Boa Leitura!


Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem. Caos e Nix são criações minhas, baseados em divindades mitológicas, para essa saga.


Crônicas de Amor e Confusão XI

Xeque Mate

By Dama 9


Capitulo 2: A Promessa.

.II.

Os dias seguiram-se lentos e monótonos, enquanto praguejava mil maldições contra o irmão inconveniente. Agora não sabia mais quando poderia se aproximar dela novamente.

Ela sabia quem era, como reagiria quando lhe visse novamente. Será que se afastaria? –ele se questionou, sentando-se em frente a um dos templos que pertenciam a si nos Elíseos.

Elevou parcialmente seu cosmo fazendo uma harpa dourada surgir em suas mãos, uma leve brisa esvoaçou os cabelos dourados, fazendo com que tivesse de retirar alguns fios que caíram com suavidade sobre seus olhos.

Tão distraído que estava, mal notou a aproximação de alguém. Os dedos longos e delicados corriam com suavidade pelas cordas douradas, transformando pequenas vibrações numa doce melodia, que parecia ser carregada pelo vento, encantando todos aqueles que ouviam.

Aproximou-se com cautela, vendo-o de olhos fechados e uma expressão serena na face, sentou-se na grama próxima aos degraus de mármore, apreciando aquele momento.

Abriu os olhos lentamente, sentindo uma energia conhecia por perto, surpreendeu-se ao deparar-se com a jovem de melenas esverdeadas ali, que quase um de seus dedos enroscou-se entre as cortas.

Respirou fundo, tentando conter a ansiedade de se aproximar novamente, ignorando completamente as notas que agora extraia do instrumento de cordas.

-Lembrança-

Sempre quando queriam privacidade, longe dos filhos e de qualquer outra pessoa, buscam o refugio e a paz que somente aquele lugar possuía. Apesar de aos poucos os humanos estarem destruíam o verde e as coisas belas daquela Terra, não conseguiam abandonar o habito de apreciar aquele local.

Aproximou-se com um sorriso nos lábios, ao ver os longos cabelos castanhos esvoaçarem com o vento, seguidos pelo vestido branco, enquanto as pernas delicadas, balançavam com suavidade na água.

-Pensei que fosse demorar mais; a voz suave da bela graça chegou a seus ouvidos.

-Não agüentava mais ter de esperar tanto para lhe ver; o jovem de melenas douradas falou, aproximando-se, erguendo parcialmente a barra da túnica para sentar-se ao lado dela.

Ela sorriu, um sorriso límpido, apaixonado, porém calmo e terno. Como se estivesse sorrindo pela ultima vez, para que aquilo ficasse eternizado em suas almas, mentes e corações.

-Precisava lhe pedir algo; ela começou, hesitante em prosseguir e ter tal pedido negado.

-Peça, lhe darei tudo o que estiver em meu alcance; Hypnos respondeu, enlaçando-a pela cintura, mantendo-a entre o calor de seus braços.

-É isso que temo meu senhor; Pasitea sussurrou, apoiando a cabeça sobre seu peito.

-O que te atormentas, me diga, quem sabe possamos resolver isso; ele insistiu, sentindo-a tensa entre seus braços.

-Ira lutar ao lado de Hades na próxima guerra, não? –ela perguntou, deixando os dedos entrelaçarem-se em uma mexa dourada que caia sobre o ombro dele.

-...; Hypnos assentiu.

-Quero que me faça adormecer para sempre; a jovem graça pediu.

-O que? –a divindade perguntou, assustado com o pedido.

-Por favor; Pasitea falou, fitando-o com os orbes marejados, suplicantes.

-Porque me pedes isso? –Hypnos questionou, sentindo um nó formar-se em sua garganta e o coração comprimir-se.

-O senhor bem sabes que mesmo sendo uma graça não sou eterna nem nesse, muito menos no outro mundo. Muitos anos já se passaram desde que nos unimos, nossos filhos já cresceram e agora, já não posso mais seguir a teu lado; ela falou, abaixando os olhos, triste.

