Poison Love

Capítulo 4

"There's a new game

We like to play you see

A game with added reality

You treat me like a dog

Get me down on my knees

It's a lot like life

This play between the sheets

With you on top and me underneath

Forget all about equality

Let's play master and servant

(...)"

Camus

Demorei a digerir cada palavra que aquela boca sensual proferiu com a voz rouca, mas decidida. A despeito de tudo, da minha frieza, da minha crueldade, não importando o motivo que me levou a fazer aquilo, ele não me culpava, ao contrário, justificava meus atos horríveis! Não estava certo, não poderia... Meu? Ah, como gostaria que fosse possível, tê-lo só para mim, não apenas seu corpo, mas seus pensamentos... sua alma... seu coração. Como podia um ser humano possuir o outro, dominar o outro, como um deus a um mortal?

Um mestre a um servo...

Senti seus lábios contra os meus, úmidos e ternos. Entreabri a boca, para que acariciasse minha língua. Pressionou meus dedos frios contra a carne quente e marcada. Apartou o beijo, mas não se afastou, o calor do hálito contra minha pele quando sussurrou me fez sentir um gostoso arrepio. E seu pedido me fez perder o fôlego. Simples, mas completamente enlouquecedor, tão naturalmente Milo.

Hesitei em reagir, no entanto ele aumentou o contato de nossos corpos, sentando-se nas minhas pernas, circundando meu quadril com as suas. Começou a se esfregar em mim, gemendo e me fazendo afogar em perdição, meu coração acelerar e respirar com dificuldade. Tão duro quanto eu, tão necessitado de alívio quanto eu.

Entre gemidos, voltou a me pedir que o possuísse, um tom um pouco desesperado. Novamente me vi perdendo a razão, tomando apenas consciência da dor que sentia no meu baixo ventre e no corpo luxuriante que se oferecia todo. Apertei mais a carne entre meus dedos, deslizando para a fenda, roçando, mas sem penetrar. Milo ofegou e se esfregou com mais força.

Retirou minhas mãos e se levantou um pouco, apenas o suficiente para segurar meu sexo e, antes que pudesse impedi-lo, descer sobre ele. Vi seu rosto contrair de dor, era um louco. Senti-o se fechar em volta de mim, preenchendo, seco. Tentei pará-lo, mas me afastou, continuando a descer lentamente. Cerrou os olhos, apertando as pálpebras, estava doendo muito, o suor escorria em sua testa. Não agüentei vê-lo daquele jeito, tentei protestar, mas minha boca foi tomada para um beijo, e assim desceu completamente sobre mim.

Seu corpo estremeceu. Idiota, não havia aprendido, não é mesmo? Apoiei minhas mãos na sua cintura, e ele encostou o queixo no meu ombro. E sobre o ombro dele, vi o espelho bem à nossa frente, refletindo-nos perfeitamente, o quarto estava claro o bastante para isso. Deparei-me com meus próprios olhos vermelhos, e me surpreendi com a expressão de luxúria que tomava meu rosto claro. O corpo montado sobre mim, os cachos loiros cascateando pelas costas, grudando no suor da pele bronzeada, que contrastava com a minha, pálida.

Não sei por que, mas gostei muito do quadro diante de mim. Um sorriso de lascívia adornou meus lábios assim que meus olhos pousaram na marca que começava a cicatrizar, as letras legíveis. Isso durou alguns segundos, no que Milo começou se movimentar, subindo e descendo, provavelmente querendo logo um alívio. Mas eu não queria que acabasse rápido, meu sexo dói e anseia por tomá-lo, mas acabar... não! Que dure o máximo que eu puder agüentar.

Segurei seu quadril, obrigando-o a encerrar seus movimentos frenéticos. Abriu os olhos e me encarou, interrogativo. Incrivelmente minha voz soou controlada, apesar da situação.

- Calma... Eu quero apreciar a cena.

Apontei o espelho atrás de si, e ele acompanhou, virando a cabeça atrás, apenas o suficiente. Soltou uma exclamação de espanto, provavelmente vendo o mesmo que eu. Ofegou e voltou a me encarar, os olhos arregalados. Não me contendo mais, o guiei lentamente, vendo com desejo aquele ato refletido. Devo ter atingido seu ponto sensível, pois a certa altura senti se apertar em volta de mim, meu membro pulsou em resposta. Mordisquei a orelha próxima a mim, sem desviar os olhos, implorando para que não fizesse aquilo.

- Por... quê?

-... Se continuar... Vou acabar rápido demais...

Ouvi-o suspirar longamente contra meu ouvido. Droga, não ia agüentar muito. Milo deixou-se de ser guiado por mim e aumentou o ritmo ao seu bel prazer, apertando-se mais e me trazendo junto. Busquei seu sexo, cerrando meus dedos na carne rija, massageando firme. Meus lábios procuraram os mamilos túrgidos, saboreando-os e puxando-os com os dentes, o sabor salgado da sua pele sob minha língua.

