Sozinho Nos Meus Sonhos

by KittyBlue

Capítulo II

Alguma vez ouviram a singela frase "mais vale só que mal acompanhado"? Ryou infelizmente estava, neste momento, a repensar a sua vida toda, só por causa dos seus dois companheiros.

Não só tinha acabado por ter de aturar Bakura o resto do dia, já que o seu primo decidiu que o lugar ao seu lado era o melhor da sala, ainda teve de conter-se para não gritar, quando à hora de almoço Bakura e Marik se sentaram ao lado dele.

E se já não bastasse, ter passado a manhã toda a lidar com Bakura, e a sofrer com as piadas de mau gosto dele, ainda tinha, de a cada intervalo suportar Marik a juntar-se na "brincadeira".

Ele sabia que Bakura adorava fazer da sua vida um inferno. Afinal, desde pequenos, que Bakura parecia ter nascido só para o antagonizar. Ryou nunca se iria esquecer do seu urso favorito, que aos cinco anos, Bakura tinha feito o favor de deixar sem olhos e só com uma perna. Essa tinha sido a primeira vez que Bakura tinha ido tão longe, e também tinha sido a primeira vez, que Ryou tinha chorado por alguma coisa, que ele lhe tinha feito. A partir daí, tinha-se tornado como um ciclo interminável.

"Ryou, quando chegarmos a tua casa, vamos preparar tudo para a festa. Por isso, vai para o teu quarto, fazer os trabalhos de casa, dormir ou sei lá o que fazem os rapazes nada interessantes como tu."

Os olhos vermelhos estavam nele, e Ryou, mesmo querendo dizer, alguma coisa para retaliar, sabia bem que não ia adiantar. Por isso, optou, por apenas, desviar o olhar e dizer um baixo "sim".

Marik começou a rir, provavelmente achando engraçado que Bakura tivesse tanto poder sobre ele. Mas também que podia ele fazer?

"Ainda é muito longe, Bakura?" Ele ouviu o outro rapaz perguntar ansioso.

"Não muito. Lembraste-te de convidar toda a gente, certo? Eu disse ao Joey para passar a palavra, mas sei lá."

O rapaz de cabelos compridos prateados, não conseguia evitar ouvir a conversa e pensar, como ia ser uma das piores noites da sua vida. Não só era obrigado a deixar que isto acontecesse em sua casa, mas isto só podia piorar.

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Umas quatro horas depois, Ryou já estava metido no seu quarto, a tentar abstrair-se dos estranhos barulhos, que vinham da sala e da cozinha, algumas vezes, até mesmo do corredor.

Mal tinham chegado a casa, tal como Bakura tinha dito, Ryou foi enfiado no seu quarto, quase trancado, se não tivesse sido Marik a lembrar-se que ele podia precisar ir à casa de banho ou algo do género. Depois disso o tempo tinha passado a correr.

Uma hora depois, a campainha começou a tocar, e aos poucos pessoas começaram a chegar. Ryou, sem saber bem como se distrair, tinha começado por fazer os seus trabalhos de casa, e depois passou a alguns livros, para adiantar trabalho nalgumas disciplinas. Mas, a música aos altos berros, e o som das pessoas a conversar, e a mexerem-se pela sua casa, estavam a começar a frustrá-lo e a distrai-lo.

Ele ainda não acreditava que estava a acontecer uma festa em sua casa, e ele nem tinha sido convidado. Não que isso fosse o que ele queria! Apenas, era melhor que ficar a noite inteira no seu quarto.

Ryou sentou-se na cama, e olhou para a porta por um momento, queria mesmo muito ir ver exactamente o que se passava ali fora. A verdade é que nunca tinha ido a nenhuma festa, fora aquelas coisas mais tradicionais, como festas de aniversário ou de casamento ou baptizado. Então, ele estava a ansiar para sair do seu quarto.

Mas ele não podia. Bakura tinha-o avisado. Mesmo antes de fechar a porta, do seu próprio quarto, na sua cara. Bakura tinha dito que não o queria nem a espreitar. Que o queria bem quietinho e bem longe.

"Ahh.. que faço agora?"

Deitou-se na sua cama e olhou para o tecto. As suas mãos, indo para baixo da sua cabeça, ele tentou pensar nalguma coisa mais alegre, outra coisa, que não a festa que acontecia na sua casa.

Se amanhã ouvir alguém comentar que esta foi a festa do ano, mato-me.

Ryou olhou para o relógio, na mesinha ao lado da cama, os números vermelhos a marcarem 01:37. Ele suspirou, e deslizou uma mão, distraidamente, pelo seu cabelo, desprendendo-o do elástico com que o tinha prendido, há algumas horas.

Os seus olhos castanhos-claros a olharem para o tecto, como se fosse a coisa mais interessante do momento, o que até era. A cada suspiro que dava, Ryou sentia-se mais frustrado. E aos poucos, ele lembrava-se, que só não tinha comido nada, desde o pequeno-almoço, como em breve teria de ir à casa de banho.

Ele ouviu a porta abrir-se e voltando, ligeiramente a cabeça, olhou confuso para Marik. Ele trazia um prato com alguma coisa numa mão. Marik passou uma mão pelo cabelo despenteado loiro e com um sorrisinho entrou no quarto, fechando a porta atrás dele.

Ryou notou que ele tinha mudado de roupa, as simples jeans e t-shirt branca, sendo substituídas por umas calças de ganga castanhas não muito justas, e por outra t-shirt também castanha com uns desenhos e umas palavras em preto.

