Oceano
Assim
Que o dia amanheceu
Lá no mar alto da paixão
Dava pra ver o tempo ruir
Cadê você? Que solidão!
Esquecera de mim
Enfim
De tudo que há na terra
Não há nada em lugar nenhum
Que vá crescer sem você chegar
Longe de ti tudo parou
Ninguém sabe o que eu sofri
Amar é um deserto
E seus temores
Vida que vai na sela
Dessas dores
Não sabe voltar
Me dá seu calor
Vem me fazer feliz porque te amo
Você deságua em mim
E eu oceano
E esqueço que amar
É quase uma dor
Só sei
Viver
Se for
Por voc
Djavan
"De aço e gelo se revestiam os guerreiros nórdicos ao partirem para a batalha. Mas couraças só repelem espadas, machados e flechas; contra a magia, de nada servem.Então, desde esses primórdios, fizeram-se indispensáveis os anjos...que, com suas profecias, restauram a harmonia..."
III
Senti um terrível calafrio e a moto derrapou na estrada. Um pressentimento muito forte. O mar me chamava, clamava meu nome na hipnose das ondas feiticeiras.
Desci da moto ainda zonza, ouvindo vozes... eram as sereias que ecoavam sussurros em minha mente:
- Corra...
- Você ainda pode salvá-lo!
- Por aqui...
Sem me dar conta do que fazia, fui tragada pelas ondas e perdi-me nas profundezas para salvar Isaac de Kraken, o marina.
Confesso que foi difícil tirá-lo dos escombros e trazê-lo à superfície. Mais difícil ainda trazê-lo à vida e amenizar a cicatriz, mas era o que tinha de ser feito. A profecia se concretizaria assim que...
- Mas o quê?!... Será ele?
Avistei- o caído à beira mar. Então, o herdeiro dos Sólon, Poseidon, nada mais é que...
- Kevin?!
RASTROS DA FAMÍLIA DE CISNE
Tudo começou quando Poseidon foi derrotado. Encontrei-o caído no chão, à beira mar, totalmente desacordado.
- ... Então seu verdadeiro nome era Julien?! Isso significa que o Daniel era realmente...
Corri até ele. Mas sua aura me dizia que não era mais o mesmo. Perdeu-se nas coisas materiais e ficou cego pelo poder. Tornou-se frio... leviano talvez. O melhor a fazer é não me revelar até isso mudar.
- E você não me reconhecerá até voltar dar valor as pequenas coisas, até que volte a viver.
Soprei flocos de neve ao mar e conclui o feitiço:
- E por conta disso, todos os outros que estavam presentes naquela noite, não se reconhecerão ao se encontrar.
Estava feito. Agora só restava procurar Hiyoga.
- Você está bem?!
- O quê...?! Ah, sim... Creio que estou bem.
- Posso perguntar seu nome?
- Julien. Julien Sólon até onde me lembro. Mas e você, quem é?
Julien levantou-se jogando a franja para trás e estendi a mão para cumprimentá-lo.
- Pode me chamar de Bianca. Bom, já que está tudo bem eu tenho que ir, estou com um pouco de pressa. Preciso encontrá-lo...
- Desculpe, quem você precisa encontrar?
- Pensei um pouco alto, me perdoe. Acho que não pode me ajudar, Hiyoga deve estar mesmo na Fundação...
- Você se refere a mansão da Senhorita Kido? Fica a algumas quadras daqui, se você puder esperar eu chamar meu chofer e me recompor... Eu te levo na minha limusine até lá.
- Não, obrigada. Eu estou de moto. Aliás acabei de lembrar que larguei ela no meio da estrada e daqui à pouco só vou achar os pedaços!!!
Ai, só eu pra pagar um mico desses! O jeito foi sair que nem louca na direção da estrada.
- Tchau e obrigada!
- Ei, espere!
Não olha pra trás! Não olha pra trás!!! Você não vai agüentar olhar pra ele de novo e voltar a lembrar do que ele não é mais, do que VOCÊ não é mais... Vai embora e vai agora!!!
