Poison Love
Capítulo 6
"Os velhos olhos vermelhos enganam
Sem querer
Parecem claros, frios, distantes
Não têm nada a perder
Por que se preocupar por tão pouco?
Por que chorar
Se amanhã tudo muda de novo?
Parei de pensar e comecei a sentir
Nada como um dia após dia
Uma noite, um mês
Os velhos olhos vermelhos voltaram de vez"
- Por você, Milo. Para você...
Camus ergueu-se e, dando a volta na mesa, colocou-se atrás de Escorpião. Desceu o rosto à altura do ouvido deste e murmurou suave:
- Tudo que eu fiz, eu fiz por você. Para entendê-lo e, principalmente para... satisfazê-lo.
Um arrepio percorreu o corpo de Milo, descendo a partir da nuca. Respirou fundo e fechou os olhos, apreciando a sensação. Havia um quê de especial naquela sensação, afinal, era Camus que a causava. Camus sorriu discretamente diante dessa reação e, com a voz rouca murmurou novamente:
- Agora levante e tire o casaco. – não importava o tom, era uma ordem.
Milo, sem uma palavra, aquiesceu deixando seu sobretudo escorregar pelos braços, caindo na cadeira. Ouviu o farfalhar de tecido atrás de si e teve consciência de que Camus também abrira mão de seu casaco. Teve ímpeto de se voltar e ver o que ele escondera tão bem sob todo aquele veludo cinza, mas por instinto esperou que isto lhe fosse ordenado.
- Vire-se, quero vê-lo.
E sem pensar duas vezes, Milo girou o corpo na direção de Aquário. Sentiu-se enrubescer ao notar o olhar dele sobre si. Era puro desejo. E domínio. Passou a ponta da língua pelos lábios, umedecendo-os. Desceu o olhar pelo corpo de Camus, observando tudo que lhe fora escondido até então. E uma estranha centelha de reconhecimento passou pela sua mente.
Milo vestia uma roupa que ele deixara na frente de seu templo, horas antes. Mal pôde acreditar quando abriu o embrulho e deparou-se com... aquilo. Mas o bilhete deixado era claro:
"Vista isso e apareça no meu templo às nove horas.
Camus."
A letra não deixava enganar, vinha mesmo de Aquário. Mas aquilo...! Vestira-se e lá estava, esperando, na completa ignorância do que viria a seguir.
Camus sob o sobretudo vestia apenas uma calça comprida em vinil branco. Apenas, e não havia zíper nela. Os músculos do peito e abdômen definidos, deliberadamente expostos. A pele branca como leite refletia o bruxulear das velas ao seu redor. E Milo teve de prender a respiração. O vinil ficava completamente grudado ao corpo do cavaleiro de gelo, como uma segunda pele brilhante. Seu olhar seguiu pelas coxas torneadas, parando na região do baixo ventre. O que viu o fez dar um sorriso de canto, voltando um olhar malicioso para o rosto do seu amante.
A roupa que ele próprio usava consistia em uma espécie de colete em couro preto, amarrado por um fio do mesmo material que trançado transpassava a abertura que mostrava a parte central do tórax e boa parte do abdômen. Alcançava a altura do umbigo e sua pele descia exposta até a barra do short mínimo que também lhe fora dado, que fazia conjunto com a parte de cima.
O short era tão curto que cobria apenas o essencial, até menos. Era amarrado nas laterais da mesma forma que o colete, deixando a pele dos lados quase completamente descoberta. Para "completar" o figurino, vestia um coturno, também no couro preto do resto da roupa. O outro cavaleiro, por sua vez, usava apenas branco, até o calçado. Eram os opostos. Camus era seu dom. E Milo era seu sub. (1)
Milo arregalou os olhos ao reconhecer a situação em que se encontravam. Onde Aquário havia tido conhecimento daquelas coisas, e porque as colocava em prática naquele momento? Não fazia muito sentido para Milo. Sentiu um ímpeto de colocá-lo contra a parede e questioná-lo, fazê-lo sanar todas as suas dúvidas. Mas segurou-se, lembrando que caso o fizesse, seria insubordinação e... Um arrepio desceu pela sua espinha a partir da nuca, quando lembranças passaram em sua mente. Não gostaria de ser punido daquela forma novamente. Fora cruel e o machucara por semanas. Não permitiria que lhe acontecesse de novo!
