Capítulo 3: De homem para homem.
James caminhou durante horas pelas ruas de Londres, sua cabeça doendo devido à grande quantidade de memórias que tentava conter.
Lílian... O que ela sabia sobre sua vida? Que direito ela tinha de julgá-lo se, para começar, as coisas nunca teriam sido assim se dependesse dele? Ele não foi o culpado por nada que ela o acusara.
Chegou à porta de sua casa mais cedo do que esperava.
Harry estava na sala, folheando uma revista, e virou quando viu o pai se aproximar.
- Aonde você foi? – perguntou, sem olhar James nos olhos.
- Por aí... – disse, vagamente, tirando o casaco e a camisa e se preparando para jogá-la em cima da mesa de jantar, quando surpreendeu o olhar do filho. Foi ao banheiro de seu quarto, colocando-a no cesto de roupa suja.
- Pai...
- Harry.
Os dois se encararam, pai e filho, e voltaram a ficar quietos.
- Eu vou sair – disse James, caminhando para seu quarto.
- Mas você acabou de chegar! - exclamou Harry, seguindo o pai e parando no portal do quarto, cruzando os braços e observando James ir de um lado para o outro, procurando alguma coisa.
- É, mas vou sair de novo. – disse James, meneando a cabeça para si mesmo e entrando no banheiro.
- Você foi falar com ela? – perguntou Harry, se encostando da mesma maneira na porta, quando o pai já estava debaixo do chuveiro. O garoto suportou a hesitação por alguns segundos. – Foi?
James não respondeu nada.
- O que vocês conversaram? – Harry voltou a falar algum tempo depois, ignorando a primeira pergunta. James mais uma vez ignorou. – Vocês chegaram a ter uma conversa?
- Harry, não enche. – o homem resmungou, depois de algum tempo.
Harry meneou a cabeça e saiu do quarto do pai. Quinze minutos depois, James estava de volta à sala, vestido, os cabelos molhados encharcando os ombros e a nuca da camisa.
- Não me espere, não sei que horas volto. – Harry não respondeu, nem olhou para o pai. James não disse mais nada, e saiu para a noite fresca.
Sirius passou o resto daquele dia dormindo profundamente. Quando foi por volta das oito horas, seu despertador natural o acordou. O homem, vestido apenas por um roupão que colocara ao sair do banho enviesado no corpo, levantou, se espreguiçando. Abriu a porta do guarda-roupa e encarou o próprio rosto no espelho que havia ali. A dor de cabeça havia sumido, estava pronto para outra. A garotinha de olhos verdes já era fato do passado. Um homem de trinta e cinco anos, cada fio de cabelo extremamente preto, os olhos azul - acinzentados brilhantes, o rosto jovem e conquistador e o abdômen extremamente definido sorria para ele. Era, de fato, irresistível. E, para completar, seu bebê... Ah, a sua querida moto... Essa noite, os dois iriam mostrar mais uma vez o quanto valiam.
Abriu a porta seguinte do guarda-roupa e baixou uma camisa preta do cabide. Pegou também uma calça de tecido forte e confortável e a jaqueta de couro, tudo absolutamente preto. Vestiu-se em alguns minutos, e pôs-se a arrumar os cabelos. Na verdade, não era uma tarefa muito difícil, seu cabelo estava sempre do jeito que ele queria.
Foi até uma mesinha em sua sala e encheu um copinho com o conteúdo vermelho de uma das garrafas sob a mesa, virando-o de uma só vez. Não demostrou reação nenhuma à bebida forte. Seu paladar já estava acostumado. Consultou o relógio, o mostrador indicava que eram nove horas. Muito cedo.
Bom, podia ir a algum lugar antes. Na bancada da cozinha estava um maço de cigarros. Pegou um deles e acendeu, se sentando no banco alto ao lado da bancada. Quando o mostrador do relógio apontou nove e meia, cinco cigarros depois, ele saiu do apartamento, pegou sua moto na garagem e, passando de raspão num dos carros à volta, deixando um arranhão visível como a primeira das lembranças daquela noite, saiu para as ruas de Londres.
Ele andou por várias ruelas, absorto em seus pensamentos, os pensamentos que tanto procurava evitar. Entrou no primeiro andar de um pequeno prédio, onde a musica alta fazia com que as paredes tremessem. O lugar estava bastante cheio. Não, musica alta não era o que ele queria agora. Dando meia volta, continuou seu percurso, solitário.
