Capitulo V

O encontro

Passaram-se dois meses desde aquela entrevista que Leohnora tivera com Lucius e Draco. As festas de fim de ano estavam próximas e o Torneio de Quadribol havia começado há quinze dias. Hogwarts estava lotada de alunos que se acotovelavam durante os jogos nas arquibancadas. Haveria uma partida no dia seguinte entre Hogwarts e Drumstrang, e Leoh resolvera descansar um pouco pois continuava se sentindo muito fraca. Assim, Snape iria sozinho assistir a partida.

Quando a hora da partida se aproximou, ele aproveitou que a maioria dos alunos já tinham ido para o campo de Quadribol, e passou nos aposentos de Leohnora para ver se estava tudo bem. Ela disse-lhe que sim, e dando-lhe um beijo, viu-o sair para a noite fria. Não mais que minutos depois uma sombra se esgueirou para fora dos portões da escola e aparatou ali mesmo.

Leohnora usava uma capa preta e seus cabelos balançavam pelas laterais do capuz com o vento frio da noite. Ela desceu uma rua, virou a primeira esquina e entrou num pub com letreiro em neon. O lugar ficava no centro da Londres trouxa e estava repleto deles. Ela retirou a capa. Vestia uma calça de couro preta, botas e uma blusa branca. Dirigiu-se á uma mesa no canto e fez o pedido ao barman que havia vindo até ela. O homem trouxe a bebida e ela agradeceu comum aceno de cabeça. A porta do pub se abriu novamente e um homem trajando um capa preta entrou e se dirigiu a mesa em que ela estava sentada.

Ele se sentou e baixou o capuz. A imagem de Lucius Malfoy sorriu para ela, e aparentemente tinha recuperado o peso.

- Leohnora - Ele falou maliciosamente - È um prazer encontra-la aqui, afastado de olhares curiosos.

- Não perca seu tempo me galanteando, Lucius - Ela sorriu e bebericou o copo a sua frente - Como está Narcissa?

- Não pretendo menosprezar sua inteligência - e a encarou sério - Ela está em Azkaban, acredita que possa estar bem?

- Desculpe, não tive a intenção de magoá-lo – disse consternada - Tenho como inocentar Draco, mas quero lhe pedir um favor, Lucius.

- Não seria amoroso, seria? - sorriu irônico

- Receio que não, meu caro.- devolveu-lhe o sorriso e sorveu o resto do conteúdo do copo - Quero que encontre alguém para mim. Você ainda tem muita influência e contatos, sei que pode faer isso facilmente, preciso que ache a professora Trelawney.

Lucius deu-lhe um sorriso de desdém e colocou sua mão por cima da dela.

- Não me diga que vai defender Severus? - Ele observou atentamente sua reação

- Vê? Como eu disse, você ainda tem muita influência - Ela mexeu no copo vazio girando-o - Imagino que foi no Ministério que soube...

- Talvez... – rebateu.

- Bom, Malfoy... Espero que possa me ajudar a encontrá-la - Chegou seu rosto para frente - Afinal, Snape é seu amigo também, não?

Ele ficou em silêncio enquanto Leohnora se levantava, colocando a capa e tomando a direção da saída do pub. Malfoy jogou uma nota em cima da mesa e saiu atrás dela. Leoh tinha acabado de virar a esquina, quando sentiu um puxão em sua capa e viu Lucius em pé a suas costas.

- Não vai sair assim... Sem se despedir... - Ele a puxou para si e arrancou-lhe um beijo.

A mão dela subiu ao ar, mas ele a deteve com a bengala.

- Ahn, ahn - ele fez que não com o dedo - Não quer que eu ache a professora ?

Leohnora o encarou com seus olhos castanhos cintilando de ódio, virou-se e foi na direção contrária o pub. Sumiu na escuridão da noite.

Quando entrou em seus aposentos, um vulto alto e negro estava parado em frente a cama, imóvel. Ela caminhou até ele e quando tentou se aproximar mais foi detida por suas mãos. Snape a encarou friamente.

- Aonde estava? – rosnou baixo.

- Fui dar uma volta - ela disse devagar - Queria respirar um pouco de ar puro, só isso.

- Londres não é um bom lugar para passear a essa hora, sabia? – Estreitou seus olhos pretos sobre ela - Não creio que Lucius seja uma boa companhia, ou é?

- Sevie, e-eu posso explicar... - balbuciou e começou a estalar os dedos. - Fui pedi-lhe um favor...

- Que ele lhe aceite de volta - seus olhos pretos cintilaram - Não vai ser difícil, posso garantir.- disse isso com raive e virou-se para sair - Eu não sou palhaço, Leoh...