Então abaixou seu olhar, coisa que Escorpião nunca fizera na vida, em gesto de subordinação voluntária. Decidiu participar do que fosse que Camus estivesse aprontando.
- Vá para o quarto. – a voz rouca ordenou firme.
E Milo obedeceu, caminhando para o cômodo próximo, mantendo sua cabeça baixa. Sentiu Camus segui-lo, mordiscou o lábio inferior de ansiedade. Parou a um passo da cama grande, apenas esperando a próxima ordem. Camus a deu e ele se virou, sentando-se e erguendo o rosto em expectativa.
Camus ergueu o braço tocando os lábios de Milo com a ponta dos dedos, e ele os entreabriu. Afastou-se e desapareceu da linha de visão de Escorpião, voltando em poucos minutos, segurando uma vela que ascendera naquele instante. O viu abaixar-se e postar ajoelhado na sua frente. Com um toque gentil Camus ergueu um de seus pés, depositando-o em seu ombro. Com um olhar que fez Milo querer gemer, beijou a perna desnuda. Em seguida trouxe a vela até ela e a inclinou, derramando algumas gotas de cera quente. Apesar de esperar por aquele contato, e até já o ter experimentado, Milo gemeu profundamente e apertou os olhos.
Satisfeito, Camus sorriu brevemente, pouco mais que um contrair de lábios e se levantou. Tornou a sumir da visão de Milo, para privar-lhe dela. O grego sentiu a textura de um tecido cobrir-lhe os olhos, o nó dado não lhe apertava muito. Ainda assim era o gentil amante. Vendado, Milo agora só ouvia seus movimentos e sentia sua proximidade.
Uma mão tocou-lhe o ombro e o fez deitar-se no colchão. Sentiu o toque úmido nas suas coxas, depois as mãos frias abriram suas pernas. Milo sobressaltou-se, gotas da cera quente foram derrubadas na parte interna das coxas, sendo assopradas depois. Camus tocou o nó que prendia o colete e o soltou. Sentiu que o fio de couro era retirado da roupa. Suas mãos foram erguidas, os pulsos unidos e logo pôde sentir que algo os amarrava. Eles foram unidos de forma firme, o couro apertando a pele, quase ferindo. E logo sentiu que o fio de couro que o prendia era atado a algo. Alguma extremidade fixa, limitando seus movimentos. Respirou fundo, sentindo um frio à altura do estômago. Sorriu brevemente, esperando o próximo ato.
Mãos tocaram seu peito, descendo pela barriga. Unhas correram pela pele, sensibilizando-a, na altura do estômago e abaixo. Desceram até a borda do short, sem se demorar ali, contudo. Milo tremeu em expectativa, mas tudo logo parou. Longos segundos se passaram. Podia ouvir Camus se mover, senti-lo próximo de si, sem tocá-lo. Sentia sua respiração tocar-lhe a face. Próximo... E então veio. Um ardor forte, queimando sua pele. Uma grande quantidade de cera derretida caiu diretamente sobre ela. Aquário derramara-a na junção entre o tórax e o abdômen. Ergueu o corpo e debateu-se. Doía! Mas era uma dor esperada. Sabia que viria. A cera escorreu, secando lentamente. Esfriou devagar, mas não importava. Sentia seu corpo pulsar, arder. Respirou fundo algumas vezes, tentando se acalmar. Quase podia ver Camus sorrindo diante de sua reação.
