Disclaimer: Saint Seiya pertence à Masami Kurumada e a ele todos os direitos são reservados. A personagem Alexandra Bianca é de autoria de Déia, a personagem Gabrielle é de autoria de Ephemeron. Essa é uma fic feita em conjunto pelo Pervas Clan Incorporate – Ephemeron, Medéia, Shinzô, Najiah, Chiara e Sayuri. Música incidental: "Mapas do Acaso", Intérprete: Engenheiros do hawaí, Composição: Gessinger.

MAPAS DO ACASO

Não peça perdão, a culpa não é sua
estamos no mesmo barco e ele ainda flutua
não perca a razão, ela já não é sua
onda após onda, o barco ainda flutua
ao sabor do acaso
apesar dos pesares
ao sabor do acaso... flutua

Então, preste atenção: o mar não ensina, insinua
estamos no mesmo barco, sob a mesma lua
no mar, em marte, em qualquer parte
estaremos sempre sob a mesma lua
ao sabor da corrente
tão fortes quanto o elo mais fraco
ao sabor da corrente... sob a mesma lua

âncora, vela
qual me leva?
qual me prende?
mapas e bússola
sorte e acaso
quem sabe (?) do que depende?

IX-Pequena Princesa

Que título gay! Depois eu que sou boiola! Já vou logo dizendo que a idéia foi do Hiyoga! Depois minha armadura é rosa, eu sou sensível demais... Ninguém lembra que a armadura era pra ser do Ikky! E eu lá tenho culpa que Andrômeda era uma mulher?

Mas voltando ao que interessa, às cinco da manhã do dia seguinte...

Cansado de tanto pensar naqueles dias tumultuosos, Hiyoga decide ir até o quarto da irmã, depois da noite em claro. Um tanto quanto ferrado com o que ela aprontara, tratou logo de acordá-la.

- Bom dia, irmãzinha querida do meu coração!

- Alex, qual é?! São cinco da manhã...

Ele abre a janela do aposento enquanto Bia tenta cobrir o rosto.

- Dá só uma olhada nesse sol, Bia!

- Não...

- Vai, você até dormiu! E eu que estou acordado a noite toda?!

Hiyoga sentou-se na cama, puxando o lençol do rosto de Bianca.

- É o que dá ter uma irmã que pensa que é cupido! Sabe que a minha vontade foi vir aqui te xingar e derrubar da cama.

- Eu só quis ajudar.

- Hei, vai com calma, tá bom?! Eu e você mal nos conhecemos, agora. Eu mal conheço a Gabrielle... Por que tem tanta certeza que gosto dela?

- Ainda conheço você. E sei que ambos se gostam. Mesmo que ainda não saibam.

- Não tire conclusões precipitadas, meu amor...

- Do que você me chamou?

Apenas agora Bianca olhara pra ele e Hiyoga ficou sem jeito ao entender o motivo da pergunta. Nem ele percebera o que dissera. Ainda assim, de olhos baixos, sorriu por sua recente descoberta.

- Te chamei de meu amor... Bom, eu sou seu irmão, o que tem demais em...?

Imediatamente surpreendido com um abraço... Ele afagou seus cabelos e sussurrou-lhe um "eu te amo". A mesma criança, a mesma doce menina que apenas buscava por atenção e carinho, a seu modo. Sim, ele ainda a conhecia... Apenas perdera alguns fatos, mas era questão de tempo até isso mudar. Olhou firmemente para ela segurando-lhe os ombros.

- Seja boazinha, está bem?!

- Então me deixa dormir...

- Ah, pode esquecer! Você vai fazer café pra mim porque eu estou com fome e foi você mesmo que disse que não gosta de empregado. É o mínimo que você pode fazer depois dessa confusão!

- "Mim" não existe no meio de uma frase, Alex.

- Levante e faça café para seu irmão mais velho.

- E chato! Lindo. Mais muito chato.

- Pára de reclamar e anda logo!

- Ta bom! Mas não precisa ficar vermelho só porque eu acho você um gato, eu sou sua irmã, não vou te morder, rs.

Bianca levantou-se e mesmo sonolenta e com o cabelo desarrumado - agora parecidos com os do irmão por falta de pente, - ainda era uma visão de sonho. Havia alguma coisa naqueles olhos castanhos que... Não consigo definir, se eram mesmo os olhos, ou a maneira de olhar. Era hipnotizante. Ela parecia enxergar a pessoa por inteiro... Ao mesmo tempo, a maneira como aquelas esferas marrons dançavam de um lado para outro, suplicavam ajuda, como se quisessem revelar um grande segredo, ou grandes segredos. Tristezas e incertezas que um coração de menina ainda não superara. Resumidamente, Bianca esbanjava mistério e isto mexia com nossos sentidos, nos fazia querer protegê-la, consolá-la. E com Hiyoga a sensação só era mais forte.

Era exatamente nisto que ele estava pensando enquanto Bia se trocava no banheiro. Ruminando as palavras da irmã na noite anterior, indagando-se sobre o tal Dennys, sobre os erros que mencionara. Assimilar todas aquelas coisas em tão pouco tempo não era missão fácil. Queria saber mais sobre a irmã, sobre os anos em que passara sozinha. Mais ela ainda estava tão trancafiada, tão presa... Queria saber, queria ajudar, mais mal a conhecia e talvez fosse cedo demais.

- Pronto loira nervosa! Tô indo fazer seu café! Vossa majestade prefere ovos-ingleses ou torrada-francesa?

- Gracinha! Eu é que deveria estar reclamando, depois do que fez.

- Ai, você não aceita brincadeira? Deixa de ser velho!

- Cupido de meia tigela!

- Chato.

- Intrometida.

- Mal agradecido.

- Preguiçosa.

- Folgado!

- Dorminhoca!

- Vingativo!

Assim, ambos desceram as escadas brincando como uma família de verdade, ao menos até onde podiam ser, depois de dez anos de separação e apenas dois dias de convivência. Todos ainda dormiam e enquanto Bia preparava o café, meio atrapalhada com o lugar, Hiyoga ditava um longo monólogo. Bia estava com muito sono pra falar - tinha saído com a moto e voltara minutos antes de Hiyoga lhe chamar. E este, não parava de tagarelar pelo desejo desesperado de conquistar a confiança da irmã e ficar mais próximo o quanto antes. Era quase engraçado vê-los juntos ali naquele momento: um mais inseguro que o outro, querendo reconstruir um vínculo tão antigo...

