Antes Que Seja Tarde
Olha, não sou daqui
Me diga onde estou
Não há tempo, não há nada
Que me faça ser quem sou
Mas sem parar pra pensar
Sigo estradas, sigo pistas pra me achar
Nunca sei o que se passa
Com as manias do lugar
Porque sempre parto antes
Que comece a gostar
De ser igual, qualquer um
Me sentir mais uma peça no final
Cometendo um erro bobo, decimal
Na verdade continuo
Sob a mesma condição
Distraindo a verdade,
Enganando o coração
Pelas minhas trilhas você perde a direção
Não há placas nem pessoas informando aonde vão
Penso oura vez estou sem meus amigos
E retomo a porta aberta dos perigos
Na verdade continuo
Sob a mesma condição
Distraindo a verdade,
Enganando o coração...
Enganando o coração...
(Fernanda Takai/ Tarcísio Moura)
V
Mero acaso, destino... Plano de Deus? Difícil dizer. Coisas assim não se explicam. Acontecem. Quando menos se espera...
Aurora da Vida
Só pra relembrar...
"Nosso loiro oxigenado, Hiyoga de Cisne, encontrou alguém importante..."
O que estará para acontecer, meu caro Robin?! Isso é que eu chamo de Bat-mistério!
Tá bom, tá bom! Chega de asneira. Vamos ao que interessa: o narrador! Eu, Ikky de Fênix: Não podia ser melhor... Forte, inteligente, cínico e... Bom, como a modéstia é uma de minhas qualidades, deixemos isso pra depois e voltemos à história.
- Eu sabia que te encontraria aqui uma hora dessas!
- Isaac??? Mas como voc...?!
- Eu sei, também achei que havia me deitado nos braços da morte. Mas um sonho ou um delírio podem mudar o rumo das coisas. Sabe como é: você abre os olhos e vê uma miragem, acha que morreu e está no paraíso cara a cara com um anjo e depois... Uma enorme dor de cabeça. Você apagou e quando acorda de novo, mar de um lado e você de outro. Sem um ferimento sequer. Se você encontrar alguma explicação racional pra isso, eu agradeceria muit...
Bem... Vocês conhecem a raça loira do pato na cabeça... Claro que a emoção predominou e Isaac foi interrompido com um abraço. Foi nesse momento que eu cheguei, junto com a bela ruiva de corpo alto e esguio e aquela gatíssima morena, irmã do ganso em questão. Nos aproximamos e notei que Hiyoga ainda estava meio nervoso comigo. Bianca cumprimentou-o com um invejável beijo no pescoço e o abraçou pela cintura para resfriá-lo.
- Oi! Não vai nos apresentar, Alex?
- Ah, estes são Ikky, Gabrielle e minha irmã mais nova, Bianca. Pessoal, este é meu amigo...
- Isaac, eu já sei, maninho. Prazer.
- Então você é a irmãzinha que ele achava que havia morrido?
- É...eu dispenso o diminutivo, mas ele achou mesmo que tinha se livrado de mim!
Que ninguém se atreva a perguntar o motivo, mas eu queria acabar com aquele clima de guerra entre eu e o Cisne e resolvi provocá-lo com uma brincadeira.
- Engraçado que o Isaac já soubesse sobre você e nós não... (Ikky)
Hiyoga ficou ao mesmo tempo que surpreso, meio sem jeito e Gabrielle caiu na risada.
- É tudo questão de confiança, Kíky!
Quem disse que eu liguei pra piada da Bia? Mesmo com aquele apelido patético do qual ela me chamara, o que pesava mais era não era o fato de ela ter se atrevido a dizê-lo, mas de piscar pra mim com aquele sorriso de derreter qualquer macho e trocar a cintura do Hiyoga pela minha... Como é que eu podia ligar pro resto? E pensar que eu queria matá-la...
Meu rosto ficou quente e talvez eu tenha ficado vermelho. Não era muito normal ter uma beldade daquelas tão próxima e além do mais... eu estava me sentindo meio caído por ela. Aquele olhar me deixava confuso, perplexo e por muitas vezes, sem a defesa de costume. Mas deixa pra lá, que já estou falando besteira.