Seus gemidos cresciam, se tornando mais altos, preenchendo meus ouvidos como um som agradável. Seu êxtase veio antes do meu, molhando minha mão, que apertava seu membro, arrancando toda sua semente. Levei os dedos à boca, provando seu gosto, lambendo-os um a um. Milo continuava os movimentos frenéticos, até que meu corpo fosse preenchido por espasmos e o preenchesse com a minha semente. Abraçou-me com força, senti seu coração bater acelerado contra meu peito, tentava controlar a respiração.

- Foi ótimo...

Afastou-se e se jogou na cama, o acompanhei e o abracei, puxando-o para meu peito. Tirei o cabelo que lhe cobria o rosto para vê-lo melhor, esgotado e satisfeito. Sorri, lembrando-me das outras vezes, do quanto me sentia feliz depois de fazer amor. Milo descansava a cabeça no meu pescoço, a mão apoiada no meu peito, enquanto meu braço envolvia sua cintura, de forma possessiva. Então via seus olhos pesados cerrarem, caindo de sono.

Tudo havia voltado como antes, como se nada tivesse acontecido? Voltamos a sermos o que costumávamos ser um para o outro? Não... É uma ilusão, nada seria como antigamente. Mágoas não proferidas, mas presentes, a desconfiança pairava ainda sobre nossas cabeças. Era algo inevitável de se sentir.

Beijei sua testa, queria dizer algo, mas o que? O que poderia ser dito, que não quebrasse o momento, que não trouxesse mais discussões?

Ele havia dito que era meu, com um olhar tão doce, sincero. Perdoou o que fiz, enquanto eu não consigo perdoar a mim mesmo. Agora realizo que... nunca fui verdadeiramente de Milo.

A barreira de gelo que ergui em volta de mim mesmo, do meu coração, temendo que fosse invadido. Que me tornasse fraco e humano. A frieza com que encarava a vida, rechaçando qualquer tentativa de aproximação. Sem perceber ignorei os sentimentos de Milo, duvidei das suas súplicas, tachei-as de ridículas e sem fundamento. E ainda fui capaz de puni-lo por procurar o calor que eu não dei?

Sei que estou indo contra minha natureza, mas quero ser dele, tanto quanto ele é de mim. Sentir-me pertencer por completo...

Acariciei o seu queixo, fazendo-o me olhar. Senti seus lábios antes de tomar fôlego e falar.

- Milo... Eu quero que você me possua.

O vi arregalar os olhos e se erguer apoiando-se em um braço, encarando-me com espanto. Lembro-me de que foram muito poucas às vezes em que me tomara apesar de ele ser por excelência ativo. Desagradou-me lembrar desse fato, dos outros que ele teve. Não era agradável me ter do mesmo modo? Deu uma risadinha nervosa, encolhendo os ombros.

- Mas... Camus...

- É uma ordem. - o cortei.

- O... que? - franziu as sobrancelhas.

- Eu o ordeno... - me apoiei nos cotovelos, sorrindo e dizendo de maneira suave - que me faça explodir, com você dentro de mim.

"Ordeno...". Seus olhos brilharam, notei uma excitação ao me ouvir. Ficou um tempo me encarando, então desviou o olhar para a cama desfeita, as bandagens espalhadas. O cheiro de sexo recém feito ainda pairava no ar. Inspirou e saiu da cama, atrapalhado, tirando as coisas do caminho, murmurando um "certo... só preciso...". Contive minha vontade de rir, estava visivelmente embaraçado, o que via acontecer muito raramente com ele.

O vi gemer e curvar um pouco o corpo, me alarmei, esqueci-me de que ainda estava ferido. Levantei e o fiz se apoiar em mim.

- Não se esforce.

- Eu preciso arrumar essa bagunça.

- Milo. - fitou-me - Não vou agüentar... sério.

Segurando sua mão o guiei de volta para a cama, jogando tudo no chão. Seus olhos estavam presos aos meus, senti-me excitar só com a intensidade de seus olhos azuis. Deitei-me de costas no colchão e continuei segurando sua mão, até que subisse e ficasse sobre mim. Suas mãos e joelhos estavam apoiados no colchão, seu cabelo loiro escorria pelos ombros, emoldurando o rosto perfeito. Desviou seu olhar do meu, fitando algo a sua frente, virei minha cabeça para cima. Estávamos bem na linha de visão do espelho, voltamos a nos olhar, sorri e passei a língua pelos lábios. Em um gemido, Milo avançou sobre eles, me beijando de forma selvagem.

Elevei meus braços e circulei seu pescoço, acariciando os cachos dourados e trazendo-o mais para perto. A língua faminta vasculhava a minha boca desesperada, uma doce falta de ar, nossas salivas se misturaram, uma porção escapou pelo canto dos lábios. Quando se separou do beijo, logo passou a lamber e mordiscar minha bochecha, seguindo para a orelha.

Cerrei os olhos, continuando a acariciar seu cabelo e sentindo minha pele queimar onde sua boca tocava. Então ouvi um grunhido de dor e seu corpo retesou. Alarmado, abracei sua cintura e o fiz se deitar sobre mim, respirou fundo, me preocupando.

- Milo, está tudo bem?

- Está, não se preocupe.