E então veio novamente, nas coxas dessa vez. Tornou a se debater. Era uma reação que não podia controlar, simplesmente. Lábios tocaram-lhe sobre a cera ressecada, numa carícia gentil. Uma língua passeou pela borda, na pele inchada. Beijou-lhe as coxas, subindo para o abdômen, peito e pousou nos lábios. Um suave roçar, uma forte sensação de querer mais. Mas não lhe foi concedido. Tremeu, suspirou e esperou.
Mas não veio. O que pôde sentir foi o fio de couro que prendia seu short ser solto de um dos lados, desnudando uma das coxas, libertando, ainda que em parte, sua ereção fortemente presa pelo couro. E o corpo de Camus estava sobre o seu. Podia sentir sua proximidade, o calor de sua pele. Estava imerso em sensações, apenas nelas. Lábios tocaram a pele do pescoço, a língua dançando devagar, fazendo um arrepio descer pela espinha. Seu membro pulsou e acabou por soltar um suspiro ruidoso. Mãos apertaram-lhe as coxas, abrindo-as amplamente. Sentiu a ereção de Aquário roçar pelo interior de uma delas, lentamente, antes de dirigir-se ao seu baixo ventre. Uma mão afastou suas nádegas devagar e sentiu algo sendo derramado entre elas. Um líquido gelado a princípio, que, ao entrar em contato com a pele, tornou-se quente. Até demais.
Uma estranha sensação de formigamento tomou conta do lugar e Milo se remexeu, inquieto. O que estava acontecendo? O membro de Camus roçou-lhe entre as nádegas de forma suave, torturando-o. Remexeu-se, impaciente, e o toque cessou. Choramingou algo incompreensível, mas logo foi calado com um beijo.
Camus beijou-o com força, sem delicadeza – sem feri-lo, entretanto. Beijou-o e beijou-o, até que perdesse o fôlego. Deixou que o outro respirasse e, enquanto este ofegava, penetrou-o. De uma só vez, tão lento quanto pôde. Milo podia senti-lo deslizar para dento de si, centímetro a centímetro, numa calma sufocante. Sentia-se quente. Muito quente lá. O que fora usado? Não podia perguntar, não podia falar. Sua submissão tinha de ser total...
Ofegou baixo em seu ouvido, apenas um suave escape de ar pelos lábios semi-cerrados. Não demorou a começar a se movimentar, estocando o outro com uma calma que levava à loucura. Milo moveu o quadril contra ele, numa exigência muda. Aquário segurou-o com força, mantendo-o no lugar e murmurou em seu ouvido:
- Nada disso. Lembra quem manda aqui? Se fizer isso, só piorará as coisas.
Milo gemeu frustrado, e tornou a se submeter. Camus seguiu em seus movimentos, lânguidos, fazendo-o querer gritar. Suspirava em seu ouvido, passando os lábios pela pele do seu pescoço, deixando-o arrepiado com o calor de sua respiração. De forma gentil e lenta, sentiu que o membro de Camus roçou sua próstata e quase chorou querendo mais.
Para seu prazer e sanidade, a estocada seguinte veio mais funda, um pouco mais violenta, fazendo-o gemer com o contato mais forte. Teve ímpetos de agarrar-lhe com as pernas, cruzá-las em suas costas, impondo um ritmo que sabia que o outro adorava, mas se conteve. Contorcia-se enquanto Camus enterrava-se em seu corpo. Logo as estocadas foram ficando mais e mais fortes, levando-o próximo ao ápice. Sentia o corpo quente, mal podia conter os suspiros e gemidos que deixavam ruidosos de seus lábios. Tremia. E, quando supôs que gozaria, Camus segurou-lhe o membro com força, impedindo-o.
Quis gritar e mordeu os lábios impedindo-se. Prestou atenção em Camus, nos sons que fazia. Sabia que o outro estava perto de gozar apenas pelos gemidos, mesmo que contidos, que soltava. Contraiu o corpo quase involuntariamente, e sentiu o amante tremer sobre si. Com um gemido rouco, gozou dentro do corpo de Milo, um forte espasmo percorrendo-lhe o corpo, fazendo suas pernas perderem a força e o corpo desabar sobre o de Escorpião.