- ... Resumindo: tem idéia de como é ficar acordado a noite toda?

- (...)! Você nem sabe o quanto...

Terminando de servir o café, ela desabou na cadeira de frente ao irmão e apoiou o queixo na mão direita.

- Posso voltar a dormir agora?

- Não. Você vai me fazer companhia. Além do mais eu tenho que te dizer o que achei do seu café.

- Nossa! Que cheiro delicioso! Vejo que os dois irmãos acordaram cedo.

- Fazer o quê...

- Bom dia, Gabrielle. Como passou a noite?

- Muito bem, obrigada. E vocês?

- Mais ou menos...

- Muito mal na verdade.

- Mas o que foi que houve para um estar caindo e a outra desabando?

- Nada, Gabi.

- Nada mesmo. Sente-se. Aproveite que o café é da minha irmã e se quer saber está ótimo.

- Posso saber o que você quis dizer?

- Que imagino que você não seja muito amiga da cozinha, estou errado?

- Que legal!!! E depois de tudo, tenho que ficar escutando essas coisas! Você está errado, sim!

- Calma, gente. Não era pra brigarem por isso.

- Tudo bem, o Hiyoga sempre foi implicante.

- E você uma pentelha!

- Ao menos vocês tem um ao outro pra brigar.

Um golpe traiçoeiro e inconsciente. O clima ficou meio pesado com o comentário. Hiyoga ficou de olhar vazio na direção do relógio, imaginando o quanto Gabrielle sofrera por sua perda em comum e também pela perda que não compartilhavam. Ela fazia parte de seus pensamentos a mais tempo do que admitia, e como Bia, era um mistério triste pra ele. Bianca pensava na mãe. O rancor era forte, e a inveja que tinha de Hiyoga por ser o preferido, tornara-se uma espécie de admiração. Hiyoga era seu herói e exemplo, mas ficava muito triste quando se lembrava que jamais seria como ele, e mesmo que conseguisse ser algum dia, já era tarde demais para que a mãe lhe amasse. Gabrielle, sentida com o efeito da própria frase, também estava séria. Não tivera intenção de estragar a felicidade dos dois e fazê-los reencontrar seus próprios fantasmas. Acabara insinuando que não tinha mais um irmão pra brigar e que até disso sentia saudades. Era insuportável olhar para seus olhos vazios e a culpa era toda sua.

- Me desculpem por isso, eu não quis...

- Esquece, tá tudo bem. (Hiyoga)

- Desencana, Gabi. Você tem razão.

Hiyoga respirou fundo fugindo dos devaneios e colocou a mão direita sobre a de Gabrielle. Bia sorriu melancolicamente, decidindo não implicar.

- Hiyoga, por que não vamos dar uma olhada no apartamento que lhe falei?

- Pode ser.

- Então eu vou pegar minha bolsa e volto já. Podem terminar o café enquanto isso.

- Mana, você não comeu nada.

Bianca pegou uma maçã e mostrou a ele, dando uma mordida antes de se retirar.

- Quer dizer então que a mudança é pra breve?

- É... Ela não tem se sentido bem morando aqui e... Acho que devemos seguir nossas vidas, agora que estamos juntos outra vez.

- Vai ver ela não gosta de morar com muitas pessoas.

- Imagine, ela adora uma bagunça. O que a incomoda é a freqüência com que o Julien pode vir aqui e além disso... por mais que eu deteste admitir, ela não gostou muito da Saori e nunca curtiu muita mordomia.

- É difícil se sentir a vontade com a Saori se não a conhece bem, não a condene por isto. Não acha que ela está demorando pra encontrar a bolsa?

- Depois de ontem... Acho que ela só queria nos deixar sozinhos pra conversar sobre a confusão.

- Engraçado, que não vejo sentido, Hiyoga. É verdade que fizemos uma grande amizade mais que depressa, mas... Mas é só isso! E não foi apenas com você que aconteceu esta amizade à jato. Foi uma brincadeira estranha. E extremamente desconcertante.

- Minha irmã é estranha. Mas foi desconcertante mesmo, não entendo também. Acontece que a Bia sempre teve mania de achar que sabe de algo antes de admitirmos, ela deve ter suas razões. Mas ainda não sei quais são.

- E nem eu. Tá afim de ver jornal na TV?

- Silenciosamente fugiram do que estavam prestes a descobrir e dirigiram-se até a sala de vídeo.

- Mano, você não viu onde eu deixei minha bolsa?

- Não, paixão. Eu não vi.

- Eu adoro quando você fala assim comigo, mas eu acho que desisto e vou dormir.

- Bia... Volta.

Bianca recuou fazendo bico, observando Hiyoga e Gabrielle sentados no chão, divertidos com a cena. Acabou atendendo o pedido do irmão e então deitou em seu colo, surpreendendo-o novamente. Com um sorriso quase paterno, Hiyoga acariciava-lhe os longos cabelos, até perceber com o tempo, que ela adormecera. Decidiu colocá-la na cama e ir ver se fechava o negócio do Apartamento.

- "Hoje fazem dois anos que um terrível acidente de ônibus matou uma família inteira, levando a sua única sobrevivente, uma jovem de quinze anos, a suicidar-se pulando de um prédio de vinte andares, chocando países do mundo inteiro. Aqui vai a nossa homenagem a esta família brasileira que..."

- Gabrielle?

- Hum?!

- Quando a Bia acordar você avisa que já fui?

- Claro, aviso sim. Hiyoga?

- Sim?

- Vocês formam uma bela família... Agradeça a Deus por isto.

- Sempre agradeci. Só Deus sabe a falta que ela me fez... Além disso, mulher ou criança, rebelde ou carente, me sinto responsável por ela. Estou feliz que aquele ar de durona seja só máscara, mas também fico preocupado com o que ainda não sei.

- Não se preocupe. Com o tempo vai descobrir.

