Capítulo 5 -Roses on the grave(1)

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N/A: Primeiramente gomen ne pela demora em postar este capítulo...Não, não desisti da minha fic xodó...Ela está ai firme e forte

Agradeço a todos que comentam...Estou respondendo a todos direitinho e espero corresponder as expectativa de todos.

Esta fic terá uma beta... Aquarius-chan –emoção mor- Então good bye erros grotescos ( gomen ne... sou péssima para revisão XDD)

Quero dedicar este capitulo a duas pessoas...Primeiramente a Aquarius-chan pela extrema boa vontade com esta baka a que vos escreve.Muito obrigada pela paciência e pelas dicas sensei!Também dedico este capitulo a Littu-chan... Gomen ne o atraso... mas ai está a fic... Espero que ele compense o tempo q você esperou migaaa

Kissus a todos!

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"Quando você sentir vontade de chorar, não chore.
Pode me chamar que eu choro por você.
Quando você sentir vontade de sorrir, me avise
Que venho para nós dois sorrirmos juntos.
Quando você sentir vontade de amar, me chame,
Que eu venho amar você.
Quando você sentir que tudo está acabado, me chame,
Que eu venho lhe ajudar a reconstruir.
Quando você achar que o mundo é pequeno demais para suas tristezas,
Me chame, que eu faço ele pequeno para sua felicidade.
Quando você precisar de uma mão, me chame,
Que a minha é sempre sua.
Quando você precisar de companhia, naqueles dias nublados e tristes,
Ou nos dias ensolarados, eu venho, venho sim.
Quando você estiver precisando ouvir alguém
dizer: eu te amo!
Me chame que eu digo a você a todo hora.
Pois o meu amor é imenso.
E quando você não precisar mais de mim, me avise,
Que simplesmente irei embora, orando por você." (2)

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Um homem mascarado se encontrava na sacada de um palácio próximo que estava em chamas que, por mais que tentassem, não conseguiam ser apagadas. Ele não esboçava nenhuma reação por debaixo da máscara que encobria a face. Naquele momento não sentia nada na verdade... Além de um simples vazio...

Logo um belo homem junta-se a ele na sacada. Emanava uma aura de raiva sem tamanho.

-Sente-se satisfeito agora? - Pergunta em tom resignado - Porque não o matou? Esta era a chance que os nossos mestres te deram... - diz Afrodite, visivelmente irritado

-Não acabei.. porque não quis...Ainda quero me divertir...Agradeço a ajuda, agora pode sair... diz Kanon em tom pensativo

-O que? Nem sonhe que fiz isso para te ajudar. Apenas foram ordens... O que quer agora? Tornar-se rei da França, querido? Pois péssimas noticias... Tua sina é viver calmo e tranqüilamente... Usufruindo do dom das trevas... - fala Afrodite impaciente

-E se eu não quiser seguir as regras? E se eu quiser algo diferente? Quanto a isso não se preocupe... não é meu objetivo ser o rei deste país - diz Kanon sem prestar muito atenção em Afrodite ao seu lado

-O que quer então? Sabe que os antigos irão te considerar traidor por não retribuir o favor que eles lhe prestaram - diz Afrodite

-Estou pouco me lixando para quem quer que seja... O que importa é o que eu quero... minha vontade e meu desejo - diz Kanon saindo rapidamente dali.

-Idiota! Fala Afrodite ao vê-lo sair, tomando consciência que deveria voltar para enfrentar as feras, embora sua vontade fosse voltar a seu italiano.

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Um belo jovem olhava fixamente para um outro jovem ao seu lado. Tinha certa devoção nos olhos, que contemplavam a beleza deste.

O segundo jovem tocava uma bonita melodia em sua flauta, que cada vez mais encantava o garoto.

Ele observa as feições delicadas de seu protetor e os raros olhos de cor violeta, incomuns e intrigantes, que sempre pareciam misteriosos. Possuía uma estatura pequena e frágil, parecendo um garoto mais novo do que o próprio jovem. Mas ao mesmo tempo emanava um espírito maduro, a qual o simples olhar bastava para saber que ele já havia presenciado e vivido muito.

Julian não se lembrava de nada a não ser a doce melodia da flauta que tocava à sua frente e aquele que sempre a tocou para ele. Aquele homem em corpo de garoto, doce e gentil que, mesmo possuindo tanta nobreza e classe nas ações, se importava com aquele que mal sabia o próprio nome e origens.

O jovem pára de tocar a flauta e olha o outro à sua frente.