- Eu fui pedir que encontre Sibylla, juro! - Ela estava mais branca que o normal.

Snape não lhe deu atenção, cruzou o quarto emdireção ao vestíbulo, e antes de sair pela porta, falou amargamente:

- Eu vi quando ele a beijou...

Bateu a porta com força e o barulho ecoou pelo quarto, enquanto Leohnora desabava no chão aos prantos.

Na manhã seguinte Leoh não desceu para o café, limitou-se a dar suas aulas e voltou aos seus aposentos. A semana se passou assim, ela fazendo seu dejejum no quarto e sem aparecer para o almoço e o jantar. O natal seria no sábado seguinte, o que a fez lembrar do pedido da diretora sobre o baile. Procurou Minerva e acertou todos os detalhes, mas manteve-se longe da mesa dos professores. Na noite de sexta ficou até tarde fazendo os enfeites para o dia seguinte, deixando o Salão Principal ricamente decorado.

Os alunos fizeram a refeição em outro lugar para que não vissem a decoração antes da hora. E logo em seguida Minerva foi lhe fazer uma visita. bateu na porta, mas como não obteve resposta empurrou-a e entrou. Passou pelo vestíbulo, entrou no quarto e ouviu um barulho vindo do toillet. Ela se aproximou e ao entrar deparou-se com Leohnora apoiada na pia, os lábios brancos e pronta para desmaiar. McGonagall a acompanhou até a cama e deitou-a .

- Vou chamar Severus. – disse calmamente.

- Não, Minerva ...- Seus olhos a fitaram apavorados - Ele não...

- O que está acontecendo, Leoh ? - A bruxa a encarou por trás dos óculos - Eu pensei que vocês...

- Não mais...- Ela segurou a mão da diretora - Traga Madame Ponfrey

A diretora assentiu e saiu sem fazer mais perguntas. Uma meia hora depois voltou com Madame Ponfrey ao seu encalço. Leohnora tinha recobrado a cor dos lábios e parecia mais disposta. Minerva ficou em pé ao lado da cama, enquanto a outra examinava a paciente. Assim que terminou, Madame Ponfrey encarou Leohnora com severidade.

- Acho que não preciso dizer o que tem... Preciso?

- Não - disse Leoh.

- Sim - interveio a diretora.

- Ela ainda não lhe contou, Minerva? - disse Mme. Pronfrey virando-se para a diretora

- Não. Não contei a ninguém...- Leoh encarou as duas - E espero que façam o mesmo.

- Minerva tem que saber, Leoh. Ela é a diretora - disse duramente - Você terá que se afastar em pouco tempo.

- È tão grave assim ?- perguntou Minerva

- Não, a princípio não há risco - Virando-se para Leoh - Vai contar o quer que eu o faça ?

- Estou grávida. - desviou o olhar das duas - ...é isso prof .McGonagall

Minerva levou as duas mãos aos lábios, seus olhos piscaram umas duas vezes e quando voltou a falar, ela o fez calmamente.

- Imagino que o pai não saiba... - ela respirou fundo.

- Não, ele não vai saber - disse Leoh duramente.

- Bom, vou deixá-las a sós. Tome esse tônico e descanse ,Leoh - e encarando-a antes de deixar o quarto, disse - È melhor que conte á ele. Vou ter que pedir-lhe que faça mais poção e ele vai desconfiar.

Disse isso e saiu do aposento.

- Minha querida - A diretora sorriu-lhe - Tenho certeza que ele vai adorar.

- Preciso defendê-lo no Ministério, não posso deixar que saibam - Leoh explicou.

- Não terá como esconder - deu-lhe uma palmadinha na mão - Não è justo fazer isso com o pai da criança. Se você não contar, Leoh, ele nunca perdoará. Agora descanse, o baile é daqui a quatro horas e quero que você melhore e vá, ouviu?

Ela sorriu e McGonagall deixou os aposentos. Leohnora adormeceu em seguida, e quando acordou já estava quase na hora do baile. Sentia-se um pouco melhor, mas ao olhar-se no espelho viu "uma abóbora". Tomou um banho, olhou os cabelos lisos e fez uma careta. Foi até seu armário escolheu um vestido salmão que a deixava mais esguia e tinha um lindo decote nas costas. Vestiu-o rapidamente, voltou até o espelho e com um toque de varinha os cabelos encachearam prendendo-se em um coque desalinhado. Leohnora aprovou o efeito e realçou os lábios com um batom carmim. Passando a mão no écharpe da mesma cor do vestido saiu para o corredor.

