Capítulo III – "Le Fête Jouyause dus Débutants2"

L'université de Paris - Sorbonne, Paris, França, sábado, 00:35.

Milo conhecia aquelas notas das primeiras músicas que estavam sendo tocadas. Lembrou-se do tempo que tinha uma banda de garagem e se apresentava nas festas de final de ano letivo da escola. Enquanto sozinho ouvia a música no meio daquela multidão, alguém pisou no pé dele.

- Opa! Cuidado, o meu é o debaixo! - comentou assustado.

- HONEY, QUERIDO!!!! DESCULPA! - Dido se desculpou com Milo e o abraçou fortemente.

- Que nada cara, mas presta um pouco mais de atenção... - advertiu Milo o amigo falando ao seu ouvido.

- hihihihihi... - Dido sentiu cócegas ao ouvir as palavras do amigo em seu ouvido - Tudo bem querido, isso aqui tá suuuuuper lotado hoje! Tá difícil não esbarrar em alguém!

- É VERDADE!! - Milo se distanciou de Dido olhando novamente para a banda que estava no palco.

- ELA NUM TÁ LINDA?!!!! - elogiou Dido apontando para Anna que cantava em cima do palco.

- MUITO!!! - confirmou Milo.

Enquanto os dois assistiam a apresentação da banda, os outros três rapazes que anteriormente estavam conversando com Anna, continuavam no mesmo local, distante da multidão, apenas ouvindo o som da música.

- A Anna canta muito bem - elogiou Marco.

- Você nunca nos disse que ela cantava tão bem assim Camus, por quê? - perguntou Kanon.

- Pensei que vocês já soubessem... - respondeu Camus.

- Como? Se é a primeira vez que a gente escuta ela cantando! - recriminou Kanon.

- Eu já num posso dizer o mesmo, quando tem missas especiais, ela sempre canta um solo junto com o coral da Igreja - contradizeu Marco.

- Foi dessa forma que eu a conheci... há três anos... cantando no palco durante uma calourada... ainda me lembro da letra da música, mas como era o nome dela?... "Yellow", do Coldplay, de uma banda inglesa que é a favorita dela... - comentou Camus aos amigos.

- Pensei que ela gostasse de ouvir samba ou axé, esse ritmos brasileiros - comentou Kanon.

- Não, você não sabe quase nada sobre ela - falou Camus recriminando Kanon.

- E eu vejo que você sabe bastante, não é? - perguntou jocosamente Marco.

- Se eu soubesse mesmo, nós não teríamos terminado, não? - Camus indagou com essa pergunta aos presentes.

- Só um instante, signores - retirou-se Marco do local.

- Onde é que ele vai? - indagou Kanon.

- Provavelmente deve está indo falar com aqueles rapazes - respondeu Camus.

- Tenho minhas desconfianças...

- Acho que você bebeu demais hoje...

- Que isso, cara! Eu só tomei até agora cinco cervejas e duas caipirinhas! - Kanon falou com uma voz de indignação para o amigo.

- Olá amigos! Eu retornei, e quero apresentar pra vocês dois conhecidos meus - falou Marco bastante alegre - Este aqui é o Milo, ele é grego e faz publicidade e este é o Dido, ele faz moda, assim como a Anna.

- Muito prazer - falou Milo cumprimentando Kamus com um aperto de mãos, mas antes mesmo que pudesse fazer o mesmo com Kanon, ele saiu se despedindo de todos, afirmando que algumas gatinhas o esperavam para uma conversa mais animada.

- Xiii... Só restou você, meu amigo, deixe-me apresentá-lo melhor. Bem, Milo e Dido, este é o Camus, meu grande amigo francês! – falou isso abraçando o francês - Ele é bastante inteligente, faz duas faculdades, administração e engenharia química e também trabalhava, o cara é cobra! – falava Marco com empolgação - E é o primogênito das empresas Lubbe.