"Achei que devias ter fome, e já que cedeste a tua casa, mesmo que sem poderes dizer que não, achei que deveria, pelo menos, trazer-te alguma coisa."

Ele olhou hesitante para as duas fatias de bolo, o prato tinha sido colocado na cama, mesmo ao seu lado. Levantando a cabeça, não conseguiu evitar sorrir timidamente. Corando um bocado quando os seus olhos fitaram os de Marik, e o outro rapaz se riu por uns segundos.

"Obrigado."

Acho isto demasiado estranho.. mas melhor aceitar, a verdade é que estou a morrer de fome.

"De nada, bem, vou voltar para a festa." Ryou olhou do canto do olho, enquanto Marik se afastava na direcção da porta e, só depois, quando ouviu o click dela a fechar, é que olhou novamente para a comida.

Muito, muito, estranho.

Verdade, que tinha sido sempre Bakura, a chateá-lo e algumas vezes ate lhe bater. Mas como Marik, era o fiel amigo, Ryou sempre tinha tido a ideia que ele era tão mau e desprezível como o seu primo. Isto, sim, tinha-o surpreendido.

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Não aguento mais…. Não consigo.. Tentei segurar.. A sério que sim… mas… TENHO DE IR À CASA DE BANHOOOOO!

Ryou levantou-se da cama, correu até à porta, abrindo-a um bocadinho e quando viu que o corredor estava deserto, encheu-se de coragem e correu para a casa de banho, que era umas portas mais ao fundo.

Ao entrar, trancou a porta e suspirou.

Até agora tudo bem… até é engraçado, estar com tanto medo de me movimentar, na minha própria casa..!

Sem conseguiu conter-se, por muito mais tempo, ele aproximou-se da sanita e desapertando os botões das calças, fez as suas necessidades, finalmente aliviado, pensando ao mesmo tempo, distraidamente, que a música continuava ainda tão alta como há umas horas.

Que horas serão agora?

Mais calmo e finalmente confortável, cuidadosamente arranjou as suas calças. Ryou virou-se na direcção do lavatório e perdeu a respiração.

"Oops.." disse a voz firme, e ao mesmo tempo, tremendamente sensual.

Ryou teve a decência de corar e aproximar-se, ainda assim, para lavar as mãos. Sem perder, contudo, a outra pessoa presente, da sua vista. Ele conhecia-o de algum lado, da escola, de certeza, mas não se lembrava do nome dele.

A janela estava aberta, e sentado no parapeito, estava alguém que ele podia dizer, sem dúvida, que tinha de ser parente do Marik. O cabelo loiro, bastante mais alisado do que o de Marik, estava num pequeno rabo-de-cavalo, os olhos púrpuras nele e aquele sorriso malicioso, isso sim o lembrava muito Marik. Ele olhou de relance para as mãos do rapaz, numa delas, a mais próxima à janela, estava um cigarro aceso.

"Queria fumar e como a sala estava cheia de gente, acabei por vir para aqui." Respondeu como se tivesse lido a sua mente.

"Entendo."

O silêncio pairou no ar, durante algum tempo, até tornar-se tão desconfortável, que Ryou queria apenas sair dali a sete pés. Duas batidas fortes na porta, fizeram com que o rapaz de cabelos prateados saltasse assustado.

"Malik! Vais demorar muito tempo aí?"

Ryou reconheceu a voz, como sendo a de Bakura e não conseguiu evitar estremecer. Desviando o olhar da porta, ao ouvir o som do outro rapaz, que ele sabia agora chamar-se Malik, levantar-se ao mandar o cigarro pela janela.

"Já vou, acalma-te!"

"Despacha-te então!"

O mais novo ouviu o som de passos a afastar-se e suspirou relaxando.

"Quem és tu, de novo?"

Ryou arregalou os olhos, ao ver Malik aproximar-se. Agora tendo mais em conta o rapaz. Ele estava a vestir uma camisa por cima da t-shirt preta justa, que devia ter tirado antes.

"Sou o dono da casa, por assim dizer.. Ryou.."

"Ah, és o primo do Bakura, então? O Marik disse qualquer coisa sobre ti, não me lembro o que."

E Ryou não consigo evitar olhar a pele morena e que parecia bem macia, quando Malik levantou os braços, espreguiçando-se. As calças pretas de ganga apertadas marcando bem o resto do seu corpo, o primeiro botão desabotoado, talvez por uma questão de moda e estilo.

"Bem, tenho de ir, antes que o teu primo decida perseguir-me. Adeus, Ryou."

Ele observou Malik afastar-se, abrindo a porta e saindo por ela, fechando-a silenciosamente, de seguida.

Ryou olhou para o espelho do lavatório, que estava mesmo ao seu lado. Por alguma razão, ele sentia que o seu coração tinha acabado de parar.

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Novo cap. :)

Aqui aparece o Malik, sensual e intenso como sempre.. +drools+ Mas de que outra forma poderia ele aparecer, também?

O Marik mostra-se um bocadinho mais simpático aqui também.. será que isso não tem uma intenção oculta?

Como não tive nenhuma review no capítulo 1, tive mesmo para não escrever mais nada por agora.. Mas depois comecei a ter ideias e não resisti!

De qualquer forma, continuo na dúvida sobre com quem o Ryou vai fazer par.. Por isso continuo a pedir.. REVIEWZINHA! Ajudam-me lá a decidir-me! Digam-me com quem acham que ele deve ficar e já agora o porque.

Bye :)