-Algo de errado? Querido Julian? - pergunta o rapaz.

-Não... nada.. senhor... - diz ele virando a face rapidamente para não deixar o outro perceber a expressão corada dele.

O rapaz sorri.

-Meu querido Julian... Algo te incomoda, eu te conheço... - diz o rapaz sorrindo e indo para perto dele

-Por favor senhor Sorento... Não pare de tocar - diz Julian com um fio de voz e olhos ainda abaixados

O rapaz chamado Sorento segura o queixo de Julian e o olha fixamente. E Julian de novo se perdia nos olhos violetas de seu mestre.

-Já lhe disse... que não precisa me chamar de senhor... Julian... - diz ele sério - Não irei tornar a tocar enquanto você não me disser o que lhe preocupa.

Julian cora e demora um pouco para conseguir desviar o olhar.

-Eu... apenas sonhei com algo - diz timidamente

Sorento arregala os olhos em preocupação.

-Por acaso... se lembrou de algo de seu passado? - pergunta ele com sua voz grave, mas ao mesmo tempo tão melodiosa quanto a flauta que tocava.

-Eu não sei... era um sonho confuso... dois rapazes gêmeos... Eu estava junto com eles... mas algo aconteceu... e não me lembro de mais nada do sonho - diz Julian tristemente

O rapaz ainda olhava seu pupilo com preocupação. Reconhecia muito bem aquela situação que os dois viveram a anos atrás.

-Isso não foi um sonho, Julian... - diz Sorento o abraçando e trazendo para perto de si - Acho que está chegando a hora de reaver suas memórias... Eu não queria isso.. mas acho que será o melhor para você

-Mas mestre... eu não quero elas de volta.. não são importantes para mim... Eu somente quero continuar a seu lado para sempre - diz Julian o abraçando com força.

Sorento fecha os olhos temendo o pior. Fica alguns minutos pensativo até tornar a se pronunciar:

-Sinto muito... Mas creio que não poderei fazer isso... meu querido - diz Sorento com uma voz triste - Eu não posso minar sua vida.. eu o amo muito para ter este direito. Eu irei ajudá-lo... mas terei que sair de sua vida... mais cedo ou mais tarde...

-Não... eu não quero isso. Se é isso o preço que tenho que pagar por memórias que somente me causam dor... não aceito -diz Julian sério, encarando Sorento.

O rapaz se lembrou da primeira vez que botou os olhos nele. Ainda uma criança, mimada, mas encantadora. Inocente e pura. Sempre o havia observado, distantemente, entre as sombras como vampiros iguais a ele deveriam sempre agir. Velava e o protegia... mesmo com a distancia e todas as situações conspirando contra o sentimento que ele nutria pelo jovem garoto.

Mas logo... ele viu a vida daquele que tanto amava em perigo.. E pela primeira vez saiu das sombras em que sempre esteve para se intrometer no destino dos humanos. Para ele pouco importava as regras vampirescas que sempre seguiu fielmente... tudo isso foi por água a baixo ao ver o terror na face do jovem Julian.

-Acalme-se... verá que vai ser o melhor a você... - diz Sorento

-Eu quero ser igual ao senhor... para poder ficar junto de você para sempre.. por favor - diz Julian aos prantos.

Sorento enxuga as lagrimas do garoto.

-Não fale uma besteira dessas... Eu nunca o transformaria em um ser igual a mim... Isso é uma maldição... acabará com a sua vida e se arrependerá pelo resto dela... Sou um demônio - diz Sorento sério, naquela voz grossa e melodiosa, que contrastava com a sua estatura franzina.

-Eu não sei o que você é... Mas é um ser belo e perfeito... Não é uma maldição... Você não é um demônio... É um dos mais belos anjos que caiu a terra para me salvar - diz Julian encantado olhando para Sorento com amor nos olhos.

Sorento se separa do abraço. Sentia-se sujo e enojado por ouvir palavras tão belas dirigidas a um ser como ele.

-Guarde estas palavras... querido Julian...Por favor... sabe que a única coisa que mais desejo no mundo é seu bem - diz Sorento sério.

-Terá o meu bem... se eu continuar perto de você.. é simples... Nada do que faça me convencerá do contrario - diz Julian

Sorento olhou para o jovem a sua frente. Estava ficando mais alto do que ele a cada dia. Tornava-se um homem que ele nunca seria.

