Fic escrita em parceria com minha amiga Tati, essa idéia surgiu de conversas "estranhas" no msn eu não iria postar a fic antes do fim do ano mas a Tati insistiu tanto... E ai esta... Espero que gostem.

Please, love me!

By Asuka Maxwell


Ne me quitte pas
Il faut oublier
Tout peut s'oublier
Qui s'enfuit deja
Oublier le temps
Des malentendus
Et le temps perdu
A savoir comment
Oublier ces heures
Qui tuaient parfois
A coups de pourquoi
Le coeur du bonheure
Ne me quitte pas


Parte 1: O mundo que me cerca.

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Sentado no banco de uma praça eu vejo as pessoas andarem de lá para cá ocupadas com seus próprios problemas elas nem notam a minha presença, nem sabem que eu existo, mas isso não é nenhuma novidade pra mim, a minha vida inteira sempre foi assim ás pessoas a minha volta nunca notaram a minha presença nunca se importaram comigo.

Sempre achei que se eu fosse alegre, sorridente, engraçado, brincalhão as pessoas gostariam de mim. Sempre tentei ser agradável pra que alguem gostasse de mim ao menos um pouquinho. Ás vezes essa tática funciona, mas não por muito tempo não sei por que, mas logo as pessoas me rejeitam, vão embora e se esquecem de mim.

Desde pequeno eu busco o meu lugar no mundo, mas eu sempre fui só. As únicas pessoas que gostaram de mim de verdade foram Padre Maxwell e a irmã Helen, a única família que eu conheci, mas eles morreram em um incêndio junto com todos do orfanato eu fui o único sobrevivente. Desde então eu passei por varias instituições de caridade, reformatórios até ir morar nas ruas que é onde estou desde então. Nas ruas eu aprendi muitas coisas deixei toda a minha ingenuidade e sonhos infantis para trás.

Eu não vou mentir sobre minha aparência, sou belo eu sei, como eu já ouvi por ai possuo uma beleza surreal e andrógina, mas acreditem essa aparência atraente me trouxe mais problemas do que vantagens. Eu era muito novo estava nas ruas quando conheci um homem, ele parecia ser um cara legal, me deu comida, me levou para a sua casa disse que cuidaria de mim, quando chegamos em sua casa ele me violentou, varias vezes, depois me manteve cativo, servi de escravo sexual para ele e seus amiguinhos devassos, consegui fugir daquele lugar com a ajuda de uma das empregadas. Sem ter para onde ir perdido e sozinho no mundo eu me entreguei a profissão, mais antiga do mundo. Prostitui-me. Vendi meu corpo a pessoas devassas de cheias de luxuria e eu me enojo do que fiz. Pelo menos para isso a minha beleza serviu.

Eu não me orgulho de nada do que eu fiz. Para agradar a alguns clientes usava drogas às vezes para acompanhá-los, eu não sou um viciado, mas quase não estou conseguindo controlar minha ânsia por alucinógenos, acreditem eu não quero ser um drogado.

Nas ruas eu conheci dois cientistas malucos que me fizeram uma proposta no mínimo curiosa e absurda, mas a grana que me ofereceram era muito agradável, trezentos mil dólares. Pra quem não tinha nada nessa vida vocês acham que eu iria recusar? Eles queriam que eu servisse de cobaia para uma experiência ilegal, queriam fazer um homem dar a luz a uma criança, isso mesmo! Parece ridículo? Eu também achei, mas acreditem, a experiência foi adiante. Eu deixei que me usassem durante um ano contando que depois eu não ficaria com nenhuma seqüela, era melhor do que ficar nas ruas me prostituindo.

Eles implantaram um útero em meu corpo e fizeram varias modificações. Para minha surpresa, eu fiquei grávido, isso mesmo, eu achei que estava delirando, mas a experiência não saiu como o planejado, com quatro meses o feto morreu em meu ventre e uma cesariana foi feita para retirá-lo. A dor em meu ventre era insuportável depois eles quiseram continuar com a experiência e tentar de novo, mas eu não aceitei, eles tentaram me obrigar e eu fugi. Desde então venho tendo dores horríveis, eu sei que aqueles malucos estão atrás de mim... Mas eles não vão me achar.