O dia passou depressa e a tarde bastante tumultuada para os Yukida. Fechado o negócio, no dia seguinte mesmo já começaram a levar os poucos pertences sem aceitar qualquer tipo de ajuda. Nem mesmo Isaac que morava no aptº térreo foi autorizado a ajudar. Estava claro que a animação e pressa se deviam a grande virada de suas vidas e estavam se curtindo muito mais do que imaginavam. Ambos discutiram a tarde toda. Um gritando com o outro, sem parecerem realmente irritados, mas nervosos. Não brigaram entre si, mas contra si; contra os próprios medos e inseguranças, contra suas milhares de expectativas sobre aquele recomeço.

Mas o destino é sempre tão certeiro... Isaac recebera a visita de Julien e estavam conversando animadamente por horas. Até o presente momento, Isaac conseguira esconder que Bianca estava de mudança pro andar superior do sobrado, mas como eu disse, destino é destino...

- Bom, eu preciso ir. Vou para uma reunião com a Direção de Arte da empresa, discutir uns detalhes sobre...

- Hiyoga, seu Filho da p...!

Bianca perdera o equilíbrio, e descia as escadas de costas, tentando não derrubar a caixa que segurava e Julien só teve tempo de segurar-lhe com o corpo e os braços em torno de sua cintura para apoiar a caixa. De onde estava, tão perto da garota mais linda que conhecia, Julien podia sentir o cheiro adocicado de seu perfume e um aroma suave de rosas vindo de seus cabelos, o que o fez perder o fôlego.

- Você está bem?

Só então percebeu quem a segurava e suas pernas bambearam. A respiração que sentira no ouvido era de Julien e um arrepio percorreu-lhe por toda a espinha ao sentir o calor de sua voz tocar-lhe o pescoço.

- E-estou...e-estou ótima.

Percebendo que ambos estavam paralisados, Isaac retirou rapidamente a caixa que seguravam e subiu as escadas. Hiyoga que vinha descendo, acabou sendo empurrado bruscamente para dentro.

- Entra, entra logo!

- Caramba, Isaac precisava tacar essa caixa no meu estômago?! Que aconteceu?

- Chhh! O Julien ta aí e acabou de segurar sua irmã.

- O quê?!!!

- Chhh! Calma, Alexei! Ela estava caindo, o que ele podia fazer?

- Eu vou acabar com a festa daquele cretino, eu vou...!

- Hiyoga! Você não vê que sua irmã é louca por ele?! Deixa eles se entenderem, "catzo"! Ele também gosta dela de verdade!

- Isaac, eu não estou gostando desta história.

- Confia em mim... Só dessa vez, ta legal?!

No térreo, Julien pousou as mãos sobre a cintura de Bia, ainda sob o efeito hipnótico que ela lhe causava. Antes que se entregasse ao que sentia, Bianca desvencilhou-se de seus braços e virou-se para olhá-lo nos olhos contendo uma frase entre os lábios. Desviou o olhar em seguida e abaixou-se para pegar um chaveiro que caíra. Sentiu que alguém tocara sua mão e notou que Julien também abaixara para pegar o objeto.

- Obrigada. Já está tudo bem.

Uma cena típica. Sua voz era quase um sussurro e seus olhos tinham um brilho estranho ao fitá-lo, como se estivesse prestes a chorar. Tão linda e tão triste... Queria tanto salvá-la de si mesma... Poderia beijá-la naquele momento se soubesse que ajudaria, mas algo lhe impediu de fazê-lo.

- Não tem de quê. Pode cair em meus braços sempre que quis...

Pensara alto demais, não percebeu a tempo de evitar. Antes que pudesse se desculpar, levara um tapa de Bianca, que já começara a subir as escadas. Segurou-a pela mão, controlando seu desejo de tê-la nos braços e tocar-lhe os lábios e Bianca virou-se com ar furioso.

- Desculpe perguntar, mas você... Mora aqui com seu irmão?

- Agora moro. Mas não por muito tempo, detestei a vizinhança.

- Hum... Aquela doeu. Foi como um "eu te odeio, me deixe em paz e vê se desaparece".

- Tentarei não perturbá-la, Alexandra. Mas acho que nem eu mesmo tenho controlado meus atos ultimamente...

Já no apartamento...

- ISAAC TROTSKI BOTTICELLI!!!

- Como você sabe meu nome?(...) Ta legal, eu fiz o possível! Como eu podia saber que você ia cair da escada justo quando ele estava saindo?

- Droga, Isaac! Precisava ter sumido, me deixando nas mãos daquele...

- Nas mãos, não. Nos braços.

- Eu te odeio, Isaac! E você Hiyoga?! Por que você não fez nada?

- Eu ia Alê, mas o Isaac...

- Por quê, Isaac? Por quê?!

- Por que eu adoro você. Desculpe se fico tentando ajudá-la a ser feliz pra variar.

- O q... o que disse?

- Que te adoro, Bia. Me importo com você. Não porque é a irmã do Hiyoga, mas porque é Alexandra Bianca Yukida, uma garota maravilhosa que acabo de conhecer, com uma alma pura e tão transparente que posso ver através dela!

- Tão linda e tão triste... A pequena princesa deixara as lágrimas rolarem sobre a delicada face, enquanto Hiyoga fitava-os com pesar.

- Isaac...

- Desculpe, Hiyoga. Mas é que... Apesar de tudo... Acho que Julien pode ajudá-la.

- Não se meta nisso, por favor.

- Bianca percebeu duas fotos nas mãos do irmão e puxou-as bruscamente.

- Eu... ia te perguntar quem são eles...os rapazes e o garotinho.

- Por favor, não se intrometam. Agora não. – e escorregou melancolicamente até o chão. – Eu ainda sou uma estranha, convivendo com estranhos com milhões de perguntas e tudo que quero é voltar pra casa, mas nem sei se tenho uma.

- Tem sim, Bia, é só olhar em volta. (Hiyoga)

- Hiyoga, eu vou descer e deixá-los.

- Não, por favor, fique. Você... Cuidou de meu irmão por tanto tempo... Salvou a vida dele, eu... Serei eternamente grata. E obrigada por dizer que se importa.

- Não agradeça por um sentimento que alguém tem por você. Além do mais... Lembrei que foi você que salvou minha vida, então acho que estamos quites, entende?

- As fotos... Estavam por cima da caixa, eu não queria...(Hiyoga)

- Só não façam perguntas demais... Ainda não.

