Título: Flácido
Autora: Umi no Kitsune ( driadurens at hotmail . com )
Disclaimer: PoT e suas personagens são muito gays... muito gays mesmo... mas não são minhas. ;; São do Takeshi Konomi.
Avisos: Yaoi. Fic de presente de aniversário (super atrasado) para a Yoko Hiyama. Esta fic faz parte do Universo de Encontro, as próximas fics também. Nenhuma fic seguirá uma ordem cronológica precisa, mas dá para saber e encaichar os fatos de uma dentro da outra. Se você gostou da fic e a quer em seu site, por favor, peça permissão.
Em um bairro nobre de Tókio, no décimo segundo andar, um apartamento de dois quartos, Kikumaru Eiji saiu apressado do banheiro, passando enrolado na toalha de banho pelo corredor e fechando a porta do quarto com o pé. Mal entrou no quarto, deixou que a toalha caísse no chão e foi, na ponta dos pés para não molhar muito o carpete, até o armário, onde pegou a primeira cueca que viu na gaveta, vestindo-a aos pulos, enquanto dirigia-se até a cômoda onde estava sua escova de cabelo.
Com rápidas e ágeis escovadas, Eiji parou apenas alguns instantes na frente do espelho, mesmo que suas mãos já soubessem de cor os movimentos necessários para produzir o penteado que sempre mais lhe agradava. Uma curta passagem pelo espelho foi o bastante, porém, para que sua atenção se transferisse para outra coisa.
Franzindo o cenho, Eiji virou de costas e puxou as barras da cueca para cima, revelando um pouco mais do bumbum. Completamente distraído, ele jogou a escova na cama e puxou mais a cueca para cima, com as duas mãos, fazendo movimentos com as pernas, andando no lugar.
"Hmpf!", ele soltou um suspiro de frustração, aproximando-se mais do espelho e batendo com a mão em uma das nádegas.
"Não faça isso...", uma voz sonolenta soou debaixo dos lençóis, "Ou eu vou fazer com que você se atrase mais do que o normal para o serviço."
Sem dar atenção para a voz, Eiji inclinou-se para frente, analisando toda a sua região traseira com olhos críticos e nada satisfeitos. Com as sobrancelhas cada vez mais franzidas, ele apertou e beliscou o bumbum, bateu mais um pouco e pulou no lugar, chegando, enfim, a uma conclusão, "Gahh... estou ficando velho!", ele reclamou, soltando a cueca e arrastando os pés até a cama.
Oishi ajeitou-se melhor debaixo do lençol, observando o ruivo que acabara de sentar ao seu lado, com uma cara de tristeza profunda, "Do que está falando? Você só tem vinte e oito anos, Eiji."
Fazendo um bico característico, Eiji jogou as pernas para cima da cama, apoiando os pés na parede e virando o bumbum para Oishi, "Olhe só isso!", ele afastou a cueca e bateu na nádega, "Viu?"
Oishi sorriu, sem entender a frustração do namorado, "Vi, claro que vi."
"Estou ficando velho!", Eiji bateu mais uma vez no bumbum.
"Er... eu vi, mas não entendi.", Oishi explicou, sentando-se devagar e apoiando-se em um travesseiro.
"Oishi!", Eiji bufou indignado, "Como não percebeu? Olha só isso!", ele bateu novamente no bumbum, "Viu só? Estou ficando flácido!"
Sem querer, Oishi soltou uma gargalhada, pegou nos pés de Eiji trazendo-os mais próximos de si e iniciou um carinho despretensioso ao longo das pernas dele, "Por que você acha que está flácido, Eiji? Pra mim está ótimo."
"Você ainda não entendeu.", Eiji estava com toda a sua atenção voltada para o próprio bumbum, "Não viu como ficou tremendo depois que eu bati?", para provar o que dizia, ele bateu mais uma vez, ignorando o fato da pele começar a ficar avermelhada, "Olha só... parece gelatina!"
"Hm-hm...", com um movimento rápido, Oishi prendeu os braços de Eiji, impedindo uma nova palmada, "Você vai acabar dolorido. Pare com isso."
