Capítulo I – "L'université de Paris"

Universidade de Paris - Sorbonne, Paris, França, segunda-feira, 8:00.

É o final do verão. As primeiras folhas das árvores começam a cair. Estamos no final do mês de setembro e mais um ano letivo começa nas universidades do mundo desenvolvido.

As universidades européias eram bastante conhecidas por abrigarem estudantes de diferentes países, sejam eles intercambistas ou não. E na Universidade de Paris, sede Sorbonne, não era muito diferente. Por todo o campus, viam-se jovens estudantes, calouros e veteranos, circulando de um lado para o outro pelo local. Alguns indo em direção à biblioteca, alguns ao ginásio, outros indo para suas salas de aula.

Mas no meio deles se destacava um em especial... Um de cabelos curtos meio ondulados e desarrumados, em um tom de loiro escuro, com um par de óculos do tipo aviador no rosto, vestindo uma camiseta preta com os dizeres "I'm not like others boys", calça jeans surrada com rasgões na altura do joelho e um par de tênis "All Star" vermelho, já sujos e desgastados pelo uso excessivo.

Tinha piercings visíveis em locais estratégicos, no trago da orelha e abaixo do lábio inferior. Na mão direita um cigarro e na outra mão segurava um caderno com uma caneta presa à espiral, as unhas de ambas as mãos estavam pintadas de preto. Ele andava vagarosamente pelo campus, já que era a primeira vez que pisava naquele local, não fazia se quer dois meses que tinha abandonado a Grécia e se mudado para o novo país.

Olhou a sua frente e tinha alguns bancos de madeira e resolveu se sentar em um deles. Abriu o caderno e pegou uma folha com a lista das aulas que teria hoje. Primeira aula: Produção Textual, bloco 435, sala 15. Pensou, "Ninguém merece isso...". Tirou o celular do bolso e olhou no visor que já fazia cinco minutos que a aula tinha começado. Tratou de se apressar, mas alguém desviou a sua atenção.

No outro lado do campus, indo em direção à biblioteca, passava um jovem alto, não muito forte, de pele clara, com cabelos curtos num tom de vermelho alaranjado, no rosto, um par de óculos de grau. Ele vestia-se de forma clássica, camisa social verde-água de mangas longas arregaçadas até a altura do cotovelo, calça social na cor cáqui, no cós da peça um cinto marrom e nos pés, sapatos semi-social da mesma cor do cinto e uma mochila de náilon verde escuro apoiada em somente um dos ombros.

Acompanhou a passagem do desconhecido até desaparecer completamente de sua vista. Foi quando olhou novamente no visor do aparelho telefônico celular e se tocou que já tinham se passado mais cinco minutos e agora estaria realmente atrasado. Saiu em direção ao bloco onde era a sua bendita aula e assim que a encontrou, avistou o professor na porta, mas este o barrou.

Indicou ao aluno que ele tinha esquecido de apagar o cigarro. Apagou na própria sola do tênis e jogou o que restou em um canto qualquer, e finalmente conseguiu assistir a primeira aula daquele dia. Sentou-se nos fundos da sala, ao lado de um jovem que a primeira vista se perguntou em pensamento se era homem ou mulher... A resposta ficou mais nítida quando percebeu o tom de voz forçado...

- Bon jour, meu nome é Afrodite - disse isso o rapaz estendendo a mão e sorrindo naturalmente.

- Aaaa... Bon jour, Milos. - cumprimentou-o também, meio intimidado.

- Esta blusa, foi você quem pintou ? - perguntou, apontando para a pintura o jovem moderninho a ele.

- Oui - disse o grego sorrindo.

- Simples e bonita. - sorriu de volta.

- Obrigado.

Milo ficou intrigado com a beleza do companheiro, tinha quase certeza que aquilo era um erro da natureza. Os cabelos tingidos num tom de azul claro curtos e lisos, que se percebia que eram assim ao custo de muita chapinha e em destaque, um franjão na altura do queixo, os olhos da mesma cor das melanas, abaixo do esquerdo um sinal escuro que se destacava facilmente na pele muito alva do rosto. No topo da cabeça um óculos tipo máscara, que colocado, podia cobrir boa parte do rosto e no pescoço, um cordão de ouro bem delicado com um pingente em forma de rosa, tendo no centro dela um pequeno brilhante.

