Fic escrita em parceria com minha amiga Tati, essa idéia surgiu de conversas "estranhas" no msn. Espero que gostem!

Agradecimentos: a todos que deixaram review um muito obrigado e desculpe se eu não respondi sua review. Valeu demais \o/

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Please, love me!

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By Asuka Maxwell


Moi je t'offrirai
Des perles du pluie
Venues de pays
Ou il ne pleut pas
Je creuserai la terre
Jusqu'apres ma mort
Pour couvrir ton corps
D'or et de lumiere
Je ferai un domaine
Où l'amour sera roi
Où l'amour sera loi
Où tu seras reine
Ne me quitte pas (4 fois)


Parte 2:

Duo desceu do carro ainda em movimento, não passaria nem mais um segundo ao lado daquele crápula violento.

-Seu idiota! – Duo gritou batendo a porta do carro com violência. Cambaleou um pouco ate que ficasse estável. Só então sentiu o frio que fazia fora daquele carro.

-Você não vale o que cobra. – o motorista do carro saiu arrancando.

-Vai se ferrar! – Duo gritou uma ultima vez antes que o carro sumisse dobrando uma esquina, o vapor saiu de seus lábios indicando quanto fazia frio.

Ajeitou seu fino casaco vermelho tentando fazer o frio desaparecer, mas a roupa que usava não ajudava muito. Trajava uma fina regata branca bem colada ao corpo, calça de couro também colada e um casaco vermelho, para o rígido inverno daquela cidade essas roupas que Duo usava eram quase a mesma coisa de estar usando trajes de verão.

Apalpou seus bolsos procurando pelo maço de cigarros. Encontrou a cartela e pegou um cigarro, colocou o na boca, pegou um isqueiro no outro bolso e acendeu o veneno e começou a tragá-lo. Estava nervoso e ansioso demais, precisava daquele veneno para se acalmar. Havia prometido a si mesmo que não voltaria a ter essa vida, mas a realidade lhe batia a porta e era bem diferente de seus sonhos.

Duo tinha tentado, em todos os lugares imagináveis, procurar um trabalho no mínimo decente, mas parecia que o mundo estava contra ele. Em todos os lugares, lojas, lanchonetes, restaurantes, todos lhe negaram trabalho e em alguns lugares Duo foi ate mal tratado como se ele tivesse uma doença altamente contagiosa. Aquilo era ate estranho, Duo mal podia entrar em algum lugar que antes de ele abrir a boca já vinham lhe dizendo que a vaga já tinha sido ocupada, ou que não estavam precisando de pessoal para trabalhar, era como se o mundo estivesse rejeitando-o por algum motivo ainda desconhecido para o americano.

Sem ter muita opção, Duo voltou para as ruas, voltou a vender seu corpo para não morrer de fome. O que ganhava mal dava para pagar um quarto e suas despesas, não se orgulhava do que fazia, mas o mundo não lhe dava outra opção. Parecia que Deus havia se esquecido dele.

Batia ponto quase toda a noite naquela esquina, às vezes tinha sorte e às vezes tinha a infelicidade de sair com caras violentos e que se recusavam a usar preservativo como o crápula que acabara de dispensar. Duo podia ate ser ingênuo, mas não era bobo, sabia se cuidar, não iria contrair doença alguma só porque um cliente se recusava a usar preservativo. Preferia voltar para a casa sem nenhum dinheiro do que se submeter a isso.

Aquele quarteirão onde ficava, especialmente aquela esquina, era um dos lugares mais conhecidos para quem estava atrás de sexo ou drogas, havia de tudo naquele beco sujo. Era a pior parte da cidade, uma parte esquecida pela sociedade e só lembrada quando era conveniente. Naquele beco, toda a inocência de garotos e garotas como Duo, eram esquecidas e enterradas.

Duo era um jovem sofrido, não um coitado. Havia passado por muita coisa ruim nessa vida, mas nunca desistira de viver. Era um jovem de dezoito anos, muito bonito, mas quem o olhasse bem não veria mais do que uma criança assustada por debaixo de toda aquela roupa provocante e aquele corpo sinuoso. Era apenas uma criança que a vida havia obrigado a crescer rápido demais.