-Está vendo este corpo infantil? Estou preso eternamente nele... Você irá crescer ainda mais... se tornará um homem.. E um homem importante... Te darei o poder que lhe pertence - diz Sorento

-Não importa sua aparência... mesmo que não goste dela... para mim você é um anjo.. mestre... Tanto por fora como por dentro - diz Julian se retirando da sala.

Sorento tem vontade de ir ao encontro dele e abraçá-lo. Enchê-lo de beijos e pedir desculpa. Dizer que nunca se separaria dele e que sempre tocaria para ele todas as vezes que ele quisesse por toda eternidade. Mas sua razão era mais forte que seu desejo. O desejo de ver o melhor para ele era mais forte que o desejo que possuía por ele.

Fechou os olhos. Algumas lágrimas de sangue escorreram brevemente por sua face. Ele as secou instantaneamente

-Faça suas malas... Julian... amanhã partiremos para Paris... diz Sorento

-Como o senhor quiser... mestre - diz Julian em tom melancólico e triste.

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Shion tomava banho em uma banheira com pétalas de rosas. Havia se estressado muito com o teatro. A recusa de Kamus de se juntar ao lado dele havia esgotado sua frágil paciência.

Dohko massageava os longos cabelos verdes com shampoo. E observava a face totalmente tensa do amante.

-Shion... se ainda fosse mortal diria que este seu temperamento lhe causaria rugas e ulceras... – Dohko disse calmamente

-O que você espera, hein Dohko? Sua calma me irrita! Estou quase sendo difamado por meio mundo por um vampirinho que mal saiu dos cueiros - diz Shion revoltado

-Você se preocupa muito com o Milo. Mas no fundo quer ele para si... também... Somente porque ele foi o único que não jurou lealdade para você -diz Dohko.

Shion arregala os olhos em tom de reprovação.

-Nunca gostaria de possuir tamanho estorvo... Ele só me dá dor de cabeça - diz Shion ultrajado - Como pode pensar isso de mim?

Dohko começa a enxaguar a cabeça dele devagar

-Me desculpe... esta não era minha intenção... Mas sabe, Shion... Aquele Milo é uma criatura admirável, passando pelo que passou... O normal seria que ele se destruísse não? Ele é muito forte - diz Dohko

Shion revira os olhos

-Mas não tão forte quanto eu... ou até você. Agora meus planos já estão correndo... Ele irá ficar sozinho também... Aquele ruivo, apesar dele não vir ao meu lado, ficou curioso. Suspeitou do maldito- diz Shion triunfante

-Será mesmo? Achei que o rapaz demonstrava sentimentos cegos pelo Milo -diz Dohko pensativo continuando sua tarefa com cuidado

-Bem... seja qual maneira.. Ele vai morrer mesmo... Queria ver a cara de arrependimento dele ao terminar sua transformação... Será bom, pelo menos ele irá morrer pensando em mim... Isso aumenta meu ego - diz Shion rindo maldosamente

Dohko ri ao ver a expressão de Shion. Este pára e olha fixamente para ele.

-Do que ri? - Fala irritado

-Você é tão fofo Shion... até tentando ser mal não resisto... - diz Dohko

Shion cora e puxa ele para a banheira com tudo, abraçando-o

-Ora seu. Vampirinho impertinente - diz Shion - Vou ter que te castigar...

Dohko sorri:

-Pois então não tenha piedade... prossiga...

Shion beija Dohko, mas a porta bate e logo abre. Afrodite entra afobado,

-Desculpe interromper.. seja lá o que... –diz Afrodite de nariz empinado – Mas tenho noticias péssimas.

Shion olha com raiva matadora o ser que acabara de entrar.

-Eu te mato desgraçado...- diz Shion

Dohko continua abraçando-o

-Se ele veio aqui e entrou com esta cara... é porque é algo importante, Shion - diz Dohko dando um beijo no pescoço de Shion – Depois podemos continuar... ou recomeçar... Temos a eternidade inteira, esqueceu?

Shion cora.

Afrodite olha a cena e revira os olhos. Era realmente cômico o jeito que Shion se transformava de carrasco mor a cãozinho adestrado em segundos. No fundo não tinha medo de Shion propriamente dito, e sim de Dohko, cuja natureza sempre conseguia manipular Shion.

-Espero que seja mesmo... Pois se não se considere um vampiro morto - diz Shion fuzilando-o com o olhar

Afrodite atira um jornal. Nele estavam em letras garrafais os acontecimentos da noite anterior provocados por Kanon.