Suspirando conformado, o ruivo recuou as pernas e deu um beijo rápido em Oishi, "Você está certo... mas vou procurar uma academia.", ele anunciou determinado, erguendo-se e recomeçando o processo de se vestir, analisando sua figura mais uma vez no espelho depois de vestir a calça, "Não quero trocar de número tão cedo."
"Eu não consigo te entender... é muito vaidoso para algumas coisas, mas para outras é completamente relaxado.", Oishi comentou com um sorriso, espreguiçando-se com calma.
"Tem coisas importantes, coisas não muito importantes... e coisas importantíssimas.", Eiji respondeu, olhando-o pelo reflexo no espelho e piscando maroto, "Vou preparar o café."
Oishi acompanhou com o olhar a saída do namorado, suspirando segundos mais tarde, ao se dar conta de que também deveria começar a se arrumar para o trabalho. Mesmo sabendo que hoje poderia chegar mais tarde, já que ficou de plantão até de madrugada no hospital, ele poderia aproveitar o tempo livre para cuidar da papelada para montar sua própria clínica.
Depois de uma ducha rápida, Oishi vestiu uma camiseta colorida, promocional de um supermercado, e uma velha calça jeans, amaciada pelo tempo. Ele preferia vestir essas roupas em casa, já que durante o serviço era obrigado a usar coisas muito mais formais e não tão confortáveis.
Antes de chegar na cozinha, ele já sentiu o cheiro de ovos fritos. Quando sentou-se na mesa, um copo com suco de laranja e uma pequena tigela com cereal, leite e mamão cortado em cubos foram prontamente colocados à sua frente. Minutos depois, Eiji sentou-se ao seu lado, colocando os pratos com os ovos prontos no centro da mesa.
"Ah, hoje eu vou ficar um pouco mais tarde. Lançamento do clipe novo, lembra?", Eiji disse, "Se não for ficar no plantão novamente, me avise. Dependendo do horário, você me pega e a gente pode até jantar fora."
"Quando vai ser aquele show... pra poucas pessoas?", Oishi perguntou, distraído, pegando o jornal e folheando-o rapidamente.
"O acústico? Só na próxima semana.", Eiji respondeu, tomando todo o seu suco de uma só vez, "E você?"
"Vou tentar escapar do plantão, mas não garanto."
"Ok, então.", Eiji sorriu, erguendo-se e deixando um beijo rápido em Oishi antes de voltar para o banheiro.
Oishi ainda leu mais algumas matérias no jornal até erguer-se e passar por Eiji novamente, despedindo-se dele com um abraço e um desejo de bom dia de trabalho. Ele entrou no quarto de hóspedes, que foi transformado em escritório, ligou o computador e, procurou sua pasta com os papéis para a abertura da clínica.
O alarme da agenda do computador soou, mas Oishi não deu muita importância, continuando a ler as últimas coisas que ele tinha feito. Quando voltou-se novamente para o monitor, porém, ele quase deixou sua pasta cair.
Piscando discretamente no centro da tela, estava um aviso comum para Oishi: as bexigas coloridas e o confete sempre apareciam em qualquer data de aniversário que era marcada na agenda do computador. Mas o aniversariante era algo incomum. Na verdade, não muito incomum, já que ele passava por isso todo o ano, mas...
Dez anos de namoro.
Oishi relaxou na cadeira, demorando-se a clicar no botão de ok e fazer a mensagem sumir do centro da tela, refletindo um pouco sobre o que aquele pequeno ícone significava.
Na verdade, não eram dez anos de namoro. Eram dez anos desde que começaram a viver juntos, como um casal declarado para os familiares e amigos. Nesses dez anos, eles trocaram duas vezes de apartamento, tiveram algumas brigas memoráveis e, nos primeiros quatro anos, Oishi ainda achava que poderiam existir outras pessoas na sua vida além de Eiji.
Afinal, era muito difícil encontrar alguém que namorou, casou, viveu e amou apenas uma pessoa durante toda a vida. Oishi sempre levou o seu relacionamento com Eiji de forma séria, mas também sempre manteve no pensamento que, um dia, tudo poderia acabar, e outra pessoa acabaria ocupando o lugar do ruivo em sua vida, e que tudo poderia acabar com essa outra pessoa também... até que ele encontrasse alguém com quem realmente pudesse viver o resto dos seus dias.