Ambos sentaram-se ao lado de Bianca, Isaac segurando uma de suas mãos e Hiyoga com os braços em torno de seus ombros afagando seus cabelos.

- Vamos cuidar um do outro agora, princesa, você vai ver. (Hiyoga)

- Não precisa fingir que não tem problemas, Bia. Todos nós temos. (Isaac)

Bia levantou-se num salto, parecendo ter uma súbita lembrança que a fez esquecer de seus próprios problemas, imediatamente enxugando as lágrimas.

- Isaac, senta naquela cadeira ali.

- Nossa, que foi?!

- Já que você descobriu que eu te salvei, deixa eu terminar o que o mauricinho interrompeu.

- Espera aí, agora eu também não entendi do que você tá falando, mana.

- Minha missão era salvar o Isaac, não o Julien. Só que ele apareceu no meio do nada e atrapalhou tudo! E o Isaac não podia me descobrir, aí ferrou de vez. Mas agora que já sabe, senta logo naquela cadeira!

Isaac sentou-se, sem compreender ainda e trocando olhares de interrogação com Hiyoga, que também estava boiando tanto quanto ele. Bianca aproximou-se e ficou de pé ao lado dele.

- Mas o que foi que você não acabou? Se for pelos parafusos a menos pode deixar assim, rs.

- Pára de fazer piada e fica queto. Agora fecha o olho.

- O seu irmão ta aí, sabia?!rs

- Pretencioso que nem o Ikky, fala sério! Fecha esse olho logo.

- Hiyoga se ela for me bater, você vai me avisar, né?!

- Faz logo o que ela ta te pedindo, que até eu já to curioso!

Isaac fechou o olho, ainda rindo. Bianca pareceu concentrar-se. Fechou os olhos por um segundo e friccionou uma mão na outra por algum tempo. Abriu-os e assoprou uma espécie de ar gelado sobre as mãos. Hiyoga a observou intrigado, ainda encostado na parede, mas não a interrompeu. Ela fechou os olhos outra vez e colocou uma das mãos sobre o ombro de Isaac. Ele e o amigo então sentem o cosmo dela se elevar, porém desta feita quente e acolhedor, preenchendo toda a sala. A mão direita dela toca o olho invalidado de Isaac. Ele teve um leve sobressalto, pela sensação gélida do toque dela sobre sua pálpebra, mas logo sentiu uma onda de calor vinda da mesma mão delicada. Ele fez menção de que ia fazer uma pergunta, mas ela o interrompeu.

- Chhh...

Aos poucos, a temperatura sobre sua cicatriz aumenta consideravelmente. Isaac contém um gemido de dor e faz uma careta, ao ter impressão de que sua pele queimaria. Hiyoga pareceu compreender finalmente, mas ficou preocupado com tamanho gasto de energia. Procurou, no entanto, não interromper quando ouviu a irmã murmurar algumas palavras que pareciam uma espécie de mantra. A sala ficou mais quente e seu cosmo elevou-se ainda mais. A tarefa parecia exigir-lhe toda concentração e força que possuía. Nenhum dos outros dois se mexia, tentando colaborar com todo aquele seu esforço. Por fim, a temperatura caiu bruscamente e ela abriu os olhos, parecendo meio hipnotizada e distante. Inclinou-se e soltou as mãos que estavam sobre o amigo. Antes que ele pudesse se mexer ou questionar, ela assoprou de leve sobre a pálpebra marcada pelo seu ato heróico de outrora e ele pôde sentir que ela lançara um pouco de neve sobre ela. O cosmo desapareceu, e seus olhos voltaram a ter o brilho de antes.

- Veja se consegue abrir os dois olhos agora, Isaac.

Sua voz era suave, fraca e ofegante, mas extremamente carinhosa. Meio sem acreditar que conseguiria fazer o que ela lhe pedira, Isaac se esforçou. Para sua surpresa, a pálpebra cedeu com facilidade e ele abriu os olhos. Inicialmente, foi preciso fecha-los de novo, tão forte lhe pareceu a luz. Da segunda vez, tudo anuveou-se. Mas aos poucos, a vista foi desenbaçando e ele pode finalmente fitar o belo sorriso daquela que lhe segurava uma das mãos.

- Está tudo bem?

Ele piscou várias vezes, parecendo não acreditar que via com ambos os olhos novamente. Pôde observar que Hiyoga estava ainda grudado ao chão, chocado e com lágrimas nos olhos.

- Eu posso... meu olho está...

- Sim, acho que consegui desta vez.

Ele ria-se, tentando assimilar a notícia.

- Bia, eu nem sei como...

- A dívida era minha. Você livrou o loiro daquela correnteza maldita e por pouco não morreu por isso. E sei que nem mesmo se importava com esse risco. – por mais que disfarçasse, era nítido que ela tinha dificuldade em falar.

- Minha nossa... Não me leva a mal por isso mas, você é alguma espécie de bruxa? rs...

- Não é a primeira pessoa que me diz isso, rs. – ela fica dispersa por alguns segundos, parecendo se lembrar com muita saudade de uma época de sua vida, ou de alguém... Mas foge do devaneio, meio assustada. - Seguinte: quero os dois de bico fechado sobre isso.

- E por que, irmã? É um poder tão... abençoado, pode ser útil pra tantas...

- Não, você não entende, não posso. - ela respirou fundo, parecendo muito cansada.

- Por quê? Vai ficar difícil depois que eu aparecer assim e...

- Não posso ficar usando essa técnica pra qualquer cois... – ela segurou no encosto da cadeira, parecendo fraca. Isaac segurou seu braço.

- Tá tudo bem, Bia?

- Huhum. – ela fechou os olhos e respirou fundo.

- Mesmo?

- Só me trás um pouco... de água.

Hiyoga correu para buscar e Isaac levantou-se para dar lugar a ela na cadeira, mas antes que pudesse encostá-la no móvel, ela desvaneceu. Isaac a segurou em seus braços e gritou por Hiyoga.

- Hiyoga, volta aqui depressa!

Ele voltou correndo e ajudou-o a apoiar a irmã.

- Ela desmaiou, o que a gente faz?

- Com toda a energia que usou, deve ter gasto toda a força que tem, vamos encostá-la naquele sofá.

