Liebe
Capítulo 02 – A Verdade em Meus Olhos... Você Consegue Ver?
Três dias haviam se passado e novamente ele estava lá... Adormecido no quarto que não pertencia a ele. As íris azul-céu se abrem, fitando a mobília, a escrivaninha organizada, os CD's e livros da preferência de Nagi. Pisca os olhos seguidamente, adaptando-se a claridade que vinha da janela. Por que o telecinético dormia num quarto tão claro? Aquilo era incômodo, mas... Ainda assim, todas as noites vinha ao quarto dele de madrugada, após acordar sem motivo aparente.
Schuldich suspirou profundamente de maneira cansada. Algo estava acontecendo, ele se irritava com mais facilidade agora, o menor movimento ou palavras dos outros quase o fazia explodir e ele realmente tinha que se segurar para manter-se no controle e isso já estava enchendo sua paciência. Levantou-se sem nada dizer, arrumando a cama do menino para que o mesmo não percebesse que ele estivera ali e saiu, dando de cara com Farfarello que apenas ergueu uma sobrancelha.
" Que é?", Perguntou, lançando um olhar agressivo ao mesmo.
" Huhuhuhu... Agressivo, hum?", Perguntou sarcástico.
" Cale-se antes que eu despedace toda sua psiquê insana.", Disse com raiva evidente, segurando Farfarello pela gola da camisa e empurrando-o contra a parede, seus olhos faiscando perigosamente.
" Háháháhá... Isso! Sinta raiva, ódio! Isso machuca Deus! Continue...", Um sorriso insano se apoderou dos lábios de Farfie que segurou a blusa de Schuldich também.
" Arg, você me cansa!", Empurrou-o, ouvindo-o gargalhar, dando as costas e caminhando até seu quarto.
" Tudo isso é por não estar com ele?", A pergunta atingiu Schuldich no mesmo instante, fazendo-o parar e fitá-lo sobre o ombro.
" Do que está falando?", Não sabia porque exatamente o respondia, mas... Farfarello falou aquilo com tamanha seriedade que o intrigou.
" Se é o que quer... Se o deseja, tome-o de volta.", Falou, os olhos dourados reluzindo de maneira enigmática.
" Você está louco mesmo.", Balançou a cabeça negativamente, abrindo a porta do próprio quarto.
" É o que ele espera.", Ouviu a voz do irlandês e virou-se, mas o mesmo não estava mais ali. O que aquele louco queria dizer com aquilo? Se bem que aquelas palavras... Farfie parecia ter a mente muito sã naquele momento, mas... O que levaria o psicótico a lhe dar tal... Conselho?
" Eu, hein!", Deixou de lado e foi se trocar.
Tomou o café da manhã. Tinha muitas coisas na cabeça nesse momento e tudo aquilo estava deixando-o com um princípio de enxaqueca. Ficou a parte da manhã inteira lendo um livro ou assim tentando, mas percebeu que de nada adiantava, principalmente ao ver que havia lido a mesma linha pela décima vez. Praguejou em alemão e levantou-se, resolvendo sair um pouco para espairecer.
"Tenho a nítida impressão de que algo está acontecendo... Odeio ficar inquieto assim.", Pensava, caminhando sem destino aparente.
Schuldich sabia que não podia continuar assim. Ele não conseguia se concentrar, até mesmo manter a segurança de Reiji Takatori parecia difícil, pois sua mente dispersava rapidamente e quando se dava conta, estava a projetar sua psiquê até onde estava Nagi, protegendo aquela doce mente quando o mesmo parecia atolado em desespero. Estava longe demais dele para atravessar todas as barreiras psíquicas quando o telecinético estava desperto, então não conseguia captar a real razão de tal angustia, mas sabia que a causa era Crawford.
"Não. É por minha causa. Ele não estaria passando por isso se eu tivesse agido antes, mas... Antes ele não me aceitaria. Talvez nem aceite agora.", Seu lado pessimista começou a se manifestar sem que percebesse, para no instante seguinte ele parar e arregalar os olhos espantado.
" Desde quando eu desisto assim?", Disse entre dentes, irritado com o rumo de seus pensamentos.
Ele era Schuldich, o grande telepata, lindo, gostoso e esperto! Sim, isso era o que as pessoas viam nele... Bem, nem todos sabiam que ele era telepata, mas isto era apenas um detalhe. O importante era que ele tinha inteligência o suficiente para lidar com o maldito vidente. Sim, por mais que Crawford pudesse ser agraciado com a clarividência, ele também tinha seu dom e... Estava muito mais forte no momento. Tinha um objetivo e não desistiria tão facilmente.
"Vou fazer você pagar, Brad. Nagi vai voltar pra mim e você... Você nunca mais vai tentar nos separar.", Sorriu cinicamente, voltando a caminhar, percebendo então onde estava.
Seus olhos percorreram a rua, achando o local conhecido. Ouvia algumas meninas dando gritinhos entusiasmados, captando emoções como admiração, desejo e paixão. Parou debaixo de uma árvore, vendo do outro lado da rua vários vasos de flores na calçada, erguendo as íris azuis e lendo a placa...
Koneko no Sume Ie.
" Humph!", Sorriu, vendo que havia parado do outro lado da loja onde trabalhavam os gatinhos da Weiss.
Parte de si sabia que devia sair dali, mas... Outra parte queria ver como eles agiam naturalmente. Lembrou-se do garoto... Omi Tsukiyono, ou melhor, Mamoru Takatori e resolveu ver o pequeno loirinho, caminhando em direção a floricultura. Para evitar maiores problemas, usou seus poderes telepáticos, camuflando sua presença, alterando a percepção dos rapazes da Weiss, mas evitou um contato direto, pois a mente dos quatro eram fortes e não queria arriscar um confronto, queria apenas observar.
O movimento na loja era grande, garotas colegiais falavam empolgadas com os quatro rapazes que ali trabalhavam, mais empolgadas com eles do que com as flores em si. Riu cinicamente ao ver que nem todos gostavam daquele assédio e um deles era Aya Fujimiya, que detestava aquele alvoroço e principalmente... Odiava aquelas garotas que ficavam cercando e agarrando o pequeno Omi.
Tinha vontade de gargalhar, pois nunca pensou que o ruivo fosse tão ciumento. Se bem que não gostaria de ver garotas agarrando Nagi assim, apesar de saber que elas não eram a 'praia' de seu menino e... Bem, Tot não contava. Foi tirado de seu devaneio quando viu que um grupo maior de colegiais saiu da loja muito contente e que o ruivo sutilmente se aproximou do loirinho.
" Omi.", Chamou o ruivo sério, porém calmamente.
" Sim, Aya-kun?", Omi virou-se sorridente, dando de cara com os olhos violetas emitindo um brilho peculiar apesar da calma aparente.
O ruivo estava bem próximo a Omi e os violetas brilhavam perigosamente.
" O... O que foi?", Perguntou suspeito, dando um passo para trás. Não sabia o porquê daquele olhar, mas o ruivo parecia realmente... Furioso?
" Dá próxima vez, corte o barato delas logo, entendeu?", Disse sem alarme.
" Co... Como?", Piscou os olhos inocentemente, não compreendendo ainda o motivo de tais, palavras, percebendo então que Aya estava com ciúmes, mas... Ele nunca fora de se mostrar assim... Ciumento. A koneko agora estava quase vazia e os dois encontravam-se próximos à estufa, as clientes que ainda estavam dentro da floricultura eram atendidas por Ken e Yohji.
" Vai me dizer que não percebeu que ela só faltava se jogar em cima de você?", Estreitou os olhos violetas, acusando o loirinho de não notar algo tão óbvio. Por dentro, no entanto, parecia se divertir com o menino que fazia uma carinha um pouco desesperada. Ele ficava muito fofo assim, tentando se explicar.
" Não... Eu não percebi. Desculpa Aya-kun.", Abaixou a cabeça, chateado por ver que o ruivo estava irritado com ele. Devia prestar mais atenção a sua volta para não dar motivos ao mesmo para ter ciúmes... Estavam juntos há pouco tempo e não queria que brigassem por coisas bobas.
Schuldich observava de longe, mantendo uma distância segura, fingindo olhar algumas flores do lado de fora da loja, próximo a porta. Percebeu que o ruivo arrependeu-se na mesma hora ao ver os olhos entristecidos do jovem de apenas 1,63 de altura, aproximando-se e levando a mão à nuca dele, puxando-o para si, curvando-se e levando seus lábios a orelha dele sussurrando algo.
" Omi... Tudo bem!", Aya disse baixinho no ouvido dele, ao perceber que Omi levou muito a sério suas palavras, que nada mais eram do que birrinha e brincadeira. Tudo bem que tinha ciúmes, mas nunca brigaria com ele por coisas bobas assim.
" Mas...", Seu coração começou a bater rápido por Aya estar tão perto. Viu que algumas garotas observavam de longe e isso o deixava envergonhado.
" Veja! Veja!", Uma garota disse com os olhos brilhando enquanto olhava para dentro da floricultura, fazendo Schuldich erguer uma sobrancelha.
" Eles estão tão perto!", A outra sussurrou com os olhos brilhantes.
" Será que...?", Schul via que só faltava ela gritar em expectativa.
" Nyahhh!!!", A outra olhava super empolgada.
" Isso é tão... Moooeeeeeeeeeeeeeeee!!!", Ambas praticamente gritam juntas, completamente eufóricas como se estivessem em frente de um artista de TV ou cantor famoso.
Sem perceber ou simplesmente ignorando aqueles olhares, Aya sussurrava coisas no ouvido de Omi, deixando o menino ainda mais corado, até que seus lábios tocaram o pescoço dele suavemente, causando arrepios na pele clara, caminhando em direção aos lábios e tomando-os delicadamente, mostrando através desse ato o amor que sentia pelo chibi.
" Aaahhhhh!!! Eu não posso olhar!!!", A garota de cabelos mais claros leva a mão a testa em um movimento dramático.
" Não faça isso! É um momento muito importante!", A outra a repreende e ambas voltam a fitar o casal que se beijava no fundo da loja.
O telepata estava ainda mais abismado. O que era aquilo? Fãs de... Yaoi? Schuldich olhava torto para as meninas achando aquilo muito, mas muito estranho. Aprofundou mais na mente delas, descobrindo que eram meninas muito ricas que estavam ali acompanhando um grupo de meninos... Anfitriões? Que seja! Mas parecem que elas gostavam disso. Balançou a cabeça negativamente... Garotas!