Milo remexeu-se, desconfortável. Estar tão perto do limite e não alcançá-lo irritava-o, enlouquecia-o. Queria gritar, chorar, implorar. Queria ele mesmo acabar com aquela angústia. Se Camus soltasse uma de suas mãos, não importando qual fosse, poderia terminar ele mesmo com aquilo que o outro começara. Mesmo que fosse humilhante. Sua pele, onde a cera caíra, momentos antes, ainda pulsava, ardendo de forma suave sob a cera agora ressecada que começava a desgrudar de seu corpo. Seu membro também pulsava. Apenas mais um pouco de fricção e... Mas não vinha. Camus parecia ignorar os pedidos de seu corpo, simplesmente. Respirou fundo algumas vezes, ainda trêmulo, tentando controlar-se um pouco ao menos.
Camus arfava, o peito expandindo sobre o corpo do outro. O coração estava acelerado e tinha as faces coradas. Sorriu contra o peito que se movia com a respiração ofegante. Sob si Milo tremia em espasmos curtos e tinha a face contorcida, como se sentisse dor. Mexia o corpo em busca de algum contato que o fizesse acabar com seu tormento. Mas não iria dar o que o outro precisava assim, tão facilmente. A verdade era que estava realmente gostando daquele joguinho.
Quanto mais Milo esperasse por sua satisfação, mais intensa esta seria. E queria oferecer-lhe apenas o máximo, nada menos.
Passou os lábios de leve pela pele enquanto acalmava seu próprio coração, de forma preguiçosa, sentindo o gosto salgado em sua língua. Ela brilhava suavemente sob a luz das velas, uma fina camada de suor a cobria, tornando-a quase dourada. Suas unhas compridas se deixaram passear lentas pelo tórax, leves o suficiente para não arranhá-lo. Ouviu-o choramingar alguma coisa e tentar erguer os quadris e fechar as pernas em volta de si, mas segurou suas coxas de forma firme contra o colchão, impedindo-o. A respiração de Milo silvou e ele pendeu a cabeça para trás, batendo-a na cabeceira da cama. Podia imaginar aqueles olhos atrás da venda cerrados com força, numa tentativa de se concentrar e acalmar seu corpo em fogo.
O Escorpião blasfemou mentalmente, Camus estava tomando seu tempo, provocando e divertindo-se com seu sofrimento. Podia até mesmo sentir o sorriso nos lábios quando esses subiram e continuaram pressionados por muito tempo contra seu pescoço. Queria que eles subissem um pouco, o suficiente para capturá-los com os seus, sugando-os com fome. Acreditava que no estado em que se encontrava poderia gozar com apenas aquilo.
Camus sabia, porque era exatamente como queria deixá-lo. Milo murmurou uma série de palavrões, familiares ao francês acostumado com as várias vezes em que o amante ficava muito nervoso. Soltou uma risada baixa próximo ao ouvido do outro, vendo com prazer ele apertar os lábios em resposta.
- Não seja apressado... – disse em seguida.
Teve repeti-lo a si mesmo também, tendo de resistir à vontade de simplesmente tomar o membro do amante e fazê-lo vir em sua garganta. Vencendo o cansaço do seu corpo praticamente saciado, Camus ergueu-se e se afastou de Milo, vendo-o mover a cabeça na direção do som dos seus movimentos. Advertiu-o de que não se movesse, e com certa hesitação ele obedeceu, assumindo uma posição relaxada que era quebrada pela situação entre suas pernas. Sorriu com a visão – poderia se acostumar com aquilo também.