Segurei seu rosto obrigando a me encarar, seus olhos não me convenceram muito.

- Não, não está. Não foi uma boa idéia, afinal...

- Shh... – colocou um dedo sobre meus lábios, me calando – Um servo não deve desobedecer a seu mestre, cumprirei meu dever com prazer.

A voz rouca e o olhar cheio de malícia fizeram um arrepio percorrer minha espinha, vi meu escorpião voltar. Sim, estávamos jogando, um jogo dolorosamente e, ao mesmo tempo, maravilhosamente real. O dedo deslizou da minha boca, percorrendo um caminho, pelo meu pescoço, por onde sua língua e dentes haviam passado deixando rastros, seus olhos acompanhavam o caminho, até o peito.

- Sua pele é tão branca, que qualquer carícia sutil pode marcá-la.

O vi descer o rosto, chupando um pedaço de pele próximo aos meus ombros, para depois erguer um pouco e sorrir, comprovando o que dissera, deixando uma marca rosada. Voltou ao que fazia antes, percorrendo ombros, peito e mamilos com a boca. Senti-me enrijecer contra seu abdômen, com as mãos ainda na sua cintura, o abracei mais forte e com as pernas me apertei contra ele, gemendo com o contato quente.

Sem parar de sugar um dos meus mamilos se moveu um pouco para o lado, passando a mão pela minha coxa, afastando minha perna e dando-lhe acesso. Um dedo, e logo dois invadiram meu interior, massageando. Joguei a cabeça para trás em reflexo e quase gritei de fúria. O encarei.

- O que está fazendo?

- Não quero te machucar.

- Não importa...

- Camus, faz muito tempo que fizemos isso, vai doer um bocado.

Sua voz se fez firme, mas quem ele pensava que era? Eu deveria estar mandando ali! Tentei ignorar a sensação dos seus dedos ainda se movendo dentro de mim, atingindo justamente meu ponto mais sensível. Não ia durar muito...

- Já disse que não importa, só preciso de você... agora!

Enfatizei bem a última palavra, o vi surpreso. Senti um pouco de vazio quando retirou seus dedos. Pediu para que eu pegasse a almofada próxima a mim, a peguei e lhe entreguei. Fez-me erguer um pouco os quadris, colocando-a debaixo deles. Flexionei os joelhos, abrindo mais minhas pernas, me expondo como nunca fizera antes, vulnerável e entregue, por ele, para ele, somente ele.

Seus olhos de azul intenso escureceram de desejo, tudo o que queria ver não o olhar de medo. Suspirei ansioso e o fitei firme, mostrando-lhe que estava muito seguro do que lhe pedia. Com gestos cuidadosos para que seu corpo não levasse choques fortes de dor novamente, se posicionou sobre mim novamente, me beijando.

Enquanto isso segurava seu membro contra a entrada, senti entrar um pouco, e estremeci. Esperou e entrou mais, devagar. Eu o entendia, mas não podia esperar mais. Circundei seus quadris com minhas pernas e o empurrei contra mim, fazendo-o o entrar de forma abrupta. Ouvi-o gemer contra minha orelha, e senti como se tivesse sido partido ao meio, uma dor percorrendo meu corpo, me fazendo estremecer mais.

Doía terrivelmente, ele percebeu, tentou se afastar, mas o abracei mais forte. Doía, mas sabia que logo ficaria bom, porque era Milo, aquele que estava dentro de mim, que respirava ofegante contra meu pescoço, contendo a excitação. Acariciei gentilmente as feridas abertas cruelmente por minhas mãos, pelo seu torso.

Sua barriga movia-se com a respiração, meu sexo pulsava contra ela. Quente. Ah, Milo. Nunca mais... nunca mais quero sentir o frio, o torturante frio que sinto longe de seu corpo. É como se eu estivesse morto...

- Faça.

Sussurrei e ele se ergueu nos braços, se afastando e se enterrando novamente. Tocou fundo, cerrei os olhos. Começou um lento movimento, entrando e saindo de mim. A dor se esvaia, me deixando uma ansiedade enorme por mais. Abri os olhos e me ergui, apoiando os cotovelos no colchão. Nos fitamos e continuamos assim, apertei minhas pernas ao seu redor, fazendo-o entrar até o fim e logo a aumentar o ritmo.

Cada vez mais excitados, não quebramos o contato visual. O rosto perfeito e bronzeado emoldurado pelos fios dourados desarrumados, a boca vermelha e entreaberta, ofegava e gemia, mas seus olhos azuis continuavam atentos em mim. Vi uma gota de suor correr de sua testa até o pescoço.

Passei uma mão pela sua nuca e aproximei meu rosto, lambendo o suor, o gosto salgado da sua pele. Deslizei a mão por suas costas, seus músculos retesavam enquanto me estocava vigorosamente. Meu sexo pulsou dolorosamente, me soltei e cai na cama, arqueando as costas e enterrando a cabeça entre os lençóis. Tão bom...