- Interessante... - falou Milo impressionado com o número de qualificações - E você sai sozinho? Cadê os seus seguranças?

- Tá vendo aqueles armários à paisano? - Milo afirmou com a cabeça ao ver Marco apontar para dois homens bastante musculosos que vestiam roupas comuns e se infiltravam no meio da multidão com o intuito de vigiar Camus - São os guarda-costas dele! - afirmou com muita convicção.

- Que luxo, não é Honey?! Mas olha, me desculpem, eu adoraria bater um papinho com pessoas tão bonitas e interessantes, mas eu tenho que ir laaaaaaá na tenda eletrônica! A-deu-zi-nho! Hummm... Você num quer vim comigo, Marco? - perguntou animadamente Dido.

- Humm... valeu pelo convite, mas eu vou passear por aí! - Marco despediu-se de Camus e Milo dando em cada um abraço e dois tapinhas nas costas.

- Que peninha ... Então eu vou indo! Kisses for you! - despediu-se Dido tentando disfarçar a tristeza por ter tido o convite recusado por Marco.

- Tenho certeza que o Dido ainda não vai desistir... - comentou Milo vendo o amigo Dido se afastar de onde estava.

- Num sei se ele faz a opção do Marco... - comentou Camus.

- Hauhauahuahauhau! Essa foi ótima cara! - gargalhava Milo sem parar.

- ...

Milo não se sentiu ofendido pelo fato de Camus não ter achado graça também, talvez o cara fosse muito sério ou bastante tímido. Mas na realidade, Milo tinha ficado surpreso com a beleza do ruivo que ficara ao seu lado. O grego ficou olhando para ele, tinha algo de mágico, não sabia o que era. Parecia que a iluminação do local estava favorecendo ao homem que estava ao seu lado. Mas Milo olhou atentamente para ele, tinha a impressão que conhecia Camus de algum lugar. Enquanto o grego ficava admirado com a beleza exótica do ruivo, Camus apenas prestava atenção na letra da música que Anna cantava no palco:

"You light me up and then I fall for you

you lay me down and then I call for you

stumbling on reasons that are far and few

I'd let it all come down and then some for you

Pretty Baby don't leave me

I have been saving smiles for you

Pretty baby why can't you see

you're the one that I belong to

I'll be the embrace that keeps you warm

for you're the sun that breaks the storm

I'll be alright and I'll sleep sound

as long as you keep comin' around, oh pretty baby..."

- Quer dizer que você conhece também a Anna ... - comentou Milo.

- Sim - respondeu friamente Camus - ... Isso não doeu? - falou olhando para o piercing no queixo de grego.

- Isso! Hahaha! Que nada cara! Foi como se tivesse levado uma agulhada rápida e só!

Camus não reagiu amigável ao comentário de Milo, preferiu ficar calado e continuar observando de onde estava, o espetáculo que a banda na qual Anna cantava fazia em cima do palco. Parecia que a platéia estava muito empolgada e cantava a canção junto com a vocalista. Mas pudera, a banda, que se chamava "Rose Bleu", já era bastante conhecida dos veteranos, não só dos que estudavam na Universidade Paris, como de outras instituições de ensino e a música calma era conhecida dos presentes no recinto.

- Pra eles não deve ter sido fácil serem aceitos... - falou vagamente Milo.

- Por que você diz isso? - perguntou Camus.

- Simples. Eles somente cantam músicas em inglês, principalmente de bandas britânicas e todos sabem como é a rivalidade entre a França e a Inglaterra nas questões culturais.

- Talvez tenha sido... - Camus preferiu ficar calado e continuar ouvindo os últimos versos da música ao ter que dizer ao jovem que estava ao seu lado algo que não sabia afirmar ou contestar.

"... why can't you hold me and never let go

when you touch me it is me that you own

pretty baby oh the place that you hold in my heart

would you break it apart again... oh pretty baby..."

- Ei, Camus, olha quem eu encontrei resmungando por aí... - falou Marco que apareceu de repente, trazendo consigo um bêbado e falante Kanon apoiado nos ombros.