- Nem pude perguntar por que você procura esse Hiyoga com tanta convicção... Espero que não seja por amor.
Julien respirou fundo enquanto retornava a mansão.
- Decidida, bonita... Um pouco atrapalhada, mas definitivamente uma bela mulher. Preciso descobrir exatamente quem ela é.
Pouco depois, cheguei à Fundação e quando ia tocar a campainha, dei de cara com um idiota querendo me barrar. Um grandalhão chamado Tatsume. O jeito era tentar parecer educada.
- Com licença, eu gostaria de saber se alguém chamado Hiyoga se encontra com a srta. Kido.
- Hiyoga?! Sim, acabaram de chegar e estão muito cansados!
Aquela má vontade ainda ia acabar com a pouca paciência que tenho...
- Quem gostaria de falar com ele?
Pronto, acabou! Não sirvo pra ficar bancando a cortês.
- Ôh, almofadinha! Você acha que eu tenho cara de pombo correio?! Sou eu mesma que quer falar com ele!
- É só me dizer seu nome e eu transmito o recado.
- Escuta aqui! Pra começar, sei que você não é o proprietário da mansão! E segundo que quem eu sou ou deixo de ser, não é da sua conta. Eu não pretendo deixar recado nenhum. E vou entrar pra falar com Cisne quer você queira ou não.
- Sinto muito, são ordens. Portanto, só por cima do meu cadáver.
- Pode ser estátua de gelo?
- Sei que esta blefando. Daqui você não passa.
- Vamos ver.
Subi na moto e retornei um pouco. Tatsume pensou que eu estivesse indo embora, mas se enganou. Na verdade, peguei velocidade para derrubar o portão. Atravessei o jardim (que por sinal, foi destruído), arrombei a porta e quase atropelei um garoto que estava para abri-la. Seus olhos verdes quase que totalmente cobertos pelos longos cabelos castanho-claros, contrastavam com o rosto pálido que buscava uma resposta. Alguns segundos depois, notei que cinco pessoas desciam as escadas e entre elas, Saori Kido e Hiyoga.
- Quem é você? – indagou o rapaz a quem eu estendera a mão para se levantar, provavelmente tratava-se de Andrômeda.
- O que está acontecendo aqui?
Minha vontade era dizer que era uma reunião da Liga da Justiça para aquela que, pra mim, podia ser nomeada a Rainha Paty. Mas por mais uma vez eu tentei parecer cortês.
- Desci da moto e tirei o capacete olhando fixamente para Hiyoga.
- Desculpem pela confusão, mas eu precisava muito falar com você, Alexei.
Hiyoga empalideceu imediatamente, ainda confuso, enquanto os outros cinco intrigavam-se com a visão que estavam tendo.
- Não conheço você. No entanto, há muito que ninguém me chama de Alexei... O que você quer?
- Me desculpar, por demorar tanto tempo pra te encontrar. Sou eu, Alexei... Bianca.
Hiyoga não pode conter o espanto, embasbacado, e notei os outros cavaleiros prontos para atacar.
- Não... Não pode ser, a Bianca... desapareceu. Deve estar de brincadeira... E de muito mal gosto.
Baixei a cabeça, meio decepcionada. No fundo, desejava que ele me reconhecesse, mas, como da outra vez, nem de longe.
- Estou... tão diferente assim?
E voltei a observá-lo tentando sorrir, com os olhos marejados. Hiyoga pareceu avistar algo em meu braço direito. Ficou mais sério e fez sinal para que os outros baixassem a guarda. Caminhou até mim com passos firmes, e apertou minha mão direita olhando diretamente para meus olhos. Falou muito baixo para que ninguém mais nos ouvisse, sentindo seus próprios olhos umedecerem assim que tocou meu rosto.
- Desculpe, pode... pode dizer algo que confirme o que vejo, o que sinto?