Ficando de pé, tratou de se despir das calças de vinil, libertando suas pernas do tecido apertado. Quando voltou para a cama, trazia aquele mesmo frasco de óleo, mas dessa vez banhou os próprios dedos com ele. Postou-se de quatro no colchão e sobre o amante, mas sem encostar-se a seu corpo. Levou os dedos até o meio de suas próprias pernas, estremecendo ao tocar-se entre suas nádegas. Sentiu suas faces quentes, nunca fizera aquilo. Apenas Milo e Saga o haviam tocado tão intimamente. Respirou fundo e cerrou os olhos, tentando lembrar de como os dedos dos cavaleiros de Gêmeos e Escorpião uma vez haviam movido dentro de si.
Era um tanto desconfortável, mas sabia que se insistisse mais um pouco poderia... Então seus joelhos quase cederam quando a ponta de seus dedos roçou o ponto certo. Estremeceu e insistiu no mesmo lugar, mordiscando o lábio, mas não evitando sua respiração de ficar acelerada. Milo franziu as sobrancelhas movendo a cabeça na direção do som, sentindo seu hálito.
- Camus, o que está fazendo?
O francês entreabriu os olhos, vendo seu rosto apenas a alguns centímetros do seu. Baixou o olhar para o corpo abaixo do seu, parecia que havia se acalmado um pouco e estava conseguindo lidar com o "probleminha". Ao invés de lhe dar uma resposta, Camus passou a língua pelos seus próprios lábios e então pelo lábio inferior de Milo. O grego avançou tentando capturar sua boca, mas o outro recuou a tempo, estalando a língua.
- Não faça perguntas, ainda estou mandando aqui.
Ele voltou a encostar-se à cabeceira, parecendo impaciente. Gostaria de saber qual seria a expressão em seu rosto se visse o que estava fazendo bem a sua frente. Retirou os dedos acreditando que já era o suficiente, e logo o frasco estava de volta em suas mãos. Mergulhou uma das mãos por dentro do short apertado que o grego usava, libertando-o, e o amante suspirou. Deixou o resto do óleo deslizar pelo membro ereto de Milo, que se sobressaltou e contraiu a barriga.
Viu-o abrir a boca e antes que pudesse falar, tocou seus lábios com os dedos finos, numa muda ordem para que ficasse quieto. Com os joelhos postados cada um ao lado dos quadris de Milo, Camus finalmente tomou o sexo túrgido em suas mãos, acariciando brevemente, segurando-o até posicioná-lo em sua entrada. Apenas um leve roçar que fez o queixo do Escorpião pender de surpresa. Camus continuou segurando-o e descendo, até que a glande estivesse dentro dele. Respirou fundo e o ouviu ofegar, querendo erguer os quadris novamente. Pressionou uma mão espalmada contra a sua barriga, prevenindo-o a não se mover.
Camus sentiu ser preenchido lentamente, tomando tempo para acomodar tamanho volume. Quase não acreditou que conseguira quando suas nádegas tocaram as coxas e o short de couro meio aberto. Milo soltou o ar dos pulmões e murmurou um "pelos deuses" e teve de concordar. Apertou o membro dentro de si recebendo um longo gemido em apreciação. Podia imaginar o que estava sentindo, uma vez que sentira a mesma satisfação de estar dentro do amante.
Passou a se movimentar, mas sem retirar seu membro, num rebolar lento e torturante até mesmo para ele. Depois de um tempo experimentou subir boa parte e se enterrar, apoiando as duas mãos no abdômen de Milo, que voltou a gemer e quis mover seus quadris. Repetiu mais duas ou três vezes, até acertar o ângulo no qual o grego acerava em cheio na sua próstata. Camus estremeceu todo, soltando um gemido baixinho e arranhando de leve a pele debaixo das suas unhas.
Seus movimentos ficaram mais rápidos e intensos, e seu próprio membro semi-ereto tomou vida novamente, sentindo um calor se instalar no baixo ventre. Resistiu à urgência de se tocar, cadenciando seus movimentos com o ritmo da penetração. Cravando as unhas na carne trêmula do corpo abaixo do seu.