Voltou seu olhar para Aya e Omi que agora já estavam atendendo as meninas que foram até eles 'sutilmente'. Percebeu nos olhos violetas que o ruivo estava mais descontraído e sabia... Ele estava muito mais feliz agora! Lembrou-se das vezes que enfrentou o espadachim... Abyssinian era muito mais frio, fechado e melancólico, tinha consciência de que o mesmo queria continuar em seu mundinho gélido, mas o amor que agora sente por Omi o fez sair de sua casca, tornando-o mais feliz e... Mais forte.
" E viva o amor.", Disse Schuldich cinicamente, voltando a caminhar.
Ficou pensando no que viu. Em como Aya e Omi interagiam. Havia ciúmes, pequenas discussões devido às distintas personalidades, mas ainda assim existia uma sincronia perfeita entre ambos. Eles eram felizes juntos, um parecia completar o outro e juntos venciam os demônios que ainda perturbavam suas consciências. Talvez o amor fosse isso mesmo... Tornando-os fracos e fortes ao mesmo tempo.
" Liebe.", Sussurrou, recordando-se de Nagi.
Realmente... Aquele garoto tornou-o fraco... Fraco o suficiente para deixar-se ser enganado por Crawford, porém se ele tivesse essa confiança que Aya tinha em Omi, ou melhor, se fosse sincero o suficiente consigo mesmo o presente que vivia agora não teria se tornado real, mas ainda assim, por causa daquele garoto, estava reunindo forças para lutar contra aquele que pode vislumbrar o futuro.
"Que drama!", ¬¬ Pensa o telepata. Talvez não tivesse sido boa idéia ver aqueles dois juntos... Estava ficando mole e bobo como eles, mas aquilo não importava agora.
" Você não é o único que sabe usar as palavras... Brad.", O sorriso sarcástico adornou os lábios de Schuldich e ele deu sinal a um táxi, ordenando que o mesmo seguisse o caminho em direção a mansão dos Schawrz.
Depois de três horas chegou em casa. Havia feito o taxista parar em vários lugares e acabou comprando algumas roupas só pra passar o tempo e deixar o pobre homem mais irritado ainda. Riu divertido, entrando na casa e vendo que já haviam chegado. Olhou Crawford que estava sentado em um dos sofás lendo jornal e sorriu sarcasticamente.
" Veja só quem chegou!", Disse daquela forma cínica, característica dele.
Os olhos escuros de Crawford fitaram Schuldich por cima do jornal, percorrendo o corpo do ruivo de cima a baixo, vendo que ele carregava várias sacolas. Voltou a fitar os olhos dele, que brilhavam de maneira enigmática e não gostou disso. Ele parecia estar aprontando alguma coisa.
" O que quer?", Perguntou, uma vez que o telepata estava parado a sua frente.
" Ora, ora, ora... Brad!", Caminhou até ele, depositando as sacolas no chão.
" Fale logo o que quer.", O americano disse no seu típico tom frio.
" Guten Tag! Ah, é... Esqueci que já é de tarde...", Sorri abertamente e se senta ao lado do americano, virando o tronco para ele, colocando o braço direito sobre o encosto do sofá e apoiando o queixo sobre a mesma mão.
" ...!", Crawford apenas o fitou. Como Schuldich estava muito perto pode sentir o perfume que o ruivo usava, forte e envolvente.
" Achei que estivesse de bom humor depois dos dias que esteve fora... Com Nagi.", Comentou em tom casual, como se aquilo fosse natural entre eles.
" E isso te interessa muito, não? Quer brincar com ele ainda?", Fala indiferente.
" Nicht.", Responde, passando a mão nos cabelos cor de fogo.
" Não?!", Pergunta suspeito, erguendo uma sobrancelha. Ficou observando... Vendo os fios avermelhados escapando suavemente dos dedos longos do telepata.
" Prefiro brincar com outra coisa.", Fala enigmático.
Crawford o olha sério. Schuldich estava tramando algo... Tinha certeza absoluta disso! O olhar dele era quase desafiante, havia ali certo cinismo, aquelas palavras não tinham apenas um sentido. O telepata queria brincar e o modo como o alemão se movia, que o olhava... Por acaso o maldito ruivo queria se divertir com ele? Estreitou os olhos, ficando ainda mais atento que o de costume.
" Você também gosta de brincar, não gosta?", Perguntou, sorrindo sarcástico.
" Eu prefiro estar no controle... Ou vai me dizer que não sabe disso?", Respondeu no mesmo tom, percebendo que o ruivo ficou mais sério, provavelmente devido a irritação que suas palavras lhe causavam.
" Ah sim... Controle. Esta é uma palavra que nós dois gostamos.", Comentou, recostando-se no sofá, deixando ambos os braços jogados acima da cabeça, relaxando completamente, voltando a mostrar aquele sorriso de quem quer algo, mas ainda não revelou o que é.
O vidente estava achando aquela conversa muito estranha. Schuldich tentava manter uma conversa casual, mas as palavras dele pareciam estar impregnadas de duplo sentido. Dava a entender que o ruivo estava tentando uma aproximação, mas aquilo parecia ilógico. Reparou no modo despojado como ele se vestia, a calça jeans de tecido fino larga e baixa, a blusa com os botões abertos, o perfume envolvente...
"Suspeito. Muito suspeito.", Pensou ainda o observando.
" Gosta?", Schuldich perguntou repentinamente.
" Pouco me importa.", Voltou a fitar o jornal. O que ele tinha a ver com o que Schuldich vestia ou deixava de vestir? E o outro ainda queria sua opinião. Ridículo! O que eram? Amigos?
" Hum... Achei que gostasse de usar seu controle para brincar com os outros.", Sorri maliciosamente, lançando um olhar debochado ao moreno.
" Acho que essa conversa é desnecessária.", Fechou o jornal e levantou-se, mantendo a pose indiferente, mas na verdade, a aproximação de Schuldich o irritava.
" Por que envolve mais do que aparenta?", Ergue o tronco, mantendo as pernas abertas e apoiando os cotovelos nas coxas próximo aos joelhos, curvando-se ligeiramente para frente, dando-lhe um ar sexy, sedutor.
" Se têm tantas coisas sobre mim que deseja saber, por que simplesmente não lê a minha mente? Ah é! Você não pode!", Lançou aquele sorriso vitorioso e deleitoso sobre Schuldich, por saber que tocava em um assunto que o ruivo deveras detestava, afinal, não poder ler sua mente era motivo de revolta e indignação do telepata. Virou as costas e começou a caminhar em direção a biblioteca afim de terminar de ler o jornal.
" Nem sempre é preciso telepatia para ver a verdade nos olhos de alguém... Brad!", Ao ouvir aquela voz nasalada e convicta chegar a seus ouvidos, Crawford parou no mesmo instante, virando-se afim de encarar aqueles olhos azul-céu, intrigado com o sentido daquelas palavras, vendo que o telepata já subia as escadas ao andar superior.
Ficou parado no mesmo local por longos minutos, não sabendo definir quantos. Praguejou algo em inglês, mandando o alemão para o inferno, quase batendo a porta de raiva. Cada vez mais se convencia que ele tramava algo e isso o irritava profundamente. Sabia que o ruivo daria passos logo, mas... Definitivamente não gostou daquelas palavras. O que ele acha que viu em seus olhos? Ou... Aquelas palavras nada mais eram do que um jogo para... Tentar confundi-lo?
OOO
O sol estava se pondo, adormecendo no horizonte, tingindo de vermelho o céu outrora azul. Alguns pássaros voavam procurando abrigo, pois a noite estava chegando rápido e outros saiam de seus esconderijos a procura de alimento. O vento vai esfriando a medida que o tempo vai passando, tocando o pequeno corpo que ali se encontrava, vislumbrando a cidade, fazendo os finos e macios fios chocolate esvoaçarem delicadamente.
Nagi debruça-se sobre o parapeito, fechando os olhos e suspirando profundamente. Não queria encontrá-lo de cara... Não estava preparado. Ainda lembrava-se do sonho que tivera, dos toques de Crawford... Sabia que estava confuso e isso o irritava. O que queria na verdade? Talvez nenhum dos dois, ou melhor, nenhum dos tipos de relacionamento que têm tido até agora...
Ergueu o olhar, vendo que o sol mal podia ser visto e o horizonte estava ainda mais vermelho. As primeiras estrelas começaram a aparecer, cintilando suavemente como se quisessem chamar a atenção de quem as vislumbrava. Observou do mirante as luzes artificiais brilharem pelas ruas da cidade. Era um lindo lugar para se estar com alguém que gosta... Um namorado.
"Que bobeira romântica estou pensando? Isso nunca vai acontecer.", Pensa melancólico. Não podia definir o que tinha no momento como sendo um namoro.
" Até quando o menininho vai ficar pensativo, abandonado em um canto?", Ouviu aquela voz nasalada e no mesmo instante virou-se surpreso.
" Schuldich!?! O que faz aqui?", Perguntou de sobressalto.
" Ora... Estava com saudades... Liebe!", Sorriu sensualmente ao menino, caminhando até ele, o vento fazendo sua blusa abrir-se mais.
" Pare de me chamar de Liebe.", Falou em tom baixo e irritado.
" E por que? Você realmente é meine liebe.", O sorriso sedutor ainda estava lá, enquanto ele se aproximava mais um pouco e parava, abaixando apenas um pouco os óculos escuros, fitando-o com intensidade.
Os olhos azuis escuros fuzilam Schuldich sem piedade, querendo que o telepata sumisse dali logo e não o perturbasse mais, só então reparando no modo como ele se vestia. A calça jeans de tecido mais fino estava colada às coxas torneadas, a blusa creme encontrava-se com os cinco primeiros botões abertos e o vento fazia com que a pele pudesse ser mais bem vista. Os cabelos cor de fogo estavam soltos e a franja revoltosa movia-se junto com as correntes de ar e ele o olhava... O olhava por cima daqueles óculos escuros de maneira tão sexy que...
"Não pense nisso.", Nagi diz a si mesmo, sentindo o coração acelerar.
" Achei que quisesse ficar perto de seu... Amante.", Disse dando alguns passos para frente, ficando mais perto. O vento mudando de direção, levando seu perfume até Nagi.
" Isso não é da sua conta.", Falou, dando um passo para trás, captando aquele perfume suave e envolvente como uma aura sensual que o abraçava por completo. Sentia um misto de ansiedade e receio ante a figura imponente do telepata.
Schuldich retirou os óculos, fitando Nagi com mais intensidade, havia seriedade e também desejo naquelas íris claras. O telepata parecia ser capaz de invadi-lo com aquelas brilhantes esferas azuladas, parando a menos de três passos do menino de 1,60 de altura, que o olhava nos olhos, como se esperasse o próximo passo dele com expectativa indefinida.