- É né?! Fazer o quê?! Se o cara não confia na gente...
- Pronto, agora o Ikky vai ficar bancando o dramático, como se ele não fosse o mais desconfiado! Isso não era do seu feitio, Fênix... (Hiyoga)
- Bom, se vocês me dão licença, eu já vou indo. (Gabrielle)
- Pode deixar que eu vou com você. Não costumo ficar perto de pessoas que não confiam em mim, sabe?!
- Tudo bem, eu não fico com quem pretendia matar a minha irmã...
Não tinha jeito, até nas "patadas" a gente tinha que botar um pingo de rivalidade...
- Você vem, Bia?! (Gabrielle)
- Não, eu tenho que falar com o Alexei.
- Traidora. (Ikky)
- Alexei, posso falar com você? É rapidinho. (Bianca)
- Me dá licença um instante, Isaac?
- À vontade.
Ambos encostaram-se mais a frente, na beirada do cais. Isaac aguardava, ao mesmo tempo que feliz pelo amigo, vidrado com aquela visão de seus sonhos. Aparentemente, a Bianca mexia mais com as pessoas do que eu podia imaginar. Bem que eu notei que até pelo meu irmão Shun que é mais discreto, aquele par de pernas não tinha passado despercebido... (ou eu devo dizer os olhos pra ser discreto? Ele só admitiria os olhos mesmo...rs...)
- Ikky, eu vou embora! Eu não acredito que...! (Gabrielle)
- Chhh... Fica queta. Eu quero ver que rolo vai dar, o cara olhando pra ela com essa cara de peixe morto...
- Ai, eu mereço! Nem dá pra ouvir, agora que eles foram pra lá!
- Mas quando eles voltarem vai dar, então fica queta!
- Alexei, se o Isaac comentar algo sobre achar que me conhece, diz que é impressão, tá bom?!
- Por quê?
- Porque fui eu quem salvou a vida dele.
- Foi você?!!!
- Chh... Fica queto!
- Agora eu entendi o que o filho da mãe quis dizer com aquela história de miragem! Deixa ele comigo... Mas porque você não quer que ele saiba?
- Porque não. Bem... ele chegou a acordar e eu tive que...
- Entendi. "Tum!" na cabeça dele.
- Ai, seu besta... Vamos voltar antes que você tente outra piada sem graça!
- Pô, Alê, não me empurra!
- Vai me dizer que o primeiro nome dela é Alexia? (Isaac)
- Não, é Alexand...dra. Mas ela não gosta que a chamem assim! Pensando bem, eu vou atrás da Gabrielle pra ver se ela não precisa de nada! A gente se fala depois, Isaac! Passa lá na Fundação!
Até agora eu não sei se o Hiyoga é um pato, ou fez aquilo de propósito pra deixar a Bia se virar. Gabrielle a essa altura tava me biliscando pra ir atrás do Hiyoga, atrevida que só... por que ela não ia sozinha? Ela tava era de frescura, porque devia estar doidinha pra ver o que ia rolar.
- Depois de velho fica aí, fazendo gracinha. (Bianca)
- Não, ele não é assim. Com certeza isso é por causa de você. (Isaac)
- Tudo bem que eu só falo besteira, mas eu ser responsável por ele ir na minha...
- Não é isso. Quero dizer que dá pra ver muito bem que ele está muito contente, satisfeito por ter a irmãzinha dele de volta.
Tive a impressão de vê-la segurar uma lágrima, e Isaac voltou a falar.
- Já não nos vimos antes?
Nossa, que chaveco furado! O estranho foi ver que a Bianca ficou meio pálida com o comentário.
- Não, desculpe. Mas não esquenta, todo mundo acha que eu tenho um rosto conhecido.
Hum, até sei por quê! Imagine quantas cantadas furadas daquela, ela recebia por aí... O silêncio predominou entre ambos, que pareciam longe por alguns instantes. Ih, será que tava rolando um clima?
- Ai, se ele dá um beijo nela, tá ferrado na minha mão! (Ikky)
- Como é?
- Hu-hum, eu não disse nada.
