Hey pessoal, desculpem a demora, mas tive os exames nacionais e foi tempo de estudar. >>...
Espero que gramem.
VI – Eclipse Aquático e Efervescente.
Sakura, Eriol, Touya, Kero, Meilin e Tomoyo subiam as escadas que davam para a recepção do Casino Kisaragi. Ao lado deles, fontes multicoloridas lançavam jactos de água na direcção do céu limpo e estrelado.
As portas automáticas abriram, e o grupo entrou, cansado. A recepcionista olhou de soslaio para eles e decidiu não comentar sobre o assunto. Mas Eriol dirigiu-se a ela. Sakura e os outros esperaram, enquanto Eriol dava a volta ao "assunto".
A recepção do Casino Kisaragi era espaçosa, com grandes sofás brancos. Ali perto, uma mesinha pequena tinha vários panfletos. Tomoyo acercou-se deles e tirou um referente ao Casino. Ao que parecia, o edifício era Casino e Hotel, mas era mais conhecido como Casino. Tinha 80 andares, com salões de jogos nos 30 primeiros e suites luxuosas nos restantes 50. O chão era de sódio sintético, e atapetado. Perante tantos luxos, ninguém conseguia resistir a uma ou duas noites de jogo no Casino, com dormida incluída.
Tomoyo regressou ao presente quando Sakura lhe tocou no ombro. Eriol tinha a chave do terraço do edifício, e a recepcionista parecia muito contente, examinando um maço de notas.
O grupo dirigiu-se ao elevador, e chamou-o. Quando este chegou, entraram todos, apertando-se, e assim ficaram durante os três minutos de subida até ao 80º andar. Pararam uma vez ou duas, mas ninguém se atrevera a entrar, estando o elevador tão cheio de gente esquisita.
Quando chegaram ao 80º andar, saíram do elevador, aliviados. Encontravam-se num corredor de paredes brancas, e atapetado de azul. Um canto do corredor não tinha tapete, pelo que Tomoyo olhou, vendo o chão cinzento.
O grupo prosseguiu até às escadas de acesso ao terraço. Eriol inseriu a chave na fechadura e rodou-a, destrancando a porta. Saíram para o ar frio da noite.
O terraço estava escuro, com excepção para a zona perto do painel luminoso. Vários bocados de estuque encontravam-se espalhados pelo chão, provavelmente por acção do vento, que se fazia sentir com uma força ligeiramente forte. Daí, podiam ver grande parte da baixa de Hong Kong. Pessoas e carros passavam lá em baixo, passeando ou dirigindo-se a algum sítio. Por momentos, Sakura desejou ser uma dessas pessoas, sem preocupações.
Subitamente, o vento parou de soprar, os carros pararam de buzinar, as pessoas de falar, porque algo bizarro aconteceu.
Uma esfera negra flutuava à frente do Casino. O seu aspecto sólido era assustador, pois a esfera pulsava como se fosse um coração negro. Mas o que mais impressionava no seu aspecto eram as fendas que se espalhavam por toda a esfera, de dentro das quais saía uma luz branca.
Meilin ficou aterrorizada. Já tinha visto aquilo antes, e pouco depois, uma pessoa que lhe era muito querida tinha morrido. As memórias percorreram a mente de Meilin. Uma esfera negra… uma torre de relógio… Syaoran a invocar a carta Tempo… o vazio… o corpo de Syaoran a desaparecer na escuridão… a bola mágica no chão, como que irónica… Syaoran a chamar "Meilin!"…
Meilin perdeu as forças e desmaiou, sendo agarrada por Tomoyo que estava ao lado dela.
- Meilin!
A escuridão tomou a luz e o ar. A luz desapareceu. Os painéis de néon que iluminavam toda Hong Kong apagaram-se. Por momentos, a única fonte de luz provinha da esfera. Sakura esperou pelo próximo passo do seu adversário.
- Meilin… - um rapaz de cabelo curto acenava-lhe de um baloiço.
- Ei, Meilin! – uma rapariga chamava-a.
Inúmeras pessoas chamavam o seu nome.
- Meilin?
- Meilin, anda cá!
- Meilin!
- O que se passa, Meilin?
- Meilin…
- Chamo-me Meilin.
A sua voz permaneceu no ar, ecoando no vazio. A visão do vazio era desconfortável, mas ao mesmo tempo, estranhamente familiar. Meilin sentia no ar um aroma que a tinha acompanhado desde que nascera. De repente, uma luz surgiu no fundo, como o fim do túnel. A silhueta de um rapaz destacava-se na luz. Um rapaz estranhamente familiar.
- Syaoran!
O rapaz olhou para trás, e levou um dedo aos lábios, em sinal de silêncio.
- Esc…
Um raio de luz inundou Meilin, trazendo-a de volta à escuridão da noite, no topo do Casino Kisaragi.
Sakura perscrutava a noite, em busca do responsável pela esfera. Não tardou a encontrá-lo.
O homem com a capa negra e a garra no braço direito flutuava no ar, 5 metros acima da esfera negra. Uma carta preta, com estranhos símbolos pairava no ar à sua frente, emanando raios de escuridão que se dirigiam à esfera, como cabos de energia. O homem sorriu para Sakura. "Eclipse". Agarrou a carta e colocou-a no bolso.
Imediatamente, a esfera desapareceu, e a luz voltou, trazendo o barulho dos carros e a luminescência dos painéis de néon. O homem flutuou para o terraço do Casino Kisaragi e aterrou em frente a Sakura.