Ouvia meus próprios gemidos cortarem minha garganta, altos e desesperados. Não importava... nem um pouco. Uma onda percorreu meu corpo dos pés a cabeça, um delicioso arrepio. Milo me estocou ainda com vigor, e em pouco tempo o senti despejar dentro de mim. Sorri e apertei minhas pernas mais uma vez, completo, mesmo por um instante me senti completo.

Devagar se retirou e se deitou sobre mim, encostando a cabeça no meu peito e cerrando os olhos. Entreabri os olhos e me deparei com seu rosto próximo, já adormecido. Passei os dedos pelo seu cabelo e beijei a testa coberta pelos fios. Ainda que chegue a não me perdoar, a não querer mais me ver, a não me desejar, a me odiar do fundo do seu coração... Milo...

- Obrigado...

Milo

Meu coração falhou uma batida naquele momento. Um arrepio percorreu meu corpo, veloz, fazendo meu membro pulsar e retornar a vida no mesmo instante. Arregalei os olhos, tentando compreender o que ele havia dito. Camus pedira para que eu o...? Apoiei-me num braço, erguendo o corpo e procurando alguma confirmação do que havia ouvido. Observei seu rosto. Nenhum sinal de brincadeira, muito pelo contrário, estava corado. Era sério! Acabei soltando um risinho como se dissesse "me pegou dessa vez" e encolhi os ombros, nervoso.

- Mas... Camus...

- É uma ordem.

Ele foi rápido, acabou com meus argumentos antes que eles se formassem. Franzi a testa digerindo cada palavra. Meu corpo respondeu absurdamente diante dessa frase. Estava duro novamente. Cada pêlo estava malditamente eriçado, a pele sensível. Respirei fundo.

- O... que?

- Eu o ordeno... – sorriu gentilmente, sussurrando cada palavra - que me faça explodir, com você dentro de mim.

Meu membro pulsou ante a confirmação. Passei a língua pelos lábios, umedecendo-os. Fitei-o durante algum tempo, notando a face suavemente corada de Camus. Ele ficava lindo daquele jeito. Só Zeus poderia saber quanto custou a ele aquele pedido. Pensar nisso me trouxe a mente de q eu deveria ser rápido e não desperdiçar a chance. Olhei ao redor, notando o estado da cama. Péssimo. Minhas bandagens, sujas de sangue e ungüentos, unidas aos lençóis amarrotados criavam um cenário que podia ser descrito com uma única palavra: Caos. Ergui o corpo, no intuito de arrumar aquilo tudo. Empurrei as bandagens para o chão, sussurrando baixo, para mim mesmo, como devia proceder.

Levantar, definitivamente, não foi uma boa idéia. Doía. Tudo malditamente dolorido. Abafei um grito e me curvei sobre a barriga, segurando a respiração. Logo Camus se ergueu, me puxando para si e para a cama em seguida. Brigou comigo, dizendo que não poderia forçar meu corpo. Tentei discutir, dizendo que teria de arrumar a cama, mas fui cortado por uma frase que fez meu membro pulsar:

- Milo... Não vou agüentar... sério.

Gemi. Ele realmente queria que eu o tomasse. Segurou minha mão e deitou-se ao meu lado, me encarando. O segui, deitando meu corpo sobre o dele, sem quebrar o olhar. Intenso. De repente algo chamou minha atenção. O espelho. Podia ver meu corpo sobre o de Camus, refletido. Perfeito. Excitante. Voltando-me para Camus, vi a expressão de luxúria em seu rosto. Passou a língua pelos lábios, olhando minha boca num convite. Gemi e avancei sobre ele. Senti seus braços tocarem minha nuca, puxando-me para mais perto. O beijo, cada vez mais intenso, foi me empurrando num caminho sem volta em direção à loucura. Soltei seus lábios apenas para atacar sua orelha e pescoço, beijando e mordendo devagar. A pele suada tinha um sabor delicioso, único.

Mas uma pontada de dor me fez estremecer e parar. Eu havia esquecido completamente do meu estado. Novamente. Camus me puxou para si, fazendo-me deitar sobre ele, acariciando minha cintura. Tentei segurar o peso para não incomodá-lo, mas doía tanto que acabei falhando em meu intento. Respirei fundo algumas vezes, buscando afastar a dor e retomar o controle. Ainda doía ao erguer meu corpo e encarar Camus, mas desejava levar adiante...

- Milo, está tudo bem?

- Está, não se preocupe. – respondi sem encará-lo.

Seus dedos esguios tocaram meu queixo, puxando meus olhos para os seus, mesmo que a contragosto. Sua voz veio dura, e um pouco triste.

- Não, não está. Não foi uma boa idéia, afinal...

- Shh... – o calei com um dedo e sussurrei submisso, mas determinado – Um servo não deve desobedecer a seu mestre, cumprirei meu dever com prazer.

Dei pouco tempo para Camus digerir o que havia dito, seu rosto corado afirmando que havia dito a coisa certa, no tom certo. Ele gostava de me ver assim, dominador e submisso ao mesmo tempo. E eu adorava a expressão de prazer naquele rosto tão delicado, quase feminino. Deslizei o dedo onde meus dentes haviam marcado, suavemente. Cheguei ao peito, admirando a pele branca, macia. Suave, muito suave. Delicada. Lembrava a mais fina porcelana. Perfeita.

