N/A: Quando eu disse que só postaria após 30 reviews (!) eu estava fazendo uma leve sátira e apelo aos leitores, porque, para vocês terem idéia, aquilo que nós mais necessitamos são de dos comentários, pedidos, apoios, dúvidas e até dos xingamentos (que alguns) enviandos por vocês. Então eu não estava querendo ser chata ou algo parecido, era apenas uma súplica para saber se a história está agradando, tudo bem? Ahhhh... E muito obrigada para todas as pessoas que mandaram reviews elogiando a história e comentando sobre as persoangens. Muitos bjuxxxxxxxxxxxxxx pra vocês. Yellow Momo
Capítulo III – "Le Fête Jouyause dus Débutants1"
Na pensão para estrangeiros, sexta-feira, 7:38.
Já eram sete e meia da manhã e Milo ainda não tinha acordado para a sua aula de "Introdução à Publicidade" que estava prevista para iniciar às nove horas daquela manhã. Apesar do local de onde Milo morava para onde estudava serem relativamente perto, quarto quarteirões, ele preferia ir andando a se deslocar de ônibus, então significava que ele perdia trinta minutos caminhando ao invés de dez, se preferisse pegar o transporte público.
Milo continuava dormindo. Talvez perdido em uns dos seus sonhos eróticos, que nesta semana estavam ficando intensos de tal forma a fazê-lo sonhar toda noite com uma fantasia diferente. Milo se contorcia na cama, debaixo do lençol de tal forma como se estivesse acariciando alguém sobre o leito e tinha uma expressão de alegria nos lábios e de vez em quando os umedecia com a ponta língua, como se tivesse acabado de beijar uma pessoa. Mas do lado de fora do seu quarto gritavam e batiam na porta com força:
- MILOOO!!! Acorda cara, você vai se atrasar de novo! - gritava a Aioria para que o amigo ouvisse - MIIILOOO!!!
Milo ainda continuava dormindo, até que começou a ouvir uma voz grave e máscula o chamando, parecia está bem distante, mas ele tinha a impressão que reconhecia a voz de quem o chamava "Milo, acorda, você vai chegar atrasado na sua aula hoje...". De repente Milo, viu o rosto da pessoa com ele estava tendo tórridas carícias amorosas transformar-se no rosto do amigo Aiolia e ainda repetir as mesmas palavras que já tinha ouvido antes "Milo, acorda, você vai chegar atrasado na sua aula hoje...". Milo tomou um susto tão grande ao ver o amigo de infância aparecer em seu sonho, que caiu da cama levando consigo o lençol e o travesseiro ao chão. Levantou-se rapidamente para ver o que Aiolia queria à uma hora daquelas em frente a porta do seu quarto.
- Qualé cara, num são nem oito da manhã ainda... - falou sonolento e resmungando enquanto bocejava.
- Eu estou vendo que a noite foi boa, você já acordou com a tenda do circo levantada... Hauhuahau... - comentou Aiolia zombando do volume da ereção que o rapaz apresentava.
- Qual é mané! - Milo ria de si mesmo, enquanto tentava esconder com uma mão a região zombada pelo amigo - Me deixa em paz, eu tava tendo um sonho muito massa, até que tu me acorda! A minha aula só começa hoje às nove...
- Aaaé?... Foi mau cara, pensei que a aula era as oito, por isso vim te acordar. Vou indo então para a minha palestra de hoje, a gente se ver mais tarde, cuide-se! - Aiolia despediu-se do amigo.
Milo fechou a porta e começou a pegar o lençol e o travesseiro, arrumando a própria cama. Apesar de morarem em uma pensão, cada um ali era responsável pela organização do quarto, apenas a limpeza do chão e do banheiro eram feitas por duas faxineiras contratas pela dona do local. Arrumou a cama e colocou os seus objetos no devido local e começou a tirar a roupa que usou para dormir. Já tinha perdido o sono mesmo, então só lhe restava ir para a universidade.
Universidade de Paris - Sorbonne, Paris, França, 12:00.
