(Save me now)
Aqui estou euNum lugar onde nunca estive
Sem amor
E com medo de que você
Não me deixe entrar Você veio para mimE eu comecei a perceber
Que os meus sentidos
Me deixaram à morte
Onde está minha forçaQuando eu preciso mais dela?
Diga-me o que você fez
Com minha cabeça
Salve-me agora
Das profundezas da minha paixão
Eu posso me afogar
No mar do amor e do isolamento
Eu te levo
Só se você
Salvar-me agora
Todo o tempo
Que eu desperdiceiDarei a você
E todo amor
Que eu nunca fiz
Farei para você
Nada seria
Mais chocante para mim
Do que dar a você um sabor
Do amor que eu escondo
Mas na minha condição
Estou totalmente perdido
Diga-me o que você fez com o meu orgulho(Eric Faster White/Andrew Donalds)
IV O Egoísmo e a SolidãoTudo estava acontecendo depressa demais...depressa demais...
"...Alexei...
B...Bianca... Não pode ser! Você... desapareceu..."
"...o que tem pra mim e pro Alexei?
Uma coisinha que, se não se incomoda, pediram pra deixar com ele"
"Eu sabia que te encontraria aqui uma hora dessas"
Isaac?..."
Voltava para a Fundação, quase correndo. Os pensamentos se chocando, as imagens vindo cada vez mais depressa. Tudo havia mudado de uma hora para a outra... uma irmã que já se tornara uma amiga, um amigo que era quase um irmão e... ela. A garota de cabelos cor de fogo, que tinha um temperamento quase inatingível e que me trouxe muitas lembranças...muitas! E que dizia que conhecia muito sobre nós... ela não sabe da metade do que aconteceu, não sabe da metade... Droga! O que está acontecendo?!!! Eu não consigo raciocinar direito! São como flashes... flashes de memória... é tão difícil explicar...
Cheguei à Fundação, mas não falei com ninguém. O assunto era o mesmo, a sua chegada. E eu não queria falar sobre isso e, sinceramente, sobre nenhum outro assunto... Me encostei perto da janela da sala e fiquei tentando organizar minha mente... foi quando eles chegaram... rindo, brincando, vivendo... e eu não sabia como, mas eles estavam felizes. Talvez não tenham muitas coisas ruins na cabeça para impedir isso, como no meu caso.
Ouvia as conversas, mas não prestava atenção. É como se eu estivesse em outro lugar, numa outra época... talvez em outro país... e, de repente, senti alguém tocar em meu ombro...
Ei, você está bem?
Ao me virar, deparei com um sorriso singelo num rosto de... uma desconhecida. E tanto eu não a conhecia como ela também não sabia o que acontecera comigo. Continuei em meus pensamentos, sem ligar para a pergunta que ela havia me feito.
Hiyoga, você não pode ficar assim só por causa daquele porta-retrato, ou pela sua irmã estar de volta. É difícil se lembrar? É. Eu sei que é. Mas...
Não, você não sabe. Não sabe de nada da minha vida e não pode falar nada pra mim porque eu nem conheço você, assim como você também não me conhece.
Hiyoga, eu...
Se você pensa que estou sofrendo com isso, aí eu posso dizer que acertou. E tenho todos os motivos para estar sofrendo. Afinal, meu pai morreu na guerra, minha mãe num naufrágio porque cedeu seu lugar no bote para mim! Minha irmã foi levada para outro orfanato e pensei que ela havia morrido, meu amigo foi tragado pelo oceano para me salvar e ainda tive de escutar dele que era tudo culpa minha numa batalha em que a morte era inevitável. E você vem falar, com esse seu jeitinho de que sabe tudo, que não é pra eu ficar assim?!!!! Garota você é uma desconhecida, não sabe de nada, não conhece nada e não sei o que veio fazer aqui!
A sala estava em completo silêncio e percebi o olhar congelante de Bianca sobre mim. Gabrielle estava em minha frente de cabeça baixa e eu com os punhos cerrados de tanta raiva. Como ela podia falar uma coisa daquelas? Ela não tinha idéia do que havia acontecido, não sabia do meu sofrimento e...