Quem me vê sorrindo pensa que eu sou alegre, mas não sabem das dores que trago em meu coração. Sentado no banco dessa praça eu continuo observando as pessoas andarem ocupadas em seu próprio mundinho elas nem notam a minha presença e acho que nunca vão notar. Sabe... Só queria que alguem gostasse de mim do jeito que eu sou com meus defeitos e minha personalidade meio estranha. Eu só queria que alguem gostasse de mim nem que seja um pouquinho nesse imenso mundo que me cerca.

Sabe... Eu só queria que alguem percebesse que eu sou especial.

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-Saia daqui, garoto. E não volte mais! Seu imundo! – um homem de meia-idade expulsava aos gritos um garoto caído na calçada.

Um garoto de longos cabelos castanhos presos numa enorme trança e de olhos claros foi brutalmente expulso de uma pensão jogado na calçada pelo dono do local por falta de pagamento da hospedagem. O dono da pensão pegou o garoto pelo braço o machucando e o jogando na calçada blasfemando insultos contra o jovem para logo depois jogar as roupas do garoto todas espalhadas pela calçada chamando a atenção de quem passava pelo local.

-Por favor, senhor, já é tarde da noite, onde eu vou dormir? – o garoto caído na calçada implorava.

-Não me interessa seu sujo, eu não quero pessoas baixas como você morando em minha pensão, alem do mais você não tem dinheiro algum como pretendia me pagar?

-Eu prometo que vou paga-lo senhor, mas, por favor, me deixe ficar só por esta noite.

-Eu não acredito em suas promessas e não aceito seu dinheiro que é ganho de forma indecente sua prostitutazinha barata! – o homem bateu a porta.

O garoto desolado por não ter onde passar a noite começou a recolher as poucas roupas que tinha e que estavam espalhadas pela calçada enquanto alguns curiosos o observavam, o garoto chorava pela humilhação.

-O que vocês estão olhando? Não têm nada melhor pra fazer não? – o garoto gritou com os curiosos e todos retomaram seus caminhos.

Abriu a mochila e colocou as roupas dentro nem se deu ao trabalho de dobrá-las, os primeiros pingos de chuva do temporal que viria começaram a cair se misturando com o choro do jovem.

-Era só o que me faltava, chuva! O que mais você reservou pra mim hein? – o garoto olhou para os céus como quem espera uma resposta divina.

Levantou-se do chão colocou a mochila nas costas e caminhou sem rumo na chuva, não tinha para onde ir, não tinha uma casa, não tinha um lar, não tinha uma família, era sozinho no mundo. Após a morte de sua mãe, passara a infância numa igreja-orfanato junto de seu tio-avô, tio de sua mãe, Padre Maxwell e da bondosa irmã Helen, os consideravam sua única família, mas,como a todos a quem ousara amar, ambos estavam mortos e depois de ultrapassar a idade permitida para morar no orfanato foi obrigado a adotar a rua como sua casa e a solidão como sua única companhia.

Perdido em seus pensamentos nem se importava com as cantadas e buzinadas que recebia dos carros que passavam por ele, alem de vários convites para fazer programas, isso jamais aceitaria novamente era uma promessa que tinha feito a si mesmo sairia dessa vida noturna. Atravessou a rua sem olhar se vinha carro e com o temporal que caia seria difícil um motorista enxerga-lo. Um carro veio direto ao seu encontro, tentou feriar antes de colidir com o garoto, mas com a pista molhada foi inevitável, o carro acertou em cheio o garoto embora já freando e com pouca velocidade, o garoto bateu contra o vidro do carro e caiu no chão.

O motorista, um jovem de ascendência oriental apesar dos olhos azuis e de cabelos desgrenhados, desceu do carro preocupado e foi socorrer a vitima.