" Sente falta de mim?", A voz sensual chegou aos ouvidos de Nagi como uma melodia alarmante.
" O que?", Pergunta, espantado. Viu a mão dele se erguer e os dedos longos tocar sua face em uma carícia suave e aconchegante, enquanto o ruivo se debruçava lentamente sobre ele, fazendo-o sentir mais claramente o perfume envolvente e a outra mão tocava seu ombro delicadamente.
" Ele te toca como eu toco? Faz como eu?", Pergunta num tom rouco, seus lábios tão próximos dos de Nagi que o garoto podia sentir seu hálito contra sua boca. Havia uma curiosidade sincera naquelas perguntas... Uma dúvida que precisava ser sanada.
O pequeno japonês sentiu-se tonto por um instante. O perfume de Schuldich, seu hálito quente... Aquela voz rouca e nasalada que era a coisa mais sexy que já ouvira alguma vez na vida... Tudo aquilo fazia um arrepio subir por sua coluna, fazendo todos os pelinhos de sua nuca eriçarem, até que ele acorda e se afasta bruscamente.
" Só em seus melhores sonhos.", Diz com arrogância e mágoa, virando-se de costas afim de ocultar certo rubor que tomou conta de suas bochechas. Por mais que não quisesse nada com o alemão, era inegável o quão sedutor ele podia ser e o quão lindo era.
" Então você não sente falta?", O sussurro foi depositado em seu ouvido, enquanto os lábios quentes tocavam sua orelha e os braços fortes envolviam sua cintura, prendendo-o junto a si sem, no entanto, sem usar de força.
Nagi fechou os olhos abrindo a boca e puxando o ar com mais força ao ouvir o sussurro. Lógico que não sentia falta daquele cretino! Mas... Se não sentia falta, por que sonhava com ele? Abriu os olhos ao sentir aqueles braços ao redor de sua cintura e os lábios deslizarem por seu pescoço lânguida e delicadamente, ficando ainda mais alarmado. Como não percebeu tal aproximação? Sentia os dedos longos fazendo carícias circulares em seu abdômen, enquanto beijos quentes e molhados eram depositados em seu pescoço, subindo até chegar à orelha novamente.
" Me... Solte.", Disse baixo, sentindo as pernas bambearem e o ar faltar em seus pulmões. As lembranças do sonho voltando com total intensidade.
" Não sente falta quando eu o toco assim?", Sugou de leve o lóbulo da orelha de Nagi, sua mão subindo, entrando sutilmente por entre os botões da blusa clara, tocando a pele com lentidão excitante.
O jovem de cabelos chocolate não conseguia exatamente verbalizar o que queria. Os sussurros de Schuldich eram tão sensuais, tão sedutores que simplesmente o excitavam, por mais que soubesse que ele era um cachorro sem-vergonha e que deveria jogá-lo longe por tamanha ousadia, mas não conseguia se mover... Não enquanto sentia aqueles beijos em seu pescoço, o carinho suave, mas provocativo em seu abdômen... Como aquele homem podia ser tão malditamente sexy?
Sem esperar reações de Nagi, Schuldich o virou, olhando dentro daqueles olhos lindos, que lhe lembravam o mais profundo oceano e sem delongas tomou aqueles lábios em um beijo inicialmente calmo, onde provava depois de meses o sabor de Naoe, degustando aquele gosto como se fosse uma iguaria. Seu corpo foi colando-se ao dele, empurrando-o até que o mesmo se encostasse ao parapeito próximo ao binóculo do mirante, fazendo-o abrir mais os lábios e deslizando sua língua para dentro daquela boca quente, transformando o beijo em algo mais profundo, sensual... Erótico.
" ... Que eu te beijo assim... Porque sei que te dá mais prazer?", Sussurra o ruivo no ouvido de Nagi, roçando seus lábios na orelha dele, embriagado com o gosto do pequeno em sua boca.
" ...!", Nagi estava ofegante. Só agora notou que havia correspondido ao beijo. Havia um 'quê' de verdade naquelas palavras... Amava beijos assim e...
" Brad não sabe te dar prazer... Eu sim.", Diz com convicção. A voz nasalada saindo baixa e rouca. Seu corpo já havia reagido a todo aquele jogo de sedução que orquestrara no momento, não que realmente fosse apenas um jogo... Agora era real!
"Crawford!", Só agora Nagi se lembrou que o americano existia em sua vida.
" E sabe por que, Nagi?", Perguntou, vendo os olhos azuis se erguerem e fitá-lo confusos. Sabia que estava indo rápido demais, mas quando o viu ali, simplesmente não resistiu... Precisava tocá-lo, precisava sentir aquela pele contra a sua, aqueles lábios e... Dizer tudo o que estava entalado em sua garganta durante aqueles longos dois meses.
" Schuldich...", Apoiou as duas mãos no peito largo do telepata, olhando-o.
" Porque o seu prazer... É o meu prazer, Liebe!", Completa e sem resistir aquela carinha de menino desolado que Nagi fazia no momento, Schuldich o puxou novamente, tomando aqueles lábios deliciosos e se perdendo neles.
O beijo foi simplesmente se intensificando. As mãos largas do ruivo percorriam as costas pequenas e delicadas de Nagi, enfatizando mais o desejo que percorria suas veias, deliciando-se ao se ver correspondido com a mesma paixão pelo japonês, até que aquelas mãos tremeram contra seu peito e uma forte onda telecinética foi emitida pelo corpo menor, lançando-o para trás e fazendo-o cair no chão.
" Nagi?!", Fala, olhando-o sem entender.
" Nunca... Nunca mais faça isso, ENTENDEU?!", Nagi grita a última palavra e antes mesmo que o telepata pudesse se recompor se pôs a correr rapidamente, sumindo das vistas do outro em questão de segundos.
O telepata ainda estava jogado no chão, sua mão apoiada no chão. Ele deixa um sorriso safado escapar de seus lábios, passa a mão nos cabelos e se levanta, limpando a roupa. Talvez tenha ido longe demais, ou foi rápido demais para Nagi. Sabia que Crawford não supria todas as necessidades do garoto, mas... Ele ia fazê-lo compreender tudo e isso seria em breve.
" Logo você vai provar do seu próprio veneno, Brad.", O ruivo diz, começando a caminhar lentamente. Sabia que podia alcançar Nagi e tinha certeza de que poderia vencer o americano e o faria com todo o prazer, só pra ter seu pequeno telecinético de novo.
"Estou tendo pensamentos românticos demais pro meu gosto.", ¬¬ Reclama.
Concentra-se um pouco captando a psiquê de Nagi, sabendo que o menino pegou um táxi e já estava quase na mansão. Tinha deixado o garoto confuso, mas sabia que precisava fazê-lo entender que ainda o amava e que seu 'relacionamento' com Crawford nada mais era do que uma troca de favores, se bem que nem isso realmente era. Queria falar mais coisas com ele, mas deixaria que o menino descansasse aquele dia, que tivesse um tempo pra pensar no que houve, no encontro que acabaram de ter.
OOO
Nagi rapidamente chegou em casa. Estava por demais alarmado, seu coração batia descompassadamente como se fosse sair por sua boca ou atravessar a caixa torácica e cair no chão. O que foram àqueles beijos? Aquelas palavras? Como pôde permitir que o maldito ruivo se aproximasse daquele jeito? Entrou dentro da mansão, atravessando a sala rapidamente, chegando ao início da grande escada, ouvindo então a voz imponente de Crawford.
" O que houve?", Perguntou o americano, sério, fitando o jovem.
" Nada.", Respondeu, tentando não demonstrar o tremor em seu corpo ao ouvi-lo perguntar. Se ele descobrisse... Será que o mandaria embora ou o mataria?
" Você está estranho.", Disse em constatação.
" Estou apenas cansado.", Respondeu, querendo sair logo dali.
" Onde está Schuldich?", Crawford fez a próxima pergunta, vendo a mão pequena apertar com força o corrimão.
" Por que eu saberia dele? Aquele telepata maldito que morra!", Falou sem conseguir conter a irritação, começando a subir a escada, pisando duro e praguejando.
" Vou dormir. Estou cansado.", Crawford ouviu-o gritar já quase na porta do quarto e não se importou.
Crawford sabia que Nagi não gostava de falar de Schuldich, provavelmente porque ainda não havia esquecido do mesmo, mas aquilo não importava. Ele não estava com o ruivo e era isso o que queria, o que desejava. Sorriu e virou-se entrando no corredor adjacente, dirigindo-se ao escritório, lembrando-se da 'conversa'que tivera com o alemão. Aquilo sim era intrigante.
Nagi bateu a porta do próprio quarto com força, encostando-se a mesma e suspirando profundamente, permanecendo na mesma posição por mais de cinco minutos, até levar os dedos aos lábios lentamente, tocando-os com cuidado, lembrando-se que a boca daquele maldito tocou a sua em um beijo profundo e sensual que fez cada parte de seu corpo arrepiar-se de prazer.
Sentiu as faces corarem ao lembrar-se com detalhe de cada toque, sussurro e beijos. Ele era realmente um maldito! Caminhou até o armário e o abriu, parando em frente ao espelho, vendo em seu pescoço pequenas marcas deixadas pelo alemão, que insistia em chamá-lo de 'Liebe'. Devia ter perguntado logo o que era, mas isso ficava para outro momento.
" Não. É melhor que eu não o encontre de novo... Não sozinho.", Disse a si mesmo, temendo não resistir aquele demônio.
Por mais que odiasse saber que ele o enganou, que o usou e que nada sentia realmente, era inegável o fato de que o ruivo sabia como quebrar sua resistência. Talvez ele estivesse sutilmente o fazendo ceder usando seus poderes, mas... Não sentia como se Schuldich realmente usasse seu dom nele. Balançou a cabeça negativamente, afastando qualquer pensamento e jogou-se na cama, aspirando o ar profundamente.
" Maldito...", Sussurrou, para no instante seguinte abrir os olhos.
Nagi piscou as orbes azuis seguidamente, ligeiramente confuso. Sentiu o perfume de Schul ali. Virou-se, ficando de bruços e apoiou-s nos cotovelos, pegando o travesseiro e cheirando o mesmo, percebendo com total clareza o perfume do alemão ali, no tecido fino da fronha. Ficou intrigado. Por que sentia o cheiro dele ali?
" O que isso... Significa?", Perguntou-se, tentando achar a resposta para mais uma difícil pergunta.