Já terminou, Hiyoga?
A voz embargada dela não me surpreendeu, o que me deixou surpreso foi o que veio depois...
Além de ser um metido, arrogante...Você é um egoísta!
Um abafado "o quê?" percorreu a sala, inclusive de minha parte. Eu não sabia o que dizer diante daquilo, ela havia me atingido em cheio. Mas eu não iria me deixar abalar por palavras de uma estranha...
Ao contrário de sua irmã que tranca todos os pensamentos naquela linda cabecinha, sua mente pra mim é um livro aberto.
Por um instante senti um calafrio percorrer minha espinha. Seu olhar simplesmente penetrou em minha alma e nada pude fazer. Eu me sentia simplesmente oco, vazio por dentro, com apenas um único sentimento a me dominar: o medo.
Eu te conheço, Alexei Hiyoga Yukida.
Foi uma sensação que nunca havia passado, como se ela fosse mais alta que eu, como se seus olhos ou sua própria mente entrassem em mim, como se as lágrimas presas em seus olhos fossem minhas. Só então percebi o que ela quis dizer, vi o que havia feito e o quão idiota tinha sido... mas não tive tempo de pedir desculpas...
Você machuca as pessoas com suas palavras! Com esse seu teatro de desespero! E nem se dá ao trabalho de perguntar se só você está sofrendo! Você simplesmente não raciocina na hora em que fala, não pensa! Aliás... você pensa, sim. Você pensa unicamente em você! Somente em você!
Sua voz se alterara e as lágrimas se desprenderam de seus olhos, denunciando tanto sua mágoa quanto sua sinceridade...
Olhe a sua volta Hiyoga... – ela disse gesticulando – você não é o único órfão aqui. Mas você já parou pra pensar na história deles? No que passaram? As vezes, e eu sei que foram, são coisas muito mais difíceis do que o que você passou... Você ainda tem sorte, Hiyoga! Ainda possui as lembranças de sua mãe, sua irmã está aí! Tem gente aqui que nem lembra do rosto da mãe!!! Que nem sabe quem foi o pai!!! E você... você se lembra, Hiyoga!
Eu não conseguia mais olhar em seus olhos, minha alma estava ferida por alguém que, surpreendentemente, conhecia todos os meus segredos. Todos a olhavam, provavelmente também feridos, e Saori não aguentou e acabou chorando. Bia tentava se segurar, mas eu bem sei que estava difícil. Gabrielle ficou um instante em silêncio e, baixando a cabeça, continuou. Falando quase num sussurro...
O que não entende, Hiyoga, é que sua família está aqui. Seus amigos são seus irmãos... você não está sozinho... Sofre com a morte de sua mãe? É lógico que sim! Mas eles também, e é por isso que são tão unidos, e é por isso que são uma família... Eu sei que estou mexendo com algo de muito pessoal, mas eu... bem... só me prometam uma coisa: todos os dias, quando acordarem, agradeçam por terem uns aos outros, tá? Mesmo...
Não sei bem se me surpreendeu, chocou ou comoveu... observando o belo rosto que me libertara, percebi algumas lágrimas a escorrer. Assim como as minhas, ou de qualquer outro presente. Mas não foi apenas isso, quando ela ergueu o rosto pra mim, em meio aquela total tristeza pude ver sua verdadeira face e senti ódio de mim mesmo por ter feito aquilo com ela... era a face da solidão...
Viu sua mãe ceder seu lugar no barco para lhe salvar, não, Hiyoga?
Baixei a cabeça, tristemente, em sinal de afirmação...
Mas você tinha alguém te esperando no continente: sua irmã. Que acabou de reencontrar...
Ela suspirou... a dor presente em seu olhar. Ela parecia não querer falar, parecia que era tão difícil... e só quando escutei é que entendi o porquê...