- Sua pele é tão branca, que qualquer carícia sutil pode marcá-la.

Chupei um pedaço daquela pele que se oferecia diante dos meus olhos, provando que minha tese estava correta. Sorri ante a vermelhidão que se espalhou onde meus lábios pousaram, típico, mas nunca me cansava daquilo. Era característico de Camus. O sabor, o cheiro, a tonalidade da pele. Ninguém mais no mundo deveria ser tão belo assim. Não era possível existir dois seres perfeitos num lugar tão pequeno. Procurei em vão. Sorrindo comigo mesmo tornei a percorrer seu corpo com beijos e lambidas, descendo rápido, sentindo-o contorcer-se sob meu corpo. Sua ereção pulsava em minha barriga enquanto seu peito subia e descia com força sob meus lábios, seus braços se apertavam ao meu redor, e suas pernas forçavam seu corpo contra o meu.

Sentindo que se aproximava do seu limite, resolvi prepará-lo. Deslizei uma mão pela coxa, abrindo devagar as pernas e introduzindo um dedo lentamente em seu interior. Sentindo não haver resistência, introduzi um segundo e dei tempo para que seu corpo acostumasse à invasão. Diante desse gesto o vi erguer o rosto, corado e enraivecido, querendo satisfações.

- O que está fazendo?

- Não quero te machucar. – falei gentil, movendo os dedos suavemente dentro dele.

- Não importa...

- Camus, faz muito tempo que fizemos isso, vai doer um bocado. – modifiquei o tom de voz.

Eu não deveria, tinha consciência disso, mas precisava me impor. Afundei os dedos dentro dele, sentindo a próstata e Camus retesar sobre eles. A voz rouca, baixa, tomou meus ouvidos de mansinho, me fazendo voltar atrás em minha decisão de ir devagar.

- Já disse que não importa, só preciso de você... agora!

Ele quase gritou a última palavra, deixando claro que eu deveria seguir em frente. Retirei os dedos devagar e procurei algo para facilitar a penetração. Notando uma almofada, pedi a Camus que a pegasse. Ergui-o e a posicionei sob ele, erguendo o quadril e deixando-o mais confortável para o que aconteceria. Surpreendi-me quando ele se expôs diante dos meus olhos, pernas amplamente abertas, me esperando. Um arrepio de excitação percorreu meu corpo, veloz, fazendo-me puxar uma golfada de ar. Camus perceber e acabou por suspirar também, fixando os olhos nos meus numa ordem muda. "Possua-me".

Beijei-o, distraindo-o, enquanto procurava penetrá-lo. Comecei devagar, segurando minha ereção entre os dedos e tocando sua entrada gentilmente. Empurrei o quadril um pouco para frente, sentindo seu corpo começar a ceder. Empurrei-me um pouco mais, entrando. Esperei e tornei a me empurrar, entrando mais um pouco, até Camus circundar minha cintura com as pernas e puxar-me contra ele, fazendo a penetração ocorrer de forma violenta. Gemi alto, próximo a seu rosto, sentindo-me sentir tragado daquela forma que tanto adorava por aquele corpo maravilhoso sob o meu. Camus tremia e ofegava. Estava louco, não havia outra explicação. Depois de tanto tempo sem... não podia ir assim, de uma vez.

Tentei erguer o corpo, retirar-me dele, cessar o ato, mas recebi um aperto de seus braços e pernas a meu redor em resposta. Ele queria continuar. Eu, por minha vez, tentava controlar meu corpo, que parecia querer explodir ali, naquele momento. Respirava fundo, rosto encostado em seus cabelos, aspirando o perfume suave. Suas mãos desceram até as feridas em minhas costas, acariciando-as gentilmente. Sua excitação clamava presa contra meu abdômen por ser tocada. A voz firme, permeada por desejo chegou, sussurrada, a meus ouvidos.

- Faça.

Ergui o corpo, olhando-o no fundo dos olhos e puxei o corpo, me retirando quase por completo. Ele fechou os olhos e eu suspirei antes de afundar novamente naquele corpo que se oferecia todo para mim e apenas para mim. Tornei ao movimento, lentamente. Tinha consciência que se não fosse devagar machucaria Camus mais do que já havia feito. Logo seus olhos se abriram, procurando os meus. Camus ergueu um pouco o corpo, mantendo o olhar, o tempo todo. Suas pernas se apertaram ainda mais ao meu redor, me puxando com força contra si. O suor se formava em sua testa e escorria lentamente por seu rosto, fazendo os fios rubros grudarem à tez.

Camus me lambia e acariciava, suspirando e tremendo enquanto o orgasmo se aproximava. Erguia os quadris contra os meus, buscando mais e mais contato, até o momento que me largou, jogando a cabeça contra o colchão, arqueando as costas e gozando. Seus gemidos e o aperto de seu corpo no meu me fizeram explodir dentro de seu corpo. Um pequeno sorriso adornou seu rosto naquele momento, e senti suas pernas se fecharem com força contra mim enquanto deitava-me sobre ele, ofegando.

