Sozinho Nos Meus Sonhos
by KittyBlue
Capítulo V
O dia seguinte começou com um grito na entrada do seu quarto e continuou com os sons de uma pessoa a rir e outra, ainda a gritar. Ryou, por seu lado, sendo a pessoa dorminhoca que era, decidiu que quem quer que estivesse a discutir trata-se de resolver o problema. Enquanto isso, ele podia dormir uns minutos mais.
"Estás a fazer de conta que dormes, Ryou? É que isso não está a resultar."
Ele ouviu alguém aproximar-se, mas tentou afastar afundar-se mais nos seus lençóis e cobertores. Ele queria dormir, será que era assim tão complicado perceber isso?
"Ryou!"
"Deixa-o, Marik, não vês que ele está mesmo a dormir? Nem pareces meu irmão. Ficas logo escandalizado por me encontrares na cama com alguém, e nós, nem estávamos a fazer nadaaaa. Apenas a dormir mesmo."
Será que Ryou devia tentar fingir que estava a dormir e dar-lhe razão? Marik parecia muito chateado. Por muito que o rapaz de cabelos compridos quisesses dormir, ele não queria arranjar problemas a Malik também.
"Achas que isso me importa? Sabes muito bem que acho sobre… tu e os teus.. hábitos.. Mas o Bakura sabe bem tratar de ti. Mesmo que não goste de vocês juntos, tenho de admitir. Agora, o Ryou? Que raios, Malik? Ele é a pessoa mais inocente que eu conheço, deixa-o fora disso."
Oh.. Então.. o problema sou eu..? Ele não quer que o Malik.. me.. corrompa?
"Acorda para a realidade, Marik. Quem é inocente, hoje em dia? O Ryou pode aparentar o ser, mas quem te garante? E não que isto te diga respeito, mas eu não fiz nem vou fazer nada com ele. Satisfeito?"
Claro.. eu sou apenas a.. almofada.. o estranho que aparece do nada.. e serve de almofada….
Durante uns instante houve apenas silencio. Ryou, ainda escondido debaixo dos lençóis, estava a ficar enervado. Ele sabia que os irmãos ainda estavam no quarto. Se não tinha como indicação, não os ter ouvido sair, ele podia ouvi-los a respirar.
"Desculpa, Malik. Não sei que me deu. Eu sei, que tu não.. Apenas passei-me."
"Marik. Acho que está na altura de encarares a realidade e admitires que estás apaixonado por ele."
O que é que isso tem a ver? Eles discutem por o Malik estar aqui a dormir, e de repente o assunto passa para o Marik estar apaixonado? Falem de mudança de assunto.. O Marik está apaixonado por alguém? Quem será a pessoa? Alguém capaz de o fazer.. passar-se? Será que isso é bom?
"Vamos deixar as coisas como estão."
"Dizes sempre isso, e depois vês como as coisas acabam."
Agora é o momento para eu "acordar"?
"Não vamos voltar a isso, está bem, Malik? Passado é passado."
"Se calhar gostas dele porque ele é parecido com o Bakura."
"Malik!"
Huh?? A pessoa que o Marik gosta é parecida com o Bakura?.. Espera….. eu sou parecido com o Bakura..
"Eh.. Esquece, Malik. Vamos para casa? Tens de ir mudar de roupa para ir para a escola, e eu tenho aulas para o final da manhã também."
Só quando Ryou ouviu a porta a fechar-se, silenciosamente. É que ele teve coragem de voltar a respirar. De olhos arregalados, pela primeira vez na sua vida, Ryou começou o seu dia, sem olhar para a janela do outro lado do quarto.
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"Que queres dizer com 'a minha mãe não gosta que andemos juntos'?"
"Ela está sempre a dizer que és uma 'má companhia'.. E que estás sempre a fazer a fazer-me chorar."
"E eu tenho culpa que sejas um chorão?"
"Bakura! Porque é que és mau para mim?"
Ele tentou aguentar as lágrimas, ele podia perceber, e, por momentos, quase quis dizer, que ele não era assim tão chorão, mas claro que ele não conseguiu, e segundos depois o outro rapaz estava a chorar desalmadamente.
"Vês? Chorãooo!"
"Ryou?!!" Alguém o pegou ao colo e começou a limpar-lhe a cara, ele podia ouvir à distância as palavras doces e carinhosas, mas o seu olhar estava nele, como que a implorar que fosse ele a dizer alguma coisa gentil. "Que lhe fizeste, Bakura? Eu disse-te para te afastares do Ryou!"
Aquela tinha sido a última vez que se tinham visto naquele verão.
Bakura acordou e riu-se ao recordar-se do seu sonho.
"E pensar que o Ryou, em tempos, era tão.. adorável." Disse ele em voz alta.
Os seus pensamentos voltaram para aquele dia de verão. Ele tinha novamente feito Ryou chorar, a tia dele tinha-o levado para casa, e tinha depois telefonado à mãe de Bakura, para dizer que não voltaria a levar o filho, quando a fosse visitar.
Tinha sido nesse mesmo verão que ele tinha conhecido os irmãos Ishtar. Malik e Marik eram tão rebeldes como ele, por isso, claro que se deram muito bem. Mesmo, quando a mãe dele tentou interferir na amizade dos três. Já que ela não queria o filho ainda pior do que ele já era, certo? Mas eles eram crianças, que estavam acostumadas a desobedecer, e a fazer tudo o que queriam.
Bakura tinha esquecido Ryou. Tantas vezes que ele tinha ouvido falar o nome do primo e não tinha pensado nada de especial. Durante anos, era ele e os seus amigos. Tinham-se passado quase 10 anos. Até aquele dia.
Ele não sabia exactamente porque estava ali. Alguém tinha morrido, mas a mãe dele nem lhe tinha dito quem era. Ele apenas tinha sido agarrado pelo braço até ao carro e logo estavam a caminho.
"Bakura, hoje é um dia muito triste para mim, por isso, peço-te apenas para seres bem comportado. Uma vez na tua vida, quero que faças algo por mim, entendes?"
"Se era isso que querias, podias ter-me deixado em casa."
"Sim podia, mas achei que devias estar ali também."
"Onde?"
"A tua tia morreu. A minha querida irmã.." Ele viu a sua mãe chorar durante todo o resto da viagem, ele queria perguntar como, e muitas mais perguntas. Mas logo se lembrava que ele não se deveria importar.
Os dois chegaram ao cemitério, a cerimonia estava a recorrer. A sua mãe agarrou-o novamente pela mão, desta vez mais gentil, apenas o guiando. Ele foi levado para o meio dos outros presentes.
Bakura nunca tinha odiado a sua tia, mesmo quando ela lhe tinha tirado Ryou. Até ai, mesmo que ele magoa-se Ryou milhares de vezes, ela sempre tinha sido compreensiva, ate o ter levado naquele dia para nunca mais retornar.
Agora, estavam os dois em frente ao túmulo e Bakura sentia-se triste, sem palavras para se expressar. A sua mãe tinha começado a chorar, um dos parentes da parte do viúvo, que parecia conhece-la, tinha-lhe dado um ombro para chorar.
Ele ouvia à distância mais pessoas a chorar, ele podia reparar bem no centro duas outras pessoas. Um senhor já de certa idade e um rapaz mais pequeno.
Ryou..
O seu primo estava abraçado ao pai a chorar também.
Por muito que Bakura quisesses conforta-lo, ele sabia que não era suposto ter coração.
"No dia seguinte, o que restava da família tinha vindo morar para o bairro dele. Nos anos seguintes, foi como voltar aos tempos de infância. Eu atormentava o Ryou sempre que podia. O pai dele nem nunca estava em casa."
O rapaz sentou-se na cama e suspirou tentando organizar os seus pensamentos. Não entendia porque de repente lhe tinha vindo tudo isto à cabeça, não havia razão para pensar no passado. Ele tinha feito muitas coisas de que não se orgulhava, mas..
Ryou tinha perdido uma mãe e uma irmã. E Bakura apenas tinha o feito sofrer mais. Ele não sabia porque sentia sempre a necessidade de o maltratar, de o magoar. Mas algo em Ryou fazia-o.. Parecia que a pior parte dele despertava quando via Ryou.
Qualquer pessoa pensaria que era uma forma de fugir aos seus sentimentos. Talvez ele tivesse eternamente apaixonado e estivesse apenas a nega-lo, agredindo o seu amor.
"Agora dou para poesia? Acho que ando a ouvir demasiado o Malik.. Eu a negar os meus sentimentos? E o que tem o Ryou assim de tão especial? Ele sempre foi…"
Outra memória encheu-lhe a mente. Bakura deixou-se cair na cama, novamente, suspirando. Levou uma mão à cabeça, afastando alguns fios de cabelo dos olhos, e depois virou-se de lado, agarrando uma almofada.
Um mês, desde que Ryou tinha-se tornado seu vizinho. Bakura vestiu um casaco e saiu pela porta fora a assobiar, ignorando a sua mãe que o tinha chamado. Provavelmente para o por de castigo por mais alguma coisa.
O rapaz de olhos vermelhos fixou a casa em frente por momentos, até olhar por curiosidade para o outro lado da rua. Sorrindo maldosamente ao ver a sua "vitima" preferida a montar uma bicicleta.
Ele aproximou-se calmamente, já que Ryou vinha na sua direcção.
"Bem quem eu procurava."
"Hoje não Bakura, tenho coisas para fazer na loja do senhor Dickens."
"Depois. Agora vais ajudar-me com outra coisa." Ele agarrou a bicicleta que tinha agora travado à sua frente. Cara a cara com Ryou.
"Não, Bakura. Estão à minha espera. Podes atazanar-me o que quiseres, quando voltar logo."
Bakura continuou na mesma posição, colocando a mão em cima da de Ryou e lentamente assustando-o para que ele tirasse a sua mão. Finalmente, Bakura cansou-se e bruscamente agarrou-o pelo braço, puxando-o na direcção da sua casa, mais propriamente para o seu jardim.
"Para onde vamos, Bakura? E podes largar-me? Eu prometo não fugir."
"Como se eu acreditasse. Agora fica calado e anda." Ele puxou-o agressivamente, mal olhando para trás, sabia sem precisar olhar que Ryou devia estar assustado.
Os dois continuaram até aproximar-se de uma parte mais escondida do jardim. Perto do poço. Em geral, a sua mãe apenas aparecia por estes cantos quando precisava de alguma coisa da garagem, o que acontecia poucas vezes.
"Bakura.. deixa-me.. por favor."
"Chora o que quiseres. Pouco me interessa."
"Que queres?" Ele sentiu o outro rapaz tentar soltar-se da sua mão, e deixou, mas logo se movendo para o impedir que escapasse.
"Ontem ouvi a minha mãe falar com umas amigas sobre um assunto, e eu queria saber se me ajudarias a comprovar a minha teoria."
"De que estás a falar?"
Bakura sorriu maliciosamente quando Ryou parou de se mexer e ficou quieto e atento. Agora, um pouco mais interessado na conversa, sem dúvida.
"Elas estavam a falar sobre filhos, namoradas e.. namorados."
"Filhos.. e.. não percebi. Que tem isso a ver comigo?"
O mais alto aproximou-se até Ryou recuar, aos poucos encurralando-o sem ele nem perceber. Ele ouviu um barulho à distância e o seu sorriso apenas aumentou.
"A minha mãe disse que não gostava de homossexuais, mas que se o filho dela o fosse, ela aceitaria. Quero apenas ver o quanto isso é verdade."
Ryou finalmente viu-se preso, entre o poço atrás das suas costas, ao seu lado estava uma parede, em frente Bakura a aproximar-se mais e mais. Bakura riu quando viu a expressão de medo no rosto de Ryou.
"Não tens de fazer nada, apenas ficar quieto"
Antes que Ryou percebesse o que se passava, Bakura agarrou-o sentando-o numa bancada de pedra que estava em frente ao poço, uma mão indo para o queixo do seu primo, e a outra para o seu lado, prendendo-o efectivamente com o seu corpo. Ele sorriu, por instantes, antes de o beijar apaixonadamente.
"BAKURA!!!"
O momento crucial do acto deveria ser a sua mãe a gritar e a agarra-lo, afastando-o de Ryou. Mas, por alguma razão, quando Ryou começou a responder ao beijo, Bakura teve de resistir à vontade de lhe dar um valente empurrão para fazer mais que beijar o seu primo.
Se havia algo que Bakura nunca iria esquecer, seria os olhos cor de mel cintilantes depois do beijo. A língua a passar pelos lábios sensuais, que ele sabia, naquele momento, serem tão deliciosos que ele queria saboreá-los novamente.
A mãe de Bakura tinha contado ao pai de Ryou o que tinha acontecido. Era engraçado pensar que, exactamente uma semana depois, Ryou tinha desaparecido novamente da sua vida.
E aqui estava ele. Depois de ter jurado, vezes sem fim, que ia ver Ryou crescer de longe, apenas se aproximando do seu primo para lhe infernizar a vida. Aqui estava ele novamente confuso.. e a fugir aos seus sentimentos?
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Mais inside na infância dos primos. A história do beijo.. Tinha de a escrever.. se bem que não era isto que tinha em mente.. acabou por ficar muito melhor!. /droools/
Quando comecei este capitulo estava a pensar "ah, o Marik é a única pessoa que ainda não teve a sua Ryou-action!!" mas depois não sei bem porque, apeteceu-me escrever algumas cenas com o Bakura (ou talvez saiba! Leiam o "It's a Girl Thing" aqui na ffnet mesmo, BakuraxRyou)..
Espero que tenham gostado. :)
E.. é complicado escrever cenas, quando não se sabe o nome das personagens.. tipo.. sei que a irmã do Ryou era Ayame.. Mas.. o pai e a mãe? (Sabes enciclopédia Suzi?) Eu detesto inventar nomes e hoje não estava para isso..
Relativamente aos pares. Continuo indecisa. Acho que vou ficar até ao último momento mesmo. Quer dizer, sei lá. Se calhar no final faço uma orgia ou assim. /a tentar imaginar/
Planos para o próximo cap:
Marik - Ryou-action (ele merece tadinho!)
Malik - beija Ryou (ainda não sei se esta cena vem para aqui ou para o "School Time". Depende do que me der quando escrever)
Bakura - acho que ele apareceu demais neste capítulo já! Mas quem sabe…
Yami - como ninguém gosta dele (acho que vou deixa-lo fora por agora)
Review!. /comentários deixam a KittyBlue tão contente que ela posta mais rápido!!/ (Nem sempre mas não vamos falar sobre isso agora… LOOL)