-Sei que vossa majestade pode-...;

-Xiiiiii; ela pediu, tocando-lhe os lábios com a ponta dos dedos. –Eu não agüentaria se algo lhe acontecesse em meio a essa batalha estúpida, que vossa majestade deseja travar. Por isso lhe peço, meu senhor, que me permitas desfrutar do sono eterno embalada por teus braços, mesmo que não venhamos a nos encontrar mais nessa vida;

-Sabes que faria qualquer coisa que me pediste; Hypnos falou, num franco sussurro, sentindo uma parte de si perder-se a cada palavra. –Sabes também que jamais permitiria que sofresses por mim e jamais me perdoaria se isso acontecesse; ele continuou, tocando-lhe a face delicadamente, como se a cada traço pudesse gravar a imagem daquela que jamais esqueceria e seria por toda a eternidade a dona de seu coração.

-...; A jovem assentiu, serrando os orbes azuis, sentindo os lábios dele sobre os seus, num beijo suave, carregado de saudades. Surpreendeu-se ao sentir uma lagrima e depois outra, correr por sua face. Lágrimas quentes, criadas pelo cosmo daquele que jamais esqueceria e sempre estaria guardado em seu coração.

Aos poucos sentiu o corpo da jovem perder as forças, caindo no sono profundo, causado por suas lágrimas, que jamais voltariam a ser derramadas por outra graça novamente.

Levantou-se do chão, aninhando-a entre seus braços e com passos calmos distanciou-se do refugio que Lemmos, dava ao encontro entre os amantes que jamais seriam esquecidos.

-Fim da Lembrança-

Respirou fundo, ouvindo a ultima nota ser tocada. Muitos milênios já haviam se passado desde que aquilo havia acontecido. Um dia, para sua surpresa, Nix surgira em seus aposentos, lhe comunicando a decisão das Deusas do Destino, ao permitirem que o encanto do sono eterno fosse quebrado e que a graça pudesse reencarnar, mas isso de nada adiantava, pois como mortal, talvez jamais pudessem se encontrar novamente.

Raios, porque aquela garota tinha de lhe lembrar tanto ela? –ele se perguntou, fechando os olhos por um momento, serrando os punhos de maneira nervosa.

-Você não me parece bem, quer conversar? –a voz melodiosa da jovem chegou a seus ouvidos com suavidade lhe acalmando, para sua surpresa.

Abriu os olhos rapidamente, vendo-a a seu lado agora. Os orbes amendoados lhe fitavam de tal forma que era como se ela já soubesse o que lhe atormentava o coração.

Por um momento a viu novamente, os mesmos cabelos, os orbes azuis, doces e encantadores, que jamais seriam esquecidos.

Balançou a cabeça levemente para os lados, espantando aquela imagem de sua mente, piscou seguidas vezes, fazendo seus olhos voltarem ao foco.

-Me desculpe, mas disse algo? –Hypnos perguntou, voltando-se para ela.

-Você não esta bem, quer conversar? –a jovem repetiu, surpreendendo-o. Temia tanto que ela jamais voltasse a se aproximar de si, mas estava errado.

Era estranho, porque os mortais não lhe temiam como uma divindade superior, como muitos falavam? E ela não hesitava em se aproximar e lhe questionar sobre o que acontecia?

-Esta tudo bem, não se preocupe; ele respondeu, com um doce sorriso.

-Seus olhos não sabem mentir; ela falou, pegando-o de surpresa.

-Lembrança-

-Seus olhos não sabem mentir; a jovem de melenas castanhas falou, fitando-o intensamente.

-Pasitea;

-Hypnos, não minta para mim, o que esta acontecendo? –ela perguntou, aflita.

-Uma guerra entre os deuses vai começar e vossa majestade quer que Thanatos e eu estejamos a seu lado; Hypnos respondeu, sem esconder o pesar que isso lhe causava.

-Fim da Lembrança-

-Me desculpe, eu...; Hypnos falou, num sussurro.

-Não tem problema, se não quiser falar sobre isso, tudo bem; a jovem falou, fitando-o compreensiva.

-Não é isso, é só que... Isso me lembrou de algo; ele confessou.

-Entendo; ela murmurou, levantando-se.

-Aonde vai? –Hypnos perguntou, curioso.

-Ahn! Acho melhor eu ir, você parece querer ficar sozinho, não quero atrapalhar; a jovem respondeu.