Os arrepios ainda percorriam meu corpo quando me retirei e deitei sobre seu peito, aspirando o cheiro do sexo e do suor que o cobriam. Ao longe senti mãos e lábios em meus cabelos. E uma palavra que embalou o que seria o sono mais relaxante dos últimos meses: "Obrigado".

oOo

O rapaz de cabelos arroxeados abriu a porta e tateou o interruptor, acendendo o lustre e clareando o aposento as escuras. Soltou uma exclamação ao se deparar com o pandemônio que se instalara ali. Praguejando, pôs-se a recolher objetos espalhados pelo chão. Porque havia de ser sempre ele que punha tudo em ordem naquele Santuário? Não era a toa que era o favorito ao posto de sacerdote, e...

Ao chegar perto da cama e se levantar, ergueu um dos pontinhos que existia no lugar das sobrancelhas. Sobre a cama revolta, lençóis em estado deplorável e bandagens, os dois amantes ressonavam em um sono tranqüilo. O loiro estava em cima do ruivo, a mão descansando no peito alvo, a boca entreaberta. O único lençol que os cobria estava precariamente enrolado na cintura do grego.

Corou levemente e cerrou os olhos, murmurando aborrecido um "Parece que alguém resolveu fazer as pazes por aqui...". Foi até uma das janelas e abriu as pesadas e escuras cortinas num lance só, os raios de sol atingindo em cheio o rosto do francês. Este gemeu e cobriu o rosto com a mão, virando a cara para o outro lado em reflexo, franzindo as sobrancelhas e gemendo baixinho. Abriu um dos olhos entre os dedos e encarou Mu, postado ao lado da cama, com os braços cruzados e estando mal humorado.

- Hum... bom dia. – bocejou.

- Bom dia? Estamos quase no final da tarde!

Piscou algumas vezes, seus olhos se adaptando com a claridade. Viu o teto e as paredes em tom alaranjado, efeito criado pela luz que vinha da janela.

- É verdade... – balbuciou.

- Camus!

- O que?

- O que aconteceu aqui?

O tibetano gritou indignado, e fez um gesto com a mão, mostrando o lugar. Aquário olhou ao redor, meio sonolento, meio confuso. Seu olhar caiu na cabeça loira abaixo de si, e sorriu discretamente. Acariciou os fios dourados e murmurou.

- O melhor sexo da minha vida?

Levou um travesseiro na cara de um ariano a ponto de explodir. Muito bem, agora sim estava acordado.

- Vocês fizeram... com o Milo nesse estado? Onde raios estava com a cabeça?

A voz nervosa de Mu zumbiu nos seus ouvidos, descobriu-se com uma dorzinha de cabeça. Devia ter aspirina na cômoda ao lado, se contorceu um pouco abrindo a gaveta e retirando a cartela. Pediu um copo de água ao cavaleiro, este pegou a jarra e encheu um a contragosto, entregando-lhe.

- Ah Mu... Não começa...

- Ok... – suspirou – Saori solicita sua presença no Templo de Athena.

- O que?

Fez uma careta, encarando o tibetano, que apenas o olhou cruzando os braços. Que droga! Mais aquela! Na última semana deixara o trabalho da Fundação de lado, afinal, depois de sete meses, merecia um descanso! E tinha um discípulo para treinar, não podia deixar suas obrigações como cavaleiro. E também... Olhou de soslaio para Milo, que continuava a dormir pesado, mesmo com as vozes um pouco altas.

Depositou o copo vazio na cômoda, com cuidado deslizou pelo colchão, afastando-se do corpo quente e aconchegante do amante. Quando se levantou, sentiu uma dor percorrer parte de seu corpo, tendo de se sentar de novo. Mu descruzou os braços e se adiantou até ele, preocupado.

- O que foi?

- Nada... – cerrou os olhos por uns instantes – Poderia se virar um pouco?

- Ah, claro. – se virou embaraçado.

Camus se levantou de novo, suprimindo a dor. Milo tinha razão, mas ele sabendo que ia acontecer, pediu por aquilo, não? Enrolou um lençol na cintura e se dirigiu ao banheiro, em um rápido relance mirou o espelho, e voltou-se a ele, observando melhor o estado do seu rosto. Grandes olheiras e uma face abatida, não era uma boa aparência para se apresentar ao Templo de Athena, mas o que podia fazer?

Deixou o Escorpião adormecido aos cuidados de Mu. Apesar deste o olhar com censura e desaprovação desde aquele episódio, sabia que sua ajuda fora por demais necessária.

Já estava de noite quando saiu da oitava casa, aspirou a brisa fresca e ergueu o olhar para além das casas zodiacais. Chegando, sua presença foi anunciada antes de adentrar o salão. Saori com seu vestido branco se ergueu nervosa e espalhafatosa do trono, inclinou-se em reverência e pelo canto do olho viu Saga sentado em um canto do aposento.

Em um tom irritante de voz de menina, a herdeira dos Kido o repreendeu por se ausentar tanto nos negócios da Fundação. Sem responder, apenas olhou para o lado, mirando a figura de cabelos azuis, que o observava. Sabia que estava exagerando, Gêmeos podia muito bem cuidar de tudo.