-Aquele Kanon... o encontrei hoje... Além de desperdiçar a chance que lhe demos, ele me confessou que não está do lado de vocês e de ninguém, agirá sozinho - diz Afrodite

Shion empalidece ao ver o jornal e Dohko fica visivelmente surpreso.

-Nunca pensei que ele teria capacidade para tamanho feito - diz Dohko sério- Acho que o subestimamos, querido Shion...

Shion estava prestes a ter uma síncope.

-Maldito seja Milo e suas criações...Exterminarei todas sem dó nem piedade! Agora agiremos sozinhos - diz Shion

Afrodite olha para os dois

-Eu não posso ajudá-los mais...Não tenho poder o suficiente para enfrentar Milo e tão pouco Kanon. Sou apenas um vampiro de classe inferior com boas ligações... Agora se me dão licença... Considero meu trabalho feito - diz Afrodite saindo

Dohko olha para o rapaz.

-Espere... nós lhe daremos meios para que possa dar um fim nos dois - diz Dohko

-Eu não quero... Já lhe disse eu não tenho jeito... E não se esqueçam que o maldito me tirou do jogo... Graças a ele estou sob suspeita. Ele utilizou minha peça para entrar... diz Afrodite - Esta é a hora dos dois grandes vampiros entrarem em ação.

Dohko olha para o rapaz que saia. Odiava concordar, mas ele tinha absoluta razão.

-E agora Dohko... Temos dois malditos para dar um fim... Eu não mereço isso -diz Shion com raiva saindo da banheira e se enxugando

Dohko sai e faz o mesmo.

-Quanto a Kanon acho que não precisamos nos preocupar – diz analisando - Ele é do tipo que destrói a si mesmo para alcançar o seu objetivo... E pelo que sei ele quer se acertar com o rei... Deixemos os dois se matarem e continuaremos vivendo nossas vidas - diz Dohko

-Mas Kanon não tem discrição. Ele revelará nossa existência a qualquer um para chegar a seu objetivo. Ele pode ser fraco...Um inseto...Mas é uma ameaça considerável - diz Shion

-Tens razão... Mas esta não será uma disputa entre duas pessoas... Não sente a presença? Mais um de nós chegará a Paris em breve... E este, sabemos que comprará a briga com toda certeza - diz Dohko

Shion fica quieto por alguns instantes e analisa.

-Tem razão... Mas acha que ele conseguirá? Ele é neutro...Mas é poderoso... Pode ser uma ameaça também - diz Shion

-Não creio... Ele também é daqueles que dá a sua própria vida para conquistar seu objetivo. Vamos nos centrar em Milo. Este sim é nossa verdadeira ameaça. Ele quer viver, para se vingar de nós dois - diz Dohko

Shion fica pensativo. Seu ego não o fazia admitir que podia ter sido tudo diferente... E que ele poderia ter Milo em suas mãos até hoje. Mas seu amor por ele... foi muito maior do que qualquer vontade racional...

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Milo e Kamus andavam de mãos dadas no cemitério. O lugar era sombrio, cheio de estatuas no estilo gótico, lápides, escuras e grama mal cortada. Mas mesmo assim Kamus andava sem nenhum receio por entre elas.

Milo era conduzido, sem saber suas reais intenções, até que finalmente pôde olhar para um mausoléu a sua frente.

A aparência era tão assustadora quanto as demais lápides. O vampiro tinha uma certa aversão a cemitérios... talvez porque isso o lembrava da efemeridade da vida mortal que renunciara. Sentia-se aliviado de nunca ter que passar por ela, mas ao mesmo tempo sentia-se um tanto angustiado por não poder passar por ela. Um vampiro morto não ia para o céu nem para o inferno, se é que isto existia. Era uma criatura maligna com a alma presa ao corpo.

Além do mais havia jurado a si mesmo nunca mais entrar num cemitério. Por razões ligadas a seu passado e péssimas recordações. Mas não sabia porque exatamente desmanchara esta promessa tão facilmente.

Talvez aquele mortal que se tornara vampiro... talvez ele estava aos poucos conquistando a proeza de derrubar os muros que cercavam seu coração... O cofre cuja chave depositara somente nas mão de uma pessoa.

"Não posso ter afeição por este garoto... não posso ter sentimentos por ele... apenas preciso dele... apenas preciso dele para voltar a ser feliz..." pensa Milo embora suas ações se tornassem o extremo oposto de suas intenções.

Olhou para o jovem ao seu lado. Percebeu que a mão que o segurava tremia levemente.

