Sozinho Nos Meus Sonhos

by KittyBlue

Capítulo VI

As aulas tinham acabado naquele dia. Como todos os alunos, desesperados para irem para casa, fazer o quer que eles faziam que não tinha a ver com a escola, Ryou também dirigiu-se para a porta principal.

Na verdade não tinha nenhuma razão para ir com pressa. Não era como se tivesse alguém em casa para o receber. O mesmo podia dizer-se sobre ter planos para o resto do dia. Ele apenas tinha trabalhos para fazer e coisas para estudar.

"Ryou!!"

O rapaz de cabelos compridos parou na porta ao ouvir o seu nome e olhou em redor.

Deve ter sido imaginação minha.

Ele deu de ombros e continuou a descer as escadas que o levavam para o exterior da escola. Os seus olhos pararam numa pessoa sentada num dos degraus.

"Malik? Que fazes aqui?"

Ryou recebeu um sorriso de resposta apenas.

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Se Ryou mal conhecia Malik, uma coisa ele tinha descoberto só de estar com ele meia hora. Ninguém dizia que não a Malik. Não era possível conseguir negar fosse o que fosse ao outro rapaz. E, o mais interessante, era ele estar a seguir Malik pela rua fora, e nem sabia para onde iam.

"Conheço o sítio ideal para conversarmos." Isto foi o que Malik lhe disse quando ele finalmente percebeu que o outro estava ali à espera dele. Não de Bakura, ou Marik, mas à espera dele.

Os dois acabaram num pequeno café ao virar da esquina. Tinha uma pequena livraria num canto, estantes a cobrirem as paredes, alguns sofás no centro da pequena sala, ocupados por estudantes e adultos que bebiam o seu café enquanto liam o jornal diário. Malik dirigiu-se para o canto que era exclusivo ao café. Umas três ou quatro mesas, apenas naquela parte, o espaço extra ocupado pela caixa registadora que estava a cargo de uma senhora.

Malik sentou-se e fez um sinal, a mulher que antes estava a regar algumas plantas aproximou-se.

"Malik. Hoje vens cedo."

"Sim, eu sei que só começo daqui a umas horas."

"Trouxeste companhia?" A mulher que ele podia agora perceber que não era tão velha como aparentava de longe, era bastante bonita. Os olhos azuis firmes e brilhantes. Algo nela lhe lembrava Malik, mas Ryou não sabia exactamente o porque.

"Sim. Ryou esta é a Isis. Ela é minha irmã."

Ahh! Então era por isso..

"Boa tarde.." Disse tímido. A outra mulher riu-se e com um olhar final para Malik afastou-se novamente.

"Nem te perguntei se querias alguma coisa. Como trabalho aqui durante o tempo livre que tenho da escola, prefiro não comer ou beber nada que vá servir o resto do dia. Mas se quiseres alguma coisa.."

"Não é preciso. Devo dizer que fiquei surpreendido por estares à minha espera. Passa-se alguma coisa? Não que se deva passar, ou que tu venhas ter comigo apenas porque.. uh.." Ryou desviou o olhar do outro rapaz, tentando manter a sua boca fechada. Por alguma razão, estava bastante nervoso. E quando Ryou estava nervoso, ele dizia o que não queria dizer.

"Pois, entendo. Eu não tenho nenhuma razão em si para ter vindo ter contigo. Apenas gostei de conversar contigo no outro dia, e na verdade, são poucas as pessoas que conheço que são amigos do Bakura e do Marik. Por isso, achei que talvez.."

Conversa comigo?.. Não me lembro de nenhuma conversa.. E eu.. Amigo do… Eu?...

"Ryou?" Malik chamou-o atenção. Parece que o outro rapaz tinha começado a falar sobre alguma coisa, que Ryou tinha totalmente ignorado.

"Desculpa estava pensar."

"Okay.. Posso perguntar-te uma coisa? E não levas a mal?"

"Claro."

Malik sorriu por um instante e apoiou o queixo numa mão. Os olhos ametistas fixos nele. Por alguma razão, ele achava que não ia gostar muito desta conversa.

"Que achas do meu irmão?"

"Do Marik? Que acho como?"

"Por exemplo… Eu sei que ele simpatizou bastante contigo, o que é bastante raro. Por assim dizer, ele não tem muitos amigos, fora os do Bakura. Ele dá-se com pessoas… diferentes de ti, por assim dizer. Eu acho que também simpatizaste com ele. Imaginação minha?"

"Marik. Acho que está na altura de encarares a realidade e admitires que estás apaixonado por ele."

"Vamos deixar as coisas como estão."

"Dizes sempre isso, e depois vês como as coisas acabam."

"Não vamos voltar a isso, está bem, Malik? Passado é passado."

"Se calhar gostas dele porque ele é parecido com o Bakura."

"Malik!"

Ryou estremeceu ao recordar a conversa que ele não devia ter ouvido. Se era verdade que Marik estava interessado nele… Malik estava a tentar fazer de Cúpido.

Por muito que ele tivesse "simpatizado" com o irmão da pessoa à sua frente, ele não podia dizer que sentia o mesmo. Ele tinha de certa forma, sem dúvida, sido surpreendido por Marik. Ao contrário do que Ryou pensava, Marik era diferente de Bakura. E isso era bastante bom. Marik tinha sido simpático com ele, gentil mesmo.

