melenas douradas.
Sentiu o sangue gelar, era pra Vitória estar com Pandora; ele pensou, vendo a garotinha olha-lo hesitante, ao ser descoberta.
-Vem; ele falou num sussurro, acenando para ela se aproximar. Era melhor descobrir o porque dela estar ali, enquanto ainda tinha tempo.
Vitória aproximou-se hesitante, olhando para os lados, como se estivesse garantindo que não tinha mais ninguém ali. Sorriu vendo que ninguém mais a descobrira e correu até ele.
-O que estava fazendo ali em baixo? –Radamanthys perguntou, tentando disfarçar a voz, para não ser reconhecido.
-Mamãe e papai disseram que o Papai Noel viria deixar os presentes, então eu vim esperar aqui; a garotinha respondeu com simplicidade, deixando as mãozinhas nas costas e balançando-se pra frente e pra trás.
-Entendo; Radamanthys murmurou, já imaginando que Lílian deveria ter surtado quando Pandora apareceu e não encontrou Vitória com ela. –Mas me diga, porque veio esperar aqui? –ele perguntou, sentando-se no chão e indicando para ela acompanha-lo.
-Porque, eu queria te pedir uma coisa; Vitória falou, com uma expressão seria, o que o surpreendeu.
-Que coisa? –o cavaleiro perguntou interessando, enquanto entregava alguns pacotes a ela, para ajudar-lhe a organizar tudo em baixo da arvore.
-Bem...; Vitória balbuciou, arrumando os pacotes. –Eu queria um irmãozinho; ela completou.
-Co-mo? –ele perguntou, gaguejando. Tentando entender porque a filha lhe pediria justamente isso.
-Isso mesmo, mas sabe qual o problema? –ela falou, séria.
-...; Radamanthys negou com um aceno, sem saber ao certo o que responder.
-Uma vez eu perguntei pra tia Lílian como eu fui parar dentro da barriga da minha mãe antes de nascer; Vitória começou, fazendo Radamanthys ficar mais escarlate do que a roupa que vestia.
-E o que ela respondeu? –ele perguntou num sussurro.
-Que eu era nova demais pra saber disso; Vitória respondeu, cruzando os braços na frente do corpo, ficando emburrada. –Mas eu só queria saber, pra mim poder pedir pra mamãe me dar um irmãozinho; ela falou, alterando um pouco a voz.
-Ahn! Bem...; Definitivamente não estava preparado para esse tipo de situação; ele concluiu.
-Então, a Elisa tava me contando que qualquer coisa que a gente pede pro Papai Noel, ele realiza. Contanto que tenhamos sido bonzinhos o ano todo; a criança explicou, fitando-o esperançosa. –Eu juro que não fiz nada de errado; ela falou, veemente.
Respirou fundo, tentando analisar as possibilidades. Ergueu a cabeça, deparando-se com os obres violetas da filha, que sempre lhe lembravam tanto os de Pandora, ela parecia tão certa de que ele poderia realizar seu desejo.
Era estranho, como era a inocência de uma criança. Confiar cegamente em um desconhecido, apenas por que um mito dizia que ele era capaz de realizar seus sonhos.
-Eu sei que a mamãe não gosta que eu fuja do quarto, nem que eu fique correndo por ai, mas eu juro que fui uma boa criança; ela falou, fitando-o com os olhinhos pidões.
-Ahn! Bem...; Radamanthys murmurou, sem saber o que falar para a criança.
Logo vozes animadas chegaram a seus ouvidos, entrou em pânico, já deveria estar longe dali, voltou-se para a criança que ainda esperava por uma resposta. Suspirou pesadamente, se havia uma coisa que prometera a si mesmo quando Vitória nascera, era jamais mentir para uma criança, mesmo que a causa fosse boa.
Deu um meio sorriso, afagando os cabelos dourados da criança.
-É o que realmente deseja? –ele perguntou, segurando as mãozinhas dela entre as suas.
-...; Vitória assentiu.
-Quando você desejar muito algo e tiver fé nisso, seus desejos sempre vão ser realizados, pequena; Radamanthys sussurrou, dando-lhe um beijo carinhoso no topo da testa, antes de levantar-se. –Agora eu preciso ir;
-Posso ir com você? –ela perguntou, levantando-se animada.
-Ahn? –Radamanthys murmurou, surpreso.
-Tia Lílian disse que você tem uma carruagem de renas, posso dar uma volta? –Vitória perguntou, correndo com ele até a janela mais próxima.
-Creio que não criança; Radamanthys falou engolindo em seco.
-Mas...; Ela balbuciou, fazendo beicinho.
-Fica pra uma outra vez; ele completou, repreendendo-se mentalmente por fugir a suas próprias regras.
Antes que Vitória pudesse falar qualquer coisa, os gritos de Pandora, Lílian e Elisa ecoaram pelo salão, já que todos deram pela falta da criança e estavam-na procurando. Por um milésimo de segundo que virara pra ver quem estava entrando, Radamanthys já havia desaparecido com o saco de presentes, agora completamente vazio.