- Eunontrogrejivado... - Kanon dizia palavras confusas que provavelmente nem ele entendia.

- Eu sei o que você quer cara... - Marco tentava convencer Kanon a ficar calado.

- Eugegogerjirpatara... tô fomvono - ao dizer isso Kanon dormiu apoiado nos ombros do italiano.

- Isso é japonês? – perguntou confuso Milo.

- Que mané folgado! E ainda por cima tá babando em mim! - resmungou Marco - Camus será que você podia levá-lo pra casa, ele não tem condição nenhuma de sair dirigindo por aí.

- Oui... - Camus falou surpreso com a proposta de Marco - Eu vou pedir para que um dos seguranças conduza o carro dele...

- Você não ia levá-lo? - perguntou surpreso Milo.

- Na verdade, eu vou embora também. Tenho algumas coisas ainda para resolver do trabalho assim que chegar em casa - Camus tirava as chaves do carro do bolso com a mão, enquanto que levantava a outra mão indicando aos seguranças para virem em sua direção - Marco, você poderia dizer a Anna que a banda fez uma excelente apresentação e minhas sinceras desculpas por não ter me despedido pessoalmente dela?

- Lógico, cara! Pode ir sossegado! - afirmou Marco, enquanto entregava Kanon a um dos seguranças, após Camus ter dados ordens a ele de conduzir o bêbado a residência dele.

- Obligé - Camus agradeceu Marco - Était plaisir le connaissance, Milo.

- Foi um prazer também conhecê-lo, Camus - Milo retribuiu a saudação e despediu-se de Camus com um aperto de mão.

- Adeus a todos.

- Adeus, Camus - Marco se despediu do francês.

- É... A diversão já tá acabando, parece que agora o local vai ficar começar a esvaziar - Milo comentou isso ao reparar no movimento das pessoas que se retiravam do local após o término do espetáculo da banda "Rose Bleu".

- É verdade... - concordou Marco - Você também vai indo nessa ou vai ficar mais um pouco?

- Na verdade, eu vou dá um último passeio pelo campus, vou lá na tenda, quem sabe eu não encontre alguém interessante... - Milo falou isso já se despedindo e se misturando a multidão.

- Marco!

- Anna?! Você já desceu do palco? Que rapidez! -falou assustado o italiano à moça.

- É... - ela envergonhou-se ao ouvir o comentário - Eu me encontrei com o Milo e falei rapidamente com ele, onde estão os outros?

- Hum... Você fala do Camus! Ele me pediu pra que eu dissesse a você que a apresentação foi excelente e pediu desculpas por não ter vindo se despedir pessoalmente, mas ele ainda tinha muito trabalho pra fazer em casa e também ele teve que levar o nosso "amigo" Kanon, que estava mais bêbado que um gambá pra casa... Huahuahua...

- Tudo bem então...

- É... você tem quem a leve pra casa? Hoje eu tô de carro e se você quiser uma carona...

- Obrigada pela consideração, mas não precisa se preocupar comigo. Eu ainda tenho muito que fazer aqui, só vou poder sair depois que deixarmos isso daqui limpo e arrumado e além do mais, eu já tenho carona, uma amiga vai me levar pra casa. Se você quiser ficar, apesar de já serem duas e meia, ainda vai tocar mais uma hora de som com um aluno aqui do campus, que é Dj, lá na tenda...

- Bom! ... Talvez toque algo que eu aprecie mais...

- Tipo assim: "Hey! Hey! Hey! Hey! Hey!"... - Anna cantava enquanto esticava o braço a cada palavra que era dita - Hihihihihihi...

- É isso mesmo... Seria ótimo se tocasse um pouco de rap ou hip-hop - Marco ria afirmando isso para ela.

- Então, divirta-se! - ela falou sorrindo enquanto fez um sinal de positivo com o dedo indicador.