-Não; Hypnos falou rapidamente, assustando-a ao segurar-lhe pelo pulso, com suavidade, porém fazendo-a voltar um passo atrás. –Eu... Bem, não me importaria que ficasse; ele falou, abaixando os olhos.

-...; Ela assentiu, sentando-se novamente ao lado dele.

No jardim

O vento muda as folhas

De lugar

Uma leve brisa esvoaçou os cabelos da jovem, jogando finos fios esverdeados sobre seus olhos.

Fitou-a atentamente, tão parecidas; ele pensou, dando um baixo suspiro, instintivamente tocou a face da jovem, afastando com a ponta dos dedos os fios, arrastando-os com suavidade até atrás da orelha.

-Qual a sua graça? –Hypnos perguntou num sussurro.

E Agora o meu caminho eu posso

alterar

Se você vem comigo

-Ai-mê; ela respondeu, sentindo a face aquecer-se levemente, diante do olhar compenetrado do jovem, que lhe fitava de tal forma, que era capaz de enxergar no mais fundo de sua alma.

-Aimê; Hypnos repetiu, como se dessa forma pudesse guardar eternamente em suas lembranças tal nome, que soara como a mais bela melodia em seus ouvidos, que nem mesmo a harpa encantada de Orpheu seria capaz de reproduzir com semelhante harmonia. –Você falou aquele dia sobre uma promessa, poderia me contar sobre o que é? –ele perguntou, afastando-se, ao ver o constrangimento que causara a ela.

-Bem...; Aimê começou, sem conseguir entender o porque do repentino interesse da divindade.

Num pequeno instante

Posso ser feliz

Lembrar dos sentimentos

Que eu já esqueci

-Disse que procuraria um jeito de lhe ajudar e é isso o que quero; Hypnos respondeu calmamente, como se lesse seus pensamentos, embora não o fizesse, pois o olhar confuso da jovem lhe era claro como água.

-Uma vez prometi para alguém importante, que um dia quando as guerras acabassem, retornaria ao Vale das Flores, encontra-lo; a jovem falou, abaixando os olhos, sentindo-os marejarem novamente. –Mais agora, isso é impossível;

eh eh

E imitando as folhas

Eu vou flutuar

-Deixou pessoas muito importantes quando partiu; ele murmurou, compreendendo o porque dela manter-se sempre isolada dos demais, mesmo vivendo em meio aquele paraíso.

-...; Aimê assentiu.

Quando chegara ali, sabia que não haveria mais volta, então, tentou a todo custo se conformar, imaginando que algum dia poderiam se reencontrar novamente, mesmo que em outro mundo.

Passou vários dias buscando-o em meio aos Elíseos, mas surpreendeu-se por não ter nem mesmo uma ínfima noticia dele. Por fim, acabou por concluir que jamais o encontraria ali, pelo simples fato dele estar vivo, só por um milagre, mas ainda sim...

Trazendo

O som desse vento

Que vem me acompanhar

Respirou fundo, tentando impedir que as lagrimas caíssem, porém travou uma batalha perdida.

-Só queria dizer a ele, o quanto o amo e que não esqueci... Mas agora; ela falou, em meio a um soluço.

Fitou-a demoradamente, será que fazia parte de seu destino, ver sempre a mesma história se repetir, casais que deveriam ser destinados a viverem uma eternidade, juntos e felizes serem destruídos por guerras inúteis que só levavam a dor e a destruição.

Com esse sorriso

Estamos juntos

Mal notou quando seus braços a envolviam em um abraço quente e reconfortante, tentando acalma-la com a energia suave que se desprendia de si. Ouviu um baixo soluço e ela segurar-se fortemente em suas vestes, tentando conter o choro.

-Chora, vai te fazer bem; Hypnos sussurrou, afagando-lhe as melenas, delicadamente.

É um novo sentimento

Que assim aflora

Há quantos séculos não sentia mais isso? –ele se perguntou. Aquele desejo de proteger, de desejar manter alguém entre seus braços e impedir que todas as maldades do mundo tentassem feri-la. Muitos, muitos e muitos séculos...

Durante muito tempo buscou por uma resposta, que lhe desse apenas uma explicação que fosse, sobre o porque tomara aquela decisão tão precipitada de abandonar os sentimentos que tinha, no exato momento que vira a bela graça adormecer sobre o encanto de suas lagrimas.