Ele estava vestido com uma camiseta branca de mangas três-quartos mais com o punho virado e gola esporte e um broche em forma de rosa na cor branca preso no lado esquerdo da peça; na mão direita, anéis coloridos no dedo indicador e mínimo e unhas pintadas de rosa perolado; calças jeans em um tom esverdeado, parecia ter sido comprada em uma loja feminina; no cós, ao invés de um cinto, um lenço com estampa tye-dye nas cores amarelo, laranja e rosa e com franjas laranjas na ponta e nos pés algo bem interessante, uma sandália do famoso modelo "birken stock" de couro, com estampa florida.

Milo assistiu sozinho as outras três aulas que estavam previstas para aquele dia. No final do dia se sentiu comparado a uma barata tonta por causa do inseticida de tanto mudar de uma sala para outra com o intuito de assistir aula. Ao sair do prédio, teve uma surpresa, encontrou-se com o rapaz de beleza intrigante que estava ao seu lado na primeira aula e Afrodite o abordou, passando a conversarem enquanto andavam juntos pelo campus. Resolveram parar em frente à cantina porque jovem de sandálias queria tomar um suco enlatado.

- Eu reparei que você não é daqui, estou certo? - Afrodite disse enquanto mexia o conteúdo da latinha com alguns canudinhos.

- Sim... Eu venho da Grécia... Mas é meio engraçado... Eu sempre quis estudar aqui... - disse isso timidamente.

- Huuumm... - tomou um gole - Eu sabia! Mas por que você escolheu justamente aqui? Qual é o seu curso mesmo?

- Publicidade e propaganda... Mas respondendo a sua pergunta anterior, eu vim pra cá, porque aqui é o lugar... Onde... Eu acho que posso encontrar boas inspirações. Mas como você percebeu que eu não sou daqui?

- Por causa do sotaque, honey... Hihihihihi... Mas eu também não sou daqui, sou sueco e sonho em trabalhar na Maison Chanel.

- ... Meu sotaque... - Milo ficou pensativo - Nooosssaaa, você sonha alto! O meu sonho é montar uma agência, um negócio próprio pra mim...

- Aaaa... Queridinho, você é um luxo! Escândalo! Quando você estiver na praça, vou querer fazer alguma coisa na sua agência.

- Belê... - Milo apenas riu ao comentário do outro.

Mas algo interrompeu a conversa deles. Novamente passou por eles o rapaz ruivo, que Milo tinha visto antes da sua primeira aula, agora com alguns livros embaixo do braço e desta vez, acompanhado de um outro rapaz, um moreno com cabelos curtos pretos com trajes semelhantes ao que Milo usava. E o grego novamente seguiu o rapaz ruivo com o olhar.

- Lindos, não?

- ...

- Heeellloooooo! Tem alguém ai? - ele cutucou na cabeça de Milo com a ponta do dedo.

- Hã! Foi mal Afrodite... Do que estávamos falando mesmo? - Milo respondeu ainda meio aéreo.

- Hunf! Deixa pra lá... Perdi o fio da meada mesmo!

- Hã!... Tudo bem, se você não se incomoda eu vou indo pra casa, tô morrendo de fome!

- hihihihi... Tudo bem, honey. A gente se ver amanhã de novo... E pode me chamar de Dido, Afrodite é muuuuito comprido!

- Tudo bem, cara! Me chama de Milo, Milos fica esquisito ao sotaque francês. Até mais!

- Tá ... Ei! Espera! Onde você mora?

- Numa pensão pra estrangeiros há uns quatro quarteirões daqui.

- Que luxo, menino! Até mais, então...

- À bientôt... - disse Milo se despedindo já de costas para Dido com um aceno de mão.

- Adieu... - disse isso suspirando. "Hummm... que fofo! Mas quem era aquele rapaz de cabelos escuros? E pra qual dos dois o Milo olhava, o ruivo ou o moreno?" - pensou Dido enquanto tomava o seu suco já caminhando pelo campus da Universidade de Paris.

No refeitório da Universidade, 12:35.

Refeitório. Local típico dos estudantes universitários que não tem tempo para comer em casa, ou para aqueles não tem dinheiro suficiente para comer em um bom restaurante ou simplesmente para aqueles que querem algum tempo para jogar conversa fora com os amigos. Quando se entrava no local, via-se que era um espaço gigantesco, com várias mesas e bancos compridos de madeira distribuídos pelo local, onde cabiam cerca de oito pessoas em cada banco e num espaço restrito, à frente das mesas e bancos, o corredor onde os estudantes podiam pegar uma bandeja para si e se servirem da refeição que era sugerida pelo dia no lugar.