Milo deduziu que não poderia ser por frio porque Kamus adorava o frio. Estava acostumado a ele, sempre dizia. Notava a expressão séria do garoto, como se buscasse coragem de entrar no mausoléu.

-Eu... Eu quero me abrir a você... eu não quero mais guardar segredo nenhum a você... Quero que minha vida seja um livro aberto... Que você possa manusear quando quiser... Milo... - diz o jovem sem encará-lo

Milo ergue a sobrancelha

-Porque me diz isso? - Pergunta Milo estranhando o comportamento dele

-Porque lhe amo... - diz Kamus encarando os olhos dele e falando as palavras claramente

Milo toma um susto. Nunca esperava esta confissão do gelado coração do rapaz

-Sabe... que não posso lhe prometer o mesmo... Então não se veja obrigado a contar para que...

Kamus o interrompe.

-Quem ama... não espera nada... Se irei contar a você é porque é a prova de que eu o amo... Se quiser me contar sobre seu passado, sentarei e escutarei... Se você não quiser... Está tudo bem... Me conformo - diz Kamus

Milo arregala os olhos

"Maldição... estes olhos esverdeados cheios de pureza e sinceridade... Estes olhos que tento envenenar a cada dia para meus propósitos... Que me faz sentir o pior dos demônios terrestres..."

Kamus olha curioso segurando a face dele

-Não me diga que consigo hipnotizar você? - Diz Kamus olhando-o profundamente

-A criatura às vezes supera o criador - Milo limita-se a dizer

"Ele me esconde algo... de fato Shion pode ter razão..." pensa Kamus racionalmente, embora suas atitudes nada condissessem com seus pensamentos. Estava sendo sincero.

-Prefiro não saber - diz Milo acuado. Não queria aceitar esta demonstração. Não queria admitir que estava criando laços com ele.

Kamus o puxa para dentro do mausoléu antes que ele pensasse em fugir e fecha a porta com tudo.

-Eu vim aqui disposto a te contar... O mínimo de consideração que pode ter é me ouvir - diz Kamus calmamente

Milo olha a face de Kamus

-Está bem... se este é seu desejo... eu o ouvirei - diz Milo olhando para as lápides.

Elas possuíam um sobrenome conhecido... O titulo dos Chaugny, cada um com uma pintura ao lado do nome. O vampiro tinha quase certeza de que reconhecia alguns dos rostos.

- Este é o mausoléu da minha família, como você pôde perceber, Milo - diz Kamus se aproximando das lápides as quais Milo reconheceu – Vejam... as flores estão até secas...Sinal de que faz tempo que não vim aqui... Chorar por eles...

Milo observa a expressão séria de Kamus. Por mais sério e distante que sua expressão parecia, ele podia notar uma ínfima emoção na voz do garoto.

-Esta não é sua família distante, estou certo? Tratam-se daqueles que vi na pintura...Sua mãe.. e talvez irmãos... Estou certo? - diz Milo

Kamus fica de costas para Milo, apenas encarando as lápides e, com cuidado, retira as flores secas de perto do túmulo.

-Esta é minha mãe. Ela era filha de um nobre austríaco. Era uma jovem bonita e gentil que foi forçada a se casar muito cedo...Com meu pai - diz Kamus ainda atento a sua tarefa de separar as folhas secas e as flores do tumulo.

-Você puxou muito a ela - Milo limita-se a dizer, encarando a figura da jovem. Realmente Kamus era a exata copia da mãe, na delicadeza dos traços, na cor dos olhos e dos cabelos. Já havia notado isso na pintura da mansão.

-Pelo que percebo... nada sabe sobre o passado da França... Das intrigas sobre a coroa - diz Kamus por cima de seu ombro.

Milo olha pensativo para Kamus, como se medisse as palavras que deveria usar.

-Não... eu não sei...Eu não sou um vampiro feito nesta época...E confesso que também não participei desta época...Por alguns motivos - diz Milo

Kamus torna a interrompê-lo. Era exatamente o que pensava. Por isso que ele não supôs seu passado...Estranhou o fato dele não ter procurado saber. Mas mesmo assim continuou

-Meu pai era um nobre francês importante...Muito bem, com a morte de nosso rei, ele chegou a assumir o posto de regente...Pois nosso rei não tinha a idade suficiente para governar - diz Kamus

Milo notou as figuras de duas jovens crianças nas lápides ao lado da Mãe e do Pai de Kamus. Sua dedução dizia que deveriam ser os irmãos menores dele.