Sorri, compreendendo o seu receio de cavaleiro, e falei em tom muito baixo, não só para que ninguém ouvisse, mas porque era o tom máximo que eu conseguia atingir diante daquele turbilhão de emoções.
- "Rubi para o mais forte, Ametista para a mais bela..." Não que eu concorde, mas era o que eles costumavam diz...
Hiyoga me abraçou muito forte, entregue a emoção. Também o abracei, por minutos que pareceram sem fim, feliz por estar finalmente ao seu lado.
- Hiyoga, pode me soltar agora...
Ele teve um pequeno ataque de riso ao me soltar e meneava a cabeça nervosamente.
- Nem de longe... Que depois de dez anos eu ia... deixar você partir outra vez.
- Ah, qual é... você adorou se ver livre de mim!
Cisne voltou a segurar minha mão direita com muita força e virou-se para os outros que aguardavam seu veredicto.
- Desculpe, Saori. Está tudo bem. Está é Bianca, minha irmã caçula. (Hiyoga)
Por que ele não falou mais nova, caçula soa tão... pirralha! Num gostei.
- Alexei, corta essa de caçula, tá?!
- IRMÃ???
- Mas desde quando você tem irmã, Hiyoga?
- Omiti a existência dela pra que não fosse outro ponto fraco. Quando nos mandaram pro orfanato, ficamos em locais diferentes. Mais ou menos como você e a Seika, Seiya.
Me lembrei que minha maquiagem devia ter ido pro espaço. Tanto cara bonito na minha frente! Eu não podia ficar daquele jeito e aproveitei pra retocar o batom enquanto Hiyoga explicava a situação.
- Ainda estou perplexa, Hiyoga... Como conseguiu omitir isso por tanto tempo?
- Determinação talvez, medo que a machucassem antes que eu pudesse resgatá-la. Acontece que ela fugiu de lá e nunca mais foi vista. Todos acharam que ela estava morta, afinal, ela tinha então três anos de idade.
- Se ela está aqui entre nós, então esta é a pergunta que devemos fazer a ela: como foi que sobreviveu? (Shiryu)
Preocupada demais com minha aparência, acabei por me distrair com o espelho e isso definitivamente não foi um ponto positivo...
- Desculpe... o que foi que disse?
- Como espera que acreditemos em você, sem sua colaboração?! (Ikky)
- Ei! Vai com calma aí, nervosinho! Eu fiz alguma coisa pra você?!
Antes que eu e Ikky de Fênix caíssemos numa briga física e sem sentido algum, Saori interrompeu.
- Desculpe pela intolerância de Fênix. Eu e meus cavaleiros estamos suscetíveis a qualquer tipo de trapaça, o que nos leva a desconfiar de você. Gostaríamos apenas de uma explicação, se não se importa.
- Na verdade eu me importo.
Fiquei muito séria e não posso negar que minha resposta os surpreendeu.
- Me importo muito em ter que dizer à todos algo que só diz respeito a mim e a meu irmão, simplesmente porque não confiam em mim. Farei um esforço, porém sem detalhes, já que é assunto particular.
Ninguém estava muito contente com o que eu lhes oferecia, mas não havia muitas opções e eles concordaram.
- Assim que percebi que Alexei, ou como vocês costumam chamar, que Hiyoga, não viria para o mesmo orfanato em que eu estava, dei um jeito de fugir no meio de uma confusão no refeitório. Acontece, que eu estava muito perto de Jamiel e quem acabou me encontrando foi Moo de Áries. Por isto, sou também uma amazona.
- Suponhamos que a gente acredite nesta sua história. Como você justifica o silêncio de Moo por todo esse tempo? (Seiya)
Ele era mesmo o mais temperamental, não dava pra negar a natureza selvagem de um Pégasus mal domado...
- Pégasus, tenha certeza que ele teve seus motivos. Mas gostaria que perguntasse pessoalmente a ele se deseja realmente saber.
- Como sabe que sou cavaleiro de Pégasus?
- Ela tá só querendo impressionar. (Ikky)
- A sua sorte maior, Ikky Amamiya...é que a Esmeralda não ficou viva pra ver o coração de pedra que você acredita ser!