- Então ela podia ter...

- Podia.

Hiyoga fez uma careta preocupada e colocou a mão sobre a testa dela, medindo seus batimentos cardíacos pelo pulso. Alguns segundos depois, ele solta o braço dela e respira fundo, parecendo mais aliviado.

- Acho que foi só um susto. Deixe-a aí um pouco e fique de olho nela. Eu vou trazer as outras coisas que ficaram lá embaixo e quando ela acordar a gente dá um pouco de água pra essa maluquinha.

Cisne observa a expressão fechada e distante do amigo, que encontrava-se visivelmente preocupado e por que não dizer, sentindo-se culpado pelo que acabara de ocorrer.

- Fica tranqüilo, Isaac ela parece estar bem, o risco já passou...

Dizendo isto, lhe sorri suavemente, procurando tranqüiliza-lo.

- Pra ter se arriscado assim, minha irmã deve gostar muito de você e com certeza não é por minha causa.

Deixando o amigo com esta verdadeira "bomba" nas mãos, Hiyoga desceu as escadas. Isaac ainda encontrava-se envergonhado pelas últimas palavras do companheiro. Sentou-se ao lado de Bianca, que agora parecia ressonar profundamente. Aquela garota definitivamente mexia com seus conceitos, crenças, raciocínios, sonhos, culpas, sentimentos... Sorriu agradecido, ao vê-la dar um suspiro profundo e ajeitar-se no móvel. Não sabia dizer até que ponto era realmente com Julien que ele desejava que ela ficasse, mas sabia que desejava simplesmente vê-la bem. Como todos nós, ele também podia enxergar toda tristeza e beleza interior escondidas em seus olhos castanhos impetuosos e desejava, do fundo de sua alma, vislumbrar algum dia em sua vida, a verdadeira alegria daquela menina, de maneira mais palpável e real.

Provavelmente o amor não seria a solução de tudo que estava encoberto em seu passado, mas com certeza a ajudaria a cicatrizar algumas feridas e aos poucos pudesse trazê-la para o mundo real, para o lado de fora; que ela tanto evitava encarar.

Isaac deu-se conta que acariciava seus cabelos já há algum tempo e sorriu novamente. Acabara de conquistar uma grande amiga, dotada de um coração enorme e impulsivo. Em seu íntimo, começava a desejar muito mais que uma simples amizade, mas realmente aquilo não era o mais importante, pois poderia muito bem sentir-se satisfeito com a realização da felicidade daquela menina-mulher, aonde e com quem quer que este sentimento estivesse. Talvez o que o desconcertasse tanto em Bianca, além da bondade e sinceridade que via naquele olhar penetrante, fosse aquela preocupação com o sofrimento alheio, aquela incrível afinidade que sentia, aquele poder que ela tinha de compreendê-lo com um olhar apenas, de despertar seu lado brincalhão e abobalhado há tanto tempo submerso pelas amarguras de sua vida. Sim, ela lhe transformava numa verdadeira criança grande, que demorou para reconhecer-se em si mesma depois de tantos anos adormecida pela dor de um cavaleiro.

- Obrigado, menina...

Uma lágrima rolou por sua face após aquele sussurro e ele beijou a testa da amiga adormecida, procurando conter a emoção que sentia.

- Você curou muito mais do que um olho ou uma cicatriz de meu rosto...

Finalmente estava livre... Respirou fundo, enxugando as próprias lágrimas com as costas da mão. Uma enorme sensação de paz o atingiu, e ele soube que poderia finalmente viver sua própria vida. Graças àquela garota maluca, ele conseguira enfim, ser capaz de perdoar seus próprios pecados... Perdoar suas falhas, maldades e atrocidades de outrora... Sentia finalmente, que poderia seguir seu caminho e continuar a auxiliar Julien Sólon a reconstruir parte daquilo que destruíra, com a consciência um pouco mais aliviada. De alguma maneira, ela conseguira mostrar-lhe que não era o monstro que vinha se julgando há tempos, mas simplesmente humano... E passível de erros... No calor do momento, realmente cometera um grande engano. Mas a morena o convencera com um simples olhar, que foi tentando acertar, que tudo ocorreu. E o que é, se não tentar acertar, que fazia de um ser humano, algo tão especial?

- Espero também um dia poder ajudá-la a se libertar, ou a encontrar alguém que a liberte...

Alexei acabara de entrar na sala novamente, carregando várias caixas empilhadas que depositou no canto da porta. Percebeu de imediato os olhos marejados de Isaac e não conteve o sorriso, sabendo que a atitude impulsiva da irmã o fizera finalmente compreender que devia se perdoar por tudo. Aproximou-se em silêncio e apertou o ombro do amigo, como que para tirá-lo dos devaneios e demonstrar seu apoio.

- A cor dela está voltando pelo visto...

Isaac nem mesmo desviou o olhar e ainda afagando os longos cabelos de Bianca, consentiu com um aceno.

- Ela estava três vezes mais pálida que isso...

Bianca suspirou e suas faces abrandaram-se mais.

- Vou pegar um copo de água, creio que logo desperta. (Hiyoga)

- Huhum.

Hiyoga apertou o ombro dele com mais força antes de se afastar. Como previsto, mal Hiyoga voltava com a água e a irmã entreabriu os olhos devagar e com certa dificuldade. Piscou algumas vezes e olhou em volta, tentando lembrar-se de como fora parar ali. Corou um pouco, quando conseguiu raciocinar e sentiu-se envergonhada pela fraqueza. Tentou explicar-se, mas sua voz saía muito mais baixa e devagar do que esforçava-se para fazê-lo.

- Hm... acho que eu apaguei, né?

- Huhum. Faz um tempão que está aí. Achamos melhor deixá-la se recuperar, você se esforçou demais.

Ela fechou os olhos devagar, sentindo o toque quente e reconfortante da mão de Isaac sobre sua testa retirando algumas mechas de cabelo que lhe caíam ao rosto. Sorriu agradecida pelo gesto e tentou abrir os olhos outra vez, mas ainda não conseguia fazê-lo por completo.

- Se o Mu souber disso, ele me mata...