-Meu pai sempre foi duro. Minha mãe sempre fora gentil. Tanto comigo quanto com os meus irmãos. Depois de assumir a regência, ele se tornou ainda mais duro...Lembrava-me dia a pos dia que iríamos usufruir os melhores privilégios, quando o rei chegasse ao poder, à sua maioridade. Minha mãe sempre foi criada no campo. Não estava acostumada com a cidade grande. Tornou-se mais fechada com apenas o único propósito de nos criar - diz Kamus fazendo uma pausa

– Doze anos se passaram desde a época. E por mais que meu pai fosse um regente, um trono não agüenta muito tempo sem um rei para governá-lo... Nosso rei ainda era uma criança. Manifestos... Tentativas de revolução... Nobres e Burgueses começavam a disputar quem iria possuir a França. Isso claro meu pai estava a par...Mas ao invés de tentar conter a revolução... A incentivou... Tomou um partido próprio... Decidiu mandar matar o rei também... Buscou alianças para que se mantivesse de vez no trono. Mesmo com minha mãe falando que isto não seria o certo.

Mas meu pai estava cego... Ele dizia que iria garantir um reino próspero a todos.

Um dia, a revolução estourou... Deram cabo do rei... Não faço idéia de que destino ele tomou. A revolução era liderada por dois irmãos nobres...

Milo arregalou os olhos. A historia começava a tomar proporções conhecidas

-Chamados Saga e Kanon... - completa Milo

Kamus arregala os olhos

-Como você... – Kamus pergunta

Milo o interrompe

-Algum dia... Descobrirá... Prossiga por favor

Kamus o olha desconfiado. E recomeça a contar

-Após destronarem o rei, meu pai que havia confiado neles, voltou a saudá-los no castelo... Mandou fazer um jantar em honra dos dois. Mas haviam conspirado contra ele... Um deles organizou um exercito, cercou o castelo... Mandou matá-lo, sem dó nem piedade... Na nossa frente. Logo depois nossa mãe correu conosco, para tentar nos salvar...Corri com o mais novo em meus braços, enquanto o mais velho ajudava minha mãe pálida e fraca a correr. Mas novamente nos cercaram... Tiraram meus irmãos de nossos braços. Os soldados degolaram eles na nossa frente.

Após o caos instalado naquele castelo, sobraram apenas eu e minha mãe. Disseram-nos para que permanecemos como testemunhas de uma coroação de um novo rei...

Dirigiram-se para cima de mim com espadas, mas minha mãe se pos entre mim e os soldados. Devo a ela a minha vida a ela.

Me senti impotente...Peguei uma espada e comecei a desferir golpes contra tudo e todos. Era uma criança. Naquele momento queria morrer juntamente com todos. Porque eu não morrera primeiro para não ter que ver aquela barbárie? Não sei como mas eles desistiram de mim...Talvez acharam engraçado um garotinho tentando se vingar. E logo estava sozinho, naquele castelo, agarrado ao corpo de minha mãe e abraçado às cabeças de meus irmãos. Num mausoléu gigante que era o palácio.

No dia seguinte, quando pensei que havia derramado todas as minhas lagrimas, e quando finalmente tive coragem de tirar minha vida, aparece Saga a minha frente. Empunhei uma espada e tentei desferir um golpe nele. Queria matar um dos desgraçados responsáveis pela morte de minha família.

-Porque matou minha família? Porque? Se queria o poder... o rei estava morto mesmo! Meu pai poderia querer o poder...Mas perceberia que nunca teria capacidade para administrar...Ele chamaria vocês dois – disse na época.

Mas Saga ao invés de tentar me matar, seguiu até mim e me abraçou. Mesmo eu sentindo asco, ele parecia ter compaixão de mim.

-Sinto a perda que sofrestes, minhas sinceras condolências. A perda dos Chaugny é algo horrível, é uma perda terrível à França. Quero que saiba, jovem visconde, que o que houve não foi fruto de minha vontade, e sim de Kanon, meu irmão gêmeo. Me corta o coração dizer isso, e é um sentimento de perda horrível. Sinto-me traído. Mas prometo a você... Irei vingar sua família. Sei que não é a hora adequada. Mas as palavras de apoio do primogênito do regente da França...Contará muito a mim...Por favor.. me ajude a vingá-lo... Eu busco vingança também... Somos dois feridos - Disse Saga

Eu queria retirar minha vida, mas a palavra vingança soava nos meus ouvidos como uma benção que poderia alcançar. Desde aquele momento jurei que procuraria a minha vingança...Que iria me vingar contra aquele que planejou tão horroroso ato... Que acabou com minha vida...Kanon - diz Kamus

Milo ouviu tudo em silêncio e raciocinava. Embora estivesse adormecido este tempo e não soubesse com exatidão os fatos, sabia que tinha algo de muito estranho na historia. Ele sabia desta ultima parte que lhe fora contada e sabia que não era bem assim que aconteceu.