Era imprudente de andar pelas ruas de Londres assim, em tempos como aqueles, em que não se sabia o que esperar. Mas ele não se importava. Há muito a prudência o tinha abandonado. Aliás, fazia muito tempo que ele fora deixado de lado pelo mundo. Entrou num segundo pub. Aquele estava bem mais vazio. Um homem de aparência cansada estava atrás de um balcão, atendendo alguns poucos bêbados que lhe choravam suas mágoas e pediam bebidas. Em algumas mesas dispersas, outros homens, com a aparência de quem bebe há dias jaziam encolhidos, debruçados, descansando a cabeça em cima dos braços ou agarrados a uma garrafa, como se essa fosse a que mais os amasse. Não. Ele não podia suportar isso. Voltou-se para a saída do bar e continuou a andar.
Ele não podia suportar... Oh, Deus, quantas coisas ele já não podia suportar! A solidão tomava conta de cada fibra de seu corpo, invadindo-o como um veneno cruel. Ah, em pensar que já tivera tudo...
Mais um bar. É, aquele parecia bom. Não muito cheio, também não vazio, entre bêbados, jogadores e algumas mulheres. Foi até o balcão e resmungou um pedido qualquer. Um copo cheio de uma bebida amarelada foi colocado à sua frente, por uma mão que ele não se deu ao trabalho de registrar a face. Bebeu de um só gole. O copo foi novamente cheio, e novamente...
...Tivera tudo e perdeu. Perdeu tudo o que mais amava. Perdeu tudo o que conhecia, tudo com o que contava e tudo o que o apoiava. Se ainda tinha algum pequeno e longínquo motivo para viver, era Harry. E estava prestes a perder isso também. Riu, uma risada amarga e forçada. É, também tinha perdido seu riso sincero.
Sentiu uma mão fria encostar-se a sua nuca, e uma voz doce falou em seu olvido. Não estava interessado no que ela tinha para dizer. Virou mais uma dose, antes de murmurar qualquer coisa como resposta a quem lhe falava. Um vulto obscureceu sua visão, após seu copo ser novamente cheio. Não tinha face nem nome, mas pôs-se a beijá-lo. James não teve reação alguma, apenas deixou que aquela mulher o beijasse. Não lhe interessava, nada mais o interessava.
Pegou o copo sobre o balcão e, afastando a mulher um pouco de si, levou-o à boca. Mas, de repente, parou a mão a alguns centímetros do rosto. Por trás do copo, cabelos vermelhos pareciam ser agitados por uma brisa inexistente. Observou por alguns segundos a mulher de cabelos vibrantes que sorria para ele. Ah, como ele amava aquele sorriso. Fez com que, depois de anos, ele se sentisse vivo pela primeira vez. A mulher riu, segurando seu pulso e fazendo com que ele virasse de uma vez o conteúdo do copo. James bebeu e, logo em seguida, a estranha voltou a beijá-lo.
Mas ela já não parecia tão estranha. Os cabelos vermelhos emanavam um delicioso aroma, que lembrava irresistivelmente... Lírios! Sim, lírios... James desceu a mão pelos cabelos. Eram incrivelmente macios, exatamente como podia se lembrar. Segurou o ombro nu. É, a pele tinha a mesma textura. Não tinha dúvidas, era ela.
Mas, como foi parar ali? Por que, depois de tudo o que lhe dissera, estava dando início a tudo, novamente?
Bom, explicações não era o que ele queria agora. Ela o beijava de forma tão apaixonada, que ele correspondeu. No fim de tudo... Ela era sua. Não importava o que todos dissessem, o amor de Lílian era inegável. Parecia que uma chama havia derretido toda a barreira de gelo que ele criou para si. Seu peito doía, mas ele gostava daquela dor. Era desespero, paixão, saudade e necessidade. Um amor que feria e curava. Seu cérebro estava entorpecido, não sentia nada ao seu redor. Um zumbido estranho tomou conta de seus olvidos, a musica e o tagarelar do grupo que jogava, gritando altas apostas a um canto havia desaparecido. Tudo se resumia ao momento em que ela o deixasse. Não! Ela não iria o deixar novamente. Nunca mais.
Agarrou a cintura fina, puxando-a mais para perto. Não havia sequer um centímetro entre eles.