Porém, talvez seja mais difícil ainda, ver um pai dizer ao filho que o ama, para cuidar de tudo... antes de...de... uma das partes da ferragem atingi-lo... porque ele se atirou para lhe proteger...
Ela parou um momento, mas não mais conseguiu conter os soluços:
Ele falou que me amava antes de morrer... só que quando eu acordei não havia mais nada para cuidar, como ele tinha pedido... apenas um enterro para mais de 50 pessoas, de uma só família, despedaçada... porque um cara resolveu dirigir embriagado... E eu...
A voz não saía e ela encobriu o rosto com as mãos, tentando se esconder, tentando se livrar de tão tristes lembranças. Naquele instante, minha vontade foi abraça-la e pedir desculpas por tudo aquilo. Não era essa a minha intenção! Não queria jogar minha preocupação em alguém que nem... Como fui estúpido! Ela tem toda a razão em dizer que não penso ao falar, mas... foi a única a me dizer isso. Se alguém o tivesse dito antes talvez...
"Não quero que se culpe de nada, Hiyoga. Você é um ser humano e comete erros de vez em quando."
Levantei meu rosto e a olhei, ela sorria em meio as lágrimas...
Gabrielle...
Desculpem... Acabei falando até o que não devia... E... pense nisso, Hiyoga.
Ela simplesmente se virou calmamente, tentando enxugar o rosto, enquanto subia as escadarias. Dei um passo a frente, com vontade de ir até ela... mas minha irmã acabou chegando primeiro... Bianca barrou sua passagem na escadaria e olhou para aquela garota que ela conhecia tão bem como si própria...
Gabi, você... quero dizer... o meu irmão, ele...
Bia, me escuta. Seu irmão vai precisar muito mais de você do que eu. Eu já passei por isso e irei superar... como das outras vezes... Nesse momento é o seu irmão que precisa da sua ajuda.
Mas Gabrielle, depois do que ele fez, você...
Vai lá, Bia. O que eu quero agora é só ficar sozinha, tá?
Gabrielle desviou de Bia e continuou a subir, não olhou pra trás. Primeiro para esconder as lágrimas e depois, porque não gostava de olhar para o passado, apesar de tê-lo feito naquele instante... Quanto a mim, silenciei e fui olhar a tarde ensolarada na grande janela do salão. Não escutei sequer um comentário, apenas os passos de alguém que eu pensava conhecer, mas não conhecia... nem eu me conhecia... Bianca estava muito nervosa comigo, e eu já esperava uma discussão daquelas.
Hiyoga, olha pra mim!
Ela segurou meu braço e se colocou na minha frente, baixei o rosto. Tentando, inutilmente, esconder o choro de dor que eu derramava. Percebi que ela se surpreendeu, acho que pensou que eu não tinha entendido o que Gabrielle havia dito...
Porque ninguém me falou isso antes? Porque eu tive de machucar uma pessoa que não tinha nada a ver com a história para vocês me condenarem?
Hiyoga cada um deve perceber o seu erro por si só. (Shiryu)
Se você não se tocou, é porque não quis! (Seiya)
Alguém me falou que eu fazia algo errado, hã?! Alguém, um dia, me disse o quanto eu era egoísta? Alguém já falou o que sentia? Será que ela estava certa ao dizer que somos irmãos, se nem uma conversa sincera nós temos?!
Ei, Hiyoga! Quantas vezes eu já impliquei com você por causa disso, cara?
Certo, você implicou. Já falou sério alguma vez, Ikky?
Alguém já falou sério alguma vez??!!!
Alex, se acalma... (Bia)
Como, Alê?! Como?!! Sempre confiei em vocês, nunca pensei que pudesse estar magoando... droga!!! Porque não me falaram? Ela nunca me viu na vida e falou, nós que vivemos a vida inteira juntos somos cheios de segredos? É isso que é uma família?
Está fazendo de novo, Hiyoga.
O que, Shiryu?
Falando sem pensar novamente. Sempre fez isso, é da sua personalidade. Não adianta. Se você nunca percebeu, paciência...