OOO
A luminosidade do cômodo era suave, quase a meia luz. Os móveis escuros davam um clima sombrio aquele lugar. Uma enorme mesa de mármore negro estava cheia de papéis, bem como um laptop. O ambiente em si pareia mais frio, bem como aquele que ocupava a poltrona macia de veludo azul-petróleo-escuro. Dedos ágeis percorriam o teclado, enquanto os olhos escuros brilhavam através das lentes dos óculos de armação elegante.
Parou o que fazia e apenas recostou-se a poltrona, permanecendo em silêncio. Levou o indicador a face, arrumando os óculos, para então apoiar os cotovelos na mesa, entrelaçando os dedos em frente ao tórax. Estava pensativo sobre o que vinha acontecendo nos últimos dias. Com certeza ele estava aprontando algo. Tudo parecia ter voltado a ser como antes... Schuldich voltara a fazer as brincadeiras de sempre com Nagi, rindo e irritando o menino como fazia antes de torná-lo seu amante.
"Está tentando uma nova aproximação. Mas isso não será o bastante para tirá-lo de mim.", Pensou o americano, ouvindo alguém batendo na porta e entrar sem sua permissão.
" Guten tag!", Ouviu a voz do alemão invadir seus ouvidos e ergueu os olhos.
" Quem disse que podia entrar?", Fuzilou-o com os suas orbes escuras.
" Ah, como sempre está bem humorado, não?", Sorri cinicamente a Crawford.
" O que deseja?", Voltou seus olhos para os papéis que verificava.
" Quer mesmo saber?", Crawford teve que erguer os olhos de novo ao ouvir aquela pergunta... Principalmente pelo tom de voz usado pelo telepata. Havia um quase toque de sensualidade ou fora apenas impressão sua?
" Oh, sim! Muito.", Responde sem alarme. Quem sabe se entrando naquele joguinho idiota dele descobriria o que o maldito queria e conseguiria então ficar em paz? Voltou a entrelaçar os dedos e lançou um olhar por cima dos óculos ao alemão, esperando que ele falasse.
" Eu desejo muitas coisas... E você, Brad. O que deseja?", Pergunta o ruivo, sentando-se displicentemente sobre a mesa, apoiando-se na mão direita enquanto o olhava com um sorriso enigmático e ligeiramente debochado.
" Eu desejo que você suma da minha frente. Está atrapalhando.", Foi curto em suas palavras, que saem frias e indiferente. Um brilho perigoso pairava em seus olhos.
Schuldich olhou bem dentro dos olhos escuros do americano, ficando em silêncio por algum tempo, para então sorrir sarcasticamente, passando a mão nos cabelos e brincando com as pontas como se não tivesse nada mais importante para fazer naquele momento e não tinha mesmo.
" Estranho. Me parece que seu desejo é outro.", Sorri de lado.
" Desça da mesa.", Avisou, vendo o alemão sentado de lado sobre a mesma.
" Por que, Brad?", Pergunta Schuldich, fazendo cara de inocente.
"Cretino!", O vidente pensa, estreitando os olhos.
" Apenas saia. E é Crawford pra você.", Diz frio, tentando manter a paciência.
" Mas é mais sexy chamá-lo de Brad.", Respondeu como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.
" Você está bêbado? Não. Você quer só me importunar.", Recostou-se a poltrona, vendo que aquele ali chegara pra ficar.
Ele sempre fazia isso, sempre o chamava de 'Brad' num tom que realmente o deixava... Arrumou os óculos, voltando a fitá-lo seriamente. Não sabia o que ele tinha em mente. Achou que Schul se aproximaria mais de Nagi, mas o ruivo parecia fazer questão de vir a sua sala, manter um 'papo amigável'... Ainda não havia nada que realmente pudesse ameaçá-lo, pois caso contrário teria um acesso clarividente, mas... Não estava gostando daquela aproximação e isso já vinha ocorrendo há uma semana.
" Eu quero só conversar.", Falou, rindo.
" Não tenho nada para falar com você. Saia.", Falou rispidamente.
Sem esperar resposta, levantou-se e caminhou até a estante, pegando um livro e ouvindo passos, sabendo que Schuldich andava em direção a porta, ficando muito satisfeito em ver que ele finalmente obedecia. Aquelas 'conversas' com ele estavam sendo muito estranhas, intrigantes e... Balançou a cabeça, abrindo o livro e então para quando ouve a porta sendo aberta e não escuta mais os passos do ruivo.
" Você sabia que algumas pessoas dizem que os olhos são o espelho da alma?", Virou-se imediatamente ao escutar aquelas palavras, fitando Schuldich, irritado.
" Acho que essas palavras são verdadeiras...", O alemão disse com um quase prazer sádico na voz, fechando a porta lentamente, deixando para trás um intrigado Crawford.
Quando aquela porta se fechou e o silêncio imperou no ambiente, o americano trincou os dentes, deveras irritado. Jogou o livro no chão em um ato impensado, caminhando até o sofá e se jogando nele. De novo o ruivo falava sobre 'ver através dos olhos'. Aquelas indiretas o irritava, o deixava fora de si por mais que tentasse se manter indiferente.
"O que você ACHA que está vendo em meus olhos, maldito?", Perguntava-se Crawford, começando a ficar realmente furioso com isso.
Não saber o que se passava na cabeça daquele alemão ruivo estava começando a tirar seu sono. Não. Na verdade o que estava perturbando-o era pensar sobre o que ele achava que via. Nunca teve que esconder nada, seus olhos sempre mostraram a indiferença e frieza que tem para com o mundo e as pessoas que nele habitam. O que poderia ter deixado transparecer? Não havia nada, então... Por que aquelas insistentes citações?
Suspirou. Aquilo devia apenas ser estresse causado por dias de trabalho a finco. O maldito Takatori estava cada vez mais extravagante e se ainda não precisasse dele, não estaria ali. Sabia, no entanto, que os Weiss estavam cada vez mais perto e entre eles havia o pequeno Mamoru Takatori, que poderia muito bem ser usado em planos futuros. Ainda se divertia com Nagi, o corpo dele era realmente delicioso e continuaria assim... Mantendo-o dessa forma.
Sorriu malicioso ao lembrar-se como fora maravilhosamente delicioso manipulá-los. Pensar que os fez se separarem apenas usando um pequeno jogo de palavras e o grande telepata simplesmente deixou-se levar. A face dele em choque... Sentiu-se quase em êxtase quando o viu naquela noite em que tocara Nagi pela primeira vez, plantando ódio dentro daquele coração.
Mas agora algo parecia ter mudado. Ele estava se aproximando... Chegando de mansinho como um lobo em pele de cordeiro, dando-lhe a impressão de ameaça. Um desafio que estava tentando compreender para então combater. Apesar de que não era realmente uma ameaça real, afinal, não vira nada a respeito e... Por que novamente ele viera até si tão... Bonito?
"O que ele pensa? Acha que pode simplesmente me seduzir?", Ri consigo mesmo.
" Tolo!", Exclama, sorrindo.
"Se Schul acha que pode fazer isso... Pode passar de caçador a caça em questão de segundos... E eu vou adorar caçá-lo!", Passou a língua nos lábios como um predador que espreita sua presa, abrindo os olhos, ainda sorrindo maliciosamente.
OOO
20:12 PM. Dois dias depois.
As risadas de pessoas ricas e luxuosas enchiam o salão. Casais dançavam elegantemente, enquanto a música envolvia a todos, dando ao ambiente um ar descontraído e feliz. Tudo aquilo, no entanto, dava a Nagi a impressão de hipocrisia, pois ele sabia que nem todos ali estavam felizes, que a maioria maciça usava máscaras para esconder suas verdadeiras faces, fingindo-se agradáveis quando queriam, de fato, apunhalar os outros pelas costas.
No andar de cima, próximo a sacada, estava Nagi Naoe, observando todos dançando e rindo no andar de baixo e sentindo-se enjoado com todo aquele fingimento. Por mais amorosos que uns eram com os outros, era um sentimento falso e isso lhe dava náuseas. Estava ali naquela festa podre porque Takatori exigiu a presença dos Schawrz. Crawford estava verificando pessoalmente algumas coisas pedidas e ele teve que ficar ali com... Schuldich, pra saber se não havia ninguém suspeito na festa.
"Isso sim é uma porcaria. Ficar sozinho com esse maldito. O que Crawford tem na cabeça?", Pensava o pequeno japonês. Será que o americano não via o risco ali?
Olhou de esguelha para o ruivo que estava encostado numa pilastra a dois metros dele, observando as pessoas lá em baixo, vasculhando suas mentes. O mesmo vestia uma calça branca de linho e um blazer preto. Os cabelos ruivos estavam soltos caindo displicentes sobre a peça negra, destacando-se devido à cor brilhante dos fios. Ele estava realmente lindo!
"Pare de pensar nisso, Nagi.", Pensa o menino, balançando a cabeça e voltando a fitar as pessoas na festa, verificando se havia algo suspeito. Estava a trabalho afinal.
O ruivo sorriu maliciosamente, voltando seu olhar ao garoto próximo a ele. Nagi estava muito bonito também, pra não dizer apetitoso. O pequeno telecinético vestia uma calça justa azul-marinho que delineava bem suas pernas e principalmente coxas e um blazer negro como o dele, porém com detalhes em azul da cor dos olhos de Naoe. Os cabelos chocolates estavam ligeiramente molhados ainda, caindo suavemente sobre a face emoldurando-a com um quadro perfeito. Ele estava tão sexy!
"E nem tem noção disso.", O alemão sorriu malicioso, percorrendo o corpo de Nagi com os olhos.
" Schuldich.", Falou o menino de olhos fechados.
" Ja, Liebe?", O olha como se fosse a pessoa mais inocente do mundo.
" Pare de me olhar assim seu... Seu... Seu tarado!", ò.ó Censurou-o irritado.
" Eu só estou apreciando as coisas belas, mein Katzchen!", Deu um sorriso sedutor, achando-o ainda mais lindo irritadinho daquele jeito. Realmente estava um gatinho... Um gatinho que ele adoraria colocar no colo, cuidar e... Fazer mais um tanto de coisas!
" O que quer dizer com 'mein katzchen'?", ¬¬ Resmunga contrariado.
" Um dia eu te conto... Quando você estiver nos meus lençóis!", Sorri divertido, vendo o menino resmungar algo ininteligível.
" Vá a merda, Schul! Por que não sai daqui logo?", ¬¬' Nagi fala entre dentes, tentando se controlar. Realmente o ruivo tinha o dom de irritá-lo, principalmente com aquele sorrisinho cínico nos lábios.