- Então por que não prova agora que é amazona e luta comigo em vez de fazer guerrinha psicológica?!
- Vou ignorar o disse, Fênix. Como eu ia dizendo, fiquei sem dizer palavra por muito tempo e quando convencida de voltar a falar, Moo não precisou buscar muito para encontrar-te, Alexei. Só que eu mesma fui informada há apenas duas semanas, depois de aprender a controlar meus poderes de quem sou reencarnação, a Rainha da Neve.
- Engraçado, nunca ouvi falar dessa tal "da Neve"... (Seiya)
- E que eu saiba uma amazona não mostra o próprio rosto... (Ikky)
- Eles estavam conseguindo me provocar...
- Se me dão licença, vou colocar minhas coisas por aí para sair atrás de um lugar pra ficar.
Saori fez sinal para um empregado, para que ele me conduzisse até as escadas. Hiyoga estava ficando furioso com o cinismo de Ikky.
- Não sei, não! Parece que ela ficou sem o que dizer e tirou o corpo fora! (Seiya)
- A história dela não é lá muito convincente. (Ikky)
- Aliás, é tão simples e absurda que só pode ser verdade. (Shiryu)
- Ninguém mais me trata por Alexei. E tem os olhos dela que são... exatamente como me lembrava, um espelho dos olhos de minha mãe, embora paradoxalmente dominadores. A pinta que ela tem no rosto e no ombro esquerdo... Tenho motivos pra acreditar que é mesmo minha irmã.
- Eu tenho a nítida impressão que já a vi antes, Hiyoga. Não sei por quê. (Shun)
- Tá legal, deixando impressões de lado, alguém alguma vez ouviu falar dessa Rainha da Neve? (Seiya)
- Uma deusa mestiça banida do Olimpo. Poseidon destruiu a montanha em que residia e suas desavenças com os deuses não param por aí. Costumam chamá-la de Shiva, ou Noiva da Morte. Como foi banida, reencarna a cada 300 anos no corpo de uma humana para destruir um inimigo maior. (Shiryu)
- Que "inimigo maior"?
- Meu mestre omitiu esta parte da história. Limitou-se a dizer que os poderes de gelo de um cavaleiro vêem diretamente dela e que, mais que um zero absoluto, ela é capaz de transformar uma pessoa em iceberg saído de uma forma de gente. Além disso, possui alguns poderes psíquicos, poderes parecidos com as ilusões de Ikky. A amazona que a representa é regida pelo Cruzeiro do Sul e não usa máscara, porque geralmente ela já a tem, no sentido figurado da palavra. Conta-se que assim como essa constelação guiava os viajantes perdidos, os homens por ela guiados é que se perdem.
- Máscara de falsidade, duplicidade ou o quê? (Shun)
- Geralmente, de dor. Não é de falar de si mesma.
- Pontos fracos conhecidos? (Saori)
- Nada conhecido, além do fato de se apaixonar e definhar de tristeza caso algo aconteça a pessoa amada.
- Como os cisnes...
- Sim, Hiyoga, como os cisnes. E se sua irmã é mesmo a representante da deusa que mencionou, isto é válido para ela também.
- Eu ainda não acredito que ela seja...
- ... A irmã do Hiyoga ou uma amazona? Eu posso provar os dois, Ikky de Fênix...
Eu retornara na hora certa, no momento em que Ikky voltara a duvidar de minhas palavras.
- Ah, é?! Pois eu duvido muito.
Aquilo já estava me cansando. Mas eu tinha que me controlar. Vermelha de raiva porém muito séria, levantei meu braço direito para que vissem meu rosário, notado anteriormente por Cisne.
- Isso é muito relativo... Você pode muito bem ter roubado do Hiyoga.
- O que você está querendo insinuar com isso?
- Para bom entendedor, meia palavra basta, queridinha. Se a máscara serviu...