- Camus... – Milo o chamou entre gemidos e o amante o fitou febril – deixe-me ver... – disse em um tom de súplica – por favor.
O francês diminuiu seus movimentos, pousando os vermelhos olhos indecisos na figura excitada do outro cavaleiro. Decidindo que já o havia poupado o bastante de sua visão, levou uma das mãos atrás da sua cabeça, puxando a ponta da venda até que ela se soltasse. Viu os olhos claros tentarem se ajustar piscando várias vezes, para em seguida se prenderem nos seus. Milo os baixou pelo torso de Camus, ofegando quando encontrou o ponto onde os dois corpos se uniam.
A expressão embevecida e depois o sorriso malicioso com que foi brindado no rosto redondo de Milo o fez apertá-lo involuntariamente dentro de si, fazendo-o mordiscar o lábio inferior cheio com a pressão. Foi tudo que Camus precisou para voltar a cavalgar sobre ele com mais vontade. Percebeu que debaixo de suas unhas trazia um pouco de sangue e prontamente trouxe seus dedos à boca, sugando-os com avidez.
Aquela altura nenhum dos dois impedia seus gemidos de escaparem de suas gargantas e reverberarem alto pelo quarto. O torso de Aquário pendeu para frente, sentindo suas pernas vacilarem. Passou os braços pelas costas do outro, apoiando-se em seu corpo. Camus não impedia mais o grego de se mover, e este erguia seus quadris de encontro a ele como podia com as mãos atadas.
Milo sorriu ao ver a pele coberta de suor oferecida e próxima a sua boca, não hesitando em prová-la com língua e dentes, deixando claras marcas avermelhadas nos ombros e pescoço do amante. Queria que durasse mais, tentando se segurar, apenas desejando que aqueles doces gemidos e ofegos em seu ouvido e a deliciosa pressão em volta de si se prolongassem.
Mas estava ficando mais difícil a cada segundo, enquanto ele o apertava com força e seus próprios quadris se moviam com fúria como se dotados de vontade própria. Não demorou até que sentisse sua barriga se contrair e se enterrar todo na carne quente, seu corpo sendo tomado por espasmos.
Camus sentiu ser preenchido pelo seu sêmen e algo dele deslizar pela sua entrada. Seus braços ao redor de Milo estremeceram, mas não o soltou, o grego enterrara sua cabeça no pescoço dele, ofegante. Sentiu sua própria ereção dolorida, não satisfeita. Alcançando o fio de couro que prendia seus pulsos, Aquário os soltou e segurou, trazendo-os até poder vê-los. Estavam vermelhos e bastante marcados, trouxe um a sua boca depositando um beijo e logo em seguida passando a língua, fazendo Milo silvar de ardor em resposta. Repetiu o mesmo no outro pulso.
Com uma calma que o grego apenas atribuía ao amante, Camus se ergueu nos joelhos, fazendo o membro murcho deslizar lentamente para fora. O outro observou com luxúria seu próprio sêmen deslizar pelas pernas pálidas em gotas peroladas. A forma graciosa do francês alcançou o meio da cama, recostando as costas na pequena montanha de almofadas e erguendo os joelhos, abertos o suficiente para que Milo pudesse ver sua ereção pousada contra a barriga, clamando por atenção.
Não precisou de ordens, quando ele o chamou com o dedo indicador, imediatamente engatinhou até ficar entre suas pernas. Acariciou o interior das coxas, dando um olhar apreciativo antes de esticar a língua e dar uma lambida em toda a extensão de seu membro. Vendo-o mordiscar o lábio em resposta, Milo tomou-o na boca sem cerimônias, lambendo e sugando.
Quando ergueu mais uma vez os olhos, encontrou os vermelhos encarando-o avidamente, provavelmente vendo-o desaparecer e aparecer nos lábios do grego. Camus já estava no limite e em pouco tempo despejava seu próprio sêmen em Milo, que não desperdiçou nenhuma gota sequer, sugando até que o amante tivesse parado de gemer e mover os quadris. Depositou alguns beijos pelo torso de Camus, subindo sobre seu corpo, alcançando sua boca e tomando-a na sua, fazendo-o provar do próprio gosto.