- Vou indo! Até domingo! - despediu-se o italiano.

- Até domingo - despediu-se ela - Vamos continuar a rotina Anna... Como deve está a segurança...

Enquanto Marco se encaminhava o local onde ainda estava tocando um pouco de música, Milo já estava presente ao recinto, bebendo enquanto dançava no meio dos estudantes que pareciam não querer que aquela diversão acabasse. Ele nem reparava que muitos rapazes e garotas o observavam. Milo enquanto dançava focalizou o seu olhar em duas pessoas distintas, uma moça de cabelos loiros compridos e um rapaz de olhos claros e cabelos curtos e escuros. Esperou para ver quem o notava primeiro, para a sua surpresa, foi o rapaz quem fez isso primeiro. Ao perceber que tinha recebido a resposta, tratou de se aproximar do jovem de forma sedutora, mas despretensiosa.

- Tudo bem? - perguntou Milo.

- Tudo. Qual é o seu nome? - perguntou o rapaz.

- Milo. E o seu?

- Virgilé.

- Virgilé... Por acaso você não estaria a fim de sair daqui e se divertir em outro local? - perguntou o grego.

- Por que não? - respondeu sorrindo o jovem que Milo paquerava.

- Então vamos. Talvez esse final de noite seja inesquecível... - Milo sorria ao ver que o outro o acompanhava para fora da tenda, respondendo as suas expectativas que talvez naquela noite ele fosse realizar o que há muito tempo desejara.

No apartamento da Anna, sábado, cinco e vinte e dois da manhã.

Anna morava sozinha num pequeno apartamento localizado no centro de Paris próximo a Boulevard. St. Michael ficava numa área de negócios e com acentuado movimento estudantil, o "Quartier Latin". Cumprimentou a todos que estavam na recepção e se direcionou ao elevador. Apertou o botão que indicava o décimo segundo andar. Saiu e virou para a direita, o seu apartamento era o último daquele corredor, o de número 1208.

Ela abriu a porta e a fechou, jogando depois o chaveiro em forma de um grande sapo verde de pelúcia que continha o molho de chaves em cima de uma pequena mesa redonda de vidro. Depois tirou o mantô rosa e os sapatos, passar oito horas seguidas com um par de sapatos de salto alto e um sobretudo fechados não foi uma boa idéia, pensara ela. Olhou pela janela, a vista do centro de Paris, era o que ela mais adorava naquele imóvel. Depois que viu o pouco movimento de pessoas pela janela, lembrou-se de olhar a secretária eletrônica. Desde que tinha voltado da faculdade às sete da noite do dia anterior, só teve tempo realmente de se arrumar e seguir caminho para o local do evento. Ao ligar o aparelho, o mesmo indicava que ela tinha cinco mensagens:

"Oi Anna! É a Liu... 'E aqui é a Paty!'... Para Paty! Escuta só, eu e ela estamos contando os minutos pra ouvir você cantar!!! Eu vou ter um orgasmo se você cantar aquela música do The Corrs e ainda por cima dedicar pra gente! Não nos decepcione! Amamos você! Beijos das suas melhores amigas!".

- Essas duas... - Anna achou graça do recado das amigas, enquanto pegava um pouco de chá gelado na geladeira.

"Oi minha filha! Aqui é a sua mãe. Eu e o seu pai estamos pensando em visitar você em dezembro, passar o Natal e o ano-novo aí, como quando você era criança... Já fazem três anos que eu não a vejo. Sentimos muito a sua falta. Ligarei amanhã à noite. Cuide-se, nós a amamos muito".

- Papai... Mamãe... Eu também sinto saudades...

"Alô? Anna? O modelo de referência 521, aquela saia de babados que você chamou de "Três Marias", lembra?... Pois é, ela deu um defeito na montagem e nós vamos ter que refazer o desenho dela, o Monsieur Mosquet disse que quer falar com você sem falta na segunda-feira...".

- Problemas, problemas de sempre... - tomou gole da bebida fria.