Milo estava muito contente com a sua aula de hoje. Finalmente, uma aula que mostrou a ele como era o mundo da publicidade. Apesar de não ter sido o "mar de rosas" que ele pensara, era o mais próximo da realidade da profissão. Ele estava com alguns colegas de turma conversando e fumando nas cadeiras das mesas quadradas de cimento da cantina que ficava próxima ao departamento onde tinha as suas aulas. O assunto de todos era a calourada que acorreria a partir das oito da noite no campus, e por causa da mesma, ficaram até sabendo que algumas aulas do turno da noite foram suspensas pelos professores, tudo com a finalidade dos calouros aproveitarem a festividade.
Foi quando viu Anna circulando pelo local, muito apressada e nervosa também. Ela estava acompanhada de quatro colegas que vistoriavam o local onde seria a festa de mais tarde. Milo ficou olhando fixamente para ela. A roupa dela era diferente da de ontem, mas ainda aparentava toda a sensualidade que marcou o primeiro encontro deles. Ela estava vestindo um blazer em algodão estampado fechado por um lenço de crepe amassado e transparente amarrado na altura da cintura, uma blusa laranja por dentro e um short da mesma estampa e tecido do blazer cujo comprimento terminava na metade das coxas. Nós pés, sapatilhas na cor caramelo. Milo reparava em cada movimento que ela fazia: desde que pediu alguém para segurar a prancheta transparente que ela segurava, para que pudesse prender os cabelos num rabo-de-cavalo, até quando estendia a mão para o alto a fim de indicar alguma coisa para as pessoas que a acompanhavam. E foi num desses gestos que ela notou que Milo estava sentado na cantina conversando com algumas pessoas. Ela se despediu do grupo com o qual estava e seguiu em direção aonde o grego se encontrava.
- Oi Milo - ela o cumprimentou com um agradável sorriso.
- Oi Anna! - ela a cumprimento de volta e tratou de apagar o cigarro rapidamente porque se lembrou da crise de alergia que ela tivera ontem.
- Cof! Como você está?
- Bem. - respondeu a pergunta dela e pensou "Idiota! Devia ter apagado o cigarro mais cedo".
- O Dido me contou ontem pelo telefone que você pinta camisas, é verdade?
- É. Parece que ele gostou da idéia. Toda vez que ele me encontra ele quer ver qual é a frase ou imagem do dia - falou meio intimidado o rapaz.
- É um ótimo talento. Eu também às vezes customizo as minhas, coloco fitas, pinto alguma coisa ou bordo... Eu gosto que as coisas fiquem com a minha cara. Por falar em "frase ou imagem do dia", qual é a de hoje então? - perguntou rindo Anna.
- Até você... Tudo bem, essa aqui é uma homenagem minha ao desenho dos Simpsons, conhece?
- Claro! Eu já vi até alguns episódios! - Anna respondeu a perguntou e olhou no relógio - Bem, já são meio-dia e quinze, tenho que almoçar, você vai aparecer aqui mais tarde num vai?
- Com certeza! Eu não perderia essa festa por nada - respondeu o grego.
- Que bom! - ela sorriu para ele - Espero então vê-lo à noite. Não precisa chegar cedo, aparece lá pelas dez da noite, tá certo? Au revoir.
- Até logo - despediu-se dela e aproveitou também para ir para a sua casa - Valeu galera, até mais tarde, se alguém resolver aparecer...
- Adieu - respondeu a maioria dos presentes a Milo.
Na pensão para estrangeiros, 17:45.
Milo estava novamente dormindo. O fato de ter sido acordado muito cedo pelo amigo Aiolia, o deixou com necessidade de tirar algumas horas da tarde para um cochilo rápido, afinal na sua primeira semana de aula, ainda não tivera nenhum trabalho para casa. Dormia, quem olhasse para o jovem de cabelos curtos, loiros e cacheados, pensaria que ali, em cima da cama, se encontrava um anjo adormecido. Mas este jovem não tinha pensamentos nada puros e ingênuos, muito pelo contrário. Novamente Milo se via em mais uma das suas fantasias sexuais.