- Vamos sair daqui? – disse, em seu ouvido, com a voz doce que só ela tinha.
- Te amo – foi tudo o que ele pôde responder, os olhos brilhantes.
O vento batia em seus cabelos, ele ria alto em meio a toda aquela adrenalina que tomava conta de seu corpo. Oh, como aquilo era bom... Aquela seria sua noite, ninguém o ultrapassaria. Tirando imprudentemente uma das mãos da moto, levou a mão ao bolso interno da jaqueta. Pegou um pequeno frasco ali e, com os dentes, removeu a tampa, lançando-a, com a boca, para o lado. Bebeu todo o conteúdo num só gole. Durante alguns segundos, o frasco permaneceu vazio. E então voltou a se encher e uma nova tampa surgiu no bocal. Sirius voltou a retirá-la e bebeu todo o conteúdo novamente. O processo se repetiu e o frasco estava mais uma vez cheio e tampado, mas dessa vez ele a guardou no bolso. As luzes à sua volta estavam ligeiramente desfocadas, o painel de sua moto estava bastante embaçado... Nada diferente das outras noites. Arriscou olhar para trás. Ele estava com uma dianteira enorme. É, realmente nada diferente das outras noites.
O vento lhe dava tal sensação de liberdade que nem havia como se lembrar de seus problemas. Tudo aquilo estava numa dimensão tão diferente agora... Suas lembranças se reduziam a algo que ele achava melhor fingir que nunca existiu. Não. Ele estivera se enganando. Aquela vida nunca foi sua vida. Nunca nada daquilo foi verdade. Aquele sim era ele, Sirius Black, o homem jovem, despreocupado, inconseqüente e egoísta. Aquela era sua verdadeira vida, da qual ele estivera se privando. Não devia nada a ninguém, tampouco precisava de outras pessoas. Era, por si só, suficiente. Era superior ao mundo, indestrutível. Era um Black.
Não faltava muito agora... mais um pouco a noite seria mais uma vez sua. Aliás, já era. Já podia ver todas aquelas vadias pularem em seu pescoço. Riu, batendo no painel. Sua vida era apenas sua agora.
Opa... Tinha alguma coisa à sua frente. Mas o que...? Ah, não fazia diferença. Era só desviar e... ERAM DUAS? Não, era alguma coisa grande... Que... Não, deviam ser duas. O jeito era... Era desviar, oras! Havia uma brecha à direita... Não, naquele ponto estava uma delas. Oh não, estava muito perto. Para onde, direita ou esquerda? Ou... No meio? Sua visão estava tão embaçada...
Sentiu, de repente, uma pressão lancinante dos lados de sua cabeça, comprimindo-a. Que... Dor. Sua visão ficou definitivamente obscurecida. Oh não, mas e o... O obstáculo? Era melhor aumentar a velocidade, e passaria por cima. Não era muito alto, afinal. Ele conseguiria. Se sua cabeça parasse de doer um pouquinho...
Aumentou a velocidade consideravelmente. Os pneus marcavam a pista por onde passava. Em menos de dois segundos sentiu um tranco, fez força para elevar a parte dianteira da moto. Logo depois um impacto e a moto se inclinou levemente para frente. Mas passou. Ótimo. Mas... Havia alguma coisa errada... A moto... Sua moto não estava reta... Oh não, mais alguma coisa na pista. E dessa vez era grande...
Sirius fechou os olhos num milésimo de segundo entre uma batida estrondosa e seu corpo sendo violentamente arremessado para frente. Antes que tocasse o chão, à cerca de dez metros de onde sua moto parara, já havia perdido os sentidos. Um filete se sangue que escorria de sua têmpora se uniu a outro que descia de sua boca. O nobre sangue Black.
Seu corpo estava esgotado. Sorriu. Mais uma vez, estavam juntos, como nunca deveriam ter deixado de estar. Deixou seu corpo cair ao lado do dela, sentindo-a aconchegar-se em seu braço. "Te amo" disse, talvez pela septuagésima quinta vez ou mais daquela noite. Aliás, fora as únicas palavras com nexo que conseguira dizer desde que deixara o bar e entrara naquele quarto. Seu corpo ainda pulsava num ritmo frenético... Como fazia bem tê-la por perto! Era, certamente, enlouquecedor. Levantou levemente o tronco, pronto para voltar a beijá-la... Deixar que os olhos verdes novamente invadissem sua alma...