Não gastou muito tempo para percorrer os corredores até o Salão Principal. Assim que entrou foi ao encontro de Minerva que vestia uma linda veste verde esmeralda e sorriu ao vê-la. Em pé a um canto do recinto estava Snape em seu traje de gala preto. Ela o fitou mas ele desviou o olhar.

As valsas começaram e o salão começou a encher com os estudantes das três escolas. Minerva foi tirada pelo diretor de Drumstrang para dançar e Leoh se viu sozinha. Olhou para onde estava Snape, e ele pareceu mais mal humorado do que de costume. Não demorou muito para que o menino que havia provocado ciúmes em Snape meses antes a tirasse para dançar. Leohnora chegou a hesitar, mas ao ver novamente Snape desviar de seu olhar, não teve mais dúvidas. Não iria passar a noite inteira esperando que ele a convidasse para uma valsa. Até porque, depois seria tarde demais, um grupo adolescente bruxo ia se apresentar.

O par dançou tão divinamente que abriu espaço na pista. Leohnora deslizava suavemente de uma lado para outro do Salão conduzida pelo jovem aluno. Ela podia sentir os olhos de Severus grudados nela a cada movimento que fazia. Eles iam dançar a terceira valsa, quando ela aproveitou que a música parara e sorveu um copo inteiro de Firewhiky num gole. Recomeçou a dança: mais uma valsa e depois, uma nova parada. Outro copo de Firewhisky. Quando ia começar a valsar novamente viu o braço de Severus retirar gentilmente o menino de sua frente e o afastá-lo com um rosnado.

Ele a conduziu de volta ao centro do salão e começaram a valsar. Leoh desviou do olhar que ele lhe lançara. Ela estava mais resplandecente que nunca e Snape não desviava seus olhos dela. A música acabou e Leoh sentou-se na mesa com ele pegando mais um copo Firewhisky. Ele o retirou da sua mão e encarou-a.

- O que está pretendendo fazer? Se embebedar? - seu tom era desprezível - Lucius não a quis de volta ?

- Ora, professor - Ela fixou seu olhar nos dele. - Desde quando controla o quanto bebo? A propósito não lhe devo satisfações da minha vida...

- Desde que queira ser irresponsável eu a controlarei - ele rosnou.

- Esse porre não tem nada a ver com Lucius... – ela disse grogue, e continuou: - Nunca mais o vi.

- Controle-se Leoh, você ainda está na frente de seus alunos – ele sussurrou - Sei que não tem visto Malfoy.

- Diga-me foi por isso que me tirou para valsar? - ela sorriu .- Foi um pedido de desculpas, não foi?

- Não. - rebateu friamente - Apenas evitei que continuasse dando vexame com aquele pirralho.

Ela se levantou de um salto encarando-o com os olhos cintilantes de ódio, pegou sua écharpe e saiu a passos largos do Salão. Atravessou o hall de entrada e os jardins da escola como um vento frio de inverno dirigindo-se para o lago. A noite estava fria e todo agasalho que possuía era a écharpe. Bufando, sentou-se na grama e ficou ali fitando o ceú. O vento sibilava nas árvores e jogava seus cabelos para trás. Leohnora baixou os olhos enquanto as lágrimas rolavam por sua face. Aquele embate com Severus tinha sido a gota d'água, todos os sentimentos conflitantes dentro dela afloraram.

Um leve ruído a suas costas a fez virar e pode ver que Severus estava em pé atrás dela. Sem dizer nada ela voltou seu olhar para a superfície calma do lago. Ignorando o desprezo dela, ele se sentou ao seu lado e atirou uma pedrinha na água que ricocheteou em sua superfície que agora descrevia elipses longas que se multiplicavam até a beira. Leohnora continuou imóvel com o queixo apoiado entre as pernas encolhidas.

- Por que mentiu para mim naquele dia? - ele disse enfim.

- Por que não me deixaria ir. - ela respondeu sem encará-lo - Pensaria exatamente o que pensou, mesmo que fosse avisado... Mesmo sabendo que o amo.

- Seria diferente.- ele argumentou.

- Não, não seria, Severus - Ela voltou seu rosto molhado pelas lágrimas na direção do dele e o encarou, dizendo: - Seja honesto... Sua reação seria a mesma. Você duvidou de meu amor, da minha fidelidade!

- Você mentiu! - esbravejou

- Eu não omitiria nada se você fosse uma pessoa compreensível - ela retrucou no mesmo tom.

Ele a fitou em silêncio. Leoh se colocou de pé e sem dizer ou esperar qualquer palavra partiu de volta para o castelo. Snape a viu seguir o caminho de volta, mas de repente saiu correndo na direção que ela tomara. Leohnora desmaiara no meio do jardins.