" Primeiro porque estamos a trabalho e também...", O ruivo vai até o menino, parando perto dele, colocando a mão na parede ao lado de Nagi, próximo a cabeça do mesmo, fitando-o com intensidade, num misto de admiração e luxúria.
Nagi o fitou, sentindo o coração bater mais rápido. Schul estava muito próximo.
" ... Porque você não quer que eu saia, não é Liebe?", O telepata se curvou sobre o menino que havia voltado sua atenção às pessoas lá embaixo no intuito de ignorá-lo, sorriu e sussurrou as palavras no ouvido dele, aspirando em seguida seu perfume e beijando a nuca exposta.
" Para... Com isso, seu maldito!", Nagi encolhe-se todo, levando a mão à nuca e fitando o ruivo bravo, mas ainda assim arrepiado com o toque daqueles lábios, corado pelas insinuações presentes naquela voz.
" Por que eu deveria... Se você diz 'não', mas quer que eu continue?", Envolve Nagi suavemente, deslizando seus lábios pelo pescoço dele, distribuindo beijos molhados e sensuais.
" Eu não quero nada...", Falou baixo.
"Oh, Deus! Por que ele tem que fazer isso?", Pensou, enquanto tentava se afastar daqueles braços, mas era tão bom ser envolvido por aquele calor! Havia algo diferente de quando Crawford o abraçava.
" Eu sei que você gosta... E quer que eu faça mais.", Continuou seus beijos, percorrendo todo o pescoço, calma e lentamente, deixando transparecer sedução e carinho em seus atos.
" Eu não... Você quer apenas me... Seduzir!", Fala irritando-se ao pensar que o outro queria apenas usá-lo como antes e se afasta daqueles braços tentadores, lançando olhares fulminantes ao mesmo.
" Eu não estou tentando te seduzir.", Diz, rondando o menino, olhando-o profundamente, mordendo os lábios ao ver como ele estava adorável todo irritado e meio excitado ao mesmo tempo.
Nagi respirava descompassado devido às emoções contraditórias em seu ser.
" Creio que seja o contrário, mein schön! Você quem me seduziu. Só quero uma compensação. Acho que tenho esse direito.", Diz num tom baixo, rouco.
" O que?", Nagi fechou os punhos ao ouvir tais palavras. Como ele podia dizer que não estava tentando seduzi-lo e ainda ter a audácia de acusá-lo de fazer isso e ainda queria uma compensação? Era mesmo um arrogante!
" Hum... Tão lindinho!", Fala ficando a dois passos de Nagi, sorrindo.
" Você não tem direito a nada, ouviu! Na-da!", Praticamente coloca o dedo na cara do ruivo, sua expressão fechada. Onde já se viu dizer aquilo?
" Eu tenho esse direito e você sabe disso.", Segura a mão de Nagi e beija seus dedos, mordendo de leve o indicador, deixando que sua língua tocasse a pele.
Nagi sentiu seu coração falhar uma batida quando percebeu o toque daqueles lábios em seus dedos. Havia tanta suavidade... Carinho? Poderia dizer isso? A língua dele tocava de leve sua pele, enquanto os dentes roçavam atrevidos até morder suavemente seus dedos, deixando que a língua passeasse sobre eles logo depois, sugando de leve. Abriu a boca para xingar todos os palavrões que conhecia, mas simplesmente não foi capaz de emitir nenhum som.
" Deixe acontecer...", Sussurrou o telepata, puxando o corpo menor para junto do seu, deixando que seus lábios tocassem a face ligeiramente rubra, sentindo a maciez, instigando o telecinético, tentando mostrar que não era só desejo.
" Não! Não tenho que deixar nada acontecer!", Afastou-se bruscamente, olhando-o ofegante. Tinha que tomar cuidado. Schul sabia como persuadir alguém.
" Liebe...!", Estreitou os olhos. Será que Nagi tinha tanto medo assim? Captava o receio, o temor nas palavras e ações arredias, mas... Ficava pensando... Será que Nagi tinha medo do que sentia, medo dele ou de... Crawford?
" Eu não estou com você.", Nagi joga na cara dele friamente.
" Mas gostaria de estar!", Puxa o mais novo rapidamente, colando seus corpos e beijando-o com paixão, segurando a nuca de Nagi para que o mesmo não fugisse.
Antes mesmo que pudesse processar aquelas palavras, Nagi sentiu-se sendo puxado e simplesmente foi beijado por aquele ser que habitava seus sonhos, perturbando-o e lhe roubando as noites. O beijo dele era forte, havia tantas emoções que lhe deixava entorpecido. Queria afastar-se, mas quem disse que conseguia? O calor dele o envolvia como um manto protetor, quente e excitante, fazendo todo seu corpo reagir.
Schuldich continuava a beijá-lo, saboreando aquela boca deliciosa. Como sentia falta dela! Não podia mais ficar longe daquele menino, do cheiro dele, do olhar... Ele por inteiro, mas não queria forçá-lo, não queria que Nagi pensasse que estava sutilmente forçando-o a fazer o que não desejava e retirando forças sabe-se lá de onde, afastou-se com muito custo, sua respiração acelerada. Mordeu o lábio inferior e deu uma lambidinha na suculenta boca entreaberta de Nagi.
" Eu disse que você queria... E quando me quiser de novo, sabe onde me encontrar, Liebe.", Deixou seus dedos deslizarem sobre a face corada, vendo aqueles olhos azuis abrirem-se e fitá-lo ainda sem foco. Afastou-se e começou a caminhar, mesmo que seu desejo fosse voltar e não soltá-lo nunca mais, mantendo-o eternamente em seus braços.
Nagi ainda estava fora de si, até que sua mente registrou que o ruivo não estava mais perto dele e balançou a cabeça negativamente. O que foi aquilo? Aquelas palavras... Os sentimentos que captou vindo dele... Levou a mão à boca, novamente tocando os lábios que foram beijados pelo telepata. Sua respiração ainda estava descompassada, seu corpo ainda estava elétrico... Sim. Estava excitado. Schul podia ter se aproveitado, pressioná-lo apenas mais um pouco para ter o que queria, mas não o fez. Deixou nas mãos dele. Será que isso significava que ele realmente mudara? Ou... Que era verdadeiro o que ele sentia?
"O perfume... O perfume realmente é o dele.", Pensou consigo mesmo, lembrando-se da fragrância que sentiu em seu travesseiro e lençóis. Schul estivera dormindo em sua cama. Sim, era isso! Ele sentia sua falta. Sorriu sem sequer perceber e voltou seu olhar para a festa. A noite não estava tão ruim assim.
O telepata já havia percorrido todo o salão, cruzando-o elegantemente, sendo alvo dos olhares de muitas mulheres e alguns homens. Tinha estampado na face um olhar sexy e definitivamente satisfeito, o que o deixava ainda mais lascivo e sublime, como um deus que hipnotizava a todos que o olhassem. Foi até onde se encontrava Crawford, mas não o viu na sala onde o mesmo disse que estaria.
" Onde ele foi?", Perguntou-se, internamente temeroso que ele tivesse visto o beijo que dera em Nagi. Ficou um pouco preocupado. Sabia que o que estava fazendo era arriscado, principalmente para aquele que desejava ter de volta, pois Crawford podia...
" Procurando por mim?", Ouviu aquela voz imponente e fria atrás dele e virou-se, dando de cara com o americano, que consertou seus óculos num típico movimento, dando-lhe um sorriso malicioso e sarcástico.
" Mas é claro! Por que outro motivo eu viria aqui?", Deixou que um sorriso cínico adornasse seus lábios, rapidamente se recompondo do susto que levou, fitando o americano nos olhos.
" Não sei. Me diz você.", Deu passos para o lado, contornando o ruivo, reparando nos sutis movimentos dele, olhando-o como um predador pronto a destroçar seu corpo com apenas um ataque.
No mesmo instante, Schuldich percebeu que algo mudou naqueles olhos escuros. Havia desafio e algo a mais dentro daquelas íris. Ele entrou no jogo! Ou Brad acha que entrou pra ganhar ou está apenas se deixando levar, mas isso tinha um lado bom, afinal... Poderia alcançar a mente dele. Vinha treinando para isso. Sorriu e então deixou que seu sorriso se tornasse uma risada baixa e intrigante.
Crawford, que estava vestindo um impecável terno Armani negro apenas observava o ruivo alguns centímetros menor que ele. As respostas ousadas eram apenas um desafio a mais. O alemão achava que podia contra ele, que conseguiria derrotá-lo. Seria isso? Pobre telepata... Suas palavras não eram capazes de atingi-lo, atiçar sua curiosidade talvez, mas... Schuldich ainda era dependente de seu poder, sentia-se inseguro sem seu dom e isso era uma vantagem sua.
" Wow! Quantas palavras enigmáticas.", Fala sarcástico, sorrindo de lado.
" E o que o grande telepata quer comigo?", Suas palavras estavam carregadas de cinismo, observando aquele homem passar ao lado dele, aspirando aquele perfume envolvente e instigante, seguindo-o com o olhar, reparando no lânguido movimento feito pelo ruivo.
" Avisar que eu já vou ou deseja algo mais de mim... Brad?", Parou, jogando os cabelos para trás, retirando a franja revoltosa da face.
Crawford captou um 'quê' a mais naquelas palavras ou seria sua imaginação? Não. Ele estava provocando-o. Tinha certeza! O movimento dos cabelos era apenas uma indicação adicional. Pensava sobre o que podia estar se passando na cabeça daquele maldito, que agora parecia tão 'manso'... Estava 'comportado' até demais para seu gosto. Ou seja, estava mesmo aprontando!
" Isso é uma oferta?", Sussurra aproximando-se mais, ficando a centímetros de distância do ruivo, achando tudo muito interessante.
" Ora, Brad. Sou um membro dos Schawrz. Se você tiver mais algum trabalho pra mim, terei que fazê-lo, não? Se bem que Takatori não deve demorar muito aqui...", Fala dissimuladamente, afastando-se como se nada tivesse percebido.
"Esse maldito.", Os olhos de Brad estreitam-se.
" Vou indo, ja. Nos vemos depois.", Fala, saindo da sala sem nem olhar para trás, fechando a porta atrás de si.
"Pelo visto ele está caindo.", Pensa o ruivo, caminhando lentamente.
O jogo que fazia era arriscado. Sabia disso, lembrava-se desse detalhe a cada segundo, mas estava tendo informações muito preciosas sobre Crawford nessas poucas 'conversas' que tiveram. Já sabia como agir e o que faria na próxima vez em que se encontrassem. Faria o moreno provar do próprio remédio e isso seria muito prazeroso!
