Parte 2
Duo parece estranho... Principalmente hoje.
Acho que não foi uma boa idéia chamar ele para ir embora comigo.
Percebi que ultimamente Duo anda ficando calado demais. Isso é tão estranho... Quer dizer, era ele quem puxava conversa comigo, tentando chamar minha atenção mesmo quando eu deixava claro que não queria falar com ninguém.
E agora parece que ele simplesmente evita que uma conversa nossa passe de um "oi tudo bem"...
Eu realmente gostaria de saber o que está acontecendo aqui. Será que eu fiz algo errado? Já tentei puxar conversa com ele... Parece que ele se irritou com essa minha tentativa.
Tentei prestar atenção na estrada... Mas está sendo difícil, principalmente com ele olhando pela janela, pra chuva que começou a cair lá fora. Por que ele precisa ficar calado? Eu daria tudo por algumas piadinhas sem graça dele.
-Então... Duo... Você... Terminou todo o trabalho? - Eu vi ele ficar com uma expressão muito estranha. Será positiva? Negativa? Ah... Droga... Ele apertou o assento... Definitivamente foi negativa.
-Sim... Pelo menos todo o trabalho que eu teria até a semana que vem. Então... Não precisa ficar me lembrando do trabalho nos próximos dias...
-Ah... Tudo bem... - Respondi debilmente, apertando o volante.. e tentando colocar meu olhar na estrada, e virar numa rua... Percebi o tom irritado na voz de Duo quando ele me deu aquela resposta seca. Ele está com raiva de mim... Uma tremenda raiva, que eu não sei da onde começou... As vezes eu queria ser como wufei com Duo. Simplesmente chegar e perguntar o que esta havendo, mas não sou assim... ou ser como Quatre... enrolar, mas perguntar... mas eu nunca pergunto. Ou ser como Trowa... Apenas lançar um olhar, e ganhar uma resposta... As coisas seriam muito fáceis. Mas não são.
Entrei no prédio onde eu, Duo e Wufei moramos. É um prédio da linha dos Winner. Quatre especializou a empresa dele em moradias também... E esse é um bom prédio.
Estacionei o carro, onde sempre estaciono, bem ao lado do carro vermelho de Duo. Saímos do estacionamento, lado a lado... Mas ainda num silencio quase mórbido.
Os olhos de Duo estavam fitando o chão, e às vezes eu desejava que ele olhasse para mim pelo menos uma vez.
Quer dizer... Somos uma família. Eu me sinto mal com isso... Com o jeito que as coisas andam. Com a rapidez, que nós dois... Que éramos tão próximos (bom... mais ou menos...) fomos nos afastando.
Tomamos o elevador panorâmico do prédio. Apertei o botão para o ultimo andar. Vi-me louco para chegarmos logo em nosso destino. O silencio que fazia entre nós parecia uma tortura na qual eu nunca senti antes. Era estranho. Bizarro demais para eu aceitar. Duo havia parado de falar comigo desde daquela maldita hora no carro.
O elevador parou, anunciando nossa chegada. Sai do elevador com ele ainda ao meu lado, de súbito, parei. Querendo convidar ele para um café ou coisa assim... Mas minha coragem em si, há muito havia ido embora com a expressão dele... Suspirando, tomei rumo do meu apartamento, enquanto via Duo fazer o mesmo. Agora me perguntava, a onde ia parar nossa amizade. Eu não quero perde-lo.
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