Duo fumava seu cigarro nervosamente, habito que havia adquirido há pouco tempo, mas que já estava se tornando um vício. Fumava o segundo cigarro quando um carro preto muito chique e aparentemente muito caro se aproximou da esquina onde Duo estava. Sorrindo com o possível novo programa o americano se aproximou do carro.

O carro preto possuía os vidros escuros e não dava para enxergar nada do lado de dentro, para ter aquele carro só poderia ser alguém com muita grana. Sorrindo Duo se aproximou da janela do motorista e se curvou para ver quem era o motorista e possível cliente.

-Quer me comprar por uma noite? – Duo perguntou se apoiando na janela do carro enquanto o ocupante do veiculo abaixava o vidro.

-Ola Duo. – o ocupante sorriu ao ver o belo garoto sorridente.

-Howard? - duo exclamou surpreso. –Não sabia que você gostava de fazer programas com garotos? – brincou soando divertido.

-E não gosto. Você disse que seria fácil te encontrar. Na verdade eu achei meio difícil. – Howard disse se referindo ao primeiro dia em que se encontraram.

-Veio fazer o que em um lugar como esse? – Duo perguntou dando mais uma tragada no cigarro.

-Entra no carro Duo? – o ocupante do veiculo pediu destravando a porta do passageiro.

-Não posso amigo. Estou trabalhando. – Duo ironizou, não estava entendo o que Howard queria com ele.

-Então, quanto é uma noite com você? – Howard também ironizou pegando sua carteira.

-Esta bem Howard. Você me convenceu. – duo levantou as mãos em um sinal de rendição. Rodeou o carro e abriu a porta sentando no banco de passageiros. –Mas vou logo avisando que sou muito caro hein. – Duo brincou dando um largo sorriso.

Não acreditava que Howard queria passar uma noite ou ele ou estava ali afim de uma boa noite de sexo, ele não parecia ser esse tipo de pessoa. Mas se havia uma coisa que Duo tinha aprendido nas ruas era nunca julgar um livro pela capa, pois as aparências realmente enganam. Mas o que ele tinha a perder? Nada. Por isso havia entrado naquele carro, o que poderia ser pior que ser espancado e ainda nem receber por isso? Howard não podia fazer pior.

-Então Duo, por que você faz isso? – o motorista perguntou sem tirar a atenção do volante.

-Isso o quê? – Duo perguntou prestando atenção no caminho.

-Vender o corpo. – respondeu seco.

-Nem todos nascem com a bunda virada pra lua, amigo. Tento me virar como posso. – Duo se sentiu ofendido com a pergunta repentina de Howard, não estava a fim de ouvir um sermão de quem sempre teve dinheiro e não sabia como a vida era dura fora de sua caixinha de cristal.

-Desculpe. Só queria puxar assunto. – Howard se desculpou, era verdade, só queria iniciar um dialogo, mas tinha que admitir que não foi muito feliz não escolha de sua pergunta.

-Pra onde estamos indo? – Duo perguntou não reconhecendo aquela parte da cidade, era uma parte rica onde só tinha mansões.

-Pra minha casa. – Howard respondeu parando o carro em frente a uma das mansões e acionando o controle para que o portão automático se abrisse.

-Ahh... – Duo apenas abriu a boca em surpresa confirmando sua teoria, realmente Howard era um cara muito rico, agora a pergunta que ficava girando em sua mente era O que Howard queria com ele?

Howard entrou com o carro e o estacionou na imensa garagem onde outros carros tão caro quanto esse que dirigia estavam estacionado. Duo reparou o quanto àquela residência era cara, mas não comentou nada. Estava acostumado com clientes afortunados, mas estes nunca o levavam para casa era sempre para algum motel, mas também não acreditava que Howard queria transar com ele.