- Senhorita, havia assuntos urgentes a tratar.

- Você diz Milo? Possuímos servos que podem cuidar dele!

A pálpebra de Camus tremeu ligeiramente, as notícias haviam chegado aos ouvidos da reencarnação de Athena.

- A responsabilidade pelo estado dele é minha, senhorita.

- Ainda os punirei pela irresponsabilidade de uma luta pessoal. Agora, volte ao trabalho amanhã, tenho que viajar de volta para o Japão. – virou de costas, prestes a dispensá-lo.

- Sinto, mas minha prioridade nesse momento é cuidar de Milo até que se recupere completamente.

A menina de cabelos roxos se virou bruscamente, boquiaberta com o que acabara de ouvir. Saga cobriu a boca, ocultando um riso.

- Como ousa...?

- Saori, meus votos de cavaleiro são para servir Athena, a deusa, e não a herdeira de Kido. Pense bem em como está sendo egoísta! – sua voz se elevou, mas sem se alterar. – Tenho aos meus cuidados um discípulo, e como mestre não posso desperdiçar meu tempo em uma viagem de sete meses sem sentido!

Encarou-a com a expressão dura, como a um professor dando bronca em uma aluna. A garota caiu sentada no trono com uma expressão de surpresa, e depois baixou a cabeça. Camus suspirou e relaxou os ombros.

- Então, senhorita, se não se importa, eu preciso voltar.

O som de seus passos ecoou pelo salão, até abrir a grande porta e sair. Andou mais alguns até estar fora do templo e parou, respirando fundo. Era isso. Sabia que havia sido um tanto rude, mas era hora da jovem Saori saber ser madura. Talvez Milo estivesse certo esse tempo todo, mas não deveria se preocupar, sabia lidar com ela muito bem.

Ouviu o som da porta que acabara de sair atrás de si, virou o rosto vendo Saga dirigir-se até ele, com uma túnica branca e longa. Por acaso trazia mensagem de Saori?

Ficou de frente para ele, esperando o cavaleiro se aproximar. Gêmeos abriu um sorriso gentil, desconcertando um pouco o cavaleiro de gelo. Seu rosto então ficou um pouco melancólico e apoiou sua mão no ombro do outro.

- Lamento muito o que aconteceu.

Aquário não esperava que falasse aquilo, baixou a cabeça e desviou o olhar. Quando era adolescente, tivera aquele choque, o mestre Ares com voz gentil levara-lhe para aquele lugar. Mesmo tendo que servi-lo, odiou o mestre por muito tempo.

Mas o homem que estava na sua frente era Saga, o verdadeiro, o cavaleiro justo e bom. O mesmo que era antes de ser tomado pela maldade. Sentia uma grande simpatia por ele, ainda mais com a boa convivência que tinham desenvolvido nos negócios de Saori.

- Foi tudo culpa minha...

A mão de Saga deslizou do ombro para seu rosto, fazendo-o erguer os olhos amargurados para si. Perguntou-se se ele sabia do passado dele e de Milo, imaginou que não. "Não, a culpa não é sua, Camus..."

- Sabe Camus, pode não parecer, mas eu e Milo já fomos muito próximos. Claro que isso faz anos, antes de você chegar ao santuário...

- Saga, eu sei de tudo que aconteceu entre vocês. Os três.

Saga espantou-se, erguendo uma sobrancelha. Então Camus tinha conhecimento do relacionamento que ele, Ares e Escorpião mantiveram. As memórias de Ares ficaram tanto tempo lacradas que foram praticamente esquecidas dentro de sua mente, mas ele tinha consciência do tamanho do mal que fizera a Milo antes mesmo que ele pudesse discernir o que era ou não bom para si. Sorriu tristemente, acariciando a bochecha de Camus. Ao invés de fugir do toque, Aquário inclinou um pouco o rosto contra a mão, fechando os olhos. Algo lhe dizia por dentro que precisava chorar, mas não conseguiria fazê-lo ali, na frente de outra pessoa, ainda mais um cavaleiro como ele. Mesmo assim o aperto no peito parecia piorar a cada segundo que passava, tornando a dor cada vez mais forte, mais forte, mais forte...

- Se você sabe, fica mais fácil conversarmos para que não cometa os mesmos erros que eu.

A voz suave de Saga trouxe-o de volta a realidade. Logo abriu os olhos, encarando-o com o cenho franzido e endireitando a cabeça.

- Aqui não é um bom lugar para conversas. Importa-se de me acompanhar até meu escritório?

Definitivamente, a escadaria que levava a casa de peixes não era o lugar mais adequado para conversar o que quer que fosse. Quanto mais um assunto delicado como aquele...

- Claro Saga, mas tenho de voltar logo, deixei Milo dormindo.

- Não irei demorar.

oOo

Ofereceu uma xícara de chá a Camus enquanto sentava a sua frente. O sorriso cordial, porém tristonho não abandonando sua face um segundo sequer.

- Dispenso Saga. Se pudéssemos ir direto ao assunto...