- Bem-vinda, Caçadora de cartas.
Sakura mirou o homem. A sua cara não era visível. A garra na sua mão direita reluzia à luz do painel luminoso. As suas pontas de diamante faiscavam.
- Quem és tu? – Perguntou Sakura.
O homem pareceu constrangido pela pergunta.
- Não vem para o caso. O que interessa agora são as tuas capacidades.
Sakura assustou-se com a última frase. As suas capacidades não eram testadas havia 3 anos.
- Eu estou aqui para te testar – explicou o homem. Para passares o teste, tudo aquilo que tens de fazer é destruir as minhas cartas. E considera-te sortuda. Se eu fosse outra pessoa, far-te-ia perceber isso pelas tuas próprias mãos.
«Ora bem, eu, como portador do Ankh de Bronze, possuo três cartas Negras: Harpia, com a qual já te defrontaste, Eclipse, e Água Negra. Esta informação é suficiente.
Sakura escutava cada palavra do homem, tentando perceber o que se passava. Eriol observava calmamente, apesar de recear por Sakura.
O homem pôs a mão no bolso e de lá retirou três cartas. Escolheu uma delas e recolocou as restantes no bolso.
- Prepara-te… Água Negra!
Atirou a carta para o ar e perfurou-a com a garra. Jactos negros de água saltaram da carta, rodopiando por todo o lado até formarem um demónio feminino, com olhos vermelhos de sangue.
Sakura reconheceu a carta. Era igualzinha à sua carta Água, tirando o facto de ser negra.
- Fujam! – O grito foi dado por Touya.
Ninguém esperou por ninguém. Todos correram para a porta que dava acesso ao terraço, enquanto o demónio aquático deslizava atrás deles, lançando jactos de água negra por todo o lado. Tomoyo arrastava Meilin o mais rápido que podia, mas estava cansada.
- Touya!
Touya, que ia à frente, olhou para trás. Deu meia volta e correu na direcção de Tomoyo. O demónio aproximava-se a toda a velocidade…
- Sakura!
Esperou…
- Escudo!
Uma esfera surgiu em redor de Tomoyo, Meilin e Touya. O demónio investiu contra a esfera e desmanchou-se em água, que se espalhou no chão.
- Não parem!
Touya agarrou Meilin e colocou-a às cavalitas, e depois correu ao lado de Tomoyo, até atravessarem a porta. Tomoyo fechou a porta e correu escadas abaixo, atrás dos outros.
No terraço, a água espalhada reunia-se. O demónio voltou a formar-se e continuou a sua corrida.
Nos corredores do Casino, Sakura e os outros procuravam um elevador. Corriam apressadamente, passando por pessoas e empregadas. De repente, ouviram um estrondo.
O demónio deslizava atrás deles, lançando grandes torrentes de água por todo o lado. As pessoas gritavam e enfiavam-se dentro dos quartos, fugindo da água. O demónio tinha apenas uma ordem: Caçar a Caçadora.
Sakura não encontrava o elevador. Passou por um quarto vazio e enveredou por ele, enquanto os outros prosseguiram.
O quarto era simples. Uma cama de casal, uma cómoda, um guarda-fatos e uma mesa-de-cabeceira encostados às paredes. Sakura procurou e enfiou-se dentro do guarda-fatos. O demónio entrou no quarto, farejando. Sentia um odor no ar, o odor da magia. Atravessou o quarto, enchendo-o de água. Aproximou-se do guarda-fatos. Estava quase a chegar lá…
- Hey!
O grito viera da porta. O demónio deu meia volta e deslizou para fora do quarto. Dentro do guarda-fatos, Sakura suspirou. De repente, sentiu um cheiro corrosivo no ar. Abriu as portas do guarda-fatos e olhou para o quarto.
O chão emitia copiosas quantidades de gases tóxicos, enquanto que o tapete que o cobria se desmanchava. A água borbulhava e ganhou uma tonalidade cinzenta.
Sakura tapou o nariz e saltou para cima da cama. Todos os móveis se afundavam no chão, incluindo a própria cama, como se se estivessem a afundar em areias movediças. Sakura atirou uma das almofadas da cama para o chão inundado. Esta ardeu em contacto com a água. Rodeada de água, Sakura pensou apenas numa solução.
- Voo!
Invocou a carta, e duas asas brancas de anjo brotaram das suas costas. Sakura voou para fora do quarto e atrás do demónio, tendo o cuidado de se manter afastada do chão.
Tomoyo corria, mas já estava cansada. Viu uma abertura ao lado dela e meteu-se nela.
Era um armário de arrumação. Tomoyo atirou tudo o que nele se encontrava para o chão, enfiou-se nele e fechou as portas, mesmo a tempo de o demónio não a ver. O demónio passou pelo armário e continuou o seu caminho.
Tomoyo abriu as portas do armário, mas não sem antes sentir um cheiro esquisito no ar. Olhou para o corredor e viu que a água reagia com algo no chão.
Algo despertou na sua mente. "O chão de sódio sintético dos corredores fornece…". Sódio? E depois lembrou-se das palavras do seu professor: "O sódio reage violentamente em contacto com a água, e liberta vapores tóxicos".
Era isso! O sódio do chão estava a reagir com a água, tornando-a numa solução demasiado básica, libertando vapores tóxicos e, possivelmente, derretendo tudo o que entra em contacto consigo.
Mas agora havia um problema: o nível da água estava 10 centímetros abaixo do armário, e Tomoyo encontrava-se presa nele.
- Sakura!