-Esta com fome Duo? – Howard perguntou chamando a atenção do garoto que parecia admirado com tanto luxo.

-Ah... Na verdade sim. – Duo respondeu meio sem jeito, mas realmente estava com fome.

-Venha vamos comer alguma coisa. Acho que a mesa de jantar ainda esta posta. – Howard sorriu fazendo sinal para que o garoto lhe seguisse.

Duo o seguiu ate a cozinha era uma imensa bela cozinha com detalhes que Duo nem sabia que existia e que eram usados apara ornamentar cozinhas. Tudo ali parecia irreal demais e longe demais do mundo que Duo conhecia.

-Vem, vamos para a sala de jantar. A mesa ainda esta posta. – Howar chamou a atenção de Duo.

Duo o seguiu ate a sala de jantar que para a surpresa do americano era muito maior e mais decorada que a cozinha. Havia uma estante com vários portas retratos, em todos eles estavam congelados momentos aparentemente felizes. Um em especial chamou a atenção de Duo, nele estava um rapaz aparentemente com a mesma idade de Duo, pelas roupas que o rapaz vestia e pelas paredes brancas no fundo, Duo deduziu que a foto fora tirada em um hospital.

O rapaz sorria na foto ao lado de Howard, ele segurava um bolo com velinhas de aniversario, usava uma bandana na cabeça, parecia que tinha raspado o cabelo ou por algum motivo seus cabelos tinham caído.

-Gosta de fotos Duo? – howard riu ao ver o americano olhar com tamanha curiosidade para cada foto nova que via.

-É seu filho? – Duo perguntou pegando o porta retrato ao qual se referia.

Howard sorriu pegando a foto das mãos de Duo e recolocando-a em seu lugar, seu semblante passou de alegre para pesaroso muito rápido.

-Sim, este é Douglas, meu filho. Ele deve ter a sua idade. – Howard organizava as fotos na estante, sua mente parecia vagar por um mundo de lembranças.

-Onde ele esta agora? Esta doente? – Duo perguntou inocente sem perceber que no canto dos olhos de Howard lagrimas se formaram.

-Ele tem uma doença rara, incurável. – Howard limpou as lagrimas que insistiam em se formar no canto de seus olhos. – Ele esta em uma clinica agora, se tratando.

-Ahh... – Duo não sabia o que dizer em um momento como aquele, se amaldiçoava em pensamento por ter feito uma pergunta tão obvia e idiota.

-Bem... Vamos comer agora? Eu já pedi para a cozinheira esquentar a comida. Não vamos deixá-la esfriar de novo. – Howard sorriu mudando de assunto.

-Claro. – Duo agradeceu mentalmente por ver Howard sorrir de novo, embora soubesse que era apenas um sorriso postiço.

Howard conduziu Duo ate a mesa de jantar, ao ver uma mesa farta com muitas comidas que o americano nem fazia idéia que existia seus olhos brilharam parecendo de uma criança que via uma loja de doces pela primeira vez.

-Sirva-se Duo. – Howard ordenou achando graça da expressão do americano.

-Posso? – Duo parecia não acreditar que poderia comer em uma mesa tão bonita como aquela.

-À vontade.

Duo parecia uma criança perdida em uma doçaria, ele experimentava um pouco de tudo, Howard apenas o olhava achando graça de como Duo comia, a alegria e espontaneidade de Duo o fazia se lembrar de seu filho. Duo não tinha modos algum na mesa, isso nunca lhe fora ensinado, mas Howard parecia não se importar, apenas ria do garoto comer tudo com a mão, como se a comida fosse lhe fugir da mesa.

Quando acabou de comer, Howard levou Duo para o quarto de hospedes, lhe deu uma toalha limpa para que pudesse tomar um banho e roupas limpas para que pudesse tirar aquela roupa escandalosa do corpo.

Duo aceitou tudo de bom grado, mas uma pergunta ainda não saia de sua mente. Por quê? Porque Hoawrd estava sendo tão generoso com ele? O que queria em troca? Sexo? Era apenas isso que Duo podia oferecer, era o que tinha de mais valioso, seu corpo.