Mas não havia olhos verdes.
Fios pretos saíam de uma cabeça que estava encostada em seu peito, sorrindo para ele. James deu um pulo, sentando-se na cama e ao mesmo tempo levantando violentamente a mulher. De repente, estava fora de si. Com brutalidade, puxou-a pelo braço e a virou, de modo a encará-la. Não, aquele rosto que o encarava surpresa definitivamente não era Lílian.
- Saia de perto de mim! – gritou, empurrando a mulher para longe com violência. Levantou-se e começou a se vestir rapidamente. Sentia-se enganado, traído por sua própria mente. A garota não fez nada a não ser continuar a encará-lo, agachada num canto do quarto, surpresa que o homem há alguns segundos atrás, tão apaixonado, pudesse ser tão violento. Afastou-se vários metros, temendo-o devido a expressão doentia que havia se formado no rosto másculo, belo e jovem. Mas não era necessário. Antes mesmo de vestir-se totalmente, James simplesmente sumiu no ar. A garota se encolheu no canto escuro, aterrorizada com o que acabara de ver. "O homem simplesmente sumiu... no ar!" Era o que diria à suas amigas... Mas... Não! Julgariam que ela estava doida. Céus! Será que foi tudo sua imaginação? Esfregou os olhos, preocupada.
James aparatou em frente à sua casa. Sua visão estava bastante precária, não via corretamente nada à sua volta. Caminhou cambaleante, para a porta da casa.
Francamente... Como pudera imaginar que era Lílian ali? Sua cabeça doía, seus membros protestavam, simplesmente não conseguiam mantê-lo... Tinha vontade de gritar, de bater no que quer que achasse em seu caminho... Mas, não... Tudo rodava tanto... Havia um barulho indistinto em seu olvido... Pareciam... Risadas.
Era o mundo rindo dele. Malditos! Malditos todos os que se meteram em sua vida! Maldito Sirius, maldito Remo, maldito Pedro, maldita Lílian, maldito Stephan! Todos iriam pagar... Todos eles...
Conseguiu finalmente chegar à porta de sua casa, e a abriu com um toque de sua varinha. O hall estava escuro, Harry devia estar dormindo...
Harry... Outro que não lhe dava o mínimo valor. Não se importava o mínimo com James, queria apenas viver com o namoradinho de sua mãe, numa casa de praia...
Socou a porta atrás de si. Harry... Se ele queria, então que fosse embora. James não se importava. Nem um pouco. Não faria diferença.
- Harry! – chamou, iria dizer isso para ele agora. – HARRY! – mas antes tinha que ficar de pé. – VENHA AQUI AGO... AGORA, ARRY!
James se apoiou no encosto do sofá, e continuou a gritar para a escada.
- ARRY! VOCÊ TÁ ME OUVINDO, HARRY? DES... DESCE AQUI AGORA... AGORE... AGORA, HARRY!
- Pai! Que escândalo é esse? – Harry estava ao pé da escada, o rosto amassado e a expressão de sono - São quatro da madrugada, sabia? Tem pessoas que gostariam de dormir.
- Harry, me ouça. – disse James, sério, porém cambaleante pelo efeito da bebida. A voz não estava muito mudada, mas tinha certa dificuldade para falar. – Eu... Eu não me importo tá ouvindo? Nã-não me importo. Você po-pode ir embora, junto com sua mãe e o namoradinho de... Dela.
- Você está bêbado – o adolescente falou, encarando o pai com frieza.
- NÃO INTERESSA! NÃO INTERESSA COMO EU ESTOU! – James berrava, descontrolado, os olhos pulando das órbitas - EU QUERO VOCÊ FORA DAQUI! VÁ EMBORA COM SUA MÃE E AQUELE... AQUELE HOMEM. EU NÃO ME IMPORTO, TÁ OUVINDO? SUMA DA MINHA VIDA, HARRY POTTER!
Harry não fez nada, a não ser encarar com repugnância o pai. Seu rosto bonito e geralmente alegre demonstrava frieza e indiferença. Começou a caminhar em direção a James, lentamente.
- Já disse para ir embora – disse James, parecendo, por um momento, estar sóbrio, se afastando alguns passos quando Harry chegou bem próximo a ele. – Não quero mais ver você.