- Acalme-se Camus. Disse que não demoraríamos. O que não quer dizer que seja algo que possamos tratar em alguns minutos.

Saga levou a xícara aos lábios, bebericando um bocado do chá. Desviou os olhos de Camus, entregando-se às recordações. Limpou a garganta antes de começar.

- Acompanhei vocês a distância esses anos todos, observando se você cuidaria de Milo corretamente e os últimos dias não foram diferentes. – Camus arregalou os olhos, descrente – Não duvide disso, meu caro. Lembre-se de quem sou e quem já fui. Eu tenho como saber tudo que acontece nesse lugar sem muito esforço. Eu sei o que aconteceu no templo de Escorpião na noite em que chegou a Grécia. – sim, eu sei que você o violentou. Sabia e observei a luta que travaram, mesmo sem estar presente na arena. Soube de seus cuidados e da reconciliação de hoje.

Camus o encarava sem conseguir acreditar em suas palavras. Ele sabia. Simplesmente sabia. Sentiu-se mais uma vez coberto pela vergonha de seus atos. Saga olhava atentamente para a parede, como se, através dela, pudesse visualizar cada frase proferida. Tomou mais um gole de chá. Dispensou a Camus alguns segundos de seu olhar antes de fixá-lo na parede novamente.

- Parece que Milo teve uma recaída daquelas durante sua ausência de sete meses no Santuário. – falou calmamente.

- E depois de uma cena exagerada de ciúmes... – completou revirando os olhos.

- Hum. – analisou a figura a sua frente antes de continuar - Com certeza a personalidade de Milo mudou um bocado nesses últimos anos em que mantivemos nada mais do que uma convivência saudável, mas tenho certeza quase absoluta de que, por dentro, ele continua exatamente igual a quando o conheci.

Camus estreitou o olhar, irritado. Onde Saga queria chegar? Desejava dizer que ele não cuidara bem de Milo? Se a intenção era acusá-lo isso era totalmente desnecessário, afinal, sua própria consciência cumpria essa função muito bem. Pensou em encerrar a conversa e deixar o recinto, mas logo a voz de Saga elevou-se novamente, mantendo-o onde estava.

- Pode não parecer, Camus – e realmente não parece –, mas Milo, por dentro, ainda é uma criança. Não estou chamando-o de infantil, apenas estou dizendo que ele não tem limites claros para si mesmo. Todos têm um ponto de onde não passam, e é isso que Milo não possui. Ele parece gostar da dor. Ele parece gostar de mandar e ser mandado, – e talvez até goste um pouco – mas não é disso que ele precisa. Ele precisa de carinho e, quando falo de carinho, falo de demonstrações claras disso. Demonstre que você está com ele. E até brinque de mandar e ser mandado, de vez em quando.

- Saga, realmente não acho que eu, a essa altura dos acontecimentos, precise de um conselheiro "matrimonial"...

O cavaleiro de Gêmeos calou-se durante alguns segundos, fitando a xícara praticamente vazia. Suspirou antes de continuar, como se sequer tivesse ouvido o que Camus dissera.

- Entenda tudo como um grande teatro. Não pode ser mais que isso. É uma brincadeira. Séria, mas uma brincadeira. Se você mantiver isso em mente, tudo vai correr bem e você não irá feri-lo por dentro. Não irá destruí-lo. Mande mas não se imagine o dono dele. Mestre, não dono. – repetiu baixo, para si mesmo e sorriu novamente, sereno e tristonho. – E não trate suas cenas de ciúmes e preocupações com a frieza que costuma encarar, você sempre soube como aquele escorpião pode ser possessivo e chegar a extremos.

Saga ergueu-se recolhendo as duas xícaras, colocando-as de lado e abriu a porta para Camus, indicando o caminho com uma das mãos, como faz um cavalheiro a uma donzela, o que fez Aquário soltar um risinho abafado, quebrando o clima sério.

- Não faça nada que eu não faria... se soubesse das conseqüências.

Sentiu-se voltando a época em que tinha treze anos, naquele mesmo escritório. Levantou e se dirigiu para a porta, mas quando ia passar por ela, Saga pousou a mão no seu ombro novamente. Virou-se e viu seu rosto bem perto, o sorriso ainda adornando os lábios.

- Sobre a jovem deusa, deixe que eu cuido dela. – terminou piscando um olho.

oOo

Continua...

Fevereiro/2005


- Trecho de "Master and Servant", do Depeche Mode.


N.A.:

Mudoh Belial: Demorou, admito, mas não ta maravilhoso? Enorme, não? Então não reclamem o.ó! Foi um fim de ano muito complicado para mim, quem me conhece sabe o porquê. Ah sim, era pra terminar nesse capítulo, mas não deu. E dessa vez culpem a Mizuki Ò.Ó! Por hora é só... Feliz Páscoa !

Senhorita Mizuki: Eita, dez páginas de puro lemon, não tem do que reclamar mesmo... Espero que termine no próximo, ou vou criar outro karma para minha vida. -- Feliz Páscoa... Festa Junina... Dia das Crianças... (Mizuki assinando seu próprio atestado de morte)