-Garota você esta bem? Machucou-se muito? Não se mexa vou chamar uma ambulância. Eu sou policial. – o motorista pediu ao garoto caído confundindo-o com uma mulher enquanto pegava o celular.

-Não se preocupe eu estou bem. E eu sou homem! – o garoto levantou-se e tentou andar.

-Mas você está sangrando! – o motorista insistia vendo o sangue escorrer pela bela face do garoto. –Fique quieto que a ambulância está vindo.

-Mas eu estou bem. – mal terminou a frase e caiu desmaiado no chão.

-Garoto? – tentou acorda-lo. –Era só o que me faltava, atropelar um garoto!

Deixou o garoto imóvel na tempestade, pois ele poderia ter quebrado algum osso, já podia ouvir a sirene da ambulância se aproximar. Olhou mais atentamente para a face adormecida do garoto ele era incrivelmente belo apesar de estar encharcado pela chuva e sangrando, as enormes madeixas castanhas pareciam macias e prazerosas de se tocar, as faces alvas de seu rosto lembravam as de um deus possuía uma beleza irreal, andrógina. Imaginou-se tocando naquele cabelo, naquela pele.

Balançou a cabeça afastando tais desejos, era um homem casado e não podia ficar tendo desejos ainda mais para com um garoto que nem conhecia e que precisava de socorro. Procurou na mochila do garoto algum documento que o identificasse, mas não encontrou, olhou para o braço do jovem na parte interna do cotovelo, acima do antebraço, observou que o garoto tinha alguns sinais de picadas de agulha.

-Usuário de drogas. – murmurou para si mesmo.

A ambulância chegou e rapidamente atendeu o garoto levando-o para o hospital, os para-médicos insistiram em atender o motorista, mas ele recusou a ser atendido.

-Não se preocupem comigo, sou Heero Yui agente especial dos Prevents. – mostrou a identificação. -Atendam o garoto, acham que ele vai ficar bem?

-Não se preocupe tanto antes de dar um laudo final temos que fazer algumas radiografias, mas pelo visto o garoto só teve ferimentos leves. – o para-médico tranqüilizou-o.

Heero entrou em seu carro todo encharcado e seguiu a ambulância, o hospital ficava perto. Queria apenas ter certeza de que o garoto estava bem. Estava na sala de espera quando seu celular tocou.

-Alô?

"Heero onde você esta?" – uma voz feminina do outro lado da linha alterada e nervosa perguntou.

-Eu estou em um hospital Relena o que você quer?

"Num hospital? O que você esta fazendo em um hospital? Quero que venha já para casa" – a mulher ordenou.

-Eu não posso Relena e você não me dá ordens. – respondeu irritado com a mulher.

"Escuta aqui Heero, eu sou sua esposa e você tem que..."

Heero não esperou que a mulher terminasse a frase e desligou, não a suportava mais, não suportava aquele casamento de aparências que levava com uma mulher que não amava, amaldiçoava a hora em que dissera sim no altar para aquela mulher, ela o havia enganado e o obrigado a se casar com ele mentindo que estava grávida, Heero pela grande estima que tinha para com o pai da garota, seu chefe, aceitara se casar com ela e agora se arrependia amargamente.

-E então Doutor? Como ele está? – Heero perguntou assim que o medico apareceu na sala de espera.

-Ele esta bem, fizemos alguns exames e radiografias, mas não há nada de grave com o garoto, são só ferimentos leves, tivemos que dar um sedativo para ele porque acordou muito nervoso e agressivo, ele é seu parente?

-Não Doutor. Não o conheço, fui eu quem o atropelou ele andava desnorteado pela rua.

-Sabe a identidade dele? - o medico o questionou.

-Não. Ele não portava nenhum documento.

-Ele vai ficar em observação por esta noite. Volte amanha se quiser.

-Esta bem.

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-Finalmente o encontro em casa. – uma mulher loira de olhos azuis entrou abruptamente no quarto sem bater.

-Volte a dormir Relena, não estou a fim de discutir com você hoje. – Heero a expulsou de seu quarto.

