Ok, pessoal, thanks pelos comentários!

IV – Perigo no Ar

Sakura, Tomoyo e Meilin já se encontravam prontas em casa de Tomoyo. As malas estavam feitas, e naquele momento estavam só à espera do helicóptero que os ia levar a Hong Kong, cortesia da mãe de Tomoyo, Sonomi Daigochi. Sonomi também estava presente, e enchia a cara de Sakura com beijos. Quando finalmente a largou, Sakura estava corada. Sonomi repetiu o processo com Tomoyo, e em seguida cumprimentou Meilin. Quando terminou, o helicóptero chegou.

Era preto, com riscas brancas e parecia forte. Ao que parecia, havia muito espaço lá dentro. As meninas colocaram as malas no sítio que lhes era destinado (quando Sakura atirou a sua mala, pensou ter ouvido um gemido) e dirigiram-se para os bancos. Colocaram os cintos de segurança e acenaram a Sonomi, que retribuiu. Depois, com um ruído ensurdecedor, o helicóptero levantou voo.


- Oh, vá lá! O Ariol era muito simpático. Confessa!

- Ok, pronto. Eu gostava do Ariol – confessou Tomoyo, enquanto Sakura e Meilin riam – mas era só uma paixoneta. Depois houve toda aquela confusão com as cartas e eu percebi que estava apaixonada pela reencarnação do Mestre Clow. É óbvio que desisti imediatamente – e riu-se com o facto.

Estavam sobre o oceano, já tinham jantado e estavam agora a conversar animadamente. O sol punha-se, atrevidamente, como se quisesse que aquela conversa acabasse. Depressa ficou de noite, e Sakura, Meilin e Tomoyo dormiam.


Por baixo do helicóptero, no mar, uma pequena embarcação navegava pelas águas calmas e serenas. O seu único ocupante pôs-se de pé e olhou o helicóptero através da escuridão. Ele sentia. Era aquele o alvo.

O homem tinha cabelos castanhos e olhos negros, vazios. Vestia uma capa negra como os seus olhos, e a única coisa que sobressaía no seu vestuário era o Ankh de bronze que trazia ao pescoço com uma corrente.

O homem tirou o Ankh e segurou a corrente à sua frente. Imediatamente, a brisa tornou-se mais forte, mas não forte o suficiente para abalar o mar. O homem contemplou o helicóptero e disse as palavras. Um brilho fosco iluminou as redondezas do barco, e quando cedeu, o homem tinha nas mãos uma garra de metal.

A garra era de bronze, como o Ankh, mas tinha laivos de prata e ouro. Era como uma bracelete: estava adaptada á mão do homem como um relógio, com as garras a sobreporem-se aos dedos. Nas costas da garra estava gravado um símbolo em forma de triângulo com uma estrela lá dentro, pintado a preto e branco. Mas o detalhe mais espectacular da garra era sem dúvida as pontas da garra, em diamante puro.

O homem mirou a garra e em seguida tirou uma carta de um dos bolsos da capa. A carta era negra, com runas e símbolos no verso, e uma águia negra na fronte. O homem levantou a carta, que brilhou, e atirou-a. A carta voou na escuridão e voltou ao homem. Quando já se encontrava perto dele, este espetou a garra na carta. Imediatamente, uma bruma negra saltou da carta, cobrindo o mar escuro. A bruma concentrou-se num ponto, formou uma esfera, e soltou várias águias negras, como a da carta. As águias voaram em direcção ao helicóptero, enquanto o homem sorria.

- Harpia.

Uma das águias soltou um grito.


No helicóptero, Sakura e Meilin despertaram com o grito. Mas não só o grito, a magia que sentiam. O silêncio que reinou a seguir foi dos mais perturbadores que Sakura alguma vez presenciara. Sakura aproximou-se da janela. Estava quase lá…

Uma águia negra surgiu do nada e perfurou o vidro, entrando no helicóptero. Tomoyo acordou abruptamente e gritou. O piloto do helicóptero estava em pânico, o que fazia com que o helicóptero oscilasse de um lado para o outro. Tomoyo rastejou até ao piloto e confortou-o, enquanto Sakura e Meilin, depois de invocarem rapidamente as suas armas, tentavam forçar a águia a sair por onde entrara.

- Sakura, abre a porta! – Gritou Meilin.