O mais novo sonho de Milo passava-se em um local inusitado para ele, na sua sala de aula. Ele estava sonhando que tinha chegado muito cedo à Universidade e ainda não tinha ninguém no recinto. Entrou no local e ficou olhando para os lados. Chegou a sair de dentro da sala à procura de outros estudantes, mas não viu ninguém pelos corredores do departamento. Resolveu se sentar na última fileira de cadeiras que decoravam o espaço. Sentou-se e começou a rabiscar uma pessoa. Uma mulher usando uma roupa bastante sensual. No seu desenho, ela usava uma pequena blusa branca transparente de alças finas que evidenciava com clareza o formato dos seios volumosos, arredondados e com impressão que iriam literalmente "atirar em alguém". Como complemento para a peça de cima, uma micro-saia de pregas, que devia ter um palmo de comprimento e revelava muito mais do escondia. Nos pés, meias brancas do tipo "escolares" e sapatos fechados de salto alto.
Milo ria bastante do próprio desenho, até que se surpreendeu ao ouvir uma voz familiar "E aí garotão, você 'vem' hoje?". Ele não conseguia acreditar, o desenho que acabara de fazer tornara-se realidade e agora a garota que mais lembrava um desenho hentai, estava ali sentada a sua frente com os braços e as pernas cruzadas. Ele não conseguia identificar de quem era o rosto, mas a voz não era estranha. A garota descruzou o braços apoiando-os no encosto para as costas da cadeira, elevando ainda mais o busto e num movimento sutil, abriu as pernas, mostrando que estava sem calcinha e repetiu mais uma vez a frase "E aí garotão, você 'vem' hoje?".
Ele se arrepiou todo ao ouvir aquilo, mas em um impulso pegou um dos braços da garota, puxando-a de tal forma que ela sentou-se nas coxas dele e começaram um tórrido beijo. Uma dança de línguas e gemidos que era bastante excitante para ambos. Desfizeram o beijo e passaram a olhar um para o outro, foi aí que Milo percebeu quem era garota, era Anna. Milo não ficou assustado com a revelação, muito pelo contrário, tinha sentido por ela o mesmo desejo e atração que tinha sentido pelo jovem rapaz ruivo que vira no seu primeiro dia de aula.
Aproveitou-se da situação e começou a fazer carícias mais provocantes no corpo de Anna. Deslizou suas mãos pelas coxas dela, levantando a saia e se dirigindo em direção a blusa. Quando chegou à altura dos seios, apertou-os com firmeza, passando a brincar somente com o mamilo. A garota apenas se contorcia e gemia baixo a cada toque mais ousado de Milo. Ele fez menção em retirar a blusinha branca, mas Anna não deixou. Ela começou a beijar e mordiscar de leve o pescoço de Milo, enquanto deslizava as mãos pela camisa se dirigindo até a barra da peça, e assim ela despiu o grego.
Ela ficou de pé na sua frente e o provocou mais uma vez com a frase "E aí garotão, você 'vem' hoje?". Tirou rapidamente a blusinha, mostrando os seios desnudos, mas no momento de tirar a saia, demorou-se um pouco. Ficou dançando e rebolando na frente dele, enquanto revelava o que tinha por debaixo da minúscula peça de pano. Segurou os braços de Milo, ficou de costas para ele e conduziu as mãos em direção às nádegas, ele apertava com força e fazia movimentos circulares na região.
Deslocou as mãos novamente, dessa vez para os seios, Milo adorou aquilo, passou a repetir os mesmos movimentos que tinha feito na região glútea. Então ela retirou a saia, para surpresa de Milo o abotoamento era com velcro, era mais do que lógico, ele não desenhara os botões. Então ela novamente virou para frente, apoiou um joelho na cadeira, entre as pernas de Milo, e segurou a sua cabeça, levando a boca em direção a um dos mamilos, fazendo assim por conseqüência com o grego o chupasse com ardor.