Ficou surpreso com o que Kamus lhe confidenciara. Imaginava o quanto estas lembranças eram dolorosas a ele, e que provavelmente o jovem estava revivendo cada uma delas para poder recontar ao vampiro aquela noite. Mais do que nunca sentiu o ímpeto de ajudá-lo o mais breve possível. Ele que iria fazer o desejo do jovem tornar-se realidade depois de sua morte, havia decidido mudar de idéia. Vê-lo daquele jeito, tão triste e tão frio, com uma expressão que inspirava total confiança no vampiro.

Milo por fim o abraça por trás.

-Muito obrigada por confidenciar seu passado para mim... Kamyu... Eu lhe prometo... que sua vingança se tornará minha vingança também. Aqueles que o fizeram sofrer irão pagar caro... Tens minha palavra de honra - diz Milo

Kamus ainda está com sua expressão séria no rosto. Parecia incrédulo por ter revelado tudo o que lhe acontecera.

Milo deposita um cálido beijo sobre os lábios de Kamus. Depois solta o abraço e sai do mausoléu.

-Onde vai? - pergunta Kamus espantado com a reação do vampiro. Após ter se aberto com ele daquele jeito, ele apenas virava as costas e saia? Sabia que não poderia esperar muita coisa sobre os sentimentos dele. Mas esta reação o deixara completamente surpreso.

-Preciso fazer sua vingança, o quanto antes...Quero que ela esteja pronta... Pronta em três dias a partir de hoje... Esta será minha promessa

-Neste momento... eu não preciso de vingança, Milo... - Desta vez não trouxe flores a este cemitério...Desta vez prometi que seria a ultima vez que viria aqui...Eu decidi renunciar tudo de minha vida mortal...Eu decidi que a única coisa que me importará é você, Milo...

Aquelas palavras soavam cortantes no coração de Milo. Não conseguia virar as costas e dizer o quanto amava aquele jovem rapaz. Não conseguia encarar os puros e frios olhos verdes dele.

Kamus se aproxima do vampiro lentamente. E nota que uma lágrima de sangue caia lentamente em sua face, dos seus olhos azuis. Notava que eles perdiam um pouco do encanto e do fascínio com isso. Mas não se tornavam menos belos. Tornavam –se apenas mais humanos.

O jovem retirou um lenço e com cuidado limpou as lágrimas dele. Olhou para ele com um semblante inexpressivo.

-Eu te amo... - diz Kamus sem olhar nos olhos dele e com a mesma postura fria... Face sem demonstrar nenhum sentimento.

Mas isso foi demais para o vampiro. Estático, Milo desviou-se dele, e saiu rapidamente de lá. Deixou Kamus sozinho, naquele frio e sombrio cemitério.

Kamus pegou o lenço, a qual tinha acabado de limpar o rosto de Milo. Aspirou o doce perfume da face dele, sentiu o cheiro doce do sangue coagulado no tecido.

"O que esconde de mim... Seu olhar...parece que quer me consumir... me matar... Ao mesmo tempo parece ser dotado de ternura e carinho... como se seus olhos falassem para mim.. eu também te amo... e quero lhe destruir"

Pela primeira vez Kamus sentiu medo... Um medo terrível... Não da morte a qual poderia chegar proximamente... Mas que estaria sozinho mais uma vez. Era como se revivesse a cena de sua família sendo morta... e ele lá... Apenas vendo... Apenas caindo na profunda escuridão.

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Saga encontrava-se em seu castelo longe da capital. Em todos os lugares ouvia a maldita repercussão de que Kanon voltara para retirar seu trono.

Antes que pudesse pensar mais no assunto, Memphisto entra na câmara real.