Ao terminar o banho Duo vestiu as roupas que Howard havia lhe dado, era um pijama e tinha ficado um pouco grande no pequeno corpo de rapaz, era ate engraçado de se ver. Howard o esperava no quarto de hospedes.

-Acho que você precisa descansar agora Duo. – Howard achou graça das roupas largas de Duo. – Esse não era bem o seu tamanho ne?

-É verdade. – Duo também achou graça de si mesmo.

-Descanse agora Duo. Amanha conversamos.

-Howard? – Duo chamou antes que o homem pudesse deixá-lo sozinho no imenso quarto de hospedes. – Por quê?

-Amanha conversamos Duo. – Howard apenas olhou sorriu deixando o quarto e fechando a porta.

No corredor Howard suspirou pesaroso, aquele garoto lhe fazia lembrar demais de seu filho. Era alegre, cheio de vida, engraçado... Inocente. Seria justo entrega-lo? Estaria fazendo a coisa certa? Será que seu filho iria perdoá-lo se soubesse o que tinha feito?

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Heero pesquisava novamente em seu laptop, não sabia por que, mas não conseguia tirar de sua mente aquele garoto a quem atropelara. Não conseguia tirar aquela idéia fixa em sua cabeça, quem era aquele garoto? Já estava virando uma obsessão. Já tinha ate mandado um colega de trabalho fazer um retrato falado do garoto, mas isso não adiantara de nada, apenas servira para aumentar a loucura de Heero.

Não tinha nenhuma pista concreta do garoto, não sabia seu nome, não sabia nada sobre ele, apenas se lembrava de seu rosto e Deus... Porque esse rosto não saia de sua mente? Fazia uma busca em todos os arquivos da policia que tinha acesso. Pelo que analisara daquele garoto, por sua experiência como policial, pode traçar um possível perfil do garoto. Provavelmente um garoto de rua, sem família e usuário de drogas, provavelmente garoto de programa e possivelmente teria passagem pela policia por furto ou porte ilegal de drogas, esse era o perfil que Heero traçara do garoto.

Heero havia procurado em quase todos os arquivos da policia, mas não encontrara nem sombra do jovem. Parecia que ele não existia. Já era tarde da noite e o japonês ainda se encontrava em sua sala, com os olhos vidrados em seu laptop, fazendo uma pesquisa sem resultados por um garoto a quem atropelara. Heero estava tão concentrado no que fazia que nem percebeu a aproximação de outra pessoa atrás dele.

-Ainda com isso na cabeça Yui. – a voz grave e seria soou em suas costas assustando-o, não havia percebido que não estava sozinho na repartição dos Prevents.

-Chang? Quer me matar de susto? – Heero verificou que era apenas um de seus colegas de trabalho.

-Desiste de procurar esse garoto Yui. Ele deve estar bem, senão não teria fugido de um hospital. – Wufei ajeitava as ultimas papeladas do dia, também achava que estava sozinho nos Prevents à uma hora daquelas da noite, mas não se surpreendeu muito ao ver que Heero ainda estava por lá, parecia que o japonês preferia ficar no trabalho a ir para casa.

-Acho que você tem razão Wufei. – Heero passou a mão pelo rosto, estava cansado e com sono, há varias noites não dormia direito e preferia ficar no trabalho mesmo após seu expediente a ir para casa e ter que agüentar as reclamações infinitas de Relena.

-Finalmente um pouco de juízo nessa sua cabeça Yui. – Wufei terminou de ajeitar alguns papeis e se virou para Heero. –Desliga isso e vamos embora agora? – o chinês disse se referindo ao laptop.

-Você venceu Wufei. – Heero levantou as mãos em sinal de rendição. –Mas tenho que passar em lugar antes só para tirar isso da cabeça. – Heero desligou o laptop sem antes olhar para a tela do mesmo, se estivesse olhado teria visto o resultado de sua ultima busca, uma ficha de passagem pela policia por furto de um garoto de beleza andrógina, longos cabelos castanhos presos em uma trança, seu nome? Duo Maxwell.