Desde que Heero descobrira a verdadeira face de Relena dormiam em quartos separados, Heero nunca a tocava e Relena estava sempre reclamando seus "direitos" como esposa, mas ele nem se importava, sabia que ela não daria o divorcio por nada no mundo e enquanto conseguisse manter-la em seu lugar não se importava em permanecer casado.

Deixou o quarto e seguiu para a garagem pegou o carro, pretendia passar antes no hospital para ver como o garoto atropelado na noite passada estava e se descobria à identidade dele antes de ir para o seu trabalho. Chegando ao hospital foi para a recepção saber sobre o garoto.

-Bom dia! Eu gostaria de saber como esta um garoto que deu entrada aqui no hospital ontem a noite por volta de onze horas vitima de atropelamento. – Heero perguntou a enfermeira na recepção.

-Por acaso é um garoto de cabelos longos e olhos claros?

-Sim esse mesmo.

-Ele fugiu hoje bem cedo assim que acordou dos sedativos.

-Como assim fugiu? – Heero estava surpreso.

-Eu não sei tentamos impedi-lo, mas ele era rápido e conseguiu escapar.

-Como um hospital permite que... – Heero foi interrompido pelo toque de seu celular. –Alô? - atendeu meio irritado.

"Yui? É o Wufei. Onde você está? Precisamos de você aqui no Prevents. Aconteceu uma emergência. Venha logo." – a voz do outro lado da linha ordenava.

-Estou a caminho Wufei. – Heero deixou o hospital apressado.

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-Ai! Meu estomago ta roncando.

O garoto de trança estava em um banheiro publico de uma estação de Metrô havia fugido do hospital com a camisola descartável e precisava trocá-la não podia andar por ai com roupas de hospital. Estava com um curativo na cabeça e alguns hematomas pelo corpo, mas nada serio. Procurou em sua mochila uma roupa seca e a vestiu. Jogou a camisola fora e deixou o banheiro. Precisava procurar algo para comer.

-Ah! Por que eu não esperei me darem o café da manha para depois fugir? Mas... E se aquele policial voltasse e tentasse me prender? E se ele descobrisse que eu... – balançou a cabeça em negação, o garoto procurou em sua mochila por dinheiro, mas não encontrou. –Eu não queria, mas... Vou ter que roubar.

Seguiu por uma rua repleta de confeitarias, lanchonetes, cyber-cafés e restaurantes tentando bolar um plano infalível. Olhou seu reflexo em uma vitrine ele não estava exatamente bem apresentável, seu cabelo estava despenteado e suas roupas não ajudavam. Tinha que mudar sua aparência se quisesse entrar em algum lugar para comer. Entrou em um beco, soltou os cabelos e os penteou para depois prender novamente em uma longa trança, ajeitou as roupas tentando parecer apresentável. De repente sentiu uma forte tontura e uma dificuldade enorme de respirar, caiu no chão com uma dor enorme no estomago.

-Ai! O que aquele cientista miserável fez comigo? – ofegava.

Inicio do Flash-Back

-Então garoto você concorda ou não com o nosso acordo? - um cientista de cabelos brancos perguntava com um brilho estranho nos olhos.

-E quando eu vou receber o dinheiro? – o garoto respondeu com outra pergunta.

-Calma Duo Maxwell, é este o seu nome não é? Primeiro temos que fazer a experiência dar certo depois que nos entregar o bebê terá seus trezentos mil dólares para gastar como quiser. – o cientista sorriu.

-O senhor é completamente louco Dr. J como espera fazer um homem dar luz a uma criança? E por que escolheu a mim? Um mero garoto de rua. Isso vai contra qualquer principio divino.

-Quem esta falando em Deus aqui meu caro Maxwell? Estou apenas tentando colocar as pesquisas de uma vida inteira em pratica.

-Mesmo que isso vá contra a ética e a moral medica meu caro Dr. J? – um outro velho que aparentava ser também um cientista entrou na sala. –Tentando começar uma reuniãozinha particular sem mim?

-Dr. G... A que devo a honra? - doutor J ironizou.