Oishi nunca imaginou que ele seria uma dessas pessoas que viveriam com o primeiro amor.
Em uma das brigas mais dramáticas dos dois, quando Eiji expulsou-o do apartamento e chegou até a trocar as chaves das portas, ficando mais de dois meses sem falar com ele, Oishi realmente achou que estava na hora de deixar o passado para trás e esperar que a vida trouxesse outra pessoa. Mas a vida sempre trazia Eiji de volta.
E antes de começarem a contar os anos que viveram juntos, eles já tinham alguns dois ou três anos a mais de namoro despretensioso e juvenil, escondido de todos. Escondido em partes, pois dois amigos disseram que já sabiam sobre eles e outros três disseram que desconfiavam. Como qualquer namoro adolescente, com um começo conturbado, era cheio de idas e voltas. O fato dos dois serem garotos com clubes de fãs pela escola não ajudava muito também.
Por isso, consideravam o ano que começaram a morar juntos como o primeiro ano de namoro sério. Onde tentariam ignorar as pequenas brigas e reconsiderar os momentos agradáveis. Mas nada foi assim tão fácil.
A família de Eiji foi a que pior reagiu à notícia. Sendo o caçula da família, Eiji foi constantemente pressionado pelas irmãs a voltar para casa e Oishi foi constantemente pressionado pelos irmãos dele a "deixá-lo em paz". Mesmo o nascimento do primeiro sobrinho de Eiji, fato que deixou o ruivo excepcionalmente feliz, foi usado como argumento para que os dois se separassem. Pois, claro, casais homossexuais não poderiam ter um filho biológico.
A família de Oishi reagiu de forma completamente diferente, apesar de terem quase a mesma opinião dos familiares de Eiji. Com medo de que seu filho mais velho e único homem fosse discriminado na sociedade e vivesse em total pobreza, os pais de Oishi garantiram-lhe apoio financeiro durante os anos na faculdade de medicina e emprego no hospital da família. Ele só não deveria mencionar o namorado no local de trabalho.
Os pais de Eiji morreram há três anos e seus irmãos continuaram mantendo contato, mesmo que raro, mas já visitaram o atual apartamento e nunca deixaram de mandar presentes nas datas certas. Oishi, graças à sua irmã mais nova, conseguiu reaproximar-se mais dos pais, que, depois de verem Eiji na televisão, reavaliaram suas opiniões e aceitaram o ruivo muito mais naturalmente.
A profissão de Eiji foi outro grande empecilho na vida dos dois. Sendo extremamente mimado, tanto pelos parentes quanto pelo próprio Oishi, Eiji demorou a amadurecer, sempre achando que, com uma expressão fofa certa, ele conseguiria o que queria. Porém, quando a ajuda dos pais de Oishi começou a ficar mais escassa e as contas do casal mais altas e alarmantes, ele nem precisou falar.
Um dia, de repente, Eiji apareceu empregado, dizendo ter sido contratado por uma empresa de televisão. Foi visto por um olheiro enquanto brincava em um karaokê no centro da cidade e foi convidado para fazer um teste para VJ em um canal de música. Passou no teste, recebeu a proposta de trabalho e aceitou. Em menos de um ano, já tinha crescido no gosto do público adolescente e os programas que apresentava aumentavam cada vez mais, sendo responsável pelos picos de audiência da emissora.
Oishi detestava imaginar seu ruivo cercado por modelos e ídolos, gente muito mais bonita e interessante do que ele, um simples médico, sem graça e atrativos. Detestava também, mas estava aos poucos aprendendo a aceitar, a fama de Eiji entre os adolescentes, que não paravam de mandar cartas e presentes com declarações apaixonadas. Nos poucos dias que tinham para passear juntos, sempre aparecia alguém querendo um autógrafo, pedindo uma foto ou perguntando se o boato do namoro de Eiji com uma certa cantora era verdade.
Graças ao namorado, porém, Oishi era um dos médicos mais conhecidos pelos famosos e recebia grandes incentivos para montar sua clínica, com promessas de clientes fiéis antes mesmo de abrir. Mas, ultimamente, depois que seu tio aposentou-se e ele tomou seu lugar no hospital, os horários de Oishi estavam todos à mercê da organização de plantões e cirurgias, deixando-o com pouquíssimo tempo para cuidar da clínica particular ou até mesmo para Eiji.