Passando por Takatori, lançou-lhe um olhar intenso, vendo o homem colocar a mão na cabeça, mas então sorrir cinicamente a quem conversava. Deixou uma 'sugestão psíquica' no mesmo. Quando aquele homem visse Nagi, o mandaria embora imediatamente e Crawford nada poderia fazer. Não arriscaria deixar seu garoto sozinho numa festa daquelas.
Sem esperar, Schuldich foi direto para casa, estava um pouco cansado na verdade. Não gostava daquele tipo de festa, porque aquelas pessoas tinham pensamentos tão podres que o deixava ligeiramente enjoado e manter-se em alerta a todo momento para lidar com Brad, sempre tentando captar algo mais da mente dele era estressante e cansativo. Tudo o que queria era cama!
OOO
O relógio já marcava mais de meia noite e o ruivo foi de carro para casa, chegando em menos de quarenta minutos, subindo as escadas devagar, dirigindo-se até o quarto. Foi retirando a roupa, jogando o blazer sobre um pequeno sofá próximo a janela, caminhando até a suíte e abandonando sua calça de linho no piso escuro, entrando debaixo do chuveiro e tomando um banho longo, relaxando todos os músculos.
Pegou uma calça moletom creme e vestiu com o corpo ainda ligeiramente molhado. Ao ter a pele tocada pelo tecido, lembrou-se da noite em que estava no quarto de Nagi e captou o sonho dele. Não havia sido real, mas... Era tão bom sentir a mente dele assim, apesar de que se fosse suas mãos mesmo tocando aquele corpo, o prazer seria ainda mais intenso. Sorriu e voltou ao quarto, penteando os longos cabelos ruivos.
" Foi você, não foi?", Schul virou-se rapidamente ao ouvir a voz dele.
" Nagi?", Fitou o jovem que estava encostado na porta, olhando-o seriamente.
" Deixou alguma 'sugestão' ao Takatori?", Perguntou sério.
" Logicamente que sim. Acha que eu deixaria você lá sozinho com ele?", ¬¬ Só de pensar naqueles olhares luxurioso em direção a seu Nagi, tinha vontade de despedaçar o cérebro dele... Ou de qualquer outro ser que desejasse o menino.
" Crawford vai se zangar.", Comentou casualmente.
" E o que me importa Crawford?", Deu de ombros, jogando-se no sofá displicente, olhando o menino que continuava vestido lindamente naquela roupa que o deixava tão sexy.
" Vamos logo com isso. Me diga por quê.", Falou o telecinético, dando três passos a frente, cruzando os braços e esperando uma resposta. Queria saber exatamente porque Schul deitou em sua cama. Pensou, primeiramente, que se tratava de saudades, mas... Enquanto observa o outro acha isso meio improvável.
" Ora, e do que está falando... Liebe?", Disse, dando um sorriso malicioso e levantando-se, dando passos suaves, cruzando o quarto e parando em frente ao garoto.
" Por que você estava no meu quarto? Senti seu perfume lá.", Fechou a cara.
" Por que acha que eu estaria?", O olhou de lado, os fios cor de fogo caindo ligeiramente sobre seus olhos, dando-lhe uma aparência mais sedutora.
" Apenas responda!", Detestava quando ele fazia uma pergunta ao invés de responder o que ele indagava.
" Porque eu estava com saudades... Queria sentir seu cheiro... Sinto sua falta.", Puxou Nagi para si, mantendo uma mão na nuca do japonês, sussurrando as palavras no ouvido dele.
" O... O que?", Nagi estremeceu com a aproximação. Sentia o cheiro natural da pele de Schuldich, a voz dele nunca lhe pareceu tão sincera, mas algo dentro de si ainda o deixava parado, como se não pudesse aceitar aquelas palavras.
" Por que acha que eu te beijei? Hummm... Você tem um gosto tão bom!", Gemeu no ouvido do menor lembrando-se, sentindo aquele perfume único vindo dele.
" Não se aproxime.", Disse dando passos para trás. Toda aquela aproximação o lembrava do que acontecera há pouco na festa. Os beijos... Aquela voz nasalada que o fazia se perder.
Schuldich sorriu dando passos na direção de Nagi, vendo o mesmo recuar até encostar-se a porta, parando. Colocou uma mão de cada lado do corpo dele e curvou-se sobre o menor beijando a bochecha que estava avermelhada, sentindo o perfume suave daquela pele de bebê, mas não queria forçá-lo. Queria que ele viesse a si por livre e espontânea vontade, mas apenas vê-lo em seu quarto o deixava excitado ante a possibilidade do mesmo estar ali por desejá-lo fortemente.
" O que está fazendo?", Perguntou baixinho. Sua respiração descompassada.
O ruivo não respondeu, apenas continuou a beijar a face delicada, mordiscando o queixo, passando a outra bochecha, descendo e deixando sua língua deslizar sobre o pescoço macio, percebendo o sutil movimento da cabeça do telecinético que a virou, dando mais espaço a ele. Sorriu internamente e continuou o que fazia. Suas mãos ainda permaneciam paradas ao lado do corpo de Nagi e o mesmo ainda não o tocava, estava com as mãos espalmadas contra a porta, mas captava muito bem que ele estava apreciando o que estava fazendo.
" Isso não está certo...", Deixou as palavras escaparem ao lembrar-se de Brad.
" Não pense nele.", Sussurrou contra a pele cremosa, beijando a garganta de Nagi e então lambendo, passando pelo queixo e parando milímetros antes de chegar aos lábios, olhando dentro dos olhos escurecidos do menino.
" Mas...", Viu o telepata afastar-se apenas alguns centímetros.
" Você não quer, Nagi?", Perguntou. Não ia forçá-lo.
Nagi ficou em silêncio, apenas observando-o.
" Se não quiser, eu deixo você ir agora.", Disse, dando-lhe a opção de escolher.
" Quem disse que eu quero algo?", Virou o rosto, respondendo de supetão. Schul era idiota por acaso? Ele foi ali e o ruivo...
" Humm... Kawai kawai...", Disse sorrindo malicioso, achando-o uma graça. Nagi estava em dúvida sobre o que queria e isso o deixava ainda mais adorável.
" Eu não sou bonitinho, então cala a boca.", Falou, fuzilando-o com seus azuis, sentindo o coração falhar uma batida quando sente o corpo maior colar-se ao seu e aqueles lábios roçarem em sua orelha.
" Tudo bem, Nagi. Eu me contento em ser seu amante... Por enquanto!", Sussurrou rouco no ouvido dele. O próprio ruivo não estava agüentando aquele clima todo, queria tocá-lo, fazê-lo seu. Ter ido embora mais cedo, abandonando Nagi na festa foi a coisa mais difícil que já fez.
Em um movimento inusitado, Schuldich sentiu seus cabelos sendo puxados e simplesmente foi beijado. Nagi não havia pensado, apenas o fez e ele, ao sentir o toque daqueles lábios correspondeu automaticamente, enlaçando a cintura esguia e invadindo aquela boca, tomando a liderança daquele beijo impudico, sentindo as unhas finas de Naoe arranharem suas costas, gemendo ante ao toque.
Nagi sabia que se amaldiçoaria depois, mas a proximidade dele, os toques... Ele queria aquele maldito! Beijava-o com fome. Sim, estava faminto. Não pensava mais, só queria senti-lo, intoxicar-se com a presença dele e nada mais. Não havia mais nada nem ninguém ali... Só ele e Schuldich.
" Nagi...", O nome do menor saiu em um rosnado.
Schuldich o empurrou com força contra a porta, levando a mão aos botões do blazer e começou a abri-los rapidamente, junto com a blusa branca que escondia a pele sedosa por baixo. Deixou que a mesma deslizasse sobre os ombros, deixando-os desnudos e passou a distribuir beijos molhados ali, mordendo de leve a pele exposta, enquanto suas mãos deslizavam pelas costas e chegavam às nádegas, apertando-as com vontade, fazendo-o colar-se a si ainda mais.
" Aahhmmm... Schuuullll...", O gemido saiu arrastado e Nagi jogou a cabeça para trás, sentindo os beijos, as mãos em suas nádegas, a perna esquerda de Schul entre as suas, pressionando deliciosamente seu membro, fazendo-o estremecer.
Rapidamente levou ao chão o blazer e a blusa branca, deixando livre os braços de Nagi. Ouvi-lo gemer o deixava louco e sentir contra sua coxa a ereção presa dentro da calça apertada do telecinético o deixava ainda mais ensandecido. Gemeu alto quando sentiu novamente aquelas unhas em suas costas arranhando e deixando marcas vermelhas. Abriu os olhos e sem esperar tomou os lábios dele em um beijo mais lascivo e urgente, não percebendo ao redor pequenos objetos flutuarem devido à energia que se desprendia de Nagi.
As mãos fortes apertavam as coxas de Nagi enquanto os lábios carnudos deslizavam sobre o peito alvo, descendo, distribuindo beijos pelo abdômen, enfiando a língua no umbigo perfeito, ouvindo um gemido mais alto do telecinético, que arqueava graciosamente, abriu o botão da calça e desceu o zíper, livrando-se finalmente da peça incômoda, olhando com prazer a ereção presa dentro da peça íntima.
" Hummmm... Tudo isso pra mim?", Sussurrou rouco, acariciando aquela ereção com o rosto.
" Aahhhh... Cale-se!", Gemeu Nagi, corado ante aquelas palavras.
" Você é uma delícia, Liebe!", Ergueu-se e tomou novamente aqueles lábios, enquanto seus dedos escorregaram para dentro da peça branca, tocando o membro sedoso e apertando-o, passando o indicador sobre a glande, sentindo a umidade ali presente.
" Aaahhhhhh...", Nagi teve que interromper o beijo, gemendo alto ao sentir o toque preciso que fazia uma onda de calor percorrer todo seu corpo. Involuntariamente seus quadris se moveram para frente à procura de mais e não foi decepcionado por Schuldich.
Nagi ergueu os braços e enlaçou o pescoço do telepata, ainda movendo os quadris contra a mão dele, gemendo e suspirando sem abandonar os lábios macios e saborosos do ruivo, que o apertava e correspondia a cada gesto seu. O pequeno telecinético geme em desgosto quando sente a perda do contato em seu membro, vendo o sorriso cheio de malícia e luxúria nos lábios carnudos do alemão.
" Uhhmmm... Como você pode ser tão maldito?", Sussurrou, sua voz baixa e rouca. Estava ofegante e sem pensar em mais nada o segura firme pelo pescoço e dá um leve impulso no corpo, enlaçando as pernas ao redor da cintura do ruivo, apertando-se contra ele e sentindo a ereção de Schuldich.