Quando Leoh acordou estava deitada em sua cama tendo Mme .Ponfrey ao seu lado e um Snape nervoso andando de um lado para o outro do aposento. Ela abriu os olhos e encarou a mulher ao seu lado. Mme .Ponfrey lhe sorriu e antes que Snape notasse que Leoh havia acordado, ela sussurrou ao ouvido da professora: - " Ele ainda não sabe de nada, Leoh. Faça um favor aos dois e conte ". Leoh deu um longo suspiro e viu a enfermeira falar mais alto:

- Professor - disse para ele - Ela acordou.

Ele se aproximou da cama num piscar de olhos, enquanto Mme. Ponfrey se levantava e saía do aposento.

- Você está bem ? - Tomou suas mãos entre as dele.

- Estou - ela disse curta.

- Vai me contar o que está acontecendo? - rebateu - Por que há duas semanas vem fazendo refeições no quarto?

- Não existe nada demais. - ela o encarou – Apenas resolvi que seria melhor assim.

- Eu sei que tem me evitado, mas isso não é motivo para...- ele se calou estreitando os olhos sobre ela – Desmaios, enjôos... - olhou o frasco sobre a cabeceira e pegou-o nas mãos - Tônico contra enjôos? Isso é medicação usada em casos de...- Ele a fitou lívido.

- Gravidez ? Você é ótimo no que faz. - ela completou se virando para o lado e ocultando seu rosto no travesseiro. - Pronto, agora tem sua resposta para minha reclusão. Por favor saia, Severus.

A expressão dele mudara. Estava com as mãos crispadas sobre o vidro como se pudesse estraçalhá-lo num golpe. Num gesto brusco debruçou-se sobre o corpo dela e a virou de encontro a seu rosto impedindo-a de se mover. As mãos dele exerciam tal pressão sobre a pele clara dos ombros dela que a marca dos dedos começava a ficar visível. Leoh manteve seu olhar fixo na lareira a sua frente.

- Quanto meses, Leoh? – ele não perguntava e sim exigia uma resposta.

- Dois completos.- respondeu com as lágrimas correndo sobre o rosto sem fitá-lo.

- Não ia me contar? - retrucou estúpido dando um leve sacolejo nela e fazendo-a olhar para ele.

Os olhos dela estavam no seus, a dor e a raiva passavam por eles, no entanto, tudo que Snape obteve como resposta foram lágrimas e um soluço que percorreu o corpo todo de Leoh. Ele aproximou seu corpo do dela e abraçou-a, entrelaçando os longos fios de cabelos acobreados em seus dedos. E perguntou:

- Porque? – ele afagava os cabelos dela enquanto sentia as mãos dela enlaçarem seu corpo.

- Não o quero comigo por causa da criança... – a voz saiu fraca de seus lábios.

- Eu poso não ser o homem mais indicado para a paternidade... – crispou os lábios numa linha fina de sorriso. - , mas eu não fugiria dela... – Abraçou-a com carinho e descendo os lábios até seu ouvido, sussurrou: - Como eu poderia dizer não a um filho com você? Esperei anos por isso e achei que nunca fosse acontecer.

Ela se afastou dele e encarou pretos. Sorriu para o homem que surgiu na sua frente, um Snape resgatado de todo seu rancor, um homem que só parecia fisicamente com seu antigo professor de Poções. Ele por sua vez a endireitou nos travesseiros, fitando-a ternamente. Ela deteve a mão dele entre as suas e disse:

- Infelizmente isso nos coloca em maus lençóis. – Ela pesava com cuidado suas palavras – Se a notícia se espalhar não poderei defendê-lo.

- A minha defesa é mais importante que isso? – Ele levantou e andou pelo aposento – Você não está sendo racional, Leoh...

- Não posso ser racional nesse momento. – Seus olhos brilharam ao encontrar os dele.– Há duas vidas dependendo de mim. Não quero o pai do meu filho em Azkaban e..

- È um menino? – Ele estacou no lugar que estava. A emoção na voz dele era quase palpável.

Leohnora abriu e fechou os lábios várias vezes seguidas, queria protestar, mas resolveu se calar. Tinha que admitir para si mesma que estava vivendo uma situação nova e ele também. Ia ser impossível conversar sobre outra coisa.

- Sim – ela sorriu vencida.

- Você já escolheu o nome? - perguntou com um sorriso cínico nos lábios, arqueando a sombrancelha.

- Francamente, Severus – Revirou os olhos em protesto e depois sorriu. – Você não pode pensar em outra coisa?

- Não – rebateu categórico. Com os olhos presos aos dela, ele se aproximou e afagou-lhe os cabelos novamente dizendo: – Tente dormir um pouco. Vou ficar aqui esta noite.