- Ikky, eu não acredito que você...!
- Continua não acreditando que é melhor.
Isaac respira fundo e volta a encostar-se nas grades do cais.
- Você já sentiu... como se tudo tivesse recomeçado? Quero dizer, como se tivesse nascido de novo e desfrutasse... da aurora da vida?
- Já, Isaac. Já me senti assim. Faz muito tempo, mas ainda me lembro da sensação de liberdade.
- Você fala como se tivesse 200 anos, Bianca.
- Talvez eu tenha...
- Imagine! Não passa de 125!
- Você não sabe com quem está lidando, Isaac... Não tem idéia.
Mistério era o charme principal dela, devo adimitir.
- Queria voltar a sentir aquilo.
- Então provavelmente você precisa parar de se enganar e encontrar suas próprias verdades.
- É, talvez seja isso.
- Pronto, já caiu no chaveco do marina!
- Cala boca que eu quero escutar, Ikky!
Ai, Cristo! Tô falando que é outra louca?!
- Escuta, fiquei sabendo que o Julien também está vivo...
- É eu... Tive a infelicidade de encontrá-lo na praia.
- Pela sua cara, não foi tanta infelicidade assim...
- A questão nem é essa, é que... Sei lá, eu sempre tenho que ir embora, sempre dá alguma coisa errada que... E se o Hiyoga...
Ela aos poucos se abria com o amigo de Cisne, tomando-o emprestado neste momento. Parecia rendida pelo modo como ele pegava as coisas no ar e corajosamente admitia, mas ainda assim, ela parecia ter travado nas últimas palavras.
- Pode falar comigo, Bianca. Não sei se já percebeu, mas é muito mais fácil se abrir com alguém que não conhecemos. A gente fala o que acha que precisa falar e o outro não pergunta demais. Quanto ao que você disse, sabe... é só medo. Medo de dizer adeus, mas a vida é assim mesmo!
- Eu vivo decepcionando todo mundo, Isaac! A minha mãe, os meus amigos, o meu mestre...
- Aposto que eles não pensam assim. Aí deve ter outro medo no meio...
- Da solidão... do escuro que nela habita. Acho que da próxima vez ela vai me destruir, eu...
Bianca não conseguira segurar um lágrima que saltara teimosa de seu olho direito e encostou-se na grade.
- Desculpe. Olha só que droga, eu já estou te chateando!
- Pode falar. Já disse pra aproveitar enquanto sou um estranho...
- É que eu tenho... sei lá, medo da vida. Do que ela faz com a gente... das armadilhas.
- Isso não te torna diferente. Todos têm medo das mesmas coisas, Alexandra. Hãm, desculpa, Bianca. O que te torna diferente é a forma como seu coração responde a todos esses medos.
- Você acha mesmo?
- Claro. E você não precisa mentir pra si mesma com esse "Tive a infelicidade de encontrá-lo na praia". Seus olhos refletem algo inverso do que diz. Mesmo que sejam duas avelãs tristes.
- Você acha que sou triste por dentro?
- Acho.
- Bela pontaria.
- A gente faz o que pode. Como está se sentindo?
- Humilhada. No fundo do poço. Como se um estranho tivesse rasgado os meus segredos mais profundos. O pior é que ainda por cima, você me fez lembrar de um relógio batendo aqui dentro.
- No coração?
- É. Não posso ouvi-lo, mas sinto. Não sei o que ele faz aqui... Só sei que, de repente ele surgiu e começou a bater, bater, bater... a cada segundo, a cada instante. E eu nem sei o quê ou quêm lhe dá corda!
- O que ele faz aí é fácil: tenta abrir a prisão do seu coração, que você mesma parece ter construido. Ele bate porque quer sair, convencê-la de libertá-lo. E o que está dando corda nele com certeza é esse amor que está escondido aí dentro. Acertei?
- Já disse que você tem uma pontaria danada?!
- E olha que não sou nem arqueiro, nem atirador... – risos.
Eu e Gabrielle estávamos pasmos, com tamanha lábia do tal Kraken. Já Bianca, de repente sentiu que podia discutir sobre a vida com ele, sem entender por quê o fazia.