O que tem que fazer agora é prestar atenção no que fala, cometer o erro uma vez é ser humano. Duas vezes já é burrice, Hiyoga.
Desculpa, Shun, mas você se enganou. Dessa vez eu estou pensando em cada palavra que estou falando. Estou sendo sincero ao extremo ao dizer que estou muito...
Não consegui continuar. Bianca me abraçou, a única pessoa a quem eu confiava meus segredos ali, minha irmã. Que naquele instante, parecia ser mais velha que eu. Saori se retirou da sala, não disse uma palavra durante aquela discussão e apenas escutamos a porta de seu quarto bater com força. O pessoal se dispersou lentamente, sobrando apenas um abraço apertado e um amigo no sofá. Bianca enxugou as lágrimas e olhou pra mim...
Você tem que pedir desculpas a eles por tudo o que você fez nesses anos, Alex.
Eu sei que sim, Bia. Mas é difícil entender o porque...
Eles não queriam te deixar nervoso, e muitos acham que você não iria acreditar. Eu sou um desses.
Você acha que eu não iria acreditar em você, Isaak?
Me surpreendi com as palavras de meu amigo. Será que eu era tão cego pelos meus sentimentos? A resposta eu sabia, mas não queria admitir...
Tenho certeza, Hiyoga. Principalmente na época em que treinávamos juntos. Você sempre mereceu o título de Cavaleiro do gelo, Hiyoga, sempre foi muito frio... Não acreditava em amizade, em amor, em nada... apenas na volta de sua irmã e na sua mãe. Só nisso! Foram precisos dois anos pra fazer você mudar um pouco, uma irmã para fazer você amar, e uma garotinha solitária pra te abrir os olhos. Será que agora você ainda pode se considerar tão forte como pensava ser, Hiyoga?
Ele se levantou e foi em direção à porta. Eu me encontrava imóvel, ele tinha razão...todos tinham razão, droga! E eu estava cego, cego por alguém que não irá mais voltar... Bianca me deu um leve beijo no rosto, apertou minhas mãos e não disse mais nada. Saiu a procura de algo para lhe distrair, com certeza. Ela, já tinha tantos problemas, e quando pensou que iria encontrar alguém que fosse mais humano...encontra um irmão que nem tem a humildade de perguntar se ela sentia saudades da mãe...
Isaac ainda se encontrava na porta e, antes de sair, disse...
Existe alguém esperando suas desculpas, Hiyoga. E ela as merece muito mais que qualquer um...
Fecha a porta atrás de si, antes da lágrima rolar... Sozinho num salão que eu não mais conhecia e com medo, um medo tremendo de que ela não aceite minhas desculpas... E, na verdade, o que eu disse foi apenas para tentar esconder de mim mesmo o que senti ao vê-la naquela manhã...
Subi lentamente as escadas, pensando no que iria falar pra ela. Tentando diversas palavras, gestos... mas meus pensamentos eram rápidos demais. Cenas da minha vida, desde o tempo em que vivia com minha irmã até a manhã deste dia, e então eu parava na cena dela... ela... e voltavam as palavras de desculpa.
Procurei em cada quarto da mansão e não a encontrei, foi no último deles. O que estava abandonado... o do Sr. Mitsumassa Kido. De princípio não quis entrar ali, nem a Saori entrava mais... porém, algo me disse que... Entrei... Dei um suspiro longo e profundo e o primeiro pensamento que me veio a cabeça foi:
Ela foi embora...
Um doloroso aperto no meu coração, tive vontade de chorar, era como se tivesse perdido alguém que conhecia a muitos anos e me senti estranho com isso. Fui até a sacada, onde as cortinas esvoaçavam ao vento e... espera aí! O quarto do Sr. Kido sempre fica...
...fechado...
Olhei pra cima, uma escada de cordas dava para o telhado... e lá estava ela: sozinha, chorando. Parecia falar com alguém...Subi as escadas lentamente, com a agilidade de um Cavaleiro de Athena, tentando de qualquer maneira não fazer barulho... então pude escutar...