Sua falta de tempo certamente não era desculpa para esquecer uma data tão importante, mas contribuía muito. E, pelo visto, o próprio Eiji se esquecera que dia era hoje, ocupado como estava com as gravações, entrevistas com bandas famosas e a montagem do tão falado acústico, que estava sob sua responsabilidade.
Oishi riu, acrescentando mentalmente que Eiji também estava muito preocupado com sua eminente flacidez muscular para atentar-se a uma coisa tão banal como a comemoração de dez anos de namoro.
Dez anos de namoro.
Ou muito mais. Estavam com vinte e oito anos, mas se conheciam desde os doze anos. Conviveu com Eiji mais da metade de todos os anos de sua vida até então. E iria conviver muito mais, Oishi sabia disso.
Sabia que não haveria outras pessoas em sua vida. Ele não precisava mais se preocupar ou esperar.
Suspirando, Oishi fechou a pasta da clínica, deixando-a no canto da escrivaninha, e abriu a página do navegador, buscando um site para encomendar um arranjo de flores, abrindo uma segunda página para verificar os menus dos restaurantes para o dia e quem sabe reservar ingressos para algo diferente. Teria que pensar em algo e iria aproveitar o tempo livre da manhã para arrumar tudo. Iria se esforçar de noite para escapar do plantão.
De repente, o som da porta do hall de entrada abrindo ecoou pelo corredor principal e Oishi ergueu-se curioso, achando que Eiji tinha esquecido alguma coisa, como era típico dele. Assim que saiu, viu no sofá a pasta dele, pegando-a e correndo para a porta de entrada.
"Oishi!", Eiji gritou, escancarando a porta e pulando nos braços dele ao vê-lo, deixando a porta aberta, "Ah! Feliz Aniversário!", ele passou os braços pelo pescoço de Oishi, beijando-o tão logo deu os parabéns.
Oishi apoiou a pasta na pequena mesinha do corredor e abraçou a cintura de Eiji, apertando-o fortemente contra si. Adorando sentir o calor do corpo dele, que há minutos estava debaixo do sol da manhã, contra o seu, frio nas sombras do apartamento.
Quando se separaram, Oishi reparou no característico som do alarme do celular de Eiji nas suas costas. O ruivo trouxe o aparelho para frente, mostrando a mensagem "10 anos! Parabéns!" que ele mesmo gravara, piscando e apitando animadamente no visor, "Vi na portaria; estava quase saindo do prédio quando liguei.", Eiji explicou, fechando o celular e cessando o barulho, "Parabéns para nós."
Oishi sorriu, beijando-o mais uma vez, "Parabéns para nós... quer fazer algo hoje à noite?"
"Plantão?"
"Vou fugir como o diabo da cruz.", Oishi prometeu, arrancando um sorriso largo do namorado, "Estava vendo o cardápio de alguns restaurantes, quer tentar alguma coisa diferente?"
"Quer me acompanhar no lançamento do clipe hoje? Vamos ter um sarau depois."
"Por mim está ótimo. Depois, casa?"
Eiji riu, ficando na ponta dos pés e beijando-o, "Depois, cama!", sentindo as mãos de Oishi passearem pelas suas costas, ele guiou-as até seu bumbum, que foi prontamente apertado, "Está muito mole?", ele perguntou, de repente.
Oishi parou o beijo na hora, abrindo os olhos e não acreditando na seriedade das palavras de Eiji, "Mole?"
"Está muito flácido?"
Oishi suspirou, "Eiji, seu corpo não mudou quase nada nesses dez anos... e, se mudasse, seria apenas natural."
"Está ou não está mole?", o ruivo insistiu, colocando a outra mão de Oishi sobre sua outra nádega.
"Todos os bumbuns são um pouco moles...", Oishi sorriu, apertando a carne macia sobre a calça, "Mas o seu é excepcionalmente perfeito.", ele respondeu, beijando-o logo em seguida, impedindo que qualquer outra pergunta fosse feita e, efetivamente, impedindo Eiji de chegar no horário na emissora.
FIM