-Você não tem jeito mesmo Yui. – Wufei deixou a sala do japonês e foi para a porta do elevador.

Heero pegou seu casaco que estava apoiado no encosto de sua cadeira, apagou a luz da pequena sala e foi atrás de Wufei. Ambos estavam vestidos o uniforme dos Prevents, que era um pouco escuro demais, consistia em roupas pretas, calça, camisa e um casaco com o símbolo dos Prevents e coturno. O Prevents era uma divisão especial, de alto escalão da policia que investigava crimes grandes, como terrorismo e máfias poderosas.

Heero alcançou Wufei que já o esperava dentro do elevador segurando a porta para que esta não se fechasse antes de Heero entrar. Os dois moravam no mesmo prédio, um condomínio sofisticado e luxuoso que ficava no centro da cidade próximo ao QG central dos Prevents. Ficaram em silencio ate chegar ao andar onde ficava o estacionamento.

-Está de carro hoje ou vai querer uma carona Chang? – Heero perguntou.

-Não, hoje a Sally me deixou vir de carro. – Wufei ironizou com ar de humor.

Ambos se despediram e Heero agradeceu mentalmente por não ter que dar carona para Wufei hoje. Não que não gostasse da companhia do chinês, muito pelo contrario, Wufei era um dos poucos amigos que tinha, mas já o estava irritando ficar afirmando o tempo inteiro que aquela obsessão que ele tinha em encontrar o garoto a quem atropelara já estava virando loucura. Parecia que era um complô contra Heero quando Wufei e Trowa se juntavam para ficar lhe dizendo isso.

Com certeza o chinês ia ficar atazanando a paciência de Heero quando soubesse que este teve a infeliz idéia de passar pelo lado sujo da cidade apenas para ver se encontrava com o tal garoto que não saia de sua mente. Pelo possível perfil que tinha traçado do garoto ele deveria ser um garoto de programa então talvez fosse de alguma utilidade procurar pelo rapaz na esquina mais "famosa" da cidade.

E foi o que fez, antes de ir para casa, Heero deu uma passada na tal esquina. Não ficou surpreso com o que viu por lá. Viciados, prostitutas e ate mesmo adolescentes vestidas de colegiais se oferecendo em troca de dinheiro, também viu alguns garotos de programa, mas não o que estava procurando. Talvez pudesse ter julgado mal o grato ou ele estaria ocupado no momento fazendo sabe se lá o que. Com o carro parado próximo a esquina, Heero debruçou sobre o volante.

-O que eu estava pensando? – Heero riu de si mesmo. –Estou ficando louco. O que eu esperava encontrar aqui? – Heero estava tão absolto em seus questionamentos que se assustou ao ouvir alguém bater no vidro de se carro.

-Ta afim? – uma moça vestida com roupas provocantes bateu no vidro do carro de Heero. Olhava para o japonês de forma provocante e insinuadora. Por causa do uniforme, viu que era um policial, muito bonito por sinal, era muito comum fazer programas com policiais.

-N... não. – Heero respondeu ríspido e deu a partida no carro. Afinal no que estava pensando quando teve a idéia maluca de procurar pelo garoto em um lugar como aquele?

-x-x-x-x-

Novamente o mesmo sonho. Era um sonho bom, estranho, mas bom. Duo estava naquela mesma noite em que fora expulso de uma pensão e havia sido atropelado por um policial. Mas em seu sonho após ser expulso da pensão e caminhar em direção a rua em que fora atropelado o atropelamento não acontecia. Ao invés disso o jovem policial parava o carro antes de atingir Duo, descia do veiculo e olhava para o americano de forma terna.