" Aahhh... Gott, Liebe.", Aquele gesto fez Schul gemer e se excitar mais.
Nagi sorriu e mordeu o lábio inferior ao ver os olhos claros de Schul enegrecidos pelo prazer. O ruivo ficava tão lindo assim! E tudo isso... Todas aquelas reações eram por causa dele, pelo contato com sua pele. Lambeu os lábios carnudos, iniciando um beijo lento e sensual, sentindo seu corpo sendo mais prensado contra a porta e o alemão começar a se mover como se estivesse possuindo-o, causando uma fricção deliciosa entre seus membros cobertos por tecidos finos. Os dedos longos escorregavam por sua coluna, chegando ao meio de suas nádegas, acariciando o local, provocando-o.
" Aahmmm... Schul... Mmmmm...", Mordia os lábios lançando a cabeça para trás, tendo o pescoço atacado sem descanso com beijos, lambidas e mordidas. Os dedos de Schul faziam questão de continuar provocando-o, ameaçando uma penetração que não vinha, deixando-o impaciente.
" Vai... Anda...", Sussurrou. Seus olhos fechados e sua boca aberta em busca de ar, remexendo-se no colo do ruivo, que riu contra sua pele, fazendo-o arrepiar-se.
" Wenn ich Sie folglich berühre, Sie mögen?", Perguntou contra o ouvido dele, mordendo o lóbulo em seguida, introduzindo o dedo alguns milímetros dentro do canal apertado, provocando, sem realmente penetrá-lo significativamente.
" Aahhh... Hai... É tão booommm...", Nagi gemeu arrastadamente, sentindo aquele dedo se aprofundar mais, acariciando-o por dentro finalmente. Não sabia exatamente como, mas compreendeu perfeitamente a pergunta. 'Quando eu te toco assim, você gosta?'. Ah! Como ele podia perguntar aquilo? Não via que ele estava amando? E aquelas palavras em alemão... Deus! Como podia soar tão sexy aos seus ouvidos?
O ruivo estreitou os olhos, divertindo-se, e retirou os dedos, sorrindo ao menino.
" Não!", Nagi abriu os olhos quando sentiu aqueles dedos o abandonando, olhando para Schul com uma feição entre desesperada e contrariada, vendo aquele sorriso.
Seus olhos estreitaram-se e seu dom manifestou-se imediatamente e tudo o que Schuldich ouviu foi o som de tecido sendo rasgado e Nagi captou uma exclamação surpresa do ruivo que se arrepiou com o frio repentino em suas partes baixas, agora descobertas, já que a peça estava toda rasgada no chão, devido a telecinésia de Naoe. Abriu a boca pra dizer algo, vendo um sorriso muito satisfeito e um tanto quanto travesso nos lábios de Nagi, surpreendendo-se mais ainda ao sentir o 'toque' do poder dele deslizando por suas coxas e chegando ao seu membro, acariciando os testículos.
" Uhhmmm... Gott...", Schul fechou os olhos, puxando o ar com mais força. Não acreditava que Nagi estava usando sua telecinésia para tocá-lo. Sentia como se dedos fantasmagóricos espalhassem calor por todo o seu corpo e quando o toque quente chegou a seu membro, acabou gemendo alto, puxando Nagi para si e levando-o a cama, jogando-se com ele sobre a mesma.
" Pare de me provocar.", Avisou Schul em um rosnado baixo.
" Então não me provoque.", Respondeu no mesmo tom, olhando-o com lasciva.
O ruivo ergueu-se, retirando a peça íntima de Nagi com certa pressa, sorrindo ao ver quão excitado estava o menino, que permanecia deitado em sua cama, mordendo os lábios e segurando os lençóis em expectativa. Esticou-se e pegou no criado-mudo um lubrificante, colocando as pernas de Nagi sobre seus ombros, despejando o gel nos dedos e preparando o menino, vendo-o arquear ao tocá-lo fundo e gemer roucamente, fazendo-o estremecer e seu membro pulsar enrijecido.
" Ah, Liebe... Você me deixa louco!", O ruivo falou, lambendo os lábios, retirando os dedos de dentro dele e colocando gel sobre o próprio membro, masturbando-se lentamente enquanto espalhava o lubrificante.
Nagi apenas esperava ansioso, deleitando-se com os toques de Schuldich.
" Você quer isso?", Perguntou safado, sorrindo malicioso.
" Eu quero você!", Respondeu o garoto erguendo as mãos e tocando a ponta dos cabelos de Schuldich, dizendo labialmente 'vem'.
Sem esperar mais nada, o ruivo se acomodou, guiando seu membro a entrada do menino, sentindo as pequenas contrações ali presentes, empurrando-se lentamente, sentindo a glande passando com um pouco de dificuldade, a pressão interna do telecinético quase o levando ao delírio. Enquanto o penetrava seus olhos não desviavam dos de Nagi, a fim de ver na face dele qualquer alteração, qualquer vestígio de dor, mas havia apenas prazer que transbordavam de seus olhos escurecidos.
Ao perceber que Nagi o queria mais perto, retirou as pernas de seu ombro e debruçou-se mais sobre ele, tomando aqueles lábios saborosos iniciando os movimentos de vai-e-vem, sentindo-o mover-se junto a si enquanto suas bocas devoravam-se em paixão avassaladora, aumentando o ritmo cada vez mais, envolvidos demais um no outro para perceber qualquer coisa. O mundo se resumia neles, naquela cama e nada mais.
" Aahh... Schul... Maaaaais... Ahhhmmm...", Nagi pediu, apertando as pernas ao redor da cintura do ruivo, sentindo o abdômen definido roçar-se em seu membro em uma fricção constante que apenas fazia seu prazer dobrar.
" Aahh... Ja... Ja... Tudo o que você quiser...", Schul nem sabia mais o que falava, apenas queria satisfazer o garoto sob ele, aumentando o ritmo, angulando mais os quadris para tocar naquele ponto único dentro de Nagi, fazendo com que os gemidos dele se tornassem gritos de êxtase.
" Aahhhh... Hai... Isso... Ahhh... Schulll...", As sensações eram intensas, o prazer que percorria seu corpo o levava aos céus. Naqueles braços sentia-se completo, protegido... Sim. Sentia-se em paz.
Os movimentos de ambos tornavam-se cada vez mais urgentes. Schul já não era mais capaz de conter a avalanche de sensações e emoções que percorria todo o seu ser e em um ato tão íntimo como fazer amor era impossível manter as barreiras psíquicas, que ruíram e agora um era capaz de sentir o prazer do outro... Intenso... Forte... Divino. Os gemidos se misturaram, seus corpos moviam-se em sincronia, o êxtase estava próximo e tudo o que eles queriam era cair naquele abismo de intenso prazer... Juntos.
" Aahhh... Não... Eu... Schul... Aahhhh...", Nagi sentia os espasmos atingindo seu corpo mais intensamente e agarrou-se mais a Schul, apertando-o.
" Naaagiii...", Schul rosnou o nome do mais novo, não resistindo as ondas de emoções e sensações que compartilhava com Nagi, investindo com força e tocando o mais fundo possível dentro dele.
Os dois gritaram em uníssono, atingindo o clímax no mesmo instante, deleitando-se naquele êxtase único que apenas os amantes verdadeiros podem alcançar, movendo agora em ritmo mais lento, apesar de ainda contínuo, sentindo a semente daquele ato único de amor molhando o abdômen de ambos, escorrendo também o prazer de Schul por entre as pernas do menor, ainda tendo o ruivo dentro dele.
O corpo do ruivo estava apoiado no de Nagi, enquanto ambos tentavam restabelecer a respiração normal. O silêncio imperava entre eles, que permaneciam parados até que o telepata se ergue, fitando a face alva do telecinético, acariciando-a, retirando os fios chocolates que estavam colados a testa e abaixando-se para um beijo lento, onde degustavam o sabor do outro sem pressa. Estavam bem relaxados e Schuldich abandona aqueles lábios distribuindo beijos pela pele macia.
" Ich liebe dich!", Sussurra baixinho, a voz saindo suave, romântica, atípica ao que normalmente é ouvido de Schuldich.
" O que... Quer dizer?", Pergunta rouco, sentindo o coração disparar. Parecia algum tipo de declaração, sentia que era apesar de não entender realmente.
" Hum... Na sua língua... Aishiteru!", Fala, olhando-o nos olhos, suas faces tão próximas que seus lábios quase se tocavam.
Por mais que a parte lógica de seu cérebro dissesse pra não acreditar naquelas palavras, Nagi viu tanta sinceridade nos olhos de Schul, tanta verdade nas palavras dele que era inegável o fato de que ele o amava. O que acabaram de fazer provava isso. Ele não o machucou em momento algum, se preocupou com detalhes no meio de toda a loucura que acabou de acontecer e...
" Quando descobriu isso?", Perguntou curioso, sentindo o ruivo retirar-se de seu interior e deitar-se ao seu lado, trazendo-o para si, mas mantendo certa distância para poder olhá-lo nos olhos.
" No dia que te vi com ele... Nos braços dele.", Respondeu calmamente. Sabia que ele tocaria nesse assunto.
A menção da existência de Crawford, Nagi se encolheu um pouco. Lembrou-se de que estava com o moreno e tendo agora dormido com Schul, significa que traiu o americano e uma coisa ele sabia... Brad não admitia traição. Sentiu um pouco de medo ao pensar no que poderia acontecer com ele e com o ruivo, afinal... Ambos estavam traindo o líder dos Schawrz.
" Shh... Calma. Não precisa ter medo.", Tocou os macios fios chocolates.
" No dia em que me viu com ele... Você me viu fazendo...", Atinou-se para aquelas palavras. O orgulhoso Schuldich o viu nos braços de outro e não sentiu vontade de matá-lo?
" Sim. Isso mesmo. E você tem razão. Eu queria matá-lo. Me vingar de você e de Crawford.", Falou calmamente sem deixar de reparar nas reações dele.
" ...!", Estava espantado com aquelas palavras, mesmo já esperando ouvi-las.
" Mas eu sabia porque você tinha se rendido a ele. Estava chateado com minhas palavras e não o culpo. Principalmente ao perceber o joguinho de Crawford.", As palavras saíram num rosnado baixo e irritado, evidenciando a raiva por ter se deixado levar, ocasionando o presente em que agora viviam.
" Jogo?", Não estava entendo o que o ruivo realmente queria dizer. Levantou-se, sentando na cama, desviando os olhos do alemão.