...Pai... eu não vou aguentar, Pai!... preciso de ajuda, essas lembranças me perseguem! Não sei como me livrar delas!... o que eu faço?... me ajuda... eu sei que você está aqui sempre, Pai... mas é diferente... eu queria apenas um abraço... é, ela é minha amiga, sim, Pai... mas... não é a mesma coisa que antes, eu mudei e ela mudou também... é talvez eu fale isso porque não falei com ela só ainda... ah, Pai! Cada vez que olho pra ela... me lembro tanto!!! Porque conosco? Porque?! Será que fizemos coisas erradas?... mas então porque?... será mesmo que iremos aprender com todo esse sofrimento?... Eu não quis que meus pais morressem!!!... Não... eu não sei o que pode me ajudar...
Talvez, se eu pedisse desculpas a você, as coisas podem melhorar...
H...Hiyoga?!
Ela enxuga as lágrimas rapidamente e sorri pra mim com aquela carinha de moleca... outra pontada em meu coração...
Faz tempo que você está aí?
O suficiente...
Hiyoga...
Calminha, estou só pedindo desculpas por ter falado tudo aquilo pra você...
Não...
Por um instante pensei que ela não iria me desculpar, que iria me odiar pelo resto da vida e nunca mais iria olhar na minha cara! Mas, para minha surpresa...
Sou eu que devo pedir desculpas, Hiyoga. Devia ter, pelo menos, falado com você sobre isso em particular...
Você está errada. E outra: fui eu quem provocou a situação. Mereci aquele discurso todo, sim. E não se arrependa, afinal eu agradeço por ter me mostrado o quanto eu era mesquinho...
Pelo menos a discussão valeu de alguma coisa...
Dei um leve sorriso e ela pareceu sem graça. Estava tão abatida com tudo aquilo, parece que não via humor nas palavras simples que havia dito...
Desculpe minha sinceridade...
Sinceridade é uma virtude de poucos, uma grande qualidade...
E o pior defeito também...
Ela olhava fixamente para o belo pôr-do-sol que despontava no horizonte da cidade. Estava muito triste, mas percebi que não gostaria que eu fosse embora, não queria ficar só novamente.
Posso perguntar uma coisa?
Ela assente sem dizer nada, sei que tinha certeza do que eu iria perguntar e, de alguma forma, eu sabia que era isso que ela precisava falar...
O que aconteceu?
O suspiro que ela deu...tive a impressão que todo seu corpo doeu com aquilo... mas a dor não era física... devia ser tão difícil quanto pra mim falar sobre minha mãe...
Na véspera de meu aniversário fomos viajar... não só meus pais e meu irmão, minha família. Todos, sabe? Fretamos um ônibus, afinal, a família é grande!
Ela deu um sorriso forçado entre as gotas que mais pareciam ser uma extensão de seus tristes olhos...
Um motorista embriagado fechou o ônibus...
O acidente de que falou...
Ela assente tristemente... Nesse instante observo com ela o magnífico entardecer e acabo por perguntar:
Sobreviveu alguém?
Apenas eu...
Ela sussurra baixando a cabeça... e antes que eu pudesse falar alguma coisa, ela continua...
Entrei em estado de choque. Pois quando acordei... vi todos no chão... acontece que eu fui atirada pra longe, tive ferimentos leves....só que o ônibus explodiu...
É um milagre que estivesse viva...
Um milagre que eu odiei... Fiquei em coma induzido por uma semana. Quando acordei descobri que iria para um orfanato e...
Você não queria, certo?
É... não por ser um orfanato, mas por estar sozinha depois de me acostumar com uma família tão grande.
Não tinha amigos?
Ah, minhas amigas... mas eu não pensei nisso e até hoje gostaria de pedir perdão a elas por não ter ligado...
Você não foi para o orfanato, não é?
Não. Eu voltei pra casa.
O quê?