-VITÓRIA; Pandora chamou, entrando correndo, ao ver a criança tentar subir no parapeito da janela (do segundo andar) para procurar o Papai-noel ligeiro.
-Droga; Vitória resmungou, tentando se agarrar ao parapeito, enquanto Pandora segurava em sua cintura, puxando-a para longe dali.
-Menina, que susto nos deu; Lílian falou, suspirando aliviada, ao ver a garotinha no chão, porém com um bico enorme.
-O que foi? –Elisa perguntou, notando o ar contrariado da garotinha.
-Oras, o Papai Noel foi embora e eu nem pude me despedir; Vitória falou, com a voz chorosa.
-Não se preocupe, criança. Ano que vem ele está ai de novo; Lílian falou, trocando um olhar cúmplice com Pandora que apenas sorriu.
-Mas me diz, o que pediu a ele? –Pandora perguntou, vendo de soslaio, Radamanthys entrar no salão, visivelmente aliviado por livrar-se das roupas e enchimentos.
-Um irmãozinho; Vitória respondeu com simplicidade.
Pandora entreabriu os lábios, para fecha-los em seguida, sem saber como explicar algumas coisas para a criança. Voltou-se para Lílian que assentiu sorrindo, como se a incentivasse a continuar.
-Bem, acho que você ganhou seu presente mais rápido do que imaginava; Pandora falou casualmente.
-Como? –Vitória perguntou, piscando confusa.
-Amor, que bom que achou a Vitória; Radamanthys falou casualmente, parando ao lado de Pandora.
-Pai, o Papai Noel realizou meu desejo; a criança falou, correndo para abraça-lo, entretanto, alcançando apenas suas pernas.
-Ahn! De-se-jo, q-ue de-se-jo? –ele perguntou, empalidecendo ao lembrar-se do que ela pedira.
-Oras! Um irmãozinho; ela falou, como se fosse a coisa mais normal do mundo.
Voltou-se para Pandora sem conseguir esboçar reação alguma e apenas encontrou o olhar de expectativa da esposa, que estava tão ou mais vermelha do que a rouba que usara anteriormente, ao ver muitas pessoas se aproximando para cumprimentar o casal.
Sentiu o salão rodar diante de seus olhos, levou a mão à testa para ver no momento seguinte tudo ficar escuro.
Vitória afastou-se rapidamente, vendo o pai cair inerte no chão, voltou-se confusa para a mãe que apenas suspirou, como se já imaginasse que aquilo iria acontecer.
-Não tente entender; Pandora falou para ela, enquanto acenava para Alan, César e mais alguns amigos que estavam por perto, para socorrerem o cavaleiro.
Vitória viu o pai ser levado ainda inconsciente para o quarto do casal, enquanto Elisa era a única a ficar com ela ali. Levou uma das mãozinhas ao queixo com ar pensativo.
-Em que esta pensando? –Elisa perguntou curiosa.
-Agora já sei; Vitória falou, visivelmente animada.
-O que? –a garota perguntou, com o cenho franzido.
-É na rena que eles vêm; ela completou, apontando para a janela.
-Uhn?- Elisa murmurou, confusa. Do que ela esta falando?
-Eu sabia que tinha um motivo pra tia Lílian não me dizer de onde vem os bebes, pra mim pedir a mamãe um irmãozinho, mas agora eu já sei; a criança falou, com ar vitorioso. –Elas vêm com as renas do Papai Noel; ela completou, como se fosse a maior descoberta do mundo.
-Ahn! Sério? –Elisa murmurou, ainda tentando entender sobre o que ela estava falando. –Eu poderia jurar que tinha algo a ver com um negocio de cegonha e repolho; ela completou.
-Nãoooooooo; Vitória falou veemente. –Vem com as renas do Papai Noel; ela corrigiu.
-Hei crianças, sobre o que estão falando? –Alan perguntou voltando com os demais até o salão, aproximando-se ao ver o olhar confuso da filha.
-Pai, Vitória acabou de falar que é o Papai Noel que trás os bebes, agora eu já sei pra quem pedir um irmãozinho então; ela completou, animada.
-"Pelos Deuses"; ele pensou, engolindo em seco.
Definitivamente, nunca brinque com a imaginação de uma criança. Ela pode cometer milagres inimagináveis, quando deseja muito, mais muito mesmo alguma coisa... XD
#Fim#
Domo pessoal
Desculpem a demora para postar o final dessa história, mas devido a problemas de saúde, infelizmente não posso ficar na frente do pc mais de uma hora, e bem... Problemas são problemas e meu medico me proibiu de cometer esforços a mais durante 15 dias. Well, falemos de coisas mais agradáveis. Obrigada a todos pelos comentários e por perderem um pouco de tempo acompanhando essa fic.
Sinceramente espero que tenham gostado...
Agora yo me voy XD
Um forte abraço
Ja ne...