A manhã começa

É há nossa hora

Fora por medo, por covardia e por ser um idiota, como o irmão sempre fazia questão de reafirmar. Simplesmente desistira de lutar quando a batalha mal havia começado.

Esbravejar, gritar e surtar com as Deusas do Destino de nada adiantaria, apenas piorariam as coisas. Lembrou-se do dia que elas lhe visitaram e disseram que era hora de quebrar o encanto do sono, pois ela teria o direito de reencarnar.

Reencarnar como mortal, longe de si e de seu mundo...

Vivendo esse momento

E caminhando sob o mesmo céu azul

O amor é o que nos une agora

Sim, um covarde, que a desejava a seu lado, porém desistira de lutar. Não a queria condenada a viver como uma graça em um mundo de belas paisagens, limitado por um cenário de horrores entre as fronteiras.

Queria que ela fosse livre, embora seu egoísmo fosse mais alem, desejando que ela estivesse novamente a seu lado, mesmo sabendo de tudo isso.

Um baixo suspiro saiu de seus lábios, não iria permitir que aquela história acabasse daquela forma, havia um modo de mudar as coisas e se dependesse de si, iria faze-lo; ele pensou, afastando-se parcialmente da jovem.

-Se conseguisse uma chance de voltar ao Vale das Flores, você voltaria? –ele perguntou, fitando-a intensamente.

-Uhn? –Aimê murmurou confusa.

-Se conseguisse uma chance de voltar ao Vale das Flores, você voltaria? –Hypnos repetiu.

-Voltaria; ela respondeu convicta.

-Daqui uma lua nos encontraremos de novo e vou lhe guiar até lá; o jovem falou, com ar sério.

-Obrigada, mas...; Ela hesitou. –Porque esta fazendo isso?

-Você me lembra alguém muito importante para mim e sei que se fosse ela, ela faria o mesmo; ele respondeu, de maneira enigmática.

.III.

Entrou rapidamente no palácio, não tinha mais tempo a perder e também nem um pingo de paciência para ser desperdiçado com intermediários. As portas de ébano abriram-se quando elevou seu cosmo. Uma luz dourada iluminou o salão, refletindo sua imagem nas paredes de ônix.

-Há que se deve sua visita, Hypnos? –a jovem de longas melenas negras e orbes intensamente verdes perguntou, sentada majestosamente sobre um dos tronos no final do salão.

-Meus cumprimentos imperatriz; ele falou, numa respeitosa reverencia, vendo-a assentir. –Como representante dos mortais nesse mundo, venho até a senhora, lhe pedir algo;

-E o que é? –Perséfone perguntou, achando estranho a atitude dele.

-Quero lhe pedir permissão para guiar uma jovem até a Terra, não será por muito tempo; Hypnos avisou.

-Uma mortal; ela murmurou. –Você sabe que mortais não podem sair daqui depois que chegam, apenas quando vão reencarnar, não é? –a imperatriz perguntou.

-Eu sei, mas estou disposto a assumir as responsabilidades quanto ao desequilíbrio que isso poderá causar; ele falou, veemente.

Entreabriu os lábios, porém as palavras simplesmente não saíram. Sabia sobre a história do jovem, Hypnos tornara-se uma pessoa fria quando a primeira guerra entre Atena e Hades estourou, obrigando-o a ter de se separar da graça tão amada. Entretanto, tal atitude agora, lhe era surpreendente.

-Creio que as Deusas do Destino não vão se importar que você a guie; ela respondeu, com um sorriso quase imperceptível em seus lábios.

Talvez nunca admitisse, mas muitas coisas estavam mudando por ali. Há algum tempo atrás, se ele lhe pedisse, certamente negaria, impedindo-o até mesmo de contestar sua decisão, mas agora os tempos eram outros...; Ela pensou.

-Como? –Hypnos perguntou, surpreso. Já estava se preparando para contestar, dando milhões de motivos para que ela lhe autorizasse a ir, mas...;

-Vá logo Hypnos, não busque explicações para coisas que nós simplesmente não explicamos; Perséfone falou, movendo a mão com suavidade, fazendo as portas do salão abrirem-se novamente, dando aquela conversa por encerrada, já que via nos olhos do jovem a urgência que tinha em ter tal pedido realizado.