Voltei apenas para escrever uma carta e me atirar do vigésimo andar...
Você o quê???!!!
Quase cai pra trás depois dessa!!! é que...? Ela ainda deu risada da minha cara de espanto, daquelas bem cínicas ainda por cima! (Pelo menos serviu pra melhorar um pouco o ânimo da garota). Eu esperava tudo dela, menos algo assim tão...
Insano, Hiyoga?
É... mais ou menos...
Eu sou mais parecida com a sua irmã do que você pensa, viu!
Estou começando a perceber... mas, me diz uma coisa, como é que você sobreviveu? Eu não consigo entender!
Simples, é porque eu morri mesmo.
Eu não consegui nem pensar que era mentira. Porque não era. Ela falava sério, e eu nunca tinha acreditado em alguém como nela naquele instante... ficamos em silêncio por alguns poucos mas demorados segundos...
Eu sou uma Guerreira de Zeus, Hiyoga.
Um Anjo do Olimpo. Pensei que eles não existissem... pensei que não passava de uma lenda...
Não é. Eu sou uma prova que não é mentira.
Você é proibida de ver seus pais, não?
Sou... O Olimpo é feito de suicidas, Hiyoga. De gente que precisa ser perdoado mas que precisa pedir esse perdão pra poder entrar nos Jardins do Éden... antes disso eles precisam passar por provações... nós cometemos o maior dos pecados, Hiyoga... Enquanto não formos perdoados não teremos paz interior para nos juntar a Ele.
E... você acha que já foi...
Não... eu acho que ainda não... é muito cedo pra dizer e...
Algo estranho acontece... parece que consigo ler o que se passa na mente dela. Não sei se foi vontade demais de saber o que acontecia ou se... bem, o fato é que vi algo que ela me escondia e não me contive... como pode um lindo anjo sofrer tanto com algo que não precisava mais se preocupar e condenar? Interrompi sua frase e segurei seus ombros fazendo com que...
Ei, olhe pra mim!!!...
Percebi que ela ficou surpresa com minha atitude e foi quase impossível controlar o impulso de beijá-la ali mesmo e... o que eu disse? Será que estou... apaixonado? Não é hora de pensar sobre isso, Hiyoga! Volte à história!
...Você não tem culpa do que aconteceu, ouviu! E foi você que me ensinou que não temos culpa! Nenhum de nós! Você que me abriu os olhos para meu egoísmo e agora quero abrir os seus olhos para sua prisão!
Minhas palavras acabam por derrubar o mel de seus olhos, sendo que minhas próprias lágrimas estavam presas...
Você não está sozinha e nem vai ficar, Gabrielle! É por isso que você está aqui, para ter uma nova família!
Ela começa a soluçar sem que eu possa impedir, os olhos apertados tentando desesperadamente conter as lágrimas.
Você... disse que precisava apenas de um abraço...
Um soluço agoniado escapa, mais forte que os outros e não estou mais aguentando vê-la daquele jeito. Preciso fazer alguma coisa...
... serve o de um simples ser humano egoísta?
Ora... é lógico!...
Ela se atira em meus braços sem que eu precise pedir duas vezes e chora como uma criança desconsolada. Ficamos ali abraçados por muito tempo, nem sei o quanto. Apenas sei que quando descemos eu já havia avistado o Cruzeiro do Sul no céu escuro...
CONTINUA...
N/A: FINALMENTEEEEEEEE!!! Estou de volta a ativa!! Começarei com esse capitulo que estava meio que pronto já...só pra sossegar o facho de certas pessoas que me cobraram imensamente a continuação do MA...
Desculpem mesmo a demora!!! Estava com problemas de saude...e fim de ano na faculdade num é brincadeira...mas agora que entrarei de férias...(e definitivas, porque estou me formando!!!) vcs vão Ter que me aguentar...hehehehehe
Obrigado a todos e todas q me mandaram reviews!!! Espero poder ver mais comentarios seus por aqui!!! Valeu mesmo, gente!!!
Até a proxima!!!