-Acho que dispenso apresentações majestade - diz Memphisto vendo o pensativo Saga na sacada de seus aposentos

-Invadir o aposento do rei implica em morte - diz Saga grosseiramente

-Eu não ficaria cheio de ego assim...Seu irmão voltou com tudo... E realmente parece ter um poder que você não possui Saga... O mundo é dos mais poderosos, e não sou somente eu que compartilho desta opinião. Paris inteira está comentando...Muitos ameaçam apoiar Kanon sabia? - diz Memphisto

-O que quer me dizer com este discurso idiota? Onde quer chegar? Fale logo maldito - diz Saga

-Ora ora.. eu não sou seu cãozinho de estimação que nem estes nobres falidos imundos ou generais de meia tigela...Eu sou um Burguês e estou do lado dos mais fortes. Reis entram e sai... Mas os burgueses continuam - diz Memphisto analisando-o – Pois bem.. Lhe ofereço meu apoio... Que sabe que é boa coisa, em troca de mais favores...E quem sabe acabar com todos os malditos nobres...

Saga o olhou surpreso e com raiva. Nunca em sã consciência acabaria com o privilegio dos nobres, classe de onde veio e pertencia.

-Está maluco? Nunca faria isso...Não preciso da ajuda de um idiota estrangeiro como você... A França é dos franceses... E eu sou o poder por aqui... Saia daqui agora! - Diz Saga com raiva

-Pois bem... Como quiser ex- majestade... Irá se arrepender... - Diz Memphisto saindo com um sorrisinho nos lábios.

O maldito rei não deixará seu braço a torcer para os favores dele? Então se arrependeria amargamente. Seu objetivo da classe burguesa dominar a França estava se tornando realidade. E parecia que com o gêmeo de Saga, Kanon, conseguiria isso.

Pouco lhe importava as condições... Memphisto sempre ficaria do lado do mais forte como quer que seja.

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Estava longe. Muito longe da França. Muitos e muitos quilômetros daquilo que lhe atormentava... sua alma, seu âmago... e que lentamente estava destruindo-o por dentro.

Estava confuso. Não sabia como agir...

Estava em frente de antigas... que mais se assemelhavam a catacumbas.

Nevava... Lá a neve era eterna.

Engraçado... ele que sempre odiara o frio...Ele que prometera nunca mais pisar naquele chão... Naquela neve espessa...

Sentia o frio... Como ele costumava sentir... Não usava casacos...

"Eu estou confuso... agora mais do que nunca... eu preciso de você...Preciso do teu toque... preciso de você...preciso ouvir dos teus lábios... para que minha vida tenha sentido... para confirmar que tudo que sinto agora é errado e que estou me enganando" pensa a figura loira que colocava a mão na lápide congelada

-Preciso de você agora...Aquarius...

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(1)- Trecho da Musica –Be yourself- Audioslave

(2)- Texto feito por... um anônimo !!!! ( bela explicação não?) Desculpem se ficou algo do tipo : mensagem de cartão postal... Mas realmente achei que era bonito... E que combinava com o que queria passar no capitulo ( sim... eu não coloco citações para enfeitar!! XDDD Se coloquei é porque tem algo a ver!!!!)

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No próximo capitulo: O anjo da música chega a paris, escoltado de seu tímido pupilo. Apesar de sua doce aparência ele esconde um grande poder... a qual até mesmo os antigos temem.

E enquanto isso o passado de Milo é revelado, e finalmente Kamus descobre seu verdadeiro objetivo.

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N/A: Nhaa um capitulo que sempre quis escrever... Gosto da imagem de cemitérios.. também gosto de capítulos deste tipo... Flashback... -

Triste né? Nhaaa fico com pena do Kamyu e do Milo... mas os dois tem que sofrer mhauhauahauhauhaua risada a la saga ao fundo

Me decidi que esta fic não será grande... por isso irei fazer de tudo para que cumpra minha meta. Já estamos na metade \o/\o/\o/ Mas mesmo assim me vem idéias XD Tantos vampiros que gostaria de colocar...Tanta parte que queria dar atenção... nhaaaa tendo que dar uma boa tesourada em tudo

Hum... uma curiosidade... os irmãozinhos mais novos imaginei como sendo o Hyoga e o Isaak... mas acabei nem citando isso... Acho que iria ficar maçante...Depois entro em mais detalhes

XDD Gostaram do Julian e do Sorentinho? ( eu amoooo o Sorentoooooooooo !!!) Tinha q dar um jeito de por ele na fic...E este papel misterioso serviu direitinho xD - baba-

Kissus e obrigada por ler

Não esqueçam do botãozinho roxo ai de baixo... ele é bonitinho né?Cliquem nele plzzz! E façam um fanwriter feliz !!!XDDD