Aquário mergulhou os dedos na cabeleira loira e molhada, segurando sua cabeça, enquanto os dois travavam uma batalha de línguas, que depois se transformou num beijo preguiçoso. Sua mão deslizou pelo rosto redondo, segurando o queixo de Milo. Os olhos vermelhos percorreram com atenção os traços da sua face, concentrados. A vozinha na sua cabeça sibilou que não podia adiar mais, que deveria colocar aquilo em pratos limpos de vez. Ou aquela sombra ia afetá-los pelo resto de suas vidas.
Chamou-o, fazendo Milo encará-lo enquanto pegava sua mão e a beijava, ainda havia resquícios de sangue seco debaixo das compridas unhas.
- Milo, é capaz de me dominar como fez aos outros? – o encarou sério.
Viu os olhos azuis escurecerem, o grego largou sua mão com uma expressão subitamente sombria. Como em um encanto quebrado.
- Do que está falando, Camus? – perguntou, dando um fraco sorriso incrédulo.
- Sabe bem do que. – disse, erguendo-se nos cotovelos e sentando, para que seus olhos ficassem no mesmo nível – Eu fui embora, por sete meses, ignorei suas explosões. Você não me puniu e não me mostrou a quem eu pertencia. – Camus sentiu sua garganta queimar, mas continuou – Ao invés preferiu me esquecer ou até mesmo me substituir com quem quer que fosse.
- Camus... – começou, com uma expressão amargurada – poderíamos não discutir isso agora?
Moveu-se para deslizar para fora da cama grande, mas o francês segurou seu cotovelo com força e o fez ficar.
- Não, sem chances. A não ser que eles sejam melhores, e você não queira admitir pra mim. – o grego franziu o cenho àquela declaração – Porque eu não posso dominar e me deixar ser dominado por você? Como eles? Como Saga e Afrodite? – terminou firme.
- Porque com eles é completamente diferente! – falou, em tom mais alto.
- O que é tão diferente assim?
- Com você eu não conseguiria agir como fazia com eles.
- Por quê?
- Porque me importo com você! Por Athena! – baixou a cabeça e esfregou a testa, nervoso – Será tão difícil assim perceber? Eu jamais conseguiria te machucar, Camus.
- Então você prefere machucar outros em vez disso. – constatou.
- Não foi o que eu falei. – deu um olhar de soslaio para o outro.
- O que você quis dizer, então?
- Eu te amo, Camus. Será que é impossível para você compreender algo tão simples assim? –
explodiu
Aquário arregalou os olhos, mas manteve-se em silêncio com a declaração do outro.
- E eu não conseguiria ferir alguém que amo... – baixou o tom de voz e voltou a baixar o olhar.
Um intervalo de silêncio se seguiu, as duas figuras evitaram se olhar, iluminadas pelas velas que já estavam bastante gastas. Camus pendeu o corpo pra frente, encostando a testa no ombro de Milo, que cerrou os olhos e suspirou.
- Então por quê? – voltou a perguntar.
- Eu já não disse que... – replicou, mas foi interrompido.
- Porque não me fazer seu, mesmo que me machuque? Eu não me importo... – disse a última parte em tom baixo – De fato, eu sinto inveja deles. – isso fez o outro encará-lo de olhos arregalados – Imagino Afrodite sob seu domínio, debaixo da sua bota, sob seu subjugo. Gemendo, implorando... e eu não gosto, nem um pouco.
Camus continuou com a testa em seu ombro, seu rosto escondido pela franja e pelo cabelo ruivo, como se com vergonha de que o visse.
- Se alguém tem de estar nesse lugar, Milo. Esse alguém tem de ser eu, e apenas. Está me entendendo? Porque você é o único que eu deixaria fazê-lo...