A chuva forte caia, mas nenhum dos dois parecia se importar com a chuva caindo ou com os carros que passavam por eles. Parecia que o mundo se resumia aquela olhar. E como que em um passe de mágica ou em um conto de fadas o jovem policial de feições orientais tomava seus lábios de forma terna e prazerosa, ninguém nunca o havia beijado com tanto carinho e cuidado, aquele era o beijo mais perfeito da vida de Duo. Mas de repente Duo via o objeto de seu afeto se afastar dele, longe demais para que ele pudesse alcançar. E era assim que acabava aquele sonho, tão de repente quanto havia começado.

-Droga de sonho! – Duo acordou sentindo um vazio enorme em seu coração. Era sempre assim, quando achava que iria ter uma noite tranqüila de sono, tinha aquele maldito sonho.

Havia fugido daquele hospital temendo que o homem que o atropelara o enchesse de perguntas e conseqüentemente o prendesse, pois pelo uniforme que o homem usava, percebeu que este era um policial. Podia ser apenas uma estupidez de sua cabeça ter fugido, mas também não gostava muito de hospitais e alem do mais estava muito bem e julgava não precisar de cuidados médicos.

Mas agora parecia um idiota, sonhando com alguém que nem ao menos conhecia. Depois de ser atropelado por aquele policial Duo não sabia o motivo pelo qual sua mente estava lhe pregando aquela peça, mas não conseguia tirar o policial de sua mente. Ate sonhava com ele.

Inicio do Flash-Back

-Ai... Minha barriga ta roncando. – Duo estava parado em frente a uma confeitaria olhando as guloseimas que eram exibidas na vitrine. –Humm! Isso parece bem gostoso.

Duo estava com as mãos apoiadas na vitrine, babando nos doces, bolos e tortas que eram exibidos. Colocou a mão no bolso e conferiu o que tinha, não era muito dinheiro, mas dava para matar sua vontade de comer doce. Antes de entrar na confeitaria deu mais uma olhada na vitrine tentando decidi o que iria comer primeiro quando uma movimentação dentro do estabelecimento chamou sua atenção.

-Aqui esta Sr.heero, as rosquinhas para a viajem. – a garçonete oferecia sorridente uma caixa de rosquinhas para um policial fardado.

-Obrigado Maria. – o policial agradeceu pegando a caixa das mãos da moça.

Duo não podia acreditar. Era o policial que o havia atropelado, o mesmo jovem oriental de belos olhos azul cobalto com quem ele não conseguia parar de sonhar. O coração de Duo começou a bater forte parecia um idiota parado em frente à entrada da confeitaria, boquiaberto, admirando o policial. Pela forma como era tratado e como chamava a garçonete pelo nome, Duo deduziu que o policial deveria freqüentar aquela confeitaria com assiduidade.

O oriental estava acompanhado de outro policial, provavelmente seu parceiro, um homem alto, de cabelos castanhos e com uma longa franja que lhe cobria um dos bonitos olhos verdes. Duo estava paralisado, não conseguia ter reação alguma.

-Agora quero ver o Wufei reclamar que nunca levamos nada pra ele. – o oriental conversava com o outro policial ao seu lado e se encaminhava para a saída.

Sem saber o que fazer Duo procurou se esconder em algum lugar para que não fosse visto, não sabia por que diabos estava fazendo isso, parecia um idiota fugindo da própria sombra. Respirava com dificuldade com seu coração batendo forte daquele jeito em seu peito, conseguiu se esconder antes que o policial pudesse vê-lo, viu os dois policiais passando por ele se encaminhando a um carro que estava parado em frente à confeitaria. As mãos de Duo tremiam.

-Então Heero? O que acha do suspeito que prendemos hoje? Culpado ou inocente? – o policial de olhos verdes perguntou para o oriental chamando pelo primeiro nome.

-Ninguém nesse mundo é inocente meu caro Trowa. – Heero brincou entrando no carro enquanto o outro policial fazia o mesmo só que do lado do passageiro. Deu a partida no veiculo e saiu.

-H... Heero. – Duo sussurrou para si mesmo. Então aquele era o nome do objeto de seu absurdo e totalmente insano afeto.