- Não se eu puder impedir. (Isaac)

Isaac lhe sorri e ela sente seu rosto corar. Hiyoga mede novamente a temperatura da testa da irmã, verificando se a temperatura baixara.

- Como se sente? (Hiyoga)

- Estou bem... – ela suspira tentando recobrar suas forças. – É que essa técnica não é o que posso chamar de minha especialidade... desculpem pelo vechame.

- O importante é que está bem agora. (Isaac)

- É que... a técnica que o Mu conhece é diferente e ele nunca quis me ensinar, e essa exige um pouco mais de esforço. – Bianca engole seco. Fazia um esforço tremendo para se comunicar e voltar a si. Nunca lhe pareceu tão difícil pronunciar poucas palavras e elas nunca lhe soaram tão lentas e sussurradas. Isaac pareceu notar seu esforço e apertou-lhe uma das mãos.

- É uma técnica sua, então? Você a inventou? (Isaac)

- Não, eu... Descobri tem algum tempo... Foi como se eu sempre soubesse. Creio que seja alguma memória remanescente da Rainha.

- Rainha?

- Ah, é mesmo, Isaac. Minha irmã nos contou que é reencarnação da Rainha da Neve.

- Rainha da Neve... de onde eu já escutei esse nome? – Isaac fitou Hiyoga por alguns segundos, finalmente desgrudando os olhos da amiga.

- Lendas da Sibéria. Você deve se lembrar das noites que passávamos ouvindo e contando histórias de terror.

- Rs, se me lembro.

- E de como o Kristal acabava com a festa quando resolvia contar as histórias da...

- Noiva da morte, claro! Como fui esquecer disso...

Um ar nostálgico transpassou pelo olhar de ambos, como se pudessem tocar com as próprias mãos, cada segundo de sua infância juntos, recordando-se de como tudo era muito mais simples em suas vidas naquela época. Bianca fez uma careta, pois não compreendia do que estavam falando.

- Hein? (Bia)

- Na Sibéria é assim que a chamam, Bia. Por causa de algumas histórias sobre o triste fim daqueles a que ela guiou. E a sua palidez e trajes brancos lhe caíam bastante fúnebres ao nome, ótima para assustar garotos que enrolavam pra ir dormir, rs.

- Mas então... Você carrega mesmo uma dolorosa máscara, assim como Gabrielle.

Novamente a nuvem. A nuvem escura e cinzenta que tanto perseguia aqueles delicados olhos estava de volta. Isaac sentiu uma pontada no coração, arrependido por tocar no assunto. Ela baixou o olhar e suspirou, afagando a mão que a segurava com um sorriso.

- Esquece isso, Isaac.

- Céus... Aquela que nos dá poder está com você, Bia! Então a Shiv...

- Eu não me arriscaria a pronunciar o nome dela, Isaac. Podem ser só bobagens, mas ainda assim prefiro garantir nossas vidas.

- Tem razão, não acredito em bruxas, mas que ela existem, existem... Mas talvez já seja mal presságio o bastante o fato de ela estar entre nós...

Hiyoga sentiu um arrepio percorrer-lhe toda a espinha com aquelas palavras, pois era o mesmo receio que vinha escondendo desde que a irmã revelara-se. Mas não quis que ela compartilhasse daquele medo, pois sabia que já devia ser assustador o bastante ter a mestiça banida do Olimpo consigo e carregar o fardo do Cruzeiro do Sul.

- Não seja pessimista. Acha que já pode se sentar, mana?!

- Huhum.

- Eu te ajudo. - Isaac escorou os ombros dela e a recostou sentada sobre o sofá. - Fica aqui mais um pouco, você ainda está meio pálida. (...)Você sabe que não precisava fazer isso por mim, eu nem...

- Mas eu quis. As moças da cidade precisam ver esse par de olhos verdes tão profundos e não só uma amostra, rs...

Mesmo grogue, encontrou forças para sorrir e agir de acordo com aquilo que a tornava o que era: uma adolescente descomedida. Vendo Isaac imóvel de vergonha, Hiyoga resolve intervir para aliviar a situação.

- Bia, descansa um pouco, em vez de ficar deixando o Isaac sem graça! - e ajeitou uma almofada nas costas dela. - Caramba, nem mal desse jeito você pára com essa sua mania de...

- Não fica triste maninho, seu olhos também são lindos e profundos...

A dupla se entreolha, e o loiro agora também está nitidamente irritado e sem graça. Vendo-se naquela situação sem escapatória, acabam aos risos, inconformados.

- Acho que ela já está melhor, mesmo, rs. (Isaac)

- Você é impossível, Alê! (Hiyoga)

Ela respira fundo com cara de sapeca e se ajeita no sofá, pensando que suas forças voltavam aos poucos e poderia tentar levantar-se dali àlguns minutos.

- Nossa, que bagunça é essa? Nem sonhando que dá tempo de arrumar tudo hoje.

- Durmam lá embaixo comigo, oras. Tem um quarto a mais.

- Não vai atrapalhar?

- Atrapalhar o quê? Esquece, vou adorar.

- E aí mana, você topa?!

- Huhum. Mas só se eu puder dormir perto de você...

Hiyoga sorriu seguido de Isaac, diante da fragilidade exposta: pedindo o colo do irmão que quase perdera... era quase angelical demais pra ser real.

- Claro que pode.

Anoiteceu rápido e eles realmente não conseguiram organizar todas as coisas a tempo. Como combinado, ficaram no apartamento de Isaac. Lá pelas oito horas da noite, Bianca estava se arrumando pra sair no quarto que ele lhes oferecera. Quando Hiyoga entrou, após uma leve batida, ela calçava as botas.

- Entra.

- Nossa, onde você vai?

Ela já estava com uma leve maquiagem, com um vestido justo de camurça na cor vinho e cabelos ainda úmidos caindo-lhe aos olhos. Era quase absurdo pensar que com todo aquele corpo, ela tivesse apenas treze anos. Ela então suspende o zíper da primeira bota.

- O Ikky me chamou pra dar uma volta, conhecer a cidade.

- Ele ainda não está implicando com você, está?

- Não, Alexei. Tá tudo bem. Já estou meio atrasada, preciso ir.

- Fechando o segundo calçado, levantou-se.

- É esquisito ver que ficaram amigos.