- Meu rosário está bem aqui, Fênix. O dela é de ametistas, o meu de rubis.
- Preciso dizer algo mais?
- Ora, cale a boca! Uma falsificação é muito fácil de se fazer.
Eu ia abrir a boca para responder-lhe à altura, quando todos percebemos a fúria e mágoa crescentes em Hiyoga.
- Será que alguma vez na vida você pode ser capaz de confiar em alguém, Ikky? Se você ofendê-la mais uma vez, eu juro que...
- Pelo amor de Deus, rapazes! Isso não é hora nem lugar pra brigar! Estamos do mesmo lado, se já esqueceram!
A rainha Paty tinha que bancar a moralista...
- Já nos provou que é irmã do Hiyoga, mas não que é amazona. (Seiya)
- Vocês podem dar uma olhada naquele grandalhão mal-educado que não queria me deixar entrar...
- Tatsume!
Todos correram para fora, sem deixar de notar o jardim destruído e o portão quebrado. E lá estava uma bela estátua de Tatsume, começando a derreter.
Enquanto eles discutiam que ele não estava congelado, mas se transformara em neve compacta e que muito provavelmente não houvesse como desfazer, caminhei calmamente na direção deles e da estátua.
- Desculpe por usá-lo como prova, Tatsume... Sei que só estava fazendo o seu trabalho.
Encostei em seu ombro e aos poucos ele foi voltando ao normal.
- Só que você me chateou demais e eu precisava entrar.
- S-senhorita Saori, eu...!
- Já está tudo bem Tatsume, ela não nos oferece ameaça. Agora vá por favor providenciar um novo portão o quanto antes. Mais forte de preferência. Acho que chega de provas por hoje, Bianca. Estamos convencidos de que é detentora de poder muito razoável.
- Acreditem ela é mais do que isso.
- Julien???
Os seis recuaram novamente com a chegada ameaçadora de Julien Sólon.
- Não se preocupem, Poseidon não está mais comigo e garanto-lhes que venho em paz.
Com um sorriso, dirigiu novamente seu olhar à minha pessoa e tomou minha mão antes que eu pudesse impedi-lo.
- Sua bela amiga me socorreu e... como foi breve em suas palavras, resolvi agradecê-la pela preocupação.
Hiyoga encarou Julien furiosamente.
- Pode começar soltando a mão dela. (Hiyoga)
- Era isso que estava procurando? Se soubesse que queria um guarda-costas idiota, eu mesmo arranjaria um pra você, minha dama.
Hiyoga deu um passo à frente.
- Tá tudo bem, Alexei, não vale a pena. Por que você veio até aqui, Sólon?
- Como eu disse, para oferecer-lhe alguma gratificação.
- Já agradeceu de modo original.
- Desculpe se fui indelicado. Só não consigo acreditar que uma moça tão bela tenha algum interesse por esse...
- Sabe, eu não tenho que te dar satisfações. Mas saiba que "esse" é meu irmão. E eu já disse que não quero nada vindo de você, então por que não vai embora?!
- Ah... Desculpe novamente. Vou me retirar se assim o deseja. Mais uma vez agradeço pela ajuda. – beijou minha mão e reagi com desprezo.
- Dispenso este tipo de agradecimento.
- Ela tá caidinha por ele!
- Seiya, você não vale nada... (Shiryu)
- Vem Alexandra, preciso falar uma coisa pra você.
- Claro, Hiyoga. Com lic...
- Alexandra. Bonito nome. É meio russo, não é?! (Julien)
- É! Com licença.
- Até breve, Alexandra.
- Espero que esteja enganado quanto a isso.
- Enquanto Julien se retirava e o resto dos rapazes tentava ajudar a dar um jeito na bagunça causada na Fundação, Hiyoga me levou até o terraço.
- Alexandra, desculpa dizer, mas cuidado com esse cara! Não sei se você sabe, mas ele...
- Pediu a Saori em casamento e quando Poseidon estava com ele ainda forçou a barra. Eu sei que ele é um galinha que se acha o maior, isso eu já notei, não esquenta!