Mais aliviado por não estar na presença de Heero, Duo suspirou, era totalmente insano ficar sonhando com uma pessoa que ele nem ao menos conhecia. Entrou na confeitaria e comeu tudo que estava com vontade de comer a dias, dessa vez tinha dinheiro para pagar, preferia não lembrar de onde vinha esse dinheiro, para ele era melhor ficar criando fantasias em sua mente do que encarar a realidade.

Ao sair da confeitaria Duo não percebeu um carro estacionando no mesmo lugar onde antes estava estacionado o veiculo de Heero. Não viu quando um homem uniformizado desceu do veiculo e não viu quando este veio de encontro a ele.

-Não acredito que o Chang fez a gente voltar aqui só para buscar o café descafeinado dele? – o homem que desceu do veiculo falou com o outro que permanecia sentado no banco do carona.

Distraído olhando para o homem que estava sentado no banco do carona, o homem uniformizado que desceu do veiculo não percebeu que a sua frente estava um garoto de longas trancas e que ele estava caminhando direto na direção do garoto.

Como ambos não estavam prestando atenção em nada a sua frente acabaram por colidir, com o choque de trombar com outro corpo Duo acabou indo pro chão, caindo sentado na calçada. O outro corpo que colidiu com o seu cambaleou, mas não caiu, pois era mais forte que o americano.

-Ai... Desculpe-me. Eu não... – ao olhar com quem havia colidido Duo empalideceu qualquer que fossem as palavras que iria dizer morreram em sua boca.

Parado a sua frente olhando com tanta surpresa quanto ele, estava Heero, o policial que o atropelara e que agora não saia de sua mente. Surpresos demais para ter qualquer reação nenhum dos dois se moveram ficaram apenas se encarando, um perdido no olhar do outro. Era a segunda vez que Heero se encontrava com o garoto que não saia de seus pensamentos e... Deus, como ele era bonito, cabelos longos demais, pele branca demais, olhos de uma cor irreal demais para ser explicada.

Parecia que o mundo tinha parado naquele momento em que ficaram se encarando, era como se ambos se conhecessem há muito tempo.

-Você esta bem garoto? – Heero foi o primeiro a sair do estado catatônico, estendeu uma mão para o garoto caído na calçada em sinal de ajuda.

-Eu... – o coração de Duo batia rápido demais e sua mente girava, não conseguia elaborara uma frase coerente. – Eu estou bem.

Sem saber por que estava agindo dessa forma tão estúpido Duo se levantou em um sobressalto recusando a mão de Heero estendia em sua ajuda.

-Eu estou bem. – disse novamente, mas para si mesmo do que para Heero escutar. Passou por Heero e saiu correndo, sem saber do que ou por que corria.

-Hei... Garoto espere. – Heero ainda tentou alcança-lo, mas Duo era rápido e escorregadio.

Fim do Flash-Back

-Esta totalmente comprovado... Duo Maxwell é um idiota. – Duo falou para si mesmo lembrando-se de seu sonho e que estava apaixonado por um homem que nem mesmo conhecia de quem só sabia o primeiro nome e que era um policial, e pelo visto importante, porque seu uniforme era dos Prevents, o mais alto escalão da policia que Duo conhecia.

Olhou ao seu redor tentando reconhecer que lugar era aquele, lembrou-se de ter ido para a casa de Howard na noite passada, havia sido muito bem tratado e agora estava no quarto de hospedes. Howard o tinha convencido a ficar, estava certo, ele não era do tipo de pessoa que queria um programa com um garoto, o homem lhe parecia agora ser um bom amigo, afinal só queria ajudar Duo a sair das ruas.

Pelo sol que entrava pela janela, Duo percebeu que havia dormido demais, devia ser provavelmente umas dez ou onze horas da manha. E para variar sua barriga estava roncando de fome. Levantou-se da cama e foi ate a cozinha, não se importou com o que estava vestindo, usava uma camisa branca que Howard havia lhe dado e sua roupa de baixo, uma cueca preta, a calça do pijama ele havia tirado durante a noite já que esta ficava caindo o tempo todo por ser grande demais para seu corpo franzino. A camisa que usava era de alguém provavelmente bem maior que ele, pois em seu corpo ela parecia uma camisola.