Duo estava confuso não entendia aquela troca de insultos camuflados entre os dois cientistas, ainda não havia sido apresentado ao outro Doutor tudo que sabia é que estava ali por dinheiro, que segundo afirma sempre, era a fonte de todos os seus problemas. O cientista havia prometido pagar-lhe trezentos mil dólares em troca de seu corpo ser usado para uma experiência inescrupulosa, ter um útero implantado em seu ventre a fim de fazer-lo ficar grávido como qualquer outra mulher. Era uma experiência muito arriscada, poderia morrer, mas era melhor do que passar o resto da vida servindo de brinquedinho nas mãos de pessoas indecentes e famintas por sexo.

No fundo Duo sabia por que havia sido escolhido como cobaia, era um garoto de rua, não tinha família ninguém para reclamar sua morte caso a experiência viesse a dar errado, pois com certeza essa era uma experiência clandestina, bancada pelo próprio doutor J sem o consentimento de outros geneticistas. Duo podia ser sujo, um rato, mas não era burro.

-Maxwell deixe-me apresenta-lo. Esse é o Dr.G foi ele quem o escolheu como "cobaia" para nossa experiência. – Dr. J fez as honras.

-Deixe-me vê-lo. – o cientista examinou Duo bem de perto. –Você é belo! Diga a verdade garoto quantos anos você tem?

-Tenho vinte e um...

-Mentira você não tem mais do que dezoito anos.

-Completei dezessete anos a um mês.

-Na verdade sua idade não é importante. Preciso apenas que concorde com os termos de nosso acordo isso tem que ficar no mais absoluto sigilo. Nem uma palavra a ninguém ou você pode morrer.

-Não ameace o garoto G, ele sabe do acordo e alem do mais, ameaças não funcionam com ele. – Dr. J se intrometeu.

-Não preciso que me defenda, eu sei me cuidar. Posso parecer frágil, mas não sou nenhuma criancinha indefesa. Só estou aqui pelo dinheiro. Não me importo com o que vai acontecer ao meu corpo nesse um ano contando que depois eu não fique com nenhuma seqüela. – Duo encerrou a conversa.

-Então a partir de hoje você mora nesse laboratório. A sua vida lá fora não existe mais pelo menos durante um ano Duo Maxwell e não importa o que aconteça você não poderá levar nada daqui a não ser o seu dinheiro esta me entendo? – Dr.G andava de um lado para o outro.

-Sim.

-Então vamos começar! – o cientista afirmou com um brilho estrondoso nos olhos.

Fim do Flash-Back

-Essas dores não param. – Duo se contorcia de dor no chão abraçando o próprio ventre. –Maldita hora em que eu fui aceitar aquele acordo. Tive que fugir sem receber um tostão furado do dinheiro prometido.

Duo arfava de dor desde que fugira do laboratório daqueles cientistas malucos que vinha sentindo dores, tonturas e até alguns desmaios, a experiência não tinha dado muito certo, pelo menos fora o que Duo pensara. O corpo de Duo não suportara uma gravidez até o nono mês com quatro meses o feto estava morto e teve que fazer uma cesariana para retirá-lo de seu corpo. Os cientistas queriam repetir a experiência, mas Duo não, queriam obrigá-lo, mas Duo fugiu mesmo sem sua recompensa.

Aos poucos a dor foi passando e Duo se recompôs, levantou-se seu abdome não doía mais. Esperou um pouco até parar de suar. Foi até uma confeitaria e se trancou no banheiro para tomar um banho de gato. Molhou o cabelo na pia e o penteou, refez a trança e trocou novamente suas roupas e saiu. Sentou-se em uma mesa e fingiu ser um cliente.

-Com dor ou sem dor. Saco vazio não para em pé! - Duo sorriu enquanto via a garçonete se aproximar.

-Já escolheu o seu pedido? – a garçonete perguntou sorridente.

-Eu quero um chá de maçã com pão-de-mel e pastel de Belém.

-Mas alguma coisa?

-Sim, pão-de-queijo. Obrigado.