- Camus...
- Você não seria capaz de fazer isso por mim? Você me deixa te machucar, mas não faz o mesmo quando peço. Não é justo. – socou os lençóis – Eu quis te mostrar que posso jogar o mesmo jogo hoje, Milo.
Milo se aquietou por algum tempo, fitando o nada. Lentamente voltou os olhos à Camus, encarando-o na penumbra. Havia algo de diferente em seu olhar. Não mais aquele sobressalto, tampouco o espanto. Pareciam calmos, e até mesmo carinhosos. Não tensos como usualmente eram, com o grego colérico e o amante se mantendo frio e cínico. Eles machucavam um ao outro, sem nem mesmo hesitarem. De alguma forma era o que os mantinha unidos.
- É mesmo isso que quer?
- Já não fiz questão de deixar bem claro?!
Milo inclinou o rosto e o fez erguer o seu, capturando-lhe os lábios em um beijo suave.
- Se isso o fará feliz, Camus, eu farei com todo o prazer. Só não espere que o machuque de verdade – isso eu não farei. – finalizou severo.
Aquário deslizou a mão pelas suas costas, alcançando uma nádega exposta pelo short mínimo, traçando com a ponta dos dedos as letras que agora estavam completamente cicatrizadas, fazendo finas linhas na pele bronzeada. Sorriu orgulhoso de encontro aos lábios.
- Então me mostre que me domina como eu o domino, Milo. – segurou a mão do amante e o conduziu pela parte interior da coxa até tocar uma das macias nádegas – Aqui.
O Escorpião não pode evitar sentir uma corrente elétrica percorrer seu corpo. Passando a língua pelos lábios, baixou seu olhar até onde sua mão se encontrava, um sorriso maroto estampou-se em seu rosto.
- Essa idéia me agrada imensamente.
Milo empurrou-lhe os ombros, deitando-o novamente na cama e esperou que virasse de bruços. Acariciou-lhe as nádegas descobertas com reverência e beijou-lhe as espáduas. Deixou que a unha do indicador crescesse com a Agulha Escarlate e, então, desceu-a sobre a pele macia, marcando, fazendo-o seu.
Sob si, Camus gemeu baixo, mordendo a mão enquanto sentia uma fina dor. Mas sorria. Cada vez que sentissem a marca, saberiam que possuíam um ao outro.
oOo
Horas depois, ainda que a noite já fosse avançada, os dois amantes permaneceram acordados na cama. Camus tinha a cabeça pousada no peito de Milo, que acariciava preguiçosamente suas costas. A curiosidade do Escorpião estava-o atiçando desde quando recebera o pacote e adentrara a biblioteca do cavaleiro. Não agüentaria ficar muito tempo sem perguntar:
- Diga, Camus. Onde aprendeu essas coisas que experimentamos hoje? Que eu me lembre não era muito adepto... – deixou no ar.
O francês gelou, engasgando ligeiramente. Milo ergueu uma sobrancelha e se moveu para encarar o amante.
- Bem... digamos que li em um livro... – moveu as mãos num gesto evasivo – que peguei emprestado de alguém. – o outro ergueu mais a sobrancelha e Camus passou a língua pelos lábios, nervoso – De Saga, mais precisamente. – sua voz chegou a atingir a oitava nota.
Escorpião estreitou os olhos, visivelmente não gostando do que ouvia.
- E o que mais, Saga, andou lhe ensinando... Mais precisamente? – rosnou.
- N... nada de mais, Milo! Por que a desconfiança? – haveria algumas coisas que não valiam a pena ser contadas – ainda mais quando se estava relacionando com um escorpiano ciumento.
E Camus decidiu beijá-lo a responder mais perguntas, calando os protestos de seu possessivo amante.
FIM
Janeiro/2007
1 - sub é aquele que se submete e dom é o que domina.
- Trecho de "Olhos Vermelhos", de Capital Inicial.