- Por que a gente é tão complicado, tão... confuso?
- Porque somos seres humanos, somos perfeitos. Por isso não nos entendemos. A complicação toda na verdade surge pela simplicidade: muitas vezes as respostas às coisas que nos acontecem são tão simples que a gente não se conforma e fica buscando um "porquê". A gente se complica e recomplica infinitamente e não chega a lugar nenhum, porque a resposta já foi encontrada há muito tempo e se quer notamos.
- Disculpa aí, mas você filosofou agora, hein?!
- Obrigado, obrigado! – disse Isaac em tom de brincadeira.
- O que você sugere que eu faça, filósofo-maluco?!
- Quanto ao Hiyoga, seja você mesma, não vai decepcioná-lo se não o pretende. Já o Julien...Vai à luta. Se ele está errado, faça-o compreender o erro. Se estiver sendo rápido demais, corte! Dê uns foras pra variar, banque a difícil. Mete a mão se for preciso! Dá umas sacudidas nele, pra que abra os olhos.
- Ah, falou em briga e dar um fora é a especialidade dela! (Ikky)
- Ikky?! Gabrielle?! O que vocês estão fazendo aqui?
- O Ikky ficou embaçando! E depois a conversa ficou tão interessante...
- Cê tá brincando que vocês ouviram tudo?!
- Desculpa aí, Bat-girl! "Não posso ouvi-lo, mas sinto. Não sei o que ele faz aqui."
- Ikky, vai se ferrar!!!
Coisas estranhas aconteciam com a chegada daquela morena: amizades à jato, confiança repentina, queda de máscaras... E eu pensando o quanto ela ficava bonita nervosa. Eu devia estar ficando louco, isso é coisa de se pensar da irmã do pato?!
- Pode ficar calma Bat-girl, eu não vou dizer nada, pra variar!
- A gente guarda seus Bat-segredos! O Fênix bancou o Batman-poste agora...Mas acho que pro Isaac sobrou de Robin-filósofo-maluco...(Gabrielle)
- Filósofo-maluco? Já vi que essa vai pegar.
- Vocês podem parar com esta história de Bat-girl e o Ikky de me espiar! Da próxima vez eu não fico só na ilusão, vê se fica esperto!
- Vai ficar na ilusão de quê, Bia? De ganhar um beijo? Precisa conseguir me agarrar primeiro!
- Pretencioso...
- Esquenta não, se você quiser, Bia, o meu é de graça! (Isaac)
- Pronto, tô sobrando! Bianca arrasando corações!(Gabrielle)
- É nada, os caras do mar é que são fáceis. (Ikky)
- Vocês três, querem parar com isso?! (Bianca)
- Não! – risos. (Isaac, Gabrielle e Ikky)
E assim, enquanto voltávamos à Fundação, percebemos o quão imenso era o nosso grau de afinidade em tão pouco tempo, o quanto estranhos podiam tornar-se amigos em poucas palavras (ou complôs). Depois de muitas risadas, passamos o resto do caminho calados, como se cada um estivesse pensando no quanto nossa amizade ainda se fortaleceria.
Mero acaso, destino, plano de Deus? Difícil dizer. Coisas assim não se explicam. Acontecem. Quando menos se espera...
CONTINUA...
N/A: Galera...esse capítulo é um clássico...eu simplesmente adoro ele...foi a Déia que escreveu e está fantástico!
Obrigado a todos e todas que mandaram as reviews para nossa queridinha fic...a Miracle Angels é a primeira e única em conjunto com 6 amigas...é quase lendária...aproveitem! Muita coisa vai vir por aí!!!
Pra quem já esta sacando os esquemas...calma que ainda terão muita surpresas...pra quem não sacou, não se preocupe, logo obterão respostas.
Estamos todas adorando essa torcida pelo Ikky...menos a Any, claro...ela quase me matou qdo eu disse pra ela que ele tava cotado pra Bianca...mas...enfim...o que vcs devem saber por enquanto...é que ele vai se dar muuuito bem...só não posso dizer...quando.
Bjos a todos!
Ephe