- Olha, eu sei que é estranho. Mas ele é legal.

- Ele queria matar você.

- Hiyoga, escuta... Ele nunca vai admitir isso, mas ele só tava preocupado com você.

- O Ikky, preocupado comigo?

- É, Hiyoga. O Ikky. É como a Rainha Paty disse, vocês precisam desconfiar.

- Mas ele força, Bianca. Força demais!

- Não seja duro com ele. É só lembrar o que ele passou. Pense que não foi nada fácil superar aquela ilha e você vai entender que é a defesa dele, que ele é...

- Como você.

- Como eu?

- Finge ser durão, pra não falar de si mesmo.

Bianca estava surpresa. Não gostou muito da idéia de Hiyoga ter notado isto nela tão rápido e uma nuvem passou sobre seus olhos, fazendo-a baixar o tom da voz.

- É... Como eu, Alexei.

- Pelo quê você passou irmã? Quando vou saber?

- Na hora certa, pode deixar... Alexei, me perdoe, mas ainda não posso tirar minha máscara. Eu queria chegar aqui e dizer que desde que encontrei o Mike, desculpa... desde que encontrei o Mu, nada de ruim aconteceu, que eu... Não cometi nenhum erro, mas não foi assim. Não por culpa dele, mas aconteceram umas coisas das quais eu ainda não consigo contar, é tão complicado...

- Está bem, não quero forçar nada.

- Eu vou indo. Olha, eu não sei que horas vou chegar, eu não costumo planejar essas coisas. Só tenta... não perguntar... muito.

Hiyoga a abraçou carinhosamente.

- Tenho medo de perdê-la outra vez.

- Eu sei me virar, Alexei.

- Vou dar um voto de confiança pro Fênix. Já que vai com ele, sei que ao menos está protegida.

Hiyoga finalmente a soltou, colocando uma mecha do cabelo dela atrás de sua orelha, enquanto sorria.

- Embora eu deteste admitir isso.

- Há, eu guardo segredo. Mas com o tempo vai ver que não precisa se preocupar tanto. Tchau, Alexei.

- Tchau, mana. Juízo.

Quando Bianca ia saindo, Isaac passava pela sala.

- Você não vai ficar pra jantar? Eu já ia avisar que está pronto.

- Ai, desculpa, Isaac! Mas é que eu marquei com o Ikky. Desculpa mesmo, eu não sabia.

- Tá bom, né... fazê o quê?! Se você não pode esperar mais um pouco.

- Ah, desculpa, Isaac... Mas é que eu já estou meio atrasada.

- Pode deixar que eu te acompanho, Isaac. Ela vai sem mim. (Hiyoga)

- Ah, gente, foi mal! Mas se eu demorar ele vai embora e me quebra depois!

- Vai, antes que eu desista de deixar você sair com o Ikky. (Hiyoga)

- Ah, é assim, é?!

- É. Vê se toma cuidado, mocinha.

- Pode deixar.

Bianca beijou Hiyoga no rosto e deu um abraço apertado e demorado em Isaac.

- Eu te adoro sabia?! (Bianca)

Aquela frase deixou Isaac sem defesas, completamente emocionado com a sinceridade dela.

- Chavequeira. Também te adoro, mas não sei porque você mexe tanto comigo. (Isaac)

- Por que eu sou irmã do seu melhor amigo ou por que salvei sua vida?!

- Eu acho que nenhum dos dois é suficiente pra explicar. (Isaac)

Bianca sorri, tocando o rosto dele, compreendendo exatamente o que queria dizer, pois sentia o mesmo tipo de afinidade. Ela fica um pouco mais séria, ao passar a mão abaixo do olho dele.

- Falando nisso, ainda ficou uma marquinha, né? Ainda tem um resquício da sua cicatriz aqui, se quiser eu posso...

- Nem pense nisso. Não quero te ver desmaiando de novo! E também não deixa de ser uma lembrança de uma das poucas coisas certas que fiz na vida.

- Ah, meu herói... Que bonitinho! Rs... Depois preciso conversar com você justamente disso.

- Disso o que?

- Sobre você. Quero testar minha pontaria também.

Isaac a fitou por um momento, ressabiado.

- É sério, precisamos conversar.

- Desse jeito você me assusta, mas como quiser. Estarei sempre as suas ordens.

Hiyoga deu uma cotovelada em Isaac imediatamente, falando com entonação de ameaça.

- Isaac, pára de puxar saco, que vai sobrar pra você.

- Rs... Tchau pros dois. (Bia)

- Ah, espera.

Bianca virou-se para ouvir o irmão.

- Nada de moto, entendeu?!

- Alexei, qual é! Assim eu não chego mesmo a tempo, sabia?!

- Problema seu. Moto não.

Bianca revirou os olhos, sem responder. Quando ela fechou a porta, Isaac fitou a cara de Hiyoga, que ainda resmungava.

- Ele podia muito bem ter vindo buscar ela.

- Cê tá detestando essa amizade deles, né?!

Hiyoga parece sair de seus devaneios, percebendo que Isaac estava lhe caçoando descaradamente, mas fingiu não notar.

- Não. Detestando não. Eu gosto do Ikky, embora não costume admitir. É que a gente não se dá muito bem, os gênios não batem.

- Então por que você tá tão incomodado?

- Sei lá, ciúmes. Me incomoda saber que ele tem mais sintonia com ela do que eu. Quero dizer... Eles devem conversar, ela deve se abrir com ele e...

- Calma, Hiyoga, tudo à seu tempo. Lembre-se que ele não vai exigir muitos detalhes, quando ela for contar algo. Se quer saber, talvez nem conte. Mas que você é ciumento, logo deu pra notar!

- Isaac!

- Vem, pára de me ameaçar e vamos jantar. Ela vai ficar bem.

Neste momento ambos escutam o ronco de uma moto. Isaac coloca a mão na boca contendo o riso, enquanto Hiyoga corre na direção da janela.

- Eu não acredito que... Droga!

Tentando parecer sério, mas sem muito sucesso, Isaac se aproxima do amigo que acabara de esmurrar a parede.

- Era ela mesmo?

- Claro que era. Isaac, falta uns cinco anos pra essa menina tirar carta!

- E o que você pretende fazer?