Enquanto Milo sentia a sua excitação aumentar rapidamente, estava necessitando de um alívio urgente. Fez menção em abrir o zíper da calças e procurar uma solução rápida para o seu problema. Mas quando estava preste a fazê-lo, Anna tinha sumido. Então ele acordou. Olhou para o próprio estado, todo suado e com a ereção ainda mais evidente do que a que o amigo Aiolia tinha visto pela manhã. Levantou-se rapidamente da cama e correu em direção ao banheiro para poder se aliviar, numa masturbação rápida, enquanto pensava nas cenas que tinha sonhado. Quando terminou e gozou, olhou-se no espelho e comentou consigo mesmo pelo ocorrido.
- Huahauhau... O que eu faço agora? Posso optar por um ruivo desconhecido ou pela amiga do Dido... Huummm... Se os dois forem isso tudo que eles vêem afirmando em meus sonhos, não importa com quem seja quem eu pegar primeiro eu traço! - comentou de maneira sarcástica o grego - Êpa! O relógio tá apitando, já são nove da noite! Vou tomar um banho refrescante, vestir uma roupa bem legal, me perfumar, até porque, hoje à noite é dia de caçada e eu e o meu querido Hércules vamos à festa, num é? - Milo comentou isso rindo e olhando para a região onde ficava o próprio pênis – Hehehehehe...
Universidade de Paris - Sorbonne, Paris, França, 22:15.
As calouradas, festas organizadas pelos veteranos com o intuito de introduzir os calouros numa vida sociável dentro do contexto universitário. Cada universidade organizava a sua de uma diferente, mas sempre atuavam juntos, os diretores de centros acadêmicos de cada curso, que eram os representantes oficiais do corpo decente e os diretores da Instituição responsável. Eram promovidos espetáculos musicais com bandas que em sua maioria eram compostas por estudantes universitários, sejam elas conhecidas ou não. Também era possível beber e comer pagando por preço acessível o que era disponível aos presentes à festividade.
Em Sorbonne não era diferente, o campus da Universidade de Paris já estava lotado de estudantes veteranos ou calouros, apesar de ainda serem somente dez horas da noite. Vieram para a festa não só os universitários da famosa instituição, como também outros interessados em ver como seria a festividade. A festa já tinha começado fazia duas horas, mas somente às nove que tinha subido no palco armado próximo à biblioteca do local, a primeira banda formada por alunos da própria universidade. Sabia-se que era composta por alunos do curso de história e se chamava "The Breigabrakers", eles tocavam músicas de rock e pop nacionais, internacionais como também canções próprias. Parecia está animando as pessoas presentes, pois estavam até cantando algumas músicas, enquanto tomavam suas latas de cerveja.
Enquanto muitas pessoas se divertiam, Anna estava uma verdadeira pilha de nervos ao ponto de explodir. Sua agitação era tamanha naquele local, tudo por causa dos cuidados que devia ter com o patrimônio público da Universidade de Paris. Ela andava de um lado para outro com um rádio de escuta na mão, tentando passar instruções para a segurança do local. Pensou que devia ter escolhido outra roupa para vir ao evento. Ela usava um mantô cor-de-rosa claro e por baixo um vestido com decote em "U" na altura do joelho de tela enfeitado com flores de recortadas de cetim na cor vinho, meia-calça cor de canela e nos pés sapatos de salto alto escuros tipo boneca. Aquela roupa estava a deixando meio desconfortada e decepcionada.
Ela andava tão atordoada pelo local que nem reparou que uma pessoa estava se aproximando dela. Um rapaz alto e um pouco forte com um andar bastante elegante. Ele usava um paletó sem lapela cinza azulado, por dentro uma camisa azul-claro com listras finíssimas na cor branca e com a gola bem aberta, sobrepondo-se a peça anterior e por baixo da camisa, uma camiseta regata branca. Completava o visual uma calça de linho cor gelo e nos pés sapatos sociais da mesma cor da calça. Ele se aproximou ainda mais perto dela cumprimentando-a:
- Boa noite Anna.
- ... Camus... - Anna ficou assustada ao rever o rapaz de cabelos ruivos e pele bem alva com algumas sardas no pescoço.
- É... Há quanto tempo... Muito ocupada... Com a organização? - Camus tentava disfarçar o seu nervosismo.