Após se perder entre os inúmeros corredores da mansão de Howard Duo finalmente achou a escada, desceu e foi ate a cozinha. Antes de entrar percebeu vozes vindo do cômodo, pareciam familiar para seus ouvidos, reconheceu uma das vozes como sendo a de Howard. Não se importou com o que estava vestindo, afinal estava acostumado a vestir muito menos que aquilo, além do mais Howard havia lhe dito para agir naturalmente e se sentir em casa, e era isso que o americano estava fazendo.

Sabia que não era muito educado, mas ninguém nunca havia lhe dado educação, Duo agia do seu jeito, às vezes parecia vulgar, mas não fazia de propósito, aquele era seu jeito de ser. Não sabia como se comportar em determinados ambientes. Entrou na cozinha sem muita cerimônia.

-Bom dia Howard. – Duo entrou sorrindo, mas seu sorriso logo desapareceu e sua face se empalideceu quando viu com quem Howard conversava, suas mãos começaram a tremer, todo o seu corpo começou a tremer, deu pequenos passos para trás como se aquilo que visse fosse um pesadelo no qual não podia e não queria acreditar.

-Ola Duo Maxwell. – ouviu voz fria do cientista com quem fizera um acordo há um ano trás.

-N... Não. Dr. J? – Duo dava passos para trás, mas parecia que o chão fugia debaixo de seus pés.

-Me perdoa Duo. – Howard tentou se aproximar do americano.

Duo deu passos para trás ate que seu corpo se chocou com o corpo de alguém que estava atrás de si. Duo se virou e viu G, o outro cientista assistente de J em suas experiências, aquele parecia um imenso pesadelo, só poderia ser, parecia que Duo ainda não tinha despertado de seu sono.

-Ola Duo há quanto tempo não? - o homem ironizou apontando uma seringa para Duo com um liquido desconhecido dentro dela. – Não vai doer nada.

G se aproximou de Duo que estava chocado demais para ter qualquer reação. Seus braços foram segurados por Dr. J enquanto o outro cientista aplicava-lhe a injeção no pescoço. Duo estava em estado de choque, não conseguia se mover, em sua mente buscava respostas para as inúmeras perguntas que passavam pela sua mente. Então era isso? Howard era um deles? Um cientista? Era por isso que o tinha tratado tão bem na noite passada? Será que ninguém poderia lhe oferecer algo sem querer alguma coisa em troca?

-Não, por favor! – Duo suplicou com a voz fraca caindo no chão com o olhar fixado em Howard, havia confiado naquele homem. O liquido que fora aplicado em seu pescoço estava fazendo efeito, Duo sentia suas pálpebras pesadas demais para manter seus olhos abertos. Com o braço esticado e a mão aberta tentava alcançar inutilmente algo acima de si. – Por favor!

Suplicou uma ultima vez antes de desfalecer por completo.

-Bom trabalho Howard. – J deu um tapinha em suas costas.

-Espero que cumpra sua parte do trato Dr. J. – Howard olhou com pena para o garoto desfalecido no chão.

-Seu filho terá todo o remédio que precisar. – J sorriu olhando para o garoto caído no chão. Finalmente poderia dar seqüência a suas experiências. Heero já tinha aceitado ter um filho e agora J já tinha sua barriga de aluguel.

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Continua...

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Cantinho da autora: por favor, comentem.

Ate a próxima.

Notas: Ahh alguém ai reconheceu a frase "Quer me comprar por uma noite?", pois eh... A Blanxita já ta sabendo do plagio descarado... Mas não consegui evitar... hahahahah... Espero que a Blanxe não tenha patenteado essa frase se não vou ter que pagar... ¬¬ -asu-chan preocupara com a fortuna que vai ter que pagar pra Blanxe-

Musica: Ne me quite pas

Beijos da Asu-chan.