- Desculpe, só me preocupo com o que você possa sentir por ele...
- O quê? Amor? Só se você estiver brincando, né Hiyoga?! Acha que eu daria mole pra um deusinho fracassado como ele? Você tá louco! E vê se pára com essa coisa de Alexandra que você sabe que eu não gosto!
- Tá bom... Tem certeza que...
- Tenho sim, Alex... Não precisa bancar o DNA.
- Como?
- D-N-A. Data de Nascimento Avançada. Ou então PVV: Prazo de Validade Vencido! Significa que você tá ficando meio velho.
Hiyoga sorriu meio sem jeito, me empurrando pra descontar a brincadeira antes de descer. Lá estava eu usufruindo de minha máscara...
Desci também e trombei com Ikky acidentalmente.
- Acho melhor olhar por onde anda.
- E você precisa parar de pensar que está no controle da situação.
- Pois saiba que só não está morta, porque respeito os sentimentos de Cisne. Mas não acredito em você como os outros.
- Uh, nossa! Fica frio Ave Fênix... Não se preocupe, pois não dou a mínima para suas crenças.
Trocamos olhares agressivos e desafiadores por alguns segundos e todos perceberam o que estava para acontecer. Shun tentou dizer alguma coisa, mas Ikky o empurrou escada abaixo. Hiyoga, que já se afastara, retorna imediatamente ao sentir as elevações de cosmo energia, mas fica parado ao notar meu olhar.
- Então você quer me matar pra provar que sou uma farsa? Pode tentar, Fênix. Só não garanto que vá conseguir.
- Ave Fênix!!!
- Ai que pena, eu defendi seu golpe, Ikky... Mesmo com a velocidade da luz, essa brincadeirinha de criança não poderia me atingir. Já não posso dizer o mesmo de seu braço...
Seu punho direito estava coberto por uma grossa camada de gelo, e o segundo em que ele parou para observá-lo, foi o suficiente para que eu desferisse meu próximo golpe.
- Fúria da Rainha da Neve!!!
Era um golpe de ilusão, só pra revidar o que ele um dia fizera a Hiyoga. "Ikky então reviveu todos os golpes e dores sofridos na Ilha da Rainha da Morte, uma por uma... "
Enquanto isso, uma forte rajada de vento gelado seguiu em direção a ele e a claridade doía nos olhos dos que estavam próximos. Se não os fechassem, a poeira cegaria facilmente.
"De repente, Ikky se encontrava em terreno escuro e hostil. Avistou uma silhueta e imediatamente atacou mortalmente a sombra. Aproximou-se e descobriu que assassinara o próprio irmão. Olhou em volta e percebeu-se num cemitério, lembrando-se que ali jazia Esmeralda. Tentou se mexer, mas o corpo de Esmeralda se levantou, transformando-se em horrível criatura e o agarrou:
- Assassino!
O crânio de Shun decompôs-se em segundos e dele saíram vermes e minhocas. Sentiu que alguém tocava seu ombro e se virou bruscamente para trás. Era seu mestre.
- Eu disse que você era exatamente como eu, Fênix. Você só tem ódio dentro de si! Agora que matou as duas pessoas que amava jamais será perdoado. Seu coração ainda está cheio de ódio!"
Na verdade, Ikky estava paralisado no fim da escada, com lágrimas nos olhos. A ilusão só não o atingira mais fortemente por conta de suas bizarras experiências de cavaleiro. Me aproximei e soprei neve sobre seus olhos, fazendo com que voltasse a si aos poucos.
Terminei de descer as escadas piscando para Hiyoga: "Ele vai ficar bem, não se preocupe." Saí em seguida para esfriar a cabeça, deixando todos meio perplexos.
- Você está bem, Fênix? (Shiryu)
Furioso pela pequena derrota pública, Ikky cerrou o punho esquerdo e sua cosmo energia fez derreter a camada de gelo de seu braço direito.