Sakura obedeceu, e abriu a porta do helicóptero. Meilin estalou o chicote contra a águia e esta atacou-a. O grito de Meilin assustou o piloto, que inclinou o helicóptero para trás. Tomoyo deslizou e escorregou pela porta. Agarrou-se à berma da porta mas não aguentou. Ao largar, bateu com a cabeça nos patins do helicóptero, ficando inconsciente.

- Tomoyo! – Chamou Sakura, mergulhando na escuridão.

O corpo de Tomoyo estava fora do alcance de Sakura. Tomoyo caiu dentro de água. Sakura abriu os braços, fazendo uma espécie de planador com o casaco e olhou em seu redor. 4 outras águias negras aproximavam-se. Sakura virou-se para cima.

- Meilin!

Meilin saltou borda fora, com o chicote em riste e compactou o seu corpo para cair mais depressa. Quando atingiu a água, nadou para Tomoyo e agarrou-a.

Sakura tirou duas cartas e invocou-as ao mesmo tempo.

- Voo! Água!

Asas brancas brotaram das suas costas, enquanto que o demónio aquático que saía da carta se dirigia a Meilin e Tomoyo. O demónio pegou nelas e levou-as para longe daquele sítio. Entretanto, Sakura encontrava-se ao nível das cinco águias, no mesmo elemento, em desvantagem numérica. Sakura teve uma ideia.

- Espada!

O bastão de Sakura transformou-se numa espada reluzente e invulgar. As águias pareceram temer, porque pararam. Miravam a espada. Por alguma razão, Sakura sabia que elas conheciam a carta Espada. Podia sentir o medo que as águias sentiam. A carta Espada podia cortar tudo, incluindo águias.

Por momentos, Sakura e as águias permaneceram no mesmo sítio, observando-se umas às outras. E depois, sem aviso prévio, começaram.

Sakura mergulhou, seguida das águias. Um mergulho a pique que perfurava o ar frio e nocturno, tendo como fundo o céu estrelado e o mar calmo. E depois, num repente, Sakura inverteu o movimento e subiu, rasgando uma águia de baixo a cima. As águias gritaram com a perda de uma das suas, e atacaram Sakura. Esta desviou-se com a fluidez de um falcão. Para alguém que não utilizava a carta Voo há algum tempo, não estava nada mal. Sakura evitava as bicadas das águias. Eventualmente, uma delas procurou atacar a sua cabeça, e Sakura subiu no ar, decapitando-a. O corpo desmanchou-se numa explosão de escuridão. Sakura subiu ainda mais, seguida de perto pelas três águias. Elas estavam cada vez mais perto. Quando alcançaram Sakura, iniciou-se um bailado aéreo de ataques e esquivas, fluido e coordenado. Tanto Sakura como as águias pareciam antever os movimentos umas das outras. Uma delas conseguiu abrir por entre as defesas de Sakura e investiu contra o seu peito. Sakura gritou de dor, enquanto bramia a espada. Conseguiu contra-atacar e destruiu a águia. Faltavam duas.

Sakura desceu rapidamente, esquivando os ataques furiosos das duas águias restantes. Elas entrelaçavam-se uma na outra, criando combinações cada vez mais mortíferas. Quando se combinaram numa só, uma cabeça surgiu nas costas da águia e, como uma serpente, enrolou-se à volta do pé de Sakura. Esta não esteve para meias medidas, e cortou a cabeça. Uma águia restava.

A águia começou a voar à volta de Sakura, sem parar, até que Sakura deixou de a distinguir. Quando deu por si, estava rodeada de águias. E, sem demoras, atacaram. Sakura estava rodeada. Não tinha escapatória. Só uma águia era real. Ela sabia-o. Procurou no seu coração a fonte da magia. Um rasto de magia negra apontava…

- …para a minha esquerda!

Sakura espetou a espada na águia que se encontrava directamente à sua esquerda. A águia implodiu em escuridão, assim com todas as outras.

Tinha terminado. Sakura flutuou durante muito tempo, sem saber o que fazer. E então, um helicóptero surgiu, com a porta aberta, num convite a entrar. Sakura entrou e fechou a porta. E, sem esperar, o bastão voltou ao normal, as asas desapareceram e Sakura deixou-se cair no banco, cansada.


Enquanto isso, no barco, o homem de capa negra observou aprovadoramente o desempenho de Sakura. E, enquanto o sol nascia, observou o helicóptero a dirigir-se em direcção ao horizonte, já em território chinês.