Segunda-feira, primeiro dia de aula do novo ano letivo. O cardápio indicava frango assado ou cozido, o que fazia vários estudantes torcerem o nariz de reprovação. Num pequeno canto do local, na ponta de uma das mesas sentaram-se juntos dois rapazes batendo uma conversa amigável enquanto comiam.

- Ei, Camus, como andam as coisas no trabalho?

- Huum... Meio enroladas, o novo software desenvolvido pelo gêmeos ainda não foi aprovado pela diretoria...

- Caraca! É foda! Eles vão se ficar decepcionados...

- Eu sei Marco, eles esperam com bastante urgência a aprovação desse projeto na empresa para conseguirem o diploma do mestrado...

- E como andam os seus cursos? Cara, eu juro que não sei como você dá conta de estudar pela manhã engenharia química, trabalhar à tarde e cursar administração à noite. Você já tá no quarto ano de ambas, não?

- É... Administração eu termino esse ano, mas ainda faltam um pouco pra conseguir me formar em engenharia, quanto ao emprego, é só meio período mesmo... E você? Tá indo tudo certo lá no seu novo emprego?

- Tá tudo bele. E se São Francisco de Assis me ajudar, eu me formo já esse ano!

-Não sabia que você era tão católico...

- Sou. Você por acaso não é? - Marco colocou uma garfada na boca.

- Também. Mas não tenho nenhum santo em especial... Lá vem vindo os gêmeos... - Camus colocou a primeira garfada com comida na boca.

Dois homens altos, ambos de cabelos em tons de loiro escuro e corte parecido entraram pelo refeitório, deixando as meninas do local em fervorosa. As diferenças entres eles eram poucas, somente o fato de um deles ser mais moreno, ter os cabelos mais compridos e escuros, e vestir roupas típicas de alguém que adora esportes radicais. Enquanto o outro se vestia de uma maneira mais clássica e aparentar ser mais responsável. Apesar de serem gêmeos, somente na aparência eram parecidos e o tempo estava se encarregando de torná-los cada vez mais diferentes.

- Olá Camus e Marco, a famosa dupla Ca-Ma! Como estão?

- Sem piadinhas infames Kanon... - respondeu com grosseria Marco.

- Foi mal! Esqueci que você prefere ser chamado de MM, mas não esquenta, tô na paz ... - deu um sorriso largo e fez sinal de "paz e amor" com os dedos.

- Saga, Kanon, eu tenho uma notícia meio que desagradável pra vocês...

- A gente já sabe qual é, e nós já trouxemos a nova versão do software num cd pra você levar ao seu "chefinho", Camus. - falou Saga.

- Por sinal, não sei como você ainda agüenta aquele mala... Você tem mais talento do que ele! - Kanon deu um piscada para Camus e aponto para o mesmo com o dedo indicador.

- Sou forçado, né Kanon. Mas valeu Saga! Vou tentar não me esquecer do cd...- disse isso, enquanto tentava cortar o peito de frango assado.

- Sem pros, cara! Qualquer coisa liga pro meu cell ou pro dele... Agora vamo nessa, Saga!

- Tá certo Kanon! Adieu! - falou Saga.

- Ei, como vocês me acharam? – indagou aos gêmeos Camus.

- Ora, foi simples, perguntamos pra sua namorada... – falou Saga.

- Ex... – falou em seco Camus.

- COMO É QUE É? – perguntaram os três abismados chamando a atenção daqueles que estavam nas mesas vizinhas.

- Isso é uma longa história que eu num quero explicar agora... - falou calmamente Camus, após tomar um gole de suco.

- Cara, deixa eu provar desse suco colorido aí! - implorou Saga a Camus que atendeu rapidamente o pedido oferecendo o copo.

- Sempre me disseram que a cor do suco desse refeitório é amarela, mas que nunca conseguem destinguir qual é o sabor... - Saga apoiou a perna esquerda em cima do banco, onde os rapazes estavam sentados e levou a bebida para mais próximo da boca.

- Nada disso! - Kanon tirou o copo da mão de Saga, colocando a bebida de volta na mesa - A gente vai indo nessa agora! – falou Kanon, fazendo Saga bufar de raiva.

- Valeu pela oferta Camus. Adieu pour vous - despediu-se Saga.

- Adieu - responderam Camus e Marco.

- Finalmente vou poder comer em paz... - murmura Camus.

- Certamente ... Si tu amare pollo ... - confirmou debochando Marco.

Na pensão para estrangeiros, 22:48.