Falar com o Cavaleiro de Áries. Se ele, um cavaleiro de ouro, permitiu isso... significa que essa pestinha continua impossível de segurar. Só que eu vou ter que dar um jeito.

- Boa sorte, Hiyoga, rs! Por que se isso vem da infância, você vai precisar.

Hiyoga dá uma risada nervosa, com o olhar distante.

- Vou precisar mesmo. Mas se você quer saber, eu estou com fome. Então eu me preocupo com isso depois.

- Tá certo, vamos lá.

CONTINUA...

ERROS DE GRAVAÇÃO E CENAS DELETADAS

...Gravando!

- Mas o que foi que houve para um estar caindo e a outra desabando?

- Nada, Gabi.

- Nada mesmo. Sente-se. Aproveite que o café é da minha irmã e se quer saber está ótimo.

- Posso saber o que você quis dizer?

- Que imagino que você não seja muito amiga da cozinha, estou errado?

- Vai tomar no meio do se c...- Gabrielle desesperadamente tampa a boca de Bianca, mas ela logo se solta. – É claro que eu sei cozinhar seu filho da p... – Gabi a segura de novo e novamente ela solta-se, levantando da mesa. Hiyoga recua da cadeira, mas não consegue conter as gargalhadas.

– Me larga, Gabi! Por que é que eu tenho que ouvir um absurdo desses? Ele tem mesmo que falar isso?

Corta!!! Calma Bia, não precisa ficar nervosa... (Ephe)

- Eu não gostei da piada! Pode perguntar pro Quiekí e pro Mu, que eles vão dizer quem aqui não é amiga da cozinha, seu...!

Opa, opa! Camaê! Ninguém quis ofender você, Bia... É que irmão é sempre chato mesmo, se for sempre legal, num cola, você sabe...(Déia)

- Hm.

Ta legal vamos de novo...

----

...Gravando!

Só então percebeu quem a segurava e suas pernas bambearam. A respiração que sentira no ouvido era de Julien e um arrepio percorreu-lhe por toda a espinha ao sentir o calor de sua voz tocar-lhe o pescoço.

- E-estou...e-estou ótima.

Percebendo que ambos estavam paralisados, Isaac retirou rapidamente a caixa que seguravam e subiu as escadas. Hiyoga que vinha descendo, acabou sendo empurrado bruscamente para dentro.

Julien pousou as mãos sobre a cintura de Bia, ainda sob o efeito hipnótico que ela lhe causava. Antes que se entregasse ao que sentia, Bianca desvencilhou-se de seus braços e virou-se para olhá-lo nos olhos contendo uma frase entre os lábios. Desviou o olhar em seguida e abaixou-se para pegar um chaveiro que caíra. Sentiu que alguém tocara...

- Ai! Seu cabeça dura, isso doeu...

- Minha nossa, desculpe!

Ao abaixar, ambos haviam batido com o crânio um com o outro e estavam fazendo careta, esfregando a mão no alto da cabeça.

- Desculpe, rs...

- Ta, ta, deixa pra lá!

- Se quiser eu...

- Eu não quero nada, num me amola!

Coorta! Sr. Sólon, não comece!(Ephe)

- Mas eu não fiz nada!

Não se finja de desentendido!(Déia)

- Hm. – Bianca o empurrou revoltada e retomaram a posição. – Vê lá onde você coloca essa mão, seu engraçadinho!

----

...Gravando!

- Entra, entra logo!

- Caramba, Isaac precisava tacar essa caixa no meu estômago?! Que aconteceu?

- Chhh! O Julien ta aí e acabou de encoxar a sua...

- O quê?!!!

- Rs... desculpe!

Corta!!! Volta do começo e rápido... Gravando!(Ephe)

- Entra, entra logo!

- Caramba, Isaac precisava tacar essa caixa no meu estômago?! Que aconteceu?

- Chhh! O Julien ta aí e acabou de enco... hahahaahaha, que droga foi mal!

Ôh, meu Deus é hoje...¬¬ Coorta! (Déia)

----

...Gravando!

- O importante é que está bem agora. (Isaac)

- É que... a técnica que o Mu conhece é diferente e ele nunca quis me ensinar, e essa exige um pouco mais de esforço. – Bianca engole seco. Fazia um esforço tremendo para se comunicar e voltar a si. Nunca lhe pareceu tão difícil pronunciar poucas palavras e elas nunca lhe soaram tão lentas e sussurradas. Isaac pareceu notar seu esforço e apertou-lhe uma das mãos.

- É uma técnica sua, então? Você a inventou? (Isaac)

- Não, é druidismo florestal.

- Isso é sério?!

- Não!!! Aí, você é burro?!

Corta!!! ¬¬ (Déia)

Pelos deuses, haja paciência... ¬¬ (Ephe)

- Dá pra alguém avisar pro loiro aqui que isso não é RPG e nem eu tenho cara de Lisandra do Holy Avenger?!

- É... tá mais pra Niele, rs... (Hiyoga)

- O Quê????

- N-nada, nada não, rs...

Chega de bagunça, voltem nas posições!¬¬ (Déia)

----

...Gravando!

- Problema seu. Moto não.

Bianca revirou os olhos, sem responder. Quando ela fechou a porta, Isaac fitou a cara de Hiyoga, que ainda resmungava.

- Ele podia muito bem ter vindo buscar ela.

- O Ikky? E admitir que ele ta pegando a sua irmã e ter que dar satisfação?! É ruim, hein?!

Bianca reabre a porta, assustando os dois.

- Pra seu governo não tem ninguém "pegando" nada não, viu?! Seu engraçadinho!

- Aaaah, ta... (Isaac e Hiyoga com expressões de cinismo)

Bianca se aborrece e fecha a porta novamente.

- Dá pra acreditar nesse descaramento? Se eu fosse você dava um jeito nela, Hiyoga, antes que o Ikky "dê um jeito"... – Hiyoga fica sério e Isaac faz uma careta, suando frio. – Ela tá atrás de mim, né?

- Huhum...

Corta!(Déia)

- EU VOU MATAR VOCÊ!!! (Bia)

Os dois saem correndo pelo set.

Alguém segura a Bia, antes que ela congele o cenário todo!!! (Ephe)

- Eu é que não vou segurar... (Hiyoga)