- Um pouco, mas está tudo tranqüilo... - respirou fundo - Acho que é a minha roupa que não tá fazendo com que eu... Não me sinta bem... - Anna tentava se sentir bem na presença de Camus, rindo para ele, até que o fato dela mexer nos cabelos chamar a atenção dele.
- O anel...
- O que? - perguntou assustada olhando para os olhos azuis que brilhavam de uma forma intensa para ela.
- Esse é o anel que eu dei a você no seu...
- Aniversário - os dois falaram ao mesmo tempo, rindo depois da coincidência.
- Eu sempre gostei dele. Foi um dos presentes que você me deu que eu tenho maior estima, nunca imaginei que eu pudesse ter tanta importância para você até a data em que você me deu esse anel - falou ela a Camus com uma voz melancólica.
- ... Você está mais linda do que nunca hoje... - falou o rapaz com uma voz suave e aconchegante olhando para ela.
- Obrigada... - ela olhou para ele envergonhada tentando sorrir naturalmente, enquanto coloca mechas do cabelo por detrás da orelha. Após o elogio percebeu que tinha recuperado parte da confiança que havia perdido.
Continuavam conversando sobre como ela tinha conseguido organizar a festa juntamente com outros diretores de centro acadêmico da universidade em apenas dois meses. De repente Anna, viu uma cena que a deixou espantada: um homem loiro, alto e musculoso apareceu na sua direção vestindo uma camisa com as mangas arregaçadas tendo uma estampa floral de hibiscos nas mangas e na parte central, listras azuis e brancas se alternando. Completando o visual "O Havaí é aqui", um short com mais estampa de hibiscos verdes e graúdos, todo franzido por cadarços reguladores e nos pés, sandálias de borracha brancas. Anna ao ver aquela pessoa andando na sua direção, não conseguiu se conter:
- Ô Meu Deus! Que horror! O que é aquilo!? - exclamou Anna - De onde todas aquelas estampas estão vindo?!
- É o Kanon... ? - indagou-se Camus.
- ... Eu juro que não entendo como o Kanon consegue se vestir dessa forma. Veja, ele já tem trinta anos, mas ainda se veste como um garoto de dezoito! - Anna suspirou profundo - Mas o que mais me irrita é o gosto peculiar que ele tem para escolher as estampas das camisas... e as combinações?!! Meu Deus!!!
- Ele é uma boa pessoa, meio brincalhona, mas amigável... - Camus dava a sua opinião, já que Kanon era seu amigo.
Enquanto conversavam sobre o estilo de se vestir de Kanon e também da sua personalidade, o casal nem se quer notou a presença de quem eles estavam falando se aproximar deles.
- Salut! Bon soir pourtouis! - Kanon cumprimentou o casal.
- Oi! Boa noite também! - retribuiu Anna sorrindo para ele.
- Como vai, Kanon? - perguntou Camus.
- ... - Kanon não entendeu nada do que o casal disse, exceto a parte que Camus citou o seu nome. Vendo a expressão de confusão no rosto de dele, o casal começou a rir e pediu desculpas em um idioma que ele pudesse compreender.
- Excuse, Kanon, nós estávamos conversando aqui e nem percebemos que você não entende o português - desculpou-se Anna.
- Tout bien... Eu tô sacando que só tô me entrometendo na paradinha de vocês... Pelo visto, vocês reataram... Você é bem rápido no jogo, meu caro amigo francês - Kanon afirmou isso enquanto abraçava Camus pelo pescoço.
- Não é nada disso, nós apenas continuamos bons amigos... - Camus tentou consertar a insinuação de Kanon, sem reparar que Anna havia ficado triste com as suas palavras.
- C'est... Nós estávamos aqui discutindo sobre a sua capacidade e gostos únicos de misturar tantas estampas ao mesmo tempo... - alfinetou a garota.
- Meu gosto! Que isso Anna! Eu estou na moda! - exclamou Kanon.
- Eu sei disso! hihihihi... O problema é que para mim isso é um excesso. Se fosse eu, eu só vestiria essas peças separadamente! - ela foi bem categórica em sua opinião.