A garçonete anotou e saiu não tardou muito voltou com o pedido de Duo na bandeja. Duo comeu tudo com rapidez, estava varado de fome. Seu plano era comer e sair sem pagar. Era um plano idiota ele sabia, mas não agüentava de tanta fome. Depois de comer se levantou discretamente, passou pela garçonete com a mochila nas costas e quando ia sair foi barrado por um segurança.

-É ele, Isabel? – o segurança segurou o braço de Duo e perguntou a garçonete.

-Me soltem, eu não fiz nada! – Duo se debatia.

-Sim é ele mesmo, tentou sair sem pagar pelo que comeu. – a garçonete acusou.

-Eu não fiz nada me solte. – Duo se debatia tentando se soltar.

-Seu ladrãozinho. Achou que ia se dar bem? – o segurança apertava o braço de Duo.

Com a gritaria os clientes começaram a reparar no "escândalo" na portaria e a comentar entre si. Um homem de cabelos grisalhos e óculos escuros usando uma nada discreta camisa florida interrompeu a confusão.

-Eu não acredito que o meu filho está causando confusões de novo! – o homem exclamou.

-Howard? Esse garoto é seu filho? – a garçonete perguntou incrédula ao cliente de longa data.

-É sim por acaso esta duvidando de mim? – o homem afirmou tentando ajudar Duo.

O segurança soltou imediatamente o braço de Duo pedindo mil desculpas. Duo não entendia nada, mas agradeceu o homem com o olhar por ter-lo livrado dessa encrenca.

-Então o que o garoto deve? – Howard perguntou abrindo a carteira.

-Nada. Não se preocupe Howard, desculpe-me pelo incomodo! – a garçonete se desculpou e saiu envergonha.

-Obrigado senhor não precisava se incomodar comigo! - Duo agradeceu.

-De nada garoto. Como se chama?

-Me chamo Duo e o senhor é Howard não é? – Duo estendeu sua mão e cumprimentou o homem.

-Sim. Então Duo você tem pra onde ir?

-Sinceramente não.

-Venha comigo. Pode ficar em meu apartamento o quanto quiser. – o homem ofertou sorrindo. –Não tenha medo, não vou feri-lo.

Duo ficou indeciso não sabia se aceitava ou não a oferta, nem conhecia aquele homem, não sabia o que ele iria querer em troca da hospedagem, mas já tinha passado por tantas coisas em sua vida que poucas coisas o surpreenderiam. Não era nenhum garotinho indefeso tinha aprendido da pior maneira como se defender. Sem mais nenhum lugar para ir resolveu, mas não podia aceitar a oferta.

-mas... O que o senhor quer em troca de tanta gentileza?

-Nada Duo. Por favor, me chame apenas de Haword, não suporto que me tratem por senhor.

-Nada? Howard ninguém faz um favor desses a outra pessoa sem querer nada em troca. Eu posso ter um rosto bonitinho, mas não sou idiota sem celebro nem um fantoche.

-Acredite Duo eu não quero nada, um dia você vai entender.

-Eu até acredito em você, mas prefiro não aceitar.

-Está bem, mas... Se precisar de qualquer coisa – Howard entregou um cartão a Duo. –Este é o numero de meu telefone. Não hesite em me procurar.

-Não duvide que eu ligo mesmo. – Duo sorriu.

-Onde posso encontrá-lo?

-Estou sempre por aqui. Não vai ser difícil me achar. Obrigado por tudo. Até mais Howard. – Duo se misturou no meio da multidão e sumiu.

-Pobre garoto! – o homem mais velho exclamou.

Howard pegou seu celular, digitou alguns números e esperou que o atendessem.

"Dr. G" – a voz do outro lado falou.

-Dr. eu já encontrei o garoto.

"Está com ele agora?"

-Não. Ele recusou minha oferta, mas eu sei onde encontra-lo quando for preciso.

"Ótimo Haword. Bom trabalho. Não perca o garoto de vista."

Dr. G encerrou a ligação.