"Desculpa, ainda tem um pouco mais. Sabe aquele tecido que você pediu... O algodão estampado? Ele chegou hoje! Pode comemorar! Mas o Monsieur Mosquet quer ver algum trabalho seu já na segunda-feira, ela marcou uma reunião pras... Quatro da tarde! Boa sorte e divirta-se!"

- Lógico que eu vou me divertir! Trabalho no final-de-semana, que chato... - colocou o copo em cima da bancada de mármore que dividia a cozinha da sala. Estranhou. O último recado parecia ser uma gravação muda, demorou muito até que ela se iniciasse e pudesse saber de quem era a mensagem.

"... Anna... É o Camus... Como você está? Chegou bem em casa?... Desculpe-me... Eu falo com você depois... Um abraço...".

- Sim... Eu não poderia está melhor. Um abraço e beijo pra você também... Nica... E obrigada, por ter conversado comigo essa noite... Eu ainda te amo...

Na pensão para estrangeiros, sábado, nove e quinze da manhã.

Devido à calourada, muitos hóspedes da pensão acordaram mais tarde, fato que não incomodou a dona da pensão. Era esperado realmente que a maioria dos jovens só acordassem tarde, ou chegassem pela manhã ou talvez nem voltasse no outro dia, preferindo prolongar a festa em algumas das casas noturnas de Paris que só abriam pela manhã. Alguns moradores só chegaram realmente entre seis e sete horas da manhã, mas nunca se deve descartar a possibilidade de alguém chegar mais tarde.

Por causa desses incidentes, o café-da-manhã naquele sábado não foi colocado a disposição dos estudantes como de costume, eles próprios deveriam fazer a sua refeição. Apenas ficaram liberados de ter que preparar o café e tiveram a sua disposição um bolo de queijo. Na cozinha do local, o único que se servia naquele horário era Aiolia. O grego que estava saboreando uma maçã vermelha e brilhante, enquanto lia um livro, ouviu a porta do cômodo ser aberta.

- Bon jour Milo! A noitada deve ter sido ótima?!

- Cala boca Aioria, tô com uma baita dor-de-cabeça...

- Hehehe... Eu vejo que a noite não foi tão proveitosa o quanto você gostaria que fosse...

- Muuuuito pelo contrário, meu amigo, e... Futuro cardiologista. Nunca passei tão bem na minha vida! Deve ter sido o vinho barato que eu tomei num barzinho, antes da minha noitada Fan-tás-ti-ca! Uhuuu! - disse isso um Milo muito animado.

- Oui, oui... Hauhauhaua... Bem, a dona da pensão quer falar com você...

- Ninguém merece isso... - falou decepcionado Milo.

- Parece que chegou uma encomenda para você e...

- Sério?! - falou um Milo que parecia agora está surpreso e contente - Valeu, cara pelo aviso!!! - Milo já ia saindo até que se lembrou de algo importante para ele - Aaaa... Obrigado por isso também!

- Ei... A minha maçã! - Aiolia falou decepcionado com a reação do amigo.

- Pega outra! - Milo falou enquanto saía calmamente do recinto.

- Hahauhauhau... Mas é uma grande figura mesmo...

Milo se encaminhou até a sala onde estava sentada numa cadeira de balanço a dona da pensão, Mademoiselle Marta, uma senhora de sessenta anos, que ficou viúva ainda muito jovem e nunca teve filhos. Ela se balança sentada no objeto, enquanto fazia tricô. E ao seu lado tinha uma pequena mesa redonda, sustentada em uma base com desenhos modelados na madeira e em cima da mesa estava uma cesta com vários novelos de lã. Ele entrou cuidadosamente na sala e falou para ela:

- Bon jour, Mademoiselle Marta.

- Bon jour, Milo. Já tomou o seu café-da-manhã? - falou ela com o mesmo cuidado que uma mãe teria com o seu filho ao vê-lo pela primeira vez durante uma manhã.