- Graças a deus eu não sou você! Mas adoraria morar no seu país de origem. Lá tem sol, muita praia, um marzão, gatinhas maravilhosas como você e muita, muuuuuita bebida boa como essa caipirinha aqui! - Kanon se serviu de um gole bem gelado da bebida. Ao fazer o comentário sobre as mulheres brasileiras, Camus sentiu-se estranho, desgrudando-se de Kanon e aproximando-se mais de Anna, envolvendo os ombros da garota com um dos braços. Ela ficou assustada com a reação dele.
- Vejo que o casal está voltando a ficar mais íntimo!
- Marco! - exclamou Camus desfazendo a ligação que tinha com Anna.
- No, mio caro amico! Continue assim com ela! Vocês formam um belo casal! - tentava motivá-los a se unirem de novo o italiano que vestia um casaco com capuz em nylon preto, blusa azul por baixo, calças jeans claras e desbotadas, enfeitando o cós da peça, várias correntes e nos pés, tênis do tipo basqueteira.
- Anna? - falou uma garota que apareceu de repente.
- O que houve? Algo de errado com a segurança? - perguntou ansiosa Anna a garota.
- Não, tá tudo em ordem, é que a banda quer que você suba ao palco com eles agora - falou isso a garota timidamente.
- Avisa a eles, por favor, que eu já tô indo... - despediu-se Anna da garota, fazendo o mesmo com os rapazes - Bem, vocês ouviram, agora precisam de mim, beijinhos! - ela se despediu de cada um com um abraço, mas em Camus além do carinho que teve uma duração maior do que a dos outros, houve uma troca de olhares que foi percebida pelos demais – Au revoir garçons!
Já era por volta da meia-noite, quando Anna se dirigiu ao palco deixando os três rapazes sozinhos conversando entre si. Ela fazia parte de uma banda de pop-rock internacional, cuja especialidade era cantar músicas de bandas britânicas. Foi quando Anna começou saldar o público que Milo chegou junto com o seu amigo Aiolia ao recinto. Eles assim que entraram, deram de cara com Anna falando para a multidão que se encontrava em frente ao palco.
- Bon soir Sorbonne!!! - gritou para todos os presentes - Estamos oficialmente começando, hoje, o ano letivo de 2004! Esperamos que vocês se divirtam bastante hoje e aproveitem o melhor que esta universidade tem a oferecê-los!!! - a platéia batia palmas e vibrava a cada frase - Uhuuuu! Et allons chanter, galère!
Milo vestia uma jaqueta de couro preto, por baixo uma regata marrom e um par de calças jeans bem desgastados na cor black denin e nos pés, os seus sujos e já desgastados tênis "All Star" vermelhos. Enquanto que Aiolia vestia uma camisa gola pólo branca de mangas curtas, e por baixo da mesma camisa, outra de gola colarinho com mangas compridas e punho. Usava também calças de tricoline listrada e nos pés sapatos sociais de couro bege. Os dois amigos acompanharam os primeiros acordes que a banda tocava até Aiolia puxar um assunto.
- Você tem idéia de qual seja o nome dessa banda? – perguntou o rapaz ao amigo.
- Não tenho a mínima idéia de como se chama, mas eu conheço a garota que tá no vocal – Milo respondeu orgulhoso.
- Certo... Eu vou sair para ver se encontro alguém mais conhecido, tudo bem?
- Tudo! Vai lá! Pode ir, eu vou ficar aqui ouvindo um pouquinho da música, depois eu vou dar uma voltinha, vai lá, se divirta! – Milo falou isso ao amigo dando dois tapinhas nas suas costas indicando-lhe que já estava na hora dele ir.
- Vou indo então! – despediu-se Aiolia.
Milo conhecia aquelas notas das primeiras músicas que estavam sendo tocadas. Lembrou-se do tempo que tinha uma banda de garagem e se apresentava nas festas de final de ano letivo da escola. Enquanto ouvia a música, sozinho, no meio daquela multidão, alguém pisou no pé dele.
continua...