" Sim. Isso mesmo. Brad veio até mim, dizendo que eu estava apaixonado por você. Logicamente eu neguei. Afinal, onde já se viu eu ser levado por coisas tolas como o amor? Por isso passei a ignorá-lo, a tratá-lo friamente.", Sentou-se também, vendo que Nagi estava mudando. Ele parecia mais irritado e confuso.
" Você me tratou mal por causa do que outros falaram?", Olhou-o indignado.
" Ora, Nagi! Eu sou arrogante, egoísta. Acha mesmo que eu aceitaria isso? Principalmente porque o via apenas como um amante... Uma diversão.", Falou sarcástico olhando-o com certa severidade.
" Maldito!", Ergueu a mão para bater naquela face cretina, mas teve a mesma segura por Schuldich.
" Isso era o que eu dizia pra mim mesmo, Liebe.", Falou sério.
Nagi tentou soltar a mão, mas o que conseguiu foi ser jogado na cama por Schul, que o mantinha seguro pelos pulsos. Aquelas palavras o feriam, machucavam. Pensar que apenas por arrogância de alguém ele se martirizou, chorou, sofreu tanto doía mais do que facadas.
" Sabendo que eu não ia admitir que gostava de você, Brad usou isso, deixando escapar palavras sutis que me conduziriam ao que ele desejava ao mesmo tempo em que falava com você que eu queria apenas brincar. Ou seja, ele nos manipulou.", Revelou ainda mantendo-o seguro, vendo a dor estampada naqueles olhos e sabia ser parcialmente... Ou deveria se dizer completamente... Culpado?
" Solte-me!", Falou em tom ligeiramente choroso. Lembrar-se de tudo aquilo ainda o deixava abalado, pois já amava Schuldich naquela época e... Amava-o? Sim, ele o amava. Quem queria enganar? Parou de se debater e ficou em silêncio.
" Quando te vi com ele, desejei me vingar. Isso mesmo, senti um ódio mortal, mas... Então captei seus pensamentos. Vi que pensava em mim enquanto estava com ele e foi nesse momento que percebi a jogada dele, mas você estava chateado e eu não podia simplesmente me aproximar de imediato.", Falou, dando um sorriso de lado, acariciando o pescoço de Nagi com as pontas dos dedos em movimentos circulares.
" Por que não tentou me falar nada?", Perguntou baixinho.
" Porque você não ia acreditar.", Respondeu, achando-o extremamente fofo com aquela carinha que mesclava confusão, tristeza e satisfação. Via, no entanto, que ele parecia acalentado em saber que era realmente amado.
" E o que o faz pensar que agora eu acredito?", Desviou sutilmente o olhar, fazendo um ligeiro biquinho que lhe deixava ainda mais adorável.
" Hum... Que tal isso?", Schuldich abaixou-se, tomando os lábios finos e delicados em um beijo suave e longo, saboreando o gosto único daquela boca pequena.
Nagi correspondeu ao beijo instintivamente, envolvendo o pescoço de Schuldich, enrolando os dedos nas mechas cor de fogo, iniciando uma carícia suave, apreciando o contato. Por mais que se fingisse de bravo, estava na verdade, feliz. As palavras de Schul eram reais, ele não mentia. Sabia disso pelos gestos dele e principalmente porque sentiu em si o amor dele, afinal, suas mentes se ligaram profundamente enquanto faziam sexo. Não... O que fizeram agora foi amor, não sexo.
" Viu só... Liebechen.", Sussurrou contra a boca dele.
Nagi permaneceu quieto por alguns instantes e então afastou Schul, levantando-se e se vestindo rapidamente. Não olhou para o ruivo, que estava parado, obviamente o observando, virou-se e olhou dentro daqueles olhos claros tão lindos, perdendo-se dentro deles, mas sabia que...
" Isso nunca vai dar certo.", O telecinético abre a porta do quarto e passa por ela com rapidez sem olhar para trás. Sabia muito bem... Nunca poderiam contra Crawford... O que significava que nunca poderiam ficar juntos e esta constatação o entristecia.
Schuldich permaneceu quieto na cama, apenas olhando para a porta aberta. Suspirou, sabendo que seria difícil pra Nagi absorver tudo de uma vez e ainda... Ainda havia Crawford entre eles, o garoto podia se sentir culpado, mas não conseguia mais ficar sem tocar aquela pele, ouvir aqueles gemidos, senti-lo como um todo. O queria por completo e faria de tudo para tê-lo.
"A verdade... Você não consegue ver, Nagi?", Perguntou-se o ruivo, fechando momentaneamente os olhos, para logo depois abri-los. Será que Nagi não via em seus olhos o quanto ele o amava? Não. Ele via, mas... Tinha medo... Medo de...
" ...!", Schuldich sentiu uma presença na porta e ergueu os olhos.
No instante em que se viu sob o olhar frio de Crawford através daquelas lentes, estagnou. Sua face não mostrava sua surpresa, mas esse era um sentimento que envolvia seu coração no momento. Via o americano observando-o fixamente, mantendo toda sua imponência enquanto se mantinha escorado no batente da porta. Não sabia o que ele estava pensando, mas os olhos dele lhe diziam que não estava nada satisfeito.
" Algum problema... Brad?", Schul lhe lançou um olhar enigmático.
O americano observou-o com mais atenção. No quarto pequenos objetos estavam fora do lugar, provavelmente devido a pequenas manifestações do poder de Nagi, os lençóis desarrumados, a calça de Schul rasgada próximo à porta e o ruivo... Este estava sentado na cama, com o lençol cobrindo suas partes íntimas e parte das coxas precariamente. A pele clara estava brilhando devido a sutis gostas de suor e os longos fios cor de fogo caindo desalinhados sobre os ombros e o mesmo podia ser dito da franja, que era quase capaz de ocultar os olhos claros. Realmente uma imagem sexy do telepata.
" Divertiu-se muito, não?", Indagou. Seus olhos cintilando perigosamente.
" Por quê? Você não?", Respondeu com outra pergunta, sorrindo sarcástico.
" Não devia brincar com fogo, Schul...", Os olhos não desviam do corpo dele.
Schuldich não estava gostando daquele olhar...
" ... Pois você pode se queimar.", As últimas palavras foram sussurradas e com elas o americano virou as costas, fechando a porta do quarto do alemão e caminhando em direção ao próprio quarto.
O belo homem de cabelos avermelhados permaneceu em silêncio por alguns instantes. Apesar de olhar a porta, não via nada. Sua mente estava vagando em algum lugar distante enquanto processava as palavras e com lentidão um sorriso malicioso adornou seus lábios e os olhos brilharam de maneira satisfeita.
" E quem realmente está brincando com fogo... Brad?", Perguntou para o nada, sabendo exatamente o que fazer agora. O dia seguinte... Este seria o dia que faria Brad Crawford nunca mais atrapalhar seus planos de ficar com o adorável telecinético.
Continua...
OOO
Olá de novo!
Aqui está mais um capítulo de Liebe! Adorei escrever essa parte e ela até que fluiu bem... Sem grandes bloqueios! XD E quando isso acontecia, a Evil e a Lady Anúbis me ajudava. /o/ Espero que tenha ficado bom esse capítulo!
Como vocês viram, o Schul usou mais palavrinhas em alemão com o Nagi e com o Brad também. XD Então vamos ao dicionário desse capítulo! Agradeço a Lady Anúbis por revisá-lo para mim!
- Guten Tag – Bom dia.
- Nicht - Não.
- Meine liebe - Meu amor.
- Ja - Sim.
- Mein Katzchen - Meu gatinho.
- Mein schön - Meu lindo.
- Gott – Deus.
- Wenn ich Sie folglich berühre, Sie mögen? - Quando eu te toco assim, você gosta?
- Ich liebe dich - Eu te amo.
- Liebechen – Amorzinho.
Acho que Aishiteru todos sabem que é 'eu te amo' em japonês, né!
Voltando a fic... Foi muito bom escrever as cenas do Schul se aproximando do Nagi... A maneira como ele o seduzia, não para se divertir, mas para mostrar o quanto o desejava e o amava. Gostei também de escrever as cenas de Brad com Schuldich. O que o nosso alemão delicioso está tramando? Alguém tem uma idéia de porque ele age dessa maneira? O que ele quer dizer com aquelas palavras e ações? Eu gostaria de saber a opinião de vocês.
Agradeço a Lady Anúbis, Mystik, Yue-chan, Nii-chan, Freya, Lyli Kouga, Ayami Katsuyami e Evil Kitsune pelos comentários enviados. Adorei receber cada um deles e isso apenas me motivou a desejar escrever mais sobre esse casal adorável! Espero não ter demorado muito pra postar o capítulo 02 e logo o 03 e último será publicado!
Decido esse capítulo a Evil Kitsune, pois graças a ela teve todos esses amassos entre Schul e Nagi. Ia ter só um sabe... O do mirante e nem ia ser tudo aquilo, mas quando eu falei com ela, comentando da cena, a danada me fez aumentá-la e a cena da festa originalmente não existiria, mas passou a existir devido a Evil/o/ Por isso esse capítulo é dedicado a ela! Obrigada, Evil! /o/
A betagem desse capítulo também foi feita pela Evil Kitsune! Obrigada! o//
Ah! Vale citar que na cena em que Schul vê Aya e Omi e as meninas que ficam encantadas e gritam 'Moe' eu tirei do anime Ouran High School Host Club! XD Nesse anime, as garotas vão ao Clube de Anfitriões e ficam babando quando os rapazes insinuam algo entre si. XDD Ela gritam 'Moe'. Não sei o que significa, mas dá a entender que é algo como 'quente'! E... Aya e Omi se beijando é algo muito quente! Hihihihihihi... Quem não viu, veja Ouran. Eu recomendo!
Finalmente teve o lemon entre aqueles dois! Como me sai descrevendo o mesmo? Eu queria algo quente, visto que os amassos anteriores foram bem... Sensuais. A idéia do Nagi rasgar a calça do Schul com telecinésia veio do nada, mas acho que ficou bem legal! E vocês, o que acharam? Ficou quente o lemon? O.o
E agora... Brad sabe definitivamente o que rolou entre Schul e Nagi... O que vai acontecer? O que Brad fará para vingar seu orgulho mais do que ferido? E Schul... Será capaz de proteger seu belo liebechen? No próximo capítulo vocês terão a resposta!!! XDD
Ah! Só pra lembrar... Sem comentários... Seu último capítulo. u.u
15 de Novembro de 2006.
02:21 AM.
Yume Vy