- Claro que estou, foi desatenção da minha parte. Subestimei a garota. É obstinada e ofensiva, mas agora posso acreditar que pode estar falando a verdade.
- Acho que chega de implicar com ela, irmão!
- Mais que isso. Acho bom que fique bem longe dela, Fênix. (Hiyoga)
- Como se eu fosse de seguir algum tipo de ordem...
- Rapazes... (Saori)
Ops, acho que só criei mais confusão! Depois de uma troca de olhares de dar choque, Fênix terminou de subir as escadas e Hiyoga correu até o jardim para me alcançar.
- Bianca!
- Ah, cê não vai me dar sermão, né?! Você sabe muito bem que foi ele que provocou!
- Esquece o Fênix. Eu ia perguntar onde você vai.
- Sei lá... Vou dar uns rolê por aí.
- Como é?
- (...)! Vou dar umas voltas!
- Mas você acabou de chegar! Precisa que eu vá com você?
- Não, Alexei. Tô precisando pensar, ver um lugar pra ficar e... Deixa as coisas esfriarem por aí.
- Entendo. Que horas você acha que volta?
- Ôh, da bad trip... Dá um tempo, vai?! Eu não sei que horas eu volto. Tchau!
- Mas Alexandra...
- Relaxa que tudo encaixa, lorão! Até mais!
- Tô saindo! (Ikky)
- Mas Ikky... (Shun)
Quando Ikky abriu a porta, encontrou com Hiyoga, que voltava. O clima entre eles tinha ficado meio pesado. Ikky lhe sorri com cinismo e Hiyoga permanece muito sério.
Eu saíra pra me enturmar com umas gangues da região, tirar uns rachas... E o Ikky pensa que eu não notei que ele me seguiu até onde pôde e achar algo melhor pra fazer... Eram umas quatro e meia quando resolvi voltar. O pior é que notei que os cinco tentaram me esperar. Foi quando avistei o piano de Saori e não resisti em dedilhar algo.
- Você demorou...
Nas quatro primeiras notas tomei um baita susto com Ikky falando no meu ouvido. Minha primeira reação foi recuar um pouco e levantar as mãos.
- Tá legal, eu baixei a guarda! Pode me matar se quiser...
Ele soltou uma risada divertida e fez um gesto vago.
- Esquece isso. Acredite ou não eles estavam te esperando.
- Pois é, eu notei. Pelo menos eles não me seguiram por quase a noite toda... O que você pretendia descobrir com isso?
- Ok, ok, eu me rendo, "da Neve"! Pura curiosidade.
- Da próxima vez vem comigo sem bancar o detetive, é só se convidar.
Acabamos caindo na risada, tendo que controlá-la para não acordar os outros. Ikky colocou as mãos no bolso e me olhou de canto, ainda rindo.
- Deixa o Hiyoga saber com quem você costuma se meter...
- Ah, sempre com os caras errados, pode acreditar. Incluindo você, claro!
- Fato. Mas eu não vi nada que possa incriminá-la.
- Você nem me viu chegar!
- Na verdade, não te vi nem sair. Mas isso vai custar uma amizade...
- Obrigada, Ikky. Vou tentar esquecer que você queria me matar.
- E eu, das provocações referentes a meu passado. O quarto do Hiyoga é o terceiro da direita. Acho que ele não vai se importar.
- É, eu acho que não. E eu não consegui mesmo nenhum lugar pra ficar... Então, boa noite.
- Boa noite.
CONTINUA...
N/A: Espero que não estejam querendo me matar por tamanha demora em atualizar essa é uma fic em conjunto e eu não recebi nenhum review...achei que o povo não estava esperando...mas fiquei sabendo que tem gente que gostou dessa maluca história...então espero que gostem...porque a coisa vai começar a esquentar! (ou esfriar, dependendo do ponto de vista...)
Quem é Bianca? Sera mesmo irmã de Hyoga? E o que ira acontecer se mais alguem daquela noite no Moinho resolver aparecer? Aguardem o proximo cap de MIRACLE ANGELS...