-

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Heero estava aéreo preso em seus pensamentos sobre sua vida e tantas outras coisas que não percebeu que seu parceiro tentava chamar-lo na porta de sua sala a um bom tempo.

-Heero? Esta me ouvindo? – um homem alto, de olhos verdes, cabelos castanhos com uma enorme franja pendendo sobre um os olhos chamava-o.

-O que?

-Para de pensar naquele garoto que você atropelou ele está bem, acredite, senão não teria fugido do hospital.

-Eu não estava pensando nele Trowa.

-Sei...

-Você não veio aqui para falar disso veio?

-Não, vim porque você tem que assinar esses relatórios da ultima missão para serem entregues e... Aqui esta a analise das digitais encontradas no local não batem com as do suspeito. – Trowa entregou duas pastas a Heero.

-Vou assinar e verificar tudo, assim que terminar te aviso.

-Não se esqueça de que temos que Assistir a um interrogatório hoje ás quatro horas.

-Eu não vou esquecer.

Trowa deixou a sala no corredor passou por um velho, na verdade um cientista que os estava sempre ajudando em investigações e tinha ligações com o alto escalão dos Prevents, um homem misterioso que fazia parte da infância e juventude de Heero, coisas que ainda eram desconhecidas por Trowa apesar de tanto tempo trabalhando como parceiro de Heero. O cientista o cumprimentou com um aceno e entrou na sala de Heero.

-Ola Heero.

-Dr. J? O que faz aqui? – Heero não demonstrou nenhuma surpresa já que as visitas do cientista estavam se tornando freqüentes.

-Já que você nunca vai me ver eu resolvi vir te visitar.

-Não era, mas cômodo ter ido a minha casa? Este é um local de trabalho. – Heero respondeu sem dar muita importância a reclamação de J.

-Eu sei. Não fui a sua casa porque você quase nunca está lá alem do mais não gosto daquela casa ela é muito triste e sem vida.

-Deve ser porque as pessoas que moram nela não são felizes. – Heero retrucou fingindo analisar as pastas que Trowa lhe entregara a pouco.

-Acho que falta alegria, amor, risos de criança naquela casa. Você não acha?

-Dr. J já conversamos sobre isso, sabe que Relena e eu não somos exatamente marido e mulher... Ademais Relena não pode ter filhos você sabe disso. – Heero encarou o cientista arqueando uma sobrancelha, já imaginava onde aquela conversa iria dar.

-Sim eu sei, mas... Existem outros métodos que podem utilizar para se ter uma criança sua naquela casa. – J não se importou com o aparente descaso do japonês. - Acho que você se sairia bem como um pai e quem sabe com a presença de uma criança você e Relena não se dão bem?

-Esta sugerindo que eu adote uma criança? – Heero soou irônico.

-Na verdade não. Estou sugerindo que tenha um filho legitimo, sangue do seu sangue. Eu te tenho como um filho Heero adoraria ter um neto postiço.

-E como eu faria isso? – Heero fingiu estar ironicamente interessado.

-Inseminação artificial, barriga de aluguel... Coisas do tipo. – Dr. J deu de ombros.

-É pode ser... Acha que Relena concordaria com isso? – Agora Heero não estava sendo irônico, realmente estava interessado, agradava-lhe a idéia de ser pai.

-Tente.

A conversa foi interrompida pelo toque insistente do celular de J.

-Com licença Heero, vou atender a ligação. – J se dirigiu ao corredor. – Alô?

"J onde você esta?" – a voz do Dr. G soou do outro lado da linha.

-Estou no prédio dos Prevents alguma noticia?

"Sim. Eu encontrei o garoto. É só uma questão de tempo até ter Duo Maxwell novamente em nossas mãos."

-Perfeito Dr. G.

J encerrou a ligação.

-Isso é perfeito. Só falta convencer Heero a ter um filho.

-

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Continua...

Cantinho da autora

Ola pessoal. O que acharam do começo da historia? Dessa vez eu resolvi não colocar um prólogo e partir direto para o primeiro episodio. Comentem por favor!

Um grande beijo a todos.

Asu-chan.