- Comi uma maçã somente... O Aiolia me disse que tinha chegado uma encomenda pra mim hoje, por acaso estaria com a Mademoiselle? - perguntou um tímido Milo.

- Non peut pas! Você tem que comer algo - falou a senhora como quem estava dando uma advertência no filho - Mas certo, a sua encomenda eu coloquei no seu quarto, em cima da sua cama. Vá até lá, mon jeune homme.

- Obrigado, Dona Marta - Milo beijou com força e alegria as bochechas da senhora - Quer dizer, Mademoiselle Marta... - desculpou-se envergonhado.

- Tudo bem, agora pode ir... - riu da atitude do grego.

- Tá certo! Obrigado!

Milo subiu rapidamente as escadas que o conduziam até o terceiro andar da pensão, sua presa era tanta que chamou a atenção dos outros moradores que já estavam acordados. Entrou rapidamente no quarto e olhou o pacote que estava em cima da cama. Ele não se contia em si de tanta felicidade, havia um mês que esperava por aquilo e agora poderia se não matá-las, ao menos acalmar um pouco as saudades que sentia da sua família.

Pegou o pacote e sentou-se na cama. Ao abrir o pacote, Milo encontrou fotos da sua família, um calhamaço de folhas com vários desenhos seus rabiscados nelas, uma caixa com um grande estojo cheio de lapiseiras, borrachas, réguas e canetas para desenho. Ele estranho somente o fato de não terem vindo junto os seus lápis de cor, mas ele não se chateou por isso, pensou que sua mãe talvez tenha dado para os irmãos mais novos brincarem ou usarem na escola.

Olhou para o calhamaço de desenhos, conhecia todos aqueles rabiscos, mas preferiu deixar de lado. Pegou as várias fotos que lhe foram enviadas. Eram recordações muito boas, olhava cada uma com um sorriso terno nos lábios e sentiu formarem-se lágrimas em seus olhos. Um dos retratos tornara-se mais especial para Milo do que os outros. Nele, estava toda a sua família reunida. Ele olhou para todos os presentes nela e começou a passar o dedo sobre o rosto de cada um, enquanto dizia quem era:

- Caue, você já cresceu tudo isso nesses dois meses que eu fiquei fora? Vai ficar a cara do papai, com os cabelos escuros e olhos claros... Monika, minha garotinha linda, próxima semana você faz cinco anos... Está ficando uma garota linda, assim como mamãe era... Mamãe... Que saudades eu tenho da senhora, da sua comida, dos seus conselhos, até daqueles seus puxões de orelha e suas palmadas no meu braço... Hehehehe... Papai... Eu devo a minha estadia aqui ao senhor... cuide deles, por favor... Gustav, você ficou com a missão de me substituir na família, cuida dos pequenos, tá? ... Stephanie, já virou uma mocinha... Sei que você é bastante inteligente, não abandone o seu sonho de ser bailarina, eu vou me sentir chateado se você desistir... E você? Meu pequenino Adrian, eu vejo que você gostou do meu presente, esse ursinho de pelúcia daqui... Que saudades... Eu amo muito a todos!!! - Milo beijou o rosto de cada um na foto - Eu prometo não decepcioná-los!

Milo levantou-se do móvel e guardou as fotos dentro de uma caixa para presente, mas fez questão de separar a foto que tanto olharam e guardá-la dentro do caderno, assim poderiam "vê-los" quando bem quisesse. Sentiu um odor forte vindo do próprio corpo e pensou, "Xiii... Tô vencido! Preciso de um banho urgente!". Tirou as roupas que estavam sujas e fedorentas e se jogou debaixo do chuveiro. Resolveu que iria molhar os cabelos. Enquanto sentia a água escorrer pelo o seu corpo, pensou: "Não sabia que aqui havia tantas pessoas interessantes... Acho que passei dois meses andando pelos lugares errados... Mas só está começando...".

- Ainda começando...

continua...