-...; Assentiu, silencioso. Ainda tentando entender o que acontecera, mas preferiu deixar para pensar nisso depois.

.IV.

Preferiu ficar a distancia, oculto entre as belas roseiras daquele pequeno paraíso. Deu um baixo suspiro, pelo menos os mortais ainda tinham salvação a seu ver. Reflexo disso era aquele belo lugar, que sem duvidas poderia competir de igual com os próprios Elíseos.

Viu a silhueta da jovem desaparecer pela porta dos fundos, a cada passo dado por ela, sentia o seu coração se comprimir, pois sabia que depois dali, só restavam as despedidas.

Não podia fazer mais nada por ela, que não fosse guia-la até ali e permitir que aquele reencontro acontecesse. Lembrou-se que há algum tempo atrás pedira a Morpheu que fosse ao santuário, apenas uma pessoa sentira sua presença, mas não fizera objeção de sua entrada lá.

Com sua manta mágica, o filho despertara em alguém as lembranças mais antigas e guardas a sete chaves dentro do coração, permitindo que assim, o mais rápido possível, esse alguém retornasse e cumprisse sua parte da promessa.

Fitou seu reflexo no espelho dágua, procurando não prestar atenção no dialogo que se desenrolava, mas algo chamou-lhe a atenção, que não pode deixar de ouvir.

-Eu sei que você não se esqueceria; a jovem falou, fitando o cavaleiro com os orbes marejados. –Mas precisava me despedir, tinha tantas coisas para lhe dizer, mas não posso mais ficar, por isso, tem algo que quero que faça; ela começou.

-O que? – o cavaleiro de melenas azuis perguntou com a voz fraca, sentindo as lagrimas correrem por seus olhos sem piedade, mostrando toda a dor que sentia por saber que novamente teriam de se separar, agora, para sempre.

-Quero que você continue a viver, não faça com que tudo que Harmonia lutou para conquistar seja perdido, não pare no tempo; ela pediu, estando a um passo de distancia dele, para no momento seguinte, abraça-lo.

Continuar a viver, como ela poderia pedir isso a ele? –Hypnos se perguntou confuso. Sabia perfeitamente que seguir em frente era sempre o mais difícil, mas porque pedir justamente isso?

-O nosso tempo aqui juntos, pode ter chegado ao fim, mas você tem de continuar;

Novamente as palavras da jovem ecoaram em sua mente, porque ela conseguia fazer isso parecer tão fácil?

Ela pedia que ele fosse feliz e jamais desistisse, mas será que isso seria realmente possível? Seguir em frente, depois de ter amado tanto alguém, que sentia todas as lembranças daquilo que viveram gravadas em sua alma por um ferro em brasas. Definitivamente, jamais entenderia esse poder que os mortais tinham de superar ate mesmo suas próprias dores.

Notou que era observado, resolveu por fim revelar-se, o tempo já estava acabando.

-Aimê, seu tempo esta acabando, a imperatriz não pode permitir que o eixo do tempo se desequilibre. Seja breve; avisou, sentindo-se mal por ter de interromper aquele momento, mas era preciso.

Observou a tudo em silencio, deu as costas ao casal, começando a caminhar para o meio do lago. Era triste vê-los se despedirem, não seria a primeira vez que veria um casal tão bonito ter de se despedir dessa forma.

Novamente lembrou-se dela, sua adorável graça. Suspirou pela enésima vez, desde que chegara ali. Detestava ter de ver essas despedidas, mas sabia que jamais poderia conviver com a idéia de que aquela bela deidade que lhe chamara tanto a atenção desde que chegara aos Elíseos, ainda sofria por não poder cumprir a promessa que fizera.

Continuou a andar, seus pés tocaram apenas a superfície da água sem afundar, até sentir a jovem se aproximar e ambos desaparecerem.

Tinha de concordar com aquele cavaleiro, as vezes as pessoas simplesmente não desejam seguir em frente, talvez fosse esse pensamento que lhe fez desistir de ter esperança desde que ela adormecera.

Mas quem sabe as Deusas do Destino já não tivessem algo mais tecido por ele... Somente o tempo para vir a responde tal indagação.

Continua...