- É melhor você dormir um pouco. Não sabe o que está falando. – Harry disse, a voz mais seca do que o habitual. – Vai se arrepender do que está dizendo. - Olhe, me desculpe pelo que lhe falei hoje... Ontem de manhã. Vamos, você precisa dorm...
- Eu sei muito bem o que estou falando, Harry! – James cortou o filho, a voz mais uma vez descontrolada. – Não quero mais que venha para essa casa. Estou disposto a passar sua guarda para o noivo de sua mãe. É tudo o que você quer, não é? Pois bem. Vão viver você, aquela vadia e o namorado dela, felizes para...
Um soco de direita atingiu a face de James, fazendo-o cair, desacordado, sobre o sofá. Harry encarou o pai por alguns instantes, bastante consciente e nem um pouco arrependido do que fizera. James passara dos limites. Para ele, já era o suficiente. Não tinha a menor paciência para aquilo tudo. Deu meia-volta e subiu as escadas rapidamente para seu quarto. Abriu a porta com violência e pôs-se a enfiar numa pequena mala tudo que estava ai e lhe pertencia. Antes de deixar o quarto, seus olhos denunciaram tudo o que realmente sentia. Se, algum dia teve momentos realmente bons com o pai, não podia se lembrar. E, aquela noite, fez com que se recordasse de suas ultimas lembranças de antes de seus pais se separarem.
Harry deitava em sua cama, mas não dormia. Sabia o que aconteceria quando seu pai chegasse, e a expectativa não o deixava dormir. Era como se soubesse que, ao dormir, teria um sonho bom. E ele não podia viver esse sonho bom, enquanto sua mãe vivia uma realidade tão ruim. Tinha que ouvir as palavras do pai, sentir o cheiro de bebida. Por algum motivo, sabia que deveria ver. Sabia que teria que encarar isso muitas outras vezes, e não podia fugir. Tinha que ouvir as palavras duras, dividir a dor com sua mãe. Não, James jamais encostou um dedo em Lílian. Mas suas palavras feriam mais do que qualquer coisa. Seu descaso e seu abandono marcavam Harry e Lílian a cada dia, mais do que qualquer mão poderia marcar.
Mas teve uma noite que James não voltou. Harry se lembrava de ter ido para o quarto de sua mãe e, pela primeira vez em longos meses, ele e Lílian dormiram tranqüilos. Harry nunca se esqueceria da paz que tomara conta daquela casa na noite que James não apareceu. Ele e Lílian, sozinhos, eram mais felizes. E os dias se passaram. Depois de um tempo, descobriu que deveria passar alguns dias com o pai de tempos em tempos, mas tudo bem. Talvez fosse até melhor. Mas, mais uma vez, Harry se deparou com o abandono. James não dava atenção ao filho, deixando-o aos cuidados de uma senhora, muito gentil, mas que não substituía o que Harry esperava de James. O que esperava e nunca teve.
E agora, mais uma vez, James mostrava-se totalmente dispensável na vida do filho. Não, ele não sentia nem um pouco. Não sentia pelo soco que havia dado no pai, não sentia por deixar aquela casa, provavelmente para sempre. Não queria mais voltar ali. Não queria voltar para a casa daquele homem que nunca se importou com ele. James obrigou o filho a se tornar homem muito cedo. E é assim que as coisas seriam. Dois homens, que não tinham nada a ver com a vida um do outro.
N/A: Mais um cap, dia 11, conforme prometido Espero que tenham gostado!
Muuuuuuuuuuuito obrigada à Mel Black Potter e JhU Radcliffe! ameei ameeei ameeei as reviews de vocês!! (a jana e o vizinho sabem o quanto eu amei... spsksokspokspoksp) Vocês me animaram muito a continuar a escrever ainda tô aprendendo a mexer no mas acho que respondi vocês duas... se não, me falem, que eu respondo pela N/A mesmo.
obrigada também a alguém que estiver lendo mas não deixou review... de qualquer forma, tanks xD
próximo cap dia 18, ok:D Tipo... longe de mim chantagem, mas se tiver pelo menos três reviewszinhas (nem vem que você não conta, janaína dantas.) eu posto antes... aiahauihauihaiuahiuah
agradecimento super especial à minha beta liiinda! que, além de ler e corrigir isso aqui, aguenta minhas obsessões por D/H e meu transtorno compulsivo-obsessivo por escrever o/ aiahaihaihaiuhauahiauha