Essa pensão era muito famosa na cidade de Paris, pois abrigava estrangeiros do mundo todo, como também pessoas vindas do interior da França. Além de Milo, também a habitavam Mu, vindo do Nepal e estudava na França Engenharia Civil, Aldebaran, um brasileiro, aluno de intercâmbio, estudante também de Engenharia Civil da mesma universidade, a Ecolé Nacionele de Ponts de Chausées, ambos já estavam no quarto ano. Shaka, um indiano, que veio estudar Psicologia na mesma universidade de Milo, mas por algum motivo não haviam se encontrado com ele naquele local hoje. E Aiolia, outro grego, amigo desde a infância de Milo que foi para França estudar medicina e também freqüentava a mesma universidade do outro grego, porém ainda não tinham começado as suas aulas, apenas era a semana de recepção dos calouros, com várias palestras e trotes.

Todos estavam reunidos na cozinha jantando e contando como tinham sido as suas experiências no primeiro dia de aula nas novas universidades. Todos estavam muito empolgados, principalmente Milo, que estava encantado com o tamanho do campus e da diversidade de pessoas vistas no local. Comeram, riram com as trapalhadas de cada um, principalmente pelo fato de estarem em um país diferente e apesar de todos saberem falar e entender razoavelmente a língua francesa, ainda conseguiam passar por situações constrangedoras.

Após a refeição, todos se retiraram para os seus respectivos quartos, os quais eram todos individuais. A pensão possuía três andares, além do térreo, mas era nos andares superiores onde ficavam os quartos. Em cada andar, tinha uma pequena cozinha, com geladeira, fogão à gás, forno de microondas, armários contendo copos, pratos, panelas e talheres, uma mesa com algumas cadeiras e uma pequena televisão, coisas da dona do local, que preferia fazer assim, evitando que algum hóspede acordasse no meio da noite e precisasse ir ao térreo e consequentemente, acordasse alguém ao descer pelas escadas.

Milo morava no terceiro andar, no segundo quarto do lado direita da escada. Não era muito grande, mas era confortável. Na verdade, todos os quartos eram suítes. Paredes monocromáticas pintadas em um tom de amarelo pastel, uma cama espaçosa coberta com lençóis brancos e dois travesseiros com fronhas da mesma cor. Ao lado dela um criado-mudo com um pequeno abajur sobre a mesma; na frente, um pequeno móvel, sobre ele uma televisão a cores de 14 polegadas. Ao lado da entrada para o banheiro, ficava um pequeno guarda-roupa com duas portas e abaixo das mesma três gavetas bem grandes, do tamanho delas. Como eram todos homens os moradores, a dona da pensão imaginou que eles não levavam muitas roupas e outros pertences consigo, então não havia a necessidade de um local grande para guardar as suas vestes.

Após o jantar, ele resolveu assistir um pouco de tevê, pegou o controle e ficou mudando de canal, quando já estava desistindo parou em um canal no qual passava uma novela francesa. Na cena que ele assistia, a mãe descobria que a filha de 15 anos era lésbica e estava tendo um caso com uma amiga de escola, chocada com a notícia, ela se desesperava porque imaginava que a filha estava sendo possuída por algum espírito maligno.

- Essa mãe vai ficar louca se continuar pensando desse jeito... Coitada da menina... Ainda não sabe que tipo mundo à espera... - falou com uma tristeza no olhar, como se aquela cena relembrasse fatos já ocorridos na sua vida.

Desligou o aparelho e resolveu tomar um banho antes de dormir. Tirou toda a roupa, dobrando-a e colocando-a sobre a cama. Pegou uma toalha nova em uma gaveta do pequeno armário. Olhou-se no espelho do banheiro que ficava sobre a pia, riu da própria cara e falou pra si mesmo em frente ao objeto.

- Eita, garanhão! Faz quase dois meses que você está nesta terra desconhecida e cheia de gente esquisita e ainda não pegou ninguém - olhou para o próprio pênis - assim você vai perde a prática... Que tal no final de semana! - piscou o olho para se mesmo, rindo da situação.

Entrou no boxe e abriu o chuveiro. Molhou todo o corpo, excerto os cabelos - odiava dormir com eles molhados -, pegou o sabonete e molhou um pouco o objeto, esfregando entre as mãos para que fizesse um pouco de espuma. Fechou o chuveiro, e começou ensaboar o pescoço e ombros. Enquanto o fazia, começou a se lembrar das coisas que tinha acontecido naquele dia. De repente lembrou-se do jovem de cabelos ruivos.

Sentiu uma nova sensação abater o seu corpo. Uma espécie de corrente elétrica passou a percorrer toda a sua espinha, fazendo com o seu coração acelerasse e sentisse uma sensação prazerosa no baixo ventre. Fechou os olhos, e ficou imaginando como estaria sendo diferente se tivesse uma boa companhia durante o banho.

- Queria alguém pra ensaboar as minhas costas... - disse isso sussurrando, mas logo em seguida, completou com um pensamento malicioso "Só ensaboar?... Huummm... Definitivamente, não!".

Milo continuava a se ensaboar durante o banho. Mas os pensamentos que o ligavam ao jovem que viu passeando pelo campus o faziam sonhar com algo que há muito tempo desejava. Fechou os olhos e imaginou aquele rapaz entrando no boxe e retirando o sabonete que estava em sua mão. Em seguida, ele deslizava o objeto pelo peito e braços bronzeados e musculosos de Milo em movimentos circulares, lentos e constantes. Milo olhava em seus olhos e desejava beijar os seus lábios. O pedido foi atendido. Um beijo ardente e sensual foi encenado pela dupla, um jogo de entrelaçamento de línguas e mordidas leves nos lábios, que devido ao impacto fez com que o ruivo deixasse o sabonete cair no chão, fazendo barulho e escorregando até próximo ao ralo.

O ruivo se abaixou e pegou o sabonete, ficando numa posição que Miro desejou com todo o sua vontade penetrá-lo e possuí-lo daquela forma, mas se conteve. O acompanhante que havia se abaixando, ficou de joelhos na sua frente e começou agora a ensaboar as pernas e coxas de Milo. Em movimentos de subida e descida, lentos, que faziam o grego sentir vibrações por todo o corpo. O ruivo começou a subir com o objeto até próximo à virilha de Milo, fazendo com o loiro se arrepiasse. O outro esbanjou um sorriso malicioso e começou a beijar delicadamente o pênis dele, enquanto ensaboava a bunda macia e arredondada do grego. Deixou o sabonete cair novamente, mas dessa vez, não fez a menção de pegá-lo.

Iniciou uma longa e sensual exploração no pênis de Milo. Começou com suaves beijos e mordidinhas pela ponta, alternadamente. Em seguida, foi lambendo toda a extensão do órgão, deixando rastro de saliva, fazendo com Milo se arrepiasse ainda mais ao sentir o contato da língua quente e úmida no seu membro molhado. Parou de lamber. Milo fez uma careta de insatisfação. O ruivo o indicou que apenas iria lavar as mãos. Sorriu novamente com um ar malícia para Milo. Voltou a fazer carícias no pênis no grego e desta vez, segurou com firmeza e abocanhou de uma vez toda a extensão do órgão do grego que foi seguida de uma felação que se alternava em subidas e descidas lentas e lambidas bruscas na ponta. Logo, o acompanhante começou a fazer movimentos de sucção mais rápidos e vigorosos, aumentando o tesão de Milo que começou a agarrar e mexe nos cabelos lisos do ruivo. Sentindo o orgasmo próximo, Milo gozou. Na própria mão. Ficou incrédulo com o que tinha feito, jogando-se debaixo do chuveiro.

- Tô nas últimas mesmo... Como diz o povo... na seca! Tô pra sonhar até com um desconhecido, que eu nem sei o nome! Cruzes! - e ficou rindo, enquanto tirava o restante de sabonete do corpo - Bruuuu... Só mesmo essa água fria pra esfriar os meus pensamentos...

Enxugou o corpo com a toalha, enrolou a mesma na cintura e saiu do boxe. Parou em frente a pia, pegou a escova e a pasta de dentes e fez a higiene bocal. Saiu do banheiro, pegou um calção e uma blusa quaisquer e se vestiu, odiava dormir como ele mesmo dizia "empacotado". Deitou-se na cama e cobriu-se com o lençol.

Olhou no relógio, eram onze e meia. Resolveu fechar os olhos e dormir, pois tinha que levantar as seis, pois apesar de ser perto o local de onde morava para onde estudava, Milo era um praticante nato da famosa frase "só mais cinco minutinhos", que já lhe fizeram uma vez perder a prova do vestibular. Mas mesmo assim a imagem do jovem de cabelos ruivos não saía da sua mente, assim como o fato de ter certeza que amanhã teria mais um professor lhe fazendo perguntas cretinas, tais como, "De onde você veio?", "Por que você escolheu estudar em Sorbonne?", "Por que você escolheu Publicidade e Propaganda?". E resmungou para si já bastante sonolento:

- Ninguém merece isso...