Por muito que lhe custasse admitir, ele não sentia mais que amizade por ele. Ou, pelo menos.. Quer dizer, ele esperava que fosse amizade dos dois lados, mas afinal.. Agora…

"Então, Ryou? Não me respondeste." Malik estava a olhar intensamente para ele. Ryou de repente sentia-se inconfortável sob o olhar dele. Era como se o outro rapaz estivesse a ler todos os seus pensamentos e sentimentos.

"Eu… não sei bem que te dizer."

Em parte é verdade….? Certo? Ele não queria magoar Marik. E não se sentia pronto para dizer tudo o que lhe passava pela cabeça, ao irmão da pessoa em questão.

"Okay, okay. Eu é que tenho de pedir desculpa, não devia ter perguntado algo assim, do nada, não é? Vamos falar de outra coisa…."

Malik ficou em silêncio durante alguns minutos. Ryou suspirou e tentou sorrir quando o outro rapaz desviou o olhar da toalha de mesa para ele novamente.

"Que é que vocês estão aqui a fazer.. sozinhos?"

Os dois saltaram ao ver Bakura e Marik a aproximar-se. Quem tinha falado tinha sido Marik, mas Bakura estava a aproximar-se com uma expressão nada amigável. Marik acabou perto de Ryou, obrigando Bakura a ficar mais perto de Malik.

"Eu convidei o Ryou para vir conhecer a loja da Isis. Achei que ele ia gostar. Ele parece ser alguém que gosta de livros e... coisas assim.." Bakura olhou o primo durante alguns instantes, até desviar a sua atenção ligeiramente para o seu namorado. Ele baixou-se e beijou-o nos lábios brevemente, mas os seus olhos vermelhos, por alguma razão, estavam fixos em Ryou.

Marik tocou o ombro de Ryou e com um gesto perguntou se ele queria ir embora. Aquela era a primeira vez que Marik falava com ele desde….

Por muito que não quisesse ficar sozinho com Marik, ele sabia que seria bastante mais perigoso permanecer ali, frente a frente com Bakura. Ele levantou-se acenando adeus aos outros dois, se bem, que ele tinha a certeza, que nenhum deles tinha prestado muita atenção.

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"Posso acompanhar-te a casa, se não quiseres ficar por aqui."

Ryou continuou a olhar para o passeio à sua frente, apenas concordando com a cabeça. Os seus pensamentos estavam em Malik e Marik.

Se, por um lado, ele sabia que tinha de conversar com Marik sobre o que ele tinha ouvido. Ele sabia também que não o devia fazer.

E também, por alguma razão, ele não conseguia tirar da cabeça a imagem de Bakura e Malik aos beijos no café. Parecia que a sua mente tinha percebido, finalmente. Bakura e Malik eram namorados e não havia nada que ele pudesse fazer. Ou quisesse.

Sim, eu não quero fazer nada. Apenas estou confuso. Só isso.

"Estás bem? Pareces preocupado com alguma coisa." Ryou levantou a cabeça e olhou para Marik. O outro era parecido com Malik. Claro, são irmãos. Era verdade que eram bastante parecidos, mas haviam demasiadas diferenças entre eles.

Enquanto Malik irradiava sensualidade e agressividade. Marik, oposto ao que ele aparentava, transparecia gentileza e doçura. Ryou não sabia, até que ponto conhecia os irmãos. Mas sabia que eles eram apenas semelhantes no seu exterior.

"Podes parar de olhar." Marik sorriu e desviou o olhar, pondo as mãos nos bolsos casualmente. Ryou corou e tentou perceber exactamente o que se passava com ele.

Que raios se passava com a sua cabeça? Ele que nunca tinha perdido tempo a pensar em nada. Ele que tinha dedicado a maior parte da sua vida a estudar, ao seu pai, e a tentar fugir de todos aqueles que podiam quebrar a sua pequena rotina, de repente, via-se frente a frente com mudanças. Todos os dias, a todos os momentos. Para onde quer que ele olhasse, o quer que ele fizesse. Ryou sempre tinha recusado a sua vida monótona e triste, mas também nunca tinha feito nada para a mudar.

Ele queria algo diferente, mas tinha medo de aceitar as mudanças. Ele queria significar algo para alguém, mas tinha medo de ser decepcionado. Ele queria sentir mas tinha medo de sentir demais ou menos do que devia.

Porque será que quando desejas alguma coisa, tudo ocorre, exactamente, da forma oposta, como querias que tudo acontecesse?

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Mais um capitulo. :)

Ai tantas ideias e tão poucas maneiras de as por aqui!!

Mais Malik/Ryou e Marik/Ryou moments… E sim eu sei! Eu disse que o Marik ia ter direito à sua Ryou-action.. Mas não fiquem tristes, porque vêm já a seguir! Assim como o beijo com o Malik... :p

E para avisar: Depois destas duas cenas, começo a ir para a etapa final da história. Ou seja, sim, já estou a pensar com quem o Ryou vai terminar. Acho que este capítulo já deixou algumas hints, bem escondidas!, mas o próximo deixa todas as duvidas de lado.

Baibai! E FELIZ NATAL!!!!!!!!

(se não